Restos de Colecção

5 de maio de 2021

Tabacaria Neves

A "Tabacaria Neves" abriu as suas portas, pela primeira vez, em 1864 na Praça D. Pedro IV, 42 esquina com a Calçada do Carmo, em Lisboa, tendo sido seu fundador Augusto Jorge das Neves. Nesta loja, do prédio que tinha pertencido às freiras Grillas e posteriormente vendido ao capitalista Sequeira Lopes, tinham funcionado, em 1800 o livreiro Antonio Jose de Carvalho e em 1809 uma loja de caixotes.


"Tabacaria Neves" (dentro da elipse) em foto do final do século XIX

24 de Dezembro de 1872

Por morte deste sucedeu-lhe o seu filho Julio Augusto Jorge das Neves, sob a firma "Julio Neves & C.ª ", que a ampliou o estabelecimento ao nº 43 e impulsionou o negócio. Julio das Neves era, igualmente, proprietário da "Tabacaria Julio", na Calçada do Carmo.

Neste estabelecimento costumavam reunir-se os notáveis da política, que ali travavam discussões ou derimir impressões trocadas nas Côrtes.

"Na tabacaria Neves encontra-se á venda um completo sortimento de tabacos nacionaes e estrangeiros, aguas potaveis e mineraes, artigos para fumadores e papelaria, loterias, sellos, photographias representando os mais interessantes aspectos do paiz, postaes illustrados, objectos artisticos para brinde, perfumarias de marcas cotadas, livros , jornaes, papel para escrever e mais, enfim, uma variedade e excellencia de fornecimento que convida a uma visita ao estabelecimento."


1 de Abril de 1879


"Tabacaria Neves" dentro da elipse desenhada


18 de Novembro de 1894


Postal editado pela "Tabacaria Neves"

Foi na "Tabacaria Neves" em Março de 1895 que foi instalado um Kinetographo de Edison e a troco de uma moeda de 100 réis, podiam ser observadas imagens animadas, através de um óculo entre as 10 horas da manhã e as 11 horas da noite. Foi um sucesso curto já que a concorrência e os custos elevados ditaram o fim destas máquinas em lugares público.

E se precisasse de um jantar ao domicílio ... também se arranjava.

28 de Setembro de 1897

E para acompanhar o jantar ... um vinho ou umas águas de Moura, Cintra e Caneças.


1 de Janeiro de 1898

De referir, ainda, que este estabelecimento foi durante muitos anos sucursal do jornal "Diário de Notícias" até 27 de Outubro de 1938 , data em que foi inaugurada a "Sucursal do do Diário de Notícias" na esquina da Praça D. Pedro IV com a Rua Áurea, e cuja história poderá ler neste blog no seguinte link: "Sucursal do Diário de Notícias"

Sucursal do jornal "Diario de Notícias" em 1928


22 de Dezembro de 1938

A "Tabacaria Neves" deu lugar à "Casa Travassos, Lda.", entre 1939 e 1941 que era propriedade da "Casa Travassos" sediada na Rua da Palma, conforme anúncio seguinte.


Na "Revista Municipal" dos 3º e 4º trimestres de 1942

Actualmente, e desde o ano 2000, nos números 42 e 43 (ex- "Tabacaria Neves") funciona a "NovaCambios - Agência de Câmbios, S.A." da "Casa Travassos, Lda.". A seguir, foto actual.

fotos in:  Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de LisboaBiblioteca Nacional Digital

1 de maio de 2021

Casa Victoria

A "Casa Victoria", foi fundada na Rua do Crucifixo, em Lisboa no ano de 1904 por Armando Crespo, tendo formado a firma "Armando Crespo & C.ª". Foi uma das importantes casas de bicicletas de Lisboa, a par da "Casa Memória" de Santos Beirão , no Largo do Principe e da "Casa Favorita" de F. Santos Diniz, na Praça dos Restauradores.



3 de Setembro de 1906


15 de Outubro de 1906

Iniciaram a sua actividade com as representações das marcas inglesas "J. Conte Cycles", "Victoria Cycles" e da "Imperial Wearwell. Em 1909, já era representante da "Raleigh" e "Peugeot". Em 1910 já contavam com mais duas: "La Gauloise" e "The Flower". 


15 de Julho de 1909



15 de Agosto de 1910



1908


27 de Outubro de 1910

Lembro, que foi em 1896, que se instalou em Lisboa, na Junqueira, a primeira grande fábrica de bicicletas no nosso país, sob a iniciativa da empresa inglesa "Humber Cycles", que criou uma sucursal portuguesa para o efeito. 

A propósito desta fábrica, anos mais tarde e numa entrevista concedida à revista "Guiauto" de 1929, o engenheiro Albert Beauvalet testemunhava:

«Sem desprimor para seu pai, que foi um bom amigo meu, devo dizer que, contratado pela Empresa Industrial Portuguesa, cheguei a Portugal definitivamente em 31 de Outubro de 1899 (lá vão 30 anos) para, nesta importante fábrica, montar uma oficina de construção de automóveis e dirigir a mesma. Já tinha vindo a Lisboa, em Maio de 1898 para montar a fábrica de bicicletas Humber, onde o Exmo. Sr. Baerlein, director da EIP, me tinha conhecido, tendo me contratado o mesmo senhor em Agosto de 1899 na casa Clement em Levallois Perret onde dirigia a oficina mecânica da construção dos automóveis eléctricos Columbia ali construídos». (1)

«Armando Crespo foi igualmente o primeiro a vender os carros da Citroën ainda em 1919, 4 anos antes da entrada oficiosa da marca em Portugal via Eduardo Rosa, e 8 antes da entrada oficial. A descoberta é, curiosamente, do José Barros Rodrigues e apresentada no seu livro " Citroën em Portugal, de uma Guerra à outra" lançado em 2019 no âmbito do centenário da marca. A ligação parece relativamente evidente- Armando Crespo era, como refere, agente exclusivo dos pneus Michelin e é no Citroën que esses pneus ganham uma relvância que não tinha a nível de automóveis (já a tinham nas duas rodas). Junta assim o Engº Crespo os seus pneus aos automóveis e a ele se devem as primeiras vendas de 10HP e 5HP em Portugal.» informação gentilmente prestada pelo Clube Citröen Clássico de Portugal.


1920

Ainda outra marca representada por esta firma, em 1920: "Colé"

A partir de 1925 a "Armando Crespo & C.ª", passa a representar, em exclusivo, a marca de automóveis francesa "Salmson", tendo inclusivé participado no "I Salão Automóvel de Lisboa" entre 4 e 13 de Julho de 1925 nos "Coliseu dos Recreios".


"Salmson", no "I Salão Automóvel de Lisboa" entre 4 e 13 de Julho de 1925 nos "Coliseu dos Recreios"


1926


20 de Setembro de 1946


Envelope em 25 de Setembro de 1949

12 de Julho de 1950

Não sei quando esta firma encerrou em definitivo, mas em 1986 ainda existia. Fica uma foto, actual, dos espaço (com novo inquilino ...) em que funcionou durante décadas.


(1) - Passagem retirada da Dissertação para obtenção do Grau de Doutor em História, Filosofia e Património da Ciência e da Tecnologia "A Implantação do Automovel em Portugal (1850-1910)" - José Carlos Barros Rodrigues - 2012 UNL.



27 de abril de 2021

Antigamente (157)

 


"Photo-Velo Club" na Rua de Santa Catarina, no Porto


Carro funerário da "Associação do Registo Civil e Livre Pensamento"


Carro publicitário do "Depósito da Covilhã", em 1926


1966


"Zona Azul" em 1969



Quando os estabelecimentos comerciais quase ocupavam a totalidade dos passeios, neste caso na Avenida da Igreja, em Lisboa, em 1977


fotos in: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste GulbenkianHemeroteca Digital de Lisboa , Arquivo Nacional da Torre do Tombo


24 de abril de 2021

Manutenção Militar (2)

Em 11 de Outubro de 2013, publiquei um artigo acerca da criação e história da "Manutenção Militar". Passados estes anos, a Biblioteca Nacional Digital de Portugal, disponibilizou no seu site, o livro "A Manutenção Militar de Lisboa" por Joaquim Renato Baptista (Capitão de Engenharia e Lente da Escola do Exército), donde retirei e publico de seguida algumas gravuras acerca da mesma.



Entretanto recordo e transcrevo, algumas passagens importantes de texto desse artigo, para melhor contextualizar as gravuras:

A origem da “Manutenção Militar” remonta a 1772, altura em que é atribuída ao Estado a responsabilidade pela alimentação militar. No fim do século XIX, as necessidades de abastecimento do exército português, em géneros alimentares, levaram à escolha de um local com espaço suficiente para implantação de várias unidades industriais, e com boas acessibilidades devido à proximidade do rio e do caminho-de-ferro. O local escolhido foi o Convento das Carmelitas, fundado por D.Luiza de Gusmão, em Xabregas, perto da rua do Grilo, que estava devoluto após a extinção das ordens religiosas.

Em 1811 é criado o “Comissariado de Víveres do Exército”. Em 1861, o Ministro da Guerra, Marquês de Sá da Bandeira, inicia, a título experimental, o fabrico e fornecimento de pão ao Exército, sob administração directa do Estado.

Em 23 de Fevereiro  de 1862 é criada a “Padaria Militar”. Várias obras de adaptação foram realizadas e, em 1896, o Ministério da Guerra tomou posse do local, e a “Padaria Militar” viria a ser transformada na “Manutenção Militar”, por decreto do Rei D. Carlos, em 11 de Julho de 1897, que instituiria o Plano de Organização da Manutenção Militar.

Entre 1898 e 1910, inicia-se a execução do primeiro Plano de Trabalhos da Manutenção Militar com:

- a implementação de vários equipamentos e estruturas, tais como: Moagem, Depósito de Trigo, Padaria, Prensas, Amassadores e Laminadores para massas, Via-férrea de resguardo para 10 vagões, Laboratório, Oficinas, Cozinhas e Refeitórios, Banhos, Cocheira e Caserna de Condutores;
- a reorganização da Manutenção Militar, pela Lei de 14 de Junho de 1899;
- a aprovação do Regulamento da Manutenção Militar, por Decreto de 26 de Julho de 1899;
- a publicação do primeiro Regulamento do Conselho de Administração da Manutenção Militar, por Decreto de 11 de Abril de 1907;
- a conclusão da Fábrica da Moagem, entre 1907-1908;
- a instalação de uma Fábrica de Panificação e de uma Fábrica de Massas, mecânicas, entre 1907-1908;
- e a instalação definitiva do Laboratório.













Para consultar a história e aceder a fotos das antigas instalações da "Manutenção Militar", consulte o seguinte link neste blog: "Manutenção Militar".