Restos de Colecção: Hoteis
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15 de outubro de 2026

Hotéis em Queluz e Belas

Neste pequeno apontamento vou debruçar-me, dentro da escassa informação que pude obter, sobre as unidades hoteleiras que existiram no final do século XIX , no então, lugar de Queluz - anexado à freguesia de Bellas até 29 de Junho de 1925 - muito conhecido pelo seu Palácio Real.

«Configuração do lanço d'estrada comprehendido entre o sitio da Porcalhota, e o atalho de Queluz para Bellas» em 20 de Agosto de 1841

Na "Revista Universal Lisbonense" de 14 de Agosto de 1845 ...

«Vamos trazer para exemplo a estrada de Caneças, uma das mais frequentadas da gente da capital, e de outras muitas povoações. O logar de Caneças que poder ser o em que se restabelecam os valetudinarios, e cançados da vida artificial e penosa que soffre a gente de Lisboa, deve ter mais que outras povoações uma estrada que communique com a capital. Mas por descuido , ou necessidade, deixou-se em abandono a maior parte da estrada que vai da ponte, junto á quinta do Lobo, até ao alto defronte de Adaveja. Agora a Camara mandou reparar alguns destroços que havia na calcada junto a Caneças, e continuam os operarios a refazer de novo a calcada defronte de Adaveja.»

Quanto a Bellas, já em 1853 ...

27 de Agosto de 1853

Neste ano de 1853, e até 24 de Outubro de 1855, Bellas era sede de concelho, ano em que a vila de Bellas é integrada, como freguesia, no concelho de Cintra.

O "Novo Guia do Viajante em Lisboa e Seus Arredores" de 1863 dava a seguinte informação acerca do lugar de Queluz: «Palácio e quinta real. de que falámos no artigo competente. Fica fóra da estrada de Cintra, em logar ermo e desagradavel».

Quanto a Bellas, o mesmo Guia informava: «Tambem fóra da dita estrada, para a direita, e a duas leguas de Lisboa, como Queluz. Tem uma preciosa quinta pertencente ao conde de Pombeiro, herdeiro do ultimo marquez de Bellas, onde annualmente se festeja o Senhor Jesus da Serra, com arraial, bôdo, e todo o genero de folia popular.»

O jornal "Diario Illustrado" de 29 de Abril de 1876, imformava: «Está novamente aberta a estação telegráfica de Queluz, com serviço de dia limitado, que passará a permanente durante a estada de suas majestades no palácio de localidade». Mas em 15 de Julho seguinte, o mesmo jornal voltava a informar: «Reabriu a estação telegráfica de Queluz, em estação permanente.»

Os transportes de pessoas e bens eram assegurados pela "Companhia de Tramway a Vapor de Lisboa a Cintra" que teve início em 5 de Julho de 1873, «char-à-bancs», omnibus, diligências, carruagens e carroças, já que, como veremos mais à frente, os comboios da linha de caminho de ferro da "Companhia Real dos Caminhos de Ferro" só chegariam a Queluz em 2 de Abril de 1887, para passageiros, e em 9 de Maio seguinte para mercadorias.


5 de Julho de 1873

Horários e preços de Omnibus e Diligencias em 1887

O primeiro Hotel em Queluz, que consegui ter conhecimento, foi o "Hotel União" que terá aberto pela primeira vez na Primavera de 1877. Como era costume fora das grandes cidades os hotéis encerrarem no Inverno e só reabrirem na Primavera seguinte, este não fugiu à regra encerraria temporariamente em 2 de Novembro do mesmo ano. Seria propriedade de Thomás Elias dos Santos.

1 de Novembro de 1877


31 de Maio de 1878

Como diziam os anúncios publicitários a este hotel, contava com «Bom cozinheiro e bons criados». Pelo que em 26 de Julho de 1879 o jornal "Diario Illustrado" noticiava em tom publicitário:

«O habil cosinheiro do hotel União em Queluz que ha pouco inventou uma magnifica sopa a que deu o nome de Moriones, annuncia hoje na secção respectiva, uns pastelihnos á la Carmen y Cros e um podim á Lacarra, para todos os domingos e quintas feiras da presente estação. É bom provar para ao menos saber se correspondem no sabor á fama dos distinctos artistas do theatro de zarzuella.»


14 de Abril de 1878


31 de Agosto de 1879

O "Hotel União" viria a ser substituído pelo "Hotel Syndicato" em 1883, que para o qual foi constituída uma parceria para a sua exploração, tendo como sócios Thomás Elias dos Santos (ex-proprietário do "Hotel União"), Antonio Tavares de Almeida e José Carlos da Luz. Por falecimento do primeiro em 1884, esta parceria viria a ser dissolvida em 13 de Setembro de 1884. Não consegui saber se o "Hotel Syndicato" terá encerrado de imediato, mas como não tive acesso a mais nenhuma referência posterior ao mesmo, julgo que sim.


7 de Julho de 1883

10 de Agosto de 1883


16 de Abril de 1887

Em 2 de Abril de 1887 é inaugurada a linha férrea Lisboa (Alcântara) a Cintra e Torres Vedras. A viagem de Lisboa a Cintra, na distância de 28 quilômetros demorava uma hora e meia a ser percorrida. Esta ligação entre Lisboa e Cintra era assegurada por seis comboios diários ascendentes e descendentes. è inaugurado o apeadeiro de Queluz-Bellas. Mais tarde seria construída o abrigo/estação apar o apeadeiro, depois de lançado o concurso em 13 de Abril de 1894.

28 de Abril de 1894



Notícias de 28 de Março e de 7 de Maio de 1887 
 


Transporte de passageiros nos "Chora" para Bellas, após a chegada do comboio a "Queluz-Bellas"

E quanto à estrada que ligava a Estação a Bellas, o jornal  "Diario Illustrado" de 20 de Abril de 1889, escrevia a seguinte nota: 

«O verão está á porta, e a estrada que da estação de Queluz se dirige para Bellas ainda se encontra por empedrar, no estado em que a vimos o anno passado !!
E' para ser ... collega da rua do Ouro!»

Em 1887, já existiam dois hotéis em Queluz: o "Hotel Malveira" e o "Hotel Ladislau". Quanto ao "Hotel Malveira" não consegui qualquer referência publicitária ou notícia da época.. Na vizinha freguesia de Bellas, nesse mesmo ano existiam o "Hotel Central", o "Hotel Paschoaes" e o "Hotel Vieira".

1887


1 de Setembro de 1878


"Hotel Central" em Bellas

Por outro lado, a primeira referência ao "Hotel Ladislau", instalado na Rua Conselheiro Pedro Victor (futura Rua da República), em Queluz, aparece no "Diario Illustrado" de 7 de Maio de 1887: 

«D. Carlota Emilia Barreiros Arrobas, agradece a todos os seus parentes e pessoas de suas relações, que tanto se interessaram durante a grave doença que soffreu, e participa-lhes que segue hoje para Queluz, Hotel Ladislau onde offerece o seu limitado prestimo.»


"Hotel Ladislau", último prédio com 2 andares ao cimo da rua


1890


"Hotel Ladislau", último prédio com 2 andares ao cimo da rua

Em 1888 abre o "Hotel Bragança", na Rua Sarath, em Queluz, e era propriedade do espanhol Gonçalo Verol Junior, que já tinha sido proprietário do "Hotel Verol" em Bellas, na década de 60 do século XIX . Em 1869 já era propriedade de Eduardo Fernandes d'Araújo, casado com Filipa Verol, e ainda existia em 1877 como se pode comprovar pela seguinte notícia de 27 de Março do mesmo ano:

«A meza da irmandade do Santissimo da freguezia de Bellas, de que é actualmente juiz o ex mo sr. Francisco Moreira Freire Manoel de Aboim, resolveu celebrar este ano as festas da semana Santa.
O dono do bem conhecido hotel Verol mandou restaurar os quartos, e acha se desde já, á disposiçãe dos seus freguezes, e do publico que quizer aproveitar as festas, gosando ao mesmo tempo dos bellos ares e agua tão uteis e proveitosas.»


20 de Junho de 1869


"Hotel Bragança" à esquerda em frente ao burrito


9 de Maio de 1889


14 de Julho de 1889


22 de Junho de 1890

O "Hotel Bragança" terá sido o último hotel a ser inaugurado em Queluz.


Último anúncio, de 31 de Maio de 1891, de hotéis em Queluz a que tive acesso

O "Hotel Bragança" em 1900 ainda existia, já que era mencionado na seguinte notícia publicada pelo jornal "Diario Illustrado" de 29 de Julho de 1900:

«A grande commissão presidida pelo sr. Campos de Andrade, e encarregada de promover grandes festas em Queluz nos dias 18, 19 e 20 de Agosto, tem tido as suas reuniões no Hotel Bragança e deve em breve publicar o programma, que conterá bastantes attractivos.
Entre outros, falla se n'um baile n'uma das maia espaçosas e historicas salas de Queluz.»

E para comer em Bellas, em 1894 ...


7 de Julho de 1894

Relativamente a este restaurante o jornal "Folha de Lisboa" recomendava:

«A'quelles que visitam a aprazivel villa de Bellas recommendamos o Restaurant Reis, de que é proprietario o nosso amigo Joaquim Raphael dos Reis, um cavalheiro muito sympathico e serviçal, que se não poupa a esforços para tornar o seu estabelecimento recommendavel sob todos os pontos de vista.
Ahi encontrará o publico todas as commodidades e um serviço por lista esmerado, e economico.
Visitando o Restaurant Reis terá a certeza de ser bem servido e ajudará um homem em extremo conceituado e trabalhador.»

E para terminar, aqui deixo uma notícia/nota do "Diario Illustrado", de 12 de Agosto de 1877, e em primeira página:

«Um dono de hotel, de uma terra de provincia, teve a peregrina idéa de mandar pôr na taboleta do seu estabelecimento o seguinte:
«Aqui falla se francez, inglez, hespanbol, italiano e allemão».
Ha poucos dias um inglez entrou no hotel e perguntou em mau portuguez pelo interprete da sua lingua.
- Nao ha, respondeu o criado.
- Como não ha, replicou o inglez! Quem é então que falla as linguas enumeradas na taboleta?
- Os hospedes, quando os ha, observou o criado com a maior serenidade.» 

27 de setembro de 2026

"Hotel Costa" em Caneças

O "Hotel Costa" abriu pela primeira vez ainda antes de 1887, no, então, lugar de Caneças, ao lado da Igreja Paroquial de São Pedro de Caneças, no Largo Viera Caldas. No ano de 1887 existiam dois hotéis em Caneças: "Hotel Fernandes" e o "Hotel Costa".

"Hotel Costa" ao lado da Igreja Paroquial de São Pedro de Caneças


1887


"Hotel Costa " e  Largo Vieira Caldas

Caneças, lugar muito conhecido na capital pelas suas lavadeiras e pela famosa "Água de Caneças", distribuída em Lisboa em bilhas de barro, inicialmente em carroças e depois em acmionetas, por várias décadas. Muito conheidas foram camionetas de passageiros da extinta "A Arboricultora, Lda.", fundada em Caneças a 5 de Agosto de 1936.

Transporte das lavadeiras em 1949


Carroça de distribuição da "Água de Caneças", na Baixa lisboeta


Auto-Car d' "A Arboricultora, Lda." em 1939

Na "Revista Universal Lisbonense" de 14 de Agosto de 1845, chamava-se à atenção do estado da «estrada» para Caneças, num artigo do qual retireia a seguinte passagem:

«Vamos trazer para exemplo a estrada de Caneças, uma das mais frequentadas da gente da capital, e de outras muitas povoações. O logar de Caneças que póde ser o em que se restabeleçam os valetudinarios, e cançados da vida artificial e penosa que soffre a gente de Lisboa, deve ter mais que outras povoações uma estrada que communique com a capital. Mas por descuido, ou necessidade, deixou-se em abandono a maior parte da estrada que vai da ponte, junto á quinta do Lobo, até ao alto defronte de Adaveja.
Agora a Camara mandou reparar alguns destroços que havia na calcada junto a Caneças, e continuam os operarios a refazer de novo a calcada defronte de Adaveja.»


Omnibus e Diligencias para Caneças em 1888

Fora de Lisboa, quase sempre os hotéis encerravam durante o Outono e Inverno, reabrindo na Primavera do ano seguinte, pelo que em 14 de Abril de 1889 era publicado a seguinte nota no "Diario Illustrado", acerca da reabertura do "Hotel Costa" :

«Reabre hoje o afamado Hotel Costa, onde os visitantes do aprazivel sitio de Canecas encontram as melhores commodidades, o mais rigoroso asseio, e uma cosinha de primeira ordem, dirigida por um habil especialista, alem de um pessoal bastante pratico e delicado.
Com tão bellas condições de hospedagem, que podemos garantir, não duvidamos recomendar o Hotel Costa a todos os que procuram o vivificante ar e as puras aguas de Caneças.»

No mesmo dia, reabriam outros dois em diferentes localidades, apesar de muito próximas: o "Eden-Hotel" em Collares e o "Hotel Sant'Anna" em Cintra.


14 de Abril de 1889


14 de Abril de 1889

Em 6 de Maio de 1893 o "Diário Illustrado" noticiava:

«Todos o conhecem, em Caneças. Ninguem ha que visite esta localidade, que não se tenha servido das commodidades que elle offerece, e que naturalmente provoca a grande concorrencia que aquelle estabelecimento de anno para anno tem.
Pois o hotel Costa reabre ámanhã, não se poupando o seu proprietario a nenhuns esforços para que todos os que vão passar a estação calmosa em Caneças nem um só motivo sequer de queixa tenham.
Como se sabe, o sitio não póde ser mais pittoresco, ares frescos e puros, recommendados pelos medicos, aguas da mais efficaz influencia, e sobre tudo isto o hotel Costa, com os seus serviços delicados e varios, os seus magníficos quartos com todas as commodidades, etc., etc.
A concorrencia, pois, ámanhã a Caneças deve ser grande, tanto mais que muita gente esperava anciosa pela abertura do hotel, que é um dos melhores, senão o melhor, que existe e nos arredores de Lisboa.»

Como se pode observar dos anúncios publicitários seguintes de 1899 para 1900 o "Hotel Costa" mudou de proprietário ... José Telmo Rodrigues terá sido o último proprietário deste hotel.


1899

1900

Em 1905, e tendo em conta o próximo anúncio publicitário, o "Hotel Costa" terá sido proprietário do "Hotel Central" em Cascaes. É uma dedução minha, não confirmada, ou terá sido apenas uma coincidência de apelidos ...

1905

No livro "Extremadura Portugueza" de Alberto Pimentel (1849-1925) e editado em 1908 retirei a seguinte passagem, acerca de Caneças:

«O logar de Caneças é uma linda e sadia aldéa da freguezia de Loures, com um bello largo arborisado, que tem o nome de Vieira Caldas, e pittorescos passeios taes como o Alto do Masqueiro - d'onde se avista a bahia de Cascaes - o Pinhal do Verde e o Salão.
Ha uma capella da invocação de S. Pedro, cujo culto é custeado pelos canecenses.
N'ella se fazem tres festividades : a do orago, a de Nossa Senhora do Rosario e a de S. Sebastião.
A população d'esta aldéa orça por 700 habitantes, em 300 fogos.
As mulheres, no geral, são lavadeiras. Os homens applicam-se á agricultura - ás suas hortas e á creação de viveiros de arvores fructiferas, que são d'aqui exportadas em larga escala ; ou ao fabrico de navalhas de volta, especie de pequenas podôas muito usadas nos trabalhos agricolas.
As aguas ferreas de Caneças, especialmente as das nascentes do Camora e do Caldas, teem vantajosa applicação no tratamento das dyspepsias.
Para os doentes ou para os convalescentes, bem como para os veraneantes, ha regulares acommodações em dois hoteis e casas de aluguel.
Entre as melhores propriedades de Caneças avulta a quinta do Bretão, onde o sr. Carlos Appleton, seu dono, tem intro duzido todos os ultimos melhoramentos agricolas. (…)
O arco do cruzeiro é de marmore extrahido das pedreiras de Canecas.
A capella, alem de ampla, tem bastante luz.
Quanto á etymologia de Canecas, o mais que se póde apurar é que os antigos escreviam Cai-nessas.
A povoação fica n'um alto, a que dá accesso uma ingreme estrada. Communica com o Lumiar por uma carreira de char-à-bancs.
O Lumiar é, por emquanto, o limite da tracção electrica de Lisboa, na zona do Campo Grande.»

