Restos de Colecção: Hoteis de Lisboa
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12 de julho de 2026

Hotel Roma

O "Hotel Roma" foi inaugurado em 29 de Abril de 1971, na Avenida de Roma, 33, em Lisboa. Era propriedade da firma "Sociedade Concessionária do Hotel Roma, Lda.", que tinha sido constituída em 27 de Novembro de 1970, entre os sócios Alfredo Fernandes das Neves e João Carlos Cirilo Machado. O projecto ficou a cargo do arquitecto Luís António de Gonzaga Bronze e a obra a cargo da firma "Gonçalves & Filhos, Lda.", que teve como engenheiro responsável Pedro Maggiorani Appleton.


"Hotel Roma" com o último bloco (ampliação) em construção na Rua Infante D. Pedro, por volta de 1976


Terreno onde viria a ser construído o "Hotel Roma" (terreno vazio no centro da foto)


O mesmo terreno à esquerda na foto, para sua visualização no enquadramento da Avenida de Roma

"Hotel Roma" em construção em 1970

Com os seus 10 andares, e classificado com 3 estrelas, o "Hotel Roma" oferecia 263 quartos, restaurante, cervejaria, churrasqueira, self-service, bar, sala para conferências e um cine-auditório, que chegou a funcionar como cinema a partir de 11 de Dezembro de 1976, com «sessões de cinema todos os dias». Este hotel passou a rivalizar com o seu vizinho "Hotel Lutécia", na Rua Frei Miguel Contreiras, e que tinha sido inaugurado em 8 de Dezembro de 1969.


31 de Dezembro de 1972


11 de Março de 1975


"Cine-Auditório" no excerto de lista de cinemas "de segunda linha", de 11 de Dezembro de 1976

1977

Quanto ao "Cine-Auditório" deu início às suas sessões de cinema em 11 de Dezembro de 1976, com o filme "A Grande Corrida à Volta do Mundo", de 1965. Mas foi «Sol de pouca dura». A última sessão foi em 25 de Março de 1978, com a exibição do filme "Godspell" de 1973.

Em 18 de Julho de 1972, a "Sociedade Concessionária do Hotel Roma, Lda." passa a sociedade anónima de responsabilidade, denominada de "Sociedade Concessionária do Hotel Roma, S.A.R.L.". Foram seus accionistas iniciais Alfredo Fernandes das Neves, Luís Fernandes das Neves (que já eram sócios), Eduardo Matos Castro, Mário dos Santos Alves, António Lopes Canha, José Joaquim Pequito, Enrique Fernandez Hierro, José Dias Veiguinha, Zulmira Sá das Neves e Gabriela Alves Neves.

O "Hotel Roma" viria ser adquirido, em 1982 por António Marto, hoteleiro de Fátima, que ali tinha mandado construir o "Hotel Fátima". Neste mesmo ano de 1982 tinha adquirido, também em Fátima, um edifício onde instalaria o "Hotel São José". No ano 2000 constrói o "Hotel Marquês de Pombal", em Lisboa de 4 estrelas e com 120 quartos. António Marto foi um dos fundadores da "Associação dos Directores dos Hotéis de Portugal", tendo passado a residir no "Hotel Roma".






1983

O "Hotel Roma" foi alvo da sua última renovação em 1998, passando a oferecer o mesmo número de quartos de 263 mas assim distribuídos: 36 Executivos, 44 Família e 183 Standard, todos com casa de banho completa e ar condicionado. Como serviços adicionais: tabacaria, loja de artigos regionais, cabeleireiro, 2 restaurantes, bar, 3 salas de reuniões, Auditório, Health Club e Garagem.









O Conselho de administração da "Sociedade Concessionária do Hotel Roma, S.A.", nomeado em 18 de Abril de 2006, era composto pelos seguintes elementos: António das Neves Marto (Presidente), e como vogais Fernando António dos Santos Marto e Fernanda Coelho dos Santos Marto.

Actualmente o presidente do conselho de administração da "Sociedade Concessionária do Hotel Roma, S.A." é o Dr. José Miguel Seabra Marto. O grupo conta actualmente com os seguintes hotéis: "Hotel Roma", "Hotel Marquês de Pombal", ambos em Lisboa e "Hotel São José" e "Hotel Santa Maria" estes dois em Fátima.


