A "Ourivesaria e Joalheria da Moda" foi fundada pela firma "Barbosa, Esteves & C.ª" em 1906, na Rua Bella da Rainha (Rua da Prata), 257-259, em Lisboa. Esta ourivesaria nasceu da compra do trespasse de outra que ali já existia mas que só ocupava a loja no nº 257, esquina com a Rua de Santa Justa. No nº 259 tinha funcionado a tabacaria de Antonio Jacintho Vidal, para onde se estendeu a nova ourivesaria a partir de 1906. A seu lado, no nº 261, funcionava a "Casa das Manteigas".
Lembro que, a joalharia e relojoaria "Barbosa, Esteves & C.ª ", cuja história pode ser consultada neste blog (Barbosa, Esteves & C.ª), tinha sido fundada em 1902 por Daniel Barbosa, Joaquim Esteves Nogueira, Albano Barbosa e José Joaquim Barbosa, tendo aberto a sua primeira loja na Rua da Prata, 295.
A gerência do estabelecimento viria ser exercida por António Esteves de Araújo, parente de um dos fundadores. Este e Maximino Esteves de Araújo viriam a entrar como sócios da "Barbosa, Esteves & C.ª", em 1922.
Logo nos primeiros anos da sue existência um primeiro contratempo. A "Ourivesaria e Joalheria da Moda" foi assaltada na madrugada de 27 de Fevereiro de 1910, e cuja respectiva notícia no "Diario Illustrado" passo a transcrever:
Mas a policia apanhou os em flagrante, quando se dispunham a sahir do estabelecimento, com os principaes objectos que estavam nas montras, avaliados em 8 contos.
Os larapios entraram pela «Casa das Manteigas», que fica junto.
Escusado será dizer que o caso foi hontem bastante falado e que defronte da loja, que se conservou fechada, estiveram numerosas pessoas, sendo preciso o auxilio da policia para afastar a multidão.
Pelas 3 da tarde, os galunos foram interrogados pelos agentes Silva e Patricio, negando com o maior descaramento terem sido auctores do roubo, seguindo o processo adoptado pelos seus collegas internacionaes, que negam as proezas, mesmo quando apanhados em fiagrante.
Dizem que ao passar pela «Casa das Manteigas» viram a porta aberta e entraram, sem intenção de roubar :.. para comprar, tendo a infelicidade de serem presos quando se retiravam, por não encontrar quem os servisse, e affirmam que não traziam os saccos contendo as joias.
Na busca a que hontem se procedeu n'aquella casa, encontraram-se varios objectos e ferramentas que serviram para o arrombamento.
Tambem estiveram em casa das duas francezas, amantes dos presos, mas nada encontraram alli que os comprometta.
No Juizo de Instruccao Criminal esteve prestando declarações o sr. Barbosa, tendo-se procedido na secretaria do Juizo á avaliação das joias roubadas, para o que compareceram dois peritos.
Os presos só hontem, á noite, é que começaram a ser interrogados pelos agentes Patricio e Figueiredo.»
A seguir ao assalto. Os mirones até faziam fila para saber notícias na vizinha "Casa das Manteigas" ...
Em 1926, já a "Barbosa, Esteves & C.ª", tinha três estabelecimentos: ourivesaria "Barbosa, Esteves & C.ª", na Rua da Prata, 293-295 e sede da firma desde a sua fundação em 1902; "Ourivesaria e Joalheria da Moda" na Rua da Prata 257-259; e a "Ourivesaria, Joalheria e Relojoaria Barbosa, Esteves & C.ª" no Torreão da Praça da Figueira - ex "Tabacaria José Gusmão" - que fazia esquina Rua da Betesga com a Rua dos Correeiros.
1926
Depois de terem adquirido a "Ourivesaria Moitinho" em 1938, a "Barbosa, Esteves & C.ª", dois anos depois, em 1940, promove grandes obras de ampliação e modernização na "Ourivesaria e Joalheria da Moda", que passa a denominar-se "Grande Ourivesaria da Moda". Expandiram o espaço ocupando a loja da "Casa das Manteigas" e uma loja de vidros na Rua de Santa Justa, ficando assim com quatro montras para a Rua da Prata e duas para a Rua de Santa Justa.
"Grande Ourivesaria da Moda" em foto de 1945
Por ocasião da reabertura da "Grande Ourivesaria da Moda" em 23 de Novembro de 1940, o jornal "Diário de Lisboa" noticiava:
Os mais lindos objectos de oiro, as joias de beleza mais rara, as pratas de inconfundível cunho artistico e tantas outras maravilhas perpassaram perante os olhos extasiados dos visitantes num ambiente de requintada elegância - vidros, espelhos e cromados, formando um conjunto equilibrado, admiravel, dum modernismo que não choca, que impressiona agradavelmente.
Merecem os melhores louvores pelo brilhante exito de hoje os srs. Albano Barbosa, Maximino Esteves de Araujo e Antonio Esteves de Araujo, socios da firma Barbosa, Esteves & C.a, proprietaria da «GRANDE OURIVESARIA DA MODA» - que nos aparece agora como um dos melhores estabelecimentos de Lisboa.»
28 de Dezembro de 1947
Nos finais dos anos 50 adquiriram um deposito de tabacos o que permitiu nova ampliação do lado da Rua de Sta. Justa.
1956 (restaurado por IA)
«Passada a magnífica porta em ferro Art Déco, entra-se nesta ourivesaria aberta desde 1906, na mesma família há 4 gerações. No interior, o ex-libris da casa, uma fonte em prata maciça com 2 metros de altura, dá-nos as boas-vindas. Especialistas em peças tradicionais portuguesas, o destaque vai para as jóias em filigrana, feitas artesanalmente com fios muito finos em ouro ou prata. Verdadeiros tesouros!»
fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Estação Chronographica
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