Restos de Colecção

8 de outubro de 2026

"Grande Ourivesaria da Moda"

A "Ourivesaria e Joalheria da Moda" foi fundada pela firma "Barbosa, Esteves & C.ª" em 1906, na Rua Bella da Rainha (Rua da Prata), 257-259, em Lisboa. Esta ourivesaria nasceu da compra do trespasse de outra que ali já existia mas que só ocupava a loja no nº 257, esquina com a Rua de Santa Justa. No nº 259 tinha funcionado a tabacaria de Antonio Jacintho Vidal, para onde se estendeu a nova ourivesaria a partir de 1906. A seu lado, no nº 261, funcionava a "Casa das Manteigas".

Lembro que, a joalharia e relojoaria "Barbosa, Esteves & C.ª ", cuja história pode ser consultada neste blog (Barbosa, Esteves & C.ª), tinha sido fundada em 1902 por Daniel Barbosa, Joaquim Esteves Nogueira, Albano Barbosa e José Joaquim Barbosa, tendo aberto a sua primeira loja na Rua da Prata, 295.


"Barbosa, Esteves & C.ª " na Rua da Prata, 295

A gerência do estabelecimento viria ser exercida por António Esteves de Araújo, parente de um dos fundadores. Este e Maximino Esteves de Araújo viriam a entrar como sócios da "Barbosa, Esteves & C.ª", em 1922.

Logo nos primeiros anos da sue existência um primeiro contratempo. A "Ourivesaria e Joalheria da Moda" foi assaltada na madrugada de 27 de Fevereiro de 1910, e cuja respectiva notícia no "Diario Illustrado" passo a transcrever:

«A ourivesaria dos srs. Barbosa Esteves & C.", na rua Bella da Rainha, que faz esquina para a rua de Santa Justa, foi na madrugada de domingo visitada por José Papeluser y Péry, de 27 annos, creado, natural de Buenos-Ayres, e Henrique Dubois, de 30 annos, modelador, de Montreal, Canadá.
Mas a policia apanhou os em flagrante, quando se dispunham a sahir do estabelecimento, com os principaes objectos que estavam nas montras, avaliados em 8 contos.
Os larapios entraram pela «Casa das Manteigas», que fica junto.
Escusado será dizer que o caso foi hontem bastante falado e que defronte da loja, que se conservou fechada, estiveram numerosas pessoas, sendo preciso o auxilio da policia para afastar a multidão.
Pelas 3 da tarde, os galunos foram interrogados pelos agentes Silva e Patricio, negando com o maior descaramento terem sido auctores do roubo, seguindo o processo adoptado pelos seus collegas internacionaes, que negam as proezas, mesmo quando apanhados em fiagrante.
Dizem que ao passar pela «Casa das Manteigas» viram a porta aberta e entraram, sem intenção de roubar :.. para comprar, tendo a infelicidade de serem presos quando se retiravam, por não encontrar quem os servisse, e affirmam que não traziam os saccos contendo as joias.
Na busca a que hontem se procedeu n'aquella casa, encontraram-se varios objectos e ferramentas que serviram para o arrombamento.
Tambem estiveram em casa das duas francezas, amantes dos presos, mas nada encontraram alli que os comprometta.
No Juizo de Instruccao Criminal esteve prestando declarações o sr. Barbosa, tendo-se procedido na secretaria do Juizo á avaliação das joias roubadas, para o que compareceram dois peritos.
Os presos só hontem, á noite, é que começaram a ser interrogados pelos agentes Patricio e Figueiredo.»

A seguir ao assalto. Os mirones até faziam fila para saber notícias na vizinha "Casa das Manteigas" ...

Em 1926, já a "Barbosa, Esteves & C.ª", tinha três estabelecimentos: ourivesaria "Barbosa, Esteves & C.ª", na Rua da Prata, 293-295 e sede da firma desde a sua fundação em 1902; "Ourivesaria e Joalheria da Moda" na Rua da Prata 257-259; e a "Ourivesaria, Joalheria e Relojoaria Barbosa, Esteves & C.ª" no Torreão da Praça da Figueira - ex "Tabacaria José Gusmão" -  que fazia esquina Rua da Betesga com a Rua dos Correeiros.

1926

Depois de terem adquirido a "Ourivesaria Moitinho" em 1938, a "Barbosa, Esteves & C.ª", dois anos depois, em 1940, promove grandes obras de ampliação e modernização na "Ourivesaria e Joalheria da Moda", que passa a denominar-se "Grande Ourivesaria da Moda". Expandiram o espaço ocupando a loja da "Casa das Manteigas" e uma loja de vidros na Rua de Santa Justa, ficando assim com quatro montras para a Rua da Prata e duas para a Rua de Santa Justa. 

"Grande Ourivesaria da Moda" em foto de 1945

Por ocasião da reabertura da "Grande Ourivesaria da Moda" em 23 de Novembro de 1940, o jornal "Diário de Lisboa" noticiava:

«O grande acontecimento do dia na baixa foi hoje - pode dizer-se - a inauguração da magnifica exposição de arte de ourivesaria e joalharia que se efectuou na Rua da Prata, 257, á esquina da Rua de Santa Justa, comemorando a reabertura da «GRANDE OURIVESARIA DA MODA» e para apresentação das modernas e luxuosas instalações deste estabelecimento.
Os mais lindos objectos de oiro, as joias de beleza mais rara, as pratas de inconfundível cunho artistico e tantas outras maravilhas perpassaram perante os olhos extasiados dos visitantes num ambiente de requintada elegância - vidros, espelhos e cromados, formando um conjunto equilibrado, admiravel, dum modernismo que não choca, que impressiona agradavelmente.
Merecem os melhores louvores pelo brilhante exito de hoje os srs. Albano Barbosa, Maximino Esteves de Araujo e Antonio Esteves de Araujo, socios da firma Barbosa, Esteves & C.a, proprietaria da «GRANDE OURIVESARIA DA MODA» - que nos aparece agora como um dos melhores estabelecimentos de Lisboa.»


25 de Dezembro de 1941


1943

28 de Dezembro de 1947

Nos finais dos anos 50 adquiriram um deposito de tabacos o que permitiu nova ampliação do lado da Rua de Sta. Justa. 


17 de Julho de 1952


26 de Dezembro de 1953

1956 (restaurado por IA)

 

17 de Novembro de 1966

Em 31 de Julho de 1981 a sociedade "Ourivesarias Barbosa Esteves, Lda." é transformada na sociedade anónima "Ourivesarias Barbosa Esteves, S.A.". Com um capital social de 21.000.000$ distribuído pelos seguinte acionista: Maria Luisa Ribeiro Lopes de Araújo;  Matilde Rosa Lopes de Araujo; Maria Albertina Lopes de Araujo Veloso; Jorge Rafael Lopes de Araujo; Antonio Eduardo Lopes de Araujo. Com a sua sede a permanecer na Rua da Prata, 293, tinha os seus estabelecimentos todos na Rua da Prata nos números 67 e 69, 257, e 293 a  297, em Lisboa. O prédio onde estava instalada a "Ourivesaria da Moda" já era propriedade desta sociedade.

O capital social viria a ser aumentado para 270.000.000$ em escritura pública de 17 de Março 1992. O conselho de Administração ficou constituído pelos seguintes elementos: Jorge Rafael Lopes Araújo (presidente); António Eduardo Lopes de Araújo (vice-presidente); Maria Luísa Ribeiro Lopes de Araújo (vogal).

Em 10 de Agosto de 1992, resultado da cisão da "Ourivesarias Barbosa, Esteves, Lda.", a "Ourivesaria Barbosa, Esteves, Lda." foi transmitida para a nova sociedade "Ourivesaria Barbosa, Esteves S.A." constituída com um capital social de 50.000.000$. O destaque, ou cisão, da "Ourivesaria Barbosa Esteves, Lda." deu origem às seguinte novas sociedades anónimas: "Ourivesaria da Moda, S.A.", "Ourivesaria Barbosa, Esteves, S.A.", e "Ourivesaria Araújo & Primos, S.A." (constituída em 17 de Março de 1992) na Rua da Prata 67 e 69.

Das três ourivesarias, a "Ourivesaria da Moda", em 30 de Junho de 1991, era, de longe, a mais valiosa. ...



1984 e 1986


1988

«Passada a magnífica porta em ferro Art Déco, entra-se nesta ourivesaria aberta desde 1906, na mesma família há 4 gerações. No interior, o ex-libris da casa, uma fonte em prata maciça com 2 metros de altura, dá-nos as boas-vindas. Especialistas em peças tradicionais portuguesas, o destaque vai para as jóias em filigrana, feitas artesanalmente com fios muito finos em ouro ou prata. Verdadeiros tesouros!»


Frente para a Rua da Prata (via Google Maps 2024)


Frente para a Rua de Santa Justa (via Google Maps 2024)

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Estação Chronographica

4 de outubro de 2026

"Au Rendez-vous des Gourmets"

A confeitaria, pastelaria, salsicharia, restaurante "Au Rendez-vous des Gourmets" foi inaugurada em 23 de Dezembro de 1896 pelo francês Pierre Gadel, na Rua Aurea, 135 e 137, em Lisboa. Pierre Gadel tinha sido dispenseiro no "Grande Hotel Internacional", inaugurado a 10 de Outubro de 1892 e poucos anos depois redenominado de  "Avenida Palace Hotel".

23 de Dezembro de 1896


Pierre Gadel (? - 1915)


Casa de câmbios "Montenegro Chaves & C.ª, Lda",  onde funcionou a "Au Rendez-vous des Gourmets", em foto de 1968

Nota:  não tendo sido possível obter alguma foto do exterior do "Au Rendez-vous des Gourmets", mais fotos dos últimos «inquilinos» da loja 135-137 , no final deste artigo.


24 de Dezembro de 1896


31 de Dezembro de 1896

Esta confeitaria vinha substituir outra que ali tinha funcionado, por muitos anos, a "Castellar & C.ª" de Manuel José Rodrigues.


"Castellar & C.ª ", em 11 de Abril de 1862

Poro ocasião da inauguração da "Au Rendez-vous des Gourmets", o jornal "Diario Illustrado", no mesmo dia, dava uma pequena nota do acontecimento:

«Chamamos a attenção dos nossos leitores para a abertura, que tem logar hoje, d'este estabelecimento, que vem preencher uma lacuna na cidade de Lisboa.
A sociedade elegante terá, d'ora ávante, onde tomar o seu chá, acompanhando-o de saborosas eguarias.
Os Gourmets poderão levar para as suas casas pratos opiparos, e a partir do dia 1 de janeiro proximo, os empregados publicos, o pessoal do commercio e outros terão onde almoçar ou lanchar economicamente, como só em Paris, nas appetitosas crêmeries se encontra.
Quem quizer manteiga pura vá ao novo estabelecimento, e o mesmo tem de fazer quem queira um prato recherché ou uma garrafa de vinho de comprovada vehice.»

1898


Muitos dos anúncios publicitários eram exclusivamente em «franciú», como este de 1900

Esta afamada casa, fornecia casamentos, baptizados, soirées, eventos sociais etc. Caso disso, a soirée que teve lugar na casa «do sr. Manoel Pinto da Fonseca, abastado capitalista do Porto.», e que publico de seguida.

22 de Março de 1903


6 de Janeiro de 1905

Outro evento, em 5 de Maio de 1907, foi fornecido pela "Au Rendez-vous des Gourmets": o casamento do ano, entre Clara Montalvo e o austríaco conde Constantin Dayan, barão de Stritaz, que teve lugar na Igreja dos Martyres, no Chiado.

Noivos, padrinho, madrinha, e núncio apostólico monsenhor Tonti, nos jardins da legação austríaca

«Depois da cerimonia e offarecido a todos os convidados um elegante «lunch» na legação da Austria, cujo «menu», primoroso, fornecido pelo «Rendoz-vous des Gourmets» é o seguinte:

Bol de consomme à la Souvaraine-Petits pains Garnis a la Francaise-Saumon à la Daumont.
Sauce Verte-Filet Mignon Henri IV, Bearnaise - Poulard du Mans a la Neva - Salade a l'Orientale - Montpensier a la Chantilly-Gateau Egyptien - Ananas a la Melba-Petits fours parisiens - Glace Gismonda - Friandises - Raisins Frais.
Vina: Bordeaux, Champagne, etc .- Cafe et Liqueurs.»

Em 8 de Julho de 1908 Pierre Gardel submeteu o registo do nome "Au Rendez-vous des Gourmets", que viria a ser concedido em 26 de Maio de 1909. 


1909

Em 14 de Dezembro de 1909 podia-se ler numa nota à imprensa da época, que depois de traduzida do francês ... «O senhor Gadel, proprietário do "Au Rendez-vous des Gourmets", de regresso de sua viagem de negócios, firmou contratos com as melhores casas de Paris, a fim de poder apresentar à sua amável clientela as suas  especialidades.
É também depositário de todos os produtos da Casa “À la Marquise de Sévigné”, de Royat.
Esses produtos serão sempre de primeira frescura, sendo expedidos pelo Sud-Express todas as semanas.
A clientela encontrará igualmente todos os gêneros alimentícios finos e variedades de queijos, como no passado.
A casa recomenda-se sobretudo pelos seus artigos para presentes e baptizados.»


23 de Dezembro de 1909

No anúncio anterior é mencionado que esta casa era "Fornecedor da Casa Real" e por isso mesmo ... mais uma referência à "Au Rendez-vous des Gourmets" em 4 de Fevereiro de 1903, desta vez não pelas melhores razões ... mas não por culpa dela ...



Excerto do extenso extracto de fornecedores e repectivos valores a pagar

Pierre Gadel viria a falecer em Junho de 1915, e a "Au Rendez-vous des Gourmets" viria a ser gerida e detida por seu filho A. Gadel

"Au Rendez-vous des Gourmets"  no guia "Reise Fher von Europa",  para 1914

Talão de compra de 30 de Abril de 1915

Não consegui saber quando terá encerrado definitivamente a "Au Rendez-vous des Gourmets", ou se terá reaberto depois do anúncio seguinte, já que a partir daqui não consegui obter mais nenhuma referência a este estabelecimento.

11 de Julho de 1924

Em 1930, Maria O'Neill no seu romance "A Víbora", referiu-se à "Au Rendez-vous des Gourmets" na seguinte passagem ... «A sua alma subleváva-se contra o facto e um espanto infantil a invadia a par dum inexplicavel terror: a estas primeiras contrariedades quantas mais se seguiriam? Afinal ergueu-se do banco, ajoelhou de novo e saiu. Dirigiu-se depois ao Rendez-vous des Gourmets, comeu alguma cousa e, comprando o Diario de Noticias, viu onde estava lausperenne. Era na igreja da Conceição Velha.»


Dentro do rectangulo a amarelo, loja onde funcionou a "Au Rendez-Vous des Gourmets", nos anos 40 do séc. XX

Muitos anos mais tarde, em 2 de Junho de 1952, na mesma morada, viria a abrir a casa de câmbios "Montenegro Chaves & C.ª, Limitada" , que tinha sido fundada no Porto em 19 de Maio de 1913. Esta sociedade constituída por Miguel Augusto Coimbra Pacheco, Joaquim Franco Canas e Francisco Franco Canas, tinha como «objecto o comércio de câmbios e papéis de crédito, ou em qualquer outro ramo que os sócios entendessem por bem explorar.» 


