A confeitaria, pastelaria, salsicharia, restaurante "Au Rendez-vous des Gourmets" foi inaugurada em 23 de Dezembro de 1896 pelo francês Pierre Gadel, na Rua Aurea, 135 e 137, em Lisboa. Pierre Gadel tinha sido dispenseiro no "Grande Hotel Internacional", inaugurado a 10 de Outubro de 1892 e poucos anos depois redenominado de "Avenida Palace Hotel".
23 de Dezembro de 1896
Casa de câmbios "Montenegro Chaves & C.ª, Lda", onde funcionou a "Au Rendez-vous des Gourmets", em foto de 1968
Poro ocasião da inauguração da "Au Rendez-vous des Gourmets", o jornal "Diario Illustrado", no mesmo dia, dava uma pequena nota do acontecimento:
A sociedade elegante terá, d'ora ávante, onde tomar o seu chá, acompanhando-o de saborosas eguarias.
Os Gourmets poderão levar para as suas casas pratos opiparos, e a partir do dia 1 de janeiro proximo, os empregados publicos, o pessoal do commercio e outros terão onde almoçar ou lanchar economicamente, como só em Paris, nas appetitosas crêmeries se encontra.
Quem quizer manteiga pura vá ao novo estabelecimento, e o mesmo tem de fazer quem queira um prato recherché ou uma garrafa de vinho de comprovada vehice.»
1898
Esta afamada casa, fornecia casamentos, baptizados, soirées, eventos sociais etc. Caso disso, a soirée que teve lugar na casa «do sr. Manoel Pinto da Fonseca, abastado capitalista do Porto.», e que publico de seguida.
22 de Março de 1903
Outro evento, em 5 de Maio de 1907, foi fornecido pela "Au Rendez-vous des Gourmets": o casamento do ano, entre Clara Montalvo e o austríaco conde Constantin Dayan, barão de Stritaz, que teve lugar na Igreja dos Martyres, no Chiado.
Noivos, padrinho, madrinha, e núncio apostólico monsenhor Tonti, nos jardins da legação austríaca
Bol de consomme à la Souvaraine-Petits pains Garnis a la Francaise-Saumon à la Daumont.
Vina: Bordeaux, Champagne, etc .- Cafe et Liqueurs.»
Em 8 de Julho de 1908 Pierre Gardel submeteu o registo do nome "Au Rendez-vous des Gourmets", que viria a ser concedido em 26 de Maio de 1909.
1909
É também depositário de todos os produtos da Casa “À la Marquise de Sévigné”, de Royat.
Esses produtos serão sempre de primeira frescura, sendo expedidos pelo Sud-Express todas as semanas.
A clientela encontrará igualmente todos os gêneros alimentícios finos e variedades de queijos, como no passado.
A casa recomenda-se sobretudo pelos seus artigos para presentes e baptizados.»
Pierre Gadel viria a falecer em Junho de 1915, e a "Au Rendez-vous des Gourmets" viria a ser gerida e detida por seu filho A. Gadel
"Au Rendez-vous des Gourmets" no guia "Reise Fher von Europa", para 1914
Talão de compra de 30 de Abril de 1915
11 de Julho de 1924
Em 1930, Maria O'Neill no seu romance "A Víbora", referiu-se à "Au Rendez-vous des Gourmets" na seguinte passagem ... «A sua alma subleváva-se contra o facto e um espanto infantil a invadia a par dum inexplicavel terror: a estas primeiras contrariedades quantas mais se seguiriam? Afinal ergueu-se do banco, ajoelhou de novo e saiu. Dirigiu-se depois ao Rendez-vous des Gourmets, comeu alguma cousa e, comprando o Diario de Noticias, viu onde estava lausperenne. Era na igreja da Conceição Velha.»
Muitos anos mais tarde, em 2 de Junho de 1952, na mesma morada, viria a abrir a casa de câmbios "Montenegro Chaves & C.ª, Limitada" , que tinha sido fundada no Porto em 19 de Maio de 1913. Esta sociedade constituída por Miguel Augusto Coimbra Pacheco, Joaquim Franco Canas e Francisco Franco Canas, tinha como «objecto o comércio de câmbios e papéis de crédito, ou em qualquer outro ramo que os sócios entendessem por bem explorar.»
Em Março de 1975, a banca nacional foi nacionalizada e no ano seguinte, o Decreto-Lei nº 167/76, de 01 de Março cancelou todas as autorizações concedidas às casas de câmbios para o exercício do seu comércio, com efeitos a partir de 30 de Junho desse ano. Perante a situação, em 21 de Fevereiro de 1977, a firma "Montenegro Chaves & Companhia, Limitada" deixou de excercer a actividade de cambista, concentrando-se na medalhística e numismática. Viria a encerrer definitivamente em 2014.
fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)
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