Restos de Colecção

29 de março de 2026

Quiosque dos Restauradores

O pavilhão/quiosque, vulgo "Quiosque dos Restauradores",  foi construído na muralha de suporte da Praça dos Restauradores com a Rua Jardim do Regedor (desnivelada), e mandada construir em 1863. Em 1922, a Câmara Municipal de Lisboa, encomendou, ao arquitecto João Antunes (1897-1989), seu funcionário desde 1918, o projecto para o aproveitamento interior da muralha - exemplo que viria a ser seguido com a muralha da Rua do Carmo, em 1920 -  construindo-se uma sala que, de início, se encontrava ligada ao  pavilhão/quiosque no piso superior, (também encomendado ao arquitecto) por uma escada interna. 

Quiosque dos Restauradores

Traseiras do Quiosque para a Rua Jardim do Regedor

Nota: na foto anterior, e se ampliar, verificará a menção à firma "Avenida Café, Lda." mesmo por debaixo do quiosque e na Rua Jardim do Regedor.

Arquitecto João Antunes (1897-1989)

Recordo que foi em 4 de Novembro de 1867 que deu entrada na Câmara Municipal de Lisboa o pedido efectuado pelo artista e escritor D. Thomaz de Mello (1836-1905), para a edificação do primeiro quiosque de Lisboa. Pedido que viria a ser deferido em 20 de Junho de 1868. Na sequência a Câmara Municipal autorizou o seu arquitecto, Domingos Parente da Silva para estudar a sua localização na cidade, considerando os pedidos de D. Thomaz de Mello e, entretanto, de Jose Maria de Porto Miguéis. Em 3 de Agosto de 1876, Charles Marnay pede à Câmara Municipal autorização para a colocação de bancos e poltronas de ferro na Praça dos Restauradores, que serviriam a construção de dois quiosques e um coreto.


Antes da construção do "Quiosque dos Restauradores" e da modificação da muralha



Outros dois quiosques na zona Norte da Praça dos Restauradores

A exploração do "Quiosque dos Restauradores" foi inicialmente entregue à firma "Avenida Café, Lda." recém fundada pelo galego Manuel Outerelo Costa. Por debaixo deste quiosque e na loja da Rua Jardim do Regedor, nº 50, e depois de lá ter funcionado a "Casa dos Mariscos", foi inaugurado no início de 1941 o restaurante e marisqueira "Aquário", também propriedade da firma "Avenida Café, Lda.", que já tinha tomado as lojas do prédio contíguo desde a porta 34. Ou seja, o restaurante "Aquário" ocupava desde a porta 34 à 50 da rua Jardim do Regedor. 


1941

Restaurante e marisqueira "Aquário" já só nos 34-44 da Rua Jardim do Regedor

De referir ainda que a construção do "Quiosque", foi a primeira em Portugal, a ser efectuada em betão armado, seguida da construção do  novo "Theatro do Gymnasio" reaberto em 27 de Novembro de 1925, também da responsabilidade do arquitecto João Antunes. No pináculo de remate da muralha da Rua Jardim do Regedor existiu, até à década de 40 do século XX, um bonito candeeiro desenhado pelo arquitecto José Alexandre Soares (1873-? ). Em 1942, e a pretexto de que o referido candeeiro já não era funcional, os serviços municipais mandaram-no retirar.

Candeeiro no pináculo de remate da muralha da Rua Jardim do Regedor, à esquerda na foto


Candeeiro no pináculo de remate da muralha da Rua Jardim do Regedor, à direita na foto

Em 1950, a "ABEP - Agência de Bilhetes para Espectáculos Públicos, Lda." fundada em 15 de Dezembro de 1949, fica com a exploração do "Quiosque dos Restauradores". É eliminada a escada interior que ligava à sala da Rua Jardim do Regedor, 50, onde continuou a funcionar o restaurante "Aquário", até a Camara Municipal de Lisboa, tomar posse do nº 50 e ali instalar um "Posto de Turismo", nos anos 60 do século XX, e que perdura até aos nossos dias.

"Quiosque dos Restauradores", em 1952 e já sem o candeeiro no pináculo

10 de Junho de 1950

16 de Junho de 1955

Ambas as fotos de 1973



Posto de Turismo "Y Lisboa", em foto de 2009

Em Dezembro de 1985 a "ABEP - Agência de Bilhetes para Espectáculos Públicos, Lda." , tinha a sua sede localizada na Avenida da Liberdade, 140, r/c frente, em Lisboa e era formada pelos seguintes sócios: José Fernandes Leirias, Adriano Rodrigues Leiria, Aurélio Duarte Soares e Aurélio Esteves Soares.

Tendo completado nesta década do século XXI o seu centenário, o "Quiosque dos Restauradores" continua a albergar a "ABEP".


Foto de Carmo Lopes via "Flickr"


À direita na foto, o Posto de Turismo "Ask Me Lisboa", na porta nº 50


Actual Posto de Turismo "Ask Me Lisboa", em 2024


Interior da "Ask Me Lisboa"

25 de março de 2026

Leitaria Araújo

A "Nova Leitaria do Camões", localizada na Praça Luiz de Camões, 41, em Lisboa, terá aberto pela primeira vez em 1923 sendo na altura propriedade da firma "Araujo & Araujo", e veio substituir o antigo "Capilé do Camões". Em 1937, já aparecia como pertencendo a José Esteves Araujo. Ostentava no seu início um placard publicitário em que referia "Antigo Capilé do Camões", e um pormenor importante «Aberto toda a noite» ...


1933


Possívelmente o "Capilé do Camões", ao lado do "Ascensor Camões-Estrela" (entre os dois toldos) e que deixou de funcionar em 1913, durante a "Procissão do Entêrro"

Com se pode ler na fachada deste estabelecimento ali se vendiam os seguintes produtos: pastéis de Belém, limonadas, xaropes, capilé gelado, Guaraná, águas de mesa minerais, gazosas, carapinhadas, champagne, licores, vinhos do Porto e da Madeira, tabacos, chás e torradas, etc. Enfim, um manancial de bebidas para todos os gostos, além do pormenor importante de permanecer aberta toda a noite .


Com grande probabilidade o sr. José Araújo nesta foto e na do anúncio seguinte

1937

Nesta loja, nº 41, tinha estado instalada antes, a loja de fogões e utensílios para cozinha de Joaquim Ignacio dos Santos, conforme fotos seguintes. A seguir, no nº 42, a loja de loterias e tabacos de João Gomes da Costa, que viria a ser substituída, em 1918, pela "Papelaria Camões".


No nº 41 (2ª porta a contar da esquerda) a loja de Joaquim Ignacio dos Santos


No nº 40 (1ª porta a contar da esquerda e na esquina com a Rua das Gáveas), a Antiga Tabacaria Justino de Antonio Pedro da Silva


1905

A partir da década de 40 do século XX já esta leitaria tinha a designação de "Leitaria e Pastelaria Araújo", - na foto seguinte tirada após 1943, já que a empresa "Movex, Lda", fundada em 1943 e instalada no primeiro andar,  aqui alvo de um incêndio - para anos mais tarde passar a chamar-se apenas "Leitaria Araújo". E foi com esta última denominação que encerrou nos finais dos anos 60 do século XX.


Incêndio nos escritórios da "Movex, Lda.", por cima da "Leitaria e Pastelaria Araújo" e "Papelaria Camões"

"Leitaria Araújo" com a "Papelaria Camões" a seu lado, em foto de Março de 1965


"Leitaria Araújo" encerrada em finais dos anos 60 do séc. XX ( foto in: "Lisboa Desaparecida" Vol. IV de Marina Tavares Dias)

Na foto seguinte (in: "Lisboa Desaparecida" Vol. IV de Marina Tavares Dias) pode-se ver à direita da "Leitaria Araújo" (na foto) e da esquerda para a direita: a "Papelaria Camões" (encoberta pela camioneta), a loja da "Companhia União Fabril", e a "Leitaria Trevo, Lda.", já na esquina com a Rua da Misericórdia. 



A concorrência 3 portas abaixo, na esquina com a Rua da Misericórdia, em anúncio de 24 de Dezembro de 1934

Como já referi anteriormente, a "Leitaria Araújo" encerrou definitivamente em finais dos anos 60 do séc. XX.

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa

22 de março de 2026

Lojas "Dardo"

A empresa "Dardo, Lda." - vulgo "Dardo" - foi fundada no primeiro trimestre de 1947, na Avenida da Liberdade, 3 - 3º andar, em Lisboa e onde funcionava o conhecido café "Palladium". Não consegui saber os nomes dos seus proprietários. Começou como representante do fabricante americana de rádios "Philco", ao que se lhe juntaria a representação das máquinas de costura italianas "Borletti".

Loja "Dardo" da Avenida da Liberdade, 131


Edifício onde foi fundada a "Dardo, Lda." , no 3º andar em 1947


30 de Dezembro de 1950

Em finais de 1955, a "Dardo" abre a sua primeira loja ao mudar-se para a mesma Avenida da Liberdade nº 131, onde tinha funcionado desde 10 de Novembro de 1941 o "Café Cristal" e o seu "Bar-Dancing Cristal". Por altura da sua abertura, o "Bar-Dancing Cistal" já tinha sido subsituído pelo "Pasapoga". Quanto à "Dardo",  já era vasta a sua oferta em candeeiros, electrodomésticos, televisões, rádios, etc. 


"Dardo" e entrada para o bar-dancing "Pasapoga", em 1955 

Anúncio das máquinas de costura italianas "Borletti" com a "Dardo" como uma das suas agentes, e já na sua loja, no 131 da Avenida da Liberdade ...


27 de Novembro de 1955


"Café Cristal" aquando da sua inauguração a 10 de Novembro de 1941

Nota: acerca da historia do café, bar-dancing "Cristal", consultar neste blog o seguinte link: "Café Cristal".


26 de Janeiro de 1957


29 de Março de 1959

Como se pode observar da foto anterior de 1955, ao lado da "Dardo" no mesmo nº 131, e desde 15 de Fevereiro de 1958, mantinha-se o bar-dancing "Pasapoga", ex-"Cristal". Encerraria em 1960 e no ano seguinte em 9 de Novembro de 1961, reabriria sob a denominação inicial de "Cristal". Por lá ficaria por pouco tempo. A fazer fé na publicidade da altura, terá encerrado duranre 1962, não tendo sido substituída por outra casa do mesmo ramo de atividade.


10 de Novembro de 1961


24 de Dezembro de 1961

Em 1964 já a "Dardo" tinha se tinha associado a uma loja de elctrodomésticos na Rua de S. Bento, 53 a 57 esquina com a Calçada da Estrela, a "Dinâmica" e onde no início do século XX, até 1908, tinha funcionado a "Ourivesaria Estrella". Outra loja se associaria à "Dardo": a "Farol", ex-"Radiofila, Lda.", instalada na Avenida Almirante Reis, 124-B. A "Radiofila, Lda." representante da marca de rádios "Philco" desde 1935, já tinha estado instalada na Rua Nova do Almada, 80-2º , na Rua da Vitória, 57, e na Rua Arco Bandeira, 88-89, todas em Lisboa.


24 de Novembro de 1964


Loja de esquina da Rua de S. Bento com a Calçada da Estrela, onde viria a funcionar a loja "Dinâmica", que viria a associar-se à "Dardo". Nesta foto de 1909 a liquidação da "Ourivesaria Estrella" 

Nota: pode-se ler num dos panos «Não podendo nenhum dos sócios dirigir esta casa resolve-se acabar com o negócio». Esta ourivesaria também era conhecida por a "Ourivesaria Roubada".


13 de Agosto de 1909


1909


2 de Dezembro de 1964

Loja da "Radiofila" (á esquerda da "Sevilha") na Avenida Almirante Reis, 124-B em 1962, e que viria a ser adquirida pela "Farol" em 1964


Ambos de 2 de Dezembro de 1964


22 de Dezembro de 1965

No próximo anúncio publicitário, de 23 de Dezembro de 1966, pode-se ficar com uma ideia da imensidade de produtos vendidos pela cadeia de lojas "Dardo".


23 de Dezembro de 1966

Por esta altura, a organização "Dardo" tinha como principais concorrentes as seguintes empresas - as moradas indicadas são das suas lojas-sede:

"Carlar" - Rua Luís de Camões
"Frineve" - Rua Conde Redondo
"Jovica" - Avenida 5 de Outubro
"M. L. Ferreira" - Rua D. Estefânia
"Sida-Sueca" - Rua de S. Nicolau
"Supermanos" - Largo do Mastro
"Vapedrone" - Rua da Vitoria

A "Dardo" aumentaria a sua cadeia de lojas só em 1967, associando-se a mais duas: a "Ultra-Lar", na Praça de Londres, 7 A-B e a "Discoteca Popular", na Rua 1º de Maio (a Santo Amaro), 146, também em Lisboa. 


Na esquina a loja dos automóveis "Simca" onde se instalaria a "Ultra-Lar" a partir de 1967


22 de Julho de 1969

11 de Dezembro de 1971

Em 1969 já se tinha associado à cadeia "Dardo" uma nova loja na Rua D. Estefânia, 193, a "Casa Max", ao que se lhe juntaria, em 1971, outra na R. Gonçalves Crespo, 26-A  Ficava, assim, a cadeia de lojas "Dardo" composta por 7 lojas em Lisboa.

Em 1972, a "Dardo" comemorava os seus 25 anos de existência.



23 de Dezembro de 1972


19 de Fevereiro de 1973

E é no ano de 1973 que a "Dardo", e depois de já ter começado a vender sofás-cama em 1968junta à sua vasta gama de produtos a secção de mobílias e respectivos colchões "Climax"...


27 de Setembro de 1973

Como se pode ler no anúncio anterior, a "Dardo" ainda mantinha um stand na "Feira Popular de Lisboa". Outros concorrentes tambem tinham os seus stands como a "Frineve" e os  "Estabelecimentos A. Santos Silva".


Stand da "Dardo" na "Feira Popular de Lisboa", em foto de Junho de 1964

A partir da data do anúncio anterior, 27 de Setembro de 1973, não consegui saber mais nada acerca desta muito conhecida cadeia de lojas de elctrodomésticos, mobílias, etc ... Que já não existe há muitos anos sei bem. Penso que terá encerrado a sua actividade por volta dos anos 80 do século XX.