Restos de Colecção: Coliseus
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5 de setembro de 2020

Circo Torralvo e Circo José Torralvo

O "Circo José Torralvo" foi fundado por José Torralvo que "nasceu" neste meio, no já extinto "Circo Torralvo" do seu pai Reinaldo Torralvo. A família Torralvo tem-se mantido na actividade circense por várias gerações. 






Pode-se ler no site do "Circo José Torralvo":

«Com muita experiência e a contar com várias gerações de familiares a actuar neste meio, José Torralvo pretende com os seus espectáculos para além do tradicional circo, levar a todas as pessoas, sempre algo inovador e interactivo. 



Todos os anos renova o alinhamento dos seus espectáculos  de modo a que possa proporcionar a todos os seus espectadores, novas sensações e oportunidades de lazer únicas.

Um dos maiores e melhores Circos da actualidade em que nos seus espectáculos é também uma constante uma forte interligação e interacção com o público.


Para se deslocar, o Circo José Torralvo necessita de 10 camiões TIR.

 

José Torralvo foi considerado pela critica, o  jovem revelação dos últimos anos nas artes circenses. » 




Fotos de outros três circos "colegas" do extinto "Circo Torralvo" em fotos da mesma época (anos 60 do século XX) ...


"Circo Mariano" em fase de montagem junto à "Praça de Touros de Algés"


"Circo Irmãos Gonsalves" no Bairro de Alvalade em Lisboa


"Circo Texas" na "Feira de São João", em Évora em 1968


E folhetos publicitários a outros dois


13 de setembro de 2018

Cinema Arco Iris

O Cinema “Arco Iris”, localizado num anexo do Coliseu dos Recreios de Lisboa”, terá aberto as suas portas em 3 de Setembro de 1960. Era propriedade da firma “Empresa Ricardo Covões (Filhos), Lda.”.



Relembrando o que escrevi no artigo publicado neste blog intitulado “Coliseu dos Recreios de Lisboa”:
«O último, “Colyseo dos Recreios” em Lisboa, localizado na, Rua de Santo Antão e propriedade da “Sociedade de Recreios Lisbonense”, foi inaugurado em 14 de Agosto de 1890, com a ópera cómica “Boccacio”. O seu primeiro empresário foi o comendador António Santos Júnior vindo do “Real Colyseu de Lisboa”» .

O espaço ocupado pelo cinema “Arco Iris” foi inicialmente ocupado por uma loja de móveis. Depois de encerrada foi utilizado para armazém do Coliseu até que em 16 de Outubro de 1924 a empresa Ricardo Covões, - que tinha ficado com a exploração do “Coliseu dos Recreios” em 1923 -, inaugura o “Café do Coliseu”.

Com a loja de móveis em funcionamento e depois desta encerrar e antes do “Café do Coliseu”

 

O “Café do Coliseu” atrás do carro


«No dia 16, à tarde, foi inaugurado o Café do Coliseu, com um copo de água oferecido à Imprensa, tendo assistido muitos jornalistas. O café foi instalado numa antiga dependência do Coliseu que servia de armazém. A sua ornamentação, como atrás já está escrita, é alusiva aos espectáculos do Coliseu. Trocaram-se afectuosos brindes, tendo falado pela imprensa de Lisboa o director do Jornal do Comércio, sr. Alberto Bessa, falando em seguida o sr. Lourenço Caiola pelo Diário de Notícias, e outros oradores, que puseram em destaque a obra de Ricardo Covões.» in livro “50 anos do Coliseu”.

16 de Outubro de 1924

O interior do Cinema “Arco Iris” era modesto e pequeno comportando entre 100 a 150 espectadores, com sessões contínuas de 2 filmes cada com um intervalo entre elas. Algumas cadeiras tinham colunas de suporte do balcão do Coliseu dos Recreios”, na sua frente, dificultando assim a visão dos espectadores … A exibição de filmes de cowboys e capa e espada eram o seu forte.

“Arco Iris” em 1960 e em 1966

 


gentilmente cedido por Carlos Caria

Primeira aparição do “Arco Iris” numa lista de cinemas em jornais. No “Diario de Lisbôa” em 3 de Setembro de 1960


Antigas bilheteiras do “Arco Iris”, actualmente


gentilmente cedida por Carlos Caria

Depois de a sua actividade se ter prolongado por praticamente 20 anos, o “Arco Iris” encerraria por volta de 1980, altura que seria substituído pelo “Bar 25 Pipodrom”. Neste espaço, e a troco de uma moeda de 25$00, o cliente assistia numa das cabines dispostas em círculo, a um espectáculo de strip-tease ou peep-show, efectuado por umas raparigas que se iam revezando.
Depois deste Bar ter encerrado, o espaço foi sucessivamente ocupado por Discoteca, loja de discos e por fim por bar e restaurante. O último, creio, abriu em finais de 2015 e chamava-se “Café 1890”, que funcionava como cafetaria do Coliseu e no primeiro andar como restaurante. Teve existência curta e viria a encerrar. Creio que, actualmente, o espaço se encontra desocupado.

“Café 1890” em 2016

 
  
fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

1 de fevereiro de 2018

Circo Mejstrik e a Feira de Alcântara

A nova "Feira d’Alcantara" teve a sua estreia em 1 de Maio de 1904, vindo substituir a anterior que se tinha estreado em 1892, também chamada “Feira de Maio” ou “Feira do Casal de Rolão”. Esta, por sua vez, tinha vindo substituir a "Feira das Amoreiras", que tinha funcionado no Largo das Amoreiras entre 1851 e 30 de Junho de 1891. Tal como esta feira, a nova "Feira d’Alcantara" funcionava entre 1 de Maio e 30 de Junho de cada ano.

