Restos de Colecção

20 de setembro de 2020

Estabelecimentos Comerciais de Lisboa (62)

 

"Restaurante do Campo Grande", ex-"Restaurant Gomes" e futura "Churrasqueira do Campo Grande"


Papelaria Correia & Raposo, na Rua Áurea, importadores das máquinas de escrever "Underwood"


 

Publicidade à "Underwwod",em 1907


"Casa Triumpho" de Virgílio Ribeiro, na Rua Augusta


"Camisaria Moderna", na Praça D. Pedro IV (Rossio)


Publicidade em 6 de Julho de 1876, por ocasião da sua inauguração



"José D'Oliveira & Barros", no Largo de São Domingos (fundada em 1877)


Publicidade em 1908


13 de setembro de 2020

Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo

A "Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo", foi fundada 26 de Maio de 1872, por um grupo de cabos da Polícia Civil, como "Sociedade Filarmónica Alunos Capricho". Como os cabos da Polícia não eram suficientes para formar uma banda, tiveram de ir recrutar aos paisanos, - elementos da Polícia Civil - que logo se opuseram à designação inicial e mudaram para Alunos de Apolo.


A banda da "Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo", em 26 de Fevereiro de 1926


A mesma em 26 de Maio do mesmo ano

A sua primeira sede, funcionou na Rua de São João dos Bem Casados, 41, 1º (hoje Rua Silva Carvalho). Após alguns anos, a sede passou para a Rua da Arrábida, 70, 1º. E finalmente, a 18 de Agosto de 1956 transferiu-se para a Rua Silva Carvalho, 225, onde funciona actualmente.

As Bandas Filarmónicas davam concertos em recintos fechados e na rua. Os tempos eram difícieis e certo dia, estava a Banda da Alunos de Apolo a tocar na rua - com o regente  a dirigir a mesma utilizando uma pequena vareta modesta - quando passou o Rei D. Carlos I. A Banda logo se perfilou e passou a tocar o "Hymno da Carta", o que "obrigou" o Rei a parar e a assistir. Depois de agradecer reparou na varinha e pouco tempo depois enviou uma batuta com cabo de prata à Sociedade, com dedicatória.  

Concerto da Banda da "Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo" em 30 de Maio de 1933

Notícia no jornal "O Comercio da Ajuda" de 16 de Março de 1935

Ao longo dos anos a Sociedade foi apoiando e desenvolvendo as mais variadas actividades.: teatro, música, folclore, ténis de mesa, ciclismo, boxe, futebol de salão, beneficência e dança. Hoje em dia as actividades a que se dedica estão centradas na dança desportiva ou de salão e acções de beneficência.


Na última foto, a equipe de ténis de mesa da SFAA na revista "Stadium de 15 de Dezembro de 1942


E no ciclismo noutro artigo em 1 de Novembro de 1944

A sociedade fez-se também representar nas festas da cidade através da marcha popular de Campo de Ourique. A primeira marcha de Campo de Ourique organizada pela  "Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo", foi em 1932. Em todas as actividades que esta colectividade promoveu foi conquistando taças, medalhas e trofeus.




É em meados de Setembro de 1971 que começa a dança em Portugal. Na Alunos de Apolo foi Luís Luzes (dançarino de rock & roll e campeão diversas vezes) que ao lado de Carlos Alberto Rodrigues, iniciaram a actividade de ensino e concurso de danças de salão no nosso país.


"Xutos e Pontapés" na "Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo" em 13 de Setembro de 1979

Uns anos mais tarde, em 13 de Setembro de 1979, para lá das três da manhã, quando Tim e Zé Pedro dos "Xutos e Pontapés" pousaram os instrumentos e deram por terminado o seu primeiro concerto ao vivo. Antes, já Zé Leonel, o vocalista, tinha saído pela frente do palco e Kalú, que tinha levado uma injeção na tropa, seguiu-lhe os passos.

«Tocámos quatro músicas em sete minutos» lembrou Kalú. «Também não era preciso mais tempo, afinal de contas já tínhamos feito tudo o que sabíamos», acrescentava Tim. A banda tinha apenas feito dois ensaios, um deles uma hora antes do concerto e, como recordava Zé Pedro numa entrevista concedida ao CM, por altura dos 35 anos de carreira, "estava tudo muito colado com cuspo".

Reza a história, no entanto, que a atuação foi demolidora. Alguns responsáveis pela coletividade chegaram mesmo a pensar em terminar com a "barulheira", uma intenção que caiu logo por terra quando alguém se lembrou que aquilo podia gerar a revolta do público. "É malta nova e nós temos de nos aguentar", disse, à data, um dos gerentes. in: jornal "Correio da Manhã.

Em Julho de 1986 a "Sociedade Alunos de Apolo" passa por uma grande crise, com água e luz cortadas, mas com a força e perseverança de Carlos Rodrigues (que liga a água e a luz arriscando-se a ser preso ...) continua a promover bailes e ao fim de três meses já tinha realizado capital para reerguer a colectividade. Desde 1946 que Carlos Alberto Rodrigues dedica a sua vida à "Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo", com admirável abnegação.


2015


2016

Com cerca de 600 associados, a "Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo", já com 148 anos de existência (!), e continuando a contar com Carlos Alberto Rodrigues no "comando do navio" (ao longo de 74 anos !!), contam hoje com professores credenciados internacionalmente e que são júris pelo mundo fora. Qualquer um pode aprender, além das danças de salão, danças latinas e tango argentino.

Carlos Alberto Rodrigues o "timoneiro" da "Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo" desde 1946 (74 anos !!)







5 de setembro de 2020

Circo Torralvo e Circo José Torralvo

O "Circo José Torralvo" foi fundado por José Torralvo que "nasceu" neste meio, no já extinto "Circo Torralvo" do seu pai Reinaldo Torralvo. A família Torralvo tem-se mantido na actividade circense por várias gerações. 






Pode-se ler no site do "Circo José Torralvo":

«Com muita experiência e a contar com várias gerações de familiares a actuar neste meio, José Torralvo pretende com os seus espectáculos para além do tradicional circo, levar a todas as pessoas, sempre algo inovador e interactivo. 



Todos os anos renova o alinhamento dos seus espectáculos  de modo a que possa proporcionar a todos os seus espectadores, novas sensações e oportunidades de lazer únicas.

Um dos maiores e melhores Circos da actualidade em que nos seus espectáculos é também uma constante uma forte interligação e interacção com o público.


Para se deslocar, o Circo José Torralvo necessita de 10 camiões TIR.

 

José Torralvo foi considerado pela critica, o  jovem revelação dos últimos anos nas artes circenses. » 




Fotos de outros três circos "colegas" do extinto "Circo Torralvo" em fotos da mesma época (anos 60 do século XX) ...


"Circo Mariano" em fase de montagem junto à "Praça de Touros de Algés"


"Circo Irmãos Gonsalves" no Bairro de Alvalade em Lisboa


"Circo Texas" na "Feira de São João", em Évora em 1968


E folhetos publicitários a outros dois


30 de agosto de 2020

Inauguração da Carreira Rossio-Castelo

Foi em 10 de Agosto de 1959, que foi inaugurada a carreira nº 37 da "Companhia Carris de Ferro de Lisboa" (C.C.F.L.) e que passava a ligar o Rossio (Praça D. Pedro IV) ao Castelo de São Jorge.



Em primeiro plano, à direita, John Smith e Brigadeiro Salvação Barreto junto à janela

Esta carreira era o culminar duma promessa lançada em 19 de Janeiro do mesmo ano, pelo Presidente da CML tenente-coronel Álvaro Salvação Barreto e vice-presidente Luís Pastor de Macedo, aquando da inauguração do posto de informação turística , para portugueses e estrangeiros no Paço da Alcácova no Castelo de São Jorge: 

«Para facilitar o acesso rápido àquele monumento nacional está a pensar-se em estabelecer - após o alargamento do Largo das Portas do Sol - uma carreira de autocarros entre o Rossio e o Largo Rodrigues de Freitas.»

O autocarro inaugural saiu do Rossio ás 13 horas, nele seguindo, além dos presidente e vice-presidente da CML, dos vereadores e dos directores de serviços, diversos convidados, entre os quais César Moreira Baptista, secretário nacional do "Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo" (SNI), John Smith, administrador-geral da C.C.F.L., os representantes da Imprensa, entre outros e aos quais foi, depois, oferecido um almoço no restaurante "Casa do Leão".


Cartão e menú gentilmente cedidos por Carlos Caria



Modelo de autocarro que passou a assegurar as ligações, ainda com volante à direita

César Moreira Baptista, secretário nacional do SNI a discursar

No dia da inauguração o jornal "Diario de Lisbôa" informava:

«A nova carreira - ao preço único de um escudo - tem o seguinte horário, tanto aos Domingos como aos dias úteis: partidas do Rossio, das 10 horas ás 18 e 30, de meia em meia hora, e do Castelo, das 10 e 15 ás 18 e 45, também com o intervalo de 30 minutos.»

Visita ao Castelo de São Jorge, por ocasião da primeira reunião Olissiponense

Autocarro 37 estacionado no Rossio por altura das obras do Metropolitano

Percurso complicado, nos anos 80 do século XX

Empanado no Rossio em 17 de Outubro de 1983

Esta carreira viria a ser substituída pela 737 e liga actualmente a Praça da Figueira ao Castelo de São Jorge.


fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa