A actual Chapelarias "Azevedo Rua, Lda.", na Praça de D. Pedro IV (Rossio), 69, 72 e 73 , em Lisboa, foi fundada por Manuel d'Aquino Azevedo Rua em 1886, na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48. Manuel d'Aquino Azevedo Rua tinha deixado nesse ano a região do Douro, onde produzia vinho do Porto. Depois de ver as suas vinhas arruinadas, após desastrosas colheitas, Azevedo Rua partiu para Lisboa com dinheiro emprestado pelo seu tio padre, e com esse dinheiro abriu a sua primeira loja na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48. Viria a ser acompanhado por seu irmão Adriano Augusto d'Azevedo Rua.
Chapelaria de "Azevedo Rua & Irmão" à direita na foto, 2 portas a seguir à "Pharmacia Lusitana" de "Dias & Dias"
Nota: na foto anterior pode-se observar outra chapelaria, a "Chapelaria de A. Alves" à direita e quase defronte à Chapelaria de "Azevedo Rua & Irmão" .
A primeira referência que encontrei à loja da Praça de D. Pedro, 69 foi no "Anuario del comercio, de la industria, de la magistratura y de la administración" de 1894, não aparecendo referenciada nos anos anteriores ... Nesta loja da Praça de D. Pedro tinha funcionado uma loja de móveis de ferro e colchoaria pertença de M. V. Corrêa, desde finais do século XIX. Foi assim que nasceu a "Chapelaria Azevedo Rua" na Praça D. Pedro, também conhecida por Praça dos Chapeleiros. Em 1887 existiam referenciadas 6 chapelarias nesta Praça. Durante muitos anos a "Chapelaria Azevedo Rua" ditou a moda não só no mercado feminino mas principalmente no mercado masculino, produzindo chapéus de côco e cartolas para topo o tipo de eventos.
"Chapelaria Azevedo Rua"na primeira porta (nº69) no edifício de esquina com o Largo de São Domingos
Em 1904, Azevedo Rua adquire na Rua da Palma, 31 a Chapelaria de Alfredo Borges Pinto, adoptando o nome de "Chapelaria Azevedo Rua". Em 1906 Manuel d'Aquino Azevedo Rua já aparece associado a seu irmão Adriano Augusto d'Azevedo Rua, constituídos na sociedade "Azevedo Rua & Irmão" proprietários da sua chapelaria na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48.
1906 - nº 60 leia-se 69
No mesmo ano de 1906 aparece referenciada a "Chapelaria Azevedo Rua" na Praça de D. Pedro, 69, propriedade de Manuel d'Aquino Azevedo Rua, em conjunto com as outras duas chapelarias. na Rua do Arco Marquez d'Alegrete, 48 e na Rua da Palma, 31 (fig. anterior). Por outro lado em 1908, no "Anuario del comercio, de la industria, de la magistratura y de la administración" de desaparece a chapelaria da Rua da Palma, 31 e aparece uma nova na Rua do Amparo, 32, propriedade da firma "Azevedo Rua & Carvalho". Por outro lado, a loja na Rua Arco Marquez d'Alegrete, 48, desparece em 1910 do mesmo anuário, pelo que deduzo que tenha encerrado definitivamente nesse ano, já que em 1909 ainda aparecia referenciada.
As três chapelarias de Azevedo Rua em 1909
Entretanto, por volta dos anos 30 do século XX a "Chapelaria Azevedo Rua" abre outra loja três portas acima, nas 72 e 73, onde tinha funcionado, até então, a confeitaria de Augusto Francisco Cardoso. Por uma foto que retirei do Arquivo Municipal de Lisboa (e que publico de seguida), fiquei com a impressão que primeiramente a nova chapelaria de Azevedo Rua terá começado na porta 74 e só depois se transferiu para a antiga confeitaria ... Isto é apenas uma suposição minha ... Por outro lado, entre as duas lojas da Praça de D. Pedro, nas portas 70 e 71 funcionou durante muitos anos a loja de modas e confecções de Arthur Lopes, que por sua vez tinha tomado de trespasse à firma "Martins & C.ª" que ali funcionava desde os anos 80 do século XIX.
Chapelarias "Azevedo Rua" na porta 69 e na porta 74 (?) até esta se mudar para as 72 e 73. Atente-se aos 1º e 3º toldos
Nos anos 40 do século XX já aparece referenciada a sociedade Chapelarias "Azevedo Rua, Lda.", que entretanto tinha sido constituída, agregando todas as lojas da família.
1943
Montra da Chapelarias "Azevedo Rua, Lda." no Largo de São Domingos, ao lado de "A Ginjinha"
Mais recentemente ...
«(...) Propriedade de uma sociedade com 20 sócios - só quatro não descendem do fundador, mas do primeiro empregado, que acabou também por ter uma quota na empresa -, a Azevedo Rua é ponto de romagem obrigatória para quem gosta de andar na moda e com a cabeça aconchegada. (...)
José Manuel Azevedo Rua, 56 anos, neto do fundador, assumiu, há 19 anos, a gerência. A decisão foi tomada depois da morte do seu pai e de um período em que a casa estive entregue à gestão dos funcionários. "Encontrámos a casa em péssima situação financeira e muito degradada", recorda, ao JN, explicando que decidiram, então, encetar um processo de recuperação para a resgatar do "abismo". "Foi preciso muito empenho, gosto e paixão pela casa para a conseguir recuperar", diz.
A confiança de José Manuel - reforçada por Maria da Graça Fonseca, 64 anos, sócia e viúva de um bisneto do fundador - reside não só no facto de terem uma clientela "fiel" e diversificada, mas também porque a geração mais jovem da família está empenhada neste projecto.
Rita Azevedo Rua, 27 anos, bisneta do fundador, desiludiu-se com o curso de Design e decidiu trabalhar na loja, onde se habituou a ir "desde pequenina" com o pai. Há cinco anos, começou por dar uma ajudinha na contabilidade e, aos poucos, acabou por ganhar mais responsabilidades, estando-lhe hoje parcialmente entregues as compras nas feiras internacionais de Paris, Londres, Florença e Madrid. Rita também está muitas vezes atrás do balcão, a atender os clientes e a dar os seus conselhos profissionais. "Ela tem muito jeito para isto", confirma a prima, Graça Fonseca.
Um dos filhos de Graça, Pedro Fonseca, 24 anos, trineto do fundador, também optou, recentemente, por envolver-se no negócio. Sem paciência para os estudos, há sete meses que Pedro trabalha na loja, embora confesse não ser apreciador de chapéus, porque anda de mota e "não dá muito jeito por causa do capacete".
Teresa Ferreira, 59 anos, sócia e filha de um ex-sócio-gerente, trabalha há 25 anos na loja e diz que "é um prazer estar aqui". "As mudanças foram para melhor. Houve uma modernização de tudo", observa, explicando que mudaram as técnicas de venda, os produtos e os próprios clientes.
A Azevedo Rua, que hoje abre as portas às 9 horas, vende ainda bengalas, cachecóis, chapéus de chuva, cintos e luvas de lã.» in: Jornal de Notícias por Gina Pereira em 24 de Dezembro
Já em 31 de Julho de 2016 num outro artigo da "Forbes Portugal", da autoria de Pedro Carreira Garcia ...
Os turistas visitam a Chapelaria e não é só para ver: 60% das vendas são feitas a estrangeiros. E, em termos de nacionalidades, os angolanos estão à cabeça, especialmente no que concerne à venda de chapéus de cerimónia para mulheres, explica Pedro. “Agora, de Maio a Setembro, não paramos”, acrescenta o gerente.»







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