Restos de Colecção

1 de outubro de 2026

Pinheiro da Rocha - Alfaiate e Fotógrafo

A Alfaiataria "Pinheiro da Rocha" foi fundada pelo alfaiate e fotógrafo Manuel Pinheiro da Rocha (1893-1973), na Rua de Santa Catarina, 120 - 2º andar, no Porto, e no mesmo prédio onde funcionava a loja de artigos fotográficos "Domingos Alvão & Cia.".




Rua de Santa Catharina 118-120, no Porto

Manuel Pinheiro da Rocha, natural de Britiande, Lamego, após ter concuído a instrução primária foi trabalhar para a reputada alfaiataria do seu pai, e desde cedo manifestou a sua extraordinária vocação para esta profissão denotando uma estética e um sentido artístico muito elevados. 


Manuel Pinheiro da Rocha (1893-1973)

Aos 18 anos de idade vai para o Porto trabalhar num "atelier" dum grande profissional da arte, que era amigo de seu pai. Passou por alguns dos melhores alfaiates do Porto, até ter fundado, em 1920, a Alfaiataria "Pinheiro da Rocha", na Rua de Santa Catarina. O facto de ocupar o mesmo prédio onde funcionava a loja do célebre fotógrafo Domingos do Espírito Santo Alvão (1869-1946) terá despertado nele o gosto pela arte da fotografia. Nos tempos livres, além de se ter dedicado ao estudo da língua francesa e aprendido desenho com o famoso Agostinho Salgado, iniciou a  aprendizagem na arte da fotografia.

Nesta época, Pinheiro da Rocha frequentava meios artísticos e convivia com artistas plásticos famosos, tais como mestre Acácio Lima, o célebre escultor Teixeira Lopes e Agostinho Salgado,atrás referido.

O seu sucesso como alfaiate estendeu-se à fotografia, com os seus trabalhos seram expostos nos mais importantes salões nacionais e internacionais. Lembro que Pinheiro da Rocha foi o primeiro português a ver uma fotografia sua a ser admitida no Salão de Londres, tendo exposto ainda em Paris, Saragoça, Madrid e no Salão Internacional Alberto I, em Bruxelas.

A fotografia seguinte retrata Manuel Pinheiro da Rocha junto à fotografia "Espiga de Milho", com que  participou, em 1940, no "4º Salão Internacional de Arte Fotográfica de Portugal", organizado pelo "Grémio Português de Fotografia".  

1940

Na fotografia seguinte, Manuel Pinheiro da Rocha aparece junto à fotografia "O Artista Carlos Carneiro", com que ele participou, em 1944, no "7º Salão Internacional de Arte Fotográfica de Portugal", igualmente organizado pelo "Grémio Português de Fotografia". 

1944

«Com uma vida totalmente dedicada à sua arte de alfaiate e fotógrafo, não esquecendo a família, Manuel Pinheiro da Rocha é um ilustre para todos quantos o conheceram, mas é pouco ou nada conhecido pelas gerações actuais. Este nosso conterrâneo apenas fez em Lamego, em 1956, uma exposição fotográfica no Clube, colaborando ainda, com algumas fotografias suas, no Boletim da Casa Regional da Beira Douro, muitas delas ilustrando a primeira página. Podemos também encontrar o seu nome referenciado como colaborador na prestigiada Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, ao fazer ilustrar muitas das páginas desta obra com magníficas fotografias da sua autoria, com particular interesse para imagens de Lamego e toda a região. Várias vezes ouvimos Monsenhor Correia de Noronha, que com ele convivia - também este entusiasta e grande artista da fotografia - dizer que foi com Pinheiro da Rocha que aprendeu a fotografar.» (*)

Em 1950, já a sua Alfaiataria "Pinheiro da Rocha" estava instalada na Rua Rodrigues Sampaio, junto à Praça D. João I, com um grande e belíssimo estabelecimento. Aqui ficam as respectivas fotografias ...






Pinheiro da Rocha era tão bom alfaiate como fotógrafo. Era muito avançado em ambas as artes, sendo pioneiro no seu recurso à publicidade ao seu ateleir de alfaiate. Tratou-se de um curto filme publicitário que mandou realizar, para dar a conhecer a sua alfaiataria. Com fotografia e montagem de Manuel Santos, música de Carlos Calderón e som e produção da "Lisboa Filme", a fita  “A Pedra”, com cerca de 3 minutos de duração, foi exibida exibida nas salas de cinema do Porto, pela agência "Belarte", do seu amigo Alexandre Tavares da Fonseca.


