Restos de Colecção

27 de setembro de 2026

"Hotel Costa" em Caneças

O "Hotel Costa" abriu pela primeira vez ainda antes de 1887, no, então, lugar de Caneças, ao lado da Igreja Paroquial de São Pedro de Caneças, no Largo Viera Caldas. No ano de 1887 existiam dois hotéis em Caneças: "Hotel Fernandes" e o "Hotel Costa".

"Hotel Costa" ao lado da Igreja Paroquial de São Pedro de Caneças


1887


"Hotel Costa " e  Largo Vieira Caldas

Caneças, lugar muito conhecido na capital pelas suas lavadeiras e pela famosa "Água de Caneças", distribuída em Lisboa em bilhas de barro, inicialmente em carroças e depois em acmionetas, por várias décadas. Muito conheidas foram camionetas de passageiros da extinta "A Arboricultora, Lda.", fundada em Caneças a 5 de Agosto de 1936.

Transporte das lavadeiras em 1949


Carroça de distribuição da "Água de Caneças", na Baixa lisboeta


Auto-Car d' "A Arboricultora, Lda." em 1939

Na "Revista Universal Lisbonense" de 14 de Agosto de 1845, chamava-se à atenção do estado da «estrada» para Caneças, num artigo do qual retireia a seguinte passagem:

«Vamos trazer para exemplo a estrada de Caneças, uma das mais frequentadas da gente da capital, e de outras muitas povoações. O logar de Caneças que póde ser o em que se restabeleçam os valetudinarios, e cançados da vida artificial e penosa que soffre a gente de Lisboa, deve ter mais que outras povoações uma estrada que communique com a capital. Mas por descuido, ou necessidade, deixou-se em abandono a maior parte da estrada que vai da ponte, junto á quinta do Lobo, até ao alto defronte de Adaveja.
Agora a Camara mandou reparar alguns destroços que havia na calcada junto a Caneças, e continuam os operarios a refazer de novo a calcada defronte de Adaveja.»


Omnibus e Diligencias para Caneças em 1888

Fora de Lisboa, quase sempre os hotéis encerravam durante o Outono e Inverno, reabrindo na Primavera do ano seguinte, pelo que em 14 de Abril de 1889 era publicado a seguinte nota no "Diario Illustrado", acerca da reabertura do "Hotel Costa" :

«Reabre hoje o afamado Hotel Costa, onde os visitantes do aprazivel sitio de Canecas encontram as melhores commodidades, o mais rigoroso asseio, e uma cosinha de primeira ordem, dirigida por um habil especialista, alem de um pessoal bastante pratico e delicado.
Com tão bellas condições de hospedagem, que podemos garantir, não duvidamos recomendar o Hotel Costa a todos os que procuram o vivificante ar e as puras aguas de Caneças.»

No mesmo dia, reabriam outros dois em diferentes localidades, apesar de muito próximas: o "Eden-Hotel" em Collares e o "Hotel Sant'Anna" em Cintra.


14 de Abril de 1889


14 de Abril de 1889

Como se pode observar dos anúncios publicitários seguintes de 1899 para 1900 o "Hotel Costa" mudou de proprietário ... José Telmo Rodrigues terá sido o último proprietário deste hotel.


1899

1900

Em 1905, e tendo em conta o próximo anúncio publicitário, o "Hotel Costa" terá sido proprietário do "Hotel Central" em Cascaes. É uma dedução minha, não confirmada, ou terá sido apenas uma coincidência de apelidos ...

1905

No livro "Extremadura Portugueza" de Alberto Pimentel (1849-1925) e editado em 1908 retirei a seguinte passagem, acerca de Caneças:

«O logar de Caneças é uma linda e sadia aldéa da freguezia de Loures, com um bello largo arborisado, que tem o nome de Vieira Caldas, e pittorescos passeios taes como o Alto do Masqueiro - d'onde se avista a bahia de Cascaes - o Pinhal do Verde e o Salão.
Ha uma capella da invocação de S. Pedro, cujo culto é custeado pelos canecenses.
N'ella se fazem tres festividades : a do orago, a de Nossa Senhora do Rosario e a de S. Sebastião.
A população d'esta aldéa orça por 700 habitantes, em 300 fogos.
As mulheres, no geral, são lavadeiras. Os homens applicam-se á agricultura - ás suas hortas e á creação de viveiros de arvores fructiferas, que são d'aqui exportadas em larga escala ; ou ao fabrico de navalhas de volta, especie de pequenas podôas muito usadas nos trabalhos agricolas.
As aguas ferreas de Caneças, especialmente as das nascentes do Camora e do Caldas, teem vantajosa applicação no tratamento das dyspepsias.
Para os doentes ou para os convalescentes, bem como para os veraneantes, ha regulares acommodações em dois hoteis e casas de aluguel.
Entre as melhores propriedades de Caneças avulta a quinta do Bretão, onde o sr. Carlos Appleton, seu dono, tem intro duzido todos os ultimos melhoramentos agricolas. (…)
O arco do cruzeiro é de marmore extrahido das pedreiras de Canecas.
A capella, alem de ampla, tem bastante luz.
Quanto á etymologia de Canecas, o mais que se póde apurar é que os antigos escreviam Cai-nessas.
A povoação fica n'um alto, a que dá accesso uma ingreme estrada. Communica com o Lumiar por uma carreira de char-à-bancs.
O Lumiar é, por emquanto, o limite da tracção electrica de Lisboa, na zona do Campo Grande.»

Em 29 de Junho de 1909, é inaugurado em Caneças outro hotel, o "Hotel Progresso", ex ou futura-"Pensão Quitéria". Era seu proprietário Manoel Nunes, taberneiro e que já detinha a "Pensão Nunes". 

No guia "Hoteis e Pensões de Portugal" de 1939, apenas a "Pensão Nunes" era mencionada., relativa à localidade de Caneças.

Edifício onde tinha funcionado o "Hotel Costa"

Pela lei nº 413 de 10 de Setembro de 1915, «É criada no concelho de Loures uma paróquia civil, que terá a sua sede no lugar de Caneças e será constituída pelos lugares de Caneças e Vale do Nogueira, actualmente da freguesia de Loures». Lembro que o concelho de Loures tinha sido formalmente instituído pelo Decreto Real de 22 de julho de 1886 e publicado no "Diario do Governo" n.º 165, de 26 de julho do mesmo ano.

A actual Vila de Caneças fez parte do municípo de Loures até 14 de Dezembro de 1998, passando a integrar o município de Odivelas até 28 de Janeiro de 2013, altura em que a freguesia de Caneças foi extinta, pela reorganização administrativa de 2012/2013, tendo sido agregada à freguesia de Ramada para formar a nova união de freguesias de Ramada e Caneças.


Edifício onde funcionou o "Hotel Costa" em ambas as fotos de 1986

Não consegui saber até quando esteve em funcionamento o "Hotel Costa", mas penso que não terá ultrapassado a segunda década do século XX. Pelo menos em 1912 ainda funcionava. Em 1912, tanto José Telmo Rodrigues Gouveia, último proprietário do "Hotel Costa", como Manoel Nunes, proprietário do "Hotel Progresso", tambem no Largo Vieira Caldas, integravam a direcção da "Irmandade de S. Pedro de Caneças". O primeiro era escrivão e o segundo tesoureiro.

O mesmo edifício em Março de 2026 (via "Google Maps")

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital de Lisboa, Delcampe.net, OdivelasShow (Facebook), Ao Fundo da Minha Rua

23 de setembro de 2026

"Pérola do Rossio"

A loja de chás e cafés "Perola do Rocio", foi fundada por Mário Lopes de Moraes, na Praça de D. Pedro IV, 105 (Rossio, 105). Abriu as suas portas pela primeira vez em 1923, girando sob a firma "Perola do Rocio, Lda." constituída em 26 de Fevereiro de 1923. Anteriormente, ali tinha funcionado uma camisaria de Eduardo Pereira da Costa, e no vizinho nº 104 uma loja de chás e cafés de J. Marques.


A "Perola do Rocio, Lda." ao lado da "Maison Louvre" por volta de 1923


7 de Dezembro de 1923


1930


1934

1938

29 de Julho de 1940

11 de Outubro de 1940


1943


Julho de 1955


Em 1918 já outra "Perola" funcionava na cidade do Porto e ...


No mesmo ano de 1918 

A actual "Pérola do Rossio" permanece nas mãos da mesma família há cerca de três gerações. Aquando do falecimento de Mário Lopes Moraes em 23 de Maio de 1967, sucederam-lhe na sociedade "Pérola do Rocio, Lda." sua filha D. Maria Luísa Morais Pinto e seu genro João Augusto Gregório Pinto. Pela escritura pública datada de 29 de Outubro de 1968, D. Maria Luísa ficou largamente maioritária já que num capital social de 120.000$ a sua quota valia 119.900$ e a de seu marido 100$ ...  em 30 de Dezembro de 1982 num reforço de capital, para 975.000$00 a quota D. Maria Luísa passa para 845.100$ e a de seu marido para 4.900$. A disparidade nas quotas seria anulada quando em 31 de Março de 1992, noutro aumento de capital social, as quotas ficariam iguais: D. Maria Luísa da Conceição Morais Pinto com 1.000.000$ e seu marido João Augusto Gregório Pinto 1.000.000$.

Em abasa as fotos "Pérola do Rossio" à esquerda da "Maison Louvre" em foto de 1961



1997

O interior de a "Pérola do Rossio" é representativo do comércio tradicional da baixa lisboeta, onde é possível observar  moinhos de café, quase centenários e ainda hoje utilizados, e grandes vitrines onde se expõem, devidamente organizados, os bules, as latas de chá e de café, as tradicionais máquinas de balão, vinhos, licores, doces e compotas, bolachas e biscoitos, chocolates e produtos regionais.



Fotos de 2017 in "Lojas com História"

«Mas é de dia que se tem acesso às pérolas que lhe justificam o nome: a especialidade da casa é o café e o chá. Cafés de lote próprio (Pérola do Rossio, Ultramarino, Bar) e de vários cantos do mundo (Brasil, Timor, São Tomé e Príncipe, Colômbia e Guatemala), e ainda lotes ao gosto do cliente. Para acompanhar o café ou o chá, há vinhos, nacionais e estrangeiros, doces e compotas, bolachas e biscoitos, chocolates e não só.
Vale a pena pedir café não só pela sua qualidade mas pela rica coreografia com que o Sr. António o irá embalar. É impressionante rever na sua “dança” quotidiana a perfeição que atinge um gesto mil vezes repetido. Apesar do senhor Sr. António não ter noventa anos de casa, tem umas décadas. Várias décadas a ensaiar esta e outras danças, a receber várias gerações de clientes. Esta Pérola foi fundada em 1923 por Mário Lopes de Moraes e continua na mesma família há três gerações.» in: "Lojas com História".

2017

Entretanto, em 26 de Junho de 2002, a sociedade "Pérola do Rocio, Lda." , com um capital social de 15.000 € era constituída pelos seguintes sócios: Mário João Morais Pinto (9.980€) - filho do fundador - e sua filha Maria Fernanda da Silva Paiva Morais Pinto (5.020€).

Em Março de 2018 o quarteirão onde estava instalada a "Pérola do Rossio", foi comprado pelo grupo espanhol "Mabel Capital", e em Novembro de 2020 aquando da apresentação a aprovação à Câmara Municipal de Lisboa, do projecto de alteração dos edifícios a fim de ali se instalar a "Zara", a "Pérola do Rossio" ficou com a garantia de manter o seu espaço comercial na mesma loja. Seria a única loja a ali manter-se, já que a "Pastelaria Suiça", "Ourivesaria Portugal" e "Casa da Sorte" já tinham encerrado definitivamente. O projecto seria aprovado e a loja de cafés encerraria em 2021 temporáriamente, por três anos enquanto as obras de reabilitação do quarteirão duraram.

Agosto de 2024

A "Pérola do Rossio" só reabriria em 14 de Outubro de 2024, após a abertura no mês anterior da "Zara" - a sua segunda maior loja de pronto-a-vestir em todo o mundo. Continuando a vender vinhos, nacionais e estrangeiros, doces e compotas, bolachas e biscoitos, chocolates, máquinas de café e respectivos acessórios, bules, etc., os seus dois antigos funcionários permaneceram, com o sr. António continuando como gerente.



Sr. António




Fotos anteriores após a reabertura em 14 de Outubro de 2024

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian ("Lojas de um tempo ao outro, Vol II" de Jorge Ribeiro (1938-2006) - FCG 1997), Lojas Com História

20 de setembro de 2026

"A Tipóia" - Casa de Fados

A casa de fados e restaurante "A Tipoia" foi fundada em 15 de Julho de 1950, na rua do Norte, 100-102 ao Bairro Alto, em Lisboa, pela fadista Adelina Ramos (1916-2008) e seu marido José Maria Baptista Coelho. Ambos exerceriam a gerência desta casa nos 25 anos seguintes da sua existência, ficando Adelina Ramos com a direção artistica, com intenção de proporcionar um melhor serviço ao público de Fado, oferecendo-lhe um local apropriado. 


"A Tipoia" na Rua do Norte


Adelina Ramos (1916-2008)


Exemplo de uma Tipoia


15 de Julho de 1950


Adelina Ramos e Jayme Santos na guitarra

Por ali passaram toda a elite do Fado, de onde se destacam os nomes de Manuel de Almeida - que fez parte do cartaz durante 12 anos -, Carlos Ramos, José Ferreira Rosa, Celeste Rodrigues, Tereza Tarouca, Deolinda Rodrigues, Maria da Fé ou Fernanda Baptista, etc.

Adelina Ramos na sua "A Tipoia"



1952


Adelina Ramos, Casimiro Ramos (guitarra) e Nicolau Neves (viola) 


13 de Janeiro de 1953

Celeste Rodrigues e Adelina Ramos

Em 22 de Maio de 1963 o jornal "Diario de Lisboa" noticiava:

«A popular artista Adelina Ramos festeja, no próximo dia 14 de Junho, a abertura do seu restaurante típico «A Tipoia» que há 14 anos foi inaugurado. A castiça cantadeira, que fez parte do escolhido escola de fadistas que actuou no «Retiro da Severa», ao lado das saudosas Maria Emília Ferreira e Rosa Maria, e de Joaquim Campos, José Porfírio, Julio Proença, Alfredo Marceneiro, Alberto Costa, Filipe Pinto e Armandinho, celebra também nessa noite os seus 30 anos de actividade artistica. Decerto, «A Tipoia» vai ser pequena para acolher os inúmeros admiradores daquela festejada fadista, que está organizando a «Noite do fado castiço».


13 de Junho de 1963

Nota: a notícia, e respectivo anúncio publicitário, cometem uma imprecisão. A 14 de Junho de 1963 comemorava-se o 47º aniversário de Adelina Ramos, e não os catorze anos da inauguração de "A Tipoia". Seriam comemorados os treze anos deste estabelecimento (e não catorze), e só em 15 de Julho seguinte. Quanto à carreira artística seriam comemorados os trinta anos, como diz correctamente o anúncio, completados em Março anterior.

7 de Julho de 1962

«Na década de 1960, até antes, foi um espaço de referência do fado e de tertúlia de poeta. Nos inícios da década de 1970, era um espaço onde pontuava o poeta José Carlos Ary dos Santos», afirmou Vítor Duarte Marceneiro. Na década de 70 do século XX, «todas as noites como que em romaria ia lá, com o meu avô, Alfredo Marceneiro, que gostava de ouvir declamar o Ary e apreciava aquele espírito de tertúlia, pois passava por lá toda a gente de Lisboa, como dizíamos na época», recordou ainda.

José Carlos Ary dos Santos n' "A Tipóia" (*)

No jornal "Diario de Lisbôa" de 29 de Outubro de 1971 podia-se ler a propósito: 

« (…) Assim o vai fazendo em Portugal Ary dos Santos. Alguns acusam-no, hoje, de dar recitais todas as sextas-feiras na casa de fados «Tipoia». A esses remoques replica o poeta: 
- Ir à Tipoia não é apenas um gesto de amizade para com Adelina Ramos. É, também, uma atitude de sinceridade para com a Poesia. Nunca a escrevi para «ficar nos livros». Nem nas antologias. E muito menos nas selectas. Fi-la para a servir, às mãos cheias, a pessoas porventura incompletas. Se eu pudesse enchê-las dessa comida, dessa bebida, dessa vida, tornaria meus dois versos portugueses que muito invejo no bom sentido da palavra e que foram escritos por Natália Correia: «Oh subalimentados do sonho/A poesia é para comer!»

De "A Tipoia", o poeta José Carlos Ary dos Santos (1936-1984) só arredou pé porque a "Inspecção Geral dos Espectáculos" disse que ele não podia recitar sem fazer um exame de artista de variedades. Claro que  Ary dos Santos se recusou. Hoje, é impensável mas ... naqueles tempos a história era outra.


E para acompanhar a sessão de fados e guitarradas ...



31 de Março de 1970

Após o 25 de Abril de 1974, "A Tipóia" sofre os efeitos da redução do número de frequentadores, resultante da conotação do Fado com o regime deposto, e consequente afastamento do público deste género musical. As dificuldades desta casa de fados intensificaar-se-iam pela doença irremediável do marido de Adelina Ramos, José Maria Baptista Coelho, que entretanto viria a falecer.

"A Tipoia" na lista de casa de fado, no guia norte americano "Fodor's Portugal 1974" de Eugene Fodor

Adelina Ramos retira-se da vida artística em 1975, mas na história do Fado deixa a contribuição de um espaço que durante décadas foi referência obrigatória, bem como algumas interpretações que lhe valeram as considerações de "voz vibrante e autêntica fadista de raça" ou "a verdadeira fadista de raça" que encontramos nos cartazes dos seus espectáculos.

Quanto à casa de fados "A Tipóia" continuaria a funcionar, com novos proprietários, até encerrar em 1984. Reabriria em Outubro de 1985, com Paulo Gomes proprietário e António Lourival como gerente artístico, tendo o jornal "Diario de Lisboa" publicado, em 12 de Outubro desse ano o seguinte texto:

«Há cerca de um ano que o restaurante típico «A Tipóia», aqui bem perto de nós (Rua do Norte, 100, Lisboa) estava encerrado. Casa prestigiada por grandes elencos artísticos, com um belo «palmarés» no seu historial, não poderia continuar de porta fechada: e, um dia destes, com festa bem rija, convidou os órgãos de Comunicação Social para um «drink» e, entre uma plêiade de vedetas (de Amália Rodrigues a Raul Solnado) fez questão de apresentar o novo «visual» de «A Tipóia» e, simultaneamente, o cartaz que vai marcar as noites lisboetas (Beatriz da Conceição, Judite Maria, Pedro Figueira, o guitarrista António Proença, o viola Filipe Pinto Júnior e ainda António Lourival, que é o director artístico daquela casa típica e, simultaneamente, um dos intérpretes musicais que actuam todas as noites).
Muita gente na festa: Maluda, Albérico Cardoso, António Ribeiro da Cunha, José Pracana, Luz Sá da Bandeira, Carlos Guedes Amorim, Plínio Sérgio, dr. Torres do Vale, Luís Stau Monteiro, dr. Jorge Botelho Moniz e, como dissémos, em ponto alto as graças de Solnado e a classe de Amália. Enfim: «A Tipóia» voltou: todas as noites é um convite.»

Não sei por quantos mais anos se manteve em funcionamento, mas em 1993 ainda aparecia nos guias turísticos estrangeiros.

Adelina Ramos viria a falecer em 26 de Julho de 2008, aos noventa e dois anos de idade, na "Casa do Artista". Adelina Ramos permanece na memória coletiva como uma intérprete de voz singular, uma gestora cultural visionária através da criação da histórica "A Tipóia" e uma das mulheres que mais contribuíram para preservar o espírito genuíno do fado. 

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Museu do Fado, (*) Lisboa Desaparecida de Marina Tavares Dias, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)