O armazém de víveres, chás, cafés, mercearia e pastelaria "Pavilhão Chinez" abriu as suas portas pela primeira vez em 1901, na Rua de D. Pedro V (antiga Rua do Moinho de Vento), 89-91, em Lisboa. Inicialmente era propriedade da firma "Simões & Trindade", constituída por José Simões e José Antonio Trindade.
«No elegante estabelecimento da rua D. Pedro V, 89 e 91, encontram os nossos leitores o deliciosos café Timor que recomendamos com especialidade. Mandem ao Pavilhão Chinez pedir o café Timor a titulo de experiencia.»
Localização do "Pavilhão Chinez" na Rua de D. Pedro V (dentro do rectângulo vermelho). Foto do funeral do Rei D. Carlos I e do Príncipe D. Filipe em 8 de Fevereiro de 1908
11 de Novembro de 1902
Segundo o "Almanaque Palhares" para 1904 (dados relativos a 1903) o "Pavilhão Chinez", tinha como seus vizinhos os seguintes estabelecimentos: nas portas 85 e 87 funcionava a "Pharmacia Guerreiro da Costa", e nas portas 101 e 103 uma loja de chá e café de J. d'Oliveira Figueiredo.
3 de Maio de 1907
Fevereiro de 1907
O "Pavilhão Chinez" manteve-se ao longo das décadas como mercearia até ser adquirida pelo decorador Luís Pinto Coelho (1933-2012), em 1985. Mantendo a fachada e o seu interior no essencial, inaugurou como bar em 18 de Fevereiro de 1986, e como José Cardoso Pires (1925-1998) no seu livro sobre Lisboa "Livro de Bordo: Vozes, Olhares, Memorações" escreveu ... «Guardou-lhe o nome de Pavilhão Chinês, respeitou-lhe a fachada, somou-lhe relíquias, sinais das guerras e dos senhores reis, pôs em altar uma colecção de manguitos Zé-povinho (Bordalo, outra vez) e fez-se bar.»
Luís Pinto Coelho também era colecionador e tinha uma loja de antiguidades na Rua do Patrocínio, 26 e inaugurada em 27 de Abril de 1974, - que viria a dar lugar ao bar "A Paródia" em 1976 - e estas foram a base das suas decorações. No caso do "Pavilhão Chinês", a decoração das cinco salas é composta de milhares de objectos do séc. XVIII a XX de várias artes, como: medalhas, capacetes militares, modelos de aviões, quadros, canecas, bandeiras, bustos, peças únicas de Bordalo Pinheiro, etc. Este trouxe a tradição dos bares clássicos, quando ampliou o antigo espaço e recuperou todo o imóvel, incluindo a fachada e os estuques artísticos.
Recordo que Luís Pinto Coelho, já era proprietário de outros bares famosos de Lisboa: "Procópio" de 1972, "A Paródia" de 1976 e o "Fox Trot" de 1978. Foi decorador da "Summertime" (em Montechoro), da "Twins" e da "Swing" (no Porto), da "Diabo" (em Lisboa) e do "Rasputine", na Alapraia, em Cascais.
Os actuais proprietários do "Pavilhão Chinez" são 3 antigos empregados da casa junto com os herdeiros de Luis Pinto Coelho.
fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Lojas Com História

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