Restos de Colecção: Tourada
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13 de setembro de 2016

Estalagem Gado Bravo

A "Estalagem do Gado Bravo", localizada na Recta do Cabo (entre Vila Franca de Xira e Porto Alto), foi inaugurada a 2 de Outubro de 1952. Foi mandada construir pelo empresário Joaquim Augusto Faria, através da sua firma “Gado Bravo, Lda.” tirando partido da inauguração da "Ponte Marechal Carmona" no ano anterior, em 30 de Dezembro de 1951, que tornando esta estrada na principal via de acesso ao Algarve, decerto em muito a beneficiaria a Estalagem, o que se veio a verificar.

A propósito da inauguração um excerto da notícia no “Diario de Lisbôa”: «A estalagem proporcionará aos aficionados portugueses e aos turistas um ambiente tauromáquico permanente, sobretudo em vésperas de touradas. Dispondo de uma varanda virada para a lezíria, permitirá que os hóspedes vejam touros a curta distância no campo. Também numa pequena praça privativa se poderão lidar vacas e garraios, à vista dos frequentadores da estalagem.»

O primeiro gerente da “Estalagem Gado Bravo”, cuja exploração foi cedida à empresa “Hotéis Internacionais, Lda.” que já explorava a “Estalagem da Lezíria”, foi José Carlos Baptista ajudado por sua mulher Maria José Baptista, que com seu filho Vítor Baptista, aqui também viviam. Esta estalagem de 4 estrelas era constituída por restaurante, adega, salão de festas, estalagem e uma pequena praça de touros.

José Carlos Baptista com mulher e filho

 

 

 

Conjunto de paliteiro, saleiro e pimenteiro e o paliteiro em pormenor, utilizados pela Estalagem

 

Ao longo de décadas, a “Estalagem do Gado Bravo”, já o ex-líbris da lezíria ribatejana, serviu de ponto de encontro a lavradores, ganadeiros e toureiros, mas onde também pernoitaram figuras importantes da política, da cultura e da vida artística, como por exemplo, Paul Mccartney em 11 de Junho de 1965, e tendo recebido a visita da Rainha de Inglaterra Isabel II, em Fevereiro de 1957. Pelos palcos do salão decorado com motivos ribatejanos ou do pátio, entre o edifício principal e a praça de toiros, passaram Amália Rodrigues, Hermínia Silva, Fernando Farinha ou Alfredo Marceneiro, só para citar alguns.

Paul Mccartney e Jane Asher com o gerente José Carlos Baptista e autógrafo do artista

    

 

        

Este Estalagem, e sua pequena praça de touros, também viria a servir de cenário para algumas cenas de dois filmes portugueses que aqui foram rodadas. Foram eles: “Sangue Toureiro” realizado por Augusto Fraga, em 1958 e “A Última Pega” realizado por Constantino Esteves, em 1964.

       

E já que estamos a falar de filmes, aproveito para lembrar que nome “Gado Bravo” já tinha sido utilizado para o título de um fono-filme português, realizado em 1934 por António Lopes Ribeiro. Aqui fica o cartaz.

Em 1975 a família Baptista deixa definitivamente a gerência da “Estalagem Gado Bravo” e assim tem início a sua decadência, que vem a culminar com o seu encerramento em Março de 1989, agravada com o facto dos herdeiros proprietários quererem vender o espaço.

Já propriedade do “Banco Espírito Santo” (actual “Novo Banco”) e goradas algumas tentativas de recuperação e reanimação do espaço, o que restava da estalagem foi alvo de roubos e vandalismos ao longo dos tempos. Chegaram-se a vender bifanas numa roulote junto à fachada da estalagem. Hoje é local preferencial para operações “Stop” da Brigada de Trânsito.

O “Mota” das Bifanas em 2006

O edifício actualmente numa foto retirada do “Google Maps”

O imóvel e o terreno de 30.000 m2 estão actualmente à venda por 376.000,00 € …

fotos in: Delcampe.net, IÉ-IÉ, Fundação Portimagem, Fotogramas do documentário “Abandonados” (SIC Notícias 09-02-2015), Garfadas on line

19 de junho de 2015

Praça de Touros de Algés

A “Praça de Touros d’ Algés” foi inaugurada em 23 de Maio de 1895. A sua construção foi promovida por um grupo de sócios do “Real Club Tauromachico” com a intenção de vir a ser uma alternativa à “Praça de Touros do Campo Pequeno” - inaugurada em 18 de Agosto de 1892.

