Restos de Colecção

1 de abril de 2026

"Soucasaux & Pimenta" - Agente Oficial "Ford"

A firma "Soucasaux & Pimenta, Lda." foi constituída em 1932 na cidade de Oliveira de Azeméis, por Mário Soucasaux e Ernesto Pimenta. Inicialmente abriram a loja "A Renovadora" no Largo da República da mesma cidade, dedicando-se à «Pintura a Juco» de automóveis, importação de acessórios e peças para automóveis, assim como trabalho de estofador automóvel e venda de capotas.

Primeiras instalações da "Soucasaux & Pimenta" no Largo da República, à direita na foto ("Agencia Oficial")


11 de Junho de 1932


12 de Março de 1933

No ano seguinte, em 1933, além da actividade descrita anteriormente juntou a comercialização de peças e acessórios para as marcas "Ford" e "Chevrolet", o que viria a abrir as portas para ser nomeado "Agente Oficial Ford" para o Distrito de Aveiro, em Outubro do mesmo ano de 1933. Passava a comercializar automóveis "Ford" e camions "Fordson", novos e usados. Para isso abriu stand, oficinas e estação de serviço, com serviço de reboque, em dois edifícios no Lugar de Santo António, à entrada de Oliveira de Azeméis, onde ... «Na nossa Estação de Serviço executamos todas as reparações tendo pessoal especialisado e temos sempre diversos carros e camionetes usadas provenientes de trocas que vendemos devidamente reparados facilitando o seu pagamento.»

Novas instalações à entrada de Oliveira de Azeméis, em fotos de 1937





7 de Outubro de 1933

Em 10 de Fevereiro de 1935 o jornal "Defesa de Espinho" noticiava: 

«Fomos informados que num concurso de vendas, aberto pela Ford Luzitana, entre todas as agencias do país, para a temporada do Outono, foram classificados em 1º lugar os agentes do Distrito de Aveiro, snrs. Soucasaux & Pimenta, de Oliveira de Azemeis.
O 1.° prémio consiste numa viagem às fábricas de Dagenham (Londres) para onde deve seguir dentro em breve o sócio dessa firma snr. Ernesto Pimenta.
Apresentamos os nossos cumprimentos aos amigos representantes da firma Soucasaux & Pimenta, pelo triunfo alcançado que demonstra a grande actividade comercial.»

Em 1936 já detinha stands de vendas em S. João da Madeira, Aveiro e Oliveira de Azeméis.


26 de Dezembro de 1936

5 de Março de 1937

Em 2 de Abril de 1938 o jornal "Correio de Azemeis" noticiava:

«Comunicam-nos os srs. Soucasaux & Pimenta, L.", concessionários oficiais nos distritos de Aveiro e Coimbra, da acreditada marca «FORD», do aulomoveis, camionettes e acessorios, que inauguram hoje na Luza Atenas as suas novas instalações, stand, oficina e estação de serviço, etc.
A inauguração coincide com a apresentação das novos modelos «Ford» e «Lincoln».
Hoje, a tarde, no Cinema Avenida, de Coimba, realizar-se-ão duas sessões cinematográficas, com exibições dos filmes «Ford».
A entrada será grátis e por convite.
Desejando á firma Soucasaux & Pimenta, Lda., as maiores prosperidades, agradecemos o convite que nos foi endereçado.»

Em 1941 a "Soucasaux & Pimenta, Lda." é adquirida pelo grande concessionárioi "Ford" da cidade do Porto, a firma "Manuel Alves de Freitas & C.ª, Lda." detentora do conhecido "Palacio Ford", inaugurado em 1923 na Avenida dos Aliados, 157 na mesma cidade. Esta filial do "Palácio Ford" em Oliveira de Azemeis aparecia na publicidade da imprensa da época apenas como "Agencia Ford".