“Feira d’Alcantara” em 1 de Maio de 1904

Notícias no jornal “Folha de Lisboa”, em 1 de Abril de 1899 …

E em 29 de Junho de 1902 …

A propósito da nova “Feira d’Alcantara”, a revista "Illustração Portugueza" comentava:

«A feira, aquella tradicional feira das Amoreiras e de Belem, em que realmente se feirava os peros, e outros fructos, feiras que eram bem portuguezas, foram a abastardar-se aos poucos, e agora alem, n'aquelle terreno junto a Alcantara mar, é como um acampamento, apresenta-se quasi monotono com a sua pretenção civilisada.
Ha grande numero de theatros, circos, espectaculos de todas as naturezas, barracas em que se expõem animatographos, faltando, no entanto, as antigas curiosidades que marcavam todo o pittoresco da diversão popular.
Já não se ouve o palhaço á porta das barracas, já não vem de esgares e chamar o publico; agora tudo mudou, o personagem com muito de caracteristico passou o seu logar a uma turba anodyna que faz negocio como em lojas da Baixa, detraz do balcão, sem um dito, burguezmente, rondando todo o cunho a essa feira popular, feira de marinhagem e de operarios, onde os instrumentos soprados com firmeza lançam, não o atordoamento, mas a desagradavel confusão. Ha, no entanto, algumas barracas interessantes, sendo para notar o numero enorme de restaurantes que se installaram este anno no local da feira, que em Agosto - ao que dizem - irá para Belém.»

 

Realmente a “Feira d’Alcantara” foi, a par da “Feira d’Agosto”, inaugurada nos terrenos do futuro Parque Eduardo VII em 30 de Julho de 1910, a que mais teatros - ou melhor, teatrinhos desmontáveis - e animatógrafos oferecia, além de alguns circos dos quais se destacou o “Circo Majestrik” que, apesar de em 1904 não ter apostado em publicidade, já em 1905 apostaria forte, anunciando nos periódicos de então, com destaque especial para o “Diario Illustrado”.

Artigo na revista “Illustração Portugueza” em Maio de 1905

        

O “Circo Mejstrik” foi fundado, creio, em 1904 por Clotilde Mejstrik, tendo aparecido pela primeira vez na “Feira d’Alcantara”, nesse mesmo ano. Clotilde Mejstrik era filha do professor de equitação Hulf, e nasceu em Franeufeld, na Suiça, em 1861. Muito nova dedicou-se aos trabalhos de equitação, sendo discípula de seu pai e de seus irmãos, mestres na arte.

          

A «formosa, attrahente, e notavel como artista» apareceu pela primeira vez, em 1890, no “Colyseu dos Recreios”, conseguindo «desde a primeira noite em que exhibiu os seus trabalhos em publico, alcançar espontaneos applausos, e adquirir a estima dos espectadores». Percorreu todos os circos da Europa, tendo trabalhado em Paris, no hipódromo, e nas "Folie Bergère", apresentando cavalos ensinados em alta escola e outros em liberdade.
Depois de actuar em Lisboa, foi até á cidade do Porto onde «os applausos do Porto dispensados a Majestrik egualaram se é que não aclypsaram os de Lisboa.»

No dia 25 de Maio de 1890 estreou-se nas lides tauromáquicas na "Praça de Touros do Cartaxo", com assinalável êxito, ao que se seguiu a sua estreia na "Praça de Touros de Cintra" a 8 de Junho seguinte. De seguida publico os anúncios ás duas corridas, onde se pode observar que Clotilde Mejstrik, ainda desconhecida, na do Cartaxo ainda não aparecia no cartaz. Por outro lado, na sua estreia em Sintra, e após a sua estreia auspiciosa no Cartaxo, já aparecia no respectivo cartaz …

        

Almoço no “Eden Hotel”, em Colares no dia seguinte à corrida

“Indianapolis News” em 19 de Julho de 1890

Clotilde Mejstrik depois de abandonar a sua carreira tauromáquica, funda em 1904 o “Circo Mejstrik”, aparecendo nos jornais da época como “Circo Mejstrick”. Ao consultar vários periódicos da época, reparei nas variantes escritas ao apelido original, e correcto,  Mejstrik, como:  Majestrick; Mejstrick; Mesjtrich; Maestrick … De referir que a única publicação que indicou o nome correctamente, foi a revista teatral “Grande Elias”, num pequeno apontamento que publico.

Artigo no jornal teatral “Grande Elias” e lista de espectáculos na “Feira de Alcântara”, em 16 de Junho de 1904

       

Montagem do Circo Mejstrik

1905

Pelo que me deu a entender, o “Circo Mejstrik” terá tido uma curta existência, de cerca de 2 anos, já que a referência ao mesmo, na imprensa escrita da época, se limitou a 1904 e 1905.

1905

 

               “Feira de Alcântara” em 15 de Maio de 1905                            “Feira de Alcântara” em 12 de Julho de 1907

  

A “Feira d’Alcântara”, acabou em 30 de Junho de 1911, tendo ainda contado com o “Theatro Chalet Julia Mendes”, e o “Chantecler Chalet”, mas não se mudaria para Belém, como a revista “Illustração Portugueza” indicava essa possibilidade, mas sim para a ”Feira de Santos”, que teve o seu início em 1 de Maio de 1915, junto à Estação de Caminho de Ferro de Santos.

“Feira de Santos”, em 1915

 

Fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa