Restos de Colecção: Outubro 2020

17 de outubro de 2020

Centro Musical Raymundo de Macedo

 O "Centro Musical e Salão Bechstein de Raymundo de Macedo" abriu as suas portas na Rua da Galeria de Paris, no Porto, em 20 de Outubro de 1910, propriedade do pianista Raymundo de Macedo (1880-1956).


Raymundo de Macedo nasceu no Porto em 27 de Abril de 1880. De empregado bancário passou a violinista, fundou a "Sociedade de Concertos Sinfónicos do Porto" (1913 a 1923) e foi depois pianista, maestro, professor e vendedor de pianos. Foi um dos grandes impulsionadores da fundação do "Conservatório de Música do Porto" tendo, em 1916, apresentado à Câmara Municipal do Porto, um projecto, por si elaborado, para a fundação do mesmo.

Contudo, só em 1917, e pela iniciativa de Eduardo Santos Silva, Presidente da Câmara, é deliberada a fundação do "Conservatório de Música do Porto", tendo como seu primeiro diretor Bernardo Moreira de Sá e Ernesto Maia sub-director. A Raymundo de Macedo, foi endereçado o convite para integrar o primeiro corpo docente como professor de piano.

Entretanto, em 15 de Agosto de 1910 a Revista "A Arte Musical" noticiava:

«Vae abrir brevemente no Porto (Galeria de Paris - 60 a 80) um novo estabelecimento musical, sob a direcção do nosso presado amigo e illustre pianista Raymundo de Macedo. É destinado á venda de pianos, música e objectos d'arte, e disporá de um salão para concertos, com logar para 300 pessoas, que terá o título de Salão Bechstein.
No salão será installada uma exposição permanente de quadros e obras d'arte.
Desejamos a esta nova casa commercial todas as prosperidades.»


O "Salão Bechstein" - nome do famoso fabricante de pianos alemão e fundador da fábrica de pianos "C. Bechstein Pianofortefabrik", em 1 de Outubro de 1853  - ocupava o 1º andar dos «Grandes armazens de pianos, musicas e objectos d'arte»


Carl Bechstein (1826-1900)

Quanto aos pianos "Bechstein" aqui fica um anúncio publicitário à casa "Lambertini", localizada na Praça dos Restauradores, em Lisboa, e cuja história pode ser consultada neste blog no seguinte link: Lambertini - Pianos, Música, Instrumentos

1908

Sendo, na época, um dos mais reputados Salões, tinha uma intensa atividade musical comprovada pelos inúmeros concertos e recitais que ali se realizaram. Os maiores nomes do panorama musical da cidade do Porto, Óscar da Silva, Luiz Costa, Raymundo de Macedo, Luiz Costa e sua esposa Leonilda Moreira de Sá promoveram neste espaço muitas audições dos seus alunos, cujo elevado nível era registado na imprensa da época. No piso térreo ficava a loja de pianos, partituras de música  e objectos de arte a que chamou "Centro Musical Raymundo de Macedo".


Excerto de notícia (in "A Arte Musical") de uma iniciativa em 20 de Outubro de 1910

A propósito da sua inauguração, ainda a Revista "A Arte Musical" relatava:

«No dia 20 d'este mez inaugurou o nosso amigo e illustre pianista, Raymundo de Macedo, o seu artístico estabelecimento musical, sito na Galeria de Paris, ás Carmelitas (Porto).
Dotado de todos os requintes, que se podem exigir em uma casa d'esta natureza, o estabelecimento de Raymundo de Macedo dispõe, além dum variado e elegante sortimento de artigos da sua especialidade, de um bello salão destinado a concertos e conferências, com os necessarios annexos, sala de leitura, vestiarios, bar, etc.
Assistiram á inauguração da nova casa musical numerosos amigos e admiradores do distincto artista.»



Segundo o anúncio publicitário seguinte, e datado de 25 de Janeiro de 1931, o "Salão Musical Raymundo de Macedo", já tinha mudado de proprietário e de denominação para: "Centro Musical Julio Fonseca, Lda.".



10 de outubro de 2020

Anuário Comercial de Portugal

A famosa publicação "Annuario Commercial de Portugal", começou a ser composta e impressa na "Empreza Typographica do Annuario Comercial, S.A.R.L." fundada em 1880 por Manoel José da Silva e sob a direcção de Caldeira Pires. Instalar-se-ia em 1904, em anexos ao Palácio Foz, e torna-se então uma das melhores e mais bem apetrechadas do País. A entrada fazia-se pela Praça dos Restauradores com entrada entre o "Eden Teatro" e o palácio, ou pela Calçada da Glória.



Edição de 1898



Área ocupada pela "Empreza Typographica do Annuario Comercial"

A seguir publico um pequeno apontamento publicado no jornal "Occidente" de 20 de Julho de 1909 onde além duma breve resenha histórica, elucida-nos bem acerca desta publicação.






As maiores empresas tipográficas de Lisboa (e provavelmente de Portugal) eram, no princípio deste século, a "Imprensa Nacional", a "Companhia Nacional Editora", o "Empreza Typographica do Annuario Commercial S.A.R.L." e a "Tipografia Universal" ("Diário de Notícias"). Em 1918, a "Companhia Nacional Editora", a maior oficina tipográfica privada de Portugal, fecha e é vendida em parcelas. Empregava 150 operários, que foram despedidos com três semanas de salário.

O Anuário Comercial, possuidor de boas máquinas de impressão, apenas utilizou máquinas de compor durante algum tempo (adquiridas em 1905 a outra empresa tipográfica, desiludida com elas). Em 1910 ainda funcionavam, mas restritamente. Depois, o Anuário deixará de ter composição mecânica até aos anos 30 do século XX.


1905


1908

1913


1915



Edição de 1908


1915

Excerto do catálogo da "Typographia do Annuario Commercial"


 


1922




Flyer publicitário em 1937

A "Empreza Typographica do Annuario Comercial, S.A.R.L." no início dos anos 40 do século XX, mudou de instalações para Alcântara vindo ocupar o espaço anteriormente utilizado, primeiramente, pela "Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense, S.A.R.L." (1849) seguida da "Companhia Industrial de Portugal e Colónias, S.A.R.L.".

Em 1948 passa a ser propriedade da "Empresa Nacional de Publicidade, S.A.R.L." ("Diário de Notícias"), que tinha sido fundada em 19 de Janeiro de 1928.


1948