Restos de Colecção: "Pavilhão Chinez"

3 de setembro de 2026

"Pavilhão Chinez"

O armazém de víveres, chás, cafés, mercearia e pastelaria "Pavilhão Chinez" abriu as suas portas pela primeira vez em Agosto de 1901, na Rua de D. Pedro V (antiga Rua do Moinho de Vento), 89-91, em Lisboa. Inicialmente era propriedade da firma "Simões & Trindade", constituída por José Simões e José António Trindade. 



José António Trindade (1880- ?)



19 de Agosto de 1901

Em 9 de Outubro de 1902, o jornal "Diario Illustrado" numa pequena nota referia:

«No elegante estabelecimento da rua D. Pedro V, 89 e 91, encontram os nossos leitores o deliciosos café Timor que recomendamos com especialidade. Mandem ao Pavilhão Chinez pedir o café Timor a titulo de experiencia.»


10 de Outubro de 1902


Localização do "Pavilhão Chinez" na Rua de D. Pedro V (dentro do rectângulo vermelho). Foto do funeral do Rei D. Carlos I e do Príncipe D. Filipe em 8 de Fevereiro de 1908

11 de Novembro de 1902

Segundo o "Almanaque Palhares" para 1904 (dados relativos a 1903) o "Pavilhão Chinez", tinha como seus vizinhos os seguintes estabelecimentos: nas portas 85 e 87 funcionava a "Pharmacia Guerreiro da Costa", e nas portas 101 e 103 uma loja de chá e café de J. d'Oliveira Figueiredo.

Em finais de 1906 a sociedade "Simões & Trindade" é dissolvida, e José Antonio Trindade torna-se  único proprietário do "Pavilhão Chinez".  José Antonio Trindade era uma das figuras mais prestigiadas no ramo da mercearia. Esteve na criação ou desenvolvimento de algumas casas, além do "Pavilhão Chinez", como: "Despensa Ideal", na Rua da Prata, "Casa Pekin", na Rua dos Correeiros, "João Pedro, Lda.", na Rua do Mundo, "Ideal das Avenidas", na Avenida da República, e "Drogaria de São Domingos". Com José António Trindade, viria a fundar em 1929 a "Confeitaria Aurea", na Rua do Ouro 262-264. Em 1940 através da firma "Vilarinho & Trindade, Lda.", montou na Rua Rodrigo da Fonseca a "Aurea do Parque, Lda.", com secções de pastelaria e mercearia.

Curiosamente, um pouco mais abaixo na direcção do Chiado, e na Rua de S. Pedro d'Alcântara, outra loja também com a denominação de "Chinez", o "Dragão Chinez", de Manoel Marçal Nunes, e cuja fundação era dos finais do século XIX, anterior ao "Pavilhão Chinez".

3 de Maio de 1907


1900

Fevereiro de 1907

 

O "Pavilhão Chinez" manteve-se ao longo das décadas como mercearia até ser adquirida pelo decorador Luís Pinto Coelho (1933-2012), em 1985. Mantendo a fachada e o seu interior no essencial, inaugurou como bar em 18 de Fevereiro de 1986, e como José Cardoso Pires (1925-1998) no seu livro sobre Lisboa "Livro de Bordo: Vozes, Olhares, Memorações" escreveu ... «Guardou-lhe o nome de Pavilhão Chinês, respeitou-lhe a fachada, somou-lhe relíquias, sinais das guerras e dos senhores reis, pôs em altar uma colecção de manguitos Zé-povinho (Bordalo, outra vez) e fez-se bar.» 

Luís Pinto Coelho também era colecionador e tinha uma loja de antiguidades na Rua do Patrocínio, 26 e inaugurada em 27 de Abril de 1974, - que viria a dar lugar ao bar "A Paródia" em 1976 - e estas foram a base das suas decorações. No caso do "Pavilhão Chinês", a decoração das cinco salas é composta de milhares de objectos do séc. XVIII a XX de várias artes, como: medalhas, capacetes militares, modelos de aviões, quadros, canecas, bandeiras, bustos, peças únicas de Bordalo Pinheiro, etc. Este trouxe a tradição dos bares clássicos, quando ampliou o antigo espaço e recuperou todo o imóvel, incluindo a fachada e os estuques artísticos.  




Recordo que Luís Pinto Coelho,  já era proprietário de outros bares famosos de Lisboa: "Procópio" de 1972, "A Paródia" de 1976 e o "Fox Trot" de 1978. Foi decorador da "Summertime" (em Montechoro), da "Twins" e da "Swing" (no Porto), da "Diabo" (em Lisboa) e do "Rasputine", na Alapraia, em Cascais.

Os actuais proprietários do "Pavilhão Chinez" são 3 antigos empregados da casa junto com os herdeiros de Luis Pinto Coelho.




fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Lojas Com História

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