Restos de Colecção

26 de julho de 2026

"Casa Buttuller"

José Buttuller terá começado a sua atividade comercial e industrial por volta de 1871. Em 5 de Abril de 1873 o "Diario do Govêrno" através de Edital informava:

«O Dr. João Carlos Pesso de Amorim, administrador do bairro oriental de Lisboa, por Sua Magestade Fidelissima, que Deus guarde, etc.
Faço saber, que José Buttuller requereu licença para fundar uma fabrica de chapéus de todas as qualidades e feitios por machina movida a vapor da força de um cavallo, no beco do Albuquerque que n.° 2, freguesia da Sé, e pertencendo este estabelecimento á 2.ª classe da tabella annexa ao decreto de 21 de outubro de 1863, aonde temn a indicação dos seus inconvenientes «fumo, visto que não as ha até ao presente, que sejam completamente fumivoras ; perigo de explosão nas caldeiras». Convido as auctoridades publicas, os chefes e gerentes de quaesquer estabelecimentos, e todas as pessoas interessadas a reclamar por escripto no praso de trinta dias, perante mim n'esta administraçào, contra a projectada fundação, com a comminação de não o fazendo, e findo que seja o dito praso, o processo seguir os seus devidos termos. E para constar mandei affixar exemplares d'este edital na porta d'esta administração , na da igreja parochial da Sé, e publicar no Diario do governo.»

E em 4 de Agosto do mesmo ano, em novo Edital no "Diario do Govêrno"...


4 de Agosto de 1873

De referir que, José Buttuller mantinha a firma "Buttuller & C.ª" com seus sócios João Ignacio da Silva Braga e José de Sousa. Esta sociedade viria a ser dissolvida em 24 de Março de 1874, tendo assumido José Buttuller todo o activo e passivo da firma.

Em Janeiro de 1885 o jornal brasileiro "Reformador" Orgam da Federação Spirita Brazileira, informava que José Buttuller em conjunto com outras personalidades, tinha fundado, em Lisboa, a 17 de Novembro de 1884, o "Centro Spiritista Portuguez".


10 de Dezembro de 1894


20 de Novembro de 1900

Em 1900 José Buttuller participa na "Exposition Universelle de Paris", inaugurada em 14 de Abril. De seguida a sua presença na listagem de expositores de Portugal, no respectivo catálogo da Exposição.


No catálogo da "Exposition Universelle de Paris" de 1900


19 de Novembro de 1904

Em 1910, já José Buttuller tinha falecido e a posse da loja tinha passado para a sua viúva passando a loja a denominar-se "Viuva de José Buttuller". Em 1912 já tinha passado a denominar-se  definitivamente "Casa Buttuller", tendo passado para a posse de seu filho Miguel Archanjo Buttuller, que em 25 de Outubro de 1976, forma a  sociedade por quotas "Miguel Buttuller, Lda.", com António Duarte Pedro, Sebastião Frias e João Dias Mega. O objeto desta sociedade era descrito como: «A sociedade tem por objecto o comércio de alfaiataria, chapelaria, artigos militares e acessórios relacionados com aquelas actividades, podendo, no entanto, dedicar-se a qualquer outra actividade comercial ou industrial, se assim for deliberado em assembleia geral.»  


24 de Setembro de 1910


1912

E em 1913, ali bem pertinho, a concorrência à espreita ...


1913


29 de Novembro de 1915


28 de Maio de 1921


Postal de 13 de Dezembro de 1932

Em 28 de Fevereiro de 1980 a "Miguel Buttuller, Lda." era constituída por Miguel Archanjo Buttuller, Maria da Ascensão Buttuller,  José Manuel Buttuller e João Dias Mega.

De referir que Miguel Buttuller esteve na fundação do Club de Football "Os Belenenses", em 23 de Setembro de 1921, ficando ligado às secções de ciclismo e basquetebol deste mesmo prestigiado clube. Inclusivé a "Federação Portuguesa de Ciclismo", fundada em 14 de Dezembro de 1899, esteve sediada no andar acima da "Casa Buttuller"


1961

O fracasso desportivo da primeira participação no Campeonato de Lisboa motivou medidas de desenvolvimento da modalidade. Uma delas foi a realização de um Torneio Intersócios, que contou com a participação de sete equipas e trinta e cinco jogadores, entre os quais se encontravam nomes grandes do Clube, como Licínio Vaz, Miguel Buttuller ou Joaquim de Almeida, campeão de Lisboa e de Portugal pela equipa de Honra de futebol e sócio sempre pronto para o combate e o engrandecimento do Clube. Assim, e sem surpresa, a modalidade consolida-se, com a secção a ser dirigida por Miguel Buttuller (mais tarde presidente da "Associação de Basquetebol de Lisboa") e Leopoldo Fernandes, sendo treinador Carlos Martins Pereira.

Aquando da ocasião do aniversário deste clube em 1939 era anunciado em 22 de Setembro de 1939 ... 

«A direcção do Club de Football «Os Belenenses» pede aos seus socios, amigos e adeptos, que se queiram inscrever para o jantar de confraternização comemorativo do 20.° aniversario deste clube, a realizar no proximo dia 30 do corrente, pelas 20 e 30, no nosso campo atletico, o favor de o fazerem com a maxima urgencia, a-fim-de poder tratar com o devido tempo da sua respectiva organização.
As inscrições continuam abertas, na sede do clube, na Casa Buttuller, rua Barros Queiroz, e em poder das comissões tecnicas do clube e respectivos cobradores, e serão encerradas definitivamente no proximo dia 26 do corrente.»


1943




Na revista "Boina Verde" de Junho de 1982


Ambas as fotos de 1994



Na "Revista do Exército" de Janeiro de 1996

Em 13 de Junho de 1997 falece José Manuel Buttuller, e assume a gerência da "Miguel Buttuller, Lda" a sua viúva Ângela June Powell Buttuller, em 27 de Julho de 1998. Em 3 de Fevereiro de 2005, a gerente Ângela June Powell Buttuller renuncia à gerencia da "Miguel Buttuller, Lda" e em 5 de Abril do mesmo ano,  ficam como gerentes as duas únicas sócias Maria Fernanda de Freitas Ferreira Alves Oliveira e Fernanda Maria Vinagre Lopes Poeira Trindade, com quotas iguais de valor nominal de dois mil e quinhentos euros cada.

A "Casa Buttuller" nos seus últimos anos de existência vendia, bandeiras, galhardetes, condecorações e emblemas para militares (Exército, Marinha, Força-Aérea, Comandos) ou bombeiros.  Um dos artigos mais requisitados era a "Boina Buttuller", procurada por militares e agentes da PSP, pela sua qualidade e durabilidade. 




Em 1997 o último descendente do fundador, José Manuel Buttuller, filho de Miguel Buttuller,  trespassou a casa à última proprietária, D. Maria Amélia Almeida da Silva. A seguir publico uma série de fotos que foram disponibilizadas pelo site "Lojas com História" em 2017. Na primeira foto a última proprietária D. Maria Amélia Almeida da Silva.







«Foram muitas as fardas que ali foram aprimoradas e valorizadas com pins, galardões e emblemas. O alargador de bonés, um curioso objecto, fala-nos da singularidade de cada farda, de cada militar, no meio da multidão homogénea que caracteriza estas forças colectivas. É aqui que percebemos bem, sobretudo na quantidade de objectos dedicados a pequenos acabamentos de chapelaria ou costura, o valor do detalhe e do particular desvio que somos todos nós, mesmo quando juntos comporíamos um pelotão de soldados aparentemente todos iguais. Esse atendimento personalizado é balizado pelo curioso balcão em curva, em que se separa o atendimento daquilo que são acabamentos. Em volta, pelas gavetas e armários encastrados e envidraçados, vemos um misto de objectos para venda e outros para exposição. É este o caso de alguns emblemas de forças de segurança estrangeiras. Não são para venda. Foram oferecidos por visitantes, alguns em troca dos emblemas semelhantes portugueses. A maioria dos produtos aqui vendidos são de produção nacional. Neste intercâmbio, a loja torna-se num espaço de partilha e troca de experiências, de estreitamento das relações, de boa camaradagem. Para isso contribuem em larga medida os longos anos de existência deste espaço, com uma fama que foi sendo construída encomenda a encomenda e a cada cliente satisfeito.»


Foto de 2017, antes do seu encerramento definitivo em 2024

Após o seu encerramento definitivo em foto de 2024

Graças a uma foto publicada em 5 de Maio de 2026,  no "Facebook" de José Vítor Malheiros, ficamos a conhecer a nova actividade da "nova", e reaberta, "Casa Buttuller" ... que será? que será? ...


5 de Maio de 2026

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian ("Lojas de um tempo ao outro, Vol I" de Jorge Ribeiro (1938-2006) - FCG 1994), Lojas Com História, Viriato Lusitano

19 de julho de 2026

Arthur Gottschalk, engenheiro

O engenheiro eléctrotécnico alemão Arthur Gottschalk, iniciou a sua actividade comercial em 1902 com um escxritório de representações na Rua de Santa Justa, 98 2º andar, esquina com a Rua do Ouro, em Lisboa. Começou com a representação da empresa alemã de engenharia eléctrica "Siemens & Halske", fundada em Berlim a 12 de Outubro de 1847.

No 2º andar do prédio à direita funcionou a "Arthur Gottschalk, engenheiro". Esquina da Rua da Rua Aurea com a Rua de Santa Justa em foto de 18 de Agosto de 1922 


1902

A casa "Arthur Gottschalk, Engenheiro" alem de comercializar, pára-raios, ventoinhas eléctricas, lâmpadas de incandescência, telefones, aparelhos para Raio X , pilhas secas, aparelhos para telegrafia, etc., era especializada em «Luz e transmissão de força em cidades, fabricas, theatros, caminhos de ferro, etc., etc.»


10 de Dezembro de 1903

1903

Em finais de Dezembro de 1904, muda-se da Rua de Santa Justa para o "Palácio Foz". Instalou-se na recém-criada loja de esquina com a Calçada da Glória, onde tinha funcionado a capela do Palácio, junto ao terminús do "Ascensor da Glória". Aí criou um salão de exposição e armazém, tendo sido uma das primeiras lojas criadas no piso térreo do Palácio. Noutras lojas viriam a funcionar: pastelaria, alfaiataria, relojoaria, casa de fotografia, restaurante, etc. 


Ainda com o aviso de mudança de instalações

O jornal "O Século" de 1 de Janeiro de 1905 noticiava:

«Mudou os seus depositos e escriptorio para uma magnifica e sumptuosa installação no Palacio Foz, Praça dos Restauradores, o nosso amigo Arthur Gottschalk, ilustre engenheiro electricista representante da importante firma de Berlim, Siemens & Halske. Na antiga capella daquelle palacio ficara a exposição de machinas e material electrico, tendo ao fundo uma divisoria de construção sobria e elegante.
E' mais uma importante casa que se instala na Avenida e que muito concorrerá para a alegria e movimento d'aquelle bello pedaço de Lisboa.»

Primeiras duas janelas térreas à direita, que seriam substituídas por portas e dariam origem à loja "Arthur Gottschalk, engenheiro"


Interior da loja no Palácio Foz


1905

Entretanto a "Arthur Gottschalk, Engenheiro" abre uma filial no Porto na, ainda, Rua de Santo António, 204 -1º andar.


No "Annuario do Commercio do Porto" de 1908


Localização da "Arthur Gottschalk, Engenheiro" , na Rua 31 de Janeiro (ex- Rua Santo António), 204 - 1º  no Porto. Indicado pela seta

De referir outra casa alemã similar e sua concorrente, a "M. Herrmann" fundada em 1865, na Calçada do Lavra, 8-10 em Lisboa. Aqui duas curiosas coincidências: ambas pertencerem a um alemão e a outra ambas terem as suas instalações junto ao terminús de um ascensor, neste caso o "Ascensor do Lavra".


1907


A "M. Herrmann, Lda." no prédio de esquina, à esquerda na foto e junto ao "Ascensor do Lavra"

Com o aparecimento dos animatografos em Portugal, Arthur Gottschalk passa a dedicar-se, também, à indústria cinematográfica e em 1908 cria a "Empreza Portugueza Animatographica, Limitada", juntamente com Raul Lopes Freire e seu irmao Augusto Freire, Carlos Ribeiro Nogueira Ferrao, Alberto Coutinho Freire e Jaime Guerra da Veiga Pinto. A loja de Arthur Gottschalk é transformada em salão animatografico, e em 18 de Abril de 1908 é inaugurado o "Salão Central".

Já em 17 de Novembro de 1907, Arthur Gottschalk era responsável pelas instalações eléctricas do itinerante "Salão High-Life", como se observa no próximo anúncio (excerto), neste caso aquando de uma digressão pelo Algarve.

Em Tavira a 19 de Novembro de 1907

"Salão Central" à direita na foto na esquina com a Calçada da Glória

Por consequência, a "Arthur Gottschalk, Engenheiro", muda-se para a Rua de S. Paulo, 103 - 1º andar, também em Lisboa, tendo reduzido drásticamente a sua actividade. Em 17 de Dezembroro de 1910 é aprovado o pedido do registo da marca "Arthur Gottschalk", na "Repartição de Propriedade Industrial".

17 de Dezembro de 1910


15 de Dezembro de 1910

Este novo escritório da "Arthur Gottschalk, engenheiro" na Rua de S. Paulo, 103 - 1º andar, ficava no andar de cima da mui conhecida "Farmácia Ultramarina" (1856), que funcionava nas portas 99 e 101.


3 de Janeiro de 1910


Antiga "Farmácia Ultramarina" na Rua de S. Paulo, 103

Em Janeiro de 1912, já a firma "Carlos Fuchs, Limitada", aparecia como sucessor de Arthur Gottschalk, na Rua de S.Paulo, como atesta o próximo anúncio, no jornal "A Capital" ...


27 de Janeiro de 1912

Relativamente a esta firma, em 6 de Fevereiro de 1912 é publicado no "Diario do Govêrno" o seguinte édito:
«Faz-se público que José Henriques Totta & C.a, Fonsecas, Santos & Viana, Banco Economia Portuguesa, J. M. Espirito Santo e Silva, Filipe Antonio Felix e Carlos Fuchs, tendo adquirido a casa comercial que Artur Gottschalk tinha nesta cidade, constituiram, por escritura de 25 de Janeiro do corrente ano de 1912, outorgada perante o notário abaixo assinado, uma sociedade por cotas, de responsabilidade limitada, para continuação dos negocios da mesma casa, nos termos dos artigos soguintes :
1.° Esta sociodade adopta a firma Carlos Fuchs, Limitada, fica com a sua sede nesta cidade e o seu estabelecimento é na Rua do S. Paulo n.° 103, 1.° andar, e com armazêns na Praça de D. Luís.
2.° O seu objecto é a continuação do comércio e indústria de máquinas e instalações eléctricas, que nesta cídade tem sido feito por Artur Gottschalk.
3.° A sua duração é por tempo indeterminado, contando-se para todos os efeitos o seu comêço desde 1 de Janeiro corrente.
4. O capital social é de 26:550$000 réis, sendo: De Jose Henriques Totta & C.a, 9:900$000 réis; De Fonsecas, Santos & Viana, 2:275$000 réis; Do Banco Economia Portuguesa, 1:400$000 réis ; De J. M. Espirito Santo e Silva, 300$000 réis; De Filipe Antonio Félix, 10:750$000 réis; e de Carios Fuchs, 1:925$000 réis.
Estas quantias correspondem as cotas sociais dos outorgantes, que por elas eram credores de Artur Gottschalk e são representadas por valores equivalentes do activo da casa do seu devedor, activo que os mesmos outorgantes adquiriram, o que para a presente sociedade transferem com todo o respectivo passivo e os mais direitos e obrigações dessa aquisição, em harmonia com a escritura pública desta data. Está, pois, o capital social  integralmente realizado.
5.° A administração da sociedade fica exclusivamente a cargo do socio Carlos Fuchs, o qual é nomeado gerente, sem prejuizo da revogabilidade do mandato. (...)  2 de Fevereiro de 1912»

Em 28 de Outubro de 1920, "Carlos Fuchs, engenheiro" ainda aparecia anunciada no jornal "O Commercio do Porto"...


28 de Outubro de 1920

Mas, pouco tempo depois entraria em processo de falência e o respectivo processo de arrolamento dos bens da firma "Carlos Fuchs, Limitada", terminaria em 9 de Março de 1926.

Voltando a Arthur Gottschalk ... de seguida, e com o rápido desenvolvimento da cinamatografia, no mesmo ano de 1912, é fundada a  "Companhia Cinematographica de Portugal" em 17 de Dezembro de 1912, tendo a sua sede na Avenida da Liberdade, 18 em Lisboa. Foram seus principais fundadores, Raul Lopes Freire (dono do "Salão Central"), o alemão e engenheiro Arthur Gottschalk, o austríaco Carlos Stella, Leopoldo O'Donell (dono do "Olympia"), Salomão Levy, etc.

21 de Dezembro de 1912

O facto de Arthur Gottschalk se ter interessado pelo cinema era justificado. Naquela época, projetores, geração de energia para os animatógrafos e iluminação eram tecnicamente desafiadores, um engenheiro eletrotécnico, e ainda para mais já com boas representações, seria muito útil para a exploraçao da industria cinematográfica.

Mas Arthur Gottschalk, não ficou por aqui, no campo cinematográfico e também participou na "Empresa Teatral de Variedades, Limitada", criada em 25 de Abril de 1916, que era arrendatária do "Teatro da Rua dos Condes", para exibição de espectáculos cinematográficos. A sociedade era composta por Arthur Gottschalk, D. Orovida Sequerra, de nacionalidade inglesa, e Luís Maria da Gama Ochôa. Com o decorrer da "I Grande Guerra Mundial" (1914-1918), esta empresa seria arrolada, num processo demorado e que se arrastaria até à sua liquidação em 31 de Dezembro de 1924. Neste processo de arrolamento os bens de Arthur Gottschalk ficaram sob sob a gestão do depositário-administrador Raúl Aureliano Gonçalves que teve inúmeras divergências com os restantes sócios, até à liquidação da empresa. 

Devido à entrada de Portugal na "I Grande Guerra Mundial" (1914-1918), viriam a ser expulsos de Portugal dois nomes então influentes nos sectores da exibição e distribuição cinematográfica, o alemão Arthur Gottschalk e o austríaco Carlos Stella. Este último, fora uma figura particularmente importante nos primeiros tempos da actividade de distribuição cinematográfica em Portugal e ambos, como já foi referido, ocupavam lugar de destaque entre os sócios fundadores da "Companhia Cinematographica de Portugal". Acerca desta Companhia consultar neste blog a sua história no seguinte link: Companhia Cinematographica de Portugal.

Lista negra publicada no jornal "O Seculo" de 18 de Setembro de 1917