Restos de Colecção

18 de março de 2026

"David Joalheiro"

A joalharia e relojoaria "David Joalheiro", foi inaugurada em 9 de Outubro de 1944, na Rua da Prata, 281-283, em Lisboa, e fundada por Faustino David. O projecto de arquitectura foi da responsabilidade do arquitecto Raúl Tojal (1899-1969), tendo ficado a obra a cargo de seu irmão, Diamantino Tojal. 


Uns dias depois da inauguração a revista "Vida Mundial" noticiava:

«Devido ao arrojado esfôrço de um homem empreendedor e de grande iniciativa, o comerciante Faustino David, foi há pouco inaugurado na Rua da Prata, 281 a 283, um estabelecimento que honra não só o nosso comércio como a própria capital: a Joalheria David. Fomos visitá-lo e ficámos surpreendidos.
É, de facto, um magnifico estabelecimento. De linhas moderníssimas, de um requintado bom gosto, atesta bem o sentido estético do artista que o concebeu, o arquitecto Raul Tojal, um dos valores positivos da sua geração. A construção, perfeitíssima também, coube ao conhecido construtor Diamantino Tojal, a quem têm sido entregues algumas das melhores construções existentes em Lisboa.
Mas o que sobretudo sugestiona pela sua sumptuosidade é a exuberância do seu sortido de jóias e pratas, que é dos mais completos e variados que temos visto. Ali encontra em exposição o público mais exigente jólas da mais alta qualidade, pratas que são verdadelros objectos de arte e relógios das melhores mareas e da mais alta categoria.
Não há dúvida; manda a justiça que se diga: a Joalheria David é, no seu género, dos maiores e melhores estabelecimentos do pais. Por isso aconselhamos os nossos leitores a visitá-la. Se o fizerem, como esperamos, ficarão agradavelmente surpreendidos como nós ficámos.»


A propriedade da "David Joalheiro" era da firma "Joalharia David, Limitada", que tinha sido constituída em 27 de Março de 1944. Os seus primeiros sócios foram: Faustino Manuel David, Faustino Tavares Figueira, José Alves da Silva Cais, Manuel Natário Duarte e Vergilio Fernandes Castelo Branco. O capital social foi de 800.000$00, dividido em cinco cotas, uma de 200.000$00, pertencente a Faustino Manuel David e quatro de 150.000$00 pertencentes a cada um dos demais sócios.

Mas logo, dois meses após a sua abertura,  em Dezembro de 1944, eis que surge uma situação complicada para a "David Joalheiro" e, porque não, também para a firma "A. Garcia, Lda." importadores da famosa marca de relógios "Omega", bem descrita nos seguintes anúncios todos publicados no mesmo dia 3 de Dezembro de 1944 no jornal "Diario de Lisbôa" ...




Todos de 3 de Dezembro de 1944

Dois anos depois, em 18 de Julho de 1946, Faustino Manuel David deixa de ser sócio da "Joalharia David, Limitada", tendo renunciado à gerência, mas autorizando que o seu apelido continuasse na denominação social e do estabelecimento. 


24 de Maio de 1945


1 de Janeiro de 1947

Em 1 de Janeiro de 1952 a composição societária da firma seria alterada, ficando constiuída pelos seguintes sócios: Alberto Albuquerque Domingos, Manuel Natário Duarte, "Ernesto Pinto, Lda." e Artur Tavares de Carvalho. Em 18 de Julho de 1957 o sócio "Ernesto Pinto, Lda." seria substituído pelo novo sócio Humberto Antunes Pereira.

23 de Dezembro de 1951


24 de Dezembro de 1964

Em 1980, a sociedade "Joalharia David, Limitada", era constituída pelos seguintes sócios: Artur Tavares de Carvalho, D. Maria da Conceição Henriques de Carvalho, José Tavares Carvalho, Dra. Leonor Tavares de Carvalho Galhardo, e engª Lídia Maria Tavares de Carvalho Gonçalves. Ou seja, ficou tudo em família ...

