Restos de Colecção: Fevereiro 2019 F

26 de fevereiro de 2019

Arnaldo Matos

Com o falecimento de Arnaldo Matias de Matos (1939-2019), no passado dia 22 de Fevereiro, e como já não publicava nenhum artigo acerca de política passada, há algum tempo, aqui ficam alguns cartazes em que o “o grande dirigente e educador do proletariado português” é mencionado e algumas capas de livros da sua autoria.

Arnaldo Matias de Matos (1939-2019)

Recordo que Arnaldo Matos, advogado de profissão, foi um dos um dos quatro fundadores do “MRPP - Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado” , em 18 de Setembro de 1970, juntamente com Fernando Rosas, João Machado e Vidaúl Ferreira. A partir de 26 de Dezembro de 1976 passaria a “PCTP - Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses”.


© Arquivo DN

Aqui ficam alguns cartazes históricos, entre 1974 e 1977 …

  

   

     

  

  

Alguns livros da autoria de Arnaldo Matos …

 

  

Cartazes e capas de livros in: Ephemera, Universidade de Aveiro, Fundação Mário Soares; Biblioteca Nacional Digital, Diário de Notícias

24 de fevereiro de 2019

Músicas Antigas (3)

Capas de partituras de diversos géneros de músicas, desde o final do século XIX.

Panfleto de 1827

1884

1884

1901

1946

21 de fevereiro de 2019

Ourivesaria da Guia

A "Ourivesaria da Guia", propriedade da firma "Olinda de Oliveira & C.ª, Lda.", foi fundada no gaveto da Rua da Mouraria com a Rua Martim Moniz, em 1875, junto da Ermida de Nossa Senhora da Guia, pela, então, “J. C. Oliveira Sucessores”.

 

Em Outubro de 1932, esteve presente na "Grande Exposição Industrial Portuguesa" que teve lugar no então, "Palácio de Exposições e Festas", actual "Pavilhão Carlos Lopes". O jornal "Diario de Lisbôa", a propósito da sua participação neste certame comentava:

«Na grande Exposição Industrial Portuguesa, que ora se está exibindo com tanto ruidoso sucesso, entre os stands que se impõe pela sua beleza, pelo encanto que ele dimana, marca ainda tambem pelo seu intrinseco valor, o stand da conhecidissima "Ourivesaria da Guia", na secção de pratas da galeria do Palácio de Honra, apresentado-nos numa rara nota artística, um completo mostruario de preciosas joias, de admiraveis pratas cinzeladas e de lindissimos trabalhos feitos em delicadas filigranas que causam a admiração de quem os vê, pela inexcedível perfeição como foram trabalhados.

(...) sendo uma das casas do genero, mais antigas da capital e das mais reputadas não só pela seriedade que imprime a todas as suas transacções, que são importantissimas, como tambem por todos os produtos que vende que são dos mais bem acabados e confeccionados com uma grande selecção, que justifica de uma maneira absoluta, a grande fama que disfructam não só no país como tambem no estrangeiro, para onde a "Ourivesaria da Guia" exporta os seus belos trabalhos de ourivesaria, em todos os generos e para todos os preços, contando com uma grande clientela internacional.»

Factura de 10 de Outubro de 1930 e anúncio de 1941

       

Contraste de 1837-1937 com a chancela da “Ourivesaria da Guia”

Quanto ao mercado internacional, o mesmo jornal referia ainda neste artigo:

«O Brasil, por exemplo, é um país que nos consome muitos dos nossos trabalhos de ourivesaria. A Espanha, a América do Norte e outras nações, tanto americanas como europeias, tambem são nossos grandes clientes, comprando-nos grandes quantidades dos nossos artisticos trabalhos, muitos especialmente pratas lavradas e as nossas delicadas fiigranas.
Assim a arte de ourivesaria tem um lugar de alto relevo no nosso país, sendo os trabalhos dos nossos ourives, lavrantes e filigranistas, apreciadissimos no estrangeiro.»

No final dos anos 50 do século XX, e resultado das grandes demolições efectuadas na zona do Martim Moniz, para requalificação daquele espaço, a “Ourivesaria da Guia”, teve de deixar o edifício onde estava instalada junto da Ermida de Nossa Senhora da Guia, em finais de 1957, o que a obrigou a procurar outro espaço, tendo-se mudado para bem perto, para a Rua Dom Duarte, para uma das lojas do “Hotel Mundial”. Ainda antes deste Hotel ser inaugurado oficialmente, em 3 de Dezembro de 1958, já a “Ourivesaria da Guia” abria a sua nova loja em Janeiro de 1958.

“Ourivesaria da Guia” já encerrada e com o prédio para demolição

Anúncio de 21 de Dezembro de 1957, antes da mudança para a Rua Dom Duarte conforme anúncio de Janeiro de 1958

 

“Hotel Mundial”

1967

Por lá ficou uns anos tendo encerrado já no final da década de 70 do século XX. A última referência que tive conhecimento foi num dos capítulos do guia turístico Fodor’s  sobre Portugal e na secção «Shopping in Lisbon - The Pick of Portugal», da autoria de E. C. Dessewffy, e editado em 1974, em que referia: «Ourivesaria da Guia, no edifício do Hotel Mundial, oferece uma vasta escolha de objectos encantadores.»

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa

17 de fevereiro de 2019

Hotel Vale de Lobos

O “Hotel Vale de Lobos”, localizado em Almargem do Bispo, Sabugo, junto a Belas no concelho de Sintra, e projectado pelo arquitecto Raúl Lino (1879-1974), abriu as suas portas em 1 de Julho de 1959.

 

Nos tempos áureos dos anos 50 e 60 do século XX, Vale de Lobos - a quem o Hotel apelidava de “Curia de Lisboa” - era um local de veraneio dos habitantes de Lisboa, onde existiu um casino o “Hotel Vale de Lobos” afamado pelos seus bailes no “Grupo Desportivo e Recreativo Os Lobinhos”, (fundado em 25 de Outubro de 1947) e pelas suas festas motards do “Motoclube Vale de Lobos”.

 

                                            1 de Agosto de 1959                                                            29 de Dezembro de 1960

 

24 de Junho de 1961

O “Hotel Vale de Lobos”, estava equipado com piscina, court de ténis, ringue de patinagem, sala de jogos, um magnífico jardim, e restaurante onde era servido a sua especialidade “Leitão à vale de Lobos”. Contava ainda com uma boite, inaugurada onze dias depois do Hotel, em 11 de Julho, com o “Conjunto Tony Dominguez”. A gerência e administração deste hotel foi confiada à mesma do “Hotel de Turismo da Ericeira”, inaugurado em 9 de Junho de 1956 pelo seu proprietário Raúl Duarte Gomes. Este Hotel foi lugar de estágio da selecção portuguesa de futebol, antes da sua participação no Mundial de 1966, em Inglaterra.

Sala de jantar

 

                                                          Boite e galeria                                                                   Etiqueta de bagagem

 

“Hotel Vale de Lobos” em finais dos anos 70 do século XX

Na segunda metade da década de 80 do século XX, o “Hotel Vale de Lobos” é adquirido por Adelino Cardoso Santos (1929-) dono da cadeia de “Supermercados A. C.Santos”, e ligado imobiliário. Entretanto, em conjunto com sua esposa D. Maria Amália Ferreira de Pina Santos, criam em 1988 a “Fundação A. C. Santos” com o intuito da aplicação dos valores altruístas em ações de índole humanitária e social, em prol dos grupos menos favorecidos.

        Adelino Cardoso Santos              Maria Amália de Pina Santos                          Fundação A. C. Santos

  

Assim, e depois de encerrado o Hotel em 1999, o edifício viria a ser adaptado para ser a “Casa de Repouso Vale de Lobos”, tendo aberto as suas portas em 27 de Julho de 2002.

 

Esta unidade classificada como “IPSS - Instituição Particular de Solidariedade Social“, tem 3 suites e 37 quartos, duplos e/ou individuais, todos decorados e equipados, com casa de banho privativa, ar condicionado e aquecimento central, televisão e mini bar, com capacidade para 49 idosos. O edifício dispõe de 3 pisos de área habitacional com elevadores, rampas de acesso e encontra-se preparado para receber idosos de ambos os sexos, em regime de alojamento temporário ou permanente, proporcionando-lhes qualidade de vida, com conforto e segurança.

Interiores da “Casa de Repouso Vale de Lobos”

 

 

fotos in: Delcampe.net, Fundação A.C.Santos, Casa de Repouso Vale de Lobos