"Montenegro Chaves & C.ª, Limitada" 

Em Março de 1975, a banca nacional foi nacionalizada e no ano seguinte, o Decreto-Lei nº 167/76, de 01 de Março cancelou todas as autorizações concedidas às casas de câmbios para o exercício do seu comércio, com efeitos a partir de 30 de Junho desse ano. Perante a situação, em 21 de Fevereiro de 1977, a firma "Montenegro Chaves & Companhia, Limitada" deixou de excercer a actividade de cambista, concentrando-se na medalhística e numismática. Viria a encerrer definitivamente em 2014.

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

1 de outubro de 2026

Pinheiro da Rocha - Alfaiate e Fotógrafo

A Alfaiataria "Pinheiro da Rocha" foi fundada pelo alfaiate e fotógrafo Manuel Pinheiro da Rocha (1893-1973), na Rua de Santa Catarina, 120 - 2º andar, no Porto, e no mesmo prédio onde funcionava a loja de artigos fotográficos "Domingos Alvão & Cia.".




Rua de Santa Catharina 118-120, no Porto

Manuel Pinheiro da Rocha, natural de Britiande, Lamego, após ter concuído a instrução primária foi trabalhar para a reputada alfaiataria do seu pai, e desde cedo manifestou a sua extraordinária vocação para esta profissão denotando uma estética e um sentido artístico muito elevados. 


Manuel Pinheiro da Rocha (1893-1973)

Aos 18 anos de idade vai para o Porto trabalhar num "atelier" dum grande profissional da arte, que era amigo de seu pai. Passou por alguns dos melhores alfaiates do Porto, até ter fundado, em 1920, a Alfaiataria "Pinheiro da Rocha", na Rua de Santa Catarina. O facto de ocupar o mesmo prédio onde funcionava a loja do célebre fotógrafo Domingos do Espírito Santo Alvão (1869-1946) terá despertado nele o gosto pela arte da fotografia. Nos tempos livres, além de se ter dedicado ao estudo da língua francesa e aprendido desenho com o famoso Agostinho Salgado, iniciou a  aprendizagem na arte da fotografia.

Nesta época, Pinheiro da Rocha frequentava meios artísticos e convivia com artistas plásticos famosos, tais como mestre Acácio Lima, o célebre escultor Teixeira Lopes e Agostinho Salgado,atrás referido.

O seu sucesso como alfaiate estendeu-se à fotografia, com os seus trabalhos seram expostos nos mais importantes salões nacionais e internacionais. Lembro que Pinheiro da Rocha foi o primeiro português a ver uma fotografia sua a ser admitida no Salão de Londres, tendo exposto ainda em Paris, Saragoça, Madrid e no Salão Internacional Alberto I, em Bruxelas.

A fotografia seguinte retrata Manuel Pinheiro da Rocha junto à fotografia "Espiga de Milho", com que  participou, em 1940, no "4º Salão Internacional de Arte Fotográfica de Portugal", organizado pelo "Grémio Português de Fotografia".  

1940

Na fotografia seguinte, Manuel Pinheiro da Rocha aparece junto à fotografia "O Artista Carlos Carneiro", com que ele participou, em 1944, no "7º Salão Internacional de Arte Fotográfica de Portugal", igualmente organizado pelo "Grémio Português de Fotografia". 

1944

«Com uma vida totalmente dedicada à sua arte de alfaiate e fotógrafo, não esquecendo a família, Manuel Pinheiro da Rocha é um ilustre para todos quantos o conheceram, mas é pouco ou nada conhecido pelas gerações actuais. Este nosso conterrâneo apenas fez em Lamego, em 1956, uma exposição fotográfica no Clube, colaborando ainda, com algumas fotografias suas, no Boletim da Casa Regional da Beira Douro, muitas delas ilustrando a primeira página. Podemos também encontrar o seu nome referenciado como colaborador na prestigiada Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, ao fazer ilustrar muitas das páginas desta obra com magníficas fotografias da sua autoria, com particular interesse para imagens de Lamego e toda a região. Várias vezes ouvimos Monsenhor Correia de Noronha, que com ele convivia - também este entusiasta e grande artista da fotografia - dizer que foi com Pinheiro da Rocha que aprendeu a fotografar.» (*)

Em 1950, já a sua Alfaiataria "Pinheiro da Rocha" estava instalada na Rua Rodrigues Sampaio, junto à Praça D. João I, com um grande e belíssimo estabelecimento. Aqui ficam as respectivas fotografias ...






Pinheiro da Rocha era tão bom alfaiate como fotógrafo. Era muito avançado em ambas as artes, sendo pioneiro no seu recurso à publicidade ao seu ateleir de alfaiate. Tratou-se de um curto filme publicitário que mandou realizar, para dar a conhecer a sua alfaiataria. Com fotografia e montagem de Manuel Santos, música de Carlos Calderón e som e produção da "Lisboa Filme", a fita  “A Pedra”, com cerca de 3 minutos de duração, foi exibida exibida nas salas de cinema do Porto, pela agência "Belarte", do seu amigo Alexandre Tavares da Fonseca.


Manuel Pinheiro da Rocha

«Na fotografia, era primoroso. Um génio. Tinha as melhores lentes, pois dizia que a máquina estava para o fotógrafo como o pincel para o pintor, escreveria o filho, Fernando Pinheiro da Rocha, sobre o pai. Com efeito, a amizade com o fotógrafo e outros conhecidos artistas do seu tempo, como Joaquim Lopes, Acácio Lino, Jaime Isidoro, Teixeira Lopes ou António Fernandes, com quem habitualmente dava passeios para pintar e fotografar, seriam decisivos para o seu percurso na fotografia. Foi sócio fundador da Associação Fotográfica do Porto e presidente do Grémio Português de Fotografia. Participou em inúmeros salões de Fotografia, realizado não só em Portugal, mas também pela Europa e EUA, e expos individualmente, na Galeria António Carneiro (1953), no Clube de Lamego (1956) e na Sociedade de Belas-Artes de Lisboa (1962). Colaborou em várias publicações: Boletim da Casa Regional da Beiradouro, A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e no livro Porto Capital do Norte – Origem de Portugal (1963). No cinema, colaborou no documentário de Arthur Duarte e João Moreira, Barqueiros do Douro e na revista Movimento sobre Cinema.
Sem nunca perder de mira as suas raízes, Manuel Pinheiro da Rocha deslocava-se frequentemente a Lamego, fazendo-se acompanhar da inseparável câmara fotográfica, para nos deixar um legado imenso, de valor documental inestimável, sobre Lamego nas décadas de 1930-1950. 
Em 2023, por iniciativa da Junta de Freguesia de Britiande, com um sentido de homenagem a um filho da terra e, simultaneamente, rememorar a antiga vila de Britiande, Manuel Pinheiro da Rocha regressou às origens, através de uma exposição, com curadoria do Museu de Lamego, que teve lugar na renovada Casa do Povo, composta por um expressivo conjunto de imagens de Britiande, de sua autoria, que se conservam no Centro Português de Fotografia.» (**)

Foto de 20 de Março de 2019

Em 2019, já funcionava como "Loja Pinheiro da Rocha", sendo uma «loja de vestuário e acessórios para mulheres». Em 2023, fazendo fé na foto seguinte já teria encerrado ...


Abril de 2023 (via Google Maps)

A Comissão de Toponímia da Câmara Municipal do Porto, viria a atribuir o nome de Manuel Pinheiro Rocha a uma Rua na freguesia de Campanhã, com início na Rua Peso da Régua e a terminar na Rua de Santa Marta de Penaguião.

Bibliografia:

(*)   - "Triplov.com.org" - Cibercultura - Manuel Pinheiro da Rocha
(**) - "Museus e Monumentos de Portugal" - "Boas Raparigas" -  Museu de Lamego

fotos in:  Arquivo Nacional da Torre do Tombo