Não sei quando a "David Joalheiro" encerrou em definitivo, mas sei que a sociedade  "Joalharia David, Limitada" foi liquidada e dissolvida em 2015.

Loja onde funcionou a "David Joalheiro", em captura de Agosto de 2024 (via Google Maps)

fotos in: Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Nacional da Torre do Tombo, Estação Chronographica

15 de março de 2026

"Photo-Velo-Club"

A "Photo-Velo-Cub" foi fundada em 1899 por Raul Teixeira e Jayme Ribeiro Pereira (também velocipedista), - que para tal formaram a sociedade "Raul Teixeira & Jayme Ribeiro" - e estava localizado na Rua de Sá da Bandeira, nº 232 e 234, no Porto. Este estabelecimento associava a venda de artigos para fotografia e pintura a bicicletas. A comercialização de bicicletas "Adler" (que na década seguinte já era marca de  automóveis) deveu-se ao facto de, nos finais do século XIX, verificar-se um interesse crescente na actividade velocipedista, em Portugal. Quanto à velocipedia na cidade do Porto existia o "Club Velocipedista Portuense", fundado em 9 de Março de 1880 e que em 1893 passou a "Velo-Club do Porto". Em 1894, com o desaparecimentos destas agremiações, foi fundado o "Real Velo Club do Porto".



8 de Abril de 1899


"Photo-Velo-Cub" na Rua de Sá da Bandeira

Como instrumento de propaganda publicava a revista mensal ilustrada "Boletim do Photo-Velo-Club”. O seu primeiro núnmero foi publicado em Agosto de 1899 como «Revista Mensal Illustrada de Photographia, Pintura e Bicycleta e orgão do Photo-Velo-Club". Teve 8 números, entre Agosto de 1899 e Dezembro de 1900, em que informou acerca de eventos de fotografia a nível nacional, assim como alguns apontamentos de Belas Artes, artigos de cariz técnico no campo da fotografia.

Primeiro número, em Agosto de 1899


No "Boletim Photographico" da "Worm & Rosa" de Fevereiro de 1900

Ao mesmo tempo a "Photo-Velo-Cub" crescia e gozava de grande receptividade, já que em 1901, outro novo sócio, César dos Santos vai a Paris com o propósito de adquirir automóveis para a firma. Ainda em 1900, organizou uma exposição de fotografias de amadores com o apoio de alguns dos maiores expoentes da Arte Fotográfica do Porto, como Antero de Araújo, Joaquim Damásio Bastos e Constantino Paes, e que se anunciava como a primeira de uma série «(...) de exposições que hão de agitar o nosso pequeno meio»


Frente e verso


15 de Abril de 1901

Estas iniciativas granjearam um enorme sucesso como se verifica pelos artigos que se publicam no próprio "Boletim do Photo-Velo-Club” e também no jornal portuense  "Primeiro de Janeiro". Em 1900, coloca à disposição dos amadores um «quarto escuro» (câmara escura), bem como uma escola de fotografia para a qual já contava com a participação de Domingos Alvão (1869-1946), que tinha vindo da casa "Emilio Biel & C.ª ", e que se transforma em atelier fotográfico onde se finalizavam trabalhos de amador. Não constituindo propriamente novidade, pois a "Emilio Biel & C.ª " já o fazia na década de 80 de século XVIII ou a "Photographia Guedes" desde 1898, este tipo de actividade desenvolvida no âmbito do "Photo-Velo-Club", porque mais vocacionado para o apoio aos amadores, terá obtido uma maior receptividade. Foi aqui, no "Photo-Velo-Club", que se terá consumado um dos primeiros furtos de material fotográfico ocorrido em Portugal, no valor de 150$000 réis, o que denota, quer o volume de comércio já alcançado pela firma, quer o aumento da procura que permitia encontrar um receptador para aquele material por forma a rentabilizar o produto do crime.