Manuel Pinheiro da Rocha

«Na fotografia, era primoroso. Um génio. Tinha as melhores lentes, pois dizia que a máquina estava para o fotógrafo como o pincel para o pintor, escreveria o filho, Fernando Pinheiro da Rocha, sobre o pai. Com efeito, a amizade com o fotógrafo e outros conhecidos artistas do seu tempo, como Joaquim Lopes, Acácio Lino, Jaime Isidoro, Teixeira Lopes ou António Fernandes, com quem habitualmente dava passeios para pintar e fotografar, seriam decisivos para o seu percurso na fotografia. Foi sócio fundador da Associação Fotográfica do Porto e presidente do Grémio Português de Fotografia. Participou em inúmeros salões de Fotografia, realizado não só em Portugal, mas também pela Europa e EUA, e expos individualmente, na Galeria António Carneiro (1953), no Clube de Lamego (1956) e na Sociedade de Belas-Artes de Lisboa (1962). Colaborou em várias publicações: Boletim da Casa Regional da Beiradouro, A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e no livro Porto Capital do Norte – Origem de Portugal (1963). No cinema, colaborou no documentário de Arthur Duarte e João Moreira, Barqueiros do Douro e na revista Movimento sobre Cinema.
Sem nunca perder de mira as suas raízes, Manuel Pinheiro da Rocha deslocava-se frequentemente a Lamego, fazendo-se acompanhar da inseparável câmara fotográfica, para nos deixar um legado imenso, de valor documental inestimável, sobre Lamego nas décadas de 1930-1950. 
Em 2023, por iniciativa da Junta de Freguesia de Britiande, com um sentido de homenagem a um filho da terra e, simultaneamente, rememorar a antiga vila de Britiande, Manuel Pinheiro da Rocha regressou às origens, através de uma exposição, com curadoria do Museu de Lamego, que teve lugar na renovada Casa do Povo, composta por um expressivo conjunto de imagens de Britiande, de sua autoria, que se conservam no Centro Português de Fotografia.» (**)

Foto de 20 de Março de 2019

Em 2019, já funcionava como "Loja Pinheiro da Rocha", sendo uma «loja de vestuário e acessórios para mulheres». Em 2023, fazendo fé na foto seguinte já teria encerrado ...


Abril de 2023 (via Google Maps)

A Comissão de Toponímia da Câmara Municipal do Porto, viria a atribuir o nome de Manuel Pinheiro Rocha a uma Rua na freguesia de Campanhã, com início na Rua Peso da Régua e a terminar na Rua de Santa Marta de Penaguião.

Bibliografia:

(*)   - "Triplov.com.org" - Cibercultura - Manuel Pinheiro da Rocha
(**) - "Museus e Monumentos de Portugal" - "Boas Raparigas" -  Museu de Lamego

fotos in:  Arquivo Nacional da Torre do Tombo

27 de setembro de 2026

"Hotel Costa" em Caneças

O "Hotel Costa" abriu pela primeira vez ainda antes de 1887, no, então, lugar de Caneças, ao lado da Igreja Paroquial de São Pedro de Caneças, no Largo Viera Caldas. No ano de 1887 existiam dois hotéis em Caneças: "Hotel Fernandes" e o "Hotel Costa".

"Hotel Costa" ao lado da Igreja Paroquial de São Pedro de Caneças


1887


"Hotel Costa " e  Largo Vieira Caldas

Caneças, lugar muito conhecido na capital pelas suas lavadeiras e pela famosa "Água de Caneças", distribuída em Lisboa em bilhas de barro, inicialmente em carroças e depois em acmionetas, por várias décadas. Muito conheidas foram camionetas de passageiros da extinta "A Arboricultora, Lda.", fundada em Caneças a 5 de Agosto de 1936.

