Restos de Colecção: 2022

21 de setembro de 2022

Antigamente (168)

 


"Jardim Passos Manoel", no Porto em 1912


Estação de serviço "Mobil" em Pedrouços


Stand das conservas portuguesas, de Portimão, "La Rose" em Antuérpia


Carro promocional das conservas "La Rose" nas ruas de Antuérpia


Exterior e interior do stand da firma "Estabelecimentos Sida, Lda.", na "Feira Popular de Lisboa" na Palhavã



"Café Astória" na Avenida da Igreja, em Lisboa

18 de setembro de 2022

Teatro Pinheiro Chagas e Salão Ibéria

O "Theatro Pinheiro Chagas", propriedade da "Sociedade Dramatica Caldense" foi inaugurado em 16 de Setembro de 1901, na Praça Nova (vulgo Praça do Peixe, depois Praça 5 de Outubro), nas Caldas da Rainha. Projectado por Celestino Rosa, a sua construção foi supervisionada por Rafael Bordallo Pinheiro.


   

                                 10 de Janeiro de 1915                                                  14 de Março de 1915

Já o jornal "Tentativa", de 9 de Junho de 1892, noticiava:

«Já se acha concluído o projecto que a amabilidade do sr. Celestino Rosa ofereceu à sociedade dramatica caldense para a construcção do seu novo theatro. Consta-nos que, logo que seja aprovado o referido projecto, se procederá com brevidade á sua construcção, melhoramento que o estado de adiantamento desta formosissima villa, de ha muito estava reclamando.»

Manoel Pinheiro Chagas nasceu a 13 de Novembro de 1842 e morreu a 8 de Abril de 1895. Foi um  notável escritor, romancista, ilustre poeta, orador, invejado jornalista, célebre político, distinto  historiador, privilegiado humorista, exímio homem de estado e magnifico dramaturgo.

Pinheiro Chagas (1842-1895)

Sousa Bastos no seu "Diccionario do Theatro Portuguez", de 1908, descrevia o "Theatro Pinheiro Chagas", da seguinte forma: 

«E' propriedade de uma associação denominada «Sociedade Dramática Caldense». A sua edificação começou em Abril de 1897. A  obra foi dirigida pela direcção da Sociedade e pelo mestre d'obras do Hospital Real das Caldas, Francisco Mathias d'Oiveira Santos. A construcção do palco e suas dependências pelo machinista do theatro de D. Maria II, Joaquim Gomes de Carvalho. 
A inauguração do Theatro Pinheiro Chagas fez-se no dia 16 de Setembro de 1901 com uma recita promovida por um grupo de amadores, revertendo o producto a favor dos bombeiros voluntários, do theatro, e da banda da Guarda Municipal. O programma do espectáculo constou de duas partes, sendo a primeira de concerto e a segunda da comedia em 2 actos, Na Bôcca do Lobo. Tomaram n'ella parte as senhoras: D Honorina Amado, D. Maria da Conceição Eça Leal, D. Luiza d'Aboim e D. Maria Magdalena de Moraes, e os cavalheiros: Eça Leal. José Amado, D. Huberto Gonzalez, Luiz Gama, Illidio Amado, Vasco Dantas da Gama e Thomaz Eça Leal. Tomaram também parte um sexteto e a Banda da Guarda Municipal de Lisboa.
O theatro possue o seguinte scenario : sala rica, sala media, campo, praça e jardim, tudo pintado pelo scenographo Eduardo  Reis. O rendimento do theatro é approximadamente de 200$000 e a despeza, em cada recita, não incluindo a renda é de 55$000 a 18$000 réis. 
Tem duas ordens de camarotes com 21 em cada ordem, 160 fauteuils, 102 logares de superior e 50 de geral. Projecta-se  augmental-o com 6 frizas.
Já alli teem representado: uma companhia hespanhola de zarzuela, a companhia do Theatro Carlos Alberto, do Porto, a Companhia Sousa Bastos, e um grupo de artistas do Theatro da Trindade, de Lisboa. O Theatro Pinheiro Chagas aluga-se ás companhias, pagando estas 15 % da receita bruta de cada espectáculo.»

Até à inauguração deste Theatro, desempenhou um papel importante o Theatro da Travessa do Moinho de Vento, fundado em 1893.


20 de Agosto de 1916



Programa de 30 de Setembro de 1916


Grupo de actores vestidos com trajes minhotos, à porta do "Teatro Pinheiro Chagas" em 1917

Quanto ao "Theatro Pinheiro Chagas", «O início deste teatro foi no Parque, com frente para a Rua de Camões e era propriedade da Sociedade Dramática Caldense. Constituía um estorvo a uma modernização do Parque, no conceito de renovação que inspirou Rodrigo Berquó, que conseguiu que o Teatro se construísse no Terreiro das Chocas, nome porque era popularmente conhecida a Praça Nova, depois de Hintze Ribeiro e em 1911 Praça 5 de Outubro, como hoje. »

O "Theatro Pinheiro Chagas", foi gerido, inicialmente, pela "Sociedade Dramática Caldense", sendo este espaço utilizado apenas para peças teatrais. Iniciou a exibição de filmes ainda nos anos XX do século XX, - já arrendado a Eduardo Montez que fazia a sua gestão. 

21 de Março de 1929


5 de Abril de 1931

O mais antigo cinema caldense era o "Animatographo Bolander" no "Salão Central" da Convalescença, espaço que já não existe, mas onde actualmente funciona o serviço de fisioterapia do Hospital Termal. «As pessoas ficavam a recuperar na convalescença uns dias após tomarem os banhos e numa das salas eram transmitidos filmes», (Mário Lino, 2017).

No Jornal "O Círculo das Caldas" de 20 de Novembro de 1907 noticiava-se:

«Estreou-se no dormindo ultimo, no salão Convalescença, a magnifica machina animatographica apresentada pelo sr. Guilherme Bolander. (...) A primeira e única sessão de domingo teve enormissima concorrência com a instalação e nitidez dos seus esplêndidos quadros de que especialisaremos: "Amor e Pátria ou A Noiva do Voluntario", de maravilhosos efeitos de luz e intensidade dramatica (...) e bailados da Bella Romero (...). Segunda-feira foi exibida a grandiosa peça "Martyres da Inquisiçã", assumpto impressionante, muito fiel de reprodução mas, a nosso ver, pesado de mais para espectaculos de verdadeiro passatempo.» Nota: A machina animatographica era o projector de Edwin Rousby  chamado de "Animatographo Colossal" que tinha chegado às Caldas da Rainha.



Diversões em 18 de Outubro de 1914

"Theatro do Pavilhão" nos Pavilhões do "Parque D. Carlos I " foi inaugurado a 2 de Agosto de 1908. A propósito deste evento  o jornal "Echos das Caldas", do mesmo dia, noticiava com o título "Inauguração dos Pavilhões do Parque":

«A conhecida empreza Netto, Valle & C.ª " vae apresentar soberbos espectaculos núm dos Pavilhões do Parque D. Carlos I. A inauguração realiza-se com magnificas sessões do Animatographo Colossal e com esplendorosos bailados, executados pela bella e notavel bailarina Concha Monedero (Currita Madrileña) (...). Os preços são baratíssimos: cadeiras a 100 réis, superior a 80 réis e geral a 60 réis»

Entretanto, o "Teatro Pinheiro Chagas", «velho e abandonado» necessitava urgentemente de obras de remodelação profunda das suas instalações. Em consequência disso, em Fevereiro de 1934 a "Sociedade Dramatica Caldense" - que se extinguia na ocasião - oferece o Teatro à Câmara Municipal que fica encarregue das obras a seu cargo e o seu custeio. Apesar de, em Março de 1936, o Ministério das Obras Públicas ter indeferido o pedido de comparticipação no custo, é contraído um empréstimo de 150 contos junto da "Caixa Geral de Depósitos", o que permitiu o arranque das mesmas, sob projecto do arquitecto leiriense António Varela (1902-1962)

Apesar das dificuldades, o novo "Cine-Teatro Pinheiro Chagas", foi inaugurado em 14 de Novembro de 1939, com pompa e circunstância e com as presenças além do Presidente da Câmara, Júlio Lopes, do Governador Civil de Leiria, do Comandante distrital da "Legião Portuguesa", do Inspector-Geral dos Espectáculos, etc. A nova sala de espectáculos das Caldas da Rainha foi pintada a rosa velho no exterior e a verde claro no interior.


Em fase de acabamentos e antes da sua inauguração

Depois da inauguração

O jornal "Gazeta das Caldas", de 20 de Novembro de 1939 e por ocasião do acontecimento, relatava:

«Este velho teatro foi completamente remodelado exterior e interiormente, apresentando-se hoje como um elegante edifício de linhas modernas, com uma explendida sala de espectáculos, com cadeiras estofadas, em toda a plateia, tudo num conjunto moderno e de elegância que a tornam uma sala alegre e confortavel.
Após o discurso do Presidente da Câmara Municipal, iniciou-se, seguidamente, a representação da peça "A Vida é Assim", pela Companhia Teatral Portuguesa, de que fazem parte os grandes artistas Palmira Bastos e Assis Pacheco que, nos principais papeis corresponderam em absoluto aos seus altos méritos artísticos, secundados num perfeito conjunto pelos restantes artistas. (...)
No dia 15 realizou-se o segundo espectáculo, pela mesma Companhia, com uma comédia "O Sacrificado" em que Emilia de Oliveira, Irene Izidro, Brunilde Judice, Assis Pacheco e Abilio Alves se houveram como verdadeiros artistas, merecendo da assistência constantes aplausos.»

No dia 23 seguinte do mesmo mês, seria exibido o filme "Fera Humana", conforme anúncio seguinte, na "Gazeta das Caldas".


Por este Cine-Teatro passaram a título de exemplos: O "Orfeão Caldense" e "Os Pimpões" , foram algumas das colectividades locais que levaram à cena inúmeras peças. A Companhia de Vasco Santana também por lá passou, tal como Igrejas Caeiro com o seu programa "Companheiros da Alegria".
No período final da sua existência, foram os filmes que encheram a sala. «Quem não se lembra do "Piolho" (Geral), onde os filmes eram vividos com grande intensidade, pelas classes menos endinheiradas.»


Postal de 4 de Julho de 1947


                                                     1951                                                                     1958

Nos anos oitenta do século XX, o "Cine-Teatro Pinheiro Chagas" entrou em decadência e não resistiu à falta de vontade de o preservar. Em 1992 após uma tentativa (?) de o reconstruir, acabou por sucumbir, tendo sido demolido. "Os Pimpões" passavam ser a única sala de espectáculos da Cidade.


Demolição do "Cine-Teatro Pinheiro Chagas", em 1992

Lembro que os primeiros filmes, ainda mudos, exibidos nas Caldas da Rainha, passaram nos Pavilhões do Parque e quando o "Salão Ibéria" foi inaugurado em 1921 passaram a ser exibidos neste animatógrafo. De referir, ainda, a existência nas Caldas da Rainha das seguintes salas: "Animatografo Pathé" no "Salão Caldense", "Cinematografo High-Life", na Rua Camões, e o "Ibérica Club" na Rua de Camões.


20 de Dezembro de 1914

O "Salão Iberia" foi inaugurado em 5 de Março de 1921, por Salomão Levy e Benjamim Filipe, e implantado no Parque D. Carlos I nos terrenos dos Pavilhões do Parque, mesmo ao lado dos mesmos.




1904


Antes da construção do "Salão Iberia"

O edifício foi construído com os tijolos que sobraram de umas obras de substituição de fornos na "Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha". Antes da sua fachada arquitectónica ter sido alterada, chegou a ter salão de chá.




Durante muitos anos, a par com cinemas de Lisboa e Porto, foi o único, fora dessas duas cidades que exibia filmes no sistema "Cinemascope". O primeiro a ser exibido nesse sistema foi "A Túnica" Chegou a ter uma sala de chá, antes da sua fachada arquitectónica ter sido alterada. Durante muito tempo, além de Lisboa e Porto, apenas no Salão Ibéria se transmitiam filmes em cinemascope. O primeiro foi “A Túnica”.


Nova fachada do "Salão Ibéria"


"Cine-Teatro Pinheiro Chagas" e o "Salão Ibéria" chegaram a ter a mesma gerência e nessa altura era impresso apenas um folheto com a programação dos dois cinemas. «Por aqui passaram boas e más produções, pequenas e grandes produções, desde filmes americanos ‘westerns’, a obras portuguesas, filmes históricos e clássicos como Casablanca, O Comboio Apitou Três Vezes, Saltimbancos, A Severa, As Pupilas do Sr. Reitor, Bucha e Estica, O Dia Mais Longo, A Mantilha de Beatriz, ou Luzes na Ribalta». (Mário Lino, 2017). Era uma época, em que era comum os espectadores terem lugar cativo nas salas de cinema e receberem em casa postais com a programação.

17 de Agosto de 1930


16 de Junho de 1938

1962

O "Salão Ibéria" funcionou até 9 de Outubro 1978, quando ruiu numa noite chuvosa em que não havia sessões de cinema.

Depois do "Salão Ibéria" e do "Cine-Teatro Pinheiro Chagas", surgiu o "Estúdio Um", localizado paredes meias com o "Hotel Cristal", que foi o último cinema nas Caldas com as portas abertas fora de uma superfície comercial.

Bibliografia:

- Dissertação para obtenção do grau de Mestre em História Moderna e Contemporânea "O turismo nas Caldas da Rainha do século XIX para o século XX (1875-1936)" da autoria de Ricardo Fonseca de Oliveira Furtado Hipólito (Setembro 2014).

14 de setembro de 2022

Empresário de Espectáculos José Miguel

Um dos maiores empresários de espectáculos que Portugal conheceu no século XX, foi José Miguel. Nascido em 1908, começou por agenciar fadistas e foi proprietário e concessionário de algumas casas de fado e cafés-concerto de Lisboa. Fundou o "Teatro ABC" em 13 de Janeiro de 1956, no "Parque Mayer", em Lisboa, do qual foi seu empresário, até à sua morte em 1971.

José Miguel, Io Apoloni, Camilo de Oliveira e Vasco Morgado

O escritor, dramaturgo, jornalista e empresário teatral, António de Souza Bastos (1844-1911), no seu "Diccionario do Theatro Portuguez" definia:

«Emprezario - É o individuo que, por si ou representando uma sociedade, aluga um theatro, forma companhia, escolhe repertorio e toma a responsabilidade de todos os encargos.»

O aparecimento de grandes empresários, produtores teatrais e de espectáculos portugueses, teve o seu  início no século XVIII, com João Gomes Varela, , que se encontra ligado à fundação de dois teatros, o "Theatro do Bairro Alto" e "Theatro do Salitre". Outros nomes evidenciaram-se neste contexto, como: e José Duarte, Bruno José do Vale, e Paulino José da Silva. Na categoria de empresários artistas, ressaltam os nomes de Francisco Xavier Vargo, actor e director de companhia, de Pedro António Avondano, músico, e o de António José de Paula, actor e dramaturgo. Outro importante empresário, Agostinho da Silva (1701-1765) surge, precisamente, na fundação do Theatro da Rua dos Condes, em 1738.

Outros se salientaram nos séculos XIX e XX como, por exemplo: Sousa Bastos (marido da actriz Palmira Bastos), Joaquim Pedro Quintella (1º Conde de Farrobo), Fernando Maia, Guilherme Cossoul, Salvador Marques, Inácio Peixoto, Visconde de S. Luiz de Braga, Afonso Taveira, José Ricardo, José Antonio do Valle, Luiz Ruas, Eduardo Brazão, Luiz Galhardo (mandou construir o primeiro "Cine-Teatro Eden"), a dupla Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, Lino Ferreira, José Loureiro, António dos Santos Júnior, Giuseppe Bastos, Sérgio de Azevedo, e por último o que é considerado o maior empresário teatral português do século XX, Vasco Morgado (1924-1978). 

Na revista "Illustração Portugueza", em 1908

Já neste século XXI, não esqueço de mencionar o ainda felizmente vivo, e "resistente"  Hélder Freire (1941- ), empresário do "Teatro Maria Vitória", sala que também resiste, tendo comemorado o seu 1º centenário (!), no passado dia 1 de Julho de 2022.

foto de Inês Leote in: Mensagem de Lisboa

Hélder Freire e o seu centenário "Teatro Maria Vitória"

O primeiro estabelecimento que José Miguel terá sido proprietário, foi a casa de fados "Café Mondego", que abriu em 24 de Outubro de 1936, na Rua da Barroca, 124-128 no Bairro Alto. «Ao Café Mondego, a casa aonde vão as famílias de respeito.». Como veremos adiante esta casa daria lugar ao "Retiro dos Marialvas" do mesmo empresário.


24 de Outubro de 1936

23 de Novembro de 1936

Em Novembro de 1940, através da sua empresa "José Miguel & Irmão", já tinha aberto outra casa de fados,  o "Café Latino" na Rua Ferreira Borges, 60-68 em Campo de Ourique. A gerência ficou a cargo do sócio-gerente Francisco Costa. Em 1942 o "Café Latino" já se tinha mudado para a Rua Francisco Metrass, 20 (mesma rua do "Cinema Europa"), também no bairro de Campo de Ourique.

11 de Novembro de 1940


22 de Maio de 1942

5 de Maio de 1947

Em 1941 a "Empresa José Miguel", era concessionária do famoso "Solar da Alegria", que tinha sido fundado em 23 de Dezembro de 1923, na Praça da Alegria.

3 de Abril de 1941

Em 17 de Outubro de 1942, e depois de encerrado o "Café Mondego", inaugura nas mesmas instalações o "Retiro dos Marialvas", na Rua da Barroca, 126. A gerência ficou entregue a Modesto Maia.


16 de Outubro de 1942

6 de Novembro de 1942

Em 19 de Dezembro de 1942,  no "Parque Mayer", no lugar onde tinha funcionado o "Alhambra" seguido do "Galo d'Ouro", inaugurado em Junho de 1930, inaugura, o salão-teatro  "Casablanca". A gerência ficou entregue a Alberto Nunes.

19 de Dezembro de 1942


1928


4 de Outubro de 1930


Publicidade em 25 de Dezembro de 1931 e em 8 de Janeiro de 1932 (clicar para ampliar)


Área do Parque Mayer (elipse branca) e edifício do "Alhambra", "Galo d'Ouro" e "Casablanca" (elipse amarela), nas traseiras do "Teatro Maria Vitória"


"Casablanca" ao fundo da rua

José Miguel definia os espectáculos da casa do seguinte modo: «Os programas são de "music-hall", mas ligados por dialogos agradaveis e comentados por artistas de categoria; e, como hoje não se dispensa, no genero ligeiro, o castiço fado português e a canção regional, tambem os programas do "Casablanca" os incluem.» Em 1948 também promoveu espectáculos de Luta Livre.


23 de Dezembro de 1942


27 de Novembro de 1944

gentilmente cedido por Carlos Caria

1948

Em 10 de Maio de 1946, José Miguel reabre o "Salão Recreio" no "Parque Mayer". Fados e guitarradas.

10 de Maio de 1946

Em 14 de Dezembro de 1946, abre na Praça da Alegria, 56 o Dancing "Miami". «O dancing das grandes atracções internacionais» e «O casino dos artistas» com direcção de José Miguel.

14 de Dezembro de 1946

Em 31 de Dezembro de 1946, inaugura o "Café Vera Cruz", na Rua Pascoal de Melo, 98-102. Um café-concerto, tendo como animador Xavier Pinto. Em 1947 mudaria de nome para "Retiro Vera Cruz" e em 14 de Junho do mesmo ano era inaugurada a "Esplanada Vera Cruz", nas traseiras do Retiro.


31 de Dezembro de 1942

Prédio onde funcionou o café, retiro e esplanada "Vera Cruz"

Em Novembro de 1946, já tinha aberto o restaurante e music-hall "Baía", no "Parque Mayer".


10 de Novembro de 1946

22 de Janeiro de 1947

Em 1 de Julho de 1946, abre o music-hall. restaurante, casa de fados e casino "Urca" na "Feira Popular de Lisboa" no Parque da Palhavã, em Lisboa. Tinha como animador Xavier Pinto.

1 de Julho de 1946

Em 31 de Maio de 1947 inaugura o "Pinoia", o «retiro aristocrático do Fado». No mesmo dia reabre o "Sevilha". Neste ano já era empresário do famoso "Pavilhão Português", esplanada ao ar livre com cinema e variedades. Todos eles no "Parque Mayer".


30 de Maio de 1947


31 de Maio de 1947

No Verão de 1950, abre o restaurante e casa de fados "Retiro do Campino" na "Feira Popular de Lisboa" no Parque da Palhavã, em Lisboa.

8 de Julho de 1950

Como referido logo no início deste artigo, o empresário José Miguel, através da sua "Empresa Teatral José Miguel, Lda.", funda no "Parque Mayer" o "Teatro ABC " em 13 de Janeiro de 1956, com a revista "Haja Saúde" de José Galhardo, Frederico de Brito e Carlos Lopes. Seguiram-se, mais 46 revistas, intercalando com espetáculos infantis e outros espetáculos diversificados. Mas o "Teatro ABC" foi predominantemente um teatro de Revista. 




O edifício foi construído no lugar do "Casablanca", - e antes desta o “Salão Alhambra”e parte do “Pavilhão Português”, “Galo de Ouro” e o “Baía”. José Miguel ficaria como empresário do seu Teatro, até à sua morte, em 1971. Viria a tomar o seu lugar o empresário teatral Sérgio de Azevedo (1936-2006).

Sérgio de Azevedo revelaria que nunca tinha pensado ser empresário teatral e que o primeiro contato que teve com este meio foi através de Vítor Espadinha para formar uma companhia de teatro no Parque Mayer, tendo então alugado o "Teatro ABC" à empresa de Vasco Morgado com a revista "Dura lex Sed lex", escrita por Vítor Espadinha e Gonçalves Preto e estreada em 9 de Setembro de 1972. O "Teatro ABC", depois de ter sofrido um incêndio e ter reaberto, encerraria definitivamente em 1997.


Actor Luís de Mascarenhas e o empresário Sérgio de Azevedo

José Miguel, além de empresário teatral também descobriu, lançou e agenciou grandes nomes do fado e do teatro de revista, como: Celeste Rodrigues (1923-2018) - proprietária da casa de fados "A Viela" ; Deolinda Rodrigues (1924-2015) - proprietária da casa de fados "Retiro Andaluz" ; Maria Amélia Proença (1938- ); Fernando Farinha (1928-1988); Fernando Maurício (1933-2003); José Viana (1922-2003); Ivone Silva (1935-1987), etc.


Caricatura de José Miguel, desenhada por Sant'Ana em 1964

fotos in: Palco UmArquivo Municipal de LisboaFadistandoHemeroteca Digital de Lisboa, Vasco Morgado