António de Almeida Cardoso, após trabalhar como alfaiate em São Pedro do Sul, mudou-se para Lisboa e abriu a alfayateria e fazendas "Antonio Cardoso", na Rua da Boa Vista, 18. A primeira referência a esta alfaiataria que encontrei foi já em 1900, no "Almanach Palhares". Nos anos anteriores, e também noutras fontes, e após aturadas buscas, não encontrei qualquer referência a esta alfaiataria, que esteve na génese da "Primeira Casa das Bandeiras", mas na porta na loja atual na Rua dos Correeiros, 149 e no site "Lojas com História" indicam o ano de 1885 para a sua fundação ... Assim como um anuncio publicitário de 1911, e postal que publico mais adiante. Certo é que só a partir de 1900 a alfaiataria "Antonio Cardoso" aparece anunciada com regularidade, não aparecendo em listagens de alfaiates de Lisboa nas últimas duas décadas do séc. XIX ... Fica a minha dúvida, talvez infundada.
Excerto da lista alfabética da alfayates de Lisboa, em 1899, sem Antonio Cardoso, assim como nos anos anteriores
Anúncio publicitário publicado em 1901 e 1902
E já em 1884 , um fabricante de signaes e bandeiras ...
Em 1900, anunciava a comercialização de «Bandeiras e Signaes - Pendões e Estandartes». Desde 1900 a 1902 mantem sómente domicílio na Rua da Boa Vista, 18-20. Mas é em 1903 que António Cardoso abre outra loja na Rua dos Correeiros, 149-151, (então, vulgo Travessa da Palha) a "A Thesoura de Prata" ficando proprietário das duas lojas em simultâneo, situação que se manteria até 1904, ano em que encerra em definitivo a primeira loja na Rua Boa Vista, 18-20.
1903
Durante uns anos manteve duas atividades distintas: alfaiataria com venda de fazendas e fabrico e comercialização de bandeiras. A primeira bandeira da República portuguesa, após a implantação da República em 5 de Outubro de 1910, foi confeccionada por esta casa.
Entretanto, em 22 de Maio de 1936, Deocleciano Costa e José Monteiro da Silva, antigos empregados da alfaiataria "Casa da Talha" na Rua dos Fanqueiros, 223-227, em Lisboa, formam a firma "D. Costa & Monteiro, Lda.". Por morte dos fundadores da "Casa da Talha", esta já era propriedade dos seus empregados sendo estes dois sócios os gerentes, pelo que ... «sem qualquer auxílio financeiro estranho, servindo-se apenas do excelente crédito do seu nome, os actuais proprietários da casa imprimiram-lhe grande impulso, e, além de manterem primorosas secções de alfaiataria e confecção, dedicaram-se ao comércio especializado de bandeiras.» . Por consequência esta casa passa a denominar-se "Casa das Bandeiras" de "D. Costa & Monteiro, Lda.", mantendo-se na Rua dos Fanqueiros, 223-227. Esta "Casa das Bandeiras" ainda existe, e tem sede e loja no Bairro de Alvalade.
"Casa das Bandeiras"
Quando a "A. Cardoso", no início dos anos 40 do século XX, foi registar o nome de "Casa das Bandeiras" já este nome era utilizado pela "D. Costa & Monteiro, Lda.", na Rua dos Fanqueiros, e, para não perder o seu lugar na história, que já em 1913 a alfaiataria "A. Cardoso" se intitulava "Casa das Bandeiras" - e já aparecendo em 1917 anunciada como a «1ª Casa das Bandeiras - Alfaiataria com Fazendas de A. Cardoso» -, esta optaria pela denominação "Primeira Casa das Bandeiras", propriedade da firma "Antonio Cardoso, Sucessora Margarida Cardoso da Costa".
«O objecto social é o exercicio do comércio de bandeiras e seus afins, quinquilharias e artigos decorativos ou qualquer outro em que os sócios acordem e não dependa de autorização especial.
O capital social é de 800 000$, está integralmente realizado e divide-se em três quotas, pertencentes aos sócios pela forma seguinte: D. Margarida Cardoso da Costa, 160 000$; Rui Dinis de Almeida Costa, 70 000$, e António José Cardoso da Costa, 70 000$.»
A loja sita Rua dos Correeiros 149-151, em Lisboa, era propriedade de D. Margarida Cardoso da Costa.
Em 27 de Julho de 1973 a sociedade passa a ser constituída apenas por D. Margarida Cardoso da Costa, 195 000$, e António José Cardoso da Costa, 105 000$.
Em 4 de Julho de 1985 « O abaixo assinado, Rui Dinis de Almeida Costa, casado, residente na Rua dos Lagares, 20, 3.°, esquerdo, em Lisboa, e natural da freguesia de São Sebastiao da Pedreira, do concelho de Lisboa, como herdeiro de Margarida Cardoso da Costa, e, portanto, também herdeiro de António Baptista de Almeida Cardoso e ou António Cardoso, autoriza que o nome dos mesmos continue a fazer parte integrante da denominação - firma - social da Primeira Casa das Bandeiras de António Cardoso Sucessora Margarida Cardoso da Costa, Lda, com sede social na Rua dos Correeiros, 149-151, em Lisboa. »
Em 10 de Março de 1986, António José Carlos da Costa e Margarida da Conceição Moreira da Silva da Costa, são nomeados como únicos sócios da sociedade "Primeira Casa das Bandeiras de António Cardoso, Sucessora Margarida Cardoso da Costa, Lda.".
Em 7 de Novembro de 2000 procedeu-se à nomeação de gerente: Margarida da Conceição Moreira da Silva ou Margarida da Conceição Moreira da Silva da Costa.
Esta centenária "Primeira Casa das Bandeiras" ainda existe, na mesma morada, mantendo-se na mesma família, girando sob a firma "Primeira Casa das Bandeiras de Antonio Cardoso, Sucessora Margarida Cardoso da Costa, Lda." sendo a atual sócia gerente D. Margarida da Conceição Moreira da Silva, e cujo falecido marido era neto do fundador.
« A mão que faz uma bandeira, hábil na costura e no bordado, é tão antiga quanto a necessidade de as ter: marcar território, identificar uma família ou projecto colectivo, fazer uma distinção, ostentar uma crença ou um poder. Tudo isto é quase tão antigo quanto o próprio tempo: a guerra, a hierarquia, a religião. Hoje, no entanto, a Casa das Bandeiras não serve só clientes militares, nobres e religiosos, mas também diversas entidades públicas e privadas – uma sociedade filarmónica, misericórdias, autarquias, empresas ou clubes desportivos. Mudam-se os tempos, mudam-se as identidades...
O talento que acarreta este saber-fazer está bem manifesto na bandeira dedicada à casa, no estandarte à direita de quem entra, feita em cetim de seda, debruada a cordão de três cores, com os melhores materiais. A produção manual decresce frente à mecanização e à impressão em série. O contrário é o que buscam os colecionadores, que atentam nas três gavetas etiquetadas “Bandeiras Antigas” e que só são abertas com muita parcimónia, só para olhos de entendedor, tal não é a delicadeza dos materiais e a sua fragilidade. Além das bandeiras e das insígnias, a loja procura diversificar serviços, oferecendo carimbos e plastificações a quente. » in "Lojas com História" (Jan 2017).
fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian ("Lojas de um tempo ao outro, Vol I" de Jorge Ribeiro (1938-2006) - FCG 1997), Lojas Com História





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