Restos de Colecção

25 de julho de 2021

Papelaria e Tipografia Paulo Guedes & Saraiva

A "Papelaria e Typographia Paulo Guedes & Saraiva", abriu as suas portas na Rua do Ouro, 76-80 pela primeira vez em 15 de Março de 1905. Foram seus fundadores o fotógrafo Paulo Guedes (antigo empregado da papelaria "La Bécarre") e seu sócio Miguel Julio Saraiva, depois de terem tomado a loja à firma Bizarro da Silva.



1905

«Da muita competencia e honestidade do sr. Paulo Guedes ha muito a esperar, bem como da protecção dos seus amigos, que são quantos o conhecem. Prosperidades e longo futuro lhe desejamos.» in: revista "Tiro e Sport"


12 de Maio de 1914

O jornal "A Capital" em 29 de Junho de 1916, acerca deste estabelecimento, escrevia: 

«Nos nos. 76 a 80 fica a papelaria Paulo Guedes & Saraiva. Explora esta casa principalmente, artigos escolares, estando presentemente a tratar da edição de magnificos quadros historicos, com aguarelas de Roque Gameiro, que farão enorme sucesso. Edição caríssima, só commerciantes arrojados podiam lançal-a no mercado.
Os srs. Paulo Guedes e Saraiva foram os primeiros que introduziram no mercado objectos para pintura e desenho. Edições principais d'esta casa: "Cartas de Portugal em Relevo", "Lettra Moderma", Dornelas", "Methodos Cortezão e Almeida" e "Novo Methodo de Caligraphia Cortezão".»



1913



Capa e contra-capa de partitura de música em 1915


1916

E acerca do comércio da Baixa lisboeta, o mesmo jornal continuava:

«Renovar, transformar, imprimir a nota de modernismo e de elegancia - tal tem sido sido a preocupação dos nossos commerciantes, principalmente das ruas da Baixa. Faça-lhes a justiça devida. De todas as vezes que uma nova casa commercial se abre ao publico os nossos olhos affirmam-se longos em motivos de admiração, e de deslumbramento.»

Por outro lado, no: blog "Almada Virtual", pode-se ler:

«Paulo Emílio Guedes (1886-1947), nasceu em Mondim de Basto da Beira a 23 de Março de 1886 e faleceu em Lisboa a 1 de Dezembro de 1947. Foi fotógrafo de imagens que posteriormente editava em postais ilustrados através da sua firma "Papelaria e Tipografia Paulo Guedes e Saraiva", em 1912 já tinha publicado cerca de mil novecentos postais diferentes.


Na revista "Tiro e Sport" de 31 de Outubro de 1904


"Madames" à sombra numa foto de Paulo Guedes em 1912

Os agrupamentos temáticos abrangem panorâmicas de Lisboa, aspectos de rua, feiras, jardins, tipos populares, interiores e exteriores de edifícios, acontecimentos sociais e festividades religiosas. Sem nunca ter abandonado a actividade de fotógrafo, trabalhou nos últimos anos da vida como livreiro. 
Grande editora de cartofilia de grande qualidade e de predomínio fototípico. Como F. A. Martins , utilizou e cedeu clichés de e a outros editores, tendo editado para a província , por encomenda e com clichés de fotógrafos locais.
Conhecem-se-lhe varias colecções editadas , com numeração geral em romano ou em árabe pela ordem crescente e com sub numeração por localidade ou sub-colecções temáticas. A sua colecção geral intitula-se "Portugal " em que sobressaíram reportagens da situação politica e da vida portuguesa. Subdividiu-se em varias sub-colecções ou colecções temáticas.
A extinção da Papelaria Guedes herdeira da firma Paulo Emilio Guedes ocorreu antes de 1922. Paulo Guedes continuaria a sua actividade de fotógrafo.» 


Actor João Gil



Dramaturgo Marcelino Mesquita



29 de Dezembro de 1916


1920 (último anúncio deste estabelecimento a que tive acesso)

A propósito deste último anúncio publicitário, já em 22 de Dezembro de 1890, outra "Papelaria e Typographia Guedes" anunciava ...


A "Papelaria e Typographia Paulo Guedes & Saraiva", viria a encerrar entre 1921 e 1922, já que o edifício onde se encontrava foi adquirido pelo vizinho "Banco Lisboa & Açores", para ampliação e instalação dos seu serviços. 

O edfício contíguo ao "Banco Lisboa & Açores", e onde esteve instalada a Papelaria Guedes já na posse do Banco e sem lojas


Após a demolição do antigo edifício e ampliação da fachada do "Banco Lisboa & Açores"

18 de julho de 2021

Cinema "Nimas"

O Cinema "Nimas", foi inaugurado em 10 de Outubro de 1975 na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa. Com lotação para 240 espectadores, abriu no mesmo ano em que se inauguraram também as salas "Quarteto" (21 de Novembro) e o "Cinebolso" (8 de Março), seguidos pouco depois pelo "Star" (1977) na Avenida Guerra Junqueiro. 



O "Nimas", inaugurou com o filme "Que Viva a Revolução", de Paolo e Vittorio Taviani, mostraria muito cinema de autor americano, italiano, francês, alemão e jugoslavo. Passou durante 8 meses o filme, estreado em 29 de Junho de 1976, "Chove em Santiago" (Il pleut sur Santiago), de Helvio Soto, uma co-produção franco-búlgara sobre o golpe militar que derrubou, o presidente chileno Salvador Allende em 1973.

