Restos de Colecção: Seguros
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19 de janeiro de 2017

Companhia de Seguros Tagus

A “Companhia de Seguros Marítimos Tagus”, foi fundada em 20 de Setembro de 1877, com um capital social de 200 contos de réis, em consequência da assembleia geral constituinte, realizada para o efeito a 18 de Setembro do mesmo ano, a qual conferiu plenos poderes ao accionista António Gomes da Silva para a outorga da escritura.

Esta sociedade anónima adoptou para sua denominação a palavra latina “tagus”, que significa Tejo, e para seu emblema «uma chapa encarnada, representando um quadrilongo, guarnecida de um friso preto, tendo ao centro uma elipse formada por um friso dourado com fundo preto, e dentro dela a palavra TAGUS, em caracteres dourados. Contornando a elipse, na sua parte superior, tem a seguinte designação: COMPANHIA DE SEGUROS e, por baixo, em linha recta, 1877 - Lisboa».

 

     
Chapa e emblemas de radiador gentilmente cedidos por Carlos Caria

A designação inicial de “Companhia de Seguros Marítimos Tagus” estava intimamente ligada ao seu principal negócio: seguros de embarcações que navegavam no Tejo e as fazendas transportadas neste rio ou fora dele. Certamente, os comerciantes que fundaram a “Tagus” , acreditavam, na altura, que os seguros fluviais eram um ramo aliciante. Nessa altura, «o Tejo e os seus afluentes do curso final eram a mais importante via de propagação da influência de Lisboa para o interior; as comunicações por terra eram então demoradas, difíceis e perigosas e muitas vezes exigiam o recurso a trajectos marítimos e fluviais. Belém e Pedrouços estavam ligados ao centro da cidade por carreiras de barcos.»

A “Tagus” começou a funcionar com um funcionário, admitido em Outubro de 1877, a que se seguiu em Setembro de 1878 o segundo e, em Fevereiro de 1879, o terceiro, cujas remunerações mensais eram de 18$000, 15$000 e 6$000 réis, respectivamente.

A sua sede foi temporariamente instalada no escritório de um dos seus directores, na Rua do Jardim do Tabaco, em Lisboa. Em 29 de Setembro de 1880 mudar-se-ia para um andar alugado na Rua da Alfândega, 160, instalações estas que já ofereciam melhores condições, nomeadamente para a realizações de assembleias gerais, funcionamento normal dos serviços e atendimento a clientes.

                 29 de Setembro de 1880                                                     Instalações na Rua da Alfândega

  

O primeiro sinistro da “Tagus” ocorreu no rio Tejo com a fragata “S. Vicente”, a 1 de Dezembro de 1877 pelas 2 horas da tarde quando esta navegava carregada de carvão e «acontece que no mar de Cacilhas lhe veio uma grande refrega de vento que logo partio a vella grande». Segundo a peritagem, o custo do sinistro era de 6$340 réis, compreendendo o conserto da vela grande, 10 metros de fazenda, cabo de linho e fio de vela. O sinistro foi pago e reparado antes do fim do mês.

Em 1879, a “Tagus” tinha já 64 agentes espalhados pelo país de Norte a Sul , e em 1880 esse número subia a 75 estando, igualmente, representada em Cabo Verde. Em 1882, já dispunha de agências nos Açores, na Madeira e «em todos os principais portos das províncias ultramarinas da Africa Occidental».e, mais tarde em Moçambique. Em 1879 tinha já registado um movimento significativo, com a emissão de 2.196 apólices de seguros marítimos e 1.332 apólices de seguros terrestres.

É em 1882 que se registam os primeiros prejuízos da “Tagus” e desentendimentos internos, que acabariam por abalar a imagem da Companhia e conduzir à substituição completa de todo o pessoal de escritório e externo.

 

Em 1904, a “Companhia de Seguros Tagus” adquire o prédio onde anteriormente estivera instalada a “Companhia da Águas de Lisboa”, na Rua d’El-Rey, mais tarde Rua do Commercio, onde passa a ocupar os números 48 a 64.

 

1908

Em 1912 a “Companhia de Seguros Tagus”, abriria 35 novas agências e outras 30 em 1914. Criou instalações no Porto e em Braga, de seguida e já no final de 1960, em quase todos os distritos. De referir que em 1977, na véspera da sua extinção, a “Tagus” dispunha de escritórios regionais e delegações em 14 distritos ou concelhos.

1914

Apólice de “Seguro Terrestre”, em 1935

  

No ano de 1938, a “Tagus”, já com os ramos “Automóveis” e “Acidentes de Trabalho”,  processou 5.983.027$15  de prémios. Em 1944, explorava os ramos “Automóveis e Responsabilidade Civil", “Fogo”, “Marítimo”, “Transportes”, “Vida” e “Diversos” (quebra de vidros, furto e roubo e greves e tumultos). Em 1946 participa na fundação da “Companhia de Seguros Angolana”.

Em 1975 e na sequência da nacionalização dos Seguros a 15 de Março de 1975, a “Companhia de Seguros Tagus” torna-se numa Empresa Pública - E.P.. Segundo a resolução nº 199/78 do Conselho de Ministros, a “Tagus” viria a ser incorporada no grupo formado pelas companhias “Douro” (1925-1979), “Ourique” (1947-1979), “Argus” (1907-1979), e “Mutual do Norte” (1913-1979). Esta determinação, com efeitos a partir de 1 de Janeiro de 1980, estabeleceu, como produto da fusão destas companhias a criação da empresa pública “Aliança Seguradora” (1980-1995).

A 5 de Janeiro de 1995, quinze anos depois da extinção da prestigiada “Tagus”, «é autorizada a constituição da sociedade anónima de seguros denominada “Companhia de Seguros Tagus - Seguros de Assistência, S.A.” .»

Bibliografia: Dicionário de História Empresarial Portuguesa - Séculos XIX e XX - Volume II - Seguradoras. Coordenação de Miguel Figueira de Faria e José Amado Mendes - Imprensa Nacional Casa da Moeda

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital, Delcampe.net

5 de junho de 2016

Companhia de Seguros Comércio e Indústria

A “Companhia de Seguros Commercio e Industria, Sociedade Anonyma de Responsabilidade Limitada” foi fundada em Lisboa, em 20 de Agosto de 1907 com a sua primeira sede na Rua do Ouro, 75 -2º e filial no Porto, na Rua dos Voluntarios da Rainha. Em 1914 as instalações da Companhia passaram para a Rua do Arco do Bandeira, - no edifício contíguo aoCrédit Franco-Portuguais - onde se manteve a sua sede até à sua fusão com outras companhias em 1980.

Sede na Rua Arco do Bandeira e publicidade no “Diario Illustrado” em 1907

        

A origem desta nova companhia de seguros vem na linha da reanimação das relações económicas com as regiões africanas. A iniciativa da fundação de uma nova empresa seguradora parte de um grupo de comerciantes africanistas, entre eles José Luiz Valente Sobrinho, Joaquim Ribeiro da Cunha, Affonso de Pinho, e Luis Gonçalves Santiago entre outros comerciantes de Lisboa. Entre os seus fundadores sobressaiu Luís Gonçalves Santiago, antigo empregado de uma empresa exportadora da Figueira da Foz, que emigrou em novo para S. Tomé e Príncipe e que ali fizera fortuna. Dirigiria a “Comércio e Indústria’”durante 38 anos e, depois disso, é proclamado seu presidente honorário. Outro fundador veio do Porto, o comerciante José d’Almeida Cunha. Este grupo era encabeçado pelo Dr. José Paulo Monteiro Cancela, procurador régio, amigo pessoal de José Luciano de Castro, chefe do Partido Progressista que, no ano anterior, abandonara a presidência do ministério, substituído por João Franco. O acto de instituição da Companhia decorreu nas próprias instalações da “Procuradoria Régia”, no Largo do Pelourinho, porta ao lado da entrada principal do Arsenal da Marinha.

Chapas publicitárias

Emblemas para grelhas de radiador de automóvel

    

Os estatutos iniciais da “Companhia de Seguros Comércio e Indústria SARL”  estabelecia que:

«Os fins da Companhia são: 1º Efectuar seguros terrestres, marítimos, constituição de rendas vitalícias, mercadorias em trânsito, e quaisquer outros, seja em que ramo for. 2º Celebrar contratos relativos às operações com outras  companhias nacionais ou estrangeiras (…)».