Em Janeiro de 1902, e por iniciativa do sócio Raul Teixeira, tendo como operador gerente Domingos do Espírito Santo Alvão, inaugura-se, agora com novas instalações, um atelier e ascola de fotografia na Rua de Santa Catharina, nº 100. Já Domingos Alvão gozava de um carinho especial por parte da imprensa e dele se diz já «(...) um operador distinto e de fina têmpera.(...)»”


Domingos do Espírito Santo Alvão (1869-1946)

Novas instalções (já como "Photographia Alvão"), na Rua de Santa Catharina, nº 100

Na "Revista Moderna" de 3 de Fevereiro de 1902, pode-se ler: Raul Teixeira «(...) abandonou as salas e atirando-se aos mares da vida... pôs uma photographia à vela! Trabalhos finamente executados, bom gosto, distinção e muita amabilidade, tudo se encontra na nova photographia do Photo-Velo-Club. À testa do novo atelier está o Domingos Alvão (...)».

As responsabilidades do atelier fotográfico foram completamente assumidas por Domingos Alvão, a partir de 1903, que, ao autonomizar-se, se passa a designar "Photographia Alvão". É também neste ano que José da Silva Pereira, ex-empregado do "Centro Photographico" assume a gerência da loja de fotografia que, em 1904, passa a "Photo Iris", com «um completo sortido para fotografia, pintura e illuminação por incandescencia». Enquanto propriedade de "Cruz Borges & C.ª", a firma também editava e vendia bilhetes postais. Em 1905, saldou a sua existência de máquinas fotográficas, com um desconto de 50%, e que também se dedicava à edição e venda de bilhetes postais.

22 de Dezembro de 1903

Não esquecer que ...

O "Photo-Velo-Club" funcionaria, assim, como trampolim de modo a que Domingos Alvão tenha instalado a sua própria casa fotográfica, que derivava, quer nas funções, quer nas instalações, dessa firma. 

«Algo controversa é, de facto, a data atribuída à fundação da Fotografia Alvão: se, derivando do Photo-Velo-Club, como se comprova nos vários artigos de jornal, nos é apontado o ano de 1903, já posteriormente, seja em publicidade da própria firma, seja em artigos de homenagem - como sucede aquando da comemoração das Bodas de Prata ou de Ouro ou em outras ocasiões” - é sempre indicada a data de 2 de Janeiro de 1902? e também acontece ver-se a data de 1901 no papel timbrado da própria firma.“ Consideramos, assim, esta última como a data da sua fundação, ainda que julguemos existir alguma confusão entre a criação deste Atelier, pertença do Photo-Velo- Club, e a da Fotografia Alvão naquelas instalações“. Tendo em conta que é Domingos Alvão quem assume a orientação daquela dependência desde o início, somos levados a crer que os contemporâneos de Alvão consideravam a fundação da Fotografia Alvão o momento em que, sob orientação do mestre, se criou o anexo do referido clube.
É curioso verificar-se que ainda em Abril de 1903 a publicidade feita ao Photo-Velo-Club na Imprensa (por exemplo: Diário da Tarde, 1.04.1903) refere, além dos outros ditos, «Atelier de Photographia - Santa Catarina, 100» e, simultaneamente, no mesmo jornal e na mesma página, os anúncios feitos à Fotografia Alvão indicam a mesma morada, sem fazer qualquer referência ao Photo-Velo-Club (a esse respeito apenas diz que tem «Laboratório especial e sala de trabalho para amadores»). Ainda com algum interesse parece-nos ser o facto deste anúncio à Fotografia Alvão, na fonte supracitada, aparecer inicialmente com o título «Alvão, photographo» e só depois de 7 de Abril se referir «Photographia Alvão», sendo, no entanto, o conteúdo dos dois igual.» (*)

De referir que em 1903, os principais ateliers fotográficos no Porto eram os seguintes: "Photographia Guedes", "Sala & Irmão Photographia", "Photo Velo-Club", "Photographia Lusitana - A. Santos", "Emílio Biel & Cª", "União - Fonseca & Companhia", "Atelier Photographico de Peixoto & Irmão".


