Restos de Colecção: Som
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14 de fevereiro de 2024

Radio-Lisboa

A "Radio-Lisboa", abriu as suas portas pela primeira vez, na Rua Serpa Pinto, 7 em 24 de Novembro de 1924, sendo propriedade da firma "Eduardo Dias, Lda." de Eduardo Jacôme Dias.

Stand da "Radio-Lisboa" no "Salão Voga" em 1928


"Radio-Lisboa" à direita na foto de Março de 1965

Numa pequena nota do "Diario de Lisbôa" intitulada «Um novo estabelecimento» a propósito da sua abertura ...

«Sahindo da trivialidade a que estamos acostumados, acaba de ser inaugurado em Lisboa um novo estabelecimento que se impões pela sua louxuosa e moderna apresentação.
A firma Eduardo Dias, Lda. esforçou-se por dar ao seu novo Salão Radio-Lisboa, na Rua Serpa Pinto, 7, um cunho de bom gosto inconfundivel.
Ao lado de luxuosos aparelhos de telephonia sem fios sobresahem inumeras peças para a construção dos mesmos, e é tão interessante todo este conjunto, que uma visita a este Salão se impõe a todas as pessoas de requintado gosto artistico.»


Interior da "Radio-Lisboa"


Na revista "T.S.F. em Portugal" de 9 de Novembro de 1924

Por outro lado no dia 20 de Novembro de 1924 o jornal "A Capital" publicava outra nota intitulada «Casa Radio» ...

«A firma Eduardo Dias, Limitada estabelecida na rua Serpa Pinto, 7, inaugura na proxima segunda-feira, às 16 horas, o seu salão de exposição e de vendas. Comemorando essa inauguração será distribuido um bodo aos pobres. Agradecem-se as senhas que foram enviadas para os nossos protegidos.» 

1924


1926



1934

Em finais de Abril de 1925, Eduardo Jacome Dias, proprietário da "Radio-Lisboa", instalou o emissor com o indicativo P1AC e passou a fazer ensaios em telefonia. Organizou emissões de rádio-concertos, que se ouviriam por altifalante a 400 quilómetros de distância, com 50 watts. Eduardo Jacome Dias tinha ligação a negócios em França, pelo que deu uma palestra na Radio-Paris, em 7 de Novembro de 1925. Das suas palavras, o rádio amador disse que «nada há para nós – senfilistas das primeiras horas – que possa traduzir a sensação deliciosa de pureza de aveludado, de volume, que as ondas nos proporcionam e que representam por assim dizer a tradução fidelíssima da fala ou da música. Hoje, a radiofonia é indispensável em todos os países, sendo tão necessária como uma escola para a infância».

Escreveria numa carta: «sinto-me já então um pouco comovido com a ideia de que vou falar para alguns milhões de pessoas e ainda mais ao ouvir – por intermédio do haut-parleur – o speaker anunciar que vou dirigir uma fala aos amadores de Portugal». As palavras altifalante e locutor ainda não existiam. A carta revelaria ainda o ambiente do estúdio onde pontificava o piano e a contiguidade geográfica entre realização radiofónica e parte técnica da emissão.

Em 24 de Novembro de 1925, para assinalar o primeiro aniversário da loja "Radio-Lisboa", foi emitido um concerto do quarteto da estação P1AC, dirigido por Américo Lopes dos Santos, violinista e diretor artístico da emissora. A assistir, estava o proprietário e diretor da revista "T.S.F. em Portugal", Alvaro Contreiras. A festa incluía um «bodo a 300 pobres de Lisboa», provando de que a atividade radiofónica podia ter um lado altruísta e de beneficência. 

Bibliografia: "História da Rádio em Portugal" de Rogério Santos

fotos in: Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de LisboaBiblioteca Nacional Digital

15 de novembro de 2023

III Exposição de T.S.F. em 1930

A "III Exposição de T.S.F.", foi inaugurada na "Sociedade Nacional de Belas Artes", em Lisboa, em 13 de Dezembro de 1930, pelo Chefe do Estado, General Óscar Carmona. «O sr. Presidente da República, manifestou desde logo a boa impressão que lhe causara o aspecto geral do certame, visitando depois todos os "stands" dos quais damos abaixo uma nota discriminada.»

Inauguração da "III Exposição de T.S.F." na "Sociedade Nacional de Belas Artes"



Reportagem na revista "Ilustração Portuguesa"

Os stands participantes no evento foram os seguintes: "Philips" representada pela "Sociedade Comercial Philips Portuguesa""Clarion" representada pela "Casa Serras"; "His Master's Voice" representada pelo "Grande Bazar do Porto"; "Ducretet" representada pela "Costa & Arez, Lda."; "Burndept" representado pela casa "Vasco Alcobia"; "Fada" representada pela firma "Mantua, Lda."; "Stromber-Carlson" representada pela "Radio Portugal"; "Atwater Kent" representada pela "Nacional Radio, Lda."; "Agência Tecnica e Comercial, Limitada"; "AEG Telefunken"; "Stern & Stern" representada pela "Jayme da Costa, Lda."; "J. Coelho Pacheco".

Exemplos de rádios "Philips"

Nova sede da "Philips Portuguesa" em 1930, na Avenida da Liberdade


1 de Fevereiro de 1931


"Casa Triumpho" de Virgilio Ribeiro (fundada em 1899), agente "Philips", na Rua Augusta em Lisboa



1930


Loja do "Grande Bazar do Porto" representante da "His Master's Voice" em Portugal, na Rua Augusta



1 de Dezembro de 1930




13 de Dezembro de 1930



16 de Janeiro de 1931




13 de Dezembro de 1930





22 de Dezembro de 1930


Sede da "Nacional Rádio, Lda.", na Praça da Figueira (antiga Rua da Betesga), em foto de 1968

«O sr. general Carmona, que se demorou largo tempo no recinto da exposição, retirou-se pouco antes das 16 horas depois de ter felicitado os espositores pelo exito do notavel certame.». Mas sem antes ...

«O sr. A. Atwater enviou a S. Exª o Sr. Presidente da Republica, por intermédio do seu distribuidor geral Alfredo A. Cunha e dos seus representantes no Sul e Centro "Nacional Rádio, Lda." juntamente com uma placa de oiro, um aparalho combinação rádio-grafonola - um lindo móvel.»

Na foto seguinte o Presidente Óscar Carmona a sintonizar o rádio-grafonola "Atwater Kent" oferecido por esta marca, conjuntamente com uma placa de oiro, visível na tampa.


E, pelos vistos, esta oferta terá resultado em cheio nas vendas da "Atwater Kent", nesta exposição, a fazer fé no anúncio seguinte ...


31 de Dezembro de 1930

Quanto aos preços dos aparelhos ali expostos transcrevo uma carta de João Senfilista Pobre, dirigida ao director do jornal "Diario de Lisbôa" em 22 de Dezembro de 1930:

«Sr. drector: - Fui visitar a exposição de T.S.F. e percorri atentamente todos os stands nos quais se expõem com profusão inumeros aparelhos, todos eles com aparencia luxuosa que deveras encanta. Indaguei dos preços e ouvi: - Sete contos, cinco contos e tal, quatro contos e tresentos, dois contos e quinhentos, etc., tudo seguido de elogios, afirmando ouvir-se com segura selectividade Londres, Roma, Milão, Turim, Toulouse, espremendo e arrastando muito o ouse, como que a vincar que em Portugal se não pratica a radidifusão, o que não é verdade, pois que graças a varios carolas benfeitores (e bem hajam por tal) isso é já, dentro do relativo, uma esplendida realidade no nosso país.
Retirei desorientado! Pois os nossos industriais e representantes de casas estrangeiras esqueceram, lamentavelmente, os pobres que não têm contos de réis para poderem usufruir os benefícios requintados de tão interessante invenção, não levando á exposição aparelhos modestos e ao alcançe das classes pobres e com os quais se poderia ouvir as estações locais, e das quais, todavia, se servem para demonstração dos aparelhos caros que desejam vender. Não seria possível, a uma casa do genero, fazer o que fez, na questão de automóveis, a Cooperativa dos Chauffeurs, lançandos os "palhinhas" da T.S.F.? - João Senfilista Pobre.»

Não se fez esperar a resposta, por parte de um dos expositores, no dia seguinte:

«Sr. Director
No jornal de ontem, de que v. é mui digno director, lêmos uma carta assinada por "João Senfilista Pobre", dizendo encontrar-se desorientado com os preços dos aparelhos expostos na III Exposição de T.S.F.
Sentimos que a êste senhor tenha passado despercebido o nosso "stand", porquanto nêle temos expostos os nossos aparelhos M B por preços acessíveis a todos os senfilisttas pobres.
De v., etc. - Pela Agencia Tecnica e Comercial Limitada, Luis Pereira.»

A "III Exposição de T.S.F.", encerraria a 31 de Dezembro de 1930.

fotos in: Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Nacional da Torre do Tombo

22 de maio de 2022

Som e Imagem em Portugal (10)

 


Exterior e interior de televisão nos anos 60 do século XX




Conjunto de televisão e HI-FI



Gravador de bobines portátil VC 2 ( "Valentim de Carvalho 2" )



Rádio portátil "Mediator"

1 de dezembro de 2019

"Casa Odeon" - Discos, Músicas e Gramofones

A "Casa Odeon", teve origem na "Sociedade Phonographica Portugueza", fundada por Carlos Calderon na Rua dos Fanqueiros, nº 300, tendo mudado de instalações por volta do ano de 1926 para a Rua de São Nicolau, 113. A esta loja deu o nome de "Casa Odeon", sendo representante (que se pensa ter sido em regime de exclusividade) do fabricante alemão de discos e gramofones.

Anúncio na revista "Cine" de Dezembro de 1929


Quanto à "Odeon Records", - etiqueta da "International Talking Machine Company," - esta foi fundada em Berlim, em Novembro de 1903, por Max Strauss e Heinrich Zuntz com uma postura agressiva e alguns trunfos inesperados, como a introdução dos discos com duas faces, em 1904. Nesse mesmo ano, a "Odeon" tornou-se o primeiro fabricante a fazer-se representar em Portugal, no estabelecimento de Ricardo de Lemos, na Rua Formosa, 304, no Porto, e no estabelecimento "Machinas Falantes" de José Castello Branco, na Rua de Santo Antão, 82, em Lisboa. Consultar neste blog o artigo: "Phonographo e Gramophone em Portugal".


Anúncio publicitário em 1904


Anúncios publicitários em 1906






Quanto a Carlos Maria Ferreira Calderon (1867-1945), compositor de música erudita e teatral, e irmão do cenógrafo teatral Leandro calderon, juntou-se a o portuense Arthur Barbedo - que viria a registar em 28 de Dezembro de 1905 a etiqueta "Ideal" - e fundaram, em 17 de Janeiro de 1901, a "Sociedade Phonographica Portugueza", com sede na Rua dos Fanqueiros (já perto da Praça da Figueira) em Lisboa, para edição e comercialização de partituras, além de co-edição de fonogramas da marca "Beka". Esta firma funcionou como uma empresa que conjugava a actividade de edição e comercialização quer de partituras editadas por outras empresas, quer de fonogramas editados por diferentes marcas, das quais Carlos Calderon era agente comercial. A "Sociedade Phonographica Portugueza", além de cilindros italianos, franceses, americanos, apresentava no seu catálogo português, fados, canções populares, bandas e opera

Capa de partitura de música editada por Arthur Barbedo



Desde 1904, os dois também eram agentes do maior concorrente da "Beka" e da "Odeon": a "Compagnie Française du Gramophone". Outra pista para a ligação inicial entre a "Beka" e essa loja portuguesa é o facto de uma banda com o seu nome aparecer em algumas das primeiras gravações de 1905: "Banda da Sociedade Phonographica Portugueza". Quanto à própria marca "Beka - Rekord", só viria ser registada em Portugal em 1907, três anos após o início de suas actividades no nosso país.

Registo da etiqueta "Ideal" no "Boletim da Propriedade Industrial"


Registo da etiqueta "Beka-Rekord" no "Boletim da Propriedade Industrial"


Em 29 de Maio de 1905, Carlos Calderon ainda aparece como agente da "Companhia Franceza do Gramophone"


Em 4 de Dezembro do mesmo ano, já só aparecem Arthur Barbedo e Manuel Gomes como agentes


Entre 1910 e 1911 a "Odeon Records" é adquirida por Carl Lindström, depois de em 30 de Janeiro de 1904 se ter tornado parte da "Carl Lindström Company", que também era proprietária da "Beka Records",  "Parlophone", "Fonotipia", "Lyrophon", "Homophon" e outras etiquetas. A Companhia de  Lindström viria a ser adquirida, em 1926, pela inglesa "Columbia Graphophone Company". Esta, por sua vez, e em 1931 fundir-se-ia com as "Electrola", "His Master's Voice" e outras e seria formada a "EMI Group Limited" ( EMI=Electrical and Musical Industries).

26 de Dezembro de 1926


Anúncios publicitários em 1928



1930


Quanto à loja "Casa Odeon", julgo ter tido uma existência curta, pois a partir de 1931, não encontrei mais nenhuma referência à mesma. Em 1942, apareceu-me um anúncio publicitário na revista "Vida Mundial" de 24 de Dezembro, em que indicava que a "Casa do Rádio" estava instalada na mesma loja da Rua de S. Nicolau, 113. Aqui ficam as provas ...

"Casa do Rádio" nas antigas instalações da "Casa Odeon", em 1942


24 de Dezembro de 1942


Antigas instalações da "Casa Odeon" (loja de esquina), uma ourivesaria actualmente


Bibliografia: foram consultadas, as seguintes publicações de Susana Belchior - Universidade Nova de Lisboa:
"The Introduction of phonogram market in Portugal: Lindström labels and local traders (1879-1925)" - Janeiro de 2010
"The early years of recording in Portugal: Beka" - Maio de 2011