Restos de Colecção: Abril 2021

27 de abril de 2021

Antigamente (157)

 


"Photo-Velo Club" na Rua de Santa Catarina, no Porto


Carro funerário da "Associação do Registo Civil e Livre Pensamento"


Carro publicitário do "Depósito da Covilhã", em 1926


1966


"Zona Azul" em 1969



Quando os estabelecimentos comerciais quase ocupavam a totalidade dos passeios, neste caso na Avenida da Igreja, em Lisboa, em 1977


fotos in: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste GulbenkianHemeroteca Digital de Lisboa , Arquivo Nacional da Torre do Tombo


24 de abril de 2021

Manutenção Militar (2)

Em 11 de Outubro de 2013, publiquei um artigo acerca da criação e história da "Manutenção Militar". Passados estes anos, a Biblioteca Nacional Digital de Portugal, disponibilizou no seu site, o livro "A Manutenção Militar de Lisboa" por Joaquim Renato Baptista (Capitão de Engenharia e Lente da Escola do Exército), donde retirei e publico de seguida algumas gravuras acerca da mesma.



Entretanto recordo e transcrevo, algumas passagens importantes de texto desse artigo, para melhor contextualizar as gravuras:

A origem da “Manutenção Militar” remonta a 1772, altura em que é atribuída ao Estado a responsabilidade pela alimentação militar. No fim do século XIX, as necessidades de abastecimento do exército português, em géneros alimentares, levaram à escolha de um local com espaço suficiente para implantação de várias unidades industriais, e com boas acessibilidades devido à proximidade do rio e do caminho-de-ferro. O local escolhido foi o Convento das Carmelitas, fundado por D.Luiza de Gusmão, em Xabregas, perto da rua do Grilo, que estava devoluto após a extinção das ordens religiosas.

Em 1811 é criado o “Comissariado de Víveres do Exército”. Em 1861, o Ministro da Guerra, Marquês de Sá da Bandeira, inicia, a título experimental, o fabrico e fornecimento de pão ao Exército, sob administração directa do Estado.

Em 23 de Fevereiro  de 1862 é criada a “Padaria Militar”. Várias obras de adaptação foram realizadas e, em 1896, o Ministério da Guerra tomou posse do local, e a “Padaria Militar” viria a ser transformada na “Manutenção Militar”, por decreto do Rei D. Carlos, em 11 de Julho de 1897, que instituiria o Plano de Organização da Manutenção Militar.

Entre 1898 e 1910, inicia-se a execução do primeiro Plano de Trabalhos da Manutenção Militar com:

- a implementação de vários equipamentos e estruturas, tais como: Moagem, Depósito de Trigo, Padaria, Prensas, Amassadores e Laminadores para massas, Via-férrea de resguardo para 10 vagões, Laboratório, Oficinas, Cozinhas e Refeitórios, Banhos, Cocheira e Caserna de Condutores;
- a reorganização da Manutenção Militar, pela Lei de 14 de Junho de 1899;
- a aprovação do Regulamento da Manutenção Militar, por Decreto de 26 de Julho de 1899;
- a publicação do primeiro Regulamento do Conselho de Administração da Manutenção Militar, por Decreto de 11 de Abril de 1907;
- a conclusão da Fábrica da Moagem, entre 1907-1908;
- a instalação de uma Fábrica de Panificação e de uma Fábrica de Massas, mecânicas, entre 1907-1908;
- e a instalação definitiva do Laboratório.













Para consultar a história e aceder a fotos das antigas instalações da "Manutenção Militar", consulte o seguinte link neste blog: "Manutenção Militar".

20 de abril de 2021

Joalharia Mello

A "Joalharia Mello", foi inaugurada em 14 de Agosto de 1944, na Rua Augusta, em Lisboa. Pertença da firma "Mello, Lda. - Joalheiros", tinha como gerente António Pinheiro. 

Quanto à inauguração da "Joalharia Mello", nada melhor que reproduzir passagens da notícia publicada no jornal "Diario de Lisbôa", no dia da inauguração:

«De quando em quando, Lisboa - que durante muitos anos viveu em "apagada e viltristeza", mantendo as suas ruas, os seus edifícios e os seus costumes cobertos de poeira secular - tem um "grito" de modernismo e de civilização. (...)

Deve, merecidamente incluir-se na lista dos acontecimentos desta natureza a inauguração da Joalharia Mello, Lda. que hoje se realizou, com um exito digno de tantos e tão valiosos esforços e de gôsto que presidiu á sua organização e á sua montagem.(...)


A fachada desta joalharia - em cujas montras se admiram lindas e artisticas  joias de todas as variedades - é revestida de brancas cantarias e dá logo a quem passa a tentação de penetrar no interior do estabelecimento, decorado ao gôsto inglês. Esta decoração, bem como as obras, foi dirigida pelo sr. Ferreira da Silva, da Companhia dos Grandes Armazéns Alcobia.

Em belas vitrines pode admirar-se uma colecção verdadeiramente admiravel.

Todo o chão é ricamente alcatifado- e os clientes têm á sua disposição um gabinete com todo o confôrto, onde , á vontade, podem fazer a sua escolha e as suas compras

Platina, oiro, prata, pedras preciosas - tudo aparece artisticamente trabalhado, neste estabelecimento, dirigido tecnicamente por uma pessoa da maior competencia: o sr. Antonio Pinheiro.»



Não sei quando encerrou definitivamente, mas já não aparecia mencionada numa lista de ourivesarias e joalharias de Lisboa de 1967, que aproveito a reproduzi-la. (clicar para ampliar)


17 de abril de 2021

Hotel Boa-Vista

O "Hotel da Boa-Vista" terá sido fundado em 1835, na Esplanada do Castelo em frente ao Forte de S. João da Foz, na cidade do Porto. Nos anos 60 e 70 do séc. XIX era um dos locais mais frequentados pelos banhistas, e tinha bilhares que atraíam muitos clientes.


1900


1939

Este Hotel era o local de estadia por excelência quando começou a ser moda ir a banhos à Foz, em meados do século XIX. Por este estabelecimento, o mais antigo e único naquela zona, já passaram milhares de pessoas, com Camilo Castelo Branco a mencioná-lo num dos seus livros como o local onde, depois dos banhos no oceano, se ia comer.

Entrada principal em 1920


1940

No jornal “O Primeiro de Janeiro”, de 19 de Setembro de 1880 podia-se ler:

«Tem também restaurante. Servem-se todos os dias, da uma hora em diante, jantares, constando de cinco entradas, vinho e sobremesas a 500 reis. Às quartas-feiras “feijoada com orelheira”.»

O "Hotel Boa-Vista", na foz do Douro, é há mais de 150 anos uma referência naquela zona. Ao longo dos anos tem vindo a adaptar-se às novas tendências e exigências do mercado, com renovações no espaço e ajuste de preços, conservando o ambiente familiar e acolhedor. Ao longo de décadas de atividade ininterrupta, recebeu aristocratas, chefes de estado, empresários e figuras públicas, assumindo-se como um dos mais prestigiados e emblemáticos hotéis da cidade do Porto e da região norte do país.



Avisam-se as pessoas mais sensíveis, que algumas imagens contidas no próximo folheto, poderão impressionar ...


Desde 1991, e depois de largas décadas na posse de uma família espanhola, o "Hotel Boa-Vista" é propriedade de António do Canto, empresário da Póvoa de Varzim com negócios no Brasil, que ampliou e remodelou o espaço, tornando-o no local de eleição para a estadia de vários empresários estrangeiros e elites, que apreciam a conjugação da história, a localização e qualidade de serviços.



A ser verdade o ano de fundação deste Hotel em 1835, será dos mais antigos do país, ainda em funcionamento, só ultrapassado pelo "Lawrence's Hotel" , de 1764 - o mais antigo da Península Ibérica e 2º mais antigo do Mundo -  e secundado pelo "Hotel Duas Naçõesde 1879, em Lisboa. 



"Hotel Boa-Vista" actualmente





fotos in: Foto-Porto