 Praça de Touros de Algés.7 (1930)

                                   Notícias no jormal “Diario Illustrado” em 23 e 24 de Maio de 1895

     

No Domingo seguinte à inauguração a 26 de Maio de 1895

Embora se tratasse de uma Praça com uma lotação para 7.500 espectadores, simples mas confortável, não conseguiu atingir o seu objectivo. Na altura da sua inauguração, podia-se chegar à “Praça de Touros de Algés” utilizando o comboio ou os “Americanos” que partiam do Conde Barão. A partir de 31 de Agosto de 1901, com a inauguração da linha do “eléctrico” Cais do Sodré-Algés, a Praça de Touros de Algés” passaria a contar com este novo meio de transporte para ali se chegar.

 

Propaganda no Palácio do Marquês do Alegrete, em Lisboa

 

Em 5 de Outubro de 1893 a “Gazeta de Oeiras” noticiava a sua construção:

“ Vae construir-se muito brevemente em Algés ao norte da estrada real uma nova praça de touros. Consta-nos que será um vasto e bem construido circo. O seu custo está orçado em cinquenta contos de rèis. A praça fica n’ un sitio magnifico de onde se disfructa um lindo panorama de terra e mar - muito accessivel e para onde ha transportes faceis, commodos e baratos. Por tudo isto será ella preferida à do Campo Pequeno para onde os transportes são difficeis e caros.»

E em Maio de 1895 noticiava a sua iminente abertura:

«Trabalha-se activamente nas obras d’esta praça afim de se poder dar a 1ª corrida no dia 23 d’este mez.
O circo está elegantissimo. O seu risco é do distinto conductor o nosso illustre amigo o sr. Alfredo Bettencourt de Mello. É feito de cantaria e ferro tem 100 metros de raio e uma só ordem de camarotes. Circunda-o uma avenida de 20 metros de largura. Na sua construção foram introduzidos todos os modernos aperfeiçoamentos. O esplendido local onde está edificado, a facilidade de communicações para lá e os atractivos do mar e da campina são de certo mais que muitos para atornarem a primeira praça de touros do paiz.»

 

Tourearam, nesta Praça o mais importante matador do século XIX, Rafael Ortega "Guerrita", o inesquecível José Gomez Ortega "Gallito" os cavaleiros Manoel e José Casimiro e muitas outras figuras do toureio a pé e a cavalo. Em 1953, foi em Algés que o saudoso Manuel dos Santos (após a sua primeira retirada) iniciou o seu percurso empresarial. Montou magníficos carteis, mas os aficionados continuavam a preferir a “Praça de Touros do Campo Pequeno”e Manuel dos Santos desistiu, até que em 1963 assumiu a gerência da “Sociedade Campo Pequeno” dando início a uma década fabulosa, os melhores anos da Monumental de Lisboa.

Postal.10   

                                          1902                                                                                        1909

  

1925 Algés

Bilhete para 30 de Agosto de 1956


gentilmente cedido por Carlos Caria

                                      1917                                                                                         1924                                         

     

A má gestão, em décadas anteriores, foi ditando o progressivo declínio da praça que, curiosamente, serviu de cenário a dois filmes: o primeiro fono-filme "A Severa", de 1931, e ao filme francês policial "Mission Lisboa", de 1959. 

Praça de Touros de Algés.2

Entretanto, Algés, assistiu à degradação da sua Praça, praticamente inactiva desde 1960, embora ali se tenham realizado alguns espectáculos sem continuidade. A “Praça de Touros de Algés” seria demolida em 1974, ao fim de 79 anos de existência.

1961

1974

Bibliografia: blog “Gazeta de Miraflores

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Gazeta de Miraflores

24 de outubro de 2014

Praça de Touros do Campo Pequeno

A “Praça de Touros do Campo Pequeno”, foi inaugurada em Lisboa, a 18 de Agosto de 1892, e o autor do projecto foi António José Dias da Silva (1848-1912). É totalmente construída em tijolo e apresenta um estilo neo-árabe, com cúpulas semelhantes às de mesquitas. Com uma área de 5.000m2 e um redondel de de 80m de diâmetro, foi concebida para  8.438 espectadores.

 

Planta topográfica de Maio de 1908

No Campo Pequeno já tinha sido construída no século XVIII uma praça de touros em madeira, como recorda um artigo da revista “Occidente” de Agosto de 1892:

«Eram 31 de Agosto de 1760.
N'esse dia iam ser lidados em Lisboa dezoito touros de morte. Não eram muitos, diga se a verdade, porque em algumas touradas do século XVII, em uma tourada real, pelo menos, chegaram a ser trinta, que tambem todos foram mortos á espada.
A praça dos touros no Campo Pequeno, construida em madeira, e formada por dez lados, media duzentos e cincoenta passos de diametro, e era, portanto, sufficientemente espaçosa. As trincheiras, como de costume, estavam dispostas em amphitheatro, tendo por cima grandes camarotes que acomodavam cada um mais de doze pessoas.
Assistia ao espectaculo a familia Real.
D. José I estava n'um camarote, e n'outro a rainha D. Mariana Victoria. Por causa do calor, que era muito, o soberano vestia singellamente de seda azul, sem guarnições de ouro ou prata, e abanava-se com um leque. Ao lado do rei via-se o infante D. Pedro, seu irmão, casado de fresco com sua sobrinha, a princeza do Brazil, que depois foi D. Maria I.»

Triunfos, galas, sustos e mesmo tragédias, sucederam-se neste cenário, desde que, em 18 de Agosto de 1892, o primeiro touro de Emílio Infante da Câmara saiu à arena. A sua lide coube ao cavaleiro Alfredo Tinoco o qual, a par do seu alternante dessa tarde, Fernando de Oliveira, disputava o primeiro lugar no naipe dos mais importantes ginetes do século XIX. Para a história, recorda-se o cartaz inaugural: Cavaleiros Alfredo Tinoco e Fernando de Oliveira. Bandarilheiros: Vicente Roberto, Roberto da Fonseca, José Peixinho, João Calabaça, João Roberto e os seus colegas espanhóis Felipe Aragón "Minuto" e "Pescadero".

Cartaz do espectáculo da inauguração e notícia no jornal “Diario Illustrado”

    

Num artigo do jornal “A Vanguarda” de 19 de Agosto de 1892, pode-se ler:

«Antes de começar o torneio e quando um individuo de grossos bigodes tratava de regar a praça, um dos bois sahiu da gaiola e arremeteu contra o desprevenido moço, que dando apressadamente ás que Villa Diogo, conseguiu metter-se na trincheira sem novidade. Sahiu o jogo de cabrestos, muito bonito e bem tratado, e o fugitivo voltou a refens.»
(...) a direcção da corrida teve coisas boas e más; o grupo de forcados nada fez que agradasse. O 7º touro, manso como um borrego, aparou todo o castigo no meio da praça, quasi sem se mover, dando grande trabalho na condução para o touril.
Fóra da praça, e pelas ruas, era imponente a longa fila de peões e trens, cheios de toilettes vistosos, a animação que reinava nas physionomias, a agglomeração de gente nas janellas e a multidão que enchia os arredores da praça.
Ao serviço de policia interior e exterior cabem os maiores elogios.
Á empreza lembramos a conveniencia de fazer cessar a ordem disparatada de se não consentir que os espectadores saiam nos intervallos sem perderem o direito ao resto do espectaculo. Convencidos estamos de que, na 2º tourada, cessará esta ordem absurda e inconveniente.»

Primeiro número do jornal “A Tourada” (primeira e última páginas) a 1 de Abril de 1894

Para os interessados, aqui fica o link para visionamento deste e de mais exemplares deste jornal:A Tourada

 

Interior da “Praça de Touros do Campo Pequeno” numa corrida à antiga portuguesa em 1903

 

Cartaz e bilhete para uma “Corrida de Beneficencia” em 1905, patrocinada pela família Real

 

Segundo documentos que faziam parte da Biblioteca Real do Palácio de Mafra”, datam de 1741 as primeiras referências à realização de corridas de touros no Largo do Campo Pequeno, ou Alvalade o Pequeno. Aí foi construída uma praça de madeira, de reduzida capacidade para espectadores. Desde então existiram praças de touros em alguns pontos da cidade, designadamente Xabregas, Junqueira, Salitre e Campo de Santana.

Praça de touros do Campo de Sant’Anna

 

 

Alguns intervenientes nas touradas em postais de 1915

A actual “Praça de Touros do Campo Pequeno” sucedeu à que existiu no Campo de Santana, inaugurada a 3 de Julho de 1831 e encerrada em 1888, na sequência de uma vistoria que interditou o edifício, por questões de segurança relacionadas com o mau estado de conservação.

A 19 de Fevereiro de 1889, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou uma proposta para conceder à Real Casa Pia de Lisboa , instituição que ainda hoje detém a exclusividade da organização de corridas de touros em Lisboa, um terreno para a construção de uma nova praça de touros, no Campo Pequeno.

 

1927

Nos anos 40 do século XX

 

Por dificuldades económicas, a “Real Casa Pia de Lisboa concedeu a uma empresa privada o direito de construção do recinto e o da sua exploração por 90 anos, findos os quais o edifício lhe deveria ser entregue, livre de quaisquer ónus ou encargos. Para o efeito constituiu-se a “Empreza Tauromachica Lisbonense”, cujos accionistas fundadores foram: Albino José Batista, Alfredo Ascensão Machado, António Anastácio Gomes, António Cardoso de Oliveira Júnior & Irmão, António J. Dias da Silva, Domingos Esteves de Oliveira Gouveia, Duarte Pinto da Silva, Frederico Ressano Garcia, Guilherme Bizarro da Silva, José Rodrigues Pires, Luís Ernesto Reynaud, Manuel Gouveia Júnior, Manuel J. Alves Dinis, Manuel Luís Fernandes, Raimundo Silva Leal e Tomás Garcia Puga. Mais tarde entraram também para esta Empreza, Eduardo Perry Vidal e José Batista Pinhão.

Título de oito acções da “Empreza Tauromachica Lisbonense”, em 1891

Cavaleiros Manoel Casimiro e José Casimiro, em foto de 1910 e num postal da época

  

                                             1915                                                                                       1927

      

                                                       1931                                                                               1934  

      

A temporada de 1917, em que passavam os 25 anos de actividade da Praça de Toiros do Campo Pequeno, terá tido como facto mais saliente a apresentação dos dois maiores nomes de sempre do toureio a pé, os espanhóis José Gomez Ortega "Joselito", ou "Gallito" e Juan Belmonte.

Para assinalar as "Bodas de Ouro", realizou-se uma corrida, no dia 20 de Agosto de 1942, em que foram lidados toiros de João Coimbra, pelos cavaleiros João Branco Núncio e Alberto Luís Lopes e os espadas Manuel Alvarez "El Andaluz" (espanhol) e Carlos Arruza (mexicano) e os forcados moitenses comandados por João Soeiro.

Os 75 anos foram comemorados a 18 de Agosto de 1966, com uma corrida concurso de ganadarias em que participaram as divisas portuguesas de Pinto Barreiros, Oliveiras Irmãos, Manuel e Mário Vinhas e Manuel Assunção Coimbra e as espanholas de Atanásio Fernández, Felipe Bartolomé e Carlos Nuñez. No cartaz figuravam os nomes do cavaleiro José Mestre Baptista, do rojoneador espanhol Álvaro Domecq e dos matadores de toiros Armando Soares e Amadeu dos Anjos. Quanto a forcados, o grupo era constituído por Regentes Agrícolas da Escola de Évora, sob o comando de José Eduardo Baptista.

Gerações de aficionados foram testemunhas nas bancadas da “Praça de Touros do Campo Pequeno”, de uma parte substancial da história do toureio em Portugal. Durante o primeiro século de existência, foi igualmente palco de acontecimentos políticos e sociais que fazem parte da própria história recente de Portugal.

Anos 60 do século XX

 

 

A 20 de Agosto de 1992 realizou-se a corrida do centenário. “Corrida de Gala à Antiga Portuguesa”, com toiros de Infante da Câmara (Herdeiros). Foram mansos para os cavaleiros e duros para os forcados. No cartel figuravam os nomes dos cavaleiros José Maldonado Cortes, Luís Miguel da Veiga, Paulo Caetano, António Ribeiro Telles, Rui Salvador, Luís Rouxinol e Nuno Pardal. Pegaram os forcados amadores de Santarém e de Vila Franca de Xira. Duas placas evocam, no átrio principal da praça, esta efeméride.

A degradação que durante largos anos atingiu o imóvel levou a que, na década de 90 do século XX, a Câmara Municipal de Lisboa e aCasa Pia, entidade proprietária da praça, desenvolvessem uma acção conjunta com vista à sua recuperação. O projecto, da autoria dos arquitectos José Bruschy, Pedro Fidalgo, Filomena Vicente e Lourenço Vicente, respeitou a traça original do edifício, devolvendo à cidade no ano de 2006 um dos seus monumentos mais emblemáticos, após seis anos de obras iniciadas em 2000.

A Praça ficou com o seu primeiro anel alterado estruturalmente, passando a ser de betão armado, em detrimento dos arcos de tijolo existentes inicialmente. O anel exterior manteve-se inalterado a nível estrutural, tendo sido executadas reparações e reforços. Foram criados uma galeria comercial no subsolo, o “Centro Comercial do Campo Pequeno”, inaugurado em 2004, e alguns espaços comerciais no piso térreo. A alteração mais significativa terá sido a cobertura amovível que torna a praça num espaço mais versátil, podendo ser utilizado durante todo o ano e para qualquer fim.

“Praça de Touros do Campo Pequeno” e área envolvente, actualmente

 

 

 

 

Nota: A elaboração deste artigo deveu-se única, e exclusivamente, a lembrar e informar da história deste “imóvel de interesse público” (IGESPAR) em si, acompanhado por uma breve resenha histórica da Tourada em Portugal, espectáculo do qual não sou adepto, antes pelo contrário.

Bibliografia: site Campo Pequeno

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Campo Pequeno, Hemeroteca Digital, Jorge H Sampaio, Biblioteca Nacional Digital, Delcampe.net