Restos de Colecção: Praças de Touros
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23 de junho de 2023

Restaurante "O Guizo"

O restaurante "O Guizo", terá aberto as suas portas pela primeira vez por volta de 1968/1969, no piso térreo da praça de toiros "Monumental de Cascais", em Cascais.

A praça de toiros "Monumental de Cascais", foi inaugurada em 15 de Agosto de 1963, tendo sido palco de espectáculos tauromáquicos e musicais (Status Quo, Scorpions, Bryan Adams, Mike Oldfield, Guns n' Roses, Billy Idol, Supertramp, etc.), ao longo dos seus quase 40 anos de actividade. O seu nome oficial era "Praça José Pessoa", em homenagem ao tenente-coronel José Roberto Raposo Pessoa (1879-1974) que presidiu à "Comissão Pró-Construção", e foi projectada pelo arquitecto Filipe de Figueiredo (1913-1989). Aquando da sua inauguração a sua capacidade era de 7.500 espectadores, e depois de concluída a mesma ficou-se nos 12.500 espectadores, sendo a sua arena, com os seus 49 metros de diâmetro, a maior do país. A sua construção foi iniciada em 1960 e a sua demolição teve início em 2006.


"Monumental de Cascais" aquando da sua inauguração

Acerca do restaurante "O Guizo", «onde se come maravilhosamente a preços sem exageros e onde o cliente é rei», pouco ou nada sei, mas o anúncio publicitário publicado no jornal "Diário de Lisboa" de 18 de Julho de 1969 dá uma ajuda ... Mas fica aqui este pequeno apontamento.

18 de Julho de 1969










24 de Dezembro de 1971


"Monumental de Cascais" anos antes da sua demolição

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Horácio Novais), Farpas Blogue, Museu Virtual do Seguro

18 de novembro de 2015

Praça do Campo de Sant’Anna

A “Praça do Campo de Sant’Anna” , mandada construir pelo Rei D. Miguel (1802-1866), foi inaugurada no Campo de Santana, em Lisboa, em 3 de Julho de 1831. Projectada pelo arquitecto camarário, Malaquias Ferreira Leal (1787/90-1859),  era construída quase toda de madeira e tinha capacidade para 6.000 espectadores.

Como atrás referido, a decisão da sua construção partiu do Rei, e a propósito o Conde de Sabugosa, no seu livro "Embrechados", escreveu: “Um dia que o infante D. Miguel, então aclamado rei, determinou dar uma tourada em benefício duma obra de caridade, soube que o empresário da velha praça do Salitre, (José Serrate), levantava dificuldades e regateava pelo preço do aluguer. D. Miguel mandou então chamar o seu amigo Sedvem, famoso cavaleiro, encarregou-o de dirigir a obra de construção imediata de uma nova praça, sem olhar a despesas, e fez publicar um decreto que dava à Real Casa Pia de Lisboa o privilégio da receita daquela e de outras praças nalgumas léguas em redor. Ficou o D. José Serrate a chuchar no dedo e o público contente com o circo novo e com a pirraça feita ao onzeneiro director”.

A “Praça do Campo de Sant’Anna”, á direita ao fundo na foto (dentro da elipse desenhada)

Planta topográfica

Apesar desta versão sobre a origem da velha praça, os factos parecem ter sido diferentes. Em primeiro lugar, o privilégio da Casa Pia de que fala o Conde de Sabugosa, foi atribuído àquela instituição logo no ano de 1821, por decreto de D. João VI. O que D. Miguel fez, segundo a edição de 8 de Setembro de 1830 da "Gazeta de Lisboa", foi confirmar este direito, a requerimento do administrador, António Joaquim dos Santos. Afirmando  D. Miguel:
«Hei por bem confirmar a mercê de que goza a mesma Casa Pia, e que lhe foi conferida por el-rei meu senhor e pai, que Santa Glória haja, de serem somente em seu benefício permitidas as corridas de touros na cidade de Lisboa.»

O rei D. Miguel, licencia portanto a construção da praça, de acordo com planta anexa ao decreto, correndo os custos do empreendimento por conta da “Real Casa Pia de Lisboa”. Ainda por alguns anos se fizeram corridas na “Praça do Salitre”, embora poucas, isto até as obras da construção da nova do Campo de Sant'Ana - no local onde actualmente se encontra a Faculdade de Medicina - ficarem concluídas, o que levou algum tempo ainda. Razão pela qual se efctuariam por alguns anos espetáculos nos dois recintos.

Anúncio de 1838, com a foto do “moço de forcado” João de Azevedo Fragoso, dos Forcados de Riachos

1846


Três tipos de bilhete

 

                                            1860                                                                                      1873

 

1880

          1882

   

1883

A “Praça de Touros do Campo de Sant’Anna” seria inaugurada em 3 de Julho de 1831, na presença do rei D. Miguel e da infanta D. Maria da Assunção, sua irmã, e segundo o olissipógrafo Norberto de Araújo, no seu livro “Peregrinações em Lisboa” …
«No sitio onde assenta a Escola existiu a Praça de Touros do Campo de Sant'Anna, de tradições na vida alfacinha, com a sua aura fidalga e popular a um tempo. Foi aquela Praça inaugurada em 3 de Julho de 1831, tempos do Senhor D. Miguel, que assistiu à 'festa', sendo corridos dezasseis touros das manadas reais; à noite, com motivo no acontecimento tauromáquico, houve 'luminarias' e 'fogo de vistas'. A Praça do Campo de Sant'Anna era pequena e quase tôda de madeira, sem o tipo classico dos redondéis hispano-arabes, uma arena muito para 'brinco de touros', mas que fêz as delícias dos nossos avós.
Até 1915 uma 'maquetta' desta Praça encontrava-se no Club Thauromachico, ao Chiado; foi por essa época destruída num assalto plitico àquele Club, e dela resta, apenas, a memoria numa fotografia feita um pouco antes pelo Sr. J.A.Barcia. A praça do Campo de Sant'Anna, que sucedera à do Salitre, esta inaugurada em 4 de Junho de 1790, foi demolida em 1891, para dar lugar à do Campo Pequeno, inaugurada em 18 de Agôsto de 1892.»

 

 

Publicidade em 1915 e Manoel Casimiro cavaleiro e proprietário do “Grande Hotel de Portugal” referido no postal

               1910 (JUlho) Manuel Casimiro

A “Praça de Touros de Sant’Ana” manteve-se em actividade até 1891, vindo a ser demolida nesse ano. Tal decisão foi tomada pelo facto das suas más condições de segurança, que faziam temer um desastre semelhante ao ocorrido no “Theatro Baquet”, no Porto, que devido a um violento incêndio, em 20 de Março de 1888, viria a provocar 120 mortos.

Foi com tristeza que os lisboetas viram desaparecer a “Praça do Campo de Sant’Anna”.
"Na poeira que levantavam ao desmoronarem-se os muros pintados a vermelho, as tábuas azuis e brancas, as trincheiras e os palanques, iam os últimos ecos de muitas tardes alegres, do estalar festivo dos foguetes, dos trombones desafinados da fanfarra da Casa Pia, mugidos dos bois, pregões do homem dos pastelinhos e água fresca, assobios estrídulos da multidão, piadas do sol gritadas por vozes avinhadas e roucas troçando do lavrador, do inteligente, lançando trocadilhos petulantes, que faziam rir cinco mil bocas numa gargalhada." Citação do Conde de Sabugosa, no seu livro "Embrechados".

Esta tristeza duraria pouco já que a 18 de Agosto de 1892, seria inaugurada aPraça de Touros do Campo Pequeno”, projectada por António José Dias da Silva (1848-1912).

Acerca da história da “Praça de Touros do Campo Pequeno”, consultar neste blog, o seguinte link: Praça de Touros do Campo Pequeno”,

Bibliografia: Foi também consultado o blog “Histórias com História”, de onde foram retiradas algumas passagens.

fotos in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital

19 de junho de 2015

Praça de Touros de Algés

A “Praça de Touros d’ Algés” foi inaugurada em 23 de Maio de 1895. A sua construção foi promovida por um grupo de sócios do “Real Club Tauromachico” com a intenção de vir a ser uma alternativa à “Praça de Touros do Campo Pequeno” - inaugurada em 18 de Agosto de 1892.

 Praça de Touros de Algés.7 (1930)

                                   Notícias no jormal “Diario Illustrado” em 23 e 24 de Maio de 1895

     

No Domingo seguinte à inauguração a 26 de Maio de 1895

Embora se tratasse de uma Praça com uma lotação para 7.500 espectadores, simples mas confortável, não conseguiu atingir o seu objectivo. Na altura da sua inauguração, podia-se chegar à “Praça de Touros de Algés” utilizando o comboio ou os “Americanos” que partiam do Conde Barão. A partir de 31 de Agosto de 1901, com a inauguração da linha do “eléctrico” Cais do Sodré-Algés, a Praça de Touros de Algés” passaria a contar com este novo meio de transporte para ali se chegar.

 

Propaganda no Palácio do Marquês do Alegrete, em Lisboa

 

Em 5 de Outubro de 1893 a “Gazeta de Oeiras” noticiava a sua construção:

“ Vae construir-se muito brevemente em Algés ao norte da estrada real uma nova praça de touros. Consta-nos que será um vasto e bem construido circo. O seu custo está orçado em cinquenta contos de rèis. A praça fica n’ un sitio magnifico de onde se disfructa um lindo panorama de terra e mar - muito accessivel e para onde ha transportes faceis, commodos e baratos. Por tudo isto será ella preferida à do Campo Pequeno para onde os transportes são difficeis e caros.»

E em Maio de 1895 noticiava a sua iminente abertura:

«Trabalha-se activamente nas obras d’esta praça afim de se poder dar a 1ª corrida no dia 23 d’este mez.
O circo está elegantissimo. O seu risco é do distinto conductor o nosso illustre amigo o sr. Alfredo Bettencourt de Mello. É feito de cantaria e ferro tem 100 metros de raio e uma só ordem de camarotes. Circunda-o uma avenida de 20 metros de largura. Na sua construção foram introduzidos todos os modernos aperfeiçoamentos. O esplendido local onde está edificado, a facilidade de communicações para lá e os atractivos do mar e da campina são de certo mais que muitos para atornarem a primeira praça de touros do paiz.»

 

Tourearam, nesta Praça o mais importante matador do século XIX, Rafael Ortega "Guerrita", o inesquecível José Gomez Ortega "Gallito" os cavaleiros Manoel e José Casimiro e muitas outras figuras do toureio a pé e a cavalo. Em 1953, foi em Algés que o saudoso Manuel dos Santos (após a sua primeira retirada) iniciou o seu percurso empresarial. Montou magníficos carteis, mas os aficionados continuavam a preferir a “Praça de Touros do Campo Pequeno”e Manuel dos Santos desistiu, até que em 1963 assumiu a gerência da “Sociedade Campo Pequeno” dando início a uma década fabulosa, os melhores anos da Monumental de Lisboa.

Postal.10   

                                          1902                                                                                        1909

  

1925 Algés

Bilhete para 30 de Agosto de 1956


gentilmente cedido por Carlos Caria

                                      1917                                                                                         1924                                         

     

A má gestão, em décadas anteriores, foi ditando o progressivo declínio da praça que, curiosamente, serviu de cenário a dois filmes: o primeiro fono-filme "A Severa", de 1931, e ao filme francês policial "Mission Lisboa", de 1959. 

Praça de Touros de Algés.2

Entretanto, Algés, assistiu à degradação da sua Praça, praticamente inactiva desde 1960, embora ali se tenham realizado alguns espectáculos sem continuidade. A “Praça de Touros de Algés” seria demolida em 1974, ao fim de 79 anos de existência.

1961

1974

Bibliografia: blog “Gazeta de Miraflores

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Gazeta de Miraflores