A "Photographia Alvão" instalar-se-ia no espaço antes ocupado pelo atelier e escola de fotografia do "Photo-Velo-Club" na Rua de Santa Catarina, nº 100, quase junto do cruzamento com a Rua Passos Manuel, como se pode ver numa fotografia realizada pelo próprio Alvão e reproduzida anteriormente 

As instalações já muito antigas e o repectivo edifíco, seriam substituídos mais tarde por um novo edifício, que receberia os nº 118-120, em vez de 100. No prédio a seu lado instala-se-ia o famoso "Café Majestic". Em 1924, a "Photographia Alvão" passou a pertencer à firma "Alvão & C.ª, Sucessor Azevedo & Fernandes, Lda.", altura em que Domingos Alvão se associou a Álvaro Cardozo Azevedo, seu discípulo e companheiro de trabalho desde 1906.


Artigos Fotográficos "Alvão & C.ª, Sucessor Azevedo & Fernandes, Lda." e "Café Majestic"


1934

Após a sua morte, em 1946, a empresa continuou pela mão do seu sócio Álvaro Azevedo e, no final dos anos 70 do século XX, com a morte de Álvaro Azevedo em 23 de Novembro de 1967, a "Fotografia Alvão" foi adquirida por Arnaldo Soares, que manteve o mesmo nome.

(*) - Texto retirado de ... ver Bibliografia

Bibliografia:

"Nacionalismo e Pictorialismo na Fotografia Portuguesa na 1a metade do século XX: o caso exemplar de Domingos Alvão" - Dissertação de Mestrado em História da Arte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa - Novembro de 2000 - Filipe André Cordeiro de Figueiredo.

fotos in: Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Nacional da Torre do Tombo, Foto-Porto (Facebook), Delcampe.net

11 de março de 2026

Chapelarias "Azevedo Rua, Lda."

A actual Chapelarias "Azevedo Rua, Lda.", na Praça de D. Pedro IV (Rossio), 69, 72 e 73 , em Lisboa, foi fundada por Manuel d'Aquino Azevedo Rua em 1886, na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48.  Manuel d'Aquino Azevedo Rua tinha deixado nesse ano a região do Douro, onde produzia vinho do Porto. Depois de ver as suas vinhas arruinadas, após desastrosas colheitas, Azevedo Rua partiu para Lisboa com dinheiro emprestado pelo seu tio padre, e com esse dinheiro abriu a sua primeira loja na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48. Viria a ser acompanhado por seu irmão Adriano Augusto d'Azevedo Rua.

Chapelaria de "Azevedo Rua & Irmão" à direita na foto, 2 portas a seguir à "Pharmacia Lusitana" de "Dias & Dias"

Nota: na foto anterior pode-se observar outra chapelaria, a "Chapelaria de A. Alves" à esquerda na porta 45 e quase defronte à Chapelaria de "Azevedo Rua & Irmão" . E quanto à "Pharmacia Lusitana", o seu proprietário Antonio Dias era, também, dono da "Drogaria Lusitana", um pouco mais adiante e do lado esquerdo ...


1882


Manuel d'Aquino Azevedo


Oficina de chapéus da Azevedo Rua

 A primeira referência que encontrei à loja da Praça de D. Pedro, 69 foi no "Anuario del comercio, de la industria, de la magistratura y de la administración" de 1894, não aparecendo referenciada nos anos anteriores ...  Nesta loja da Praça de D. Pedro tinha funcionado uma loja de móveis de ferro e colchoaria pertença de M. V. Corrêa, desde finais do século XIX. Foi assim que nasceu a "Chapelaria Azevedo Rua" na Praça D. Pedro, também conhecida por Praça dos Chapeleiros. Em 1887 existiam referenciadas 6 chapelarias nesta Praça. Durante muitos anos a "Chapelaria Azevedo Rua" ditou a moda não só no mercado feminino mas principalmente no mercado masculino, produzindo chapéus de côco e cartolas para topo o tipo de eventos.

