Restos de Colecção: Industria
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19 de julho de 2026

Arthur Gottschalk, engenheiro

O engenheiro eléctrotécnico alemão Arthur Gottschalk, iniciou a sua actividade comercial em 1902 com um escxritório de representações na Rua de Santa Justa, 98 2º andar, esquina com a Rua do Ouro, em Lisboa. Começou com a representação da empresa alemã de engenharia eléctrica "Siemens & Halske", fundada em Berlim a 12 de Outubro de 1847.

No 2º andar do prédio à direita funcionou a "Arthur Gottschalk, engenheiro". Esquina da Rua da Rua Aurea com a Rua de Santa Justa em foto de 18 de Agosto de 1922 


1902

A casa "Arthur Gottschalk, Engenheiro" alem de comercializar, pára-raios, ventoinhas eléctricas, lâmpadas de incandescência, telefones, aparelhos para Raio X , pilhas secas, aparelhos para telegrafia, etc., era especializada em «Luz e transmissão de força em cidades, fabricas, theatros, caminhos de ferro, etc., etc.»


10 de Dezembro de 1903

1903

Em finais de Dezembro de 1904, muda-se da Rua de Santa Justa para o "Palácio Foz". Instalou-se na recém-criada loja de esquina com a Calçada da Glória, onde tinha funcionado a capela do Palácio, junto ao terminús do "Ascensor da Glória". Aí criou um salão de exposição e armazém, tendo sido uma das primeiras lojas criadas no piso térreo do Palácio. Noutras lojas viriam a funcionar: pastelaria, alfaiataria, relojoaria, casa de fotografia, restaurante, etc. 


Ainda com o aviso de mudança de instalações

O jornal "O Século" de 1 de Janeiro de 1905 noticiava:

«Mudou os seus depositos e escriptorio para uma magnifica e sumptuosa installação no Palacio Foz, Praça dos Restauradores, o nosso amigo Arthur Gottschalk, ilustre engenheiro electricista representante da importante firma de Berlim, Siemens & Halske. Na antiga capella daquelle palacio ficara a exposição de machinas e material electrico, tendo ao fundo uma divisoria de construção sobria e elegante.
E' mais uma importante casa que se instala na Avenida e que muito concorrerá para a alegria e movimento d'aquelle bello pedaço de Lisboa.»

Primeiras duas janelas térreas à direita, que seriam substituídas por portas e dariam origem à loja "Arthur Gottschalk, engenheiro"


Interior da loja no Palácio Foz


1905

Entretanto a "Arthur Gottschalk, Engenheiro" abre uma filial no Porto na, ainda, Rua de Santo António, 204 -1º andar.


No "Annuario do Commercio do Porto" de 1908


"Arthur Gottschalk, Engenheiro", na Rua de Santo Antonio (actual Rua 31 de Janeiro), 204 - 1º  no Porto. Indicado pela seta

De referir outra casa alemã similar e sua concorrente, a "M. Herrmann" fundada em 1865, na Calçada do Lavra, 8-10 em Lisboa. Aqui duas curiosas coincidências: ambas pertencerem a um alemão e a outra ambas terem as suas instalações junto ao terminús de um ascensor, neste caso o "Ascensor do Lavra".


1907


A "M. Herrmann, Lda." no prédio de esquina, à esquerda na foto e junto ao "Ascensor do Lavra"

Com o aparecimento dos animatografos em Portugal, Arthur Gottschalk passa a dedicar-se, também, à indústria cinematográfica e em 1908 cria a "Empreza Portugueza Animatographica, Limitada", juntamente com Raul Lopes Freire e seu irmao Augusto Freire, Carlos Ribeiro Nogueira Ferrao, Alberto Coutinho Freire e Jaime Guerra da Veiga Pinto. A loja de Arthur Gottschalk é transformada em salão animatografico, e em 18 de Abril de 1908 é inaugurado o "Salão Central".

Já em 17 de Novembro de 1907, Arthur Gottschalk era responsável pelas instalações eléctricas do itinerante "Salão High-Life", como se observa no próximo anúncio (excerto), neste caso aquando de uma digressão pelo Algarve.

Em Tavira a 19 de Novembro de 1907

"Salão Central" à direita na foto na esquina com a Calçada da Glória

Por consequência, a "Arthur Gottschalk, Engenheiro", muda-se para a Rua de S. Paulo, 103 - 1º andar, também em Lisboa, tendo reduzido drásticamente a sua actividade. Em 17 de Dezembroro de 1910 é aprovado o pedido do registo da marca "Arthur Gottschalk", na "Repartição de Propriedade Industrial".

17 de Dezembro de 1910


15 de Dezembro de 1910

Este novo escritório da "Arthur Gottschalk, engenheiro" na Rua de S. Paulo, 103 - 1º andar, ficava no andar de cima da mui conhecida "Farmácia Ultramarina" (1856), que funcionava nas portas 99 e 101.


3 de Janeiro de 1910


Antiga "Farmácia Ultramarina" na Rua de S. Paulo, 103

Em Janeiro de 1912, já a firma "Carlos Fuchs, Limitada", aparecia como sucessor de Arthur Gottschalk, na Rua de S.Paulo, como atesta o próximo anúncio, no jornal "A Capital" ...


27 de Janeiro de 1912

Relativamente a esta firma, em 6 de Fevereiro de 1912 é publicado no "Diario do Govêrno" o seguinte édito:
«Faz-se público que José Henriques Totta & C.a, Fonsecas, Santos & Viana, Banco Economia Portuguesa, J. M. Espirito Santo e Silva, Filipe Antonio Felix e Carlos Fuchs, tendo adquirido a casa comercial que Artur Gottschalk tinha nesta cidade, constituiram, por escritura de 25 de Janeiro do corrente ano de 1912, outorgada perante o notário abaixo assinado, uma sociedade por cotas, de responsabilidade limitada, para continuação dos negocios da mesma casa, nos termos dos artigos soguintes :
1.° Esta sociodade adopta a firma Carlos Fuchs, Limitada, fica com a sua sede nesta cidade e o seu estabelecimento é na Rua do S. Paulo n.° 103, 1.° andar, e com armazêns na Praça de D. Luís.
2.° O seu objecto é a continuação do comércio e indústria de máquinas e instalações eléctricas, que nesta cídade tem sido feito por Artur Gottschalk.
3.° A sua duração é por tempo indeterminado, contando-se para todos os efeitos o seu comêço desde 1 de Janeiro corrente.
4. O capital social é de 26:550$000 réis, sendo: De Jose Henriques Totta & C.a, 9:900$000 réis; De Fonsecas, Santos & Viana, 2:275$000 réis; Do Banco Economia Portuguesa, 1:400$000 réis ; De J. M. Espirito Santo e Silva, 300$000 réis; De Filipe Antonio Félix, 10:750$000 réis; e de Carios Fuchs, 1:925$000 réis.
Estas quantias correspondem as cotas sociais dos outorgantes, que por elas eram credores de Artur Gottschalk e são representadas por valores equivalentes do activo da casa do seu devedor, activo que os mesmos outorgantes adquiriram, o que para a presente sociedade transferem com todo o respectivo passivo e os mais direitos e obrigações dessa aquisição, em harmonia com a escritura pública desta data. Está, pois, o capital social  integralmente realizado.
5.° A administração da sociedade fica exclusivamente a cargo do socio Carlos Fuchs, o qual é nomeado gerente, sem prejuizo da revogabilidade do mandato. (...)  2 de Fevereiro de 1912»

Em 28 de Outubro de 1920, "Carlos Fuchs, engenheiro" ainda aparecia anunciada no jornal "O Commercio do Porto"...


28 de Outubro de 1920

Mas, pouco tempo depois entraria em processo de falência e o respectivo processo de arrolamento dos bens da firma "Carlos Fuchs, Limitada", terminaria em 9 de Março de 1926.

Voltando a Arthur Gottschalk ... de seguida, e com o rápido desenvolvimento da cinamatografia, no mesmo ano de 1912, é fundada a  "Companhia Cinematographica de Portugal" em 17 de Dezembro de 1912, tendo a sua sede na Avenida da Liberdade, 18 em Lisboa. Foram seus principais fundadores, Raul Lopes Freire (dono do "Salão Central"), o alemão e engenheiro Arthur Gottschalk, o austríaco Carlos Stella, Leopoldo O'Donell (dono do "Olympia"), Salomão Levy, etc.

21 de Dezembro de 1912

O facto de Arthur Gottschalk se ter interessado pelo cinema era justificado. Naquela época, projetores, geração de energia para os animatógrafos e iluminação eram tecnicamente desafiadores, um engenheiro eletrotécnico, e ainda para mais já com boas representações, seria muito útil para a exploraçao da industria cinematográfica.

Mas Arthur Gottschalk, não ficou por aqui, no campo cinematográfico e também participou na "Empresa Teatral de Variedades, Limitada", criada em 25 de Abril de 1916, que era arrendatária do "Teatro da Rua dos Condes", para exibição de espectáculos cinematográficos. A sociedade era composta por Arthur Gottschalk, D. Orovida Sequerra, de nacionalidade inglesa, e Luís Maria da Gama Ochôa. Com o decorrer da "I Grande Guerra Mundial" (1914-1918), esta empresa seria arrolada, num processo demorado e que se arrastaria até à sua liquidação em 31 de Dezembro de 1924. Neste processo de arrolamento os bens de Arthur Gottschalk ficaram sob sob a gestão do depositário-administrador Raúl Aureliano Gonçalves que teve inúmeras divergências com os restantes sócios, até à liquidação da empresa. 

Devido à entrada de Portugal na "I Grande Guerra Mundial" (1914-1918), viriam a ser expulsos de Portugal dois nomes então influentes nos sectores da exibição e distribuição cinematográfica, o alemão Arthur Gottschalk e o austríaco Carlos Stella. Este último, fora uma figura particularmente importante nos primeiros tempos da actividade de distribuição cinematográfica em Portugal e ambos, como já foi referido, ocupavam lugar de destaque entre os sócios fundadores da "Companhia Cinematographica de Portugal". Acerca desta Companhia consultar neste blog a sua história no seguinte link: Companhia Cinematographica de Portugal.

Lista negra publicada no jornal "O Seculo" de 18 de Setembro de 1917 

18 de junho de 2026

"Primeira Casa das Bandeiras"

António de Almeida Cardoso, após trabalhar como alfaiate em São Pedro do Sul, mudou-se para Lisboa e abriu a alfayateria e fazendas "Antonio Cardoso", na Rua da Boa Vista, 18. A primeira referência a esta alfaiataria que encontrei foi já em 1900, no "Almanach Palhares". Nos anos anteriores, e também noutras fontes, e após aturadas buscas, não encontrei qualquer referência a esta alfaiataria, que esteve na génese da "Primeira Casa das Bandeiras", mas na porta na loja atual na Rua dos Correeiros, 149 e no site "Lojas com História" indicam o ano de 1885 para a sua fundação ... Assim como um anuncio publicitário de 1911, e postal que publico mais adiante. Certo é que só a partir de 1900 a alfaiataria "Antonio Cardoso" aparece anunciada com regularidade, não aparecendo em listagens de alfaiates de Lisboa nas últimas duas décadas do séc. XIX  ... Fica a minha dúvida, talvez infundada.


1900


Excerto da lista alfabética da alfayates de Lisboa, em 1899, sem Antonio Cardoso, assim como nos anos anteriores

Anúncio publicitário publicado em 1901 e 1902

E já em 1884 , um fabricante de signaes e bandeiras ...


1884

Em 1900, anunciava a comercialização de «Bandeiras e Signaes - Pendões e Estandartes». Desde 1900 a 1902 mantem sómente domicílio na Rua da Boa Vista, 18-20. Mas é em 1903 que António Cardoso abre outra loja na Rua dos Correeiros, 149-151, (então, vulgo Travessa da Palha) a "A Thesoura de Prata" ficando proprietário das duas lojas em simultâneo, situação que se manteria até 1904, ano em que encerra em definitivo a primeira loja na Rua Boa Vista, 18-20.

1903


1903


Ambos de 1904



1907

Durante uns anos manteve duas atividades distintas: alfaiataria com venda de fazendas e fabrico e comercialização de bandeiras. A primeira bandeira da República portuguesa, após a implantação da República em 5 de Outubro de 1910, foi confeccionada por esta casa.




Foto original disponibilizada pelo "Museu da Presidência da República"


2 de Outubro de 1911

«Encontrámos na bandeira a etiqueta de origem que nos levou a uma loja histórica da baixa lisboeta, que ainda existe (Primeira Casa das Bandeiras, na Rua dos Correeiros), e que participou depois, na sequência do 5 de Outubro, na elaboração da primeira bandeira nacional. Infelizmente, não lhes restou nenhuma documentação que traga mais alguma luz sobre a bandeira.» in: "Museu da Presidência da República".


 Ambas as gravuras e postal restaurados por IA




1913

Em 1913, um concorrente, na Rua dos Fanqueiros ...


1913


1917

Entretanto, em 22 de Maio de 1936, Deocleciano Costa e José Monteiro da Silva, antigos empregados da alfaiataria "Casa da Talha" na Rua dos Fanqueiros, 223-227, em Lisboa, formam a firma "D. Costa & Monteiro, Lda.". Por morte dos fundadores da "Casa da Talha", esta já era propriedade dos seus empregados sendo estes dois sócios os gerentes, pelo que ... «sem qualquer auxílio financeiro estranho, servindo-se apenas do excelente crédito do seu nome, os actuais proprietários da casa imprimiram-lhe grande impulso, e, além de manterem primorosas secções de alfaiataria e confecção, dedicaram-se ao comércio especializado de bandeiras.» . Por consequência esta casa passa a denominar-se "Casa das Bandeiras" de "D. Costa & Monteiro, Lda.", mantendo-se na Rua dos Fanqueiros, 223-227. Esta "Casa das Bandeiras" ainda existe, e tem sede e loja no Bairro de Alvalade.


"Casa das Bandeiras"

Quando a "A. Cardoso", no início dos anos 40 do século XX, foi registar o nome de "Casa das Bandeiras" já este nome era utilizado pela "D. Costa & Monteiro, Lda.", na Rua dos Fanqueiros, e, para não perder o seu lugar na história, que já em 1913 a alfaiataria "A. Cardoso" se intitulava "Casa das Bandeiras" - e já aparecendo em 1917 anunciada como a «1ª Casa das Bandeiras - Alfaiataria com Fazendas de A. Cardoso» -, esta optaria pela denominação "Primeira Casa das Bandeiras", propriedade da firma "Antonio Cardoso, Sucessora Margarida Cardoso da Costa".


1 de Janeiro de 1940


1 de Janeiro de 1943

Por escritura pública de 24 de Outubro de 1967, é constituída a sociedade "Primeira Casa das Bandeiras de António Cardoso, Sucessora Margarida Cardoso da Costa, Lda."
«O objecto social é o exercicio do comércio de bandeiras e seus afins, quinquilharias e artigos decorativos ou qualquer outro em que os sócios acordem e não dependa de autorização especial.
O capital social é de 800 000$, está integralmente realizado e divide-se em três quotas, pertencentes aos sócios pela forma seguinte: D. Margarida Cardoso da Costa, 160 000$; Rui Dinis de Almeida Costa, 70 000$, e António José Cardoso da Costa, 70 000$.»
A loja sita Rua dos Correeiros 149-151, em Lisboa, era propriedade de D. Margarida Cardoso da Costa.

Em 27 de Julho de 1973 a sociedade passa a ser constituída apenas por D. Margarida Cardoso da Costa, 195 000$, e António José Cardoso da Costa, 105 000$.

Em 4 de Julho de 1985 « O abaixo assinado, Rui Dinis de Almeida Costa, casado, residente na Rua dos Lagares, 20, 3.°, esquerdo, em Lisboa, e natural da freguesia de São Sebastiao da Pedreira, do concelho de Lisboa, como herdeiro de Margarida Cardoso da Costa, e, portanto, também herdeiro de António Baptista de Almeida Cardoso e ou António Cardoso, autoriza que o nome dos mesmos continue a fazer parte integrante da denominação - firma - social da Primeira Casa das Bandeiras de António Cardoso Sucessora Margarida Cardoso da Costa, Lda, com sede social na Rua dos Correeiros, 149-151, em Lisboa. »

Em 10 de Março de 1986, António José Carlos da Costa e Margarida da Conceição Moreira da Silva da Costa, são nomeados como únicos sócios da sociedade "Primeira Casa das Bandeiras de António Cardoso, Sucessora Margarida Cardoso da Costa, Lda.".


Calendário para 1988


Ambas as fotos de 1997

Em 7 de Novembro de 2000 procedeu-se à nomeação de gerente: Margarida da Conceição Moreira da Silva ou Margarida da Conceição Moreira da Silva da Costa.

Esta centenária "Primeira Casa das Bandeiras" ainda existe, na mesma morada, mantendo-se na mesma família, girando sob a firma "Primeira Casa das Bandeiras de Antonio Cardoso, Sucessora Margarida Cardoso da Costa, Lda." sendo a atual sócia gerente D. Margarida da Conceição Moreira da Silva, e cujo falecido marido era neto do fundador. 




3 fotos anteriores in: "Lojas Com História" (2017)

« A mão que faz uma bandeira, hábil na costura e no bordado, é tão antiga quanto a necessidade de as ter: marcar território, identificar uma família ou projecto colectivo, fazer uma distinção, ostentar uma crença ou um poder. Tudo isto é quase tão antigo quanto o próprio tempo: a guerra, a hierarquia, a religião. Hoje, no entanto, a Casa das Bandeiras não serve só clientes militares, nobres e religiosos, mas também diversas entidades públicas e privadas – uma sociedade filarmónica, misericórdias, autarquias, empresas ou clubes desportivos. Mudam-se os tempos, mudam-se as identidades...


Imagem via "Google Maps", captada em Abril de 2024

O talento que acarreta este saber-fazer está bem manifesto na bandeira dedicada à casa, no estandarte à direita de quem entra, feita em cetim de seda, debruada a cordão de três cores, com os melhores materiais. A produção manual decresce frente à mecanização e à impressão em série. O contrário é o que buscam os colecionadores, que atentam nas três gavetas etiquetadas “Bandeiras Antigas” e que só são abertas com muita parcimónia, só para olhos de entendedor, tal não é a delicadeza dos materiais e a sua fragilidade. Além das bandeiras e das insígnias, a loja procura diversificar serviços, oferecendo carimbos e plastificações a quente. » in "Lojas com História" (Jan 2017).

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian ("Lojas de um tempo ao outro, Vol I" de Jorge Ribeiro (1938-2006) - FCG 1997), Lojas Com História