2026

Em 29 de Abril deste ano de 2026, o "Hotel Roma" comemorou os seus 55 anos de existência ...



José Seabra Marto à esquerda na foto e restante direcção



Para terminar, um pequeno aparte. Em 1980 a RTP começou a emitir emissões a cores regularmente, e muitas vezes ao final da tarde, saía da loja do meu pai, que era na Avenida de Roma, e ia até ao bar do "Hotel Roma" (que tinha uma televisão a cores a funcionar) consumir um sumo de laranja, para deleitar-me com a «novidade» da tv a cores. Isto até se comprar uma tv a cores lá para casa no ano seguinte. Nunca mais tinha lá entrado até 2025, ano em que recomendei este hotel a uns familiares que vieram do Brasil, e lá regressei ao bar deste hotel, 45 anos depois. Desta vez não bebi sumo de laranja ... mas o bar igualmente confortável, continuando a ter tv a cores :) ... num hotel muito bem cuidado.

3 de maio de 2026

"Alliança Hotel" e "Hotel Leiriense"

O "Alliança Hotel" teve a sua origem no "Hotel Atlantico (Novo)", listado no "Guia Indispensavel do Forasteiro" para 1898, e que ocupava o 3º andar do nº 42 da Rua d'Assumpção, esquina com a Rua dos Correeiros, em Lisboa. Lembro que nesta mesma Rua d'Assumpção, e fazendo esquina com a Rua do Arco do Bandeira, funcionava o famoso "Café Montanha", ali fundado em 15 de Fevereiro de 1865.

Postal


No "Guia Indispensavel do Forasteiro" para 1898


1903

O mesmo "Hotel Atlantico (Novo)" já não aparecia no "Almanach Palhares" para 1901 (editado em 1900), e em seu lugar era referida uma "Casa de Hospedes" que ocupava além do 3º andar , também o 4º andar. No 1º andar vivia Antonio de Macedo Papança (Conde de Monsaraz e Par do Reino) e no 2º andar funcionava uma firma negociante de tecidos "Pereira de Sá & Filhos". Julgo que esta "Casa de Hospedes" já pertenceria a Maria Galinha Azevedo, a mesma que em 22 de Maio de 1902 deu entrada com o pedido de registo do nome "Alliança Hotel" que seria aprovado, ainda no mesmo ano. Por consequência no "Almanach Palhares" para 1903 (editado em 1902) o "Alliança Hotel" já constava na lista de "Hoteis, Hospedarias e Casas de Hospedes".


1900


Pedido de registo do nome "Alliança Hotel"


1903

1903

Em 1904, um anúncio publicitário ao "Alliança Hotel" referia:

«Este hotel, situado n'um dos mais centraes pontos da cidade, proximo da estação do Rocio, dos theatros, bancos e casas commerciaes, torna se além d'isso recommendavel pelo excellente tratamento que offerece aos seus hospedes, para o que tem magnificos quartos bem mobilados, bonitas casas de jantar, sala de visitas e boa casa de banho. Serviço de jantar e almoço, mezas pequenas para 2, 4 e 6 pessoas
Tem empregados a todas as chegadas de comboios, para prestarem todos os serviços que lhes sejam precisos, tanto em despachos como em bagagens.»


13 de Maio de 1906


1909

Em 1913, era publicitado no "Guia dos Caminhos de Ferro de Portugal" o "Hotel Leiriense" que estava instalado na mesma Rua da Assumpção, 52 - 2º andar na esquina oposta com a Rua dos Correeiros, e do mesmo lado da Rua da Assumpção e em frente do "Alliança Hotel". Propriedade de Gertrudes Rolão, com os seus 18 quartos, oferecia «soberba cozinha, esplêndidos quartos e rádiotelefonia».

1913

"Pensão Leiriense" no 2º andar deste edifício, em foto de 1955

Nota: pode-se observar na foto anterior de 1955, que o "Hotel Leiriense" já tinha sido despromovido a "Pensão Leiriense", e segundo consegui apurar já desde 1939. ...

O "Hotel Leiriense" como se pode observar na lista de "Hospedarias mais conhecidas por Albergues" de 1900, que publiquei no início deste artigo, tinha estado instalado na Rua dos Alamos, 18 -2º no bairro da Mouraria. Tinha extensões (ou melhor dizendo quartos) na mesma rua, nas portas 32-2º andar e 42.

