Restos de Colecção: Casinos
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15 de fevereiro de 2026

"Avenida Palace Club"

O "Avenida Palace Club" abriu no ano de 1923, e veio substituir o "Club Mayer" (aberto em 1919),  no "Palácio Lima Mayer", localizado na esquina da Rua do Salitre com a Travessa do Salitre, em Lisboa. Era propriedade da firma "Júlio de Resende, Lda.", de Júlio César de Resende, fundador do "Majestic Club" em 1918.

"Palácio Lima Mayer" onde estava instalado o "Avenida Palace Club", com a entrada do "Avenida Parque" à esquerda


20 de Fevereiro de 1925

Construído em 1900 por Adolfo de Lima Mayer (1878-1919), o "Palácio Lima Mayer", projectado pelo arquitecto Nicola Bigaglia (1841-1908), viria a ser, em 1902, o primeiro "Prémio Valmor" a ser instituído. Após a morte de Adolfo de Lima Mayer, o palácio viria a ser alugado para aí funcionar o "Club Mayer", mui conhecido «do jogo, das danças e dos banquetes e jantaradas.».

1900

O espaço exterior do “Palácio Lima Mayer” viria a ser adquirido em 1920, por Artur Brandão, primeiro promotor do “Avenida Parque” (futuro "Parque Mayer"), tendo sido comprado no ano seguinte por Luís Galhardo (1874-1929). Jornalista, escritor e empresário e considerado um dos criadores da “Revista à Portuguesa”, com outros dez sócios, constituiu a “Sociedade Avenida Parque, Lda.”. Era, também, sócio gerente da firma "Ciclo Teatral" que explorava o "Eden-Teatro" desde a sua abertura em 25 de Setembro de 1914.

"Palácio Lima Mayer" em 1902


Banquete de Ginestal Machado no "Avenida Palace Club", em 28 de Fevereiro de 1926


1926


7 de Dezembro de 1926


Bilhete de identidade de «sócio extraordinario», em 1927 (*)

Já em 30 de Novembro de 1919 ...

Entre o final da década de 10 e o final da década de 20 do século XX , o "Palácio Lima Mayer", era «considerado vagamente «perigoso», muitas senhoras de sociedade entram sob anonimato da mascarilha. Chega a dançar-se de mascarilha mesmo sob contrato para a sala de espectáculos, anexa ao salão de jogo.». Foi, entre 1919 e 1929, um dos mais conhecidos e badalados clubes nocturnos de Lisboa, onde além de muita e alta jogatana, havia espectáculos, dançava-se o tango e podia-se jantar e cear até tarde.

As «madames» com máscaras


30 de Dezembro de 1927


18 de Fevereiro de 1928


8 de Fevereiro de 1929


11 de Fevereiro de 1929

O "Avenida Palace Club", viria a encerrar em finais de 1929. No ano seguinte de 1930, o "Palácio Lima Mayer" foi comprado pelo governo de Espanha para aí instalar o seu Consulado, e que ainda ali funciona actualmente. O negócio foi rodeado de escândalo. O intermediário espanhol terá metido dinheiro ao bolso, o que o levou à sua prisão em Espanha. Os contornos deste negócio levou a imprensa lisboeta a comentar: «A burla substituiu a batota no Palácio Mayer.» ...

(*) Bilhete de Identidade in: "Lisboa Desaparecida" Vol VIII, de Marina Tavares Dias

23 de outubro de 2025

"Club dos Patos"

O "Club dos Patos" abriu as suas portas pela primeira vez, no Largo do Picadeiro, 10 , em Lisboa, antes da I Guerra Mundial (1914-1918), provavelmente por volta de 1913, bem perto do "Teatro Nacional de S. Carlos". Outro club, o "Maxim's" abriu como  "Club dos Restauradores" antes da I Guerra Mundial , mais concretamente em 1908. Ambos abriram como casinos, diversificando gradualmente os seus serviços de modo a conquistar mais público e de certa forma a camuflar a sua actividade original, embora esta se mantivesse.

Apesar da concentração de clubs na Rua Eugénio dos Santos, actual Rua das Portas de Santo Antão, Praça dos Restauradores e Rua da Glória, locais de outros estabelecimentos comerciais, espaços de diversão, teatros, cinemas, cafés e restaurantes aí existentes, acentuando o seu carácter de zona dedicada ao lazer e à filosofia de vida para aí promovida, o caso relativamente isolado do "Club dos Patos", na zona do Chiado tem no entanto uma justificação funcional, uma vez que se situava na convergência de vários equipamentos culturais, como os teatros, ópera, restaurantes, cafés, pastelarias, e comércio elegante. Historicamente, era também nas proximidades deste club que se situavam as assembleias e clubes dedicados a práticas de sociabilidade mundana públicas ou semi-públicas - "Turf- Club", "Grémio Literário", "Club Tauromaquico" -  para as classes mais altas que se impuseram ao longo do século XIX.

