Restos de Colecção

5 de novembro de 2026

"Hotel Aliança" no Porto

O "Hotel Aliança" teve origem na "Hospedaria Ingleza" propriedade de Mary Castro, (mãe do tenor Frank de Castro) instalada no mesmo edifício, desde Fevereiro de 1865 na, ainda, Rua do Sá da Bandeira, 1 (actual Rua Sampaio Bruno), esquina com a Rua do Bonjardim, na cidade do Porto. Depois de transformada em "Hotel Inglez de Mary Castro" passou a chamar-se "Hotel Alliança" no início da década de 80 do século XIX.


No "Commercio do Porto" de 12 de Fevereiro de 1865

Já em 1856, Mary Castro era proprietária da "Hospedaria Ingleza" ("English Hotel") na Rua da Reboleira, 60 (ou 55) na freguesia de São Nicolau, também no Porto, que ali existiu até Dezembro de 1870, altura em que a "Hospedaria Ingleza" é transferida para a Rua Sá da Bandeira,1 com a denominação de "Hotel Inglez de Mary Castro". Quanto ao "Hotel Inglez", na Rua da Reboleira, 55, e segundo jornal "O Commercio do Porto" de 12 de Fevereiro de 1865: «Tem cômodos para 12 pessoas e os preços são de 800 a 1$600 réis com comida.»


"Hospedaria Ingleza" ("English Hotel") no "A Handbook for Travellers in Portugal (1856) de John Murray


11 de Novembro de 1857

Em finais de 1864, Mary Castro fecha o seu "Hotel Inglez" no Passeio Alegre, só voltando a S. João da Foz em Junho de 1867, instalando-se na Rua das Mottas, 48, junto ao Passeio Alegre.


Na primeira esquina, o início da Rua das Mottas do "Hotel Inglez", no Passeio Alegre na Foz

Nota: No postal anterior e no primeiro edifício à esquerda com arvoredo, o casino "High-Life" onde «Os puritanos, os caturras da jogatina repeliram a rolêta, e continuaram a frequentar a batota do high-life no Passeio Alegre; os encanzinados no vicio do jogo, ultra-viciosos, frequentavam a roléta e a batota. - accumulavam.» in: "Porto há trinta anos" de Alberto Pimentel (1893).

Acerca de clubs e casinos na Foz do Douro, consultar neste blog o seguinte link: "Clubs e Casinos na Foz do Douro"

30 de Agosto de 1864


20 de Junho de 1867


"Hotel Inglez" e posteriormente "Pensão Mary Castro", na Rua das Mottas, 48 em S. João da Foz

Em 1870 a "Hospedaria Ingleza" na Rua Sá da Bandeira, passa a "Hotel Inglez de Mary Castro" em substituição do "Hotel Inglez" na Rua da Reboleira.

8 de Dezembro de 1870

«Suppomos que as casas em que viveu a familia Pedrossem, na rua da Reboleira, são a grande casa ameiada onde esteve o hotel Mary Castro, e que hoje sâo propriedade do rico negociante d'esta praça o snr. Francisco Cardoso Valente, e também nos dizem que entre outras quintas possuíram a quinta da Pena, em Villar, na freguezia de Massarellos.» in: "Portugal Antigo e Moderno" de Augusto Pinho Leal (1873).

Edifício de esquina «a grande casa ameiada onde esteve o hotel Mary Castro» na Rua da Reboleira

Quanto a este "Hotel Inglez", e depois de traduzido do inglês, reproduzo um trecho dum guia inglês, acerca referindo-se ao mesmo:

«Atravessámos a colina a um ritmo vertiginoso, cruzámos lentamente a ponte suspensa, sob o salutar temor de uma eventual penalização, e avançámos aos solavancos pelas ruas mais estreitas, ladeadas por casas altas que quase se tocavam por cima das nossas cabeças, até que parámos diante do hotel, universalmente conhecido como Hotel Mary Castro, nome que lhe advém da excelente proprietária, que o dirige há muitos anos e que é inglesa de nascimento. Embora o hotel tenha, sem dúvida, uma designação oficial, sou inteiramente incapaz de a registar, pois nunca o ouvi designar por outro nome que não Hotel Castro.
Os nossos quartos davam para o Douro, um rio de dimensões consideráveis, profundo e de corrente bastante rápida. E, embora a entrada do hotel se situasse numa das ruas mais escuras, sombrias e sujas que se possam imaginar, despertando preconceitos desfavoráveis no viajante acabado de chegar, encontrámos alojamento muito satisfatório em todos os aspetos. Assim, o Hotel Castro tornou-se o nosso ponto de apoio, tanto durante a nossa estadia no Porto como nas excursões que fizemos pelos arredores.»

A principal clientela dos hotéis de Mary Castro começou por ser de origem inglesa, mas rapidamente cativou clientes portugueses, nomeadamente uma certa elite literária e cultural, a mencionar … Camilo Castelo Branco, Júlio César Machado, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Raúl Brandão, António Nobre e José Rodrigues Miguéis.



Carta a Alberto Braga do livro "Cartas de Camillo Castello Branco" em 1878

«O amigo Braga corresponde ao solicitado e comunica-lhe os dados que obteve sobre o hotel: "No primeiro andar, os quartos não são muito espaçosos; mas são os destinados para famílias. A mobília não é luxuosa; mas há nela o asseio britânico muito conhecido". Sublinha ainda a deferência com que a proprietária pretende tratar Camilo Castelo Branco: "Disse-me Mary Castro que, atendendo a honra que o hotel recebe hospedando o primeiro romancista da península, pode, sem aumento de preço (1$400 réis diários por pessoa), atapetar o quarto que escolher. Os quartos que mais convém a V. Exª e à Exmª Srª D. Ana Plácido são do primeiro andar, contíguos, sem comunicação interior; porque nenhum quarto da casa a tem. A amabilidade de Mary Castro vai ao ponto de considerar isentá-lo do pagamento da taxa de 60 réis, devidos normalmente "por cada garrafa de vinho que o hóspede desarolha, não sendo fornecida pelo hotel".» in: "Hotéis Literários de Portugal" coordenado por Sílvia Quinteiro (2022).

Quanto à zona da Foz e Passeio Alegre o mesmo livro "Portugal Antigo e Moderno" de Augusto Pinho Leal (1873) referia:

«Ha cinco hospedarias, tambem ordinarias, a que é alguma cousa soffrivel é a de M.me Mary Castro. A melhor foi feita em 1874, e pertence à senhora D. Maria Henriqueta de Mello Lemos e Alvellos.
Não ha una casa de assembleia, um theatro nem um botequim decente!»

Em 1880, o "Hotel Inglez de Mary Castro", é substituído pelo "Hotel Alliança", propriedade de João Rezende, que mantinha a "Hospedaria Rezende" (sucessor de Bento Izidoro) na mesma Rua Sá da Bandeira, 14.


20 de Agosto de 1883

No ano seguinte, e em 7 de Fevereiro de 1884, é fundada a casa de câmbios "Casa António Nunes Borges & Irmão", que entra em funcionamento no piso térreo do prédio do "Hotel Alliança", a 27 de Fevereiro do mesmo ano. 

"Casa António Nunes Borges & Irmão" no edifício do "Hotel Alliança"

Mary Castro viria a falecer a 27 de Fevereiro de 1898, com 75 anos e conforme o "Register of the British Cemetry, OPorto." cujo excerto publico de seguida. Neste registo aparece como sendo espanhola, mas tendo sido sepultada neste cemitério inglês, decerto tinha ascendências inglesas.

Em 19 de Setembro de 1911 o "Hotel Alliança" era propriedade de Antonio Joaquim da Rocha Guimarães, que solicita autorização «colocar uma marquise de ferro coberta a vidro com o comprimento de 3mts x 2,10mts e , substituir a porta existente por uma outra nova na entrada do mesmo hotel (…)» 

Em 23 de Junho de 1919 a firma "Tabacaria Alliança, Limitada", «desejando fazer a instalação do seu estabelecimento de vendas de tabacos, loterias e papel sellado, na Rua de Sá da Bandeira, nº 49 e 51, e precisando para isso de fazer umas pequenas obras na loja onde primitivamente estava uma barbearia, de acordo com o projecto junto para o qual pede a devida aprovação.» 

Nota: na primeira foto deste artigo pode-se observar esta tabacaria na frontaria do Hotel

Em 1932 era esta a lista de hotéis existentes na cidade do Porto ...

1932



1934

6 de Abril de 1939

Em 1939, no guia "Hoteis e Pensões de Portugal", o "Hotel Aliança" tinha como gerente José Neto Leal Júnior e com a s seguintes características:

Categoria: 3ª
Quartos: 46
Pequeno Almoço: 2$50
Almoço: 13$00
Jantar: 14$00
Diária: 30$00 - 45$00


1 de Junho de 1941



1958

Em 1962:

Categoria: 3ª
Quarto s/ banho: 35$00 - 50$00  e c/ banho: 85$00 (preços p/pessoa)
Pequeno Almoço: 8$00
Almoço: 30$00
Jantar:  30$00
Diária: 30$00 - 45$00

Em 7 de Dezembro de 1944, os proprietários do "Hotel Aliança", os irmãos António e José Abrantes Jorge, compraram o "Grande Hotel da Batalha", na Praça da Batalha, 106-110 no Porto.

A "Pensão Mary Castro", com os seus 12 quartos sobreviveu muitas décadas na Rua das Motas, 48, até ser transformada numa casa particular. A última referênca a esta pensão, a que tive acesso, foi no guia turístico inglês "Fofor's Portugal" de 1992.

11 de Julho de 1931


No guia inglês "Fodor's Portugal" de 1992


ex-"Pensão Mary Castro", actualmente uma casa particular (foto em 2024 de David Zamith)

Atualmente no lugar no "Hotel Aliança", e desde Agosto de 2017, está instalado o "Eurostars Porto Centro" de 4 estrelas e com 74 quartos, que como é meu hábito aqui deixo umas fotos actuais.





fotos in:  Arquivo Municipal do Porto, Foto-Porto (Facebook), Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal Sophia de Mello Breyner, Eurostars Porto Centro, Delcampe.net, Biblioteca Nacional Digital, Archive.org

1 de novembro de 2026

"Angulo" - Relojoaria

A relojoaria "F. Angulo" terá sido fundada em 1876, pelo relojoeiro espanhol Faustino Angulo y Barrio (1831-1897), na Rua Bella da Rainha (actual Rua da Prata), 148, junto à esquina da Igreja de São Nicolau, em Lisboa.  Apesar de pequena, teve a sua importância chegando a ter relógios com a sua marca. Curiosidade o facto de a relojoaria se situar numa esquina, que na altura se designava por «angulo» - neste caso, angulo da Rua Bella da Rainha com a Rua de S. Nicolau - coincidir com o nome do proprietário. Pura coincidência ou provavelmente não.

Tabacaria no primeiro toldo, onde funcionou a "Angulo" Relojoeiro, em foto dos anos 50 do séc. XX


21 de Julho de 1876


Mostrador de relógio de bolso, em esmalte de "F Angulo"


24 de Agosto de 1876

Por altura da provável fundação da relojoaria "F. Angulo", o jornal "Diario Illustrado" de 9 de Novembro de 1876 recomendava:

«E' digna de recommendação a relojoaria do sr. F. Angulo, na Rua da Prata nº 148.
Alem do variado sortimento de relogios de ouro, prata e americanos que possui, recebeu directamente de Paris relogios de primeira ordem, proprios para casa de jantar, escriptorio, e para viagem por preços sem competencia.»

13 de Outubro de 1877

No ano seguinte, o mesmo jornal, em 13 de Outubro de 1877, informava:

«E' admiravel o sortimento de relogios que se encontra na acreditada relojoaria do sr. F. Angulo na rua da Prata, nº 148.
N'este estabelecimento fazem-se as transaccoes com a maior lisura, o que tem dado muitos creditos, e merecidos, ao seu proprietario.»

Praticamente desde a sua fundação esta relojoaria teve sempre como seu vizinho, na porta 146 o conhecido "Rodrigues Oculista", onde o seu fundador Marcos Jose Barreiros ali tinha iniciado a sua actividade em 1787. Acerca da história deste oculista consultar neste blog o seguinte link: "Rodrigues Oculista".

Em 1880 a relojoaria já tinha alterado a sua denominação de "Relojoaria F. Angulo" para "Angulo" Relojoeiro. Em 13 de Junho de 1880, o "Diario Illustrado" informava ... «A relojoaria Angulo estabelecida na rua da Prata, 148, é uma das que apresenta melhor e mais variado sortimento de relogios, tanto de parede como de algibeira. Os que ultimamente recebeu de Paris são lindissimos e bastante reduzidos no preço.»

12 de Junho de 1880

Em 1885 já também negociava com bilhares, intitulando-se como «Unica e exclusiva agencia em Portugal dos acreditados bilhares francezes de Durand & C.ª, para palacios, palacetes, casas particulares, casas de campo, praias e estabelecimentos.»

1885

1886

Faustino Angulo y Barrio faleceu em 1897, passando a propriedade da relojoaria para a viúva, D. Maria José Gonçalves Angulo y Barrio, pelo que em 1904, já a denominação da relojoaria aparecia como "Viuva de Angulo".


1904

Nota: excerto de lista de Relojoarias, retirado do "Anuario del comercio, de la industria, de la magistratura y de la administración" na "Hemeroteca Digital" da "Biblioteca Nacional de España".

Em 1918, a relojoaria já tinha sido trespassada a Antonio P. Gomes, que a altera a denominação para "Casa Angulo", permanecendo no nº 148 da Rua da Prata até ao ano de 1922, ano em que se muda para o outro lado da Rua da Prata, para o nº 149., mesmo em frente ao 148, mas já não sendo num «angulo».


6 de Novembro de 1918


Já na nova loja, em 25 de Dezembro de 1922

Não sei quando a "Casa Angulo" terá encerrado definitivamente, mas aqui fica o último anúncio publicitário a que tive acesso ...


Anúncio de 1 de Abril de 1924 (o texto era igual ao de 1922)

Atualmente, a loja onde funcionou a relojoaria "Angulo", alberga uma loja de T-Shirts estampadas, de seu nome "Teevolution", e que possui sucursal na Avenida Guerra Junqueiro, em Lisboa.


Onde funcionou a "Angulo" Relojoeiro. Hoje a "Teevolution", na Rua da Prata, 148

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Estação Chronographica, Biblioteca Nacional Digital

28 de outubro de 2026

Restaurante "A Gondola"

O restaurante italiano "La Gôndola", (após 1957 denominado "A Gondola"), foi fundado pelo casal italiano Enrico Mandillo e Maddalena Ranedda, em Julho de 1943, na Avenida de Berne, 64, em Lisboa. Abria primeiro restaurante italiano em Lisboa. Para tal, arrendaram numa moradia construída, na Avenida de Berne, em Lisboa, por Júlio Salustiano Rodrigues em 1928, tendo sido propriedade do médico e arqueólogo Fernando António de Almeida e Silva Saldanha, desde 1939, que a arrendou ao casal de italianos, pela quantia de 3.200$00 mensais. 

Restaurante "A Gondola" em 1971


Localização de "A Gondola" na Avenida de Berne, junto à Praça de Espanha


Alçado principal do projecto final, de 1928

«La Gôndola conheceu a luz do dia poucos meses depois de Enrico Mandillo e Maddalena Ranedda fugirem juntos de Itália e se instalarem em Lisboa, no fim da Segunda Guerra Mundial. Ele um poeta, jornalista, oficial da Marinha e adepto do fascismo italiano. Ela, quem dominava o requinte de uma cozinha italiana e, mais tarde, portuguesa. Enrico e Maddalena não viveram o suficiente para ver hoje as cinzas do que foi, em tempos, o primeiro restaurante italiano de Lisboa.» in: "Diario de Notícias" de 1 de Setembro de 2018.

Enrico Mandillo, Maddalena Ranedda e filha


14 de Julho de 1949

Com o mesmo nome, e em 1940, era fundada por italianos, em Leça da Palmeira, Matosinhos, uma fábrica de conservas com a mesma denominação: Fábrica de Conservas "La Gondola", que foi das primeiras industrias conserveiras no Norte de Portugal. Ainda está actualmente em pleno funcionamento.

Por escritura pública de 27 de Fevereiro de 1951 "La Gondola" passa a funcionar sob a firma "Restaurante A Gôndola, Lda." constituída entre José Bom Rodrigues e Joaquim Alberto Pereira, com um capital social de 20.000$, pertencendo uma quota de 10.000$ a cada sócio. A nova gerência entraria em funções a partir de 1 de Março de 1951.

21 de Maio de 1951

Em 17 de Abril de 1951 o jornal "Diario de Lisbôa" publicava o seguinte artigo intitulado « "La Gondola" um maravilhoso restaurante com serviço no jardim e uma elegante esplanada»:

«Ao grandioso esforço, persistencia e muita vontade de dois rapazes se fica devendo esta grande iniciativa. Numa artéria tão populosa e desenvolvida, onde se têm levantado nestes ultimos anos majestosos edificios, aberto muitas casas comerciais e industriais e onde se conta já grande numero de escritórios de consignações e representações, sentia-se a falta de uma casa com condições de bem servir sem ser necessário recorer aos restaurantes da «Baixa».
Assim, numa acertada visão, os srs. José Bom Rodrigues e Joaquim Alberto Pereira, dois nomes sobejamente conhecidos no nosso
ramo culinário, pois são dois hábeis ex-«maitre» do Aviz-Hotel, não hesitaram meter mão á obra, e, numa moradia própria, na Avenida de Berna, n.° 60, junto de Palhavã, abriram um elegantissimo restaurante a que deram o nome de «La Gondola».
Numa rápida visita que nos foi proporcionada tivemos o prazer de admirar algumas das dependencias já concluidas como sejam uma vistosa sala de jantar bem decorada e elegantemente mobilada e o acolhedor «bar» abastecido de todas as qualidades de bebidas nacionais e estrangeiras. Apesar de ainda não esterem abertas todas as dependencias, estão já em laboração estas duas com serviço de almoços, jantares e «bar» e a maneira como se apresentam assim como o seu optimo serviço são a garantia de um êxito certo. A Outra sala de jantar do «La Gondola» de grandes dimensoes que brevemente se inaugura servira para receber excursionistas, organizar banquetes, «cock-taills», lanches de casamento, festas, etc.
Outro grande melhoramento nos espera: adaptação do seu lindo jardim para receber os clientes, onde serão servidas refeições á sombra de lindos roseirais e árvores de frutos, num ambiente totalmente diferente do pouco que entre nós existe neste género. Uma esplanada servirá igualmente para passar alegres noites onde uma melodiosa orquestra tocara trechos de musica clássica e ligeira.
Desta forma toda a Lisboa poderá, dentro de breves dias, admirar tão util empreendimento onde predominara a colónia estrangeira, principalmente a italiana, pois a cozinha de «La Gondola» é tipicamente italiana e o pessoal falará vários idiomas, especialmente o inglês, francês e italiano.
E' digno de louvor o empreendimento dos srs. Jose Bom Rodrigues e Joaquim Alberto Pereira e estamos certos de que o publico, cada vez mais exigente, saberá dispensar-lhe o devido acolhimento.»


29 de Fevereiro de 1952


7 de Dezembro de 1953


Postal


30 de Outubro de 1958

Em 28 de Julho de 1986, por ocasião dum aumento de capital de 400.000$ para 1.000.000$ a sociedade "Restaurante A Gondola, Lda." era constituída pelos sócios Garcília das Dores Borges Fontinha e José António Teixeira.


Nova alteração do pacto social, ocorreria em 20 de Junho de 1994. A sociedade passava a ser constituída por Garcília das Dores Borges Fontinha, João Pedro Borges Fontinha e Rui Manuel Borges Fontinha.

Finalmente em 12 de Janeiro de 2001, Garcília das Dores Borges Fontinha cessa as funções de sócia-gerente e a firma, cujo capital social é aumentado de 1.000.000$ para 6.000 €, passa a ser constituída por Mário Reis Ribeiro e Luis Alberto Pinho Dupont. Este último cessaria funções de gerência em 31 de Julho de 2003.





Em 14 de Novembro de 2011, os gerentes D. Júlia Ribeiro e Eduardo Street relatavam à revista "Nova Gente":

« "La Gondola vai acompanhando o percurso de várias gerações. Clientes que têm filhos, fazem casamentos aqui e os filhos têm netos", contam, acrescentando que o segredo da casa, além de aromas bem confecionados e apurados, é um leque vasto de eventos, que mostram as valências dos clientes. "Todas as quartas-feiras temos música ao vivo, desde fado de Coimbra a canções de jazz. Também fazemos exposições de pintura, de clientes que são grandes mestres", explica Street.».

Aquando do encerramento definitivo de "A Gondola", em entrevista a João Pedro Pincha do jornal "Público" em 31 de Julho de 2017, a proprietária D. Júlia Ribeiro lamentava-se:

«O La Gondola, restaurante "irrepetível" de Lisboa, fecha esta semana.
"Isto faz parte do nosso colectivo emocional. É irrepetível”, diz, já no fim da conversa, quando se levanta a hipótese de continuar o projecto noutro local. O La Gondola é um restaurante, sim, mas é mais do que isso. "Não é apenas um refúgio, é um estado de espírito", como certa vez escreveu um crítico gastronómico mistério na revista Sábado, que afinal é cliente assíduo da casa. “Procurei um espaço com estas características, não apareceu. E o que apareceu foi a preços incomportáveis”, explica Júlia Ribeiro, sentada a uma mesa daquela esplanada, onde quase se esquece o incessante barulho dos carros a passar.»


Pouco tempo antes do seu encerramento definitivo

O Restaurante "La Gondola", ainda gerido por D. Júlia Ribeiro e Eduardo Street, encerrou definitivamente em 6 de Agosto de 2017. O terreno onde estava implantada a moradia, pertença do "Montepio Geral", estava destinado à construção de um edifício de serviços, que nunca chegou a ser construído, restando, ainda hoje em 2026, uns tapumes da CML  ...

O espaço outrora ocupado por "La Gondola", actualmente (via Google Maps)

Em Bragança existe , actualmente, um restaurante pizzaria com o nome "A Gôndola".

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa