Para se ter uma ideia do tipo de documentos utilizados em contabilidade em 1919, aqui fica uma amostra retirada do livro "Compêndio Prático de Escrituração e Contabilidade Comercial", da autoria de Joaquim José de Sequeira (Guarda-Livros-Perito e Professor de Comércio, desde 1888) e composto e impresso pela "Livrarias Aillaud e Bertrand".
7 de novembro de 2020
17 de novembro de 2016
Escola Prática de Comércio
A "Escola Pratica de Commercio", localizada no terceiro andar da Rua do Ouro, nº 87, esquina com a Rua da Assunção, em Lisboa, foi fundada em 1903, pelo guarda-livros e professor Horacio Inglez Tavares que, além de proprietário, exercia as funções de director. O primeiro ano lectivo, nesta Escola teve início a 15 de Outubro de 1903.
Quanto às suas actividades curriculares, deixo o anúncio seguinte no ano da sua abertura de 2 de Outubro de 1903, que elucida bem.
Lembro que a instituição do ensino comercial no extinto “Instituto Industrial de Lisboa” ficou a dever-se ao ministro Fontes Pereira de Melo, o qual passou a designar-se por “Instituto Industrial e Comercial de Lisboa”. Este ensino reduziu-se a praticamente duas cadeiras: 1- Princípios de Economia Politica e História Geral do Comercio; 2- Escrituração e Contabilidade Industrial e Comercial, Seguros, Câmbios, Letras, exercícios práticos comerciais e Geografia comercial.
Fotos do interior da “Escola Pratica de Commercio” de 3 de Janeiro de 1914
1913
A reforma de 1891, retirou o ensino elementar dos Institutos, trazendo-o para as Associações Comerciais de Lisboa e Porto, tendo-se estabelecido em algumas Escolas Industriais do país, criando assim uma rede embrionária de Escolas Comerciais. Nestas Escolas podia-se ministrar o curso elementares e o curso complementar de comércio.
“Instituto Comercial Pereira de Sousa” fundado em 1899, num anúncio de 1917 e fundado em 1899
As Escolas Comerciais tinham como finalidade a qualificação de empregados subalternos do comércio de ambos os sexos. O curso elementar de comércio possuía disciplinas como Contabilidade, Comércio, História e Geografia Comercial Portuguesa, preparando o aluno para a aprendizagem da profissão. O curso complementar era mais extenso e no leque das suas disciplinas, contemplava a Aritmética, Geometria, Mecânica, Física, Química, História Natural, Português, Geografia, História Geral, Princípios de Moral, Direito e Economia.
Paralelamente a este ensino comercial oficial, a partir do século XIX surgiram algumas importantes iniciativas privadas que desenvolveram neste domínio um trabalho notável, como a “Escola Pratica de Commercio” de Lisboa. Existiu outra no Porto, na Praça da Trindade e fundada por Leopoldo Carlos d’Alcântara Carreira, que encerraria em finais de 1907, com a morte repentina do seu fundador. As suas instalações seriam trespassadas à “Escola Pratica Commercial Raul Doria”, fundada em 30 de Novembro de 1902, e que ali instalaria a sua escola feminina.
1907
31 de Agosto de 1904
Bibliografia: “História da Formação Profissional e da Educação em Portugal”, de Carlos Fontes
fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital
26 de julho de 2011
Escola Prática Comercial Raul Dória
A “Escola Prática Comercial Raul Dória” , foi um estabelecimento de ensino particular fundado na cidade do Porto a 30 de Novembro de 1902, por Raul Montes da Silva Dória. Vocacionada para o ensino técnico comercial, esta Escola teve início na Monarquia, passou pela Primeira República e veio até ao ano lectivo de 1963/1964. Instalada durante dois anos na rua do Bonjardim, rapidamente sentiu necessidade de mudar de instalações, o que ocorreu em 1904 para a rua Fernandes Tomás, onde veio a permanecer três anos, altura em que se fixou definitivamente no denominado Palácio das Lousas, na rua Gonçalo Cristóvão, a 9 de Outubro de 1907.
Na Rua do Bonjardim … Rua Fernandes Tomás … … e na Rua Gonçalo Cristóvão
Vista lateral da Escola, no Palácio das Lousas Corpo Directivo da Escola
Considerada a primeira Escola de ensino comercial na Península Ibérica, baseou-se em métodos de instituições europeias colocando a tónica no ensino prático, para o qual possuía instalações e material didáctico onde os alunos praticavam o que aprendiam na teoria. A finalidade da Escola Prática Comercial Raul Dória era suprimir as necessidades que se faziam sentir nas casas de comércio, dando-lhes conhecimentos práticos e técnicos de imediata utilidade.
Interiores da Escola onde foram criados cenários de instituições financeiras, administrativas e outras
Entre o conjunto dos cursos leccionados destacavam-se: Preparatório, Elementar/Empregado de Comércio ou Escritório, Complementar, Caixeiro-viajante, Colonial, Secundário/Superior de Comércio, Economia Doméstica e Guarda-Livros, sendo que este último, foi o curso mais frequentado. A Escola recebia alunos externos e internos, ministrava cursos nocturnos e por correspondência. Vista como um estabelecimento modelo, era preferida a nível nacional pelos que desejavam seguir a carreira do comércio. Desde o ano lectivo de 1910/1911 até ao ano lectivo de 1963/1964, a Escola obteve 8450 inscrições/matrículas, verificando-se uma maior procura de formação nesta Escola, durante toda a década de 1910 até ao ano lectivo de 1923/1924. (...)
1910
Publicidade em 1908 Ficha de Matrícula Revista “Guarda-Livros”, 1908
A “Escola Prática Comercial Raul Dória” fechou as suas portas no final do ano lectivo de 1963/1964, ao fim de 62 anos de actividade. Com o encerramento da Escola, o Palacete das Lousas que albergou a Escola durante 57 anos, foi demolido para dar lugar ao actual edifício do Jornal de Notícias, nas imediações da Trindade
A nova “Escola Profissional Raul Dória” iniciou a sua actividade em 1 de Outubro de 1990, com os cursos de “Técnico de Contabilidade”, “Técnico de Informática de Gestão” e “Técnico de Serviços Comerciais/Comércio Externo”. A Escola funciona actualmente na Praça da República, no Porto, junto ao Instituto Francês, tendo inicialmente funcionado na Rua Santa Catarina, e posteriormente, na Rua Fernandes Tomás, e tem cerca de 200 alunos distribuídos por cinco cursos conferindo o diploma de fim de estudos secundários equivalentes ao 12.º ano e qualificação profissional de nível III (UE).
Sobre a nova Escola, os próprios familiares ficaram surpreendidos com a sua criação, pois não foram consultados, como esclareceria o neto de Raul Dória, Raul Narciso da Silva Dória, que a propósito escreveu::
«Aqui fomos surpreendidos, nós e o nosso pai, ainda vivo, com a publicidade feita à abertura da nova Escola. Como já tinham decorridos mais de 50 anos do desaparecimento do Avô e portanto o seu nome tinha caído “em domínio público” nada podíamos fazer. Entretanto, por contactos feitos com a Directora da nova Escola, viemos a saber tratar-se duma homenagem ao velho Professor, o que muito honrou a sua memória.».
fotos in: Hemeroteca Digital






















