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18 de setembro de 2019

Papelaria Progresso e Papelaria da Moda

A "Papelaria Progresso", propriedade da firma "M. A. Branco & C.ª" terá sido fundada por volta de 1884 início de 1885, na Rua Aurea, esquina com a Rua da Victoria, em Lisboa, ocupando a loja o r/c e 1º andar. Possuía uma oficina a vapor de tipografia, litografia e carimbos, na Rua do Crucifixo.

Exterior das instalações, em foto de 1957


Factura , em 14 de Março de 1885


Em primeiro plano a "Papelaria Fernandes", fundada em 1891, com a "Papelaria Progresso" a seu lado


Publicidade em 23 de Agosto de 1896


No início do século XX a "Papelaria Progresso" passa para a propriedade da firma "Paes, Villa & Comandita".

"Papelaria Progresso", ainda propriedade da "M. A. Branco & C.ª" em anúncio de 30 de Outubro de 1910



Em Agosto de 1916 o jornal "A Capital" num extenso artigo acerca de lojas na Rua do Ouro, acerca da "Papelaria Progresso" comentava:
«A Papelaria Progresso, á esquina da Rua da Victoria, tem já uma longa existencia. Foi fundada pelo Branco e hoje é propriedade dos srs. Paes, Villa & C.ª. É a primeira casa do seu genero e nenhuma possue mais ricos e sortidos, tanto em artigos de papel como em objectos de luxo para brindes, molduras, pennas com tinta, etc.»

Entretanto a "Papelaria Progresso", durante os anos 20 do século XX, passa para a posse de António Paes, que para tal forma a firma "Paes, Lda.".


"Papelaria Progresso", na "Semana dos Artistas" em 24 de Janeiro de 1928


Exterior da "Papelaria Progresso", aquando do I Centenário da Lâmpada Eléctrica, em 17 de Outubro de 1929


Exposição de escultura, no 1º piso da "Papelaria Progresso", em 4 de Maio de 1931


1949


Postal em 1954


No início de  1961, as  instalações da "Papelaria Progresso", já propriedade da firma "António Vieira, Lda." (proprietária da "Papelaria da Moda"), foram profundamente remodeladas, tanto no exterior como no interior, sob projecto do arquitecto Francisco da Conceição Silva (1922-1982). O logótipo da papelaria foi da autoria do designer Manuel Rodrigues (1924-1965). A sua reabertura terá a lugar a 18 de Dezembro de 1961.











1968


Depois da "Papelaria Progresso" ter encerrado definitivamente em 31 de Dezembro de 2003, essa metade do prédio foi adquirido pelo “BES - Banco Espírito Santo” que por sua vez alugou o r/c da antiga papelaria à vizinha “Papelaria Fernandes”, aquando do seu processo de encerramento de lojas para escoarem os artigos que tinham noutras lojas e armazéns.

Em 1915 António Pina Vieira funda a "Papelaria Vieira", (futura "Papelaria da Moda") também na Rua do Ouro 167-169, nas antigas instalações da papelaria do antigo palhaço Wythoine do "Theatro-Circo de Price".


Quanto à "Papelaria Vieira" (futura "Papelaria da Moda")  o jornal "A Capital" no mesmo artigo referenciado no início deste artigo, escrevia:
«Nos nos 167 e 169 está presentemente instalada a Papelaria Vieira, cuja especialidade consiste na venda de penas com tinta, tendo uma collecção enorme e riquissima.
Antes estava ali uma casa de brinquedos varios, pertencente ao sr. Antonio Candido de Menezes. Foi nessa loja que o palhaço Wythoine teve a sua tabacaria. É curiosa a historia d'esse palhaço, que trabalhou com Sechi e Alfano, no Circo Price, à esquina da travessa das Vaccas. Sahindo d'essa casa de espectaculos, Wythoine fundou a empresa de onde sahiu a do Colyseu dos Recreios, dando-lhe o nome "Lisbon Pavillon and Summer Garden's". Mais tarde, porém, como fosse posto fóra da empreza, fundou a tabacaria alludida, onde passou o resto da vida.
A papelaria Vieira está na antiga loja de Whythoine ha dois annos o maximo. Entretanto, conta já uma notavel clientella, recrutada na alta roda lisboeta, sendo notavel o negocio que ella faz de penas com tinta e dos respectivos acessorios. Na sua especialidade, esta casa virá dentro em pouco a ser uam das mais importantes de Lisboa.»





Interior da "Papelaria da Moda" aquando da "Semana dos Artistas", em 24 de Janeiro de 1928


Carro alegórico da "Papelaria da Moda", nas "Festas da Cidade de Lisboa" em Junho de 1928


Anúncio, em Janeiro de 1930


A, já, "Papelaria da Moda", propriedade da empresa "Vieira & Cª." viria a ser, a partir de 1935, importadora e representante para Portugal das canetas "Parker". A partir dos anos 50 do século XX passaria a importação desta marca de canetas, a ser feita por outra empresa da família a "Vialga - Representações S.A.R.L." sediada na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa.

1935


1936


A "Papelaria da Moda", viria a sofrer obras de remodelação de interiores, em 1948 sob projecto do engenheiro Francisco Silva Mata. Em 1969 seria alvo de outra intervenção desta vez pelo arquitecto Raúl Hestnes Ferreira (1931-2018), tendo reaberto a 18 de Dezembro do mesmo ano, precisamente 8 anos após a reabertura da "Papelaria Progresso", após obras de renovação como já aqui referenciado.



Por essa ocasião o jornal "Diário Popular" escrevia:
« (...) É curioso salientar que o seu fundador, Sr. António Pina Vieira, cerca de 1915, lançou no mercado português a caneta de tinta permanente.
Sendo, portanto, a mais antiga papelaria da Baixa, alia uma experiência de quase meio século a um sentido prático de actualização e bom gosto. As suas amplas secções de artigos de escritório, papelaria, pintura e desenho oferecem ao cliente a possibilidade de uma escolha fácil e a rápida aquisição de qualquer artigo.»


1949



Maria Violante Vieira e Maria Antónia Vieira Gagean sucederam a seu pai António Pina Vieira, na firma "António Vieira, Lda." e à frente das "Papelarias Progresso", da "Papelaria da Moda", e do escritório "Vialga - Representações S.A.R.L", representante de diversas marcas como a "Parker", "Ronson" e outras. Maria Violante Vieira afastou-se da gerência nos anos 70 do século XX, para se dedicar exclusivamente ao "Comité Português para a UNICEF".



A "Papelaria da Moda" viria a encerrar, definitivamente, por volta de 2010, e em 2013 foi adquirida pela "Papelaria Fernandes" (fundada em 1891), em 2013, passando a ser designada por "Papelaria Fernandes - Loja Moda". «A loja mantém o ênfase na escrita de prestígio, oferecendo ainda, uma oferta diversificada de gift, embalagem, papel e artigos de papelaria, bem como todos os exclusivos Papelaria Fernandes.»

2013


2018


15 de setembro de 2019

Cabines Públicas da APT no Rossio

A sucursal da APT - "The Anglo Portuguese Telephone, C.º Ltd.", com 15 cabines telefónicas públicas, foi inaugurada em Março de 1931, na Praça D. Pedro IV (Rossio) esquina com a Praça D. João da Câmara, em Lisboa, mesmo ao lado do antigo e famoso "Café do Gêlo".



Esta sucursal da APT veio ocupar uma loja anteriormente arrendada à "Vacuum Oil Company" (futura "Mobil Oil"), desde 1927, e que ali vendia produtos como fogões, esquentadores, caloríferos, cadeeiros, etc. da marca. Por sua vez o anterior arrendatário tinha sido a "J. J. Rugeroni" que já vendia produtos desta companhia, - tendo a "Vacuum Oil Company" reservado, para o efeito, as montras 1 e 2 da Praça D. João da Câmara. Esta, por sua vez, tinha substituído a anterior "Rugeroni & Rugeroni, Lda." importadora dos automóveis "Cadillac" e "Rolls-Royce" para Portugal. Esta firma, por sua vez, tinha substituído a anterior "Castanheira & Rugeroni, Lda.", ali, desde 1913 e que já era importadora da "Rolls-Royce" além das marcas de automóveis "Napier" e "La Metallurgique", e dos pneus "Goodrich" e "Fisk".




A  companhia APT - "The Anglo Portuguese Telephone, C.º Ltd." viria, aliás, a aproveitar a decoração tanto interior como exterior, do luxuoso stand de automóveis mandado construir pela firma "Castanheira, Lima & Rugeroni, Lda." e inaugurado em 23 de Junho de 1913.


Por sua vez, o trespasse desta loja tinha sido adquirido, pela "Castanheira, Lima & Rugeroni, Lda." à firma "Alves & Baptista, Lda.", última proprietária da papelaria, livraria e tipografia "Mattos Moreira & C.ª".

Livraria Editora e papelaria "Mattos Moreira & C.ª"


25 de Dezembro de 1879


Talão de "Cabine Publica" em 14 de Junho de 1930

gentilmente cedida por Carlos Caria

Publicidade em 16 de Maio de 1931


Interior da sucursal da APT aquando do "Concurso de Telefone Mistério" em 1931


Interior da sucursal da APT do Rossio reproduzido na revista "Pirilau", estreada no "Teatro Variedades" no "Parque Mayer" em 25 de Junho de 1932


No início de 1945, esta sucursal da APT - "The Anglo Portuguese Telephone, C.º Ltd.", no Rossio é encerrada temporariamente para obras de renovação, interior e exterior, sob projecto do arquitecto Francisco de Assis tendo a respectiva decoração interior ficado a cargo de Pinto Lobo. Viria a ser inaugurada em 8 de Dezembro do mesmo ano.



Alguns cartazes que foram expostos nesta sucursal




Por ocasião da sua inauguração, o jornal "Diario de Lisbôa" descrevia assim as novas instalações:

«Melhorada e modernizada, reabriu hoje a estação de telefones do Rossio, agora com 24 cabines, dotadas de estantes para tomar notas, de cinzeiro, espelho e vidros refractários ao mau hábito de escrever nas paredes. Não foram esquecidos os empregados que ali prestam serviço e que têm vestuários pessoais, cozinha para aquecimento de refeições e serviços sanitários.»

Incluídos no seu programa «Cinco Anos de Trabalho», a APT anunciava no mesmo dia:


«Durante o proximo ano de 1946, a Companhia propõe-se concluir mais as seguintes importantes obras: a nova central automática da Trindade; a nova estação do Campo Pequeno, em construção na Avenida de Berna, para outra central automática; instalar novos cabos entre Lisboa e Cascais, Lisboa e Sintra, e Lisboa e Torre da Marinha; e alargamento e refôrço da sede de Lisboa.»



gentilmente cedida por Carlos Caria

"Telefones" em 1961


A existência desta sucursal, que a partir de 1 de Janeiro de 1968 passou para a propriedade da TLP - Telefones de Lisboa e Porto, E.P." (data da sua fundação), teve uma vida longa até ao primeiro decénio do século XXI, altura em que já a "PT Comunicações, S.A." era sua detentora.

Maio de 2009 (Google Maps)


Viria a encerrar definitivamente e penso que ainda se encontra devoluta.

Agosto de 2018 (Google Maps)