Restos de Colecção: Chapelarias
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11 de março de 2026

Chapelarias "Azevedo Rua, Lda."

A actual Chapelarias "Azevedo Rua, Lda.", na Praça de D. Pedro IV (Rossio), 69, 72 e 73 , em Lisboa, foi fundada por Manuel d'Aquino Azevedo Rua em 1886, na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48.  Manuel d'Aquino Azevedo Rua tinha deixado nesse ano a região do Douro, onde produzia vinho do Porto. Depois de ver as suas vinhas arruinadas, após desastrosas colheitas, Azevedo Rua partiu para Lisboa com dinheiro emprestado pelo seu tio padre, e com esse dinheiro abriu a sua primeira loja na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48. Viria a ser acompanhado por seu irmão Adriano Augusto d'Azevedo Rua.

Chapelaria de "Azevedo Rua & Irmão" à direita na foto, 2 portas a seguir à "Pharmacia Lusitana" de "Dias & Dias"

Nota: na foto anterior pode-se observar outra chapelaria, a "Chapelaria de A. Alves" à esquerda na porta 45 e quase defronte à Chapelaria de "Azevedo Rua & Irmão" . E quanto à "Pharmacia Lusitana", o seu proprietário Antonio Dias era, também, dono da "Drogaria Lusitana", um pouco mais adiante e do lado esquerdo ...


1882


Manuel d'Aquino Azevedo


Oficina de chapéus da Azevedo Rua

 A primeira referência que encontrei à loja da Praça de D. Pedro, 69 foi no "Anuario del comercio, de la industria, de la magistratura y de la administración" de 1894, não aparecendo referenciada nos anos anteriores ...  Nesta loja da Praça de D. Pedro tinha funcionado uma loja de móveis de ferro e colchoaria pertença de M. V. Corrêa, desde finais do século XIX. Foi assim que nasceu a "Chapelaria Azevedo Rua" na Praça D. Pedro, também conhecida por Praça dos Chapeleiros. Em 1887 existiam referenciadas 6 chapelarias nesta Praça. Durante muitos anos a "Chapelaria Azevedo Rua" ditou a moda não só no mercado feminino mas principalmente no mercado masculino, produzindo chapéus de côco e cartolas para topo o tipo de eventos.

"Chapelaria Azevedo Rua"na primeira porta (nº69) no edifício de esquina com o Largo de São Domingos

Em 1904, Azevedo Rua adquire na Rua da Palma, 31 a Chapelaria de Alfredo Borges Pinto, adoptando o nome de "Chapelaria Azevedo Rua". Em 1906 Manuel d'Aquino Azevedo Rua já aparece associado a seu irmão Adriano Augusto d'Azevedo Rua, constituídos na sociedade "Azevedo Rua & Irmão" proprietários da sua chapelaria na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48. 

1906 - nº 60 leia-se 69

No mesmo ano de 1906  aparece referenciada a "Chapelaria Azevedo Rua"  na Praça de D. Pedro, 69, propriedade de Manuel d'Aquino Azevedo Rua, em conjunto com as outras duas chapelarias. na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48 e na Rua da Palma, 31 (fig. anterior). Por outro lado em 1908, no "Anuario del comercio, de la industria, de la magistratura y de la administración" de desaparece a chapelaria da Rua da Palma, 31 e aparece uma nova na Rua do Amparo, 32, propriedade da firma "Azevedo Rua & Carvalho". Por outro lado, a loja na Rua Arco Marquez d'Alegrete, 48, desparece em 1910 do mesmo anuário, pelo que deduzo que tenha encerrado definitivamente nesse ano, já que em 1909 ainda aparecia referenciada.

As três chapelarias de Azevedo Rua em 1909


Outra oficina de chapéus

Para melhor compreender o que escrevo de seguida, e não só, nada melhor que parte do projecto para o lado oriental da Praça de D. Pedro, com os números de porta que inseri e que muito úteis serão.

Entretanto, por volta dos anos 30 do século XX a "Chapelaria Azevedo Rua" abre outra loja três portas acima, nas 72 e 73, onde tinha funcionado, até então, a confeitaria de Augusto Francisco Cardoso. Por uma foto que retirei do Arquivo Municipal de Lisboa (e que publico de seguida), fiquei com a impressão que primeiramente a nova chapelaria de Azevedo Rua terá começado na porta 74 e só depois se transferiu para a antiga confeitaria ... Isto é apenas uma suposição minha ... Por outro lado, entre as duas lojas da Praça de D. Pedro, nas portas 70 e 71 funcionou durante muitos anos a loja de modas e confecções de Arthur Lopes, que por sua vez tinha tomado de trespasse à firma "Martins & C.ª" que ali funcionava desde os anos 80 do século XIX.

