Restos de Colecção

2 de agosto de 2026

"Narciso" e a Praia de Carcavelos

A estalagem, albergaria ou residencial "Narciso" terá sido inaugurada em 1967/68, por Narciso Luiz Grave Júnior na praia de Carcavelos, na freguesia de Carcavelos do concelho de Cascais. 

Narciso Júnior tinha iniciado a sua actividade como banheiro em 1937, nesse mesmo local com barracas de praia, e um barracão onde vendia pão e vinho aos trabalhadores que construíam a "Estrada Marginal da Costa do Estoril" e que seria concluída e inaugurada em 26 de Junho de 1942.


Construção da "Estrada Marginal" na zona do "Narciso"


Ao fundo e à direita ao lado da primeira casa, a da entrada dos cabos submarinos (que ligavam Carcavelos a Inglaterra, Gibraltar e Vigo desde 1878), um barracão de banheiro que poderia ser o de Narciso Júnior (1ª hipótese)


A mesma recta em Carcavelos e após a conclusão da Estrada Marginal. À direita do automóvel do fotógrafo Mário Novais, um barracão de banheiro que, tambem, poderia ser o de Narciso Júnior (2ª hipótese)


1902

Não esquecer o "Grande Casino de Carcavelos", que em Agosto de 1907 ...


Carcavelos era o início da "Costa do Sol" (finalizando em Cascais) designação que, englobando a orla marítima de Carcavelos a Cascais, foi criada em 1922 - sucedia "Comissão de Iniciativa para o Fomento da Indústria de Turismo de Cascais" (1921-1922) - seria oficializada pela lei n.º 1909, de 22 de Maio de 1935. À "Comissão de Iniciativa e Turismo do Concelho de Cascais" sucedeu, por decreto de 18 de Maio de 1937, a "Junta de Turismo de Cascais". Já por decreto de 26 de Julho de 1957 se estabeleceu que a zona de turismo passasse a coincidir com a do concelho e que o órgão responsável pela sua administração se designasse "Junta de Turismo da Costa do Sol", denominação que veio a desaparecer em 31 de Maio de 1979, para dar lugar à de "Junta de Turismo da Costa do Estoril", extinta em 2008, «para efeitos de organização do planeamento turístico».


Na foto anterior: Inauguração das carreiras de "Auto-cars" entre Monte Estoril, Cascais e Sintra, pela "Cooperativa Lisbonense de Chauffeurs", em 9 de Dezembro de 1928, junto às instalações da "Comissão de Iniciativa e Turismo do Concelho de Cascais", no Mont'Estoril, no mesmo dia que era inaugurado o placard do jornal "O Século", no qual se podia ler: «Ao inaugurar o seu placard saúda a população efectiva e flutuante do Mont'Estoril.»

Que em 20 de Agosto de 1931, já tinha novas instalações...



 

Em 1933 e anos seguintes, além dos combóios da "Sociedade Estoril", os transportes de passageiros para Carcavelos eram assegurados, também, pela empresa "A Boa Viagem", propriedade de José Baptista da Fonseca e mais tarde denominada simplesmente "Boa Viagem". Não confundir com a atual "Boa Viagem", nascida em 1972 pela aquisição das concessões da empresa "Lopes & Matos", fazendo parte do grupo "Barraqueiro Transportes, S.A." e com sede em Torres Vedras.



1933


Autocarro "Panhard" da "Boa Viagem". Carreira Cacém-Carcavelos em 29 de Julho de 1950


Horário das carreiras no "Jornal de Cascaes" de 22 de Agosto de 1934


Autocarro da "Boa Viagem" em direcção à praia de Carcavelos, nos anos 50 do século XX


1946

Voltando ao Narciso Luiz Grave Junior ...

Barracão do banheiro Narciso Júnior, no seu espaço definitivo, em foto de 15 de Julho de 1949


«Comes e bebes» e esplanada "Narciso" nos anos 50 do século XX. Em fundo um dos edifícios do "Colegio Inglez de São Julião" fundado em 21 de Outubro de 1932, na Quinta Nova de Santo António ou Quinta dos Inglezes


Praia de Carcavelos nos anos 50 do século XX

Entretanto já em 30 de Junho de 1934, o "Jornal de Cascais" noticiava a inauguração do "Pavilhão Primavera" :

«Foi inaugurado, no dia 30 de Junho, na praia de Carcavelos, o «Pavilhão Primavera», propriedade do nosso amigo sr. António Ribeiro Duarte.
As condições em que ele está instalado, além de merecerem os maiores elogios dos convidados que assistiram á inauguração, merecerão tambem a preferencia dos banhistas e frequentadores da maior e mais linda praia da «Costa do Sol».
Com uma pequena esplanada e centralisado num ponto elevado, o Pavilhão oferece a quem o visita um dos mais pitorescos panoramas marítimos que na «Costa do Sol» é dado presencear.
O seu proprietário não descurou nenhuma das exigencias que o aparato e a necessidade do novo estabelecimento exigem. Porém, não satisfeitas as suas aspirações, tem em projeto outros melhoramentos para agregar a este, já por si de tão grande importância. As carreiras de auto-cares para a praia, projecto de A. Ribeiro Duarte, com ligação directa ao Pavilhão, interessa a todas as pessoas que a frequentem. 
Dada a distância um tanto elevada que separa da vila, decerto os veraneantes, conhecendo o alcançe da iniciativa e os advindos dela, darão a preferência ás carreiras»

António Ribeiro Duarte, que já era proprietário da Leitaria "A Primavera" ...


1933

Apesar de, em 12 de Agosto seguinte, o mesmo jornal noticiar: 

«Continuam activamente os trabalhos para o fornecimento de água à praia de Carcavelos. Sendo um empreendimento que se pode considerar banal, visto não ser mais do que uma ramificação da canalisação existente em Carcavelos, é, no entanto, de capital importancia para a nossa praia, pois não fazia sentido que numa linha de turismo como a nossa, existisse uma praia - por sinal a mais extensa e linda - que só tinha água, em logar público, a mais de 1 kilómetro de distancia, isto é, na povoação.»

Em 1947, o "Pavilhão Primavera" ainda funcionava e estava arrendado a José da Silva Casais.

 

Cartazes de 1957 e 1958

No Boletim da "Junta de Turismo da Costa do Sol", publicado em Dezembro de 1961, pode-se ler: «Carcavelos talvez seja a praia de maior agrado para a classe média portuguesa. Para bem servir, foi construído nesta praia uma espécie de paredão, onde ficam restaurantes a preços módicos, chuveiros e vestiários. Mas ao mesmo tempo construiu-se algo tão útil como prático: um recinto infantil, no meio da areia, com trampolins e brinquedos, de modo que as crianças possam brincar enquanto os pais descansam. »

Neste paredão foi erguida a estalagem "Narciso". Era propriedade da firma "Narciso, Lda." que foi constituída em 4 de Maio de 1967, entre os sócios Narciso Luiz Grave Júnior, Júlia da Graça Rodrigues, Luís Carrapicho Félix e Maria da Conceição Rodrigues Grave Félix. «A duração da sociedade é por tempo indeterminado, contando-se, para todos os efeitos, o seu começo desde esta data, sendo o seu objecto o exercício da indústria e comércio de restaurante e mariscos, bem como a exploração hoteleira, de balneários e zonas de banho de praia, assim como qualquer outro ramo de comércio ou indústria que a sociedade resolva explorar.»


"Narciso" nos anos 60 do século XX


Narciso Luiz Grave Júnior

Com classificação de 4 estrelas, além dos seus 17 quartos, todos com casa de banho, tinha também um restaurante, uma gelataria, uma cervejaria e uma esplanada. Eram 6.583 metros quadrados frequentados por muitos banhistas, habitantes da linha do Estoril e diplomatas estrangeiros. Este edifício, e segundo palavras do neto, Luís Narciso Félix, foi «construído pelo próprio, com os recursos do trabalho familiar e de todos os sacrifícios que daí advieram, sempre criaram invejas injustificáveis. Inveja por alguém que teve a coragem de esperar 19 anos pela autorização camarária para iniciar a construção de um edifício, que viria a ser ícone da Costa do Sol, e posteriormente Costa do Estoril.»


1971


"Narciso" em 1978

Narciso Luiz Grave Júnior foi um dos percursores do surf em Portugal, mais concretamente em Carcavelos. Para tal, em 7 de Julho de 1978 funda  a associação "Clube Nacional de Surf e Skate", juntamente com António Esteves Gonçalves e João Luís Morais, sediada na Residência Narciso, na praia de Carcavelos. Esta associação tinha «como fins a propaganda, a difusão, o incremento e a representação das modalidades de surf e skate». Mais uma vez, e segundo palavras do neto Luís Narciso Félix … Narciso Júnior «foi o pioneiro nas mais diversas áreas de investimento e divulgação da Zona além fronteiras, desde a publicidade do que havia na "linha", de promover, patrocinar, reservar áreas especificas para a pratica de surf na Praia de Carcavelos, contra tudo e todos pagar do seu próprio bolso a vinda de equipas de Espanha, França e Inglaterra para disputar um campeonato, em promover os surfistas como os nadadores salvadores mais competentes que existiram».


Cartão de sócio

Em Agosto de 2000, o conjunto "Narciso" «viu-se forçado a fechar portas depois de uma inspeção sanitária ter concluído que não reunia as devidas condições para estar em funcionamento. Mas os problemas do Narciso terão começado em 1998, quando foi aprovado o Plano de Ordenamento da Orla Costeira de Cascais, segundo o qual a estalagem se encontrava em domínio público marítimo, o que tinha duas consequências. Por um lado, a estalagem passava para a propriedade do Estado. Por outro, a família era obrigada a fazer obras no espaço para não perder a concessão. (…)
A câmara de Cascais confirma que o atual proprietário do edifício é o Estado, “como em todas as restantes concessões no domínio público marítimo”. A família, no entanto, não concorda e escuda-se numa licença de utilização do estabelecimento por 99 anos que teria sido entregue a Narciso Júnior e que, entretanto, terá desaparecido.» texto de José Pero Pincha in: jornal "Observador" 27 de Outubro de 2014.

A Câmara Municipal de Cascais, decidiu encerrá-lo e entaipá-lo, até à abertura de um concurso, em 2014 para aí se instalar uma nova escola de surf. Pelo que as duas das principais marcas mundiais ligadas ao surf, "Billabong" e "Quiksilver", candidataram-se à conclusão da reabilitação do antigo "Narciso", na Praia de Carcavelos. As duas candidaturas para concluir o "Cascais Surf Center" foram apresentadas no dia 29 de Setembro de 2014, na "Casa das Histórias Paula Rego".

"Narciso" entaipado em 2005


"Narciso" entaipado em Janeiro de 2013


Proposta da "Billabong"


Proposta da "Quiksilver"

Cumprindo os prazos estipulados pelo "Centro Recreativo e Cultural Quinta dos Lombos", entidade promotora do concurso de ideias para o edifício do antigo "Narciso", o anúncio do vencedor teve lugar no dia 31 de Outubro de 2014. «Após uma saudável disputa entre dois gigantes internacionais do surf, Billabong e Quiksilver, pela reabilitação do antigo Narciso na Praia de Carcavelos, foi hoje escolhido como vencedor o projeto apresentado pela Quiksilver Internacional.» 

Passados 12 anos do anúncio do vencedor do concurso, o que se construiu, e não construiu, está patente nas fotos seguintes, tiradas por mim no passado mês de Julho de 2026. Um pouco diferente da "ideia" vencedora do concurso em 2014 ... penso eu ...





Não é meu hábito tecer comentários, mas desta vez permitam-me o seguinte: Como é possível que a Câmara Municipal de Cascais permita um edifício entaipado durante mais de 20 anos - repito: 20 anos! - na maior e melhor praia (não a mais "in", claro) da "Linha do Estoril" 

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Delcampe.net, Narciso-Praia de Carcavelos (Facebook), Fotold, Arquivo Histórico Municipal de Cascais

26 de julho de 2026

"Casa Buttuller"

José Buttuller terá começado a sua atividade comercial e industrial por volta de 1871. Em 5 de Abril de 1873 o "Diario do Govêrno" através de Edital informava:

«O Dr. João Carlos Pessoa de Amorim, administrador do bairro oriental de Lisboa, por Sua Magestade Fidelissima, que Deus guarde, etc.
Faço saber, que José Buttuller requereu licença para fundar uma fabrica de chapéus de todas as qualidades e feitios por machina movida a vapor da força de um cavallo, no beco do Albuquerque que n.° 2, freguesia da Sé, e pertencendo este estabelecimento á 2.ª classe da tabella annexa ao decreto de 21 de outubro de 1863, aonde temn a indicação dos seus inconvenientes «fumo, visto que não as ha até ao presente, que sejam completamente fumivoras ; perigo de explosão nas caldeiras». Convido as auctoridades publicas, os chefes e gerentes de quaesquer estabelecimentos, e todas as pessoas interessadas a reclamar por escripto no praso de trinta dias, perante mim n'esta administraçào, contra a projectada fundação, com a comminação de não o fazendo, e findo que seja o dito praso, o processo seguir os seus devidos termos. E para constar mandei affixar exemplares d'este edital na porta d'esta administração , na da igreja parochial da Sé, e publicar no Diario do governo.»

E em 4 de Agosto do mesmo ano, em novo Edital no "Diario do Govêrno"...


4 de Agosto de 1873

De referir que, José Buttuller mantinha a firma "Buttuller & C.ª" com seus sócios João Ignacio da Silva Braga e José de Sousa. Esta sociedade viria a ser dissolvida em 24 de Março de 1874, tendo assumido José Buttuller todo o activo e passivo da firma.

Em Janeiro de 1885 o jornal brasileiro "Reformador" Orgam da Federação Spirita Brazileira, informava que José Buttuller em conjunto com outras personalidades, tinha fundado, em Lisboa, a 17 de Novembro de 1884, o "Centro Spiritista Portuguez".


10 de Dezembro de 1894


20 de Novembro de 1900

Em 1900 José Buttuller participa na "Exposition Universelle de Paris", inaugurada em 14 de Abril. De seguida a sua presença na listagem de expositores de Portugal, no respectivo catálogo da Exposição.


No catálogo da "Exposition Universelle de Paris" de 1900


19 de Novembro de 1904

Em 1910, já José Buttuller tinha falecido e a posse da loja tinha passado para a sua viúva passando a loja a denominar-se "Viuva de José Buttuller". Em 1912 já tinha passado a denominar-se  definitivamente "Casa Buttuller", tendo passado para a posse de seu filho Miguel Archanjo Buttuller, que em 25 de Outubro de 1976, forma a  sociedade por quotas "Miguel Buttuller, Lda.", com António Duarte Pedro, Sebastião Frias e João Dias Mega. O objeto desta sociedade era descrito como: «A sociedade tem por objecto o comércio de alfaiataria, chapelaria, artigos militares e acessórios relacionados com aquelas actividades, podendo, no entanto, dedicar-se a qualquer outra actividade comercial ou industrial, se assim for deliberado em assembleia geral.»  


24 de Setembro de 1910


1912

E em 1913, ali bem pertinho, a concorrência à espreita ...


1913


29 de Novembro de 1915


28 de Maio de 1921


Postal de 13 de Dezembro de 1932

Em 28 de Fevereiro de 1980 a "Miguel Buttuller, Lda." era constituída por Miguel Archanjo Buttuller, Maria da Ascensão Buttuller,  José Manuel Buttuller e João Dias Mega.

De referir que Miguel Buttuller esteve na fundação do Club de Football "Os Belenenses", em 23 de Setembro de 1921, ficando ligado às secções de ciclismo e basquetebol deste mesmo prestigiado clube. Inclusivé a "Federação Portuguesa de Ciclismo", fundada em 14 de Dezembro de 1899, esteve sediada no andar acima da "Casa Buttuller"


1961

O fracasso desportivo da primeira participação no Campeonato de Lisboa motivou medidas de desenvolvimento da modalidade. Uma delas foi a realização de um Torneio Intersócios, que contou com a participação de sete equipas e trinta e cinco jogadores, entre os quais se encontravam nomes grandes do Clube, como Licínio Vaz, Miguel Buttuller ou Joaquim de Almeida, campeão de Lisboa e de Portugal pela equipa de Honra de futebol e sócio sempre pronto para o combate e o engrandecimento do Clube. Assim, e sem surpresa, a modalidade consolida-se, com a secção a ser dirigida por Miguel Buttuller (mais tarde presidente da "Associação de Basquetebol de Lisboa") e Leopoldo Fernandes, sendo treinador Carlos Martins Pereira.

Aquando da ocasião do aniversário deste clube em 1939 era anunciado em 22 de Setembro de 1939 ... 

«A direcção do Club de Football «Os Belenenses» pede aos seus socios, amigos e adeptos, que se queiram inscrever para o jantar de confraternização comemorativo do 20.° aniversario deste clube, a realizar no proximo dia 30 do corrente, pelas 20 e 30, no nosso campo atletico, o favor de o fazerem com a maxima urgencia, a-fim-de poder tratar com o devido tempo da sua respectiva organização.
As inscrições continuam abertas, na sede do clube, na Casa Buttuller, rua Barros Queiroz, e em poder das comissões tecnicas do clube e respectivos cobradores, e serão encerradas definitivamente no proximo dia 26 do corrente.»


1943




Na revista "Boina Verde" de Junho de 1982


Ambas as fotos de 1994



Na "Revista do Exército" de Janeiro de 1996

Em 13 de Junho de 1997 falece José Manuel Buttuller, e assume a gerência da "Miguel Buttuller, Lda" a sua viúva Ângela June Powell Buttuller, em 27 de Julho de 1998. Em 3 de Fevereiro de 2005, a gerente Ângela June Powell Buttuller renuncia à gerencia da "Miguel Buttuller, Lda" e em 5 de Abril do mesmo ano,  ficam como gerentes as duas únicas sócias Maria Fernanda de Freitas Ferreira Alves Oliveira e Fernanda Maria Vinagre Lopes Poeira Trindade, com quotas iguais de valor nominal de dois mil e quinhentos euros cada.

A "Casa Buttuller" nos seus últimos anos de existência vendia, bandeiras, galhardetes, condecorações e emblemas para militares (Exército, Marinha, Força-Aérea, Comandos) ou bombeiros.  Um dos artigos mais requisitados era a "Boina Buttuller", procurada por militares e agentes da PSP, pela sua qualidade e durabilidade. 




Em 1997 o último descendente do fundador, José Manuel Buttuller, filho de Miguel Buttuller,  trespassou a casa à última proprietária, D. Maria Amélia Almeida da Silva. A seguir publico uma série de fotos que foram disponibilizadas pelo site "Lojas com História" em 2017. Na primeira foto a última proprietária D. Maria Amélia Almeida da Silva.







«Foram muitas as fardas que ali foram aprimoradas e valorizadas com pins, galardões e emblemas. O alargador de bonés, um curioso objecto, fala-nos da singularidade de cada farda, de cada militar, no meio da multidão homogénea que caracteriza estas forças colectivas. É aqui que percebemos bem, sobretudo na quantidade de objectos dedicados a pequenos acabamentos de chapelaria ou costura, o valor do detalhe e do particular desvio que somos todos nós, mesmo quando juntos comporíamos um pelotão de soldados aparentemente todos iguais. Esse atendimento personalizado é balizado pelo curioso balcão em curva, em que se separa o atendimento daquilo que são acabamentos. Em volta, pelas gavetas e armários encastrados e envidraçados, vemos um misto de objectos para venda e outros para exposição. É este o caso de alguns emblemas de forças de segurança estrangeiras. Não são para venda. Foram oferecidos por visitantes, alguns em troca dos emblemas semelhantes portugueses. A maioria dos produtos aqui vendidos são de produção nacional. Neste intercâmbio, a loja torna-se num espaço de partilha e troca de experiências, de estreitamento das relações, de boa camaradagem. Para isso contribuem em larga medida os longos anos de existência deste espaço, com uma fama que foi sendo construída encomenda a encomenda e a cada cliente satisfeito.»


Foto de 2017, antes do seu encerramento definitivo em 2024

Após o seu encerramento definitivo em foto de 2024

Graças a uma foto publicada em 5 de Maio de 2026,  no "Facebook" de José Vítor Malheiros, ficamos a conhecer a nova actividade da "nova", e reaberta, "Casa Buttuller" ... que será? que será? ...


5 de Maio de 2026

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian ("Lojas de um tempo ao outro, Vol I" de Jorge Ribeiro (1938-2006) - FCG 1994), Lojas Com História, Viriato Lusitano