Restos de Colecção: Alfaiataria
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2 de junho de 2026

Alfaiatarias "Ribeiro & Silva" e "Rosado & Pires"

A alfaiataria "Ribeiro & Silva", foi inaugurada em 2 de Novembro de 1908, na Rua Augusta, 150 e 152, no prédio onde funcionava desde 23 de Fevereiro de 1879, o "Grande Hotel Duas Nações", sendo actualmente o segundo hotel mais antigo de Lisboa, ainda em funcionamento, depois do "Hotel Borges" (antes de 1874) na Rua Garrett, actualmente com a denominação de "Hotel Borges Chiado".

Alfaiataria "Ribeiro & Silva"

A "Ribeiro & Silva" ocupou inicialmente as lojas dos números 150 e 152, apelidada de "Casa dos Arcos". Nestes números e em conjunto com os 154 e 156, já em 1896 os "Grandes Armazens da Casa Africana" tinham ampliado as suas instalações iniciais aquando da sua fundação em 15 de Dezembro de 1875, na Rua da Victoria, 33, 35 e 37.

12 de Janeiro de 1896

Em 1905 a "Casa Africana" muda de instalações e noa ano seguinte de 1906 o proprietário do prédio Leopoldino Ribeiro, promove grandes obras de alteração nas fachadas e ampliação das lojas, tornando-se conhecido pela "Casa dos Arcos". Dos anteriores números de portas 142 a 156 passam a 150 a 156.


 Projecto na revista "Construção Moderna" de 20 de Junho de 1906



3 de Novembro de 1908

Em 5 de Novembro de 1908 a loja de modas "Machado & Santos" que tinha sido fundada em 1900 na Praça de D. Pedro (Rossio), 121-122 esquina com a Rua da Bitesga, 26-32, muda-se para os nºs 154 e 156 com os nos 43 e 45 da Rua da Victoria. 

5 de Novembro de 1908

Loja "Machado & Santos" já só no nº 156 de esquina com a Rua da Victoria e com a "Ribeiro & Silva" a seu lado nos nos. 150 a 154

Entretanto a "Machado & Santos" abre falência e o seu recheio vai a hasta pública em 15 de Dezembro de 1910 que é arrematado pela sua vizinha "Ribeiro & Silva" que no ano seguinte de 1911 se muda para as antigas instalações da "Machado & Santos" nos números 154 e 156 esquina com os 43 e 45 da Rua da Victoria.


1911


24 de Setembro de 1914

Quanto aos luxuosos interiores «herdados» pela "Ribeiro & Silva", transcrevo parte da notícia aquando da mudança de instalações da "Macahado & Santos"  em 5 de Novembro de 1908:

«Achamo-nos de subito n'um meio luxuoso como raros costumam ser entre nós os estabelecimentos congeneres.
A armação toda em carvalho guarnecida de espelhos e crystaes foi confeccionada pelo pessoal da "Carpinteria 5 de fevereiro." que tem como proprietario e director o sr. Luiz Soares Bandeira Junior. E' trabalho dos que melhor ficam honrando a industria nacional.
Na decoração salientaram-se por forma tambem notavel os srs. Barbosa & Costa, com officina de estofador. A elles se devem o conforto que se nota no pequeno salão do 1.° andar, o qual é destinado a provas, guarnecido a branco e ouro, bem como a feliz disposição d'uma outra sala em escuro que os srs. Machado & Torres fizeram apropriar a prova de vestidos para theatros, bailes, etc.
Não ha na capital outra que se lhe assemelhe mormente pelo que respeita á boa disposição dos focos electricos.
Entre os accessorios artisticos do 1 ° andar, é de justiça não esquecer tres magnificos "panneaux" estylo Luiz XV devidos a phantasia e ao "savoir-faire" de Augusto Pina que é hoje incontestavelmente um dos nossos mais perfeitos cultores da pintura decorativa.»


1913

Entretanto na antiga loja da "Ribeiro & Silva" nos números 150 e 152 instalou-se uma casa idêntica, a "Brito & C.ª ", mas apenas «alfaiates para senhoras e creanças».


1913

Em 24 de Dezembro de 1915 o jornal "A Capital" publicava um artigo acerca da alfaiataria "Ribeiro e Silva" donde retirei os seguintes excertos:

«(...) Não é necessario ir ao estrangeiro para apreciar em toda a sua belleza um authentico "tailleur". Quem se detiver um pouco deante das omplas vitrines do Casa dos Arcos, da rua Augusla, 154 e 156, dobrando para a rua do Victoria, 43 a 47, reconhece, apos uma leve vista de olhos, que os srs. Ribeiro & Silva estão a par dos primeiros costureiros de Paris ou Londres na confecção d'esse genero de vestidos, ultima e suprema palavra da moda.
A Casa dos Arcos occupa, entre as primeiras alfaiatarias de Lisboa, um logar de indiscutivel relevo. Fundamenta-se com justiça o renome que alcançou nos maravilhosos thesouros dos seus contra-mestres, na solicitude com que os seus proprietarios procuram estar ao correnle do que decretam os centros da moda, nos fornecimentos soberbos que importam e que cada qual pode odmirar visitando os seus "atelliers".
Os modelos em voga, envergados pelos manequins das montras da Casa dos Arcos, são um primor pela elegancia das linhas, pela qualidade dos tecidos, pelo gosto das applicações.. Qualquer senhora que disponha de senso esthetico e que saiba vestir bem, desde que entre na Casa dos Arcos, nao sahe de la sem fazer a sua encommenda, tão convincentes são as provas da competencia dos que a dirigem e tão distictamente executados os figurinos dos mais celebres creadores da moda franceza que é e continuará sendo a moda de todo o mando culto. (...)
Mas os srs. Ribeiro & Silva não se notabilisam apenas como alfaiates de senhoras. Todo o homem que se presa de vestir com esmero dn'aquella caso servido caprichosamente o merece menção o bom gosto dos padrões que a mais delicada phantasia ali seleccionou. E os seus trajos paro creancas? E oa seus uniformes para collegiaes? E' uma capital europeia aquella que conta estabelecimentos como a Casa dos Arcos e são admiraveis mestres os que lhe grangearam tamanho e tão solido prestigio!»

13 de Setembro de 1915

Este artigo era reforçado com uma nota no ano seguinte em 16 de Setembro de 1916 ...

«(...) A casa Ribeiro & Silva, na antiga Casa dos Arcos, rua Augusta 150 a 156 o rua da Victoria 48 a 47, o inegavelmente como das primeiras alfaiatarias de senhoras do paiz, possuindo todos os segredos que se relacionam com a arte de confeccionar um tailleur.
A casa Ribeiro & Silva tem ainda alfaiataria para homens e creancas, tanto para fatos civis como para uniformes militares, sendo inexcedível o acabamento que da a todos os seus trabalhos.
A sua clientela é das mais distinctas.
Os mestres dos seus atelliers visitam todas os estações as principaes casas de Paris e de Londres, d'onde trazem os ultimos modelos.»

1915

24 de Junho de 1928


Julho de 1934

A "Ribeiro & Silva" trespassaria parte das suas instalações, o nº 156, a outra alfaiataria que viria a gozar de igual ou maior prestígio, a "Rosado & Pires, Lda." que tinha sido constituída em 28 de Janeiro de 1935. 

Especializada em vestuário masculino, vendia variados artigos desde fatos, casacos e camisas até acessórios como carteiras e bengalas. A loja manteve grande parte das características do espaço anterior, conservando mobiliário de desenho ecléctico de finais do século XIX e inícios do XX. Distribuída pelos dois pisos, a alfaiataria reservava no piso térreo um amplo espaço de atendimento e exposição de artigos, sendo o primeiro piso, para onde se acedia através de uma escadaria de madeira, destinado a uma sala, quatro gabinetes de prova e um atelier. As quatros cabinas de prova, existentes na sobreloja, caracterizavam-se pelos seus diferentes estilos decorativos: Império, Luís XV, Arte Nova e Arts & Crafts, com toda a loja apresentando por um aprimorado trabalho de marcenaria. 

Alfaiataria "Rosado & Pires, Lda." em foto de 1944

Em 24 de Fevereiro de 1971 a firma "Rosado & Pires, Lda.", passava a ter um capital social de 1.200.000$00 distribuídos pelos sócios Eurico Leonis da Silva Rosado (266.675$), Manuel Dias Pires (266.675$), Luis Augusto da Silva Rosado (266.650$). Em 1989 já eram sócios-gerentes Júlio Pereira da Silva Rosado e Elisa Adelaide de Campos Rosado Galo.




Alfaiataria "Rosado & Pires, Lda." nestas 3  fotos de 1994


2002

A cadeia de lojas de lingerie multinacional "Intimissimi" (fundada por Sandro Veronesi em Itália em 1986) viria a adquirir a loja da "Rosado & Pires, Lda.", por escritura pública lavrada em 22 de Junho de 2004 e ali abriria mais uma loja,  mantendo os seus interiores originais. 

A firma "Rosado & Pires. Lda." ficaria com a seguinte composição societária: Sandro Veronesi, - Manlova, Itália; Matteo Murano, - Verone, Itália; Davide Scialpi, - Verone, Itália.





fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa,Arquivo Municipal de Lisboa, Logica2 (Projetos e Construções), 3 fotos do livro "Lisboa: Lojas de um tempo ao outro, Vol II" de Jorge Ribeiro (1938-2006) - Biblioteca de Arte da FCG - 1994.

25 de fevereiro de 2026

Alfaiataria J. Gomes dos Santos, Lda.

A alfaiataria "J. Gomes dos Santos, Lda." foi fundada em 3 de Outubro de 1941, por José Gomes dos Santos, na Praça dos Restauradores, 69-71, em Lisboa, ocupando, simultâneamente,  os 1º e 4º andar do mesmo edifíco, onde mantinha as suas oficinas.



"J. Gomes dos Santos, Lda." no primeiro toldo


18 de Outubro de 1941


Estabelecimento anterior à "J. Gomes dos Santos" à direita do automóvel em fundo


24 de Dezembro de 1943

José Gomes dos Santos, tinha trabalhado entre 1910 e 1916 na alfaiataria "Lourenço & Santos, Lda."  fundada em 10 de Maio de 1910, na Rua do Príncipe (actual Rua do Primeiro de Dezembro) esquina com a  Praça dos Restauradores, em Lisboa, por seu irmão Manuel Gomes dos Santos, em sociedade com Miguel Pereira Lourenço, dois reputados nomes no ramo. 

Alfaiataria "Lourenço & Santos, Lda." no edifício do "Avenida Palace Hotel"

Acerca da alfaiataria "J. Gomes dos Santos, Lda." a livro "Praça de Lisboa", organizado por Carlos Bastos em 1946, historiava:

«Natural de Mata de Mourisca, concelho de Pombal, José Gomes dos Santos, que hoje conta setenta e dois anos de idade em plena pujança de espirito e actividade, é uma figura de relêvo no nosso meio comercial, quer pela posição que brilhantemente ocupa no ramo de alfaiataria - mercador, quer pelas altas qualidades profissionais e de carácter que destacam o seu nome individual.
Tendo iniciado a carreira no ramo de fazendas, começou a trabalhar aos catorze anos na extinta casa de João Crisostomo Sequeira, à Rua dos Fanqueiros, de onde transitou mais tarde para J. A. Nunes (Loja do Galo), no Conde Barão. Após uma estadia de quatro anos no estabelecimento de Manuel Antonio Soares, em Setúbal, ingressou sucessivamente nas casas Africana e Xavier da Silva. Nesta última exerceu as suas funções durante nove anos, até à data em que se transferiu para a loja de modas de A. Rodrigues Chamusca, na Rua de Santa Justa. A pedido do sócio Azevedo que lhe tributava profunda estima e aprêço, voltou de novo à Casa Africana.


José Gomes dos Santos (1873 - ? )

Entretanto, como seu falecido irmão Manuel Gomes dos Santos fundasse, em 1910, a firma Lourenço & Santos, a que noutro lugar nos referimos, José Gomes dos Santos foi por ele convidado a entrar no estabelecimento recêm-criado, pedido a que acedeu, tendo aí prestado valiosa colaboração durante seis anos.
De comum acôrdo abandonou o cargo em fins de 1916, para, a 3 de Janeiro do ano seguinte, fundar a firma Castilla & Santos, no Palácio Foz, à Praça dos Restauradores, estabelecimento que, desde princípio, se colocou entre as melhores alfaiatarias de Lisboa.
Como o sócio Castilla desejasse afastar-se da actividade, José Gomes dos Santos, a partir de Janeiro de 1924, ficou com todo o activo e passivo da casa à sua responsabilidade, prosseguindo sòzinho no negócio.


Comércio no "Palácio Foz" nos anos 20 de século XX e alfaiataria "Castilha & Santos" primeiro estabelecimento à esquerda.

Em 28 de Janeiro de 1926, querendo recompensar a cooperação dedicada de alguns dos seus empregados, José Gomes dos Santos constituiu a actual firma, na qual deu sociedade a Augusto Izasca, David dos Reis Henriques e José Ramos dos Santos, que, como sócios, lhe continuam a dar a mesma excelente colaboração de sempre, dentro do maior espirito de harmonia e amizade.
Em virtude do Palacio Foz haver sido comprado pelo Estado e de obrigar, portanto, à transferência dos estabelecimentos que preenchem o rés-do-chão, a firma, em 3 de Outubro de 1941, mudou a sede para a mesma praça, 69 a 71, vindo então a ocupar as magnificas e modernas instalações actuais, executadas propositadamente segundo projecto de Norte Júnior.
Além da loja, ocupa o 1.° e 4.° andares com as suas oficinas.»


"Casa Favorita", (toldo com marca de bicicletas "Rover") no início do século XX e onde se viria a instalar a alfaiataria em 1941



"J. Gomes dos Santos, Lda." com o stand da "Sociedade Comercial Guérin, S.A.R.L." ao lado e ali desde os anos 30 do século XX

Em Outubro de 1971, a sociedade "J. Gomes dos Santos, Lda.", com um capital social de 1.200.000$00 era constituída pelos seguintes sócios: António Augusto Ferreira Izasca, Fernando Pina Ferreira Izasca, António Manuel Cabeceiro, Fernando Manuel Martins Gomes da Silva e Armando Oliveira Lagoaça.


28 de Agosto de 1972

Em 18 de Junho de 1976, António Augusto Ferreira Izasca e Fernando Pina Ferreira Izasca, cedem as suas cotas a D. Esmeralda Heise Henriques Moreira.

Já em 1906 o poeta popular Luiz d'Araujo no seu livro "Cem Fados de Luiz d'Araujo - Collecção de cantigas escriptas delicadamente para se cantarem á guitarra e ao piano" ...

Em 2017 ... «Tem alfaiataria por medida mas sobretudo pronto-a-vestir e camisas com marca própria. A decoração de 1989 dá um ambiente, com brilho e elegância: paredes forradas a granito róseo, entrecortadas por espelhos de alto a baixo, um lustre, uma “teia” de pequenas lâmpadas de tecto reforçam a sensação de leveza que toda a exposição transmite. No 1º andar uma sala de provas exibe uma consola em boa madeira clara, encimado por um espelho, da anterior decoração da loja».  



Esta conceituada alfaiataria, viria a encerrar definitivamente em 2019, tendo a firma "J. Gomes dos Santos, Lda." sido liquidada e dissolvida, em Outubro do mesmo ano. O seu espaço é hoje ocupado pela loja "Women'Secret".


fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa,Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

24 de janeiro de 2026

"Londres Salão"

A  loja "Londres Salão" foi fundada por Augusto Brandão, e inaugurada em 8 de Outubro de 1912, na Rua Augusta, 277 e 279, em Lisboa. Aquando da sua fundação era uma alfaiataria, comercializando bengalas, chapéus e tecidos para homem, sendo réplica de outra onde Augusto Brandão se inspirou em Picadilly, na cidade de Londres. 

"Londres Salão", em foto de 5 de Agosto de 1938

Até então, Augusto Brandão tinha sido proprietário do armazém "Augusto Brandão" Mercador - Fatos por Medida, desde finais do século XIX, na Rua dos Fanqueiros, 306 e 308, onde anteriormente tinha funcionado o depósito de chocolate de Manuel Caetano de Sousa.


10 de Novembro de 1898


1909

Por outro lado, antes de Augusto Brandão tomar de aluguer esta loja na Rua Augusta, ali tinha funcionado a drogaria de J. R. Fonseca, nos anos 80 do século XIX.

Depois de assinado o contrato de arrendamento da loja na Rua Augusta, entre o proprietário José Maria Coelho Falcão e Augusto Brandão em 28 de Junho de 1911, foram apresentados vários projectos à CML. Com o projecto aprovado, tiveram início as obras e a loja viria a ser inaugurada no ano seguinte, 1912.


Projecto de 26 de Janeiro de 1912

«Acaba de inaugurar este elegante estabelecimento da rua Augusta, no primeiro quarteirão a quem vão do Rocio. E' luxuosissima a forma como está montado o modelar estabelecimento que tem tido os mais justos elogios pela exposição que fez dos seus trabalhos em fatos para homem, que são superiormente dirigidos por um reputado mestre de corte, vindo de Londres. Os chapeus para homem são o que de mais perfeito e elegante ha no genero, assim como todos os artigos de vestuario ali à venda. 
Estamos, portanto, certos de que o Londres-Salão vae ser considerado como um perfeito estabelecimento da moda.»  in:
jornal "A Capital" de 8 de Outubro de 1912.

8 de Outubro de 1912


1912

Participação em "A Semana dos Artistas", em 1928


Bilhete Postal de 5 de Abril de 1932

De seguida publico um envelope e respectiva carta, remetida pelo "Londres Salão" e enviada ao Dr. Luiz Cardim, que (1879-1958) que tinha sido o último diretor da primeira "Faculdade de Letras da Universidade do Porto" (1919-1931), cobrando uma dívida contraída por seu filho, Alfredo Cardim, neste estabelecimento que estudava em Lisboa. Vide o modo elegante e educado como era cobrada a dívida, até porque se tratava de «um cliente dedicado e amigo».



22 de Janeiro de 1936

O que não impedia, e atestava a amizade mútua referida no texto da carta anterior, o excerto de carta, sem data, enviada pelo Dr. Luiz Cardim a sua filha Ana Cardim, e que passo a transcrever:.

«O dinheiro que mandaste nem chega bem para a hospedagem e passagem, e alem disso apareceu uma nova verba:  o seguro da "Fidelidade". Por isso mandei o telegrama de hoje, mas de qualquer maneira, ou o Torres da "Ferin" ou o Bernardo do "Londres Salão" estão prontos a fornecer fundos.»

Em, 1950, José Augusto de Quadros adquire, por trespasse, a alfaiataria "Londres Salão" ficando a firma "Quadros, Lda." como proprietária. A "Quadros, Lda." tinha sido constituída em 14 de Fevereiro de 1950 com um capital social de 100.000$00, tendo como sócios José Augusto de Quadros (maioritário), Emílio Augusto Mangeon de Quadros, Sebastião Moreira Centeno e Orlando Augusto Pereira de Quadros., Esta transforma a loja de alfaiataria numa loja de venda de tecidos a metro para confecção para senhora, Contudo, manteria o mobiliário em macacaúba brasileira escura, e os brasões de armas de Inglaterra originais, assim como os dizeres na calçada portugueza à entrada, da loja.

José Augusto de Quadros


Localização (rectangulo a amarelo) da "Londres Salão" na Rua Augusta, no Natal de 1964




Em 1977 faleceu José Augusto de Quadros, que tinha adquirido a loja em 1950, e esta entra em modo de autogestão por uns anos. De referir que, José Augusto de Quadros, mantinha outra loja de vestuário masculino "Vitrine" na Rua dos Fanqueiros, 257, e outra na Rua Morais Soares, 103, ambas em Lisboa, girando sob a firma "J. A. Sequeira, Lda.", que terá sido constituída em 16 de Novembro de 1929e da qual era sócio. Julgo que esta loja ainda existe. Quanto à da Rua Morais Soares, encerrou em 2024. Seu filho, José Gouveia de Quadros, ao acabar o seu curso de gestão assumiu a gerência da "Londres Salão", a partir de 1986. 

Presentemente a "Londres Salão" á acessorada por um vitrinista, algo que já começa a ser habitual noutras lojas tradicionais. A propósito de montras, em Fevereiro de 1957, aquando a visita da rainha Isabel II a Portugal entre 18 e 23 de Fevereiro, a montra foi especialmente decorada com réplicas das jóias da coroa de Inglaterra, facto que, segundo se disse, terá agradado à monarca.

Montra aquando da visita da Rainha Isabel II a Portugal, em 1957

Actualmente, e com os seus 113 anos a "Londres Salão" comercializa tecidos para confecção de senhora, para casamentos e baptizados, sedas naturais, brocados, piquets, linhos e lantejoulas, e felizmente «está bem e recomenda-se» ...






fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do TomboO Dr. Luís Cardim e a primeira Faculdade de Letras do Porto, Lojas com História