Restos de Colecção: Religião
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26 de fevereiro de 2017

Exposição da Senhora de Fátima

A “Exposição da Senhora de Fátima” teve lugar no Castelo de São Jorge, em Lisboa, em 1957 por ocasião das comemorações do 40º aniversário das Aparições de Fátima de 1917.

Nove anos de peregrinação pelo Mundo da Nossa Senhora de Fátima

Aspectos gerais da exposição

 

Chaves simbólicas das cidades visitadas e corações de ouro oferecidos à “Senhora Caminheira”

  

Generosidades dos povos à Nossa Senhora de Fátima

Dádivas da cidade de Lourenço Marques e conchas que decoraram as ruas, e andor da Virgem na visita à Ilha de Tahiti

  

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

19 de fevereiro de 2017

Templo Adventista de Lisboa

O “Templo Adventista” de Lisboa -  “Igreja da Missão Portuguesa das Adventistas do Sétimo Dia" - localizado na Rua Joaquim Bonifácio em Lisboa, projectado pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, foi inaugurado em 28 de Novembro de 1924, tendo a festa de inauguração se prolongado durante o fim-de-semana de 28, 29 e 30 de Novembro de 1924, respectivamente Sexta, Sábado e Domingo. Construído com fachada bizantina, chegou a ser candidato ao “Prémio Valmor de Arquitectura”, mas por ser um templo religioso, foi-lhe recusado tal distinção.

Arq. Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957)

Em 1923, o projecto da "Igreja da Missão Portuguesa das Adventistas do Sétimo Dia", é descrito por Pardal Monteiro na memória descritiva da seguinte forma:

«Este edifício compõe-se essencialmente de dois pavimentos. O pavimento térreo compõe-se (...) de salas (...) destinadas a escritórios, livraria, sala de pequenas reuniões e ginástica médica.
O primeiro andar é ocupado por uma grande sala e algumas pequenas dependências. Esta sala é destinada a conferências e o seu piso é levemente inclinado para o extremo posterior a fim de facilitar aos assistentes a vista do que se passa no estrado do topo.
Este andar é subdividido n'um segundo pavimento ocupado por uma pequena galeria de duas bancadas.»

O primeiro contacto da “Igreja Adventista do Sétimo Dia” em Portugal foi através de Clarence Rentfro que, em 1904, pisou em solo português como pioneiro da “Igreja Adventista” em território lusitano, desembarcando do navio “Madalena” no dia 26 de setembro.

Foi com a senhora Lucy Portugal, viúva do actor António Portugal, que o seu trabalho começou a ter êxito. Com efeito, foi na casa desta senhora, localizada à Rua dos Industriais, nº 9, 2º andar, que se realizou a primeira escola sabatina, trata-se de um programa de estudo semanal continuado em que os membros têm oportunidade de estudar um mesmo tema durante a semana e discuti-lo posteriormente no sábado. A partir de 13 de Agosto de 1906, foi alugada uma sala de culto na Rua de S. Bernardo à Estrela, nº 120, 1º andar. No mesmo ano, a 27 de Setembro, chega outra família missionária - os Schwantes, que se radica no Porto.

Artigo na revista “Illustração Portugueza” de 15 de Abril de 1907

A igreja começara entretanto a sua expansão. Em 1906, Ernesto Schwantes iniciara a sua actividade no Porto. Em 1910, chegava a Portugal o pastor Paul Meyer. Clarence Rentfro substituíra um ano antes Ernesto Schwantes, então regressado ao Brasil, na região do Porto. As cidades de Portalegre, Tomar e Coimbra conheciam a mensagem adventista.

A actual “Igreja Central da União Adventista do Sétimo Dia”, compreende um amplo salão de reuniões, e instalações anexas, onde funcionam os serviços da Congregação Residente e da União propriamente dita.

 

Em Portugal, a primeira emissão radiofónica com uma mensagem Adventista, foi transmitida a 25 de Fevereiro de 1931 pelo então pastor António Dias Gomes, que emitiu uma conferência. O tema dessa conferência foi a “Reforma do Calendário”, um tema de actualidade para a época em que se debatia a vantagem de substituir a tradicional semana de 7 dias por uma semana de dez dias. O pastor António Dias Gomes demonstrou na sua mensagem, os inconvenientes dessa alteração. Desde essa altura houve mais algumas emissões de rádio mas sempre de forma esporádica. Assim em 1946 os jovens da  “Igreja Central da União Adventista do Sétimo Dia” pela mão de José Graça participaram em duas emissões da “Rádio Peninsular” onde deram duas sessões de música coral religiosa. Oito anos mais tarde, em 7 de Abril de 1954 iniciaram-se na mesma emissora, “Rádio Peninsular”, emissões de 15 minutos intituladas “Saúde e Lar” que se efectuavam às quartas-feiras à noite.

Em 28 de Novembro de 2013 tiveram lugar as comemorações da inauguração do templo da “Igreja da Missão Portuguesa das Adventistas do Sétimo Dia" , na Rua Joaquim Bonifácio, em Lisboa

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Urbanus Detalhes, Lisboa

15 de julho de 2015

Capela de São Gabriel em Marconi

A “Capela de São Gabriel”, também conhecida por “Capela da Marconi” por ter sido construída, em 1951, para uso dos trabalhadores da estação receptora da Companhia Portuguesa Rádio Marconi - ali instalada desde 15 de Dezembro de 1926 -, foi projectada pelo arquitecto António Segurado, no lugar de Marconi no concelho de Vendas Novas, no distrito de Évora. O nome atribuído a esta capela, deveu-se ao facto de São Gabriel ser o padroeiro das telecomunicações.

 

O nome do lugar tem origem no facto de aqui estar instalada uma estação receptora de rádio, da antiga  Companhia Portuguesa Rádio Marconi”, actualmente propriedade da “PT- Portugal Telecom” . Hoje em dia, esta estrutura encontra-se desactivada.

Mas nem tudo começou bem no ano da inauguração da “Capela de São Gabriel”, e em 27 de Dezembro …

… mas já em 19 de Abril de 1952 …

O vitral “Anunciação”, - em que o anjo, retratado na sua função de revelador dos planos divinos, de mediador do Saber, de ponte entre Céu e Terra, é alter-ego de Eros-Psique - foi da autoria de Almada Negreiros que colaborou com o arquitecto Jorge Segurado em diversos projectos . Relembro que outra colaboração muito importante foi com o arquitecto Porfírio Pardal Monteiro na  Gare Marítima do Cais da Rocha de Conde d’Óbidos .

Interior da “Capela de São Gabriel”

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Vitral “Anunciação” de Almada Negreiros

  

Esta capela  é um dos exemplos mais importantes da arquitectura modernista em Portugal, e considerada como obra de referência no conjunto da obra do arquitecto Jorge Segurado, também autor, entre outros projectos, do edificio da Casa da Moeda no bairro do Arco do Cego, em Lisboa.

E em 1964 outro contratempo nesta Capela …

… mas que foi prontamente solucionado 3 dias depois

Capela de São Gabriel, actualmente

 

Fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Sitio Marconi (Fundação PT)

20 de maio de 2015

Sinagoga de Lisboa

As comunidades judaicas de Lisboa reuniam-se, desde pelo menos o século XIII nas duas sinagogas da “Judiaria Grande” (situada à beira do esteiro da Baixa e Ribeira do Tejo, entre as freguesias da Madalena, e S. Nicolau) e outras já existentes no século XIV na “Judiaria Nova”, ou das Taracenas, e na “Judiaria Pequena” em Alfama. Em 1497 foram extintas as sinagogas e desmanteladas outras estruturas sociais pertencentes aos judeus lisboetas cujo património foi entregue a instituições eclesiásticas e de assistência. Desde então até aos inícios do século XIX não existiu em Portugal culto oficial judaico.

“Judiaria Grande” no centro da gravura com a sua área a ponteado grosso, entre a Rua da Prata e Rua da Madalena

Abolida a Inquisição em 1821, só em meados desse século voltaram timidamente a funcionar em Lisboa algumas sinagogas, em simples apartamentos de habitação, a última das quais no Beco das Linheiras. Deste local foram trasladados solenemente para a “Sinagoga Nova”, em 1904, os rolos da "Thorá", o Livro das Sagradas Escrituras.

Em 1897, é criada em Lisboa uma comissão para a edificação de uma sinagoga, coincidindo este acto com a eleição do 1.º Comité da Comunidade Israelita de Lisboa, cujo Presidente Honorário era Abraham Bensaúde e o Presidente Efectivo, Simão Anahory.

O projecto da “Sinagoga de Lisboa” foi da autoria de um dos mais notáveis arquitectos da época, Miguel Ventura Terra

Depois do terreno para edificar a “Sinagoga de Lisboa” "Shaaré Tikvá" (Portas da Esperança) ter sido comprado em nome de pessoas particulares, o edifício teve de ser construído dentro de um quintal murado, dado que não era permitida a construção de qualquer templo não católico com fachada para a via pública. Situado na Rua Alexandre Herculano, nos antigos terrenos de Valle de Pedreiro, junto ao Rato, foi lançada a primeira pedra em 1902. A Sinagoga “Shaaré-Tikvá” (Portas da Esperança) foi inaugurada em 18 de Maio de 1904.

                                     Primeira pedra em 1902                                 Cerimónia do lançamento da primeira pedra

   

Colónia Israelita em Lisboa em 1904

Sinagoga em 1904 nas traseiras da Casa Ventura Terra “Prémio Valmor de Arquitectura” 1903

Notícia da inauguração no jornal “Diario Illustrado”

Inauguração.1

A “Sinagoga de Lisboa” nos anos 50 do século XX

A nova Sinagoga, para substituir a antiga no Beco dos Apóstolos, foi mandada construir por uma comissão nomeada pela colónia israelita de Lisboa, representada por Leão Amzalak, e feita por subscrição aberta entre a mesma colónia. Foi projectada para comportar 400 homens no pavimento principal e 200 senhoras nas galerias do pavimento superior.

Além do templo, propriamente dito, contem sala para casamentos, de espera, para reuniões, vestiários, habitação completa do rabi e outras dependências.

A “Sinagoga de Lisboa” nos anos 50 do século XX

Existem diferentes tipos de sinagogas, mas todas estão subordinadas a algumas regras:

- Nenhuma sinagoga pode ultrapassar o Templo em grandeza e beleza.
- Nas sinagogas de rito ortodoxo existe uma separação (‘mehitsa’) entre homens e mulheres que pode tomar a forma de um balcão próprio ou de um pequeno muro.
- As sinagogas têm de estar viradas para leste, ou seja, para Jerusalém, nomeadamente a Arca Sagrada que contém os rolos da Tora.
- É totalmente proibido qualquer tipo de imagens humanas. A decoração é feita através dos símbolos da vida judaica: a Estrela de David, o candelabro («menorah»), o próprio “chofar” (chifre de carneiro utilizado em Rosh-Hashaná e Kipur, cujo toque invoca a misericórdia de Deus, lembrando o sacrifício de Isaac).

o “Epal” (Arca de Lei)

A arca, representa a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nas portas da arca estão inscritos os 10 mandamentos. Nesta arca são guardados os pergaminhos sagrados, os rolos da "Thorá", o Livro das Sagradas Escrituras, que são retirados e lidos pelo rabi durante as orações.

Lanche na colónia israelita, nos jardins da Sinagoga com Simy Benoliel e Esther Benoliel na foto

Casamento hebraico na Sinagoga de Lisboa em 1915

“Sinagoga de Lisboa”, actualmente

            Entrada discreta na Rua Alexandre Herculano                                                 Exterior da Sinagoga

 

Interior da Sinagoga de Lisboa

 

Em 2006 evocaram-se os 500 anos do massacre de judeus em Lisboa. Reza a história que entre os dias 19 e 21 de Abril de 1506, quatro mil judeus foram perseguidos, mutilados e queimados vivos na capital, o chamado “pogrom’”de Lisboa.

Damião de Góis, Garcia de Resende e Alexandre Herculano foram algumas das vozes que relataram esse massacre de quatro mil judeus, em 1506. Na “Igreja de São Domingos”, na Baixa lisboeta, alguém gritou ter visto o rosto de Cristo iluminar-se no altar. A fé cegou os populares, que rejeitaram a explicação, dada por um judeu convertido, de que era um reflexo do sol. O ‘blasfemo’ foi arrastado, com o irmão, até ao Rossio, onde ambos foram espancados até à morte. Seguiram-se três dias de perseguições, violações e morte. As vítimas foram homens, mulheres e crianças, todos judeus. Frades dominicanos terão incitado a populaça que repetiu à exaustão: «Morte aos Judeus, morte aos hereges!»

A “Igreja de São Domingos” numa gravura do Largo de São Domingos antes do terramoto de 1755. Agua-tinta, desenho à pena a nanquim de Zuzarte, século XVIII, fragmento

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Sinagoga de Lisboa