A seguir transcrevo parte de um artigo publicado no "Diario de Lisbôa" de 5 de Maio de 1928, aquando do encerramento do "Club dos Patos" e respectivo leilão do seu recheio, que ilustra bem o ambiente desta casa de jogo, dança e espectáculo:

«Inicialmente, foi apenas uma «tertulia» intima e amavel, «garconniére» de rapazes de «meia idade» que acenavam ás «demi-mondaines» com as prometidas generosidades que o titulo de «Patos» deixava antever, como bom chamariz. 

Depois foi-se alargando a frequencia, sempre elegante e escolhida, e a presença agradavel de espiritos fulgurantes veiu aumentar o interesse das noites dos «Patos» - a eloquencia exaltada dum orador de génio, as «blagues» bizarras dum artista do lapis ...

Depressa se introduziu o veneno do jogo no que, inicialmente, fôra apenas Jogo da Rosa, torneio de alegria e desenfadado amõr. E os «Patos» passaram a sê-lo no pano verde, tomando o Club um novo aspecto de «cabaret», sempre intimo mas ja com caracteristicas semelhantes a do parisiense «Rat-Mortn, e destacando-se dos seus similares lisboetas, encerrados ainda em bacanais secretas e escondidas no anonimato das ultimas letras do alfabeto.


"Slot Machine"

Pelo «Largo do Picadeiro» desfilaram então as mais lindas bailarinas de S. Carlos e as mais graciosas «tiples» da zarzuela do D. Amelia, os teatros visinhos que permitiam as suas contratadas saltarem do palco para o «Patos», «vivinhas a saltar», muitas vezes com os fatos de scena.

Lá começaram os passos ainda indecisos das suas carreiras artisticas de tanta fama como Tereza Espana, Isabelita Ruiz e Rosita Rodrigo, preparando-se igualmente para a consagração publica, com o prestigio do exito no «cercle», cantadoras tão populares como as desventuradas Julia Mendes e Maria Vitoria, Filomena Lima, actual «estrela» de revista, e Maria Rapaz, a melhor «fadista» de hoje.


30 de Dezembro de 1925


8 de Dezembro de 1926


10 de Dezembro de 1926

Na «jeunesse dorée», frequentadora dos «Patos» surgiam, por vezes, tentativas de deserção pela porta do matrimonio. E era fatal a ceia de despedida, com protestos de definitiva retirada, nostalgicos adeus, rupturas tragicas, lagrimas de dor ... e de «champagne».

Celebrava-se o casamento e, passadas poucas semanas, malograva-se a tentativa de deserção, frustrados os respeitaveis propositos pela atracção que os «Patos» exerciam nos seus frequentadores, reaparecendo o filho prodigo para novas noites de alegria, então toldadas pelo espetro da infidelidade.
E, por tudo isto, eram fatidicas em todos os lares domesticos as cinco letras, odiadas pelas esposas e temidas pelas maes receosas dos seus perigos, afinal, menos graves do que elas supunham.
E a verdade é que, durante muitos anos, foi necessario o consentimento de parentes autorisados para que os rapazes entrassem no Club, e, quando tal acontecia era o acontecimento interpretado pelos familiares frequentadores como indicação do tempo, significando-lhes que uma nova géraçao se preparava para os substituir. E a renovação foi-se dando, pouco a pouco.
Por este criterio de necessaria autorização de parentes dos menores candidatos á frequencia do Club, aconteceu o caso bem conhecido dum «sobrinho» que ainda hoje passa por sê-lo dum «tio ... con tôa la barba».
«Aprés la guerre» mudaram os aspectos das coisas e os «Patos» não resistiram á mudança. Ampliou-se o criterio de selecção e jovens de todas as idades puderam passar a dizer esta frase, outróra privativa de raros apenas:
- Passei a noite nos «Patos»!
Os «maiores», irritados por vezes, marcavam ainda a sua qualidade por gestos irrequietos que chegavam a atingir ares de batalhas campais.
Mas «le monde marche» e os «Patos» nao podiam resistir ao paralelo com os grandes «dancing's» modernos, amplos como o não podia ser a «boite» do Largo do Picadeiro.
E ámanhã lá vão a leiloar, que o mesmo é que «a enterrar», os tristes despojos dum Club que marcou uma época, mais alegre e mais franca que esta em que vivemos, os sobreviventes daquela.»


5 de Maio de 1928

Quanto ao recheio a leiloar, no mesmo artigo podia-se ler:

«A simples leitura dos artigos a leiloar basta como motivo de nostalgicas recordações para os que um dia frequentaram as salas dos «Patos»: - um auto-piano e um «jazz-band», marcando duas idades musicais na diversão coreografica do «Club»; scenarios de Jorge Barradas e muitos artigos para festas de Carnaval e Santos populares, evocando festas inolvidaveis em que dos «dominós» se passava aos mangericos, das noites frias de inverno aos calores do verão; e, finalmente, a nota bizarra da «cabine acolchoada para telefone», a cabine de onde partiram tantas chamadas misteriosas, tantas justificações de maridos que se diziam em «assembleias gerais», tantas coisas, tantas ...»

Os fadistas Estanislau Cardoso, Fortunato Coimbra, Maurício Gomes, e Julio Duarte, fadista e irmão de Alfredo Duarte "Marceneiro", cantaram no "Club dos Patos". Este último, também cantou nas cervejarias "Boémia" (antiga "Jansen"), "Rosa Branca", "Chagas", "Vitória", cafés "Portugal", "Sul América", "Anjos", "Júlio das Farturas" (no "Parque Mayer"), "Solar da Alegria" (quando da gerência de Alberto Costa), "Salão Artistico de Fados", nos cabarets "Alhambra", "Olimpia Club", no "Clube Tauromáquico, e " Club Montanha".

E, agora, falando de jogo no "Club dos Patos" ... Em 11 de Outubro de 1925, no "Domingo Ilustrado" ...

«E o Marquez perdeu hontem nos «Patos» dezoito contos!» e ... 

«Parece haver qualquer relação entre a batota e a fidalguia.
Todos os clubs de Lisboa estão instalados em casas de nobre, os mais acerrimos jogadores teem nome de costela ilustre e quasi todos os empregados das casas de jogo, são fidagos ! »


30 de Junho de 1920

Outro facto interessante é a acusação de dados viciados no "Club dos Patos" veiculadas na imprensa, Aqui fica o exemplo de "O Riso d'A Vitoria", de 30 de Janeiro de 1920:

«Num club de Lisboa, cujo nome entra na família dos palmípedes aquáticos e é sinónimo de velho palerma, deu-se há dias um caso muito engraçado. Foi o dito que por um desastre não previsto no programa, quando um ilustre banqueiro da banca francesa deitava os dados, um destes, com certeza um “amarelo” entre a classe, abriu-se e uma gota de mercúrio branca e linda como a Lágrima do sr. Guerra Junqueiro, veio mostrar aos indígenas que havia grande marosca naquela indústria, e que o club tanto podia estar em Lisboa, como no Pinhal da Azambuja.
Grande alarido, os pontos buscam um pouco de indignação ao fundo das algibeiras e vá de procurar os mais dados da casa e de os partir. Pois senhores!
Quinze jogos completos estavam endrominados e postos à bica para o primeiro endinheirado que aparecesse.
Afirmaram alguns dos directores do Club que como tinham mandado fazer uma análise aos dados e esta tinha dado positiva, fora lembrança dar-lhes aquelas injecções de mercúrio por conselho do médico!
O caso porêm, mais engraçado é que o dito Club continua aberto e que até lá vao ministros!
E matou a justiça o Diogo Alves o José do Telhado e o João Brandão! Esses coitados, à vista do presente, não passavam de uns inocentes ... patos ...»

Não por esta razão, mas por outra que veremos de seguida, em 19 de Fevereiro de 1926 ... lá se foi o proprietário Mazzolini Ercole ...


Na revista "Diário Ilustrado" de 28 de Fevereiro de 1926

«O caso do dia foi a morte do italiano Ercole Massalinni, ocorrida ontem á noite, em circunstancias misteriosas.
Como se sabe, a policia, logo que teve conhecimento do caso, prendeu as 47 pessoas que se encontravam no «club» - e entre elas cinco «papillons» e a caixa do «restaurant», sobrinha do morto.
Conduzidos todos ao Governo Civil, foram encerrados nos calaboiços e nos quartos particulares.
Como, porém, poucos momentos depois, se tivesse apresentado á policia o sr. Francisco Ramalho, declarando que a morte se dera em consequencia duma scena violenta com ele, o sr. dr. Teixeira Direito, adjunto do director da Policia de Investigacao Criminal, mandou - e muito bem - que todos, a excepção de três, fossem restituidos á liberdade.
A' saida, houve scenas comoventes. As «papillons», uma a uma, fugiam, estonteadas, gritando:
- Que horror! Que horror!
Nao admira. Se era a primeira vez que viam as grades dum calabouço - do lado de dentro !... (...)

Ercole Massalinni, ha muito que vinha perdendo nos negocios. Isto pô lo de mau humor.
Depois, um socio fugiu-lhe com alguns milhares de francos. E, para cumulo do azar, havia contra ele um mandado de captura, por causa duma falsificação de «champagne».
Massalinni começou a andar irritado. E essa irritação cresceu depois do Carnaval, manfestando-se constantemente.
Ontem á noite, Ercole, provavelmente no intuito de armar qualquer conflito, ordenou que o sexteto, que sempre tocara no segundo andar do club, viesse fazê lo para o bar,
instalado no primeiro andar.
O regente protestou e foi contar o caso a Francisco Ramalho, dizendo-lhe que não tocaria no bar.
Francisco Ramalho subiu ao andar superior, e, num corredor, a poucos passos da sala, censurou o italiano:
- Os musicos teem que tocar aqui. Nem que eu tenha que pagar. Você o que è é um malandro !...
Ercole Massalini puxou por um pistola. Ramalho que é forte segurou-lhe os braços. Houve luta. Partiu um tiro e Ramalho, ao vêr o italiano ferido, fugiu desvairado.
Esta é a explicacão que Francisco Ramalho da e que as testemunhas confirmam.». in: "Diario de Lisbôa" de 20 de Fevereiro de 1926.

De referir que Ercole Massalinni tinha sido gerente do "Cafe Suisso" no Largo Camões (actual Praça Dom João da Câmara), a partir de 1925.

Com clientela mais ou menos sofisticada, jogava-se em quase todos os clubes de Lisboa. Os menos bem frequentados, de acordo com as fontes consultadas, seriam o "Ritz Club" e o "Club dos Patos", e os mais elitistas, como o "Maxim's" ou o "Majestic Club" futuro "Monumental Club" a partir de 1923, geravam receitas mais avultadas.

Anúncios em 29 de Fevereiro de 1920, no "ABC a Rir"

O ambiente nas salas de jogo dos clubes noturnos contrastava com o da zona do divertimento. Salas de luz pálida onde o silêncio reinava por contraste à área de dança onde o barulho ensurdecedor da jazz-band animava as frenéticas coreografias do charleston e foxtrot, alimentadas pelas luzes elétricas coloridas. Por outro lado, os jogadores eram também dos primeiros clientes a chegar e os últimos a abandonar os clubes noturnos.



Mas em 13 de Janeiro de 1921 ...

E cinco anos mais tarde, com a queda de I República de 1910 e a implantação do Governo da Ditadura Militar a partir de 28 de Maio de 1926, mais conservador e de princípios morais mais vincados, é promulgado o Decreto n.º 14643, de 3 de Dezembro de 1927., que  regulamenta os «Jogos de fortuna ou azar, forma, lugares e época da sua exploração», donde retirei o Artigo 2º:

«Art. 2.° Nas zonas estabelecidas no artigo 3.° e nos termos do presente decreto são permitidos casinos de jogo, nos quais poderão funcionar apenas os jogos de fortuna ou azar seguintes:

Roleta com trinta e seis números e um zero.
Banca francesa com dados transparentes.
Trinta e quarenta.
Bacara bancado.
Petits ehevaur e suas variedades.
Bacara chemin de fer.
Écarté. »


15 de Janeiro de 1920

Em consequência, e até 1928 (inclusivé) encerrariam o "Club dos Patos", "Monumental Club", "Bristol Club", "Avenida Palace Club", e "Club Montanha". Em 1929 encerra o "Ritz Club", mantendo-se em funcionamento o "Maxim’s" até 1939 - o leilão do seu recheio realizou-se em 21 de Junho de 1940. O "Olímpia Club", na Rua dos Condes,  possivelmente pela reputação que havia conquistado e de acordo com as licenças de jogo emitidas em Lisboa, em 1929 ainda mantinha atividade de casino. Como club nocturno funcionou até ao Carnaval de 1959.

Actualmente no edifício onde funcionou o "Club dos Patos" estão instalados o "Centro Nacional de Cultura", fundado em 13 de Maio de 1945, e o restaurante "Café no Chiado".


E para terminar num ambiente mais musical ...


Esta diva Adelina Patti já foi referida no artigo "João da Matta - Cozinheiro e Hoteleiro", neste blog.

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa,Arquivo Municipal de Lisboa, Casa Comum, Biblioteca Nacional Digital

9 de janeiro de 2025

"Casino da Ponte" em Gaia

O "Casino da Ponte" foi construído no Lugar do Senhor do Além, na escarpa da Serra do Pilar nos finais do séc. XIX, beneficiando da construção da "Ponte Luiz I" à quota alta. De notar que, na sua construção, foram usados os quatro arcos que estavam à entrada do convento de São Bento da Ave-Maria, adquiridos aquando da demolição do mosteiro. Três encontram-se voltados para norte (perfeitamente visíveis nesta imagem) e o quarto para poente.

"Casino da Ponte" - Grande Jardim Restaurante


Configuração inicial do edifício do "Casino da Ponte", no final do século XIX

O edifício ficava mesmo abaixo do "Mosteiro da Serra do Pilar", construído durante os séc. XVI e XVII e inaugurado em 1670 para acolher os agostinhos que vieram transferidos do "Mosteiro de Grijó". Durante o Cerco do Porto, foi ocupado pelas tropas liberais, que montaram aí um dos seus postos de comando. Atualmente alberga um espaço de promoção do turismo do Norte de Portugal e o quartel do "Regimento de Artilharia N.º 5" da Serra do Pilar.

Serra do Pilar cerca de 1865

Neste edifício funcionaram até finais da década de 20 do século XX além do casino, inicialmente, um misto de restaurantes panorâmicos, casa de jogo e de espetáculos. 

Ao "Casino da Ponte", seguiu-se-lhe o "L' Etoile" um jardim-restaurante, inaugurado em 20 de Junho de 1906. 

20 de Junho de 1906

"L' Etoile" no lugar do "Casino da Ponte", já com a linha do eléctrico instalada na Ponte D. Luiz I, desde 1905

A propósito da inauguração do "L' Etoile", o jornal "A Voz Publica" noticiava:

«L'Etoile - Se os snrs. quiserem ter a mais agradavel das surprezas, visitem hoje este grande Cafe Restaurante, á saida do taboleiro superior da ponte Luiz I, lado de Gaia. E' realmente coisa maravilhosa de ver-se e nao encontrarão no paiz nada que em originalidade se lhe compare.
L' Etoile abre hoje ao publico. E servil-o-a excelentemente. Experimentem.
Hontem, foi a visita de amigos e imprensa. Sairam todos encantados.»


29 de Dezembro de 1908

Paragem do Eléctrico mesmo ao lado do "L' Etoile"

Ao "L' Etoile" seguiu-se o "Restaurante Jardim da Ponte", em 1913, que oferecia, também, o serviço de pensão com «esplendidos quartos, bem mobilados e muito confortáveis». 


23 de Março de 1913

Depois de um ponto final aos casino, restaurantes e pensão o imóvel foi comprado pela "Barros Almeida & Companhia", fundada por Manoel de Almeida, em 1913, como "Almeida em Commandita" e produtora dos vinhos "Porto Barros", e que chegou a alugar as instalações ao fabricante e comerciante de mobiliário "J. Loureiro, Lda."

Pode-se observar a taboleta do fabricante de móveis e colchoaria "J. Loureiro, Lda."


Nas traseiras do edifício (ver na direita da foto anterior)

Depois de muitos anos praticamente ao abandono, o edifício foi adquirido pela sociedade de gestão de património "Caler Advisory & Asset Management", gestora do fundo de investimento "RSR Singular Assets Europe", que geriu  a aquisição, licenças, obras de adaptação do hotel e gestão de projeto, até à entrega da nova unidade hoteleira "Vincci Ponte de Ferro" à cadeia espanhola  "Vincci Hoteles", gestores da unidade. O projeto de arquitetura realizou-se em conjunto com o arquiteto José Gigante e o estúdio de arquitetura de Barcelona "GGV Arquitetura".



Com dois hotéis em Lisboa e um no Porto, a cadeia espanhola "Vincci Hoteles" inaugurou esta nova unidade hoteleira de Vila Nova de Gaia, em 15 de Junho de 2021, resultando de um investimento de 29 milhões de euros. Esta sua 4ª unidade hoteleira em Portugal, é formada por um conjunto de vários edifícios, o principal dos quais acolhe a recepção, o lobby bar e a suíte. Oferece 94 quartos.