Transporte das lavadeiras em 1949


Carroça de distribuição da "Água de Caneças", na Baixa lisboeta


Auto-Car d' "A Arboricultora, Lda." em 1939

Na "Revista Universal Lisbonense" de 14 de Agosto de 1845, chamava-se à atenção do estado da «estrada» para Caneças, num artigo do qual retireia a seguinte passagem:

«Vamos trazer para exemplo a estrada de Caneças, uma das mais frequentadas da gente da capital, e de outras muitas povoações. O logar de Caneças que póde ser o em que se restabeleçam os valetudinarios, e cançados da vida artificial e penosa que soffre a gente de Lisboa, deve ter mais que outras povoações uma estrada que communique com a capital. Mas por descuido, ou necessidade, deixou-se em abandono a maior parte da estrada que vai da ponte, junto á quinta do Lobo, até ao alto defronte de Adaveja.
Agora a Camara mandou reparar alguns destroços que havia na calcada junto a Caneças, e continuam os operarios a refazer de novo a calcada defronte de Adaveja.»


Omnibus e Diligencias para Caneças em 1888

Fora de Lisboa, quase sempre os hotéis encerravam durante o Outono e Inverno, reabrindo na Primavera do ano seguinte, pelo que em 14 de Abril de 1889 era publicado a seguinte nota no "Diario Illustrado", acerca da reabertura do "Hotel Costa" :

«Reabre hoje o afamado Hotel Costa, onde os visitantes do aprazivel sitio de Canecas encontram as melhores commodidades, o mais rigoroso asseio, e uma cosinha de primeira ordem, dirigida por um habil especialista, alem de um pessoal bastante pratico e delicado.
Com tão bellas condições de hospedagem, que podemos garantir, não duvidamos recomendar o Hotel Costa a todos os que procuram o vivificante ar e as puras aguas de Caneças.»

No mesmo dia, reabriam outros dois em diferentes localidades, apesar de muito próximas: o "Eden-Hotel" em Collares e o "Hotel Sant'Anna" em Cintra.


14 de Abril de 1889


14 de Abril de 1889

Em 6 de Maio de 1893 o "Diário Illustrado" noticiava:

«Todos o conhecem, em Caneças. Ninguem ha que visite esta localidade, que não se tenha servido das commodidades que elle offerece, e que naturalmente provoca a grande concorrencia que aquelle estabelecimento de anno para anno tem.
Pois o hotel Costa reabre ámanhã, não se poupando o seu proprietario a nenhuns esforços para que todos os que vão passar a estação calmosa em Caneças nem um só motivo sequer de queixa tenham.
Como se sabe, o sitio não póde ser mais pittoresco, ares frescos e puros, recommendados pelos medicos, aguas da mais efficaz influencia, e sobre tudo isto o hotel Costa, com os seus serviços delicados e varios, os seus magníficos quartos com todas as commodidades, etc., etc.
A concorrencia, pois, ámanhã a Caneças deve ser grande, tanto mais que muita gente esperava anciosa pela abertura do hotel, que é um dos melhores, senão o melhor, que existe e nos arredores de Lisboa.»

Como se pode observar dos anúncios publicitários seguintes de 1899 para 1900 o "Hotel Costa" mudou de proprietário ... José Telmo Rodrigues terá sido o último proprietário deste hotel.


1899

1900

Em 1905, e tendo em conta o próximo anúncio publicitário, o "Hotel Costa" terá sido proprietário do "Hotel Central" em Cascaes. É uma dedução minha, não confirmada, ou terá sido apenas uma coincidência de apelidos ...

1905

No livro "Extremadura Portugueza" de Alberto Pimentel (1849-1925) e editado em 1908 retirei a seguinte passagem, acerca de Caneças:

