Restos de Colecção: Bancos
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22 de agosto de 2024

Ernst George, Sucessores - Agência de Viagens

Ernst George (?-1901) foi um alemão que residente na Rua de Buenos Ayres, em Lisboa, exerceu as actividades de negociante, banqueiro, armador, agente de navegação, cônsul dos Países Baixos e do Transvaal.


1908

Uma parceria foi formada em 1854 entre William Bailey e William Leetham para operar serviços de carga e passageiros de Hull para os portos do Báltico. Em 1864, os serviços foram expandidos para Lisboa, Cidade do Cabo e colónias africanas portuguesas. Uma empresa subsidiária portuguesa - a  "Empreza Lusitana de Navegação por Vapor para África" - foi formada para operar este serviço e os navios foram registrados como propriedade da "Bailey & Co, Lisboa". A sua sede era no escritório de Ernst George na Rua do Ferragial de Cima (actual Victor Cordon), nº4, em Lisboa. Um breve serviço de Lisboa para os Açores operou até 1871. Em 1881, o contrato africano foi rescindido pelo Governo Português e os navios nesta rota voltaram ao serviço Hull - Báltico.

25 de Dezembro de 1869

 

Anúncios de 30 de Junho e 26 e Setembro de 1875


1888

Em 1874, Ernst George, além de agente da "Empreza Lusitana de Navegação por Vapor para África", era tambem da "German Line" e "Hamburg Line" que faziam ligações marítimas com o Brasil, Rio da Prata e Hamburgo. Os seus escritórios, como referido anteriormente, estavam instalados na Rua do Ferragial de Cima (actual Víctor Cordon), nº 4 em Lisboa. Estas instalações tinham sido utilizadas até 1866 pelos agentes de navegação "Warburg & Dotti".


1880


1882


1882


Prédio da Rua Victor Cordon, 4 (ex-Rua do Ferragial de Cima, 4) onde funcionou "Ernst George"

Ernst George fez parte do grupo dos fundadores do "Banco Lisboa & Açores", em 22 de Março de 1875, do qual faziam parte:  Bensaude e Cª, António Gomes Brandão (Visconde de Carregoso), Estevão José Brochado, António Joaquim de Oliveira, Lima Mayer & Filhos, Moura Borges & Cª, Ernest George, Manuel José Dias Monteiro e Filhos, A.J. Gomes Neto (Visconde dos Olivais), Joaquim Pinto Leite e Joaquim Bessa de Carvalho.

Sede "Banco Lisboa & Açores", na Rua Aurea, 88

Em 20 de Dezembro de 1880 é fundada a "Empreza Nacional de Navegação a Vapor para a Africa Portugueza" (ENN) (1880-1918), tendo sido constituída em Lisboa como Parceria Marítima. Foram seus fundadores: Ernst George, a empresa “Bensaúde & Cª” e  António José Gomes Neto. A sede inicial desta empresa foi instalada na Rua Bella da Rainha (actual Rua da Prata), 8 -1º em Lisboa. Por escritura de 4 de Abril de 1918, a Parceria Marítima “Empreza Nacional de Navegação a Vapor para a Africa Portugueza” foi transformada em sociedade anónima com o capital de 9.000 contos (45.000,00 €) e passou a ser designada por “Companhia Nacional de Navegação” (CNN) (1918-1985), com sede na Rua do Comércio, 85 em Lisboa.



1897

Esta companhia atraiu o interesse do operador inglês "Thomas Cook" e no final do século XIX …

«John Mason wrote to Ernst George in Lisbon saying that he wanted to sell tickets on the Lisbon-Madeira sailings of George’s Empresa Nacional lines; he wanted sole agency in Britain and America, and would take a ten per cent commission. A week later, Ernst George replied saying, amid expressions of great pleasure in being able to do business with the admirable Mr Cook, that he accepted the offer, except for several agencies he had used in England for many years, none of them involved in the passenger business. The price of a first class ticket from Lisbon to Madeira was £5.148., and would Mr Cook also be interested in selling tickets on his ships to the Congo and other central African ports? This simple exchange of letters amounted to a contract.»  in: "Cook's tours : the story of popular travel" - Swinglehurst, Edmund (1982)

Encontro, em 1882, a primeira referência à faceta de Ernst George como cônsul-geral dos Países Baixos ... e em 1900 também como cônsul do Transvaal, já tendo mudado os seus escritórios da Rua do Ferragial de Cima, 4 para a Rua Bella da Rainha, 8 -2º andar.

