O "Hotel Costa" abriu pela primeira vez ainda antes de 1887, no, então, lugar de Caneças, ao lado da Igreja Paroquial de São Pedro de Caneças, no Largo Viera Caldas. No ano de 1887 existiam dois hotéis em Caneças: "Hotel Fernandes" e o "Hotel Costa".
"Hotel Costa" ao lado da Igreja Paroquial de São Pedro de Caneças
Caneças, lugar muito conhecido na capital pelas suas lavadeiras e pela famosa "Água de Caneças", distribuída em Lisboa em bilhas de barro, inicialmente em carroças e depois em acmionetas, por várias décadas. Muito conheidas foram camionetas de passageiros da extinta "A Arboricultora, Lda.", fundada em Caneças a 5 de Agosto de 1936.
Transporte das lavadeiras em 1949
Na "Revista Universal Lisbonense" de 14 de Agosto de 1845, chamava-se à atenção do estado da «estrada» para Caneças, num artigo do qual retireia a seguinte passagem:
Agora a Camara mandou reparar alguns destroços que havia na calcada junto a Caneças, e continuam os operarios a refazer de novo a calcada defronte de Adaveja.»
Fora de Lisboa, quase sempre os hotéis encerravam durante o Outono e Inverno, reabrindo na Primavera do ano seguinte, pelo que em 14 de Abril de 1889 era publicado a seguinte nota no "Diario Illustrado", acerca da reabertura do "Hotel Costa" :
Com tão bellas condições de hospedagem, que podemos garantir, não duvidamos recomendar o Hotel Costa a todos os que procuram o vivificante ar e as puras aguas de Caneças.»
1900
Em 1905, e tendo em conta o próximo anúncio publicitário, o "Hotel Costa" terá sido proprietário do "Hotel Central" em Cascaes. É uma dedução minha, não confirmada, ou terá sido apenas uma coincidência de apelidos ...
1905
No livro "Extremadura Portugueza" de Alberto Pimentel (1849-1925) e editado em 1908 retirei a seguinte passagem, acerca de Caneças:
Ha uma capella da invocação de S. Pedro, cujo culto é custeado pelos canecenses.
N'ella se fazem tres festividades : a do orago, a de Nossa Senhora do Rosario e a de S. Sebastião.
A população d'esta aldéa orça por 700 habitantes, em 300 fogos.
As mulheres, no geral, são lavadeiras. Os homens applicam-se á agricultura - ás suas hortas e á creação de viveiros de arvores fructiferas, que são d'aqui exportadas em larga escala ; ou ao fabrico de navalhas de volta, especie de pequenas podôas muito usadas nos trabalhos agricolas.
As aguas ferreas de Caneças, especialmente as das nascentes do Camora e do Caldas, teem vantajosa applicação no tratamento das dyspepsias.
Para os doentes ou para os convalescentes, bem como para os veraneantes, ha regulares acommodações em dois hoteis e casas de aluguel.
Entre as melhores propriedades de Caneças avulta a quinta do Bretão, onde o sr. Carlos Appleton, seu dono, tem intro duzido todos os ultimos melhoramentos agricolas. (…)
O arco do cruzeiro é de marmore extrahido das pedreiras de Canecas.
A capella, alem de ampla, tem bastante luz.
Quanto á etymologia de Canecas, o mais que se póde apurar é que os antigos escreviam Cai-nessas.
A povoação fica n'um alto, a que dá accesso uma ingreme estrada. Communica com o Lumiar por uma carreira de char-à-bancs.
O Lumiar é, por emquanto, o limite da tracção electrica de Lisboa, na zona do Campo Grande.»
Em 29 de Junho de 1909, é inaugurado em Caneças outro hotel, o "Hotel Progresso", ex ou futura-"Pensão Quitéria". Era seu proprietário Manoel Nunes, taberneiro e que já detinha a "Pensão Nunes".
No guia "Hoteis e Pensões de Portugal" de 1939, apenas a "Pensão Nunes" era mencionada., relativa à localidade de Caneças.
Edifício onde tinha funcionado o "Hotel Costa"
Pela lei nº 413 de 10 de Setembro de 1915, «É criada no concelho de Loures uma paróquia civil, que terá a sua sede no lugar de Caneças e será constituída pelos lugares de Caneças e Vale do Nogueira, actualmente da freguesia de Loures». Lembro que o concelho de Loures tinha sido formalmente instituído pelo Decreto Real de 22 de julho de 1886 e publicado no "Diario do Governo" n.º 165, de 26 de julho do mesmo ano.
A actual Vila de Caneças fez parte do municípo de Loures até 14 de Dezembro de 1998, passando a integrar o município de Odivelas até 28 de Janeiro de 2013, altura em que a freguesia de Caneças foi extinta, pela reorganização administrativa de 2012/2013, tendo sido agregada à freguesia de Ramada para formar a nova união de freguesias de Ramada e Caneças.
Não consegui saber até quando esteve em funcionamento o "Hotel Costa", mas penso que não terá ultrapassado a segunda década do século XX. Pelo menos em 1912 ainda funcionava. Em 1912, tanto José Telmo Rodrigues Gouveia, último proprietário do "Hotel Costa", como Manoel Nunes, proprietário do "Hotel Progresso", tambem no Largo Vieira Caldas, integravam a direcção da "Irmandade de S. Pedro de Caneças". O primeiro era escrivão e o segundo tesoureiro.
O mesmo edifício em Março de 2026 (via "Google Maps")
fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital de Lisboa, Delcampe.net, OdivelasShow (Facebook), Ao Fundo da Minha Rua
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