Restos de Colecção

2 de março de 2021

Companhia Nacional Editora

A "Companhia Nacional Editora" teve a sua origem na "Tipografia Guedes", fundada em 1873 por Justino Roque Gameiro Guedes (1852-1924), irmão do pintor e desenhador Alfredo Roque Gameiro (1864-1935) - filho do primeiro casamento de seu pai com Quitéria de Jesus Guedes.


"Companhia Nacional Editora" à esquerda na foto e os famosos "Americanos"


Justino Guedes (1852-1934)

Acerca do percurso profissional de Justino Roque Gameiro Guedes...



Alfredo Roque Gameiro (1864-1935)

A actividade da "Tipografia Guedes" é conhecida a partir de 1873, na antiga Rua Vasco da Gama, 9, em Lisboa, ano em que começou a imprimir "O António Maria", a revista ilustrada de Rafael Bordallo Pinheiro. Era uma empresa especializada na impressão litográfica, e por isso, muito requisitada para trabalhos gráficos com grande exigência, em que o papel de Alfredo Roque Gameiro poderia ser relevante. Em 1880, a tipografia já se tinha mudado para novas instalações na Rua da Oliveira ao Carmo, 12. Cerca de 1883, Alfredo Roque Gameiro começa a trabalhar como desenhador na "Tipografia Guedes".



Publicações da "Tipografia Guedes"

Acerca desta tipografia e litografia o jornal "Diario de Noticias" de 30 de Abril de 1887 relatava:

«As machinas que funccionam já são: duas de lithographar modernas, uma franceza, outra allemã, de Marinoni e Offenbac; uma de dourar, uma de envernisar, uma de gauffrer ou granitar o papel para as aguarellas, uma calandra mechanica de assetinar, de um trabalho novo, rapido, e de uma perfeição a que até agora se não havia chegado cá.»

Alfredo Roque Gameiro em 1887 regressa a Portugal - após  ter completado um estágio de 3 anos em na Academia de Desenho, Pintura e Arquitectura de Leipzig - e assume a direcção de oficinas na "Tipografia Guedes". Para além do desenvolvimento das artes gráficas da tipografia, Alfredo Roque Gameiro iniciou um curso de desenho aplicado à tipografia, contribuindo assim para um grande aperfeiçoamento desta profissão no país.

Litografia de Rafael Bordallo Pinheiro pela Litografia Guedes

Em finais de 1888, a "Tipografia Guedes" inicia nova etapa ao adquirir a "Editora David Corazzi". Um dos últimos trabalhos desta editora foi o "Álbum Costumes Portugueses", em que Alfredo Roque Gameiro também colaborou com cinco ilustrações. Com esta aquisição, em Janeiro de 1889, surge com novo nome: "Companhia Nacional Editora", com instalações ainda na Rua da Oliveira ao Carmo, passando pouco tempo depois, para o Largo do Conde Barão, 50 e oficinas na Rua da Rosa. Teve em Justino Guedes o seu sócio principal e administrador. Neste período Alfredo Roque Gameiro fica como responsável pela concepção e orientação gráfica da "Companhia Nacional Editora".




1888



Jornal "A Parodia" impresso na "Companhia Nacional Editora"


1901

Em 1907, a "Companhia Nacional Editora" já tinha dado origem a uma nova designação, "A Editora, Limitada", e composição societária cujos sócios eram: Justino Guedes, fundador e sócio principal, Clarimundo Emilio, Henrique Pereira e Rafael Bordallo Pinheiro.

Jornal "A Parodia" composto e impresso pela "A Editora"

Capa de partitura em 1907

Em 30 de Outubro de 1913 e por ocasião da "Exposição Nacional de Artes Gráficas", a revista "Occidente" fez uma reportagem da visita à empresa "A Editora, Limitada", da qual retirei algumas passagens que ilustram as instalações e funcionamento desta tipografia:

«Acham-se as oficinas da Editora Limitada instaladas num vastissimo salão, construido de ferro e vidro, ocupando a area de 1:200 metros quadrados. É neste enorme espaço que funcionam, em secções, as oficinas de fundição, stereotipia, composição, impressão, litografia e encadernação, tendo ainda um anexo com o atelier de desenho. Todas estas secções com suas maquinas funcionam perfeitamente. á vontade e nelas se empregam mais de 200 operarios de ambos os sexos. (...)




Fotos retiradas da revista "Occidente" de 30 de Outubro de 1913

Justino Guedes - introdutôr da litografia em Portugal - assentou, de concerto com David Corazzi, os alicerces da Companhia Nacional Editôra que exerceu um poderoso ascendente na industria grafica portuguêsa.(...)

Mais tarde, essa sociedade remodelou-se na organisação da Editora que arcou valentemente com o compromisso de honra de continuar sem desdouro a obra iniciada. E a prova surge insofismavel dos seus belissimos trabalhos que o publico conhece e admira com enlevo: - As Pupillas do Senhor Reitor, de Julio Diniz e Tojos e Rosmaninhos, de Alfredo Keil.»


1907


Postal de 1908


1909


1910

Com o objectivo de absorver a Imprensa Nacional, a "Companhia Nacional Editora" tornou-se a maior tipografia privada em Portugal.

A 4 de Abril de 1931 a "Companhia Nacional Editora" lança o número 1 do jornal "Diário da Manhã", sua propriedade e orgão oficial da "União Nacional", com sede, redacção e oficinas, na Rua do Mundo, 95 - antigas instalações do jornal "O Mundo" - em Lisboa.

Exemplar nº 3 do "Diário da Manhã", em 6 de Abril de 1931

O seu último número sai no dia 30 de janeiro de 1971, vindo a ser substituído pelo jornal “Época” resultado da fusão entre os jornais "A Voz" e o "Diário da Manhã", surgindo o seu 1º número em 1 de Fevereiro de 1971, tendo como director A. Fialho Rico. Também este jornal era um órgão oficioso da renomeada "Acção Nacional Popular", e propriedade da "Companhia Nacional Editora" tendo sido publicado até Maio de 1974. 


6 de Abril de 1973

Pelo atrás exposto, calculo que a "Companhia Nacional Editora" tenha terminado as suas actividades, em definitivo, após Maio de 1974.

fotos in: Arquivo Municipal de LisboaHemeroteca Digital de Lisboa

24 de fevereiro de 2021

Teatro Bernardim Ribeiro

O "Teatro Bernardim Ribeiro", foi inaugurado em 22 de Julho de 1922, na Av. Miguel Bombarda na vila de Estremoz. A sua construção foi iniciada em 1916, depois da tomada de consciência por parte de um grupo de notáveis estremocenses da necessidade de construir uma sala de espectáculos com as devidas condições. A sua inauguração contou com a representação da peça "Marinela" (adaptação dos Irmãos Quintero da peça de Pérez Galdós) pela "Companhia Amélia Rey Colaço - Robles Monteiro".




"Teatro Bernardim Ribeiro" na Avenida Miguel Bombarda, à direita na foto

Uns anos antes e em 1901 ...


1901

 


"Rocio do Marquez de Pombal"  de Estremoz em 1891 


Outro espectáculo desta vez de animatógrafo o mesmo local



1927

Seguindo a tipologia de teatros de inspiração italiana, o projecto foi da autoria de Ernesto da Maia e as pinturas decorativas foram da responsabilidade do pintor Benvindo Ceia. Em frente aos camarotes, alternam pinturas a óleo, onde figuram grandes nomes da dramaturgia nacional de finais do séc. XIX e inícios do séc. XX. Em 1991 sofreu obras profundas de remodelação e restauro e em 2003, após um incêndio situado na área do palco, teve a recuperação integral daquela zona.

Com a sua construção a ter início em 1 de Maio de 1916 (as dificuldades financeiras que as diversas subscrições públicas não conseguiram colmatar apenas viriam a permitir a sua conclusão no ano de 1922),  teve como principais responsáveis:

  • Projecto: Ernesto da Maia
  • Carpinteiro e Estuques decorativos: António Martins Esteves
  • Pintores artísticos: Benvindo Ceia (pinturas do tecto); Martins Esteves e Manuel Silva Rato (pinturas dos camarotes e outras)
Em 1991, o "Teatro Bernardim Ribeiro" seria alvo duma grande intervenção, incluindo a demolição parcial do Salão de Festas/Jardim de Inverno e substituição por um corpo de planta rectangular com funções polivalentes; criação de instalações sanitárias; remodelação da rede de electricidade; recuperação de coberturas, limpeza e restauro de pinturas, tratamento da estrutura de madeira do proscénio, recuperação de cadeiras; remodelação da área de ligação entre a sala de espectáculos e o novo espaço polivalente, incluindo bar, lavabos, segundo foyer, tratamento de rebocos exteriores e pintura geral.

Os autores do projecto desta intervenção foram os arquitectos Duarte Nuno Simões e Nuno Simões, cabendo a execução à empresa "Projectoplano".






«O "Teatro Bernardim Ribeiro", propriedade do Município de Estremoz, representa um instrumento de grande importância na prossecução das políticas de desenvolvimento cultural definidas pelo executivo da autarquia, constituindo um espaço privilegiado de promoção e difusão de actividades culturais, artísticas e recreativas.


                                                     1947                                                                           1948



                                                     1956                                                                            1958



                                                      
1961                                                                           1963      

Este Teatro está vocacionado como espaço nobre de serviço público, no qual se visa promover e divulgar actividades no âmbito da cultura e das artes. Nomeadamente, pretende-se incentivar, através da dinamização do Teatro, o cinema experimental e/ou de qualidade, o teatro, de origem nacional ou estrangeira, as manifestações teatrais ou para-teatrais de raiz popular e tradicional, a música erudita e/ou tradicional, a dança e o bailado, a ópera, leituras ou recitais poéticos, conferências, debates e colóquios sobre temas científicos ou artísticos e exposições.»

Nos finais dos anos 80 do século XX

1974

Classificado com Imóvel de Interesse Municipal desde 1997, o "Teatro Bernardim Ribeiro" é uma dos ex-libris da cidade de Estremoz é a principal sala de espectáculos do concelho.

Nota: texto baseado no publicado no site "Estremoz tem mais encanto" da Câmara Municipal de Estremoz.

fotos in: Delcampe.net      Cartazes: retirados do catálogo da exposição organizada pela Câmara Municipal de Estremoz de 15 a 29 de Julho de 2014