«Alamos (rua dos) segunda á esquerda na rua do Arco do Marquez d'Alegrete, indo do Poço do Borratem e finda na rua Silva e Albuquerque, freguezia de Santa Justa, 2 a 44 e 1 a 41.» in: "Roteiro das Ruas de Lisboa e Concelho de Loures" de Eduardo 0. Pereira Queiroz Vellozo (1878).

Nos "Almanach Palhares" para 1903 (editado em 1902) e para 1904 (editado em 1903) o "Hotel Leiriense" já aparecia sómente na Rua dos Alamos, 18 -2º andar, e um outro mencionado como "Novo Hotel Leiriense" na Rua do Arco do Marquez do Alegrete, 89-1º andar. As antigas instalações na mesma Rua dos Alamos já pertenciam à "Hospedaria Rocha". O "Hotel Leiriense" ter-se-á mudado para a Rua da Assumpção, com as demolições na Mouraria e que ditaram o desaparecimento da Rua dos Alamos. 


1900


Factura de 17 de Novembro de 1910

Como se pode ler no próximo anúncio publicitário, publicado na revista "Semana Portuguesa", de 10 de Dezembro de 1933,  o "Hotel Leiriense" já era propriedade de M. E. Laura Rodrigues.


10 de Dezembro de 1933

De referir que já em 1926, e na cidade de Leiria, na Rua Barão de Viamonte, nº 55, existia a "Pensão Leiriense", propriedade de Emilia Caiado Leitão & Caetana da Conceição.

Já agora, e do outro lado da Rua da Assumpção (ou melhor, ainda, Travessa da Assumpção), mas em 1881, outro Hotel ...

28 de Agosto de 1881

Voltando ao "Alliança Hotel", este terá encerrado em definitivo por volta de 1917. 


8 de Janeiro de 1915

1916


Edifícios onde estiveram instalados o "Alliança Hotel" (à direita) e o "Hotel / Pensão Leiriense" (à esquerda), em captura de Julho de 2024, via Goggle Maps

10 de dezembro de 2025

"Hotel da Peninsula" no Chiado

O "Hotel da Peninsula" abriu pela primeira vez em 24 de Outubro de 1844, no palácio do industrial José Ferreira Pinto Basto - fundador da "Vista Alegre", em 1824 - no ,então , Largo das Duas Egrejas no Chiado, em Lisboa. 


José Ferreira Pinto Basto (1774-1839)

Acerca do passado deste Palácio, conhecido pelo "Palácio dos srs. Ferreiras Pintos", "Palácio dos srs. Pintos Bastos" ou simplesmente "Palacio do Loreto", passo a transcrever uma passagem da revista "Olissipo"  de Julho de 1957:

«A sua origem, posterior a 1830, deve-se ao abastado negociante e industrial José Ferreira Pinto Basto (1774-1839), que mandou levantar o airoso edifício sobre os antigos alicerces dum casarão que aí existia desde 1791, pertencente a outro rico negociante, de nome Francisco Higino Dias Pereira (director da "Companhia de Seguros Commercio de Lisboa" fundada em 18 de Março de 1874), em cujo primeiro andar residiu até 1801, data do seu falecimento. As duas ruas que ladeiam o Palácio, primitivamente chamadas do Tesouro Velho e do Oiteiro, dão hoje pelos nomes de António Maria Cardoso e Paiva de Andrada. Nos seus jardins situou-se o palácio de Pedro Álvares Cabral de Lacerda e suas dependências, e no mesmo lugar, em 1820 ou 1822, Pinto Basto estabeleceu um pequeno laboratório químico, tendente ao descobrimento de barros com os requisitos necessartos para fabricar porcelana. Só em 1824, depois de porfiados esforços, fundou a Fábrica de Vista Alegre. (...)
O Hotel da Península (1844-1848), bateu os dois outros hotéis que se lhe seguiram, em notoriedade e luxo. Dizia-se que «estava convertido na mais bela hospedaria de Lisboa. Logo após a inauguração, a 24 de Outubro, deu hospedagem ao enviado do Sultão de Constantinopla, Fuad Effendi, que três dias depois foi apresentado a Suas Majestades e a 24 do mês seguinte foi recebido pelo Duque de Palmela, no Paço do Lumiar, que lhe ofereceu um almoço-dançante, com jogo de xadrez.». 


Gravura de Março de 1851


Era a seguinte a lista de alguns Hospedarias/Hotéis em Lisboa, em 1845, segundo o "Guia do Viajante em Lisboa e suas Vizinhanças"


1845

Por curiosidade, e no mesmo ano, regras a observar pelo estrangeiro ao chegar a Portugal ...


1845


19 de Fevereiro de 1846

Na sequência do baile referido no anúncio anterior, o "Diario do Govêrno" de 3 de Abril seguinte, publicou a «Relação das pessoas que acceitaram convites para o Baile que teve logar no Hotel da Peninsula, ao Loreto, a favor deste estabelecimento, na noite de 20 de Fevereiro último», - com um «Producto liquido a favor do Asylo de 455$918 réis» - e concluiu com a seguinte mensagem:

«Esta  Commissão  Administrativa  por  certo  fal­taria  ao  seu  mais  sagrado  dever,  se  deixasse  de testemunhar  neste  logar  os  seus  muito  excessivos louvores  e  agradecimentos  a  SS. MM.  pelo  valio­so  donativo  com  que  se dignaram  contribuir  para este  fim  tão justo.
Cumprindo-lhe  ao  mesmo  tempo  agradecer  in­finitamente,  não  só  a  todas  as  pessoas  que  tão louvavelmente  concorreram  para  o  bom  resultado deste  baile,  e  com  especialidade  aquellas  que  se dignaram  de  a auxiliar  na laboriosa  tarefa  da dis­tribuição  dos  bilhetes,  mas  igualmente  ao  Illmo. Sr.  Jorge  Whals,  pela  maneira  tão  generosa  e distincta  com que  se  prestou  a  franquear  a  casa da  sua  residencia  no  mencionado  Hotel,  para  se dar  o  mesmo  Baile. 
Finalmente  a  Commissão  entendeu  que  nenhu­ma  outra  applicação  poderia  dar  ao  producto  li­quido  do  referido  Baile,  que  podesse  merecer mais  a  approvação  geral,  do  que  ser  votado  em globo  para  a  compra  de  roupas,  e  mais  arranjos necessários  para  as duas  novas  camaratas,  que  se deverão  abrir  nos  próximos  annos  de  Sua Magestade  a Rainha,  elevando-se  então  o  numero  dos asylados  a  seu  cargo  de  510,  que  existe,  ao  de 600  de  ambos  os  sexos,  devendo-se  por  esta  occasião  remover  para  este  pio  Estabelecimento,  de accordo  com  o  Ex.mº  Governador  Civil,  o  maior numero  que  seja  possível  dos  mendigos  mais  sa­lientes,  que  costumam  esmollar  pelas  ruas  e  si­tios  mais  públicos  desta  Córte,  e  que  se  tornam mais  recommendaveis  pelo  seu  estado  de  ceguei­ra  e  disformidades,  convindo  por  isso  muito  que sejam  afastados  das  vistas  do  publico.»

Um hóspede ilustre (mais um ...) para o "Hotel da Peninsula":


15 de Julho de 1847

Entretanto era fundada a "Assemblea da Peninsula" a funcionar nas instalações do "Hotel da Peninsula"

«A Assembleia da Península, também chamada Sociedade da Península, fundou-se em 1848 e deixou dela os ecos mais brilhantles e altissonantes do tempo. Ficaram célebres os seus bailes e , que no decorrer do século passado rivalizaram com as melhores diversões desse género, em que chamava parte a primeira sociedade, que muito dlistinguiu o Club Lisbonense, a Assembleia Portuguesa, a Assembleia Lisbonense e a Real Academia Melpemonense.
«Dançou-se muito no prédio da família Pinto Basto», como no-lo afirmou o nosso Júlio de Castilho, pois a Assembleia da Península atraiu às suas salas «Lisboa inteira».
Do que era a vida da sociedade e ao que obrigavam as desenfreadas lutas políticas.» in: "Olissipo"
de Julho de 1957

Para termos uma ideia do vestuário feminino e masculino, utilizado nos eventos e bailes no "Hotel da Peninsula"  em 1844, e recorrendo à revista "O Correio das Damas" ...


