23 de setembro de 2018

Pousada de Santiago

A “Pousada de Santiago”, localizada na Quinta da Ortiga em Santiago do Cacém, no Alentejo, foi inaugurada em 10 de Fevereiro de 1945. O seu projecto foi da autoria do arquitecto Miguel Simões Jacobetty Rosa (1901-1970). A concessão desta Pousada foi entregue ao pintor Paulo Benslímen.

  

Esta Pousada seria a quinta de uma série de sete “Pousadas Turísticas” promovidas pelo “S.P.N. - Secretariado da Propaganda Nacional”, que em 23 de Fevereiro de 1944 tinha sido renomeado de “S.N.I. - Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo”, dirigidos por António Ferro.

Antes desta tinha sido inaugurada a “Pousada de São Brás”, em 11 de Abril de 1944, e igualmente projectada pelo arquitecto Miguel Jacobetty Rosa. A seguir à “Pousada de Santiago” viria a ser inaugurada a Pousada de São Lourenço”, em Manteigas na Serra da Estrela, em 11 de Março de 1948.

                                                    Esboço e folha do projecto da "Pousada de Santiago"

Elemento integrante do primeiro momento do conceito turístico de pousada, o edifício da “Pousada de Santiago” apresenta planta composta, irregular de três pisos. Implantada em terreno sobranceiro à vila de Santiago do Cacém. No projecto inicial de 1939, a Pousada apresentava no piso térreo os serviços de recepção, de refeição e de serviços aos hóspedes. Os primeiro e segundo pisos estavam reservados aos quatro quartos de hóspedes - 3 quartos com 2 camas e 1 quarto com cama de casal e casa de banho privativa.

A decoração dos interiores desta Pousada ficou entregue a Vera Leroy e Anne-Marie Jauss. O mobiliário foi também em grande parte desenhado pelo arquitecto Jacobetty Rosa.

 

 

Aquando da sua abertura a revista “Panorama” escrevia:

«Foi perto desta povoação que o Secretariado Nacional de Informação e Cultura Popular mandou construir mais uma Pousada Turística, junto à Estrada Nacional, graciosamente enquadrada no conjunto paisagístico, graças às linhas harmoniosas com que a dotou o arquitecto Miguel Jacobetty Rosa.
Nos seus 4 quartos e nos restantes interiores artisticamente decorados pelas artistas Vera Leroy e Anne-Marie Jauss, quem entre nessa Vila não deixará de colher mais um motivo de admiração, pelo bom gosto e o justo sentido de higiene e conforto ali patenteados.
No dia 10 de Fevereiro de 1945, com a presença de altas individualidades, foi inaugurada esta Pousada, que agora, sob a direcção do senhor Paulo Bensliman
, se encontra à disposição de todos os viajantes que passam por Santiago, a caminho do Sul, ou de volta para Lisboa.» 

Em 1969, o mesmo arquitecto foi encarregue do projecto de ampliação do edifício que passou a comportar dez quartos e outros equipamentos de apoio a esta estrutura de lazer.

Preços particados pelas “Pousadas de Turismo” em 1948

Em 1991 abre na Quinta da Ortiga, a cerca de 2 Km, uma nova unidade, dependente da "Pousada de Santiago", e que encerrou após esta. Esta unidade na Quinta da Ortiga é entregue à "Enatur" proveniente do extinto "Gabinete da Área de Sines", que por sua vez a tinha expropriado em 1973. Foi devolvida aos seus legítimos proprietários, após uma batalha judicial de quase 20 anos. Depois de ter sido adquirida pelo grupo “Pousadas de Portugal” encerrou em 2008 por inviabilidade económica.

A antiga “Pousada de Santiago”  encerraria por falta de viabilidade económica e colocada em hasta pública, tendo sido comprada e recuperada por um empresário da região, que através da sua empresa “Caminhos de Santiago Imobiliária”, encarregou o arquitecto Francisco Aires Mateus de desenvolver um projecto mais ambicioso. A antiga “Pousada de Santiago” daria lugar ao “Hotel Caminhos de Santiago”, inaugurado em 29 de Maio de 2008, e fruto de um arrojado projecto de restauro da antiga Pousada ao que se juntou um novo edifício de arquitectura contemporânea, Com 33 quartos e duas suites. A decoração de interiores deste novo Hotel, ficou a cargo da conhecida dupla de arquitectas: Cristina Santos Silva e Ana

“Hotel Caminhos de Santiago”

 

 

 

O edifício da antiga “Pousada de Santiago”, em 28 de Janeiro de 2008, foi classificado como imóvel de interesse público pelo IGESPAR. Mas …, em Janeiro de 2013,  a empresa proprietária deste Hotel, a “Caminhos de Santiago Imobiliária”, anunciaria o encerramento definitivo desta unidade hoteleira, o que se veio a verificar.

fotos in: Delcampe.net, Hemeroteca Municipal de Lisboa

20 de setembro de 2018

Materna

A loja "Materna - Antiga secção de Higiene Infantil do Instituto Pasteur de Lisboa", foi inaugurada na Rua do Carmo, 56 em Lisboa, em 18 de Dezembro de 1963. Esta veio ocupar o espaço da antiga loja de instrumentos musicais “Sassetti & C.ª”, ali instalada desde 1848, e que em 1962 tinha mudado para a Rua Visconde de Valmor, 20-B.

“Materna - Antiga secção de Higiene Infantil do Instituto Pasteur de Lisboa"

Loja “Materna” à direita nas duas fotos na Rua do Carmo

 

A antiga secção de higiene infantil, continuaria, entretanto, a funcionar até 26 de Dezembro seguinte nas antigas instalações no edifício do "Instituto Pasteur de Lisboa" na Rua Nova do Almada,62. Recordo que este Instituto foi fundado em 1895 pelo jovem proprietário e capitalista Virgínio Leitão Vieira dos Santos (1873-1946). No seu início limitou-se à importação dos produtos do "Institut Pasteur" de Paris (inaugurado a 14 de Novembro de 1888), de cujos soros e vacinas era depositário. Sé viria a dedicar-se à actividade farmacêutica de oficina a partir de 1903 e á produção industrial de medicamentos a partir de 1913.

Edifício do “Instituto Pasteur de Lisboa”, na Rua Nova do Almada

 

Secção de Higiene Infantil

 

 

A partir de 1964 a "Materna" inicia a comercialização mais especializada em vestuário para bebés - tendo sido a primeira casa em Portugal a comercializar os "Babygrow" de origem inglesa - e vestidos «para futuras mães».

16 de Janeiro de 1964

 

  

Em 1966 torna-se na "Materna, S.A.R.L. - Artigos para Higiene Infantil", contando já com sucursais em Cascais, Porto e Coimbra. Depois de abrir uma filial apelidada de "Materna Maxi", na Rua Barata Salgueiro, em Lisboa, para venda de roupa para jovens entre os 6 e os 16 anos, abriria uma outra, no mesmo segmento, na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa a 20 de Novembro de 1970.

 Factura gentilmente cedida por Carlos Caria

A loja “Materna” na Rua do Carmo seria destruída pelo grande incêndio na baixa lisboeta em 25 de Agosto de 1988, não reabrindo mais. As últimas lojas “Materna” estiveram localizadas em Lisboa, Coimbra e Algés. Pelo que consegui apurar, creio que a última loja “Materna” encerrou em 2012, na da Avenida de Roma, nº 89 C.

“Materna” na Avenida de Roma e cartaz em 2011

                   

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais),  Arquivo Municipal de Lisboa

18 de setembro de 2018

Café Monumental

OCinema-Teatro Monumental”, localizado na Praça Duque de Saldanha em Lisboa, e propriedade da “Sociedade Administradora de Cinemas, Lda.”, do major Horácio Pimentel, foi inaugurado no dia 8 de Novembro de 1951.

No alçado lateral do edifício, sobre a Avenida Fontes Pereira de Melo, era inaugurado em 17 de Setembro de 1955, o café, casa de chá, snack-bar e restaurante “Monumental”, igualmente propriedade “Sociedade Administradora de Cinemas, Lda.”, e explorado por Amadeu Dias, que já detinha a exploração dos 3 bares do “Cinema-Teatro Monumental".

“Café Monumental” ainda em construção

A propósito, o “Diário de Lisboa” , neste dia, noticiava:

«O novo estabelecimento marca, indiscutivelmente, uma nova fase na vida comercial de Lisboa, pelo arrojo da iniciativa e os moldes modernos com que o seu proprietário sr. Amadeu Dias, o instalou. Homem de invulgar capacidade realizadora, espírito verdadeiramente empreendedor e cheio de mocidade, conseguiu com o seu Café Monumental dotar aquela zona da cidade com um estabelecimento de categoria e modelar organização, em todos os aspectos.

1961

O projecto inicial da obra era da autoria de sr. arquitecto Rodrigues Lima, pois fazia parte do bloco das casas de espectáculo. O seu proprietário confiou, porém, o seu desenvolvimento, dentro das novas exigências funcionais da exploração, ao notável decorador José Espinho e a Fred Kradolfer, outro artista de extraordinários méritos, que resolveram, com inteligência e gosto, os problemas de decoração, construção e mobiliário.

Mas muito contribui para o encantador ambiente do novo e elegante estabelecimento o excelente mobiliário fornecido pela consagrada casa Olaio, da Rua da Atalaia.»

  
Ementa, copo e talão gentilmente cedidos por Carlos Caria

De referir que no edifício à direita doCinema-Teatro Monumental”, na lateral da Avenida Fontes Pereira de Melo, inaugurar-se-ia no ano seguinte, em 29 de Novembro de 1956, o café, salão de chá, restaurante e pastelaria “Monte Carlo”. Este café era propriedade da empresa “A Caféeira”, fundada em 1866 e sediada em Matosinhos, Porto, que já era proprietária da “Casa Chineza”, na Rua Áurea e do café “Ribatejano”, na Rua dos Anjos, em Lisboa.

29 de Novembro de 1956

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Rua dos Dias que Voam