Restos de Colecção: Igrejas
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19 de fevereiro de 2017

Templo Adventista de Lisboa

O “Templo Adventista” de Lisboa -  “Igreja da Missão Portuguesa das Adventistas do Sétimo Dia" - localizado na Rua Joaquim Bonifácio em Lisboa, projectado pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, foi inaugurado em 28 de Novembro de 1924, tendo a festa de inauguração se prolongado durante o fim-de-semana de 28, 29 e 30 de Novembro de 1924, respectivamente Sexta, Sábado e Domingo. Construído com fachada bizantina, chegou a ser candidato ao “Prémio Valmor de Arquitectura”, mas por ser um templo religioso, foi-lhe recusado tal distinção.

Arq. Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957)

Em 1923, o projecto da "Igreja da Missão Portuguesa das Adventistas do Sétimo Dia", é descrito por Pardal Monteiro na memória descritiva da seguinte forma:

«Este edifício compõe-se essencialmente de dois pavimentos. O pavimento térreo compõe-se (...) de salas (...) destinadas a escritórios, livraria, sala de pequenas reuniões e ginástica médica.
O primeiro andar é ocupado por uma grande sala e algumas pequenas dependências. Esta sala é destinada a conferências e o seu piso é levemente inclinado para o extremo posterior a fim de facilitar aos assistentes a vista do que se passa no estrado do topo.
Este andar é subdividido n'um segundo pavimento ocupado por uma pequena galeria de duas bancadas.»

O primeiro contacto da “Igreja Adventista do Sétimo Dia” em Portugal foi através de Clarence Rentfro que, em 1904, pisou em solo português como pioneiro da “Igreja Adventista” em território lusitano, desembarcando do navio “Madalena” no dia 26 de setembro.

Foi com a senhora Lucy Portugal, viúva do actor António Portugal, que o seu trabalho começou a ter êxito. Com efeito, foi na casa desta senhora, localizada à Rua dos Industriais, nº 9, 2º andar, que se realizou a primeira escola sabatina, trata-se de um programa de estudo semanal continuado em que os membros têm oportunidade de estudar um mesmo tema durante a semana e discuti-lo posteriormente no sábado. A partir de 13 de Agosto de 1906, foi alugada uma sala de culto na Rua de S. Bernardo à Estrela, nº 120, 1º andar. No mesmo ano, a 27 de Setembro, chega outra família missionária - os Schwantes, que se radica no Porto.

Artigo na revista “Illustração Portugueza” de 15 de Abril de 1907

A igreja começara entretanto a sua expansão. Em 1906, Ernesto Schwantes iniciara a sua actividade no Porto. Em 1910, chegava a Portugal o pastor Paul Meyer. Clarence Rentfro substituíra um ano antes Ernesto Schwantes, então regressado ao Brasil, na região do Porto. As cidades de Portalegre, Tomar e Coimbra conheciam a mensagem adventista.

A actual “Igreja Central da União Adventista do Sétimo Dia”, compreende um amplo salão de reuniões, e instalações anexas, onde funcionam os serviços da Congregação Residente e da União propriamente dita.

 

Em Portugal, a primeira emissão radiofónica com uma mensagem Adventista, foi transmitida a 25 de Fevereiro de 1931 pelo então pastor António Dias Gomes, que emitiu uma conferência. O tema dessa conferência foi a “Reforma do Calendário”, um tema de actualidade para a época em que se debatia a vantagem de substituir a tradicional semana de 7 dias por uma semana de dez dias. O pastor António Dias Gomes demonstrou na sua mensagem, os inconvenientes dessa alteração. Desde essa altura houve mais algumas emissões de rádio mas sempre de forma esporádica. Assim em 1946 os jovens da  “Igreja Central da União Adventista do Sétimo Dia” pela mão de José Graça participaram em duas emissões da “Rádio Peninsular” onde deram duas sessões de música coral religiosa. Oito anos mais tarde, em 7 de Abril de 1954 iniciaram-se na mesma emissora, “Rádio Peninsular”, emissões de 15 minutos intituladas “Saúde e Lar” que se efectuavam às quartas-feiras à noite.

Em 28 de Novembro de 2013 tiveram lugar as comemorações da inauguração do templo da “Igreja da Missão Portuguesa das Adventistas do Sétimo Dia" , na Rua Joaquim Bonifácio, em Lisboa

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Urbanus Detalhes, Lisboa

15 de julho de 2015

Capela de São Gabriel em Marconi

A “Capela de São Gabriel”, também conhecida por “Capela da Marconi” por ter sido construída, em 1951, para uso dos trabalhadores da estação receptora da Companhia Portuguesa Rádio Marconi - ali instalada desde 15 de Dezembro de 1926 -, foi projectada pelo arquitecto António Segurado, no lugar de Marconi no concelho de Vendas Novas, no distrito de Évora. O nome atribuído a esta capela, deveu-se ao facto de São Gabriel ser o padroeiro das telecomunicações.

 

O nome do lugar tem origem no facto de aqui estar instalada uma estação receptora de rádio, da antiga  Companhia Portuguesa Rádio Marconi”, actualmente propriedade da “PT- Portugal Telecom” . Hoje em dia, esta estrutura encontra-se desactivada.

Mas nem tudo começou bem no ano da inauguração da “Capela de São Gabriel”, e em 27 de Dezembro …

… mas já em 19 de Abril de 1952 …

O vitral “Anunciação”, - em que o anjo, retratado na sua função de revelador dos planos divinos, de mediador do Saber, de ponte entre Céu e Terra, é alter-ego de Eros-Psique - foi da autoria de Almada Negreiros que colaborou com o arquitecto Jorge Segurado em diversos projectos . Relembro que outra colaboração muito importante foi com o arquitecto Porfírio Pardal Monteiro na  Gare Marítima do Cais da Rocha de Conde d’Óbidos .

Interior da “Capela de São Gabriel”

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Vitral “Anunciação” de Almada Negreiros

  

Esta capela  é um dos exemplos mais importantes da arquitectura modernista em Portugal, e considerada como obra de referência no conjunto da obra do arquitecto Jorge Segurado, também autor, entre outros projectos, do edificio da Casa da Moeda no bairro do Arco do Cego, em Lisboa.

E em 1964 outro contratempo nesta Capela …

… mas que foi prontamente solucionado 3 dias depois

Capela de São Gabriel, actualmente

 

Fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Sitio Marconi (Fundação PT)

27 de fevereiro de 2015

Igreja de São João de Deus

A “Igreja de São João de Deus”, projectada pelo arquitecto António Lino, e construída pelo construtor Diamantino Tojal, foi inaugurada a 8 de Março de 1953, na Praça de Londres, em Lisboa, com a bênção do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira. Estiveram também presentes na cerimónia, o Ministro das Obras Públicas, engº José Frederico Ulrich, o Governador Civil de Lisboa, dr. Mário Gusmão Madeira, o Presidente da Junta de Província da Estremadura, coronel Santos Pedroso, o veredor da Câmara Municipal de Lisboa, arquitecto Vasco Palmeiro (Regaleira).

 

Inauguração, com a cerimónia da benção pelo Cardeal Patriarca de Lisboa D. Manuel Gonçalves Cerejeira

  

São João de Deus (1495-1550)

No sítio onde hoje se encontra a Igreja de São João de Deus, tinha sido outrora, uma vacaria erguida por João do Outeiro. Era um espaço riscado pela Estrada das Amoreiras e Rua Alves Torgo e entremeadas de outros caminhos estreitos. Algo difícil de se imaginar hoje. Naquele lugar, hoje Praça de Londres, haveria de se implantar o «maior redil de almas de Lisboa».

 

Com os crescimento de Lisboa ao norte de Arroios, no início dos anos 50 do século XX, foi necessário estabelecer novas paróquias. Só Arroios, no censo de 1950, contava com 70.966 habitantes. O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Gonçalves Cerejeira,  decretaria a constituição de novas paróquias: Santa Joana Princesa, Santa Tereza (hoje “Igreja dos Santos Doze Apóstolos”), Santo Anjo de Portugal, São João Evangelista e São João de Deus, entre outras. Esta Igreja foi construída sem sacrifícios dos paroquianos, o dinheiro veio, em parte substancial, da indemnização do Estado pela demolição da “Igreja de Nossa Senhora do Socorro”, no Martim Moniz.