Chapelarias "Azevedo Rua" na porta 69 e na porta 74 (?) até esta se mudar para as 72 e 73. Atente-se aos 1º e 3º toldos


A segunda Chapelaria "Azevedo Rua" já nas portas 72 e 73 em substituição da antiga Confeitaria em foto de 22 de Junho de 1930

Nos anos 40 do século XX já aparece referenciada a sociedade Chapelarias "Azevedo Rua, Lda.", que entretanto tinha sido constituída, agregando todas as lojas da família.

1943

Montra da Chapelarias "Azevedo Rua, Lda." no Largo de São Domingos, ao lado de "A Ginjinha"

Mais recentemente ...

«Esta chapelaria começou a apostar mais no mercado feminino em 1988, quando o negocio de família foi assumido pelo neto e bisneto do fundador! Com esta nova liderança a chapelaria Azevedo Rua começou a apostar mais na vertente feminina, entrando em contacto com fornecedores de diversos países, com o objectivo de actualizar e modernizar o negocio do chapéu em Portugal.»





Chapelarias "Azevedo Rua, Lda." nos números 72 e 73 da Praça de D. Pedro IV

E num artigo no "Jornal de Notícias" da autoria de Gina Pereira, em 24 de Dezembro de 2006 ...

«(...) Propriedade de uma sociedade com 20 sócios - só quatro não descendem do fundador, mas do primeiro empregado, que acabou também por ter uma quota na empresa -, a Azevedo Rua é ponto de romagem obrigatória para quem gosta de andar na moda e com a cabeça aconchegada. (...)
José Manuel Azevedo Rua, 56 anos, neto do fundador, assumiu, há 19 anos, a gerência. A decisão foi tomada depois da morte do seu pai e de um período em que a casa estive entregue à gestão dos funcionários. "Encontrámos a casa em péssima situação financeira e muito degradada", recorda, ao JN, explicando que decidiram, então, encetar um processo de recuperação para a resgatar do "abismo". "Foi preciso muito empenho, gosto e paixão pela casa para a conseguir recuperar", diz.
A confiança de José Manuel - reforçada por Maria da Graça Fonseca, 64 anos, sócia e viúva de um bisneto do fundador - reside não só no facto de terem uma clientela "fiel" e diversificada, mas também porque a geração mais jovem da família está empenhada neste projecto.
Rita Azevedo Rua, 27 anos, bisneta do fundador, desiludiu-se com o curso de Design e decidiu trabalhar na loja, onde se habituou a ir "desde pequenina" com o pai. Há cinco anos, começou por dar uma ajudinha na contabilidade e, aos poucos, acabou por ganhar mais responsabilidades, estando-lhe hoje parcialmente entregues as compras nas feiras internacionais de Paris, Londres, Florença e Madrid. Rita também está muitas vezes atrás do balcão, a atender os clientes e a dar os seus conselhos profissionais. "Ela tem muito jeito para isto", confirma a prima, Graça Fonseca.
Um dos filhos de Graça, Pedro Fonseca, 24 anos, trineto do fundador, também optou, recentemente, por envolver-se no negócio. Sem paciência para os estudos, há sete meses que Pedro trabalha na loja, embora confesse não ser apreciador de chapéus, porque anda de mota e "não dá muito jeito por causa do capacete".
Teresa Ferreira, 59 anos, sócia e filha de um ex-sócio-gerente, trabalha há 25 anos na loja e diz que "é um prazer estar aqui". "As mudanças foram para melhor. Houve uma modernização de tudo", observa, explicando que mudaram as técnicas de venda, os produtos e os próprios clientes.
A Azevedo Rua, que hoje abre as portas às 9 horas, vende ainda bengalas, cachecóis, chapéus de chuva, cintos e luvas de lã.» in: Jornal de Notícias por Gina Pereira em 24 de Dezembro


foto de Duarte Drago

Já em 31 de Julho de 2016 num outro artigo da "Forbes Portugal", da autoria de Pedro Carreira Garcia ...

«(...) o gerente está obviamente satisfeito com o negócio e realça o papel do turismo na dinâmica das vendas nos últimos anos. Antes, quando chegou à loja, em 2006, “o mês de Agosto era paradíssimo, não tínhamos cá quase ninguém na loja”, afiança. Hoje acontece o contrário.
Os turistas visitam a Chapelaria e não é só para ver: 60% das vendas são feitas a estrangeiros. E, em termos de nacionalidades, os angolanos estão à cabeça, especialmente no que concerne à venda de chapéus de cerimónia para mulheres, explica Pedro. “Agora, de Maio a Setembro, não paramos”, acrescenta o gerente.»

As duas lojas na foto seguinte. A loja na porta nº 69 já desativada, merecia melhor tratamento mesmo fechada, pois parece ao abandono ... com um letreiro que informa: «Por favor dirijam-se aos números 72 e 73»
Porta nº 69 há uns anos e actualmente ...

 


As duas lojas "Azevedo Rua, Lda.", com a "Balão Club" entre elas, actualmente

24 de janeiro de 2026

"Londres Salão"

A  loja "Londres Salão" foi fundada por Augusto Brandão, e inaugurada em 8 de Outubro de 1912, na Rua Augusta, 277 e 279, em Lisboa. Aquando da sua fundação era uma alfaiataria, comercializando bengalas, chapéus e tecidos para homem, sendo réplica de outra onde Augusto Brandão se inspirou em Picadilly, na cidade de Londres. 

"Londres Salão", em foto de 5 de Agosto de 1938

Até então, Augusto Brandão tinha sido proprietário do armazém "Augusto Brandão" Mercador - Fatos por Medida, desde finais do século XIX, na Rua dos Fanqueiros, 306 e 308, onde anteriormente tinha funcionado o depósito de chocolate de Manuel Caetano de Sousa.


10 de Novembro de 1898


1909

Por outro lado, antes de Augusto Brandão tomar de aluguer esta loja na Rua Augusta, ali tinha funcionado a drogaria de J. R. Fonseca, nos anos 80 do século XIX.

Depois de assinado o contrato de arrendamento da loja na Rua Augusta, entre o proprietário José Maria Coelho Falcão e Augusto Brandão em 28 de Junho de 1911, foram apresentados vários projectos à CML. Com o projecto aprovado, tiveram início as obras e a loja viria a ser inaugurada no ano seguinte, 1912.


Projecto de 26 de Janeiro de 1912

«Acaba de inaugurar este elegante estabelecimento da rua Augusta, no primeiro quarteirão a quem vão do Rocio. E' luxuosissima a forma como está montado o modelar estabelecimento que tem tido os mais justos elogios pela exposição que fez dos seus trabalhos em fatos para homem, que são superiormente dirigidos por um reputado mestre de corte, vindo de Londres. Os chapeus para homem são o que de mais perfeito e elegante ha no genero, assim como todos os artigos de vestuario ali à venda. 
Estamos, portanto, certos de que o Londres-Salão vae ser considerado como um perfeito estabelecimento da moda.»  in:
jornal "A Capital" de 8 de Outubro de 1912.

8 de Outubro de 1912


1912


9 de Dezembro de 1924

Participação em "A Semana dos Artistas", em 1928


Bilhete Postal de 5 de Abril de 1932

De seguida publico um envelope e respectiva carta, remetida pelo "Londres Salão" e enviada ao Dr. Luiz Cardim, que (1879-1958) que tinha sido o último diretor da primeira "Faculdade de Letras da Universidade do Porto" (1919-1931), cobrando uma dívida contraída por seu filho, Alfredo Cardim, neste estabelecimento que estudava em Lisboa. Vide o modo elegante e educado como era cobrada a dívida, até porque se tratava de «um cliente dedicado e amigo».



22 de Janeiro de 1936

O que não impedia, e atestava a amizade mútua referida no texto da carta anterior, o excerto de carta, sem data, enviada pelo Dr. Luiz Cardim a sua filha Ana Cardim, e que passo a transcrever:.

«O dinheiro que mandaste nem chega bem para a hospedagem e passagem, e alem disso apareceu uma nova verba:  o seguro da "Fidelidade". Por isso mandei o telegrama de hoje, mas de qualquer maneira, ou o Torres da "Ferin" ou o Bernardo do "Londres Salão" estão prontos a fornecer fundos.»