Em 29 de Junho de 1909, é inaugurado em Caneças outro hotel, o "Hotel Progresso", ex ou futura-"Pensão Quitéria". Era seu proprietário Manoel Nunes, taberneiro e que já detinha a "Pensão Nunes". 

No guia "Hoteis e Pensões de Portugal" de 1939, apenas a "Pensão Nunes" era mencionada., relativa à localidade de Caneças.

Edifício onde tinha funcionado o "Hotel Costa"

Pela lei nº 413 de 10 de Setembro de 1915, «É criada no concelho de Loures uma paróquia civil, que terá a sua sede no lugar de Caneças e será constituída pelos lugares de Caneças e Vale do Nogueira, actualmente da freguesia de Loures». Lembro que o concelho de Loures tinha sido formalmente instituído pelo Decreto Real de 22 de julho de 1886 e publicado no "Diario do Governo" n.º 165, de 26 de julho do mesmo ano.

A actual Vila de Caneças fez parte do municípo de Loures até 14 de Dezembro de 1998, passando a integrar o município de Odivelas até 28 de Janeiro de 2013, altura em que a freguesia de Caneças foi extinta, pela reorganização administrativa de 2012/2013, tendo sido agregada à freguesia de Ramada para formar a nova união de freguesias de Ramada e Caneças.


Edifício onde funcionou o "Hotel Costa" em ambas as fotos de 1986

Não consegui saber até quando esteve em funcionamento o "Hotel Costa", mas penso que não terá ultrapassado a segunda década do século XX. Pelo menos em 1912 ainda funcionava. Em 1912, tanto José Telmo Rodrigues Gouveia, último proprietário do "Hotel Costa", como Manoel Nunes, proprietário do "Hotel Progresso", tambem no Largo Vieira Caldas, integravam a direcção da "Irmandade de S. Pedro de Caneças". O primeiro era escrivão e o segundo tesoureiro.

O mesmo edifício em Março de 2026 (via "Google Maps")

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital de Lisboa, Delcampe.net, OdivelasShow (Facebook), Ao Fundo da Minha Rua

12 de julho de 2026

Hotel Roma

O "Hotel Roma" foi inaugurado em 29 de Abril de 1971, na Avenida de Roma, 33, em Lisboa. Era propriedade da firma "Sociedade Concessionária do Hotel Roma, Lda.", que tinha sido constituída em 27 de Novembro de 1970, entre os sócios Alfredo Fernandes das Neves e João Carlos Cirilo Machado. O projecto ficou a cargo do arquitecto Luís António de Gonzaga Bronze e a obra a cargo da firma "Gonçalves & Filhos, Lda.", que teve como engenheiro responsável Pedro Maggiorani Appleton.


"Hotel Roma" com o último bloco (ampliação) em construção na Rua Infante D. Pedro, por volta de 1976


Terreno onde viria a ser construído o "Hotel Roma" (terreno vazio no centro da foto)


O mesmo terreno à esquerda na foto, para sua visualização no enquadramento da Avenida de Roma

"Hotel Roma" em construção em 1970

Com os seus 10 andares, e classificado com 3 estrelas, o "Hotel Roma" oferecia 263 quartos, restaurante, cervejaria, churrasqueira, self-service, bar, sala para conferências e um cine-auditório, que chegou a funcionar como cinema a partir de 11 de Dezembro de 1976, com «sessões de cinema todos os dias». Este hotel passou a rivalizar com o seu vizinho "Hotel Lutécia", na Rua Frei Miguel Contreiras, e que tinha sido inaugurado em 8 de Dezembro de 1969.


31 de Dezembro de 1972


11 de Março de 1975


"Cine-Auditório" no excerto de lista de cinemas "de segunda linha", de 11 de Dezembro de 1976

1977

Quanto ao "Cine-Auditório" deu início às suas sessões de cinema em 11 de Dezembro de 1976, com o filme "A Grande Corrida à Volta do Mundo", de 1965. Mas foi «Sol de pouca dura». A última sessão foi em 25 de Março de 1978, com a exibição do filme "Godspell" de 1973.

Em 18 de Julho de 1972, a "Sociedade Concessionária do Hotel Roma, Lda." passa a sociedade anónima de responsabilidade, denominada de "Sociedade Concessionária do Hotel Roma, S.A.R.L.". Foram seus accionistas iniciais Alfredo Fernandes das Neves, Luís Fernandes das Neves (que já eram sócios), Eduardo Matos Castro, Mário dos Santos Alves, António Lopes Canha, José Joaquim Pequito, Enrique Fernandez Hierro, José Dias Veiguinha, Zulmira Sá das Neves e Gabriela Alves Neves.

O "Hotel Roma" viria ser adquirido, em 1982 por António Marto, hoteleiro de Fátima, que ali tinha mandado construir o "Hotel Fátima". Neste mesmo ano de 1982 tinha adquirido, também em Fátima, um edifício onde instalaria o "Hotel São José". No ano 2000 constrói o "Hotel Marquês de Pombal", em Lisboa de 4 estrelas e com 120 quartos. António Marto foi um dos fundadores da "Associação dos Directores dos Hotéis de Portugal", tendo passado a residir no "Hotel Roma".






1983

O "Hotel Roma" foi alvo da sua última renovação em 1998, passando a oferecer o mesmo número de quartos de 263 mas assim distribuídos: 36 Executivos, 44 Família e 183 Standard, todos com casa de banho completa e ar condicionado. Como serviços adicionais: tabacaria, loja de artigos regionais, cabeleireiro, 2 restaurantes, bar, 3 salas de reuniões, Auditório, Health Club e Garagem.









O Conselho de administração da "Sociedade Concessionária do Hotel Roma, S.A.", nomeado em 18 de Abril de 2006, era composto pelos seguintes elementos: António das Neves Marto (Presidente), e como vogais Fernando António dos Santos Marto e Fernanda Coelho dos Santos Marto.

Actualmente o presidente do conselho de administração da "Sociedade Concessionária do Hotel Roma, S.A." é o Dr. José Miguel Seabra Marto. O grupo conta actualmente com os seguintes hotéis: "Hotel Roma", "Hotel Marquês de Pombal", ambos em Lisboa e "Hotel São José" e "Hotel Santa Maria" estes dois em Fátima.


2026

Em 29 de Abril deste ano de 2026, o "Hotel Roma" comemorou os seus 55 anos de existência ...



José Seabra Marto à esquerda na foto e restante direcção



Para terminar, um pequeno aparte. Em 1980 a RTP começou a emitir emissões a cores regularmente, e muitas vezes ao final da tarde, saía da loja do meu pai, que era na Avenida de Roma, e ia até ao bar do "Hotel Roma" (que tinha uma televisão a cores a funcionar) consumir um sumo de laranja, para deleitar-me com a «novidade» da tv a cores. Isto até se comprar uma tv a cores lá para casa no ano seguinte. Nunca mais tinha lá entrado até 2025, ano em que recomendei este hotel a uns familiares que vieram do Brasil, e lá regressei ao bar deste hotel, 45 anos depois. Desta vez não bebi sumo de laranja ... mas o bar igualmente confortável, continuando a ter tv a cores :) ... num hotel muito bem cuidado.