«António Lino foi o arquitecto escolhido para irmanar a modernidade com o recolhimento, a beleza com a sobriedade, o monumental com o funcional. Rodeou-se de nomes que eram ou viriam a ser famosos: o engenheiro Gonçalo Teixeira da Mota, os escultores Leopoldo de Almeida e Soares Branco (este ainda no início da carreira), o ceramista Jorge Barradas e o pintor Domingos Rebelo, autor do tríptico em que se descreve a vida de João Cidade, nascido em Montemor-o-Novo, que haveria de consagrar, como João de Deus, a maior parte da sua vida ao povo de Granada.» in “Diário de Notícias”

Nestes painéis, obra de Mestre Domingos Rebelo (1891-1975), podemos encontrar a ilustração dos momentos fundamentais da vida de São João de Deus. Os painéis encontram-se por trás do altar da igreja, ocupando grande parte da altura interior.

«É grande o templo, como grande é a paróquia. Entre os serviços de culto, as actividades pastorais e tarefas administrativas espalhadas por dezenas de salas em três pisos - mais a residência paroquial - cruzam-se, nos corredores, mais de 200 pessoas, sendo 9 empregadas, 2 sacerdotes fixos e 3 em colaboração.» in “Diário de Notícias”

Na época da construção, António Lino explicou o seu desejo de aproximar os fiéis do altar, vencendo a afastamento obrigatório que existia em relação à assembleia, circunstância que só foi alterada uma década depois com o Concílio Vaticano II.

 

 

 

Neste mesmo dia 8 de Março de 1953, seria inaugurada a "Igreja de São João de Deus" junto ao “Hospital Pediátrico São João de Deus”, dado em 1943 pela “Ordem Hospitaleira de S. João de Deus”, em Montemor-o-Novo, «terra da naturalidade do santo, e que foi construída por dádivas dos montemorenses, e do produto de várias festas populares e do esforço e dedicação dos irmãos da ordem hospitaleira, fundada por S. João de Deus.», inserida nas comemorações da data do nascimento deste santo.

"Igreja de São João de Deus" junto ao “Hospital Pediátrico São João de Deus” em Montemor-o-Novo

A “Igreja São João de Deus” foi sujeita, no ano 2000, a obras de restauro e conservação. As comemorações do Jubileu do Ano 2000 puderam assim encontrar a igreja com o exterior e interior com um aspecto completamente renovado.

 

 

 

fotos in: Paróquia São João de Deus, Arquivo Municipal de Lisboa

18 de janeiro de 2015

Igreja de Santa Engrácia

A “Igreja de Santa Engrácia” - “Panteão Nacional”, situa-se no local de uma igreja erguida pelo arquiteto Jerónimo de Ruão, em 1568, por determinação da Infanta D. Maria, filha do Rei D. Manuel I, para receber o relicário da virgem mártir Engrácia de Saragoça e por ocasião da criação da freguesia de Santa Engrácia, em Agosto de 1568, por Breve do Papa Pio V, separando-a da paróquia de Santo Estêvão de Alfama. Essa antiga igreja fora construída no local de um templo de meados do século XII mas foi severamente danificada por um temporal no ano de 1631.

Em 1632, tem início das obras da segunda igreja segundo projecto do arquitecto Mateus do Couto, tendo para o efeito sido solicitadas "esmolas régias" a Filipe III, contribuindo os irmãos com quotas anuais, para a execução da mesma. a “Irmandade dos Escravos do Santíssimo Sacramento” (fundada em 1631), institui as “Festas do Desagravo”, a celebrar anualmente nos dias 16, 17 e 18 de Janeiro, às quais presidiam a Família Real. Com a morte do arquitecto Mateus do Couto, as obras são paradas, sendo só retomadas em 1682. A 31 Agosto de 1682, o então príncipe D. Pedro, em cerimónia solene, lança a primeira pedra da atual igreja, edificada de raiz, sendo encarregue da obra o sobrinho do anterior arquiteto, também ele chamado Mateus do Coutos, segundo projeto do mestre pedreiro João Antunes. As obras foram custeadas pelas esmolas régias e pelas quotas dos irmãos, mas entre os anos 1686 e 1692 as obras param de novo. Com as obras paradas, a seguir ao terramoto de 1 de Novembro de 1755, que não afeta a igreja, é acolhimento da “Irmandade do Santíssimo”, da “Irmandade  dos Escravos do Santíssimo”, e da “Irmandade das Almas e da Esperança”, quase em extinção.

 

 

Em 1834, com a extinção das ordens religiosas a “Igreja de Santa Engrácia” é entregue às instituições militares, tendo sido utilizada como quartel, depósito de materiais de guerra e fábrica de calçado do exército.

Fábrica de calçado do exército na “Igreja de Santa Engrácia”

Em 1916, com a publicação de uma lei de 29 de Abril, é-lhe conferida a condição de “Panteão Nacional”. Em 1934 é constituída uma comissão constituída pelo escultor Francisco Franco, pelo arquitecto Cristino da Silva e o olissipógrafo Gustavo de Matos Sequeira, destinada a elaborar um parecer sobre a forma de concluir as obras. Foram tomadas medidas efectivas para a recuperação do edifício existente e construção da cúpula em 1956, tendo sido pedidos novos estudos a dez arquitetos de entre os quais se encontravam, apenas o de António Lino (sobrinho do arq. Raúl Lino) e de Luís Amoroso Lopes, tendo sido escolhido este último para prosseguir o desenvolvimento do trabalho, a partir das várias soluções encontradas.

Projecto de António Lino, que não teve sequência

Projecto de Luís Amoroso Lopes

 

 

As obras prolongaram-se entre 1962 e 1966, ano em que se verifica a conclusão da construção com assentamento da cúpula baseada no projeto do arquiteto Amoroso Lopes. Em 1966 são executadas por mestre António Duarte, as  esculturas de Santa Engrácia, de Santa Isabel, de Nuno Álvares Pereira, de Santo António, de São João de Brito, de São João de Deus e de São Teotónio.

 

 

 

 

Finalmente, a 7 de Dezembro de 1966 é inaugurado oficialmente o “Panteão Nacional”, com a conclusão da construção da “Igreja de Santa Engrácia”, 334 anos depois do início da sua construção em 1632. Por isso foi criado o dizer popular «parecem as obras de Santa Engrácia» para algo que está demorando muito tempo a ser concluído. Nesse mesmo ano, os restos mortais de Almeida Garrett, João de Deus, Guerra Junqueiro, Teófilo Braga, Óscar Carmona e Sidónio Pais seriam trasladados para aqui.

Aspecto das cerimónias da inauguração

Notícia da inauguração no “Díario de Lisbôa”

 

Chegada do Presidente do Conselho, Doutor Oliveira Salazar

O “Panteão Nacional de Portugal” está instalado em Lisboa, na “Igreja de Santa Engrácia”, e em Coimbra, na “Igreja de Santa Cruz”, estatuto que foi reconhecido ao “Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra” em Agosto de 2003, pela presença tumular dos dois primeiros reis de Portugal, D. Afonso Henriques e D. Sancho I.

Mosteiro de Santa Cruz (Panteão Nacional) em Coimbra

A edificação de um “Panteão Nacional” foi estipulada pelo ministro Passos Manuel em Decreto de 26 de Setembro de 1836, cuja edificação ainda não tinha local escolhido. O objetivo na época seria dignificar os heróis que se sacrificaram na “Revolução de 1820” e reerguer a memória coletiva para grandes homens entretanto caídos no esquecimento, como Luís de Camões.

 

Actualmente, o “Panteão Nacional” destina-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade.

Abriga os cenotáfios de heróis da História de Portugal, como: Luís de Camões, Vasco da Gama, D. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral e Afonso de Albuquerque.
Nota: cenotáfio significa, memorial fúnebre erguido para homenagear alguma pessoa ou grupo de pessoas cujos restos mortais estão em outro local ou estão em local desconhecido.

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Estão, actualmente, depositados no “Panteão Nacional” as seguintes personalidades:

Almeida Garrett (1799-1854), escritor e político
João de Deus (1830-1896), escritor
Manuel de Arriaga (1840-1917), Presidente da República
Sidónio Pais (1872-1918), Presidente da República
Guerra Junqueiro (1850-1923), escritor
Teófilo Braga (1843-1924), Presidente da República
Óscar Carmona (1869-1951), Presidente da República
Aquilino Ribeiro (1885-1963), escritor
Humberto Delgado (1906-1965), general da Força Aérea e Diretor-Geral da Aeronáutica Civil
Amália Rodrigues (1920-1999), fadista
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), escritora

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, SIPA, Museu da Cidade