«O logar de Caneças é uma linda e sadia aldéa da freguezia de Loures, com um bello largo arborisado, que tem o nome de Vieira Caldas, e pittorescos passeios taes como o Alto do Masqueiro - d'onde se avista a bahia de Cascaes - o Pinhal do Verde e o Salão.
Ha uma capella da invocação de S. Pedro, cujo culto é custeado pelos canecenses.
N'ella se fazem tres festividades : a do orago, a de Nossa Senhora do Rosario e a de S. Sebastião.
A população d'esta aldéa orça por 700 habitantes, em 300 fogos.
As mulheres, no geral, são lavadeiras. Os homens applicam-se á agricultura - ás suas hortas e á creação de viveiros de arvores fructiferas, que são d'aqui exportadas em larga escala ; ou ao fabrico de navalhas de volta, especie de pequenas podôas muito usadas nos trabalhos agricolas.
As aguas ferreas de Caneças, especialmente as das nascentes do Camora e do Caldas, teem vantajosa applicação no tratamento das dyspepsias.
Para os doentes ou para os convalescentes, bem como para os veraneantes, ha regulares acommodações em dois hoteis e casas de aluguel.
Entre as melhores propriedades de Caneças avulta a quinta do Bretão, onde o sr. Carlos Appleton, seu dono, tem intro duzido todos os ultimos melhoramentos agricolas. (…)
O arco do cruzeiro é de marmore extrahido das pedreiras de Canecas.
A capella, alem de ampla, tem bastante luz.
Quanto á etymologia de Canecas, o mais que se póde apurar é que os antigos escreviam Cai-nessas.
A povoação fica n'um alto, a que dá accesso uma ingreme estrada. Communica com o Lumiar por uma carreira de char-à-bancs.
O Lumiar é, por emquanto, o limite da tracção electrica de Lisboa, na zona do Campo Grande.»

Em 29 de Junho de 1909, é inaugurado em Caneças outro hotel, o "Hotel Progresso", ex ou futura-"Pensão Quitéria". Era seu proprietário Manoel Nunes, taberneiro e que já detinha a "Pensão Nunes". 

No guia "Hoteis e Pensões de Portugal" de 1939, apenas a "Pensão Nunes" era mencionada., relativa à localidade de Caneças.

Edifício onde tinha funcionado o "Hotel Costa"

Pela lei nº 413 de 10 de Setembro de 1915, «É criada no concelho de Loures uma paróquia civil, que terá a sua sede no lugar de Caneças e será constituída pelos lugares de Caneças e Vale do Nogueira, actualmente da freguesia de Loures». Lembro que o concelho de Loures tinha sido formalmente instituído pelo Decreto Real de 22 de julho de 1886 e publicado no "Diario do Governo" n.º 165, de 26 de julho do mesmo ano.

A actual Vila de Caneças fez parte do municípo de Loures até 14 de Dezembro de 1998, passando a integrar o município de Odivelas até 28 de Janeiro de 2013, altura em que a freguesia de Caneças foi extinta, pela reorganização administrativa de 2012/2013, tendo sido agregada à freguesia de Ramada para formar a nova união de freguesias de Ramada e Caneças.


Edifício onde funcionou o "Hotel Costa" em ambas as fotos de 1986

Não consegui saber até quando esteve em funcionamento o "Hotel Costa", mas penso que não terá ultrapassado a segunda década do século XX. Pelo menos em 1912 ainda funcionava. Em 1912, tanto José Telmo Rodrigues Gouveia, último proprietário do "Hotel Costa", como Manoel Nunes, proprietário do "Hotel Progresso", tambem no Largo Vieira Caldas, integravam a direcção da "Irmandade de S. Pedro de Caneças". O primeiro era escrivão e o segundo tesoureiro.

O mesmo edifício em Março de 2026 (via "Google Maps")

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital de Lisboa, Delcampe.net, OdivelasShow (Facebook), Ao Fundo da Minha Rua

23 de setembro de 2026

"Pérola do Rossio"

A loja de chás e cafés "Perola do Rocio", foi fundada por Mário Lopes de Moraes, na Praça de D. Pedro IV, 105 (Rossio, 105). Abriu as suas portas pela primeira vez em 1923, girando sob a firma "Perola do Rocio, Lda." constituída em 26 de Fevereiro de 1923. Anteriormente, ali tinha funcionado uma camisaria de Eduardo Pereira da Costa, e no vizinho nº 104 uma loja de chás e cafés de J. Marques.


A "Perola do Rocio, Lda." ao lado da "Maison Louvre" por volta de 1923


7 de Dezembro de 1923


1930


1934

1938

29 de Julho de 1940

11 de Outubro de 1940


1943


Julho de 1955


Em 1918 já outra "Perola" funcionava na cidade do Porto e ...


No mesmo ano de 1918 

A actual "Pérola do Rossio" permanece nas mãos da mesma família há cerca de três gerações. Aquando do falecimento de Mário Lopes Moraes em 23 de Maio de 1967, sucederam-lhe na sociedade "Pérola do Rocio, Lda." sua filha D. Maria Luísa Morais Pinto e seu genro João Augusto Gregório Pinto. Pela escritura pública datada de 29 de Outubro de 1968, D. Maria Luísa ficou largamente maioritária já que num capital social de 120.000$ a sua quota valia 119.900$ e a de seu marido 100$ ...  em 30 de Dezembro de 1982 num reforço de capital, para 975.000$00 a quota D. Maria Luísa passa para 845.100$ e a de seu marido para 4.900$. A disparidade nas quotas seria anulada quando em 31 de Março de 1992, noutro aumento de capital social, as quotas ficariam iguais: D. Maria Luísa da Conceição Morais Pinto com 1.000.000$ e seu marido João Augusto Gregório Pinto 1.000.000$.

Em abasa as fotos "Pérola do Rossio" à esquerda da "Maison Louvre" em foto de 1961



1997

O interior de a "Pérola do Rossio" é representativo do comércio tradicional da baixa lisboeta, onde é possível observar  moinhos de café, quase centenários e ainda hoje utilizados, e grandes vitrines onde se expõem, devidamente organizados, os bules, as latas de chá e de café, as tradicionais máquinas de balão, vinhos, licores, doces e compotas, bolachas e biscoitos, chocolates e produtos regionais.



Fotos de 2017 in "Lojas com História"

«Mas é de dia que se tem acesso às pérolas que lhe justificam o nome: a especialidade da casa é o café e o chá. Cafés de lote próprio (Pérola do Rossio, Ultramarino, Bar) e de vários cantos do mundo (Brasil, Timor, São Tomé e Príncipe, Colômbia e Guatemala), e ainda lotes ao gosto do cliente. Para acompanhar o café ou o chá, há vinhos, nacionais e estrangeiros, doces e compotas, bolachas e biscoitos, chocolates e não só.
Vale a pena pedir café não só pela sua qualidade mas pela rica coreografia com que o Sr. António o irá embalar. É impressionante rever na sua “dança” quotidiana a perfeição que atinge um gesto mil vezes repetido. Apesar do senhor Sr. António não ter noventa anos de casa, tem umas décadas. Várias décadas a ensaiar esta e outras danças, a receber várias gerações de clientes. Esta Pérola foi fundada em 1923 por Mário Lopes de Moraes e continua na mesma família há três gerações.» in: "Lojas com História".

2017

Entretanto, em 26 de Junho de 2002, a sociedade "Pérola do Rocio, Lda." , com um capital social de 15.000 € era constituída pelos seguintes sócios: Mário João Morais Pinto (9.980€) - filho do fundador - e sua filha Maria Fernanda da Silva Paiva Morais Pinto (5.020€).

Em Março de 2018 o quarteirão onde estava instalada a "Pérola do Rossio", foi comprado pelo grupo espanhol "Mabel Capital", e em Novembro de 2020 aquando da apresentação a aprovação à Câmara Municipal de Lisboa, do projecto de alteração dos edifícios a fim de ali se instalar a "Zara", a "Pérola do Rossio" ficou com a garantia de manter o seu espaço comercial na mesma loja. Seria a única loja a ali manter-se, já que a "Pastelaria Suiça", "Ourivesaria Portugal" e "Casa da Sorte" já tinham encerrado definitivamente. O projecto seria aprovado e a loja de cafés encerraria em 2021 temporáriamente, por três anos enquanto as obras de reabilitação do quarteirão duraram.

Agosto de 2024

A "Pérola do Rossio" só reabriria em 14 de Outubro de 2024, após a abertura no mês anterior da "Zara" - a sua segunda maior loja de pronto-a-vestir em todo o mundo. Continuando a vender vinhos, nacionais e estrangeiros, doces e compotas, bolachas e biscoitos, chocolates, máquinas de café e respectivos acessórios, bules, etc., os seus dois antigos funcionários permaneceram, com o sr. António continuando como gerente.



Sr. António




Fotos anteriores após a reabertura em 14 de Outubro de 2024

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian ("Lojas de um tempo ao outro, Vol II" de Jorge Ribeiro (1938-2006) - FCG 1997), Lojas Com História