Restos de Colecção: Prédios de Lisboa
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14 de agosto de 2018

Edifício Castil

O “Edifício Castil”, localizado na esquina da Rua Braamcamp com a Rua Castilho, em Lisboa, e projectado pelo arquitecto Francisco Conceição Silva (1922-1982), foi inaugurado em 1 de Novembro de 1973. A escultura que fica exactamente na esquina, foi da autoria de Fernando Conduto.

Edifício que foi demolido para a construção do “Edifício Castil”

 

Duas perspectivas da Rua Braamcamp antes da construção do “Edifício Castil”

 

Com a viragem do atelier de arquitectura Conceição Silva para uma estrutura  empresarial, o arquitecto viria participar no capital de algumas empresas, bem como promover os seus próprios investimentos imobiliários. Neste caso do “Edifício Castil”, Conceição Silva surge como um dos investidores tendo criado, em 1969 a “SIURBE, S.A.R.L.”, sociedade anónima cuja administração era composta pelo advogado Mário Pais de Sousa, pelo construtor Domingos Ribeiro da Silva e pelo Engenheiro Alberto Aldim, para além do próprio arquitecto. A sua promoção ficou a cargo da “GI - Sociedade de Gestão Imobiliária, S.A.R.L.”

                                  26 de Outubro de 1972                                                            6 de Dezembro de 1972

 

9 de Dezembro de 1972

Com a sua construção iniciada em 1970, e concluída em 1973, o edifício, tem cerca de 12.974,08 m2 de área bruta de construção e 2.112,39 m2 de área de implantação, com 15 pisos e uma praça interna que dá acesso às lojas nos pisos 5º, 6º e7 º, aos escritórios nos pisos 8º ao 15º e um estacionamento subterrâneo com três caves, com capacidade para mais de 200 lugares para utilização pública.

“Edifício Castil” e “Centro Comercial Castil”, nos anos 70 do século XX

 

 

Pisos de escritórios

Castil.1            Castil.2

Castil.6

Castil.3             Castil.4

Antes da sua inauguração oficial, e ainda com este em fase de acabamentos, tinha já sido inaugurado em 2 de Fevereiro de 1973, o “Cinema Castil”, com 508 lugares. Quanto a este Cinema consultar, neste blog, o seguinte link: “Cinema Castil”.

O “Edifício Castil”  além de ter inaugurado o quarto Centro Comercial de Lisboa, (quinto a nível nacional) foi também o primeiro edifício do país a ter um sistema de controle de parqueamento, e o primeiro a ter um sistema de ticket em que a barreira de entrada só abria depois de se retirar o título e com o mesmo bilhete, depois de pago, poderia sair-se do mesmo.

Em 28 Janeiro de 2008, por Despacho do Ministério da Cultura, o “Edifício Castil” foi classificado como “Imóvel de Interesse Público”.

“Edifício Castil” e “Centro Comercial Castil”, por ocasião do seu 40º aniversário em 2013

  

  

  fotos da autoria de Fernando Guerra

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Edifício Castil

10 de julho de 2018

Palácio das Corporações

O “Palácio das Corporações”, sede do, então, Ministério das Corporações e Previdência Social, projectado pelo arquitecto Sérgio Botelho de Andrade Gomes (1913-2002), foi inaugurado em 23 de Setembro de 1966, na esquina da Avenida de Roma com a Praça de Londres, em Lisboa, pelo Chefe de Estado Almirante Américo Thomaz. Neste dia comemorava-se o 33º aniversário da entrada em vigor do “Estatuto do Trabalho Nacional”. 

 

“Estatuto do Trabalho Nacional”, no Diário do Govêrno de 23 de Setembro de 1933 e inauguração do “Palácio das Corporações”

 

O Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar e o Chefe do Estado Almirante Américo Thomaz na inauguração

 

Este edifício foi construído na esquina da Praça de Londres com a Avenida de Roma, construção que foi iniciada em 1958. No outro lado da Avenida de Roma, outro famoso edifício de Lisboa, fora construído nos anos 1950/1951, projectado pelo arquitecto Cassiano Viriato Branco, promovido pela “Sociedade Industrial de Construções”, e adquirido pela “Companhia de Seguros Império”.

O projecto deste edifício, e como atrás referido, da autoria do arquitecto Sérgio Botelho de Andrade Gomes (1913-2002), foi inicialmente elaborado para ser o “Hotel Vera Cruz”, com 17 pisos acima do solo, tendo sido iniciada a sua construção em 1958 e completada a obra de betão. Por vicissitudes de vária ordem, a obra foi interrompida e esteve parada por um largo período de tempo até que, no "Diário do Governo" de 23 de Setembro de 1960 o, então Ministro das Corporações, Dr. Henrique Veiga de Macedo, anuncia a «aquisição e sua adaptação, de um grande edifício, na Praça de Londres, para sede do Ministério».

Fase de construção em betão concluída do projectado “Hotel Vera Cruz” e em fase de paralisação 

 

O projecto de aumento de 4 pisos acima do solo e adaptação aos serviços do Ministério, foi, igualmente, da responsabilidade do arquitecto Sérgio Gomes, com o cálculo de estruturas do engenheiro Cansado de Carvalho. O arquitecto Frederico George foi encarregado da decoração do andar destinado ao gabinete do ministro e salas anexas ao refeitório, tendo também desenhado e dirigido a construção do respectivo mobiliário.

Depois de adquirido pelo Estado as obras de construção recomeçariam

 


A parte artística, foi confiada a: António Lino, com dois mosaicos artísticos parietais no átrio principal da entrada; a Renato Torres, com tapeçaria mural no gabinete do ministro; a José Farinha, autor do perfil do Presidente do Conselho executado em baixo relevo e da medalha comemorativa da inauguração do edifício.

Mosaicos artísticos parietais no átrio principal da entrada da autoria de António Lino

 

 

O jornal “Diario de Lisbôa”, descrevia assim o ”Palácio das Corporações”, aquando da sua inauguração:

«O edifício tem cerca de sessenta metros de altura e uma superfície coberta de 16.000 metros quadrados, compondo-se de vinte e um pisos, dos quais dezanove ocupando toda área de implantação, e dois recuados, incorporados no respectivo coroamento.
Os dois primeiros pisos, em sub-cave e cave, estão ocupados pelas instalações especiais principais, tais como postos de transformação e seccionamento, instalção de força motriz, centrais de emergência e de ar condicionado, e as restantes áreas disponíveis pelo arquivo geral estático.
No rés-do-chão, no que diz respeito a repartições destinadas a funcionários, ficaram apenas instalados dois serviços: o serviço informativo geral do Ministério e um dependente da Direcção-Geral do Trabalho, com entrada independente pela Avenida de Roma, dado que diáriamente atende muitas dezenas de pessoas. O restante é ocupado pelos acessos principais, do pessoal e de serviço, para as instalações especiais e arquivos.
Nos outros andares, com excepção do décimo sexto e décimo sétimo, ficam instaladas as Direcções-Gerais da Previdência e Habitação Económica e do Trabalho e Corporações, e Inspecção-Geral dos Tribunais do Trabalho, a Secretaria-Geral, o Conselho Superior da Previdência e da Habitação Económica, a Repartição da Contabilidade Pública, a Junta de Acção Social, a Junta Central das Casas do Povo e todos os Centros e Comissões de Estudo,e, ainda, a Biblioteca, a sala de leitura e a sala de posses e conferências.
O décimo sexto piso é ocupado pelo gabinete ministerial, com todos os serviços e dependências a ele anexos, e no décimo sétimo ficam instalados a cozinha, o refeitório em regime de "self-service" e as instalações de convívio do pessoal.»

“Palácio das Corporações” como imagem de fundo de publicações do Ministério das Corporações

        

Este edifício também era apelidado de “Arranha-céus da Praça de Londres”, já que passava a ser o edifício mais alto de Lisboa, só vindo a ser ultrapassado pelo “Edifício Aviz” concluído em 1969, na Avenida Fontes Pereira de Melo, com 70 metros de altura e 23 pisos (20 acima do solo). Ambos viriam ser “destronados” com a inauguração oficial do “Lisboa Sheraton Hotel” em 9 de Novembro de 1972, da autoria do arquitecto Francisco Conceição Silva, com 92 metros de altura, 30 pisos, e 5 caves.

Actual Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Spes ancora vitae