Restos de Colecção: Matosinhos
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11 de maio de 2025

"Palace-Hotel Leixões"

O "Palace-Hotel Leixões", foi inaugurado em 20 de Junho de 1915, na Rua de Sta. Catharina, nº 2 em Leixões-Leça da Palmeira-Matosinhos. Foram seus promotores Manoel Pinto de Mesquita, Domingos Pereira d'Azevedo, José Luiz Ribeiro, Manoel da Silva Moreira e Manoel Caetano Rodrigues Correia.





"Hotel Leixões", "Restaurante Ariz" e "Palace-Hotel Leixões" 



Hotel e Restaurante "Ariz"

«Em Leça da Palmeira, em frente à bacia de Leixões, é inaugurado um excelente hotel e restaurante - Os seus comodos - O nosso jornal é convidado a assistir à sua inauguração, sendo oferecido aos seus redatores uma ligeira refeição - Devido a um serviço combinado com alguns hoteis do Porto, os srs. passageiros podem principiar a sua diária em Leixões e completal-a naqueles hoteis e vice-versa.
A nossa terra, até agora presa e acorrentada á mais criminosa indolência, tende a progredir extraordinariamente, mercê dos extraordinarios esforços de um grupo de indivíduos que, sacrificando tudo, acabam de tomar a seu cargo a exploração de um grande e comodo hotel e restaurante, situado num dos principais pontos da nossa vila.
Esse hotel e restaurante, denominado Palace-Hotel Leixões, reune em si o maior número de comodidades imaginaveis; situado num dos principais pontos da nossa terra, em frente á bacia de Leixões, comporta comodos para grande número de hospedes; os seus quartos, arejados, igienicos e confortáveis, estão mobilados com simplicidade mas com manifesta comodidade e igiene; não ha quarto algum que não tenha uma excelente janela donde se disfruta um belo e atraente panorama; todos eles, com raras excepções, estão providos de excelentes estufas para inverno, alimentadas a gaz; o serviço de limpeza e igiene é completo; os quartos de banho estão distribuídos com proficiência no primeiro e segundo pavimento, de forma que os hospedes se não possam incomodar.




Fachada principal do "Palace-Hotel Leixões"

A convite dos ilustres proprietarios desta excelente casa, srs. Manoel Pinto de Mesquita, Domingos Pereira d'Azevedo, José Luiz Ribeiro, Manoel da Silva Moreira e Manoel Caetano Rodrigues Correia, tivemos ensejo de apreciar a sua bela montagem e as vantagens que apresenta, comparadas com as que nos oferecem as outras casas congeneres. A sala de visitas, mobilada com simplicidade mas com notavel gosto e arte, é confortavel; a sala de jantar, disposta como aconselha a nova estetica, recomenda-se pela bela paisagem marítima que dela se disfruta e é duma comodidade extraordinaria; nela se podem servir jantares para mais de sessenta comensais!
Finalmente o Palace-Hotel Leixões é um estabelecimento modelar que, além de muitas outras vantagens tem a de facilitar que as pessoas hospedadas em hoteis do Porto, que tenham contrato com este, podem fazer aqui as suas refeições sem dispenderem coisa alguma; quer dizer, um hospede do Hotel do Porto pode almoçar ali, vir jantar a Leixões e regressar ao Porto, sem que tenha de pagar o jantar aqui, o que constituiria uma despesa extraordinaria. É, portanto, digna dos maiores elogios a iniciativa dos seus proprietarios, dotando a nossa terra com um estabelecimento modelar, que se pode pôr a par dos seus congeneres, nas principais terras da península.
Aos seus dignos proprietários os nossos agradecimentos pela gentileza do convite, e bem assim pelo excelente menu que se dignaram oferecer-nos por ocasião da nossa visita ao seu estabelecimento.»


Mais um concorrente ... em anúncio de 28 de Janeiro de 1916

Umas décadas mais tarde, a sua denominação passa de "Palace-Hotel Leixões" para "Palácio Pensão Leixões". 


"Palácio Pensão Leixões"

Quanto às lojas do edifício do "Palácio Pensão Leixões"  nos anos 60 do século XX estavam assim distribuídas: «no canto esquerdo, em baixo, a tabacaria do sr Delfim; a entrada ao lado da tabacaria do sr. Delfim é a do "Café Golfinho" (do sr. Oliveira); à direita do edifício, o "Bar Leixões" onde mais tarde foi o café "Mar à Vista" (o proprietário sr. Florival abriu mais tarde o "Café Palmeira" na Rua do Vareiro) e a entrada junto ao "Bar Leixões" era a da pensão».


Edifício da "Palácio Pensão Leixões" com as suas lojas (tabacaria e café/cervejaria/restaurante)


Localização da "Palácio Pensão Leixões" (dentro da elipse a vermelho)

Mas, eis que na manhã de 31 de Dezembro de 1964, deflagrou um incêndio em fardos de algodão descarregado do navio holandês “Laarderkerk”, quase em frente ao actual quartel dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos - Leça. Aparentemente extinto, o fogo reacendeu, mais tarde, noutros fardos de algodão a salvo do incêndio inicial. Para salvaguardar o navio, primeiro, ele foi conduzido para fora do Porto de Leixões, mas acabaria, embora salvando-se das chamas, por encalhar numas rochas à saída do porto.

O pior aconteceria ao "Palácio Pensão Leixões",  localizado no outro lado da avenida junto ao restaurante "Bem Arranjadinho". Os farrapos de algodão, transformados em fagulhas, seriam levados pelo vento e sobrevoando Leça da Palmeira, atingiriam o hotel, pelas 18 horas, transformando-o num pasto de chamas. O edifício, ardeu quase na sua totalidade, por ter recebido larga quantidade de flocos de algodão a arder, e não resistiu ao fogo que o consumiu até restar apenas o esqueleto de pedra em pé.


Incêndio em 1 de Janeiro de 1965

No dia 2 de Janeiro de 1965 o jornal "Diário de Lisbôa" dava a notícia:

«Ainda não se conhecem as causas exactas do pavoroso incêndio do porto de Leixões, sendo de presumir - ao que se diz - ter estado na sua origem, provavelmente, uma ponta de cigarro. De qualquer modo, adensam-se os boatos á volta da tragédia, mas nada parece autorizar, pelo menos por enquanto, atribuir-se o incêndio a intenção criminosa.
Entretanto, ontem, pela manha, as chamas reacenderam-se no prédio pertencente a sra. D. Alice Bastos Messeder, onde se encontrava instalada a Pensão-Bar «Golfinho», do sr. Jose de Oliveira, tendo, por isso, estado em perigo um outro imóvel, contiguo aquele, em cujos baixos funciona o Bar «Leixões».
Poucas horas depois do primeiro foco ter sido debelado, deflagrou o segundo incêndio, a regular distancia daquele, não se admitindo qualquer relação entre os dois. Os bombeiros locais e os sapadores voltaram a atacar, mas em breve houve que dar o alarme geral ás corporações do distrito, que compareceram em força, excepto a de Avintes, que ficou de prevenção. (…) »


O edifício da "Palace Pensão Leixões" após o incêndio

No dia seguinte, 1 de Janeiro de 1965, podia-se ver as ruínas do hotel e, durante anos, a tabacaria do sr. Delfim, que resistiu porque era toda revestida a chapa que a isolou do resto do prédio não pegando aí o fogo, manteve-se a funcionar vendendo jornais e revistas durante anos. Passado anos, viria a ser demolida para se proceder ao alinhamento da avenida.

Já outro hotel tinha sido atingido por outro violento incêndio em 1957, o "Hotel Golfinho", que ficava na mesma correnteza do famoso restaurante "Garrafão".

fotos in: Biblioteca Nacional Digital, Porto Antigo de José Rodrigues (Flickr), Porto de Antanho

18 de dezembro de 2024

"Central Hotel" em Matosinhos

O "Central Hotel", teve a sua origem no "Hotel de Matosinhos" que tinha começado a funcionar em 1904, na Rua Brito Capelo, 19 na, ainda, vila de Matosinhos, no distrito do Porto, por iniciativa de José Alves de Brito e Francisco Xavier Gouveia, que eram proprietários do "Cafe Central" que se situava no prédio contíguo. O primitivo "Hotel de Mathosinhos" já em 1876 funcionava, sendo propriedade de Jose Henrique Gonçalves. A partir de 1888 já era propriedade do espanhol Francisco Ariz, que viria a ser proprietario do "Hotel Leixões" e "Restaurante Ariz" em Leça da Palmeira, Leixões..



Primitivo "Central Hotel" e "Café Central" à esquerda na foto

«Na mesma praça arborisada em que está a estatua de Passos Manoel acha-se o Hotel de Mathosinhos, do snr. José Henrique Gonçalves, onde os quartos se alugam por 1:000 reis por dia, serviço todo incluido.
No hotel ha restaurante com servico por lista.» in: "As Parias de Portugal - Guia do Banhista e do Viajante",  
de Ramalho Ortigão (1876).