1882


1900

Em 26 de Agosto de 1896,  é registado, no "Diário do Governo", nº 103, o nome comercial de Ernst George «Nº 51 - Ernst George, allemão, negociante, estabelecido em Lisboa. - "Ernest George - Lisboa" ».

Ernst George faleceu a 6 de Janeiro de 1901, na sua residência na Rua de Buenos Ayres em Lisboa. Ficaram como seus herdeiros a viúva D. Emily Ann Parker George e seus cinco filhos. Os filhos Carl George e Fritz George ficaram com a Agência de Viagens instalada na Rua Bella da Rainha (actual Rua da Prata), 8 - 2º andar, em Lisboa, tendo mudado a denominação social para "Ernst George, Sucessores". Em 1907 é criada a "Agência de Viagens Ernst George, Sucessores", a funcionar no mesmo escritório da R. Bella da Rainha, 8 - 2º andar, em Lisboa.

"Agência de Viagens Ernst George, Sucessores", na R. Bella da Rainha, 8 - 2º andar (primeiro edifício à direita com placard e bandeiras no 2º andar)


23 de Dezembro de 1907


1 de Agosto de 1907


1909

«A nossa casa Ernest George Sucessores de George & C.ª, existe desde Janeiro de 1901, sendo socio capitalista Karl George (ao mesmo tempo cônsul geral dos Paizes Baixos), e socios de indústria Otto Marcus e Wilhelm Harting (desde 1911) estando sómente nas mãos dos dois ultimos socios a direção dos negocios da casa.» in: jornal "O Paiz" ("Carta de Portugal") - S. Paulo - (Brasil) de 10 de Novembro de 1912.

Entretanto com o início da "I Grande Guerra Mundial" (1914-1918), resultaram problemas para as famílias alemãs que viviam em Portugal, após a declaração de guerra a Portugal pela Alemanha em 9 de março de 1916. É criada uma lista produzida pela "Intendência dos Bens dos Inimigos", na sequência da publicação em 4 de Maio de 1916, do decreto n.º 2366, que determinou a criação desta entidade e lhe atribuiu, entre outras, a função de superintendência da administração dos bens arrolados aos inimigos. Nessa lista "Intendência dos Bens dos Inimigos" eram divulgados o nome de todos os indivíduos e firmas consideradas inimigas. Ainda assim, algumas empresas que obtiveram autorização para continuarem em laboração e de pessoas a quem foi permitido continuarem a residir em Portugal, outras ficaram na "Lista Negra" de firmas a nível nacional e internacional com quem era proíbido negociar.

Por consequência, em 9 de maio de 1916, é movido um processo de arrolamento dos bens da firma comercial "Ernst George, Sucessores" e dos bens dos sócios Carl George e Fritz George, tendo sido designado como depositário-administrador José Ferreira Amado. Como foi reconhecida a naturalidade portuguesa aos dois sócios, nunca se procedeu à liquidação de bens, tendo-lhes sido permitido a manutenção das atividades comerciais no nosso país.


31 de Outubro de 1910

Envelope com o carimbo de  de 6 de Maio de 1913


1914

Traduzindo o anúncio anterior (via Chat-GPT) ...

Agência de Viagens
ERNST GEORGE
Sucessores
Lisboa.
Empresa Alemã - Fundada em 1868.

Representante das Agências de Viagens:

...........

Bilhetes e cheques de viagem para Navios a vapor e Comboios para todas as partes do mundo.

Sistema próprio de bilhetes na Península Ibérica.
Viagens em Portugal a preços reduzidos. - Excursões em Lisboa e arredores (Sintra, Cascais, etc.).
Cadernetas de quilómetros espanholas.
Câmbio de moeda.

Nota: onde indica 1868 como data de fundação, refere-se à agência "Ernst George" e não à Agência de Viagens "Ernst George Sucessores".

Anúncio retirado do: "Reiseführer von Europa nach Brasilien ... mit Landeskarte, Eisenbahnkarten, Stadtplänen und vielen Illustrationen"  -  de H. J. Reimers (1914) 


1916

Em 30 de Julho de 1971  "Ernest George, Sucessores", passa a "Ernest George, Sucessores, George & C.ª, Lda." com sede na Rua do Arsenal, 148-2º, em Lisboa.

Na escritura de aumento de capital de 400.000$00 (quatrocentos contos) para 5.000.000$00 (cinco mil contos) lavrada em 13 de Outubro de 1992 …

«O objecto da sociedade é a agência de comerciantes estrangeiros sem conta própria (comissário de avarias). Agente transitário com toda a amplitude permitida na lei. Agente de navegação com toda a amplitude permitida na lei. Comissões e consignações.
O capital social, inteiramente realizado, é de 5 000 000$, representado por duas quotas; uma de 4 980 000$, pertencente à sócia A. S. C. -Agência de Serviços para Contentores, Lda., e outra, no valor de 20 000$, pertencente ao sócio Clive Philip Raphael de Ceuleneer Viegas Bennett.
A gerência da sociedade fica a cargo do sócio Clive Philip Raphael de Ceuleneer Bennett, bastando a sua assinatura para obrigar a sociedade em todos os seus actos e contratos. (…)»

A empresa "Ernest George, Sucessores, George & Companhia, Limitada.", ainda está activa no ramo financeiro, fazendo parte da listagem de 2024 das instituições financeiras registadas no "Banco de Portugal".

25 de fevereiro de 2024

Banco Colonial Português

O "Banco Colonial Português" foi constituído por escritura celebrada a 7 de Agosto de 1918. Foram seus fundadores Cândido Sotto Mayor, Jaime Antunes dos Santos, Joaquim dos Santos Lima, António da Costa Correia Leite (filho) e António Morais, que ficaram constituindo o conselho de administração. Ficou provisoriamente instalado na Rua do Almada, 53, em Lisboa, tendo inaugurado as suas novas instalações na Rua do Ouro, 175-191 em 15 de Setembro de 1919.


Edifício do "Banco Colonial Portuguez" na Rua Aurea


1919

O nome Sotto Mayor já estava ligado ao mercado bancário, desde 1914, ano em que foi fundada a casa bancária "Pinto & Sotto Mayor - Banqueiros", fundada em 30 de Julho de 1914 por Cândido Sotto Mayor Junior (23 anos de idade) e António Vieira Pinto (26 anos de idade)., que, e segundo o jornal "A Capital", em 1916 ... «Esta firma, que ha largos annos gosa de um consolidado crédito em todo o Brazil, viu rapidamente desenvolvidas, na sua filial em Lisboa, todas as operações bancarias, tendo correspondentes em todo o paiz e no estrangeiro. As suas relações de grande vulto no Brazil valoram-lhe esse rápido sucesso em dois annos apenas de existencia.»


"Pinto & Sotto Mayor - Banqueiros"


1925

Cândido Narciso da Cunha Sotto Mayor (1852-1935), nascido em Chaves em 26 de Outubro de 1852,  começou a trabalhar como empregado de balcão. Aos dezoito anos rumou ao Brasil, onde vivia o seu tio, Joaquim Sotto Mayor, comerciante de fazendas. Treze anos depois fundava a financeira "Sotto Maior & C.ª" , que em pouco tempo se tornou a maior casa do género no Brasil. Lá s fundou as seguinte empresas: "Companhia Nacional de Porcelanas", "Companhia Corcovado", "Companhia Maria Candida", "Costa Pacheco & C.ª" e a "Araújo Costa & C.ª". No ramo financeiro o "Banco Portuguez do Brasil". Viria a fazer uma grande fortuna, por lá e mais tarde em Portugal, onde estabeleceria as bases de um dos maiores grupos económicos do país. Fundou, em 28 de Fevereiro de 1917, com António da Costa Correia Leite, Álvaro dos Santos Lima, Elysio do Rego Barreto, entre outros, a "Companhia de Seguros Luso-Brasileira Sagres, S.A.R.L.". Faleceu, em 29 de Outubro de 1935, já viúvo, deixando um filho advogado em Lisboa, e uma filha que vivia casada no Porto.


Cândido Sotto Mayor (1852-1935)

Palácio Sotto Mayor, na Avenida Fontes Pereira de Melo em Lisboa

Era propriedade desta companhia de seguros "Sagres", o edifício onde se instalou o "Banco Colonial Português". O edifício tinha sido adquirido a João Teófilo da Costa, pela "Sagres" em 1917. Foi alterado todo o seu interior, de modo a receber escritórios, assim como o seu pé direito alterado para 3 mts. As lojas foram igualmente alteradas, assim como  as águas furtadas foram transformadas em mansardas. A fachada do edifício foi completamente modificada, toda feita de novo e acrescentado um 4º piso. Nas lojas deste edifício tinha funcionado, até então, o conhecido "Café Aurea Peninsular". A "Companhia de Seguros Luso-Brasileira Sagres, S.A.R.L." manteria a sua sede neste edifício no 2º andar.


"Café Aurea Peninsular"


Na revista "Illustração Portugueza" de 6 de Outubro de 1919

A propósito da inauguração da sede do "Banco Colonial Português" o jornal "A Vanguarda" noticiava:

«... Há largos mezes que ali se via um grande predio em obras. Essas obras concluiram-se, retiraram-se os andaimes, desapareceram os gigantescos tapumes e eis que surge á vista dos transeuntes um magnificente palacio, onde o sr. Candido Sotto Mayor, installou o Banco Colonial Portuguez, que se inaugurou com toda a solennidade, no meio de uma enormissima e distincta concorrencia, vendo-se tudo quanto de mais eminente existe na finança, no commercio, na industria, nas letras, no jornalismo, todos os amigos e admiradores d'esse homem, que é um verdadeiro patriota, com uma energia invulgarissima, dotado de um scintillante espirito, coração lhano, alma pura e aberta como cristal.»

Em 1919, as primeiras agências do "Banco Colonial Português" eram abertas em Luanda e Lourenço Marques. Em 1920, abriram a sucursal em Benguela, e nos anos seguintes, Inhambane, Ilha de Moçambique (Nampula), S. Vicente (Cabo Verde), S. Tomé, Funchal e Moçâmedes. Devido à ligação privilegiada com o setor agrícola ultramarino, em 1920 é membro fundador da "Companhia da África Ocidental Portuguesa". 

24 de Dezembro de 1921

O "Banco Colonial Português" tinha o capital inicial de 10.000 contos, subscrito na totalidade pela "Casa Bancária Pinto & Sotto Mayor". Pela escritura de 18 de julho de 1922, o pacto social é alterado e o capital aumentado para 20.000 contos. Segundo os seus estatutos, a instituição tinha por objeto social o fomento e o progresso económico em geral, e agrícola, em especial, tanto no continente como nas províncias ultramarinas. Este banco podia adquirir maquinismos, alfaias agrícolas para as alugar à s associações e sindicatos agrícolas e da pecuária, assim como a consignação do fornecimento de sementes, insecticidas, fungicidas, etc. Além, evidentemente, das operações bancárias normais como depósitos, câmbios, descontos de letras, empréstimos, etc.

22 de Dezembro de 1923

A crise cambial da década de 20 do século XX e as alterações surgidas no regime bancário e monetário em Moçambique, pela aplicação da Portaria nº 233, (entrega do exclusivo das operações cambiais do Estado ao "Banco Nacional Ultramarino"), assim como a diminuição das transferências das colónias para a metrópole, foram fatores que deixaram os resultados da instituição muito aquém das expectativas. Por consequência, em 11 de Agosto de 1924, o "Banco Colonial Português" foi objecto de alterações orgânicas, das quais resultou a fusão com o "Banco Nacional Agrícola" (fundado em 8 de Julho de 1920), dando origem ao "Banco Colonial e Agrícola Português". 


29 de Março de 1921

1924

1925

O "Banco Colonial e Agrícola Português", após a fusão verificada, reforçou o seu capital social para 45.000 contos e manteve a sede em Lisboa. Porém, esta fusão não teve o efeito dinamizador desejado e em 26 de Agosto de 1925 suspende pagamentos. Viria a ser nomeado um comissário do governo: António Henrique de Oliveira e Silva em 28 de Agosto do mesmo ano. Entretanto, e por escritura de 22 de Fevereiro de 1927, o capital social é reduzido para 11.250 contos. Por meio de concordata, e por sentença do Tribunal do Comércio de Lisboa, de 26 de Abril de 1928, a instituição é reconstituída sob a designação de "Banco da Agricultura". A sua sede fica instalada no edifício herdado do "Banco Nacional Agrícola", sito na Rua de S. Julião, 188 a 198, em Lisboa, deixando de pertencer ao grupo empresarial encabeçado pela família Sotto Mayor e do sócio António Vieira Pinto. 

Entretanto Cândido Sotto Mayor faleceu a 29 de Outubro de 1935, com 83 anos de idade. Como  referiu o Relatório e Contas de 1935 ... «no próprio dia da sua morte e poucas horas antes do seu falecimento tomou ainda conhecimento da posição das principais contas do Banco, podendo dizer-se com rigorosa exactidão que por ele se interessou e trabalhou até ao último dia da sua vida laboriosa e honrada vida».

Em 1954, em situação de falência, com a sua sede hipotecada à "Caixa Geral de Depósitos", com um único balcão, só um telefone para todo o edifício e com apenas 12 empregados, foi comprado por um conjunto de investidores ligados à agricultura e à "A Pátria - Sociedade Alentejana de Seguros", fundada em 27 de Novembro de 1915 e sediada em Évora.

Entretanto a, já renomeada em 1939, a "Companhia de Seguros Sagres, S.A.R.L.", com o fim do "Banco Colonial e Agrícola Português", passa a ocupar por inteiro o edfício da Rua do Ouro, 175-191, exceptuado as lojas. Estas viriam a alojar a "Altamira" (mobiliário e decorações), "Tito Cunha" (vestidos para moivas) e o "Café Tofa" da "Torrefacção de Cafés de Portugal, S.A.R.L.".


1931

Bibliografia:

- "Dicionário de História Empresarial Portuguesa (Séculos XIX e XX) - Volume I Instituições Bancárias - Coordenação Miguel Figueira de Faria e José Amado Mendes - INCM
- Banco de Portugal (site)

5 de fevereiro de 2023

Casa Bancária "Cupertino de Miranda & C.ª"

A casa bancária "Cupertino de Miranda & C.ª ", com sede na Rua Sá da Bandeira, na cidade do Porto, foi constituída em 30 de Abril de 1931 e registada na conservatória da mesma cidade em 08 de Maio desse ano.

Arthur Cupertino de Miranda nasce a 15 de Setembro de 1892 na Quinta de Felgueiras, na freguesia de Santa Lucrécia do Louro, concelho de Vila Nova de Famalicão. Filho de um casal de abastados lavradores, Francisco Cupertino de Miranda e Joaquina Nunes de Oliveira, é o mais novo de quatro irmãos – José, Augusto, António e Arthur. Com apenas 19 anos, casa com D. Elzira Celeste Maya de Sá Cupertino de Miranda (1892-1978) e fixa residência no Porto.

Arthur Cupertino de Miranda (1892-1988)

Esta casa bancária teve origem na sociedade bancária "Cupertino Miranda & Irmão, Limitada", constituída em 14 de Maio de 1919 entre o "Banco Popular Português", Arthur Cupertino de Miranda e seu irmão, o Doutor Augusto Cupertino de Miranda. Com um capital social de 100 contos, estava igualmente, sediada no Porto. As quotas foram divididas do seguinte forma: 40% do "Banco Popular Português" - fundado em 9 de Abril de 1917, no Porto - e 30 % para cada um dos irmão Cupertino de Miranda.


Título de 1917 e anúncio publicitário de 1923

 Mais tarde, por escritura de 24 de Fevereiro de 1921 Arthur Cupertino de Miranda adquiria os 40 % do "Banco Popular Português" (1917-1928), e em 28 de Agosto de 1922 doava a seu filho, Artur Luiz Cupertino de Miranda uma parte da primitiva quota de 100 escudos e adquiria a quota pertencente a seu irmão, Augusto. Pelo que, em 1922 a firma "Cupertino de Miranda & Irmão, Limitada", ficou inteiramente na posse de Arthur Cupertino de Miranda e seu filho Artur Luiz.


19 de Novembro de 1925

Com a necessidade de desenvolvimento do negócio, o capital tornou-se insuficiente e foi necessário reforça-lo com a entrada de novos sócios. A alteração do pacto social da firma celebrou-se em 14 de outubro de 1922.

Nesta alteração fixou-se a sede social na Rua Sá da Bandeira, definiu-se o objeto da sociedade centrado no comércio de cambiais, papéis de crédito e na elevação do capital inicial (100.000$00) para 2.000.000$00 representado pelas seguintes quotas: Arthur Cupertino de Miranda, 1.149.900$00, José d`Almeida Cunha, 300.000$00, Almeida Cunha, Irmãos & Companhia, 150.000$00, Francisco da Silva Marinho, 150.000$00, Klaus Stefnanson Jervell, 150.000$00, Augusto Marques da Silva Júnior, 50.000$00, Joaquim Fonseca, 50.000$00, Artur Luís Cupertino de Miranda, 100$00. A gerência ficava a cargo exclusivo do sócio Arthur Cupertino de Miranda, que teria como remuneração a quantia e precentagem nos lucros que lhe fossem fixadas na primeira assembleia geral.



1 de Agosto de 1928

O Decreto de 16 de Abril de 1931 autoriza a transformação da sociedade "Cupertino de Miranda & Irmão, Limitada" em "Cupertino de Miranda & C.ª ", com um capital de 5.500.000$00 (ouro 250.000$00). O Decreto de 27 de abril de 1931 dispensa-a do depósito obrigatório de 50% do capital. Surgia então, a oportunidade de alargar a sua influência a toda a região norte, incluindo Vila Nova de Famalicão, uma importante zona industrial e comercial que estava privada de uma instituição bancária face ao encerramento da casa bancária "Brandão & Companhia". Com efeito, a "Associação Comercial e Industrial" solicita que "Cupertino de Miranda & C.ª " instalasse uma agência na praça famalicense, o que se concretizou em Julho de 1931.


1934



1936

No Porto, a atividade da instituição, pese os tempos difíceis que a praça portuense atravessou nos princípios da década de 30, foi-se cimentando e, em 22 de Novembro de 1937, é solicitada à Inspeção do Comércio Bancário autorização para a abertura de uma agência na Póvoa de Varzim.


16 de Novembro de 1938

Em 1942, a firma "Cupertino de Miranda & C.ª "chegava ao fim, mas a sua actividade ia prosseguir, com grande sucesso, sob a designação de "Banco Português do Atlântico", oficializado pelo "Diário do Governo" de 30 de Dezembro de 1942, que fazia constar:

«Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministério das Finanças, autorizar a modificação para responsabilidade anónima de responsabilidade Lda., sob a denominação de Banco Português do Atlântico, da Casa Bancária Cupertino de Miranda & C.ª, com sede no Pôrto, conforme foi requerido, e aprovar o respectivo projecto de estatutos, cujo original fica junto ao processo, devendo cumprir-se as disposições gerais aplicáveis. 
Ministério das Finanças, 26 de Dezembro de 1942 - Pelo Ministro das Finanças, Clotário Luiz Supico Ribeiro Pinto, Sub-Secretário de Estado das Finanças.»


"Palácio Atlântico", sede do "Banco Português do Atlântico na Praça D. João I, no Porto


Arthur Cupertino de Miranda a inaugurar, em 20 de Dezembro de 1965 o "Telebanco" BPA, junto à sede, no Porto



"Banco Português do Atlântico", em Lisboa

Quanto a Arthur Cupertino de Miranda, nos anos 60 do século XX, adquire uma quinta no Algarve, com 1700 hectares, e concebe um grande projecto turístico, dotado de marina, hotéis, casino e campos de golfe, fundando deste modo a "Lusotur", actual "Vilamoura Lusotur, S.A.".

Entrou na fundação de várias empresas, como: a "Companhia Vidreira Nacional" - Covina; a "Companhia Vidreira Brasileira" - Covibra; a "Companhia de Fomento Colonial" e a "Sociedade Algodoeira de Portugal".


Foi condecorado com a Comenda da Ordem Militar de Cristo (1934); Grã-Cruz da Ordem de Mérito Civil, de Espanha (1964); Medalha de Ouro da Municipalidade de Vila Nova de Famalicão (1964); Comenda da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (1965); Medalha da Imperatriz Leopoldina, do Instituto Histórico-Geográfico de São Paulo, Brasil (1967); Grã-Cruz da Ordem de Benemerência, de Portugal (1969); Medalha de Ouro da Cidade do Porto (1969).

Institui, em 15 de Agosto de 1963, uma Fundação com o seu nome, "Fundação Cupertino de Miranda", instalada em Vila Nova de Famalicão, para fins de educação, cultura e assistência. Dela foi fundador, juntamente com sua mulher, D. Elzira Cupertino de Miranda, e Presidente vitalício do seu Conselho de Administração. Após a morte de D. Elzira, em 1978, fixa residência em Lisboa.


"Fundação Cupertino de Miranda", em Vila Nova de Famalicão


Arthur Cupertino de Miranda viria a falecer, em Lisboa, a 13 de Julho de 1988. 

Com a vaga das Nacionalizações de Março de 1975, o "Banco Português do Atlântico"  viria a incorporar o "Banco Fernandes de Magalhães" (Porto) e o "Banco do Algarve". Por sua vez, o "Banco Português do