1907

 

1908

Partida da Praça dos Restauradores para a excursão do pesssoal da “Comércio e Indústria” em 21 de Agosto de 1938

Dois postais publicitários

            

Verso do postal anterior

Postal.2

Entretanto em 23 de Dezembro de 1907 requer que «lhe seja concedida autorização para continuar o exercício da sua indústria de seguros terrestres, marítimos, chapas de vidro, mercadorias em trânsito e contra roubo, agrícolas e postais, à excepção de seguros de rendas vitalícias, que apesar de estar autorizada pelos seus estatutos a fazê-lo.». Autorização que seria concedida em 3 de Janeiro de 1908. Neste mesmo ano é-lhe concedida autorização para exercer actividade nos resseguros.

Em 1916, juntamente com outras companhias, a  “Companhia de Seguros Comércio e Indústria” funda a “Consortium Portuguez”, para a exploração conjugada do ramo “Agrícola”. Em 1924, adquire a carteira de seguros dos ramos “Incêndio”, “Agrícola”, “Automóveis” e “Cristais” da “Companhia de Seguros Prosperidade” (1908-1924) que já estava autorizada a explorar. Em 1926 adquire a carteira de seguros do ramo “Incêndio” à “Companhia de Seguros Excelsior” (1919-1926) com sede no Porto. Em 1931 é adquirida a carteira de seguros da “Aliança Seguradora” (1922-1931).

   

Instalações renovadas da sede na Rua do Arco do Bandeira e na última foto palcard publicitário junto do Aeroporto

 

 

 

 

Publicidade nos acessos ao Aeroporto de Lisboa, em 1960

Os anos de 1974 e 1975 são de prejuízo, situação que viria a repetir-se em 1976. Este facto era justificado, por um lado, «no elevado índice de gastos gerias , com peso excessivo da massa salarial» e ainda, «pelos projectos de expansão imediatamente anteriores à nacionalização com largo movimento de admissões.» Por outro lado, obras em delegações e «dificuldades na representação em Moçambique estando a de Angola paralisada com a carteira fechada.».

Instalações da “Companhia de Seguros Comércio e Indústria” na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa

     1964                                                                              1969

       

Último logótipo

Aquando da sua nacionalização, em 1975, a “Companhia de Seguros Comércio e Indústria” era presidida por Joaquim Ribeiro da Cunha, natural de Lufreu, S.Pedro d'Alva. Em consequência da nacionalização do sector segurador, as diferentes companhias foram alvo de um processo de fusão de forma a alcançarem uma dimensão europeia.

Em 1980, a “Companhia de Seguros Comércio e Indústria” é incluída na nova “Companhia de Seguros Bonança, S.A.” resultado da fusão de quatro companhias: “Bonança”, “União”, “Ultramarina” e “Comércio e Indústria” .

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa

25 de novembro de 2015

Portugal Previdente - Companhia de Seguros

A “Portugal Previdente - Companhia de Seguros”, foi fundada em 4 de Março de 1907, com sede na Rua do Alecrim, 10 1º andar, em Lisboa. Em 1954, mudaria a sua sede para a Avenida da Liberdade, 72. A delegação desta Companhia na cidade do Porto localizava-se, inicialmente, na Rua de Passos Manuel, 21 tendo sido transferida, em 1944 para a Rua Sá da Bandeira, 5 - 1º andar. Nesse mesmo ano são abertas delegações em Coimbra e Faro, e em 1909 em Aveiro e Braga.

Por debaixo da Companhia o conhecido “Cafe-Restaurant Royal”

Publicidade em 1906

Entretanto em 1908 a “Portugal Previdente” já contava com 372 agências em todo o país e, referindo-se à prevista abertura de uma sucursal em Espanha, afirmava-se: «É de notar que a Portugal Previdente á a primeira companhia portugueza que se abalança a ir procurar no estrangeiro o alargamento das suas operações (…)». Em 1910, esta agência em Espanha seria trespassada, devido a dificuldades dificuldades financeiras, e apesar de uma nova tentativa, em 1920, com o contrato para a exploração de seguros marítimos em Espanha e Marrocos, não resultaria de novo.

  No “Resistência”, em 19 de Março de 1908                    No “Diario Illustrado” de 31 de Dezembro de 1909

 

1910

                                                1913                                                                              1914

     

“Título de Uma Acção” , em 1915

Em 1917, e como se pode ler com mais pormenor, no anúncio seguinte, a Direcção da "Portugal Previdente" era composta por: Germano Arnaud Furtado, José Maria de Oliveira Simões e Pedro Simões Afra.

De notar «Seguros contra a fraude de empregados» … neste anúncio de 1917

Quanto ao seu emblema, o “Jornal de Seguros” de 15 de Abril de 1907, explicava: «Uma forte figura de mulher cuja nobre fronte é emoldurada pela coroa vitoriosa dos louros e cujo peito é defendido por uma couraça, na qual estão esculpidas as quinas (…); ergue com o braço direito o seu manto protector, acarinhando e protegendo duas crianças - o povo - que filialmente a ele se aconchegam; o braço esquerdo repousa e ampara-se sobre o escudo nacional, entrepondo-se entre ele e a mão, a paz representada n’um tronco de oliveira; encosta-se ao glorioso brazão lusitano em que se vêem os castelo heráldicos da pátria e, sob os seus pés, lêem-se as palavras Portugal Previdente».

    

A criação da “Portugal Previdente”, em 1907, tinha por objectivo a comercialização exclusiva do seguro de vida, no ramo “Seguros e Rendas Vitalícias”, tendo sido criado o “Seguro Portugal Previdente”.

Em 1908, foi solicitada autorização para « explorar todos os ramos de seguros de vida bem como terrestres contra fogo, marítimos, agrícolas, cereais, postais, cristais.» a qual foi concedida em Portaria de 24 de Outubro de 1908. Em 31 de Dezembro, do mesmo ano, obteria autorização para a comercialização de seguros de risco de roubo.

Interior da sede da “Portugal Previdente - Companhia de Seguros”, na Rua do Alecrim, em Lisboa

 

 

Exterior nos finais dos 40 do século XX, já com o “Hotel Bragança” instalado no edifício contíguo na Rua do Alecrim

 

Em 1934 a “Portugal Previdente” integra o grupo italiano “RAS - Riunione Adriatica di Sicurtà”. E em 1989 o “Grupo Allianz” torna-se accionista maioritário da RAS e por consequência a “Portugal Previdente” passa assim, também, a fazer parte do “Grupo Allianz”.

Calendário para 1938 e 1939

 

Em 1946, a “Portugal Previdente” passou a explorar o resseguro dos ramos em que já comercializava, tais como o seguro de “Vida”, “Acidentes de Trabalho”, “Acidentes Pessoais”, “Fogo”, “Agrícola”, “Automóvel e Responsabilidade Civil”, “Marítimo”, “Transportes Terrestres”, “Postal”, “Cristais”, “Roubo” e “Greves e Tumultos”.

Delegação da “Portugal Previdente” na Rua Sá da Bandeira, no Porto

1941

Em 1952, a Companhia passa a exercer a sua actividade seguradora nas colónias portuguesas de Angola (Luanda) e Moçambique (Lourenço Marques), e em 1957, por ocasião das comemorações do seu cinquentenário é editado um livro no qual se podia ler: «No campo das realizações económicas, a Portugal Previdente conseguiu desenvolver as suas carteiras de seguros, aumentar as suas reservas, adquirir imóveis e robustecer as suas receitas de prémios e os seus rendimentos, efectuando assim a sua consolidação.»

Medalha comemorativa do cinquentenário por J.P. Abreu Lima de Jorge Coelho

De referir que a “Portugal Previdente”, juntamente com outras oito companhias seguradoras, não foi alvo da onda de nacionalizações em 15 de Março de 1975, pelo facto de ser uma Companhia mista com capitais estrangeiros, ao contrário de muitas outras companhias seguradoras. (consultar página neste blog no seguinte link:Companhias Seguradoras (1791-2011)”

Em 1989, o “Grupo Allianz” torna-se accionista maioritário da “RAS” e por consequência a “Portugal Previdente” passa assim, também, a fazer parte do “Grupo Allianz”.

       

Em 1999, e por fim, dá-se a fusão da “Portugal Previdente - Companhia de Seguros” com a “Sociedade Portuguesa de Seguros, S.A.” dando origem à “Allianz Portugal, S.A.”.

Quanto ao antigo edifício onde esteve instalada a sede da “Portugal Previdente - Companhia de Seguros” , na Rua do Alecrim com a Praça Duque de Terceira, é hoje ocupado - conjuntamente com o edifício do antigo “Hotel Bragança -   pelo “LX Boutique Hotel Lisboa” de 4 estrelas.

Bibliografia: Foi consultado “Dicionário de História Empresarial Portuguesa” - Séculos XIX e XX - Volume II Seguradoras - INCM 2014                                      

fotos in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Colecções Senador