Restos de Colecção: Sacor
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14 de janeiro de 2011

Sacor

Sendo Cabo Ruivo uma zona industrial por excelência, situada entre a Matinha e Beirolas (onde se encontrava o Depósito Geral de Material de Guerra), aqui foi inaugurada a 11 de Novembro de 1940 a refinaria da SACOR, com um potencial de refinação de 300.000 toneladas/ano. Esta refinaria estava ligada, por pipelines, a uma ponte-cais, no rio Tejo, com 300 m de cais acostável para os petroleiros que abasteciam a mesma.

Fundador da SACOR, Martin Saim, na inauguração da Refinaria de Cabo Ruivo

 

                                               1940                                                                                     1955

              1940 Sacor          

Esta refinaria produzia os seguintes produtos: Gasolina, Gasóleo, GPL (gás de petróleo liquefeito), Fuelóleo, Nafta, Jet fuel (combustível para aviões), Betume (para asfaltos e isolante) e Enxofre (para produtos farmacêuticos, agricultura e branqueamento da pasta de papel).

 

                                             

 

A “SACOR - Sociedade Anónima de Combustíveis e Óleos Refinados”, fundada em 28 de Julho de 1937, por um romeno radicado em França, Martin Saim, foi a primeira empresa petrolífera portuguesa a dominar todo o processo, da importação, transporte, refinação e distribuição dos produtos petroliferos.

 

 

                                     1957                                                                                        1960

           

Refinaria Sacor (C.Ruivo).8 Refinaria Sacor (C.Ruivo).9

Refinaria Sacor (C.Ruivo).10 Refinaria Sacor (C.Ruivo).11

Refinaria Sacor (C.Ruivo).12 

fotos anteriores in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

Até então todos os combustíveis e produtos derivados do petróleo eram importados pela “Shell Company of Portugal, Ltd.”, “SONAP - Sociedade Nacional de Petróleos”, “Socony-Vacuum Oil Company” e a “Companhia Portuguesa dos Petróleos – Atlantic”.

Lembro que já em 1933 tinha sido criada a “SONAP-Sociedade Nacional de Petróleos’” que nunca passou de mais uma distribuidora até ser integrada na futura Petrogal em 1975 a quando da nacionalização do sector.

   

Curiosidade: na foto original da bomba de gasolina da SONAP, em finais dos anos 50, vi que o preço da gasolina estava em 4$00 o litro (2 cêntimos de €) …. e na altura a bomba vendia gasolina “super” e “normal”

A 13 de Junho de 1947 é criada a “Soponata - Sociedade Portuguesa de Navios Tanques’” empresa para transporte marítimo do crude, e detida pelas cinco empresas petrolíferas de então, e pelas Companhia Nacional de Navegação, e Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, e pelas cinco empresas que operavam em Portugal como importadoras e distribuidoras de combustíveis líquidos atrás referidas.

Navio-Tanque “Neiva” (1976-1984), 323.114 toneladas e 346 metros

Cartaz de 1950

A SACOR manteve sempre uma posição dominante na distribuição dos produtos refinados do petróleo, introduzindo em 1958 a "gasolina Super", e fundado a Gazcidla para a distribuição de gás butano (doméstico) e propano (industrial).

Carros de distribuição da “Gazcidla

  

Em 1959 a SACOR cria a sua própria empresa de navegação, A “Sacor Marítima”, para transporte dos seus produtos.

Navio “Sacor” em 1962

Esta refinaria de Cabo Ruivo foi sendo ampliada ao longo da sua existência até entrada em funcionamento da Refinaria de Sines em 1979, que originou a sua desactivação.

                                         1959                                                                                      1960

                          

                       Posto de abastecimento em Évora                                                       Bomba da Sacor

 

Posto de abastecimento na Parede

                “Sacor” abastecendo um “Caravelle” da TAP                    Camiões-Tanque da SACOR na portagem de Sacavém

 

Stand da SACOR na “FIL - Feira das Indústrias de Lisboa”, em 1963, por ocasião dos 25 anos da refinação em Portugal

 

6 fotos anteriores in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

Foi desmantelada por ocasião da Expo'98, restando no seu lugar apenas a torre de cracking da refinaria (na foto seguinte).

                                                 Torre de cracking                                                 Título de 1 acção de 1973

   

A refinaria de Sines é responsável por 70 % da refinação em Portugal e a sua capacidade actual é de 220.000 barris de crude refinados por dia.

                                                  1959                                                                                   1975

  

 

Outra grande refinaria é a do Leça da Palmeira, inaugurada em 1970 apesar de ter iniciado a sua laboração ainda em 1969,  com capacidade para 90.000 barris de crude refinados dia. É uma refinaria simples sendo o seu complexo constituído por 3 fábricas: aromáticos, óleos base e lubrificantes.

Inauguração da refinaria da SACOR em Leça da Palmeira

A SACOR foi nacionalizada em 1975 e integrada na nova empresa, então criada, “Petrogal – Petróleos de Portugal, S.A.”, que mais tarde deu origem à “Galp Energia” que hoje conhecemos.

Em 1978 a “Petrogal – Petróleos de Portugal, S.A.” inaugura a Refinaria de Sines em 15 de Setembro de 1978. A construção desta refinaria integrava-se numa estratégia de exportação para o mercado dos EUA, numa conjuntura internacional de expansão do consumo de produtos petrolíferos. Após as crises do petróleo, a refinaria de Sines acomodou a sua produção às necessidades do mercado doméstico, atualizando o nível tecnológico do seu aparelho por forma a torná-lo competitivo em cenário de crise.

A refinaria de Sines é uma das maiores da Europa, com uma capacidade de destilação de 10,8 milhões de toneladas por ano, ou seja, 220 mil barris por dia