Em, 1950, José Augusto de Quadros adquire, por trespasse, a alfaiataria "Londres Salão" ficando a firma "Quadros, Lda." como proprietária. A "Quadros, Lda." tinha sido constituída em 14 de Fevereiro de 1950 com um capital social de 100.000$00, tendo como sócios José Augusto de Quadros (maioritário), Emílio Augusto Mangeon de Quadros, Sebastião Moreira Centeno e Orlando Augusto Pereira de Quadros., Esta transforma a loja de alfaiataria numa loja de venda de tecidos a metro para confecção para senhora, Contudo, manteria o mobiliário em macacaúba brasileira escura, e os brasões de armas de Inglaterra originais, assim como os dizeres na calçada portugueza à entrada, da loja.

José Augusto de Quadros


Localização (rectangulo a amarelo) da "Londres Salão" na Rua Augusta, no Natal de 1964




Em 1977 faleceu José Augusto de Quadros, que tinha adquirido a loja em 1950, e esta entra em modo de autogestão por uns anos. De referir que, José Augusto de Quadros, mantinha outra loja de vestuário masculino "Vitrine" na Rua dos Fanqueiros, 257, e outra na Rua Morais Soares, 103, ambas em Lisboa, girando sob a firma "J. A. Sequeira, Lda.", que terá sido constituída em 16 de Novembro de 1929, e da qual era sócio. Julgo que esta loja ainda existe. Quanto à da Rua Morais Soares, encerrou em 2024. Seu filho, José Gouveia de Quadros, ao acabar o seu curso de gestão assumiu a gerência da "Londres Salão", a partir de 1986. 

Presentemente a "Londres Salão" á acessorada por um vitrinista, algo que já começa a ser habitual noutras lojas tradicionais. A propósito de montras, em Fevereiro de 1957, aquando a visita da rainha Isabel II a Portugal entre 18 e 23 de Fevereiro, a montra foi especialmente decorada com réplicas das jóias da coroa de Inglaterra, facto que, segundo se disse, terá agradado à monarca.

Montra aquando da visita da Rainha Isabel II a Portugal, em 1957

Actualmente, e com os seus 113 anos a "Londres Salão" comercializa tecidos para confecção de senhora, para casamentos e baptizados, sedas naturais, brocados, piquets, linhos e lantejoulas, e felizmente «está bem e recomenda-se» ...






fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, O Dr. Luís Cardim e a primeira Faculdade de Letras do Porto, Lojas com História

4 de dezembro de 2024

Salomão Cardoso - Chapéus

A famosa casa de chapéus para senhora "Salomão Cardoso", terá sido inaugurada por volta de 25 de Dezembro de 1912, na Rua Garrett, 25-27, em Lisboa. Era propriedade de Salomão Cardoso, que tinha sido co-proprietário de outra famosa chapelaria de senhora e crianças "Cardoso & Cardoso", igualmente na Rua Garrett, esquina com a Rua do Carmo.

"Salomão Cardoso" à direita na foto


Casa "Salomão Cardoso" com os seus painéis em vidro pintado estilo "Art Noveau"

A casa "Cardoso & Cardoso" - conhecida pelo "Cardoso dos Chapéus" - era pertença da firma "Cardoso & Cardoso, Lda." tendo sido constituída em 1907 pelos sócios Salomão Cardoso e Pepe Cardoso, e terá aberto pela primeira vez, o seu estabelecimento na Rua Garrett, 2-6 esquina com a Rua do Carmo, em Lisboa por volta do dia 8 de Novembro de 1908.


O "Cardoso dos chapéus" na esquina da Rua Garrett com a Rua do Carmo


Pedido de registo de desenho para caixas de chapéus, em 27 de Março de 1907

Acerca desta casa transcrevo uma nota publicada no jornal "Diário Illustrado" de 8 de Novembro de 1908:

«Evocar esta firma e lembrar ao mesmo tempo. em qualquer meio elegante, o mais aprimorado estabelecimento de Lisboa n'essa tão rara quão delicada especialidade de chapéos para senhoras e creanças
Quem descer o Chiado, ao voltar para a rua do Carmo, refestela, mui naturalmente que sobresahe um variegado sortido de modelos no genero vindos do estranjeiro e todos reveladores d'um fino gosto.
Nao admira que com semelhantes predicados alli concorra a «elite» das nossas damas que no momento buscam fornecer-se de chapéos proprios da estação que começa.
Entre a clientela d'estes ultimos dias teem alli sido vistas a fazer compras as ex.mas sr.a *: Marqueza de Valle Flor, Condessa de S. Lourenco, Condessa de Pinhel e filhas, Condessa d'Almeida, Condessa de Alferrarede, Baroneza da Varzea do Douro, Madame Eduardo Pinto Basto, Madame Joseph Bello, Madame Alboim (Bomtim), Madame Macieira Reis, Madame Hintze Ribeiro, Madame Elisa Barbosa, Madame Chaigruean, Madame Belio, Madame Arrobas. Madame Anjos e lilhas, D. Grabiella e D. Celeste Anjos, etc.»

8 de Novembro de 1908

Com a saída de Salomão Cardoso da sociedade, a loja de chapéus de senhora ficou na posse de Pepe Cardoso e passou a designar-se "P. Cardoso Palace" sob a firma "Pepe Cardoso, Lda.". Por ali ficou até ser substituída por uma loja de roupa feminina e depois em 1942 pela "Secção de Turismo dos Caminhos de Ferro Alemães" seguida da livraria "Ática" inaugurada em 7 de Dezembro de 1946. 



"P. Cardoso Palace" e Hortense Luz em 21 de Janeiro de 1928, por ocasião da "Semana dos Artistas"


"P. Cardoso Palace" em liquidação


"P. Cardoso Palace" já encerrada definitivamente

Após o encerramento da "P. Cardoso Palace" apareceria em 1938 outra loja de chapéus, de seu nome "Cardoso", na Rua da Prata, 13e e 136. Presumo eu, poder ser do mesmo Pepe Cardoso, ou seu descendente. Repito, presumo eu ...

1938

Quanto à "Salomão Cardoso", veio substituir a loja de bicyclettes "Casa Columbia" da firma "J. de Carvalho & Brandão" que ali estava nos números 25 e 27 da Rua Garrett, desde os finais do século XIX.  

15 de Junho de 1901


25 de Dezembro de 1912


3 de Fevereiro de 1913

O jornal "A Capital" em 14 de Julho de 1916, a propósito da "Salomão Cardoso", observava:

«Onde esteve o Amieiro, presentemente em liquidação, foi a Casa de madame Aline Neuville, a grande modista que tão grande fama e renome alcançou. Ao lado fol a  Ourivesaria Mourao e é presentemente a Casa de Chapéus de sr. Salomao Cardoso, uma das mais chics da capital e dos que maior clientella poseue na alta roda lisboeta. E com justiça. E' que nem todos os estabelecimentos que se consagrem a este genero de commercio, que tem tanto de interessante como do difficil, pela porção de faculdades excepcionaes que exhige, podem lograr attrahir as criaturas que apreciam n'um chapeu mais do que os veludos, as plumas e as rendas caríssimas mas, esse nao sei que subtil que se chama o bom gosto e que nao se adquire por que nasce com a pessoa. E os chapéus do sr. Salomio Cardoso conseguem lançar em pleno Chiado a nota alegre do sua inexcedivel elegância e da sua original composicão, cheia de novidade e do imprevisto. Lá fóra, nos grandes centros elegantes do estrangeiro, pouco deve haver que exceda em delicadeza de gosto e em perfeicao de acabamento os chapeus que sahem da casa onde outr'ora teve a sua installaçao a ourivesaria que nao logrou ganhar no Chiado profundas raizes.


1915


24 de Junho de 1916

Na sobreloja deste mesmo prédio, que é o que tem os nos 25 e 27, foi também a casa de modas de madame Cid, mãe do médico Jorge Cid e do consul de Portugal em Bremen Paulo Cid, e viúva do Cid caçador, que não era raro ver-se de chapeu de largas abas, polainas, botas grossas, sacco de caça e espingarda, seguido e precedido de uma matilha de perdigueiros de boa casta.»

Como se pode ler na página da revista "Ilustração Portuguesa" de 8 de Dezembro de 1918, e que publico de seguida, a casa "Salomão Cardoso", já funcionava sob a firma "Salomão Cardoso, Sucessor Leite, Limitada". 

8 de Dezembro de 1918

A "Salomão Cardoso, Sucessor Leite, Limitada", viria a encerrar uns anos mais tarde para dar lugar à sapataria de luxo "Onix", após remodelação exterior e interior das suas instalações, que ocorreram em 1939. Na sobreloja viria a instalar-se a loja de modas de luxo, "Dior".

Futura loja "Onix" em obras em foto de 9 de Abril de 1939

12 de Outubro de 1939


Sapataria "Onix" e loja "Dior"


fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Nacional da Torre do Tombo