Restos de Colecção: Braga
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6 de novembro de 2015

Produtos “Coração”

A "Fabrica de Produtos Chimicos Albrecht Löbe", foi fundada na cidade do Porto na Travessa da Fábrica, 46, passando a comercializar os seus produtos sob a marca "Coração".

Segundo se diz, a adopção do nome «Coração», bem como da insígnia com um coração trespassado por uma seta, foi  da autoria deste alemão, pelo feliz facto de se ter apaixonado em Portugal. Marca que se seria registada apenas em 1930, depois de em 1929 ter registado em Portugal o pó para facas "Luis de Camões".

No mesmo ano registaria as marcas de pó "Trigo Rato" e o insecticida "Durma Bem" o qual foi publicitado na época com um sugestivo cartaz.

          

Em 1933, Albrecht Löbe muda a sua fábrica para a Travessa da França, 229 também no Porto, e regista o nome da sua empresa como "Fábrica Produtos Coração", tendo dois anos depois, em 1935, registado a marca de tinta para tecidos "Papagaio".

Em 1938, a fábrica passou a ser tida pela nova empresa "Albrecht Löbe & Companhia" e, a partir de 1945, em nome individual “Alberto Guimarães”, depois deste a ter adquirido.  De referir que, nos anos 50 do século XX já esta empresa tinha um seu representante em Lisboa, a firma "Ernesto Brochado" localizada na Rua dos Fanqueiros, 196.

Cartaz de 1945 e factura de 1950

 

Publicidade ao limpa metais no filme “O Pai Tirano”, realizado por António Lopes Ribeiro em 1941

 

Depois de em 1976 a empresa ter mudado de designação para "Alberto Guimarães & Companhia, Lda.", nos anos 80 do século XX, e após uma cedência de quotas a António Queiroga, é deslocalizada, mais uma vez, e desta para a cidade de Braga, onde se manteria até à sua insolvência em 2012.

Entretanto em 2008, em virtude da caducidade do registo da marca limpa metais "Coração", Paulo José Carvalho dos Santos regista-a em seu nome, e em 2011, constitui com outro sócio a nova empresa "Solarine, Lda.", em Frossos-Braga perto da antiga fábrica, mantendo assim o fabrico e comercialização deste limpa metais quase centenário.

Embalagens e publicidade actuais

       

Bibliografia: foi consultado o blog “Garfadas on line”

fotos in: Garfadas on line

11 de fevereiro de 2015

Estádio 1º de Maio em Braga

O “Estádio 28 de Maio” em Braga, com uma capacidade para cerca de 30.000 espectadores e projectado pelo arquitecto e engenheiro Travassos Valdez,  foi inaugurado no dia 28 de Maio de 1950, com a presença do Presidente do Conselho, Doutor Oliveira Salazar e o Presidente da República, Marechal Óscar Carmona. A partir de 1974 passaria a designar-se de “Estádio 1º de Maio”.

Para a inauguração foram convidados os grupos desportivos da região e organizou-se uma grande parada desportiva. Para complemento realizaram-se dois jogos de futebol onde se disputaram duas taças, uma entre o “Futebol Clube do Porto” e o “Sporting Clube de Braga”, que empataram, e o “Sport Lisboa e Benfica” e o “Sporting Clube de Portugal”, com a vitória do Benfica. Nesse dia um mar de gente, inundou logo pela manhã a cidade e para sempre ficou o dia assinalado como um dos maiores dias de Braga.

«Muitas horas antes de se abrirem as portas do Estádio, já se aglomeravam junto delas alguns milhares de pessoas, aguardando ansiosamente o momento da entrada. O esplendoroso recinto, cujas harmoniosas linhas de conjunto já há dias descrevemos, oferece, depois de cheio nos seus trinta mil lugares, um aspecto surpreendente.
Quando chegou o sr. dr. Oliveira Salazar ouviram-se grandes manifestações, que culminaram o entusiasmo popular perante a imponência do grande melhoramento.» in: “Diario de Lisbôa”

Postal da inauguração do “Estádio 28 de Maio” com o respectivo selo comemorativo

A ideia da construção de um Estádio em Braga nasce com o crescimento desportivo do “Sporting Clube de Braga”, fundado em 19 de janeiro de 1921, e que se assumia, à época, como a principal colectividade desportiva da cidade. Até esta altura o clube utilizava como palco o Campo da Ponte com bancadas em madeira e desprovido de capacidade para receber a imensa massa humana que aderia ao clube. Desde 1921 (data da fundação do clube), foram surgindo campos improvisados onde o “Sporting Clube de Braga” chegou a jogar, tais como o campo dos Peões, o campo da Rua do Raio e ainda no Campo da Vinha, que foi o primeiro palco de futebol em Braga.

Mas os sucessos do clube logo obrigaram a pensar-se em construir um campo novo, do clube e da cidade. Lançada a ideia logo se principiou por interessar não só as forças vivas da cidade, como o próprio Estado que através de Fundos como o do Desemprego, desbloqueou as verbas necessárias para o empreendimento. Para o projecto, que a princípio era mais modesto do que afinal veio a resultar, foi escolhido o arquitecto e engenheiro Travassos Valdez, que concebeu um estádio que ombreasse com o Estádio Nacional, no Jamor, e como este construído em pedra. São estes os dois únicos estádios de Portugal em pedra.

Decorrido o ano de 1946, e querendo não só a Câmara Municipal de Braga como o próprio Estado assinalar em Braga o 20º aniversário da revolução do 28 de Maio de 1926, resolveram aproveitar a data para a cerimónia do início da sua construção, pois que já se tinha acordado em que Braga iria ter um magnífico campo desportivo. Assim uma velha escavadora, abriu um cabouco, e foi nele depositado a primeira pedra.

«Deus cria, o homem tenta, a obra nasce.»

   

Na entrada do “Estádio 28 de Maio” a seguinte inscrição:

«ESTE MONUMENTO CONSAGRA A REVOLUÇÃO NACIONAL DESENCADEADA PELO EXÉRCITO NA CIDADE DE BRAGA EM XXVI-V-MCMXXVI TRIUNFANTE SEM LUTA, GLORIOSA SEM SANGUE, PORQUE NA VERDADE A VOZ DE COMANDO FOI APENAS A EXPRESSÃO MILITAR DUMA ORDEM IRRESISTÍVEL DA NAÇÃO»

O Estádio é constituído por bancadas unidas em forma oval, com a mesma estatura, recortadas apenas no lado Norte onde surge um monumental pilar paralelepipédico onde se identifica em bronze o nome do estádio, com a heráldica da cidade a coroar, estando da parte de fora o escudo nacional. Na bancada Poente uma elegante construção quebra a harmonia do recinto: é a tribuna de honra onde se sentava a elite. Na zona frontal do recinto vemos dois conjuntos escultóricos de baixo-relevo, em bronze da autoria do escultor Barata Feyo. No painel da esquerda observam-se seis figuras segurando elementos olímpicos como os louros, as taças, a chama olímpica e até um astrolábio, podendo-se ler, na parte superior do conjunto, as inscrições: “TEMOS DE DAR AOS PORTUGUESES PELA DISCIPLINA DA CULTURA FÍSICA O SEGREDO DE FAZER DURADOURA A SUA MOCIDADE EM BENEFÍCIO DE PORTUGAL”, e um pouco mais abaixo: “O PODER AO SERVIÇO DO DESPORTO”.

No painel do lado direito observam-se outras seis figuras, cada uma representando várias modalidades olímpicas tais como o lançamento do dardo, estafeta, andebol, etc.; encimando o conjunto escultórico, podem-se ler as seguintes inscrições da autoria de Luís de Camões: “OH GENTE FORTE E DE ALTOS PENSAMENTOS”. As influências gregas neste anfiteatro minhoto não se ficam por aqui, pois junto ao pilar principal do estádio encontra-se uma pedra de tons alvos, possivelmente em mármore, que provém de ruínas da antiga civilização clássica e que foi trazida da Grécia para Braga, e colocada aqui para estabelecer um paralelo entre este recinto e os belos anfiteatros gregos onde nasceu o espírito olímpico. No início dos anos 90 do século XX, foi acrescentado ao recinto desportivo uma pista de tartan, o que aumentou a funcionalidade do estádio.

Em 28 de Setembro de 2012 o “Estádio 1º de Maio”, em Braga, é classificado como “Monumento de Interesse Público” pelo “IGESPAR”.

Fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

28 de novembro de 2012

28 de Maio de 1936 em Braga

Na madrugada do dia 28 de Maio de 1926, o General Gomes da Costa, chefiando a Junta de Salvação Pública, proclamou, a partir de Braga, que «A Nação quer um Governo forte que tenha por missão salvar a Pátria, que concentre em si todos os poderes para, na hora própria, os restituir a uma verdadeira representação nacional (...)».

                             

O plano militar era, saindo de Braga, conquistar o Porto e, com forças militares que saíssem de outras cidades (Santarém, Mafra, Évora...), marchar sobre Lisboa. A Marinha também aderiu. Entretanto, várias forças militares foram aderindo em todo o país, incluindo Porto, Coimbra e Lisboa. Na noite de 29 para 30 de Maio, o governo de António Maria da Silva demitiu-se. Na madrugada de 30 de Maio, foi o Presidente da República, Bernardino Machado que se rendeu, convidando o Almirante Mendes Cabeçadas a formar governo. A 6 de Junho de 1926, o General Gomes da Costa desfilou em Lisboa à frente das tropas.

              Dr. Oliveira Salazar, Almirante Mendes Cabeçadas, general Gomes da Costa e general Óscar Carmona

                              

As comemorações do 28 de Maio de 1936, e simultaneamente do X aniversário do golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, tiveram início a 26 de Maio de 1936, na cidade de Braga.

O comboio presidencial chegou às 10h e 58 m è estação de Braga. No comboio tinham viajado o Presidente da República general Óscar Carmona acompanhado pelo Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar, o ministro da Marinha Contra-Almirante Américo Tomás, majores, generais da armada e do exército, e de outras individualidades civis e militares.

 

Na estação ferroviária de Braga aguardavam-nos, entre outras individualidades, os generais Schiapa de Azevedo, Gomes de Sousa, Lacerda Machado e Joaquim Malheiros, respectivamente comandantes da 1ª, 2ª,3ª e 4ª regiões militares, Casimiro Teles, vice-presidente da comissão de festas, general Daniel de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e o general Alexandre Malheiro, comandante da Guarda-Fiscal.

Também se associaram ás boas-vindas membros da União Nacional, delegados das associações económicas, magistrados, funcionários superiores, clero e os representantes das 43 juntas de freguesia, de Lisboa, como o respectivo Conselho Central.

Organizou-se de seguida um cortejo automóvel para o Governo Civil de Braga «com centenas de automóveis, indo à frente as entidades de Braga, depois os comandantes das regiões militares, governador militar de Lisboa, comandante da 1ª região, a seguir o arcebispo de Braga e o clero da Sé (...). Num automóvel aberto seguiam os senhores general Óscar Carmona, dr. Oliveira Salazar e o governador civil de Braga, escoltados por um esquadrão de cavalaria 9.».

 

 

Após o almoço no governo civil, organizou-se um grande cortejo cívico, que desfilou perante os altos representantes da nação instalados numa tribuna artísticamente decorada, na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra. Abria o cortejo a banda do Colégio de S. Caetano, seguindo-se as escolas primárias, os alunos das Oficinas de S. José, formações de escoteiros, agremiações desportivas, bandas de música, comissões da União Nacional de Barcelos, Bombeiros Voluntários de Braga, etc.

  

                              

Terminado este desfile realizou-se a grande parada militar em que tomaram parte 5.000 homens, representantes de todas as unidades do país. Antes de começar o desfile o general Schiapa de Azevedo, comandante da 1ª Região Militar, passou em revista as tropas, indo depois colocar-se junto da tribuna presidencial.

Depois de terem discursado o General Schiapa de Azevedo, o capitão Lucínio Presa, governador do distrito de Braga, o Dr. Alberto Cruz, deputado, discursou por último o Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar, cujo discurso foi radiodifundido pela "Emissora Nacional".

                               

 

Terminada a cerimónia no quartel de Infantaria 8, foram distribuídos donativos a numerosas famílias pobres e foi servido um jantar a 500 indigentes. No manhã do dia seguinte a comitiva presidencial chegaria à estação de Campanhã na cidade do Porto.

Em 28 de Maio de 1936 teriam lugar as cerimónias oficiais no Parque Eduardo VII da celebração do X aniversário do 28 de Maio de 1926.

                               

                               

Entretanto em Moçambique o 28 de Maio de 1936 era comemorado, também, pelos indígenas …

                                                         Cerimónia do batuque de guerra por indígenas

 

                               

fotos in: O Saudosista, O Blog da República, Biblioteca de Arte- Fundação Calouste Gulbenkian. Arquivo Nacional da Torre do Tombo

26 de agosto de 2011

Banco do Minho

O ‘Banco do Minho’ (BM) foi instituído por carta de lei de 14 de Abril de 1864, com sede em Braga, e iniciou a sua actividade em Junho de 1865. O capital inicial foi de 600 contos de réis, elevado a 1200 contos de réis em 1918. O Banco do Minho nasceu na época do boom das remessas financeiras dos emigrantes no Brasil.

Sedeado inicialmente na R. de S. João, 15, em Braga, passou a ter sede própria, construída entre 1873 e 1877, na Rua do Teatro São Geraldo daquela cidade. Possuiu uma agência em Guimarães e filiais no Porto e em Lisboa.

            Sede do Banco do Minho, em Braga                            Teatro de São Geraldo e Banco do Minho

  

Sucursal em Lisboa

    

Sucursal no Porto, na Av. dos Aliados, no projecto de 1918

O ‘Banco do Minho’ viria a ter filiais também no Brasil, nos estados de S. Paulo, Rio de Janeiro,Santos, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Pará e Manaus, sendo a mais importante a de S.Paulo.

                                   Anúncio de 1902                                                                       Anúncio de 1915

                            

Sobreviveu às crises do sector ocorridas no final do séc. XIX, aceitou à priori uma proposta de fusão com o ‘Banco Comercial de Braga’, do qual era credor, negócio que não se viria a concretizar, tendo aquele banco falido pouco depois.

Cheque do século XX

A partir de 1918, desenvolve uma estratégia de participação em empresas industriais, comerciais e financeiras. Entre as empresas não financeiras contam-se a ‘Companhia Fabril do Minho’, a ‘Companhia das Águas do Gerês’, a ‘Companhia Metalúrgica do Norte’ e a ‘Perfumaria Confiança’. Foi accionista maioritário da Sociedade Bancária do Minho, criada em 24 de Maio de 1924, em S. Paulo, no Brasil, destinada a servir de agência local do banco e a ter actividade própria. Apesar de um início de actividade promissor, a situação financeira desta sociedade derrapou e acabou por ser liquidada em 1927.

Agência em S. Paulo, no Brasil

fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

Podia-se ler num artigo de 1925: « (...) dedicando-se a operações bancárias de todo o género, cambiais e de ordens de Bolsa, possuindo na sede e nas filiais óptimas instalações de cofres fortes para alugar. O seu agente geral no Brasil a "Sociedade Bancária do Minho", na Rua da Quitanda, 117, e seus correspondentes em S. Paulo, os nossos prezados amigos Srs. Garcia da Silva & Cª., proprietários da "Loja do Japão", à Rua de S. Bento, tendo naquele grande país montado um serviço especial de cobrança de juros e dividendos, administração de propriedades, liquidação de heranças, etc

O ‘Banco do Minho’ juntamente com o ‘Banco Comercial do Porto’, ‘Banco Aliança’, ‘Banco Comercial de Braga’ e o ‘Banco União do Porto’, consegue autorização para emitir notas bancárias

Cédula de 2 Centavos

 

fotos in: Colecções Senador

Em 1926, algumas das empresas em que o ‘Banco do Minho’ tinha participação apresentam prejuízos e em 1927 os dividendos desta instituição são bastante reduzidos. A situação económica e financeira agravou-se nos anos seguintes. O ‘Banco do Minho’ não resiste à Grande Depressão de 1929 nos EUA, a par do ‘Banco Comercial do Porto’, ambos vítimas de uma corrida aos depósitos e da sua incapacidade de cobertura.

Em 21 de Outubro de 1930 é nomeada uma Comissão Administrativa para gerir o ‘Banco do Minho’. Na sequência do relatório desta comissão, datado de 14 de Abril de 1931, é decretada a liquidação do banco. A Comissão Liquidatária nomeada pelo Estado encerrou actividades em 31 de Dezembro de 1939. O ‘Banco do Minho’, durante a sua vida de 64 anos, que chegou a ser dos bancos mais importantes do país, contribuiu para fomentar e desenvolver o comércio, a indústria e a região. O seu encerramento, por colapso financeiro, acarretou prejuízos cuja dimensão verdadeira continua por estudar.