Modelos femininos de 31 de Outubro e 31 de Dezembro de 1844


Modelos masculinos de 31 de Outubro e 31 de Dezembro de 1844

Já em 20 de Janeiro de 1848, a "Revista Universal Lisbonense", noticiava:

«O luxo é hoje o mais avultado recurso do pobre. Este ponto não é para duas linhas, talvez que mais detidamente o tractaremos. Lembrou-nos ao termos que fallar do que torna mais agradavel um inverno passado em Lisboa.
Os bailes começam de um modo brilhante. Domingo começaram as recepções da Corte. A primeira esteve concorrida e animada.
Ao Baile esplendido do Sr. Márquez de Vianna seguiu-se o de  Hotel da Peninsula.
Este baile foi realisação de um pensamento, que ha muito andava na mente de alguns cavalheiros da sociedade mais escolhida. Queriam reunir-se dando um baile. Assim o fizeram. A reunião foi como se esperava, concorreram pessoas dos diversos partidos politicos, e não faltou quem observasse no meio de uma das salas dous generaes, que se abracavam e que ainda ha pouco, por desgraça desta malfadada terra, desembainharam a espada um contra o outro no campo de guerra das nossas tristes dissencões.»

Em 1845, eram as seguintes, e mais importantes, "Associações de Reunião e Passatempo", em Lisboa:


1845

O "Hotel da Peninsula" encerrou definitivamente em 1848 mas a "Assemblea da Peninsula" continuou a funcionar, sem local fixo para os seus eventos.


29 de Dezembro de 1848


17 de Fevereiro de 1851

Entretanto em Fevereiro de 1851 na "Revista Universal Lisbonense" podia ser lido o seguinte anúncio:

«Baile da Peninsula - Foi um baile de subscripção e improvisado, que houve na quarta-feira na casa dos srs. Pintos Bastos, ao Loreto, onde esteve o hotel, dito da Peninsula. 
Já não é a Peninsula d'outros tempos. Neste baile não houve nada de notavel, que mereça ser lançado na acta.»


Fevereiro de 1851

A "Assembleia da Peninsula" ia desaparecer nesse ano, mas já outro Club estava na forja ...


Março de 1851


E no entretanto ... em Março de 1851, "Concerto vocal e instrumental»

Na mesma página do anúncio anterior, e acerca do encerramento do café "Marrare do Polimento", instalado um pouco mais abaixo na Rua das Portas de Santa Catharina, e igualmente no mês de Março de 1851, ...

«Dizem que o «Club da Peninsula» alem de muitos outros improvements que vai introduzir nos diversos ramos da administração janotal, tem a peito estabelecer um café sumptuoso, que sera o forum nocturno, e a praça do commercio ordinaria destes negociantes de ociosidade, que se chamam janotas, e tambem dos que o não são. A séde do imperio muda-se de Roma para Bysancio. Dizem que o novo imperador será o Matta, que desta vez mata de de certo o Marrare.»

Com o encerramento do "Hotel da Peninsula" em 1848, seguiu-se-lhe em 1850 o "Hotel de Italia", que pertencente a Barradim, «dava uns finíssimos jantares de peixe às sextas-feiras, e tinha o melhor cognac conhecido em Lisboa». Já em 1850 ocupava o rico imóvel, onde se realizou o banquete oferecido a Constantino, rei dos floristas, a primeira vez que esse notável artista voltou a Portugal, tendo presidido Almeida Garrett.. Por lá ficou até cerca de 1865.


"Hotel de Italia", no "Guia do Viajante em Lisboa e Arredores" de 1863

A partir de 12 de Janeiro de 1867, o palácio teria como novo inquilino o Ministério do Reino, data em que um incêndio destruiu as suas repartições situadas no extremo oriental do Terreiro do Paço. Seguiu-se-lhe, cerca de 1873 o "Grande Hotel du Matta", do formidável cozinheiro João da Matta, que o professor Mello Breyner apelidou de «príncipe dos cozinheiros portugueses». Terá ficado no palácio do Loreto até 1877.

Gravura de 23 de Outubro de 1874

fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, DIGIGOVArquivo Municipal de Lisboa