Restos de Colecção: Radio Clube Portugues
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2 de dezembro de 2018

Clube das Donas de Casa e Cabaz do Natal

O “Programa CDC” ou “Programa do Clube das Donas de Casa”, teve início na “Rádio Renascença” em 1960 e transmitido em Onda Média (AM), com Armando Marques Ferreira e Victor Marques como realizadores. A partir de 1964, passaria a ser transmitido pelo "RCP - Rádio Clube Português", tendo como realizadores Henrique Mendes e Júlio Isidro. Neste programa, dois locutores conversavam, com enfoque no público feminino, e transmitidos à tarde em que eram dados conselhos, sugestões e era promovido o célebre “Cabaz do Natal”.

                          1962                                                            1968                                                             1973

  

Foi neste programa que foi lançado o concurso "Abril em Portugal", e a eleição da "Mulher Ideal Portuguesa", com provas eliminatórias de culinária, decoração, moda e leitura. Este programa conjugava locutores consagrados ou em começo de carreira, tais como: Dora Maria, Luís Mendonça, Víctor Marques, Armando Marques Ferreira, Maria João Baião, Costa Pereira, Henrique Mendes, Maria João Aguiar, João David Nunes, Júlio Isidro, Maria Helena d'Eça Leal, Ana Zanatti, Fernando de Almeida, Fernando Rocha e Maria Eugénia.

Duas reportagens do concurso “Mulher Ideal Portuguesa”

O móbil do “Programa CDC”, era a venda do "Cabaz do Natal", que tinha sido criado em 1960 e que era publicitado ao longo do ano. Dez anos depois este objectivo cedeu espaço a outros momentos no programa, ao longo do ano. Assim, o "Clube das Donas de Casa", em 26 de Novembro de 1973, tornou-se numa marca e numa empresa de sociedade anónima de responsabilidade, cujo objecto da mesma era o «comércio de produtos alimentares e a prestação de serviços de interesse para as donas de casa», e a incorporação das "Produções Sol" na actividade radiofónica.

15 de Fevereiro de 1964

                                             1966                                                                                         1976

 

                                             1976                                                                                          1985

   

Para termos uma ideia das preferências e audiências no panorama musical português na Primavera de 1970, um inquérito feito pela empresa “Norma”, a uma amostra de sete mil ouvintes de rádio, apresentou os seguintes resultados: “Emissora Nacional” tinha 39% da audiência total, seguida de perto pelo “Rádio Clube Português” com 36%, vindo depois a “Rádio Renascença” com 15%, a “Rádio Graça” com 4% e os “Emissores Norte Reunidos” e os “Emissores Associados de Lisboa”, ambos com 3% cada. Em termos de género de programas, os inquiridos davam a primazia a noticiários (38,6%), seguindo-se teatro (23,7%), discos pedidos (18,5%), música portuguesa (14,6%), fados (10,3%), programas desportivos (10,2%), música na estrada (5%), folclore (4,7%) e serões para os trabalhadores (3,9%). Dos programas, a distribuição fazia-se do seguinte modo: “Parodiantes de Lisboa” (18,3%), “Quando o Telefone Toca” (9,8%), “Clube das Donas de Casa” (4,6%), “PBX” (4,2%), “23ª hora” (3,6%), “Talismã” (3,6%), “Enquanto for Bom Dia” (2,4%), “Tempo Zip” (2%), “Página 1” (2%) e “Radiorama” (2%).

1972

A administração da nova empresa “Clube das Donas de Casa, S.A.R.L.”, com sede na Rua Luciano Cordeiro, 89 (esquina com a Rua Conde Redondo) era constituída por Carlos Pereira dos Santos, criador do conceito "Clube das Donas de Casa", representantes da empresa "Planco - Comércio Internacional", que seria substituída, em 1974, pela empresa "Pão de Açúcar, S.A.", e pela "A Social - Companhia Portuguesa de Seguros" (1927-1997).

Fotos do edifício-sede do “Clube das Donas de Casa, S.A.R.L.” (à esquerda em ambas as fotos)

 

Com estas alterações também o "Cabaz do Natal" foi restruturado, «cuja componente alimentar é fruto de grandes preocupações, dadas as constantes e explosivas alterações de preços», foi, igualmente promovida uma campanha de angariação de assinaturas da revista "Donas de Casa", ao mesmo tempo que era lançado um sistema de vendas por correspondência. No ano seguinte, 1974, a empresa lançaria "Cursos para a Mulher" e prosseguia coma "Oferta à Leitora".

                            1965                                                         1967                                                          1969

                                                                                              1976

 

1976

Um exemplo de cooperação entre os dois veículos mediáticos (rádio e revista) foi uma emissão sobre segurança nas praias e o papel dos nadadores-salvadores. Para a revista, Maria João Aguiar fez de mulher que se atirava ao mar mas que seria salva pelos nadadores. Para a rádio, contou com a experiência da reportagem na água.

Recordo que Maria João Aguiar, trabalhava na empresa de aviação "Canadian Pacific Airways" desde 1956, colaborando, entretanto, num programa de televisão com Henrique Mendes, que a viria a convidar para integrar a equipa do programa radiofónico "Programa CDC", o que viria a acontecer em 1965. O casamento de Maria João Aguiar viria a ser um acontecimento mediático, só com paralelo com o que acontece actualmente como eventos de celebridades nas revista da especialidade.

Em Maio de 1970, e para comemoração do seu aniversário a emissão do “Programa CDC” efectuou uma transmissão em directo, a partir da Discoteca Universal”, na Rua do Carmo, em Lisboa, do programa  com Ana Maria Lucas, Miss Portugal, e trinta manequins profissionais a promoverem um desfile de moda. Na linguagem da locutora, Maria João Aguiar, a emissão teria mise-en-scène ao recriar a moda dos anos 30 do século XX. A emissão provocou grande impacto junto do público presente e pelo engarrafamento de trânsito, que, então circulava na Rua do Carmo. Na passagem de trinta modelos, a locutora Maria João Aguiar explicou os modelos descrevendo os tecidos, enquanto o locutor Henrique Mendes seleccionava e colocava a música.

Em 1974, a empresa “Clube das Donas de Casa, S.A.”, alargaria a sua área de actividade a Angola, mais concretamente a Luanda, com a emissão diária de um programa de rádio.

E para terminar … outro tipo de “Cabaz do Natal”, de 1968, que merece aqui ser recordado

Bibliografia: “Estudos da Rádio em Portugal” de Rogério Santos - Universidade Católica Editora

fotos in: Ilustração Portuguesa, Hemeroteca Municipal de LisboaArquivo Municipal de Lisboa, Rua dos Dias que Voam

16 de agosto de 2012

A Rádio em Portugal

«Se isto toca? …. Se toca!…. Liga-se à parede e é uma torneira a deitar música!… a onda bate na lâmpada e recua …. isto é … tem que arrefecer o carburador … frappé!!». Estas frases ficaram célebres na boca do grande actor António Silva no filme “Costa do Castelo” de 1943, a propósito da sintonia dum aparelho de rádio resgatado da “loja de prego” (loja de penhores) para a festa de aniversário da Luizinha ( Milú ) …

                                                

A rádio nas primeiras décadas era feita em directo com audiências, orquestras e artistas ao vivo nos estúdios, e que é muito bem retratado no grande filme português que foi “A Menina da Rádio” de 1944 e realizado por Arthur Duarte.

                                     

A radiodifusão portuguesa teve o seu primeiro fôlego a 24 Abril de 1914, altura em que Fernando Cardelho de Medeiros, efectuou o primeiro programa radiofónico português, a 24 de Abril de 1914. Outras emissões se seguiram, mas sempre no domínio da Telefonia Sem Fios e não no da radiodifusão. As primeiras tentativas de montar uma estação emissora de radiodifusão sonora em Portugal, são fruto do esforço de particulares, em especial do radioamador P1AA, Abílio Nunes dos Santos Júnior.

 

Esta "Estação de Rádio CT1AA" , fundada em 1925, funcionava nos Grandes Armazéns do Chiado, representantes em Portugal dos rádios Philips e R.C.A.

Outra estação emissora a “CT1DY” começou por ser um pequeno posto emissor. Esta estação emissora rapidamente passa por grandes transformações trazendo muitas inovações ao meio radiofónico português.

A “CT1DY” em 1930, passa a chamar-se “CT1DY – Rádio Parede”, em 1931 passa a designar-se por “CT1 GL – Rádio Clube da Costa do Sol” e ainda nesse ano “CT1 GL – Rádio Clube Português”. A 21 de Abril de 1931, a “CT1 DY” muda de indicativo e de nome para “CT1GL - Rádio Clube da Costa do Sol”, mais tarde em 22 de Novembro o nome volta a mudar para “R.C.P.- Rádio Clube Português”, fundado por Alberto Lima Bastos e Jorge Botelho Moniz, que se manteve até 1975, altura em que foi nacionalizada e converte-se na “R.D.P. - Rádio Comercial”. Em 1993, é privatizada e a designação passa a ser só de “Rádio Comercial”.

                                                         Emissores do Rádio Clube Português na Parede

                                  

                                        Crachat                                                                 Postal publicitário

                       

Em 1958 é arrendada uma garagem na rua Sampaio e Pina, em Lisboa, para instalar os estúdios e demais serviços do “Rádio Clube Português”.

                    Estúdio 6 do Rádio Clube Português                        Central Técnica do RCP na Rua Sampaio Pina

      

                   Carlos Marques na Régie 2 do RCP                                     Carlos Carrilho na Régie 4 do RCP

      

                             Rádio Clube Português - Estúdio Móvel no programa «Praias de Portugal», em 1972

                                

                  Franklin Rodrigues na central técnica do RCP                   Alfredo Alvela aos microfones do RCP

                         

                          Fernando Peres, Rui Castelar, Adélia Pedrosa, Maria José Vilar e  Maria Tereza Quintas

                                  

                                    José do Nascimento                                                        Luís Pereira de Sousa

        

                                                                    Lista de canções proibidas em 1972 

                                        

                         Marques Vidal em 1953                                                Matos Maia e António Miguel

         

A 12 de Março de 2003 a marca Rádio Clube Português regressou por iniciativa do grupo Media Capital e foi depois convertida num modelo mais informativo em Janeiro de 2007. Encerrou a 11 de Julho de 2010 ao fim de 79 anos de actividade sendo a mais antiga estação de rádio em Portugal….

Foram programas de grande êxito: “Os Companheiros da Alegria”, com os actores Vasco Santana, Igrejas Caeiro e Irene Velez no R.C.P. em 1947; ”Zéquinha e Lélé" com os actores Maria Matos, Vasco Santana, Irene Velez e Henrique Santana na, Emissora Nacional em 1951; "Domingo Sonoro" com os actores Helena Branco, Artur Agostinho, Josefina Silva e António Silva e apresentado por Maria Leonor e Olavo d'Eça Leal.

                             “Zéquinha e Lélé “ ,1947                                                  "Companheiros da Alegria", de 1951

                     

                                                                                   "Domingo Sonoro"      

                                              

Por iniciativa do então Ministro das Obras Públicas e Comunicações o Engº Duarte Pacheco, em 1932 iniciam-se as primeiras experiências com um emissor de Onda Média, e posteriormente em 1934 para ondas curtas, para a instalação da futura “Emissora Nacional de Radiodifusão”.

Contudo, o primeiro passo para a sua constituição já tinha sido dado em 1930, aquando de um decreto que criou, na dependência dos CTT, a Direcção dos Serviços Rádio Eléctricos, autorizando, em simultâneo, a aquisição dos primeiros emissores de onda média e onda curta em Portugal.

As primeiras emissões experimentais em Onda Média são efectuadas em Maio de 1932 e em Agosto de 1934 é a vez das emissões em Onda Curta, dirigidas às colónias e estrangeiro, através de um emissor de 500 Watts. Os primeiros estúdios são situados nas instalações de Barcarena, mas ainda em 1934 foram transferidos para o n.º 2 da Rua do Quelhas, onde se mantiveram até 1996.

Oficialmente, a "Emissora Nacional de Radiodifusão", usualmente designada apenas por "Emissora Nacional" da qual a actual "RDP - Rádiodifusão Portuguesa" é sucessora, iniciou as suas experiências em Maio de 1934.

Inauguração oficial foi em 4 de Agosto de 1935. Na foto abaixo podem-se ver da esquerda para a direita: engº Manuel Bívar; Pires Cardoso, Presidente da República general António Óscar de Fragoso Carmona, capitão Henrique Galvão, engº Duarte Pacheco e Manuel Rodrigues Júnior.

          

                                     

O capitão Henrique Galvão diria ao concluir o seu discurso na cerimónia da inauguração:

«Em resumo: A Emissora Nacional, realização do Estado Novo é hoje, como mais um soldado que se alista, uma força ao serviço do Estado Novo»

                                  

Três anos depois, a sua capacidade de emissão era alargada para atingir a diáspora portuguesa. Data dessa altura o lançamento de um programa de referência - a "Hora da Saudade" - destinado aos emigrantes no continente americano e aos pescadores da frota bacalhoeira.

                           Madalena Iglésias sintonizando o seu auto-rádio

          

Já na vigência do Estado Novo é constituída a Comissão Administrativa dos Estúdios das Emissoras Nacionais. Um estudo levado a cabo em 1933, e apresentado na lei orgânica da “Emissora Nacional”, declara que nesse ano o número de radio ouvintes não ultrapassava em muito os dezasseis mil, sendo essencialmente urbanos, distribuídos pelas cidades de Porto, Lisboa, Coimbra e Braga. Claro que não era alheio ao facto dos ouvintes serem na esmagadora maioria citadinos a quase nula electrificação dos meios rurais

                        Revista Rádio Nacional em 1943 da EN              Primeiro número da Revista Álbum da Canção de 1963

         

                                                                   Revista Ilustração Portuguesa em1947

                                        

Ainda em 1934, os estúdios eram transferidos de Barcarena para a Rua do Quelhas, na freguesia da Encarnação . Este edifício da antiga Emissora Nacional, construída sobre parte do Convento das Brígidas (Quelhas) erigido em 1651/56, depois do incêndio do primeiro convento de 1594. O actual edifício tem projecto de 1933 da autoria do Arq. Adelino Nunes e foi inaugurado em 1935. A EN manteve-se neste edifício até meados dos anos 90. Actualmente, nessa mesma rua, mas num outro edifício que outrora acolheu o histórico "Rádio Clube Português", funciona o Museu da Rádio.

              Áurea Rodrigues, Maria Resende e Fernando Pessa e o edifício da Emissora Nacional na Rua do Quelhas

                 

                                                                            Carro de exteriores da EN

                                 

              Central técnica da EN na Rua do Quelhas                                               Central de telex

         

Entretanto em 1936 é fundada outra grande estação de rádio a “Rádio Renascença - Emissora Católica Portuguesa”.

Fundada por Monsenhor Manuel Lopes da Cruz, as emissões experimentais tiveram início em Junho de 1936 com um emissor instalado em Lisboa. A 1 de Janeiro de 1937 iniciaram-se as emissões regulares. Um mês depois do início das emissões diárias, os estúdios da Rua Capelo ficaram prontos e a "Rádio Renascença" instalou-se nesse local onde ainda hoje permanece.   
  
                      Pedro Rolo Duarte na RR em 1984                                         Fernando de Sousa na RR

         

                                                                        Consola de régie de emissão

                                

                             Equipamento de FM da RR                                                     Emissores da RR

        

Em 1975 foi ocupada pelos trabalhadores, mas em Dezembro desse ano foi devolvida à Igreja Católica e, ao contrário da quase totalidade das emissoras existentes, nunca chegou a ser nacionalizada.

Em 1940, a "Emissora Nacional", libertou-se da tutela dos CTT, iniciando-se, nessa altura, o modelo de implantação regional no continente e ilhas.

Baseada num modelo sóbrio de apresentação e recorrendo a locutores de alta qualidade, a "Emissora Nacional", embora assumindo sistematicamente o seu papel de órgão de propaganda do chamado Estado Novo, soube desenvolver uma cultura própria que influenciou fortemente a sociedade e marcou decisivamente a história da rádio em Portugal.

                      Isabel Wolmar, e Norberto Barroca, Álvaro Faria, José Manuel Nunes e Estrela Serrano na EN

         

Era o tempo da rádio em directo, com orquestra e cantores que tinham de fazer rigorosos castings para entrar. A entrada na "Emissora Nacional" era meio caminho para o sucesso. Lá iniciaram o seu estrelato Irmãs Meirelles, Alberto Ribeiro, Luís Piçarra, Curado Ribeiro, Hermínia Silva, Milú, Maria Clara, Artur Garcia, Tony de Matos, Simone de Oliveira, Madalena Iglésias, etc, etc. O salário de uma vedeta da rádio rondava os 300$00 (1,5 €).

                                                                            Milita, Rosário e Cidália

                                 SAMSUNG

A EN emite uma super produção radiofónica em folhetins: "As Pupilas do Senhor Reitor", adaptação de Adolfo Simões Müller com Estevão do Amarante e Vasco Santana.        

A seguir, fotos da 2ª estação da Emissora Nacional em Onda Média, em Castanheira do Ribatejo.

Fotos seguintes: Na primeira foto: Gil Montalverne no estúdio 1 de Onda Média; na foto da direita, pode-se reconhecer mesmo ao centro o grande locutor Jorge Alves (de fato escuro) que acabou a sua vida profissional a apresentar o programa Cartaz TV na RTP, nos finas dos anos 60 e princípio dos anos 70. Jorge Alves foi um dos primeiros locutores da RTP em 1957. Na quarta foto Olavo d'Eça Leal.

         

         

Na foto anterior o locutor Olavo d’Eça Leal.

Da dinâmica inicial, que se estendeu ao longo dos anos 50, surgiram as orquestras da Emissora Nacional - Sinfónica, Típica e Ligeira - o Centro de Formação de Artistas da Rádio, onde se revelaram alguns dos grandes nomes da música portuguesa, os folhetins radiofónico, rádio-teatro e programas, com destaque para o "Domingo Sonoro" e os "Diálogos da Lelé e do Zequinha" que ficaram na memória colectiva dos portugueses.

                                          Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional no Mosteiro dos Jerónimos

                                 

                    Eunice Muñoz e família junto do rádio                        Crianças e os rádios junto ao Estádio do SCP

        

                                                                                            1947

                                             

                                                                                             1961                                                                              

         

                                    Interior da "Guimar, Lda."                                                      "Telefonia de Lisboa"

          

Um dos mais carismáticos e conhecidos locutores da rádio, e principalmente na vertente desportiva foi Artur Agostinho. Iniciou-se em 1938, como locutor da "Rádio Luso", em Lisboa, exercendo, depois, as mesmas funções na "Rádio Voz de Lisboa", "Clube Radiofónico de Portugal", "Rádio Peninsular" e "Rádio Clube Português", até que em 1945, com 25 anos de idade, ingressou na "Emissora Nacional", através de concurso público, onde se manteve até 1969, ano em que solicitou a licença ilimitada, por força das múltiplas actividades que vinha desenvolvendo noutras áreas.

                                                                                      Artur Agostinho

             

Em 1947 surgiram os “Parodiantes de Lisboa”, criado pelos irmão Rui e José Andrade. Além de José Andrade, estiveram também na sua fundação Eduardo Ferro Rodrigues, Manuel Puga, Mário Ceia, Mário de Meneses Santos e Santos Fernando. Começaram com um programa denominado "Parada da Paródia", que ia para o ar às terças-feiras, às 20 horas, através da Rádio Peninsular, naquele tempo instalada na Rua Voz do Operário. Com o evento da publicidade, os “Parodiantes de Lisboa”, começaram a lançar novos programas, ainda nos Emissores Associados de Lisboa. Assim nasceu o programa "Graça com Todos", no Rádio Clube Português. Este programa chegou a ser transmitido, simultaneamente, em Lisboa, Porto, Madeira, Angola, Moçambique e em muitas estações estrangeiras destinadas aos emigrantes.

Em 1954 é inaugurado oficialmente, pelo Presidente da República General Francisco Craveiro Lopes, o Centro Emissor de Onda Curta de S. Gabriel em Pegões. A “EN” passa a transmitir para o estrangeiro o seu "Serviço Internacional".

        

         

Centro emissor de onda média, inaugurado em 1945, em Castanheira do Ribatejo

                                 

         

         

                                      Programa da Câmara Municipal de Lisboa, na Emissora Nacional em 1959

       

                                                 Duas faces do postal da Emissora Nacional de Radiodifusão

         

A Rádio populariza nomes de realizadores de programas, como Adolfo Simões Muller, Olavo d’Eça Leal, Francisco Mata, Aníbal Nazaré e Nelson de Barros e de locutores como Fernando Pessa, Jorge Alves, João da Câmara, Pedro Moutinho, Artur Agostinho e Maria Leonor.

Em 1956 a “Emissora Nacional” inaugura os seus dois primeiros emissores de Frequência Modulada em Lisboa e Lousã e o “Rádio Clube Português” inaugura o seu emissor de Onda Média, em Miramar, perto do Porto, com uma potência superior a 50 kw. No mesmo ano são efectuadas as primeiras reportagens, em directo, por ocasião da visita do Chefe do Estado ao Ultramar, efectuadas pela “Emissora Nacional”.

Em 1960 começa a ser transmitido na Onda Média da "Rádio Renascença" o programa "CDC -Clube das Donas de Casa". Este programa acabaria na “RR” em 1963, reaparecendo no ano seguinte no “Rádio Clube Português”, tendo durado até 1974. Armando Marques Ferreira e Victor Marques foram os realizadores na “RR” e Henrique Mendes e Júlio Isidro no “RCP”. Faziam parte da equipa, nas duas estações: Dora Maria, Luís Mendonça, Victor Marques, Armando Marques Ferreira, Maria José Baião, Costa Pereira, Henrique Mendes, Maria João Aguiar, João David Nunes, Júlio Isidro, Maria Helena d'Eça Leal, Ana Zanatti e Fernando de Almeida.

                                         1946                                                                                 1955                                                      

            

Fernando Pessa numa tentativa de entrevista para a EN …

                 

Em 1975 são nacionalizadas as rádios em Portugal, com excepção da “Rádio Renascença”, “Rádio Altitude” e da “Rádio Pólo Norte” que se passaria a chamar mais tarde “Rádio Clube do Centro- Emissora das Beiras”.

                                                    

O maior posto emissor da Rádio Europa Livre funcionou durante quase 50 anos em Glória do Ribatejo no concelho de Salvaterra de Magos, a algumas dezenas de quilómetros de Lisboa, colocando esta região na rota da "guerra fria". No início dos anos 50 foi construído na Glória do Ribatejo um centro retransmissor em onda curta da Rádio Europa Livre (RARET), que transmitia para os países do Leste europeu o American Way of Life. Este complexo, controlado pelos americanos, transmitia incessantemente programas para os países dominados pelo comunismo, gravados na Alemanha por dissidentes e combatentes do regime soviético e transmitidos, para lá da "cortina de ferro", a partir de Portugal.

                                                                   RARET em Glória do Ribatejo

          

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Telefonia Sem Fios

Nota: os meus agradecimentos ao sr. Júlio César que me facultou fotos do seu espólio, principalmente do RCP, da RR e algumas da EN.

Para consultar lista das principais estações de Rádio em Portugal, desde 1914, aceder à página neste blogue, no seguinte link:  “Estações de Rádio (1914-1974) e 2011".