Estreado em 29 de Junho de 1976

Como afirma o realizador e crítico de cinema Lauro António ... «“nimas” era a designação popular para se referir o cinema, enquanto sala. Ninguém (ou quase ninguém) dizia que ia ao nimas, quando se dirigia ao Monumental ou ao Tivoli. Eram salas de “gente fina”, de burguesia. Mas quem ia ao Olympia ou ao Salão Lisboa ia ao nimas. O nimas era o piolho, com os seus filmes de acção, cowboiadas, policiais, aventuras, um ou outro melodrama xaroposo, comédias descabeladas, tudo isto antes de 25 de Abril de 1974, porque depois o prato forte passaram a ser os pornográficos.» in: Mensagem.pt

Ficou célebre a estreia do filme "As Horas de Maria", de António Macedo, em 4 de Abril de 1979. Foi o cenário, de um triste incidente provocados por católicos conservadores que, tentaram impedir a projecção do mesmo. A estreia teve lugar sob forte protecção policial (ameaças anónimas prometiam incendiar o cinema), mas nem isso livrou vários espectadores, incluindo o crítico Tito Lívio e a actriz Eugénia Bettencourt, de serem violentamente agredidos por manifestantes à saída do filme. Dali por poucos anos, em 1984, seria a vez de "Eu Vos Saúdo Maria" ("Je Vous Salue Marie") gerar uma pequena batalha campal à porta da "Cinemateca Portuguesa" entre a polícia e vários manifestantes conservadores, liderados pelo então presidente do município, Engº Nuno Krus Abecasis, depois de várias tentativas, todas elas frustradas, de boicotar a sessão, de agredir espectadores e de invadir a sala da Rua Barata Salgueiro.


1979

Um dos sócios do Nimas foi o Capitão Baptista Rosa, conhecido jornalista, realizador e produtor, durante anos ligado aos Serviços Cartográficos do Exército e à "RTP - Radiotelevisão Portuguesa". Após a sua morte, em 1982, a sua viúva, Laura Baptista Rosa, assume a exploração do cinema, tornando-se na primeira mulher a desempenhar tal papel em Portugal. Conseguiu manter o "Nimas" à tona durante o resto da década, marcada pela concorrência dos multiplexes e pela desertificação da cidade, complementando a exibição cinematográfica com outras formas de ocupação da sala, por exemplo, como palco das transmissões em directo do programa de rádio "A Febre de Sábado de Manhã",  de Júlio Isidro, em 1983.





No início do ano 1993, a "Medeia Filmes" de Paulo Branco assumiu a exploração do "Nimas", procurando nichos de programação como o cinema francês (2000), filmes clássicos (2005), ou até o cinema de animação 3D (entre 2008 e 2009). Paulo Branco Em 2009, abandona a sala, que fica à responsabilidade do filho, José Maria Branco, como "Espaço Nimas" com sala de espectáculos, que organiza concertos e outros eventos na área da música. Entretanto, o Nimas ganha novamente visibilidade e Paulo Branco aproveita a saída do filho para Londres para voltar a gerir o espaço. 






Actualmente o "Cinema Medeia Nimas" com uma capacidade para 240 espectadores com uma programação imaginativa e atenta possui uma projecção da mais alta qualidade, estando equipado com projecção 4K e som 7.1.

A proprietária do actual "Cinema Medeia Nimas" afirma:

«Tendo desde o início dado especial enfoque à exibição do cinema produzido em Portugal, os Cinemas Medeia têm revelado ao público os novos e mais conceituados realizadores de todo o mundo, bem como dado continuidade à projecção das suas obras, num processo de constante reconhecimento do valor da 7ª Arte. Para além das estreias de cinema comercial, as salas de cinema da Medeia Filmes são também um palco regular para a exibição de ciclos especiais dedicados à obra de cineastas marcantes ou a filmes clássicos, fomentando uma cultura cinéfila.»


Programação próxima, a partir de 6 de Setembro deste ano ...

Cartaz da autoria de Catarina Sampaio


Nota: para a elaboração deste texto foi, também, consultada a crónica "Retrato de projecção #4: o Espaço Nimas", de Tiago Baptista no site "À Pala de Walsh", donde foram retiradas algumas passagens.

fotos in: Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de Lisboa, À Pala de Walsh

15 de julho de 2021

Grandes Armazens das Ilhas

Os "Grandes Armazens das Ilhas" tiveram a sua génese no "Armazem das Ilhas" fundado em 1893, na Rua de S. Bento, 120 em Lisboa. Começou por comercializar manteigas e outros produtos das ilhas adjacentes, como móveis e artigos em verga.


14 de Junho de 1938


25 de Agosto de 1937

1909

Nos anos 40 do século XX já possuíam uma sucursal na Avenida Almirante Reis, 64 A-D. Anos mais tarde inicia a comercialização de mobiliário de jardim. De lembrar que outro estabelecimento muito conhecido de Lisboa nesta área, foi a loja "Sombra" na esquina da Av. da República com a Av. Miguel Bombarda, mais tarde um stand de automóveis.

Foto de Fevereiro de 1969 do edifício onde funcionou a sucursal da Almirante Reis

 

                                                 1938                                                                              1940



A firma proprietária destes Armazéns, a "Armazens das Ilhas, Lda.", com sede na Rua de S. Bento, 43 viria a ser dissolvida em Outubro de 2011. Nessa altura a sua actividade oficial (CAE) era «Comércio a Retalho de Vestuário para Adultos».

fotos in: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste GulbenkianHemeroteca Digital de Lisboa , Arquivo Nacional da Torre do Tombo