1888


8 de Agosto de 1900


27 de Março de 1909


O edifíco do "Central Hotel", apresentava uma arquitectura "Belle Époque", com influências e "Art Noveau". Ocupava dois corpos exteriormente iguais, unidos por uma pequena comunicação onde um pequeno quarteto musical, e não só, animava as noites de Verão. Viria a mudar de proprietário para a firma "Mello, Braga & Barbosa" a que se lhe seguiu Thomaz Alves, por volta de 1916 e que viria a proceder a profunda reforma exterior e interior nos dois edifícios contíguos, por volta de 1921, altura em que é apresentado o projecto do arquitecto  J. Pinto d'Oliveira, que reproduzo de seguida. Nesta altura no edifício do lado direito dos 2 geminados funcionava o "Café Central" e no outro, o primitivo Hotel.


Versão inicial



16 de Novembro de 1916


Rua Brito Capelo com a Rua Conde São Salvador e o "Central Hotel"

Em 1939, segundo o guia "Hoteis e Pensões de Portugal" referindo-se ao "Central Hotel"  indicava:

Classe:  3ª
Quartos:  42
Diárias:   25$00 a 40$00
Quarto:   10$00
Almoço:  12$00
Jantar:   15$00


Salão de jantar do "Central Hotel"

Foi neste hotel que, a 14 de Janeiro de 1927, o autor do atentado contra o Presidente da República Sidónio Pais (1872-1918) a 14 de Dezembro de 1918 na "Estação do Rossio" em Lisboa, José Júlio da Costa foi cercado e detido depois de ter andado foragido cerca de 6 anos. Foi preso de novo e acabou por falecer em 1946, no Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda com o diagnóstico de esquizofrenia.

Entre o final do século XIX e a terceira década do século XX, funcionou como Casino com jogo e sem jogo ... fazendo companhia aos casinos da Foz do Douro, no Porto.


Fichas de jogo de 200 réis de 1898

Fichas de jogo de 1000 réis

29 de Março de 1914

O "Central Hotel", depois de vendido em 1945 ao industrial Edmundo Alves Ferreira, por 400.000$00 (quatrocentos contos), viria a ser demolido tendo sido construído um novo edifício destinado ao mesmo ramo de atividade. O novo "Hotel Porto Mar", foi inaugurado a 18 de Maio de 1945, pelo, então Ministro da Marinha, Américo Thomaz (1894-1987) e cujo projeto de construção esteve a cargo do gabinete de arquitetos "ARS- Arquitetos Reunidos" do qual eram proprietários os arquitetos Cunha Leão, Morais Soares e Fortunato Cabral. Viriam a ser responsáveis, também, pelo projecto do "Mercado de Matosinhos", em 1939 mas só inaugurado em 28 de Julho de 1952. As pinturas murais interiores do Hotel foram da autoria do Mestre Augusto Gomes.


"Hotel Porto Mar"



Edmundo Alves Ferreira (2º a contar da esquerda) e Américo Thomaz de fato claro


Almoço da inauguração do "Hotel Porto Novo"

Inicialmente, o "Café Central" (então, de Alberto Midões) pertencia ao "Central Hotel" que, quando o hotel foi comprado por Edmundo Alves Ferreira, o café foi transferido provisoriamente para o edifício ao lado. Quando o "Hotel Porto Mar" ficou pronto, o café voltou a funcionar novamente no edifício do novo hotel, passando a ser explorado pela sociedade "Siza, Ferreira & Amorim".



Interior do "Café Porto Mar"

Entretanto o "Posto de Turismo" de Matosinhos viria a abrir no edifício do "Mercado de Matosinhos",  inaugurado em 28 de Julho de 1952.


"Posto de Turismo" de Matosinhos em 1952

O "Hotel Porto Mar" ainda hoje funciona com a categoria de três estrelas, com nada mais que seis tipologias de quartos: Twin, Duplo, Triplo, Suite, Familiar e Individual. E com "Metro" de superfície à porta ...

As próximas fotos que contenham fotos antigas (aquando da inauguração deste "Hotel Porto Mar") emolduradas, amplie ao máximo para poder observar o melhor possível das mesmas.











18 de junho de 2014

Mercados de Matosinhos e do Bom Sucesso

O “Mercado de Matosinhos” foi projectado pela empresa portuense “ARS Arquitectos”, pertença dos arquitetos Fortunato Cabral, Cunha Leão e Morais Soares, em 1939. Por dificuldades relativas às necessárias expropriações, as obras só se iniciaram em 1944 tendo sido finalizadas e inaugurado o novo Mercado em 28 de Julho de 1952, tendo aberto ao público a 1 de Agosto do mesmo ano.

“Mercado de Matosinhos”

 

 

Na sequência da construção do “Mercado Municipal de Matosinhos”, a Câmara Municipal do Porto contratou, de novo, a empresa “ARS Arquitectos”, para em 1949 elaborar o projecto do novo “Mercado do Bom Sucesso”. Depois das obras terem sido iniciadas em 1951, seria inaugurado em 27 de Maio de 1952, com 132 lojas e 760 bancas.

“Mercado do Bom Sucesso”

 

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, A Voz de Leça