"Agência Ford" de "Manuel Alves de Freitas & C.ª, Lda.", em anúncio de 8 de Agosto de 1942


Stand e oficinas já na posse da "Manuel Alves de Freitas & C.ª, Lda.", desde 1941


25 de Julho de 1969


1970

1971

Actualmente, o agente oficial "Ford" em Oliveira de Azeméis é a empresa "MCoutinho Ford", localizada na Rua Manuel José da Silva. Esta empresa que representa as marcas Ford, Abarth, Alfa Romeo, BMW, Citröen, Dacia, Fiat, Jaguar, Jeep, Kia, Land Rover, Mazda, Mercedes-Benz, Mitsubishi, Opel, Peugeot, Renault, Seat, Smart, Toyota, mantém filiais no Porto, Paredes, Amarante, Marco de Canaveses, Vila Real, Bragança, Oliveira de Azeméis e Espinho.

fotos in: Arquivo Municipal de Oliveira de Azeméis, Biblioteca Municipal de Espinho, Arquivo Fotografico do "Automóvel Club de Portugal"

29 de março de 2026

Quiosque dos Restauradores

O pavilhão/quiosque, vulgo "Quiosque dos Restauradores",  foi construído na muralha de suporte da Praça dos Restauradores com a Rua Jardim do Regedor (desnivelada), e mandada construir em 1863. Em 1922, a Câmara Municipal de Lisboa, encomendou, ao arquitecto João Antunes (1897-1989), seu funcionário desde 1918, o projecto para o aproveitamento interior da muralha - exemplo que viria a ser seguido com a muralha da Rua do Carmo, em 1920 - construindo-se uma sala que, de início, se encontrava ligada ao pavilhão/quiosque no piso superior, (também encomendado ao arquitecto) por uma escada interna. 

Quiosque dos Restauradores

Traseiras do Quiosque para a Rua Jardim do Regedor

Nota: na foto anterior, e se ampliar, verificará a menção à firma "Avenida Café, Lda." mesmo por debaixo do quiosque e na Rua Jardim do Regedor.

Arquitecto João Antunes (1897-1989)

Recordo que foi em 4 de Novembro de 1867 que deu entrada na Câmara Municipal de Lisboa o pedido efectuado pelo artista e escritor D. Thomaz de Mello (1836-1905), para a edificação do primeiro quiosque de Lisboa. Pedido que viria a ser deferido em 20 de Junho de 1868. Na sequência a Câmara Municipal autorizou o seu arquitecto, Domingos Parente da Silva para estudar a sua localização na cidade, considerando os pedidos de D. Thomaz de Mello e, entretanto, de Jose Maria de Porto Miguéis. Em 3 de Agosto de 1876, Charles Marnay pede à Câmara Municipal autorização para a colocação de bancos e poltronas de ferro na Praça dos Restauradores, que serviriam a construção de dois quiosques e um coreto.


Antes da construção do "Quiosque dos Restauradores" e da modificação da muralha



Outros dois quiosques na zona Norte da Praça dos Restauradores

A exploração do "Quiosque dos Restauradores" foi inicialmente entregue à firma "Avenida Café, Lda." recém fundada pelo galego Manuel Outerelo Costa. Por debaixo deste quiosque e na loja da Rua Jardim do Regedor, nº 50, e depois de lá ter funcionado a "Casa dos Mariscos", foi inaugurado no início de 1941 o restaurante e marisqueira "Aquário", também propriedade da firma "Avenida Café, Lda.", que já tinha tomado as lojas do prédio contíguo desde a porta 34. Ou seja, o restaurante "Aquário" ocupava desde a porta 34 à 50 da rua Jardim do Regedor. 


1941

Restaurante e marisqueira "Aquário" já só nos 34-44 da Rua Jardim do Regedor

De referir ainda que a construção do "Quiosque", foi a primeira em Portugal, a ser efectuada em betão armado, seguida da construção do  novo "Theatro do Gymnasio" reaberto em 27 de Novembro de 1925, também da responsabilidade do arquitecto João Antunes. No pináculo de remate da muralha da Rua Jardim do Regedor existiu, até à década de 40 do século XX, um bonito candeeiro desenhado pelo arquitecto José Alexandre Soares (1873-? ). Em 1942, e a pretexto de que o referido candeeiro já não era funcional, os serviços municipais mandaram-no retirar.

Candeeiro no pináculo de remate da muralha da Rua Jardim do Regedor, à esquerda na foto


Candeeiro no pináculo de remate da muralha da Rua Jardim do Regedor, à direita na foto

Em 1950, a "ABEP - Agência de Bilhetes para Espectáculos Públicos, Lda." fundada em 15 de Dezembro de 1949, fica com a exploração do "Quiosque dos Restauradores". É eliminada a escada interior que ligava à sala da Rua Jardim do Regedor, 50, onde continuou a funcionar o restaurante "Aquário", até a Camara Municipal de Lisboa, tomar posse do nº 50 e ali instalar um "Posto de Turismo", nos anos 60 do século XX, e que perdura até aos nossos dias.

"Quiosque dos Restauradores", em 1952 e já sem o candeeiro no pináculo

10 de Junho de 1950

16 de Junho de 1955

Ambas as fotos de 1973



Posto de Turismo "Y Lisboa", em foto de 2009

Em Dezembro de 1985 a "ABEP - Agência de Bilhetes para Espectáculos Públicos, Lda." , tinha a sua sede localizada na Avenida da Liberdade, 140, r/c frente, em Lisboa e era formada pelos seguintes sócios: José Fernandes Leirias, Adriano Rodrigues Leiria, Aurélio Duarte Soares e Aurélio Esteves Soares.

Tendo completado nesta década do século XXI o seu centenário, o "Quiosque dos Restauradores" continua a albergar a "ABEP".


Foto de Carmo Lopes via "Flickr"


À direita na foto, o Posto de Turismo "Ask Me Lisboa", na porta nº 50


Actual Posto de Turismo "Ask Me Lisboa", em 2024


Interior da "Ask Me Lisboa"

25 de março de 2026

Leitaria Araújo

A "Nova Leitaria do Camões", localizada na Praça Luiz de Camões, 41, em Lisboa, terá aberto pela primeira vez em 1923 sendo na altura propriedade da firma "Araujo & Araujo", e veio substituir o antigo "Capilé do Camões". Em 1937, já aparecia como pertencendo a José Esteves Araujo. Ostentava no seu início um placard publicitário em que referia "Antigo Capilé do Camões", e um pormenor importante «Aberto toda a noite» ...


1933


Possívelmente o "Capilé do Camões", ao lado do "Ascensor Camões-Estrela" (entre os dois toldos) e que deixou de funcionar em 1913, durante a "Procissão do Entêrro"

Com se pode ler na fachada deste estabelecimento ali se vendiam os seguintes produtos: pastéis de Belém, limonadas, xaropes, capilé gelado, Guaraná, águas de mesa minerais, gazosas, carapinhadas, champagne, licores, vinhos do Porto e da Madeira, tabacos, chás e torradas, etc. Enfim, um manancial de bebidas para todos os gostos, além do pormenor importante de permanecer aberta toda a noite .


Com grande probabilidade o sr. José Araújo nesta foto e na do anúncio seguinte

1937

Nesta loja, nº 41, tinha estado instalada antes, a loja de fogões e utensílios para cozinha de Joaquim Ignacio dos Santos, conforme fotos seguintes. A seguir, no nº 42, a loja de loterias e tabacos de João Gomes da Costa, que viria a ser substituída, em 1918, pela "Papelaria Camões".


No nº 41 (2ª porta a contar da esquerda) a loja de Joaquim Ignacio dos Santos


No nº 40 (1ª porta a contar da esquerda e na esquina com a Rua das Gáveas), a Antiga Tabacaria Justino de Antonio Pedro da Silva


1905

A partir da década de 40 do século XX já esta leitaria tinha a designação de "Leitaria e Pastelaria Araújo", - na foto seguinte tirada após 1943, já que a empresa "Movex, Lda", fundada em 1943 e instalada no primeiro andar,  aqui alvo de um incêndio - para anos mais tarde passar a chamar-se apenas "Leitaria Araújo". E foi com esta última denominação que encerrou nos finais dos anos 60 do século XX.


Incêndio nos escritórios da "Movex, Lda.", por cima da "Leitaria e Pastelaria Araújo" e "Papelaria Camões"

"Leitaria Araújo" com a "Papelaria Camões" a seu lado, em foto de Março de 1965


"Leitaria Araújo" encerrada em finais dos anos 60 do séc. XX ( foto in: "Lisboa Desaparecida" Vol. IV de Marina Tavares Dias)

Na foto seguinte (in: "Lisboa Desaparecida" Vol. IV de Marina Tavares Dias) pode-se ver à direita da "Leitaria Araújo" (na foto) e da esquerda para a direita: a "Papelaria Camões" (encoberta pela camioneta), a loja da "Companhia União Fabril", e a "Leitaria Trevo, Lda.", já na esquina com a Rua da Misericórdia. 



A concorrência 3 portas abaixo, na esquina com a Rua da Misericórdia, em anúncio de 24 de Dezembro de 1934

Como já referi anteriormente, a "Leitaria Araújo" encerrou definitivamente em finais dos anos 60 do séc. XX.

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa