Restos de Colecção

8 de julho de 2026

"Novo Salão High-Life"

O "Novo Salão High-Life" foi inaugurado em 29 de Fevereiro de 1908, na Praça da Batalha, na cidade do Porto. Propriedade da "Empreza Neves & Pascaud", teve origem no "Salão High-Life", um barracão de madeira e zinco e com o chão de terra batida, montado na "Feira Recreativa", em 29 de Setembro de 1906, (em substituição da Feira de S. Miguel) que se realizava na Praça Mouzinho d'Albuquerque (Boavista), lugar onde hoje existe a Rotunda da Boavista. Dava-se assim, início à exibição cinematográfica regular na cidade do Porto. Em 1907, o "Salão High-Life", que com o final da Feira de S. Miguel, já se tinha mudado para o Jardim da Cordoaria. Eram sócios desta firma o mestre-de-obras Manoel da Silva Neves e Auguste Edmond Pascaud, um cidadão francês que chegou ao Porto com um projetor e algumas fitas da Casa "Pathé Frères".

Edifício do "Novo Salão High-Life" já como cinema "Batalha"


A lateral do edifício do "Novo Salão High-Life", ao lado do edifício do "Correio Geral"



30 de Setembro de 1906


30 de Setembro de 1906



4 de Maio de 1907


Jardim da Cordoaria

Entretanto desde o final do século XIX a firma "A Constructora S.A.R.L." sucessora da "Campos & Moraes", tinha os seus escritórios, depósito e ponto de venda de materias para construção e afins, num belo edifício na Praça da Batalha, que viria a ser demolido em 1907. 


"A Constructora S.A.R.L." sucessora da "Campos & Moraes" 



Este terreno viria a ser adquirido por Manoel da Silva Neves, que tinha amealhado uns bons dinheiros com o seu barracão, com a intenção de ali erguer um novo edifício destinado a animatógrafo. Lembro um excerto do artigo intitulado "A Primeira Élite do Cinema" publicado no "Diario de Lisbôa" em 31 de Dezembro de 1963:  
«(...) Até aqui, tudo gente humilde, que viera das barracas de feira. Saltimbancos, palhaços, prestidigitadores, formaram a primeira «élite» do cinema. Os grandes potentados, os Fox, os Zukor, os irmãos Warner haviam sido igualmente barraqueiros que enriqueceram com os «Nickel Odeons», salas de cinema no género do velho «Salão High-Life», da feira de S. Miguel, do Porto.»

Quanto à "A Constructora" ....


30 de Setembro de 1906

Em 12 de Outubro de 1907 o jornal "A Voz Publica" noticiava a vestoria camarária ao terreno:

«Nova casa de espectaculos; vistoria. Os engenheiros snrs. Henrique Bravo, Macedo de Freitas e Abílio Soares, acompanhados do snr. Vieira de Almeida, ajudante da inspecção geral dos incendios, procedeu hontem a uma vistoria nos terrenos onde esteve o deposito da fabrica A Constructora, na praça da Batalha, a fim de ser alli construida ima nova casa destinada a diversões cynematographicas.
A vistoria foi feita a requerimento do snr. Manoel Neves, estando os peritos munidos da respectiva planta. Os referidos cavalheiros acharam o terreno em condições para se fazer a ediflcação, sendo de opinião que fossem modificados os portoes de ferro que alli se veem presentemente.»

O pedido de licença de construção do "Novo Salão High-Life" daria entrada na Câmara Municipal do Porto em 17 de Outubro de 1907, juntamente com o projecto de construção.



O "Novo Salão High-Life" seria inaugurado em 29 de Fevereiro de 1908. O jornal "O Commercio do Porto", em 26 de Fevereiro anunciava a sua inauguração:

«Novo salão. - Verifica-se no sabado a inauguração do novo Pavilhão Kinematographico, a que já tivemos occasião de nos referir, mandado construir pela empreza Neves & Pascaud, n'um dos locaes mais centraes da cidade, a praça da Batalha, em terreno onde esteve o chalet da Constructora.
A nova casa de espectaculos, muito elegante o luxuosa e offerecendo ao publico todas as condições de segurança, conforto e asseio, sera explorada pelo maravilhoso «Kinamatographo Theo Pathé», de Berlim e Pariz, do emprezario Mr. E. A. Pascaud, que mandou vir expressamente de Pariz, da casa Pathé Frères, uma enorme colleccao de quadros animados, ultimas novidades, destinados a produzirem a maior sensação.
Este apparelho kinematographico é, sem duvida, uma machina das mais perfeita o completa que existe em Portugal, reproduzindo sempre com raro brilho, nitidez e fixagem a photographia com vida.
Os espectaculos apresentados pelo arrojado emprezario Pascaud, são reconhecidos por todo o publico como os mais extraordinarios que se teem visto e que ha cerca de dous annos véem obtendo um successo collossal no nosso paiz.»


Programa para o dia da inauguração


Lista de Cinematographos do Porto, em 29 de Fevereiro de 1908

O mesmo jornal no dia seguinte à inauguração, 1 de Março de 1908 noticiava:

«Novo Salão High Life .- Foi auspiciosissima a inauguração do Novo Salão High-Life, a praça da Batalha, destinado, como é sabido, á exbibição de fitas cinematographicas, espectaculo agora muito favorito, o que cahiu por completo no agrado publico.
O vasto salão encheu-se por completo nas tres sessoes. As pelliculas apresentadas, na sua maioria novas, contentaram os espectadores.»

Entretanto a "Empreza Neves & Pascaud" manteria a funcionar na Cordoaria o antigo "Salão High-Life" até 1910, em simultâneo com o "Novo Salão High-Life" na Batalha, resultado de uma estratégia de explorar este grande negócio em dois bairros, quer no Oriental quer no Ocidental da cidade.

3 de Março de 1908


1910

1911

Entretanto, em 15 de Agosto de 1908 no Rocio do Marquez de Pombal, em Estremoz, o "Grande Salão High-Life", propriedade de "Rodrigues & Piteira" e explorado pela "Empreza Portugueza Cinematographica de Lisboa".

Em 4 de Outubro de 1910, é solicitada à Câmara Municipal do Porto, a ampliação do edifício do "Novo Salão High-Life", no alçado lateral ...



Após a ampliação (à esquerda)

Durante alguns anos, o "Salão High-Life" funcionou de forma itinerante. Percorreu o Sul do país, estabelecendo-se por diversas vezes em Olhão, Faro, Tavira e Vila Real de Santo António, mas também em algumas localidades alentejanas como Beja e Montemor-O-Novo. No Algarve, o "Salão High-Life", da "Empreza Neves & Pascaud", e o empresário Alves França desempenharam um papel fundamental na afirmação do cinema enquanto espetáculo e forma de lazer. 

Em Outubro de 1907, o "Salão High-Life" apresentava-se em Vila Real de Santo António ...

                                   17 de Outubro de 1907                                                   24 de Outubro de 1907

Em Novembro do mesmo ano,  o "Salão High-Life" já se encontra em Tavira ...

No jornal "O Heraldo" de 17 de Novembro de 1907

Na última semana de Dezembro de 1907, chegou a Faro o "Salão High-Life", proveniente de Tavira, onde estivera cerca de um mês. Na edição de 2 Janeiro de 1908, o jornal "O Districto de Faro", informava os leitores do enorme sucesso do «prodigioso kinematographo Theo Pathé», que todas as noites realizava três sessões no "Salão High-Life", instalado na praça D. Francisco Gomes  ...

«Esta machina de projecção animada, sem duvida a melhor que temos visto, é a unica onde são exhibidas as mais admiraveis e modernas creações da acreditada e importante casa Pathe Freres, de Paris, para o que a empresa tem um contracto especial.
Resumindo: os espectaculos, que todas as noites offerece ao publico o incomparavel kinematographo Theo Pathé, estão obtendo, dia a dia, o mais completo, grandioso e justifcado exito. D'ahi as enchentes á cunha, com que o publico os não tem cessado de honrar. (...)
Tem, pois, o nosso publico onde passar algumas horas aprazivelmente n'estas monolonas noites de inverno, gozando, por pouco dlinheiro, espectaculos magnificos, interessantes e tambem instructivos.
Ao Salão High Life, pois!»

No jornal "O Districto de Faro" de 9 de Janeiro de 1908


No jornal "O Districto de Faro" de 23 de Janeiro de 1908

Em Faro, o sucesso registado pelo "Salão High-Life", deveu-se, sem dúvida, à variedade e qualidade da programação, onde se incluíam sessões especialmente dedicadas às «gentis e elegantes damas da cidade». Entre as fitas exibidas, destacavamse títulos como "Amor Escravo", filme protagonizado por atores e elementos do corpo de baile da Opera de Paris. Na programação do "Salão High-Life" surgiam ainda títulos como "Bêbado à Força" (identificado como quadro cómico), "Grande Corrida de Cavalos em Londres" e "A Pesca do Atum" (identificados como quadros naturais) e, nas palavras do articulista: «a lindíssima película Aventuras de Polichinello, totalmente colorida. Uma verdadeira maravilha, digna de por todos ser admirada»  in: "O Districto de Faro"

Voltando à cidade do Porto, Alberto Pimentel no seu livro "Fitas de Animatographo", de 1909, escrevia:
«Pois agora, além do theatro permanente da rua das Oliveiras, funccionam três animatógraphos nos arredores da Praça de Carlos Alberto: o «Salão Pathé», na rua de D. Carlos, o «Salão Chiado» na Galeria de Pariz e o «Salão High Life» na Cordoaria.»

Por esta altura a exibição cinematográfica começa a mudar-se das feiras para os salões, surgindo cada vez mais salas dedicadas ao cinema, como o "Salão Jardim Passos Manuel" (18 de Março de 1908), o "Olympia Kinema Theatro" (18 de Maio de 1912) e o "Salão Jardim Trindade" (14 de Junho de 1913). Assistiu-se também à projeção de cinema em alguns espaços teatrais tais como o "Teatro Carlos Alberto" (14 de Outubro de 1897), o Cine-Teatro "Águia D’Ouro" (17 de Junho de 1899) e o "Teatro Rivoli" (19 de Janeiro de 1932).


11 de Outubro de 1914


29 de Setembro de 1916


3 de Julho de 1924

O "Salão Jardim Trindade" que tinha sido inaugurado pela "Empreza Neves & Pascaud" em 14 de Junho de 1913, mantinha a mesma programação do "Novo Salão High-Life". Lembro que esta mesma empresa viria a adquirir o "Salão Jardim Passos Manuel". E Manuel Neves aquiriria o "Teatro Carlos Alberto".

1918

Entretanto, o «velhinho» "Salão High-Life", na Cordoaria, em 1919 ainda por lá funcionava ...

8 de Maio de 1919

Em 1928 o "Novo Salão High-Life" já tinha abandonado esta sua denominação e tinha adoptado a de "Cinema Batalha" ou simplesmente "Batalha". 

1928


5 de Março de 1932


10 de Dezembro de 1932


31 de Dezembro de 1932



Mais tarde, em 1944, este velho "Cinema Batalha" viria ser demolido e no seu lugar viria ser construído o novo "Cinema Batalha", projectado pelo arquitecto Artur Andrade e inaugurado em 3 de Junho de 1947.


Demolição do "Cinema Batalha", ex- "Novo Salão High-Life"


Novo "Cinema Batalha" inaugurado em 29 de Maio de 1947

Actualmente, a empresa "Neves & Pascaud, Lda." (primitiva "Empreza Neves & Pascaud") continua a ser, a proprietária do "Cinema Batalha".

Bibliografia:

 - Projeto de Mestrado em Design Gráfico e Projetos Editoriais:  "CINEMA BATALHA: MEMÓRIA, CONHECIMENTO E INOVAÇÃO - Proposta de um sistema de identidade dinâmico" - Diana Sofia Cunha Ferreira - Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (2018)

- OS PRIMEIROS ESPAÇOS DE EXIBIÇÃO CINEMATOGRÁFICA EM FARO (1898-1918) de Jorge Manuel Neves Carrega

Fotos in: Arquivo Municipal do Porto, Arquivo Municipal Sofia Mello Breyner

3 de julho de 2026

"Photographia Ingleza" de "J. & M. Lazarus"

A casa "Photographia Ingleza" foi fundada em 1 de Maio de 1909, na Rua Ivens, 53, em Lisboa., pelos irmãos ingleses Joseph Lazarus (1876-1940) e Maurice Lazarus (1866-1949), girando sob a firma "J. & M. Lazarus".  Decorridos três dias após a inauguração foram oficializados com o título de fotógrafos da Casa Real. 


1901


Joseph Lazarus (1876-1940)


Rua Araujo num postal da autoria de "J. & M. Lazarus"

Estes dois irmãos, naturais de Durham Sunderland, Nordeste de Inglaterra iniciaram a sua actividade de fotografia na cidade de Lourenço Marques, em Moçambique, por volta de 1899, após a sua família judia ter rumado a Durban (África do Sul) em 1883.

Em 1899, Joseph Lazarus com 23 anos e Maurice Lazarus com 33 anos partiram de Durban para Lourenço Marques e inauguraram, um dos maiores e bem sucedidos estúdios fotográficos com o nome comercial "J. & M. Lazarus". Tiveram uma loja de fotografia na Rua Araújo e depois no Avenida Building, em Lourenço Marques entre os anos 1890 e cerca de 1908. Foi o primeiro estúdio fotográfico em Lourenço Marques na produção em série de postais ilustrados e na publicação do primeiro álbum fotográfico designado de "A Souvenir of Lourenço Marques" (1901) seguindo-se mais dois álbuns fotográficos "A Souvenir of Beira" (1902-1903) e "Views of Lourenço Marques" (1906).

 



Cais de embarque de passageiros para os navios


1906

As fotografias de Lourenço Marques e Moçambique, numa fase de mudança de uma sociedade agrária e rural para os primórdios da modernidade, foram editadas em diversas revistas, jornais nacionais e internacionais. Produziram registos fotográficos de elevada importância documental e cobriram a visita oficial de Luís Filipe de Bragança, Príncipe Real de Portugal, no Verão de 1907, às colónias portuguesas em África.

Depois de terem vendido a sua loja e estúdio em Lourenço Marques a Sidney Hocking, entre 1908 e 1909, os dois irmãos emigram para Lisboa e instalam um estúdio na Rua Ivens, 53, inaugurado em 1 de Maio de 1909, onde trabalhara o fotógrafo João Carlos Coutinho entre 1906 e 1908. Provavelmente essa mudança para Lisboa se deu na sequência da viagem do Príncipe D. Luís Filipe às Colónias, cuja passagem por Moçambique foi profusamente documentada pelos irmãos Lazarus e publicada na imprensa ilustrada de Lisboa, como a revista "Occidente". 


20 de Julho de 1907

Lembro que desde 1897, nesta Rua Ivens, no nº 28, já funcionava a "Photographia Julio Novais", desde que Julio Novaes tinha abandonado a gerência da "Photographia Bastos", sita na Calçada do Duque 19-25. Neste endereço na Rua Ivens, 28 tinha funcionado, até 1896, o "Instituto Photographico" , de "Arnaldo Fonseca & Commandita".


12 de Janeiro de 1902

Chegados a Lisboa, Joseph e Maurice Lazarus cedo se distinguem pela qualidade dos seus trabalhos e manter-se-iam em actividade até 1939.


1 de Maio de 1909


Loja com o toldo, nº 53 onde esteve instalada a "Photographia Ingleza". Mais tarde mudou-se para a loja ao lado, nº 59 (loja fechada com porta central e duas montras e fachada em ferro)


Dentro do rectangulo a amarelo localização na Rua Ivens da loja, nº 59 onde funcionou por último a "Photographia Ingleza"

A "Photographia Ingleza" veio ocupar a loja onde tinha funcionado a "Photographia de Lisboa" , entre 1906 e 1908 e propriedade do fotógrafo João Carlos Coutinho.


1908


1 de Julho de 1912


25 de Agosto de 1913


1915


25 de Agosto de 1916

Produziram fotografias e postais coloridos da mais elevada qualidade gráfica do seu tempo e foram autores de várias capas da "Ilustração Portuguesa".


17 de Novembro de 1913 (foto da "Photographia Ingleza" )

Em 3 de Dezembro de 1925 o jornal "Diario de Lisboa" publicou uma entrevista a Joseph Lazarus que passo a transcrever:

«Desde 1908, que Lisboa está a par do melhor que lá fora se faz em fotografia.
Porque, desde 1908, raro é o ano em que a Fotografia Inglesa de J. & M. Lazarus, não envia a lnglaterra e a França o seu proprietario, sr. Joseph Lazarus-que é um apaixonado pela sua arte e que lhe conhece todos os segredos.
Justamente agora, o sr. Joseph Lazarus acaba de regressar de uma dessas viagens de estudo. Não havia, portanto, melhor pretexto para ouvir da sua boca algumas impressões que interessassem o leitor.
Foi no seu «atelier» da rua Ivens, onde ha uma multidão de fotografias, de aguarelas, de aguas.fortes e de molduras nacionais e inglesas, que nos encantam pela sua beleza, que se realizou a conversa :
-Visitei agora quasi toda a Inglaterra e Paris, em busca de coisas novas em fotografia. Vi tudo quanto se faz de mais moderno e de mais perfeito. E devo confessar que na provincia encontrei trabalhos muito melhores do que propriamente em Londres.

-Novos estilos ?
- O nosso estilo deste ano, que já iniciámos, é a fotografia representando aguas-fortes. E' o que ha de mais moderno. Em Inglaterra, só os melhores - e muito poucos - estabelecimentos o fazem, por agora. E isto, sobretudo, porque é um genero muito dificil, exigindo bastante estudo e cuidado.
-E em Portugal ha artistas que o possam fazer desde já?
-Lancaster - o artista da nossa casa - é, desde muito novo, um admiravel pintor a oleo, a aguarela, etc., e um retratista do maior gosto artistico. Para esta especialidade, fizemos com ele um novo contracto. E vamos agora abrir uma nova exposição permanente dos trabalhos realisados. A nossa casa está completamente renovada, possuindo actualmente uma explendida sala de exposições que pode ser visitada por toda a gente, sem obrigação de mandar fazer qualquer fotografia.
-Na Exposição das Artes Decorativas de Paris ...
-Adquiri numerosas gravuras, aguas-fortes, coloridas e «pointes sèches» que estão já á venda, juntamente com aguarelas inglesas.
Falámos de molduras-que a casa Lazarus foi sempre a que melhores e mais belos modelos apresentou:
-Temos uma fabrica propria, onde fabricamos bastantes. E estamos agora a executar la os melhores modelos adquiridos em Londres e na Exposição de Paris. Além disso, constantemente nos chegam molduras de Inglaterra.
-Tem algum plano de futuro?
-O meu plano é hoje o de sempre: fazer o melhor possivel pelo menor preo possivel ...»



Corpo Médico Militar em 1917 (foto da "Photographia Ingleza" )

"J. & M. Lazarus" foi responsável pela produção de retratos de uma elite burguesa. Joseph Lazarus,  cerca de 1930, viria a ser agraciado com uma condecoração do governo português.

«Por ocasião da nomeação de Oliveira Salazar para o cargo de Presidente do Conselho, a quatro de Julho de 1932, conheciam-se muito poucos retratos seus. Na maior parte dos casos a sua imagem era representada com o recurso a uma fotografia realizada na Fotografia Inglesa, muito provavelmente aquando da sua primeira e fugaz passagem pelo governo da ditadura militar, em 1926.»


Doutor Oliveira Salazar, em 1928, e em foto da "J. & M. Lazarus"



Na "Revista do Ar" de Fevereiro de 1938


1942

Tendo mantido a atividade da "Lazarus" (antiga "Photographia Ingleza" ) até cerca de 1944, os dois irmãos permaneceram em Portugal até às suas mortes. Joseph faleceria em 1940 com 64 anos e seu irmão Maurice em 1949 com 83 anos. Ambos seriam sepultados no cemitério dos judeus em Lisboa.

Bibliografia:

- Tese de Doutoramento em História de Arte "Estrelas e Ases: o retrato fotográfico em Portugal (1916-1936)" de Paulo Artur Ribeiro Baptista - FCSH - Outubro de 2015

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, The Delagoa Bay World, Africa in the Photobook