Restos de Colecção

13 de setembro de 2026

Hospital Cruz Vermelha

O actual "Hospital Cruz Vermelha", em Lisboa, foi inaugurado em Lisboa, a 1 de Fevereiro de 1965, com a denominação de "Casa de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa", tendo sido projectada pelo arquitecto Sebastião Formosinho Sanchez (1922-2004). Era propriedade da "Cruz Vermelha Portuguesa" fundada, pelo médico militar José António Marques (1822-1884), em 11 de Fevereiro de 1865, com a denominação de "Comissão Portuguesa de Socorros a Feridos e Doentes Militares em Tempo de Guerra" e posteriormente, a partir de 1877, denominada "Sociedade Portugueza da Cruz Vermelha", comemorando, portanto, o seu 1º centenário dez dias depois da inauguração da sua Casa de Saúde.

Este hospital tem a sua génese em 1904, quando médico Dr. Gomes de Amorim, adquire um terreno com 30.000 metros quadrados, num lugar denominado "Santo Antonio da Convalescença" no Bairro Heredia, à Estrada de Bemfica, com a ideia de ali construir a "Casa de Saude Portugal e Brazil". Par tal constitui com outros accionistas a empresa "Casa de Saude Portugal e Brazil, S.A.R.L.", e encomenda o projecto da casa de saúde ao arquiteto Alvaro Machado, sendo o mesmo apresentado em 1904. Era um projecto arrojado para a época, e contemplava quatro edifícios: "Edificio Central", "Edificio dos Alienados", "Maternidade" e "Hotel de Saude". Apenas foi construído o edifício denominado no projecto inicial de "Hotel de Saúde" - no desenho mais abaixo, e de 1906, o primeiro edifício ao subir a rua. 

 

Projecto inicial em 20 de Setembro de 1904

«Demos-lhe este nome porque ella se destina aos dois paises. A propaganda intensa que fazemos de norte a sul do Brazil, principalmente no Pará, Manaus, Pernambuco e Rio de Janeiro, onde teremos agentes nossos e na Africa Portuguêsa, esta propaganda, repetimos, intensa, permanente, profusa, conjugada com a necessidade que brasileiros e portuguêses do Brasil ou da Africa, teem, de, quando doentes, quer do foro cirurgico ou do foro medico, vir para a Europa, asseguram-nos que poderes recrutar ali uma grande clientela. (...)
Não podemos no momento actual estabelecer já uma tabela de preços, o que desde já podemos afirmar é que não serão excessivos. Os accionistas, é claro, terão, como é de uso, um desconto certo.
Na escolha do pessoal seremos meticulosíssimos exigindo que seja, material e moralmente perfeito, tanto quanto possivel, de sorte que, não haja a minima rasão de queixa. A questão alimentar mereceu nos especial attenção tendo encarado o assumpto sob todas as faces O leite, por exemplo, é fornecido por vaccas que são propriedade da casa de saude, permittindo-nos portanto uma fiscalização rigorosa. Os legumes, fructas, etc., como temos bastante terreno para plantar, não precisaremos compra-los, servimos assim melhor os clientes, e, ponto de vista economico, é preferivel.» in: "A Construcção Moderna" de 20 de Setembro de 1904.


"Casa de Saude Portugal e Brazil"


13 de Maio de 1906

Em 1906, era constituida a "Casa de Saude Portugal e Brazil, sociedade anonima de responsabilidade limitada", Bairro Heredia, Estrada de Bemfica, e com sede provisoria na Calçada da Estrela, 131 r/c, em Lisboa.

Mas só em Março de 1907 era lançada «a primeira pedra», e a revista "Brasil-Portugal" nessa data iniciava a notícia do seguinte modo:

«Lisboa vae ser dotada com mais um estabelecimento hospitalar.
Foi ja ha dias lançada a primeira pedra para esse edificio. No alicerce da fachada ficou encerrada uma caixa de folha com as moedas de prata, nickel e cobre actualmente em circulação e um auto assignado pelas pessoas presentes.
Assistiram a ceremonia o director da futura casa de saude, que sera denominada Portugal e Brasil, dr. Gomes de Amorim, o vice-presidente e o secretario da assemblea geral, rev. Alves Diniz e Silva Diniz, o conselho de administração, sr. visconde de Barreira, Pacifico de Sousa, Carlos Gomes, muitas senhoras e jornalistas.
O terreno destinado a edificação é n'uns terrenos adjacentes á estrada de Bemfica e com entrada pelo bairro Heredia.»


Imagens de 16 de Março de 1907


Dr. Gomes de Amorim no uso da palavra, na cerimónia da «primeira pedra»

A "Casa de Saude Portugal e Brasil", viria a abrir logo nos primeiros meses de 1909.




Imagens de 16 de Março de 1909

O jornal "Occidente" de 20 de Junho de 1910, num extenso artigo acerca desta casa de saúde, e donde retirei as fotos seguintes, relatava:


«Ali estivemos de visita, muito amavelmente recebido pelo sr. dr. Gomes de Amorim, que nos franqueou todo o edificio, para o qual se entra por um espaçoso vestibulo cujas paredes revestidas de lambris de marmore, sobrepondo se lhes apainelados de estuque, é fechado por um guarda vento envidraçado, deixando ver a ampla escadaria que dá acesso ao primeiro andar.

No pavimento terreo esta a residencia do diretor gerente, á direita, e na ala esquerda as instalações hidroterapica, refeitorio do pessoal, dispensa, rouparia, farmacia, gabinete do fiscal, e uma sala de espera, comodamente mobilada, que se depara logo á entrada. Ao fim desta ala um balniario para douches e banhos de agulheta e a cosinha. Todas estas instalações são irrepreensiveis de asseio e ordem.


Subindo ao primeiro andar pela ampla e elegante escada, a que nos referimos, e que se desdobra em dois lances de suave acesso, entra se num longo corredor de setenta e dois metros de comprido, que abrange toda a estensão do edificio, e para o qual abrem suas portas 24 quartos, alguns com ante camara, inundados de luz que entra pelas janellas a iluminar as paredes de estuques claros, revestidas até certa altura de lambris de marmore artificial de facil limpesa, sendo o chão de lanitite.
Desoito destes quartos tem mobilia de nogueira perfeitamente acabada. Os restantes quartos tem moveis de ferro invernisados a branco e doirado. Em todos elles nada falta a comodidade das pessoas que ali habitarem, tendo em vista que tudo tem um aspeto alegre, que impressiona bem o espirito, fazendo esquecer completamente que se está numa casa para tratamento de doentes.
Foi esta a impressão que nos fez e parece que fará a quantos ali vão.




Os quartos deste primeiro andar são destinados a homens; os do segundo andar, em tudo eguaes áquelles, são destinados a senhoras. Nestes pavimentos ha casas de banho assim como retretes. Entre o primeiro e o segundo pavimento, há a secção de operações, perfeita e amplamente instalada, compondo se de tres salas: a de esterilisações, a de operações e a de observações, com todo o material mais moderno, fornecido pelo Instituto Pasteur.


Os grandes corredores, que atravessam todo o edificio, oferecem um estenso passeio aos doentes, tendo o corredor do ultimo pavimento uma béla galaria em cada um dos seus extremos, com terraço onde se gosa o bom ar assim como um esplendido panorama até á serra de Cintra, de que se ve o Castelo da Pena.
Ao centro deste pavimento fica uma sala luxuosamente mobilada, para as senhoras, iluminada por uma ampla janella, da qual se desfruta tambem o lindo panorama de edificios e campos que se estendem para o nascente.
Resta nos referir a sala de jantar guarnecida de mesas independentes para cada doente ou familia, e que está mobilada com extrema elegancia e comodidade.
Ha tambem uma sala de bilhar.


Todo o edificio é iluminado a luz eletrica, com instalação propria, em uma casa de tijolo situada no parque, Neste ha tambem um reservatório para 50 metros cubicos de agua, que uma bomba eletrica eleva a 122 metros de altura, na encosta, onde ha outro reservatorio de 300 metros do qual se reparte, por meio de canalisação, a agua para todos os serviços do edificio.


Um estabelecimento modelar, com acomodações para cincoenta doentes, que além de receber estes, tem a vantagem de receber também as pessoas de familia que os queiram acompanhar, para o que tem todo o serviço como o dos melhores hoteis.
Não obstante a casa de saude ter os seus medicos, principiando pelo diretor-gerente da mesma, os doentes tem completa liberdade de se tratarem com clinicos da sua escolha e em que mais confiem, podendo realisar ali todas as operações de que possam carecer, para o que nada falta.
A media das pensões regula de 28$500 a 68$000 réis diarios, conforme os quartos que os doentes ocupam, pensão bastante moderada em relação ao que lá fóra se paga, se somarmos o que custa separadamente cada serviço.»


1910


28 de Fevereiro de 1911

Não funcionou muitos anos como "Casa de Saude Portugal e Brazil", e em 1919 é adquirida pela "Cruz Vermelha Portuguesa", que arrenda o espaço e cujos arrendatários mudam a denominação para "Casa de Saude de Benfica" que veio substituir a anterior. Sob a direção do Dr. Lopo de Carvalho, viria a ser profusamente remodelada em 1930. Na ocasião o jornal "Diario de Lisbôa" relatava:

«Não contentes, ainda, com as suas esplendidas condições, os proprietários da Casa de Saude de Benfica remodelaram-na completamente, introduzindo-lhe grandes melhoramentos.
Desses melhoramentos, devem destacar-se as enormes e admiraveis galerias de repouso, situadas nos extremos do edificio, que oferecem o maior conforto, tendo as melhores condições de higiene. (…)
No rés-do-chão, fica a sala de estar e a sala de jantar, ambas com estilo moderno e com todas as comodidades exigidas. Junto à copa, procede-se á lavagem e a desinfecção de louças, copos e talheres, feitas sempre com todo c cuidado, como os proprios doentes pódem verificar. E, ha, além disso, no mesmo pavimento, as diversas instalações dos serviços internos.
Os aposentos destinados aos hospedes e aos doentes ficam no primetro andar e no segundo, sendo na parte norte o consultorio, o gabinete de tratamentos, as copas e os quartos de servico e havendo nos extremos as confortaveis e amplas galerias de repouso.




Todos os quartos têm luz electrica, sistema especial de ventilação e de aquecimento central, permitindo uma lemperatura média permanente de 15.° centigrados. (…)
As salas de operacões, modernissimas e cheias de luz, estão instaladas entre o primeiro e o segundo andar, sendo o chão de mármore.
A instalação da cosinha mereceu tambem a maior atenção porque todos sabem como é desagradavel o cheiro resultante da preparacão dos alimentos. Por isso, foi construída isoladamente do resto do edifício. (…)
A Casa de Saude de Benfica é dirigida pelo ilustre professor dr. Lopo de Carvalho, e tem como médico interno o sr. dr. Nuno dos Santos, que reside no estabelecimento. Mas quasi todos os medicos de Lisboa enviam para lá doentes, seja para operações, seja para outros tratamentos. E qualquer doente póde escolher para seu medico assistente o clinico que entender, sendo-lhe dadas na Casa de Saude todas as facilidades necessarias, e havendo três enfermeiros que tomam a seu cargo as prescrições e indicações do medico do doente. O medico interno prestará todos os serviços de urgencia e os que lhe indicar o medico assistente do enfermo.
Um detalhe que convem fixar: São admitidos, na Casa de Saude de Benfica, os doentes de medicina Interna não contagiosos; os que necessitem de qualquer intervencão cirurgica, e as pessoas fracas ou esgotadas que desejem submeter-se a uma cura de repouso num clima de planicie. E' recusada a admissão aos doentes atacados de alienação mental e aos doentes contagiosas, exceptuando-se os que necessitem de qualquer intervenção cirurgica, havendo para eles três quartos especialmente reservados.
A pensão oscila entre 60 e 100 escudos, incluindo quarto, alimentação luz, aquecimonto e serviços de enfermagem fazendo-se descontos a quem pernanecer durante mais dum mes.
Em resumo: os portugueses têm, em Lisboa, a dois passos do electrico e a dois quilometros do Rossio, uma Casa de Saude magnifica, especialmente construida para esse fim, em condições que rivalizam com as dos melhores estabelecimentos estrangeiros do genero.»


3 de Maio de 1930


6 de Junho de 1930


10 de Setembro de 1957

A "Casa de Saude de Benfica", localizada na, já, Rua Duarte Galvão, 54 em "Santo António da Convalescença", encerraria definitivamente em 1958, e seria demolida em Março do mesmo ano, em resultado de um processo de aumento rendas pretendido pela Cruz Vermelha, e posterior acordo na desocupação do imóvel por parte dos inquilinos. No seu lugar a "Cruz Vermelha Portuguesa" construiu a "Casa de Saúde de Santo António da Convalescença", cuja construção teve início em Maio de 1958 e sob o projecto do arquitecto Sebastião Formosinho Sanches (1922-2004).

11 de Fevereiro de 1960

Num artigo do "Diario de Lisbôa" de 30 de Novembro de 1961, quando o novo hospital já estava em fase de acabamentos, e a propósito da visita do Ministro das Obras Públicas, engenheiro Eduardo de Arantes e Oliveira (1907-1982) ...

«O novo estabelecimento hospitalar compõe-se de um edifício de 6 pisos, tendo no ultimo andar um amplo terraço, de onde se desfruta um excelente panorama, abarcando a serra de Monsanto, Amadora, Queluz e parte da cidade. Neste andar ficam instalados 80 quartos, dispondo de casas de banho privativas. Este novo edifício possui todas as condições técnicas apropriadas a uma casa de saude, e encontra-se num ponto privilegiado para o fim a que se destina. (...)
Todas as obras do edifício importaram em cerca de nove mil contos, faltando ainda os acabamentos do edifício e o respectivo equipamento, que está orçado em cerca de seis mil contos. (…)
Dispondo de uma cave, com cem metros quadrados, destinada a casa de máquinas, o edifício - que terá a altura de 21 metros - disporá de cinco ascensores, entre eles dois montacargas e um para condução de camas No primeiro piso, ficarão instalados os serviços de secretaria, arquivos, tesouraria, cozinha, refeitorio, dispensa e armazens, vestuário, eabina eléctrica, instalações de aquecimento, dependências arrumações e instalações sanitárias, tendo ainda um bar.
O segundo piso disporá de sala de visitas, de uma série de quartos, de agentes físicos, de farmacia, de instalações para médico e pessoal de enfermagem, de copas e de instalações sanitárias.
No terceiro piso, destinado a maternidade, ficará série de quartos. casas de banho, arrecadações, salas de visitas e dormitórios para crianças, com instalações independentes para recem-nascidos prematuros, biberons e tratamentos, desinfecção e sala de partos.
O quarto piso será constituído por duas salas de operações com salas independentes de anestesia e reanimação, quartos, sala de visitas, copa, instalações sanitárias, dependências para pessoal de enfermagem e uma capela.
O quinto piso destina-se a internamento geral, dispondo também de uma série de quartos, com central de esterilização, sala de operações, também com dependências para anestesia e reanimação, sala de visitas, copa e instalações para clínicos e enfermeiras.
O sexto piso é constituído quartos particulares, dispondo cada um de casa de banho e instalações sanitárias privativas, e dispõe também de sala de visitas, copa e instalações para vigilantes e mais pessoal.
O ultimo piso, o sétimo, que fica no terraço coberto. disporá de um amplo refeitório de acompanhantes, de uma sala de estar, de copa e de serviços sanitários.
É arquitecto da obra o sr. Formosinho Sanches, e construtor o sr. Carlos Eduardo Rodrigues.»


A "Casa de Santo António da Convalescença", mais conhecida por "Casa de Saúde da Cruz Vermelha" viria a ser inaugurada a 1 de Fevereiro 1965, «para dar resposta na avaliação, diagnóstico e tratamento dos doentes com graves ferimentos sofridos na guerra colonial através do desenvolvimento das áreas da traumatologia e neurocirurgia.» Muitos serviços e especialidades foram entrando em funcionamento ao longo desse mesmo ano. Em 1 de Abril de 1965 aquando da vista da imprensa o "Diario de Lisbôa" noticiava:

«A Casa de Saude de Santo António da Convalescenca, da Cruz Vermelha Portuguesa, edifício que se ergue precisamente no local onde existiu a conhecida Casa de Saude de Benfica, ao topo da Rua Duarte Galvão e rodeada por arvoredo, foi durante a manhã de hoje, visitada pelos representantes da Imprensa, da Rádio e da Televisão.
Os visitantes foram recebidos pelo sr. coronel Mateus Cabral, secretário-geral da Cruz Vermelha Portuguesa: dr. Lopes da Costa, director clinico; dr. Fernando Caldeira, D. Maria da Graça Silva Dias, enfermeira superintendente e chefes de servicos. O sr. coronel Mateus Cabral, antes do começo da visita ao importante imóvel que se encontra já devidamente apetrechado e, em parte, já a funcionar, agradeceu em nome do presidente nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, prof. dr. Castro Freire, a presenca dos representantes dos órgãos de informação. Depois fez uma breve descricao do notavel empreendimento.
Afirmou que a Casa de Saude da C. V. P. pode e deve ser utilizada por todos, pois não é privativa de qualquer sociedade. E' para todos e não apenas para alguns. Em virtude dos grandes investimentos - pois a sua construção e o respectivo equipamento custou cerca de 20 mil contos - é justo que ali os que podem paguem, os que podem pouco paguem menos, mas haverá casos em que não se pagará nada.
Não há corpo clínico privativo, mas sim o director clínico e o médico residencial, de clínica geral. As enfermeiras que ali servem foram formadas na Escola de Enfermeiras da C. V. P.
Foi depois percorrido todo o grande e moderno imóvel, que abrange uma área de 1140 metros quadrados. Com a altura de 21 metros, dispõe de cinco ascensores..»

Três anos depois da sua abertura, a 6 de Setembro de 1968 esta Casa de Saúde ficaria «nas bocas do mundo» quando o Presidente do Conselho, Dr. António de Oliveira Salazar (1889-1970), ali foi internado.

«Do Hospital de S. José, o doente é conduzido para a Casa de Saúde de Benfica: chega pelas onze e meia da noite, é conduzido ao elevador de serviço, na parte de trás do edifício: parece acordado e consciente, mas é nitida a sua dificuldade em mover os membros direitos: e fica logo internado no quarto 68.
Mota Veiga, vindo de Cascais, e Paulo Rodrigues já se encontram em Benfica. Na ala que foi entretanto desocupada no sexto andar, e além do quarto para Salazar, estão preparados outros compartimentos contiguos: para os médicos, entidades oficiais, agentes de segurança, visitas: e ao fundo do corredor, no outro extremo, um quarto para a governanta, que acaba de chegar noutro automóvel com Maria Lívia Nosolini. Pelo país, não há ainda um rumor e nada transpirou nas redacções dos jornais, sem embargo do que Manuel Figueira surpreendera; mas apesar disso o subsecretário de Estado dá ordem aos serviços de censura para cortarem qualquer noticia sobre a saúde do presidente do Conselho. É uma hora da madrugada de 7 de Setembro.» in: "Salazar O Último Combate" VI Vol. (1964-1970) de Alberto Franco Nogueira (1918-1993).

À espera para assinar o livro de cumprimentos ao presidente do Conselho, em 22 de Setembro de 1968

O actual "Hospital Cruz Vermelha" desenvolve a sua atividade com o propósito de prestar cuidados de saúde especializados, tendo em conta as necessidades do setor em que se insere. O hospital tem como eixo prioritário da sua missão, a melhoria contínua da qualidade clínica e da segurança do doente, visando a obtenção de resultados suportados nas melhores práticas médicas.


Este hospital é, desde Novembro de 2022, detido pela "Santa Casa da Misericórdia de Lisboa" (54,79%) e pelo Estado português, através da "Parpública - Participações Públicas, SGPS, S.A." (45%). Tem como Presidente do Conselho de Administração Luís Filipe Pereira e Vice-Presidente Maria do Carmo Neves.

Localizada em Lisboa, numa área superior a 10 mil metros quadrados, o "Hospital Cruz Vermelha" tem mais de 60 camas de internamento, realiza por ano mais de 100 mil consultas, cinco mil cirurgias e seis mil atendimentos urgentes, e conta com uma equipa de quase 700 pessoas, integrando o corpo clínico mais de 500 profissionais.



fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Delcampe.net, Hospital Cruz Vermelha, Fotold, Casa Comum

9 de setembro de 2026

"Colégio Moderno" em Lisboa

O "Colégio Moderno", localizado na, então, Estrada de Malpique, 19, em Lisboa, foi inaugurado e iniciou as suas actividades educativas em 3 de Outubro de 1936, início do ano lectivo 1936/1937. Foi fundado pelo professor e pedagogo Dr. João Lopes Soares (1878-1970).



Dr. João Lopes Soares (1878-1970)


Primeiro grupo de alunos do ano lectivo de 1936/1937. Mário Soares, então aluno do 2º ano do liceu, (na primeira fila, de mãos nos bolsos, é o quinto a contar da esquerda), Dr. João Lopes Soares (ao centro) e D. Elisa Soares, esposa de João Soares, (na varanda, 2.ª a contar da esquerda)


D. Elisa Nobre Baptista Soares, Mário Soares e Dr. João Lopes Soares, em foto de 1938


"Colégio Moderno" em fase de acabamentos, em ambas as fotos de 1936

O Dr. João Soares, além de ter tido carreira de sacerdote católico (que abdicou em 1923) e política, já tinha fundado, com João de Deus Ramos, o "Bairro Escolar do Estoril", o "Colégio de Nun’Álvares", em Tomar. Enquanto diretor de todos estes estabelecimentos de ensino, e muito em particular do "Colégio Moderno", o Dr. João Soares marcou gerações de estudantes, desenvolvendo métodos pedagógicos inovadores e modernos, que se refletem nas inúmeras obras escolares que escreveu, entre as quais se destacam "Portugal Nossa Terra - Educação Cívica" (com Elísio de Campos, 1917), "A Idade Moderna e Contemporânea" (1922), "Novo Atlas Escolar Português" (1925) e "Quadros da História de Portugal" (com Chagas Franco, 1932). Era pai do Dr. Mário Soares (1949-2015), que além de advogado, foi professor do Ensino Secundário particular e diretor do "Colégio Moderno".

O "Colégio Moderno" instalou-se no edifício que restava da "Quinta das Ameixiais de Santa Rita de Malpique", como era denominada em 1867. Em 1898, era conhecida, simplesmente, como "Quinta de Santa Rita de Malpique". Esta quinta já existia em 1675, nos arredores de Lisboa, com o nome de Malpique, que deve ter designado o nome da estrada. Nessa quinta, no princípio desse século, funcionava uma fábrica de sebo. No tempo em que o colégio foi criado, a quinta denominava-se "Quinta do Cônsul da Holanda", também conhecida por "Quinta da Misericórdia" e "Quinta do Tarujo" e, nela, trabalhava-se na agricultura e na criação de gado. O actual ginásio era, nesse tempo, uma vacaria. Foi arrendada pelo "Colégio Moderno", na altura à firma "Flora & Fauna, Lda.".

Já outro "Collegio Moderno" tinha existido, em Lisboa, a partir de 1908, na Travessa de Santo Ildefonso, 7 esquina da Rua de Santo Amaro, em Lisboa.


11 de Outubro de 1908


Prédio de esquina da Travessa de Sto. Ildefonso onde funcionou o "Collegio Moderno" a partir de 1908

1 de Novembro de 1912

E, ainda outro em 1915, mas em Coimbra ...

26 de Setembro de 1915

Depois de ter recebido o diploma que o autorizava a dirigir estabelecimentos de ensino, superior ao primário particular, ao Dr. João Soares, viria a ser concedido pelo Ministério da Instrução Pública, em 26 de Novembro de 1926, o alvará que o autorizava a dirigir, em Lisboa, um estabelecimento de ensino particular com a denominação "Colégio Moderno", com a capacidade para 35 alunos internos e 75 externos, do sexo masculino e feminino, podendo ministrar o curso primário e secundário (os primeiros dois ciclos) em regime de planos e programas oficiais.

Em 4 de Outubro de 1937 o jornal "Diário de Lisboa", numa referência a este estabelecimento de ensino, informava:

«Este colegio, embora de recente data pois foi fundado em 1936, e que enfileira ao lado dos melhores estabelecimentos de ensino, encontra-se instalado na linda e vasta Quinta da Misericordia, ao Campo Grande, toda murada, longe do bulicio da cidade, mas de acesso facil e comodo a 1 minuto do electrico.
Sob a inteligente direcção do sr. dr. João Soares, antigo professor dos Pupilos do Exercito, autor do «Novo Atlas Escolar Português», e de outros livros didaticos, prestigioso pedagogo que se encontra rodeado dos melhores professores, o «Colegio Moderno» admite alunos, semi-internos e externos de ambos os sexos, para ensino infantil, instrução primaria, admissão dos liceus, curso geral dos liceus, curso comercial, curso do conservatorio, especiais de lavores, arte aplicada, desenho e pintura. Tem tambem o curso pratico de linguas, dactilografia e estenografia; dansa ritmica, desenho artistico, gimnasio. equitação, jogos educativos, canto coral e gimnastica medica.
No «Colegio Moderno». existe o maximo conforto, aulas e dormitorios espaçosos e bem arejados obedecendo a todos os preceitos higienicos e pedagogicos.
Possui uma rigorosa educação moral, uma alimentação sadia e as mensalidades são muito reduzidas. Os seus professores são especializados em todas as disciplinas.
Para que nada falte no «Colegio Moderno», existe um esplendido gabinete de fisica, museu e laboratorio para o ensino experimental das ciências.
Numa secção separada funciona o Pensionato Feminino que é dirigido por senhoras da maior respeitabilidade e onde se ministra, lavores, piano, violino, canto e arte aplicada e curso familiar.
O «Colegio Moderno» - ao Campo Grande, estrada de Malpique, 9, cujo telefone é o 57038 - é pois um dos bons estabelecimentos de ensino.»








A 15 de Dezembro de 1938, o "Colégio Moderno" teve autorização para ministrar o ensino do sétimo ano do curso liceal, podendo, assim, aumentar a sua lotação de alunos até 70 internos e 200 externos, sendo 150 do liceu e 50 da primária. Desde a sua fundação até à publicação da lei que proibia o ensino misto, este colégio admitiu alunos de ambos os sexos no regime de internato, semi-internato e externato. Os alunos eram provenientes, geralmente, das colónias ultramarinas e da província, onde as escolas eram escassas. Os internos dormiam onde, actualmente, é o pavilhão A (mais conhecido como «O pavilhão da Anabela»), no piso superior. Por Despacho Ministerial, a 28 de Janeiro de 1941, o colégio é autorizado a instalar um pensionato para uma frequência máxima de 12 pensionistas do sexo feminino. "Estado Novo" viria a instituir a separação dos sexos nas escolas, pelo que o Colégio passou a ser masculino. Só depois da Revolução de 25 de Abril de 1974 voltou a ter ambos os sexos.


1938



1938


Dr. João Soares ministrando aula de Geografia



Em 5 de Fevereiro de 1939, é inaugurado o Pavilhão de Ginástica  ...


Na mesa e da esquerda para a direita: Professores Dr. Rocha Saraiva, Dr. Oliveira Guimarães, Dr. Hernâni Cidade e Dr. João Soares. Mário Soares à esquerda, em pé e com a mão no peito



14 de Maio de 1944

De seguida, fotos do início do ano lectivo de 1945/1946, datadas de 15 de Outubro de 1945.






Início do ano lectivo de 1945/1946 em fotos de 15 de Outubro de 1945

Em 13 de Setembro de 1947, estando o Dr. João Soares preso, as funções de director do "Colégio Moderno" são exercidas pela sua sobrinha Maria da Conceição. Nesta altura, o colégio estava a ser vigiado pela "PIDE", nomeadamente o seu director e a sua família, sendo anotadas todas as matrículas dos carros que estacionassem na área.

Em Março de 1952, a polícia política anexa a um dos seus múltiplos processos, em que aparece referido o Dr. João Lopes Soares, o exemplar nº 1 do jornal "Gente Moça - Jornal dos Alunos do Colégio Moderno", dirigido por Rogério Araújo. Em 1954, João dos Santos criou no colégio, com a pedagoga Maria Amélia Borges, um dos primeiros Centros de Orientação Escolar existentes em Portugal (o outro foi na escola de "A Voz do Operário", em Lisboa).

De referir que em 1952, o médico do "Colégio Moderno" era o Dr. Tertuliano Lopes Soares (1906 - ?), filho de uma relação que o Dr. João Soares, ainda padre, manteve com D. Joaquina Ribeiro da Silva, anterior à que viria a manter, e casar, com D. Elisa Nobre. D. Era licenciado em medicina, médico-cirurgião, interno dos Hospitais Civis de Lisboa e professor na Escola Superior Colonial.

Dr. Tertuliano Lopes Soares (1906 - ?)


Foto anterior e este anúncio retirados do jornal dos alunos do Colégio Moderno "Gente Moça", de Setembro de 1952 (capa a seguir)

Em 27 de Março de 1955 é constituída a sociedade "Colégio Moderno de João Soares & Filhos, Lda.", pelos sócios João Lopes Soares, Cândido Nobre Baptista e Mário Alberto Nobre Lopes Soares  - filho do Dr. João Lopes Soares -, com um capital social inicial de 200.000$ A propriedade do Alvará do "Colégio Moderno" seria transmitida a favor desta sociedade. Um pouco mais tarde, a 16 de Janeiro de 1958, a direcção do colégio é exercida por João Soares e pelo seu filho Mário Soares.  Em 30 de Agosto de 1961, e por escritura pública João Lopes Soares cedia parte da sua quota de 100.000$ a Joaquim Maria Nobre que fica com uma quota de 5.000$, ficando a outra quota de 100.000$ na posse de Mário Alberto Nobre Lopes Soares.


16 de Setembro de 1952


Dra. Maria Barroso e Dr. João Soares em c. 1960

De início, o ensino neste estabelecimento ia da Escola Primária ao 7.º ano do Liceu, que era o último. No início dos anos 1960 criou-se a Infantil (3 aos 5 anos) e um curso noturno para adultos, que terminaria no início dos anos 1970. Na década seguinte nasceria o infantário (dos 4 meses aos 2 anos). Hoje um aluno pode frequentar o Colégio desde o berço até ir para a Universidade.

Por ocasião da celebração das Bodas de Prata do "Colégio Moderno", e da abertura da «Secção Infantil», o Dr. João Soares concedeu uma pequena entrevista ao "Diario de Lisbôa", em 11 de Agosto de 1962, que passo a transcrever parte do artigo:

«A vitalidade da obra é-nos demonstrada. acima de tudo, pela grande comemoração das Bodas de Prata: a inauguração da secção infantil, em edificio anexo ao edificio principal do colégio. Convinha por isso ouvir o grande educador prof. João Soares, sem contestação uma das figuras de mais destaque no ensino particular.
Começou ele por nos dizer:
- Bem, O Colegio Moderno, que fundei e iniciou a sua actividade no ano lectivo de 1936-37, celebra de facto as estas bodas de prata. Pessoalmente. como professor, já há multo que celebrei as bodas de ouro ... E espero comemorar as de diamante, com a ajuda da energia contagiante de toda essa rapaziada que ai vê!
- Impressões da sua vida de professor e director do colégio ...
- Sabe, não é fácil falar duma actividade que nos enche a vida inteira. Muitas canseiras, que deixam marca mas que depressa esquecem. A profissão do ensino gasta como tudo o que se faz com paixão. Mas, ao fim e ao cabo, é impossível lidar com rapazes, sem nos deixarmos possuir pela sua natural alegria. E a consciência de lhes ser de facto útil, que é o melhor galardão de quem se entrega ao ensino. aumenta essa alegria com a satisfação do dever cumprido. (…)
-Espero que em Outubro próximo tudo esteja pronto, As instalações para o ensino infantil merecem-nos especiais cuidados. As crianças precisam de muito e merecem tudo. Nessas instalações não haverá luxo. A meu ver luxo é deseducativo. Mas tudo foi concebido em função dos pequeninos - rapazes e raparigas dos 4 aos 6 anos - e das suas naturais necessidades de carinho, de orientação e de vida física e moralmente sadia. A secção funcionará numa vivenda, aqui bem perto, protegida por um jardim, a que se dará a graça necessária. Toda a obra de adaptação, interior e exterior, está sendo dirigida pelo arquitecto e urbanista Miguel Jacobetty, de quem muito de bom haveria que dizer mas de quem não posso falar, por a minha muita amizade me tornar suspeito ... Direi finalmente que a direcção do Colégio Moderno confiou a orientação directa da sua secção infantil a professora D. Dulce de Morais e Castro, que em estudo no estrangeiro e em longos anos de prática tem vindo a acumular uma notável experiência.
Só não aprendeu o amor pelas crianças, que nela é inato e que as mulheres portugueses não têm que aprender em parte nenhuma. Enfim ... o resto é trabalho e não há palavras que o expliquem.»


«Secção Infantil» também na Rua de Malpique

No dia 3 de Outubro de 1968, á autorizada o exercício de funções de director do "Colégio Moderno" a José Mota Costa juntamente com Mário Soares, Rogério Jorge Ribeiro de Araújo e João Soares (presidente da Direcção). Lembro que foram professores neste colégio nomes como: Álvaro Salema, Raúl Rêgo, Mário Dionísio, Álvaro Cunhal e Mário Soares, entre outros.


30 de Setembro de 1966


9 de Agosto de 1969


16 de Julho de 1970

22 de Junho de 1973

Nota: Foi no ano lectivo de 1967/1968 que entrei para este colégio, por ser muito perto da casa de meus pais, no Bairro Santos (Rêgo). Aqui completei o 1º e 2º anos do liceu. Conheci a Dra. Maria Barroso e ainda cheguei a ver o Dr. João Soares entrar diversas vezes para o "Renault" 16 cor grenat, da família. O chefe de disciplina era o sr. Tenente (não sei se de nome se de posto no exército) e o chaffeur da carrinha, marca "OM - UTIC", que me transportava a casa era o sr. Diniz. A minha passagem por este colégio marcou-me, literalmente, para o resto da vida ... Ao jogar «ao pendura», e com a pressa de não ser apanhado, saltei para um banco de ferro, que se pode avistar na foto seguinte, escorreguei e bati com a cara, junto ao olho direito, no banco, e lá fui para ao hospital da seguradora. Levei dois pontos e lá fiquei com uma cicatriz junto à vista direita ... Na outra vista tenho outra quase impercéptivel, resultado de uma pedrada, junto ao campo de futebol, noutra brincadeira da época ... Nada de grave, mas que cá estão ... estão. Tirando esses acidentes a minha passagem por lá foi agradável. De lá segui para o "Colégio Manuel Bernardes", no Paço do Lumiar, que frequentei a partir de 1970/1971 até ao final do curso liceal.

O «maldito» banco, ao fundo à direita junto à coluna branca. Da direita para esquerda: Dra. Maria Barroso, e seus filhos Isabel Soares e João Soares


"OM-UTIC" idêntica às do "Colégio Moderno". Na altura eram duas. Em vez de riscas vermelhas, eram azuis

Aquando do 25 de Abril de 1974, a esposa do Dr. Mário Soares, Dra. Maria Barroso Soares (1925-2015) - actriz, professora e activista política, com licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas - já era diretora do "Colégio Moderno", cargo que exerceu até 1986, quando o marido é eleito Presidente da República. 

Dra. Maria Barroso Soares no seu gabinete de direcção

Em 3 de Dezembro de 1974 a Rua de Malpique, onde se localizava o "Colégio Moderno", é redenominada para Rua Dr. João Soares, em homenagem ao fundador do colégio.

Por escritura pública de 10 de Novembro de 1981, o capital social do "Colégio Moderno" é aumentado de 200.000$ para 250.000$ assim distribuído: Mário Alberto Nobre Lopes Soares (200.000$), Maria de Jesus Simões Barroso Soares (30.000$), João Barroso Soares (10.000$) e Maria Isabel Barroso Lopes Soares (10.000$). Em 12 de Dezembro de 1988 este capital social viria a ser aumentado para 15.000.000$ e distribuído pelos mesmos sócios em idênticas proporções. Em 2006 a sociedade era a mesma, apenas com o mesmo capital social, e respectivas quotas, convertidos em euros (75.000 €).

Em 1998, a sociedade "Colégio Moderno de João Soares & Filhos, Lda.", adquire a "Quinta da Misericórdia", até então arrendada à firma "Flora & Fauna, Lda." desde 1936.

A diretora do "Colégio Moderno" é, desde 1985, a psicóloga clínica, e co-proprietária, Isabel Barroso Soares, neta do fundador e filha de Maria Barroso e Mário Soares. Foram seus antecessores no cargo figuras como Mário Soares, Maria Barroso Soares, José Luís Mota Costa e Rogério Araújo.

O "Colégio Moderno", tem cerca de 2000 alunos divididos em quatro secções que vão dos bebés ao final do Ensino Secundário: Infantário (4 meses aos 2 anos), Infantil (3 aos 5 anos), Primária (1.º Ciclo do Ensino Básico) e Liceu (2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário). Além dos programas curriculares destes níveis de ensino, oferece atividades extracurriculares como Música, Ballet, Ginástica, Judo, Ténis, Andebol e Futebol.








fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Fundação Mário Soares (Casa Comum), Colégio Moderno