"Chapelaria Azevedo Rua"na primeira porta (nº69) no edifício de esquina com o Largo de São Domingos

Em 1904, Azevedo Rua adquire na Rua da Palma, 31 a Chapelaria de Alfredo Borges Pinto, adoptando o nome de "Chapelaria Azevedo Rua". Em 1906 Manuel d'Aquino Azevedo Rua já aparece associado a seu irmão Adriano Augusto d'Azevedo Rua, constituídos na sociedade "Azevedo Rua & Irmão" proprietários da sua chapelaria na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48. 

1906 - nº 60 leia-se 69

No mesmo ano de 1906  aparece referenciada a "Chapelaria Azevedo Rua"  na Praça de D. Pedro, 69, propriedade de Manuel d'Aquino Azevedo Rua, em conjunto com as outras duas chapelarias. na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48 e na Rua da Palma, 31 (fig. anterior). Por outro lado em 1908, no "Anuario del comercio, de la industria, de la magistratura y de la administración" de desaparece a chapelaria da Rua da Palma, 31 e aparece uma nova na Rua do Amparo, 32, propriedade da firma "Azevedo Rua & Carvalho". Por outro lado, a loja na Rua Arco Marquez d'Alegrete, 48, desparece em 1910 do mesmo anuário, pelo que deduzo que tenha encerrado definitivamente nesse ano, já que em 1909 ainda aparecia referenciada.

As três chapelarias de Azevedo Rua em 1909


Outra oficina de chapéus

Para melhor compreender o que escrevo de seguida, e não só, nada melhor que parte do projecto para o lado oriental da Praça de D. Pedro, com os números de porta que inseri e que muito úteis serão.

Entretanto, por volta dos anos 30 do século XX a "Chapelaria Azevedo Rua" abre outra loja três portas acima, nas 72 e 73, onde tinha funcionado, até então, a confeitaria de Augusto Francisco Cardoso. Por uma foto que retirei do Arquivo Municipal de Lisboa (e que publico de seguida), fiquei com a impressão que primeiramente a nova chapelaria de Azevedo Rua terá começado na porta 74 e só depois se transferiu para a antiga confeitaria ... Isto é apenas uma suposição minha ... Por outro lado, entre as duas lojas da Praça de D. Pedro, nas portas 70 e 71 funcionou durante muitos anos a loja de modas e confecções de Arthur Lopes, que por sua vez tinha tomado de trespasse à firma "Martins & C.ª" que ali funcionava desde os anos 80 do século XIX.

Chapelarias "Azevedo Rua" na porta 69 e na porta 74 (?) até esta se mudar para as 72 e 73. Atente-se aos 1º e 3º toldos


A segunda Chapelaria "Azevedo Rua" já nas portas 72 e 73 em substituição da antiga Confeitaria em foto de 22 de Junho de 1930

Nos anos 40 do século XX já aparece referenciada a sociedade Chapelarias "Azevedo Rua, Lda.", que entretanto tinha sido constituída, agregando todas as lojas da família.

1943

Montra da Chapelarias "Azevedo Rua, Lda." no Largo de São Domingos, ao lado de "A Ginjinha"

Mais recentemente ...

«Esta chapelaria começou a apostar mais no mercado feminino em 1988, quando o negocio de família foi assumido pelo neto e bisneto do fundador! Com esta nova liderança a chapelaria Azevedo Rua começou a apostar mais na vertente feminina, entrando em contacto com fornecedores de diversos países, com o objectivo de actualizar e modernizar o negocio do chapéu em Portugal.»





Chapelarias "Azevedo Rua, Lda." nos números 72 e 73 da Praça de D. Pedro IV

E num artigo no "Jornal de Notícias" da autoria de Gina Pereira, em 24 de Dezembro de 2006 ...

«(...) Propriedade de uma sociedade com 20 sócios - só quatro não descendem do fundador, mas do primeiro empregado, que acabou também por ter uma quota na empresa -, a Azevedo Rua é ponto de romagem obrigatória para quem gosta de andar na moda e com a cabeça aconchegada. (...)
José Manuel Azevedo Rua, 56 anos, neto do fundador, assumiu, há 19 anos, a gerência. A decisão foi tomada depois da morte do seu pai e de um período em que a casa estive entregue à gestão dos funcionários. "Encontrámos a casa em péssima situação financeira e muito degradada", recorda, ao JN, explicando que decidiram, então, encetar um processo de recuperação para a resgatar do "abismo". "Foi preciso muito empenho, gosto e paixão pela casa para a conseguir recuperar", diz.
A confiança de José Manuel - reforçada por Maria da Graça Fonseca, 64 anos, sócia e viúva de um bisneto do fundador - reside não só no facto de terem uma clientela "fiel" e diversificada, mas também porque a geração mais jovem da família está empenhada neste projecto.
Rita Azevedo Rua, 27 anos, bisneta do fundador, desiludiu-se com o curso de Design e decidiu trabalhar na loja, onde se habituou a ir "desde pequenina" com o pai. Há cinco anos, começou por dar uma ajudinha na contabilidade e, aos poucos, acabou por ganhar mais responsabilidades, estando-lhe hoje parcialmente entregues as compras nas feiras internacionais de Paris, Londres, Florença e Madrid. Rita também está muitas vezes atrás do balcão, a atender os clientes e a dar os seus conselhos profissionais. "Ela tem muito jeito para isto", confirma a prima, Graça Fonseca.
Um dos filhos de Graça, Pedro Fonseca, 24 anos, trineto do fundador, também optou, recentemente, por envolver-se no negócio. Sem paciência para os estudos, há sete meses que Pedro trabalha na loja, embora confesse não ser apreciador de chapéus, porque anda de mota e "não dá muito jeito por causa do capacete".
Teresa Ferreira, 59 anos, sócia e filha de um ex-sócio-gerente, trabalha há 25 anos na loja e diz que "é um prazer estar aqui". "As mudanças foram para melhor. Houve uma modernização de tudo", observa, explicando que mudaram as técnicas de venda, os produtos e os próprios clientes.
A Azevedo Rua, que hoje abre as portas às 9 horas, vende ainda bengalas, cachecóis, chapéus de chuva, cintos e luvas de lã.» in: Jornal de Notícias por Gina Pereira em 24 de Dezembro


foto de Duarte Drago

Já em 31 de Julho de 2016 num outro artigo da "Forbes Portugal", da autoria de Pedro Carreira Garcia ...

«(...) o gerente está obviamente satisfeito com o negócio e realça o papel do turismo na dinâmica das vendas nos últimos anos. Antes, quando chegou à loja, em 2006, “o mês de Agosto era paradíssimo, não tínhamos cá quase ninguém na loja”, afiança. Hoje acontece o contrário.
Os turistas visitam a Chapelaria e não é só para ver: 60% das vendas são feitas a estrangeiros. E, em termos de nacionalidades, os angolanos estão à cabeça, especialmente no que concerne à venda de chapéus de cerimónia para mulheres, explica Pedro. “Agora, de Maio a Setembro, não paramos”, acrescenta o gerente.»

As duas lojas na foto seguinte. A loja na porta nº 69 já desativada, merecia melhor tratamento mesmo fechada, pois parece ao abandono ... com um letreiro que informa: «Por favor dirijam-se aos números 72 e 73»
Porta nº 69 há uns anos e actualmente ...

 


As duas lojas "Azevedo Rua, Lda.", com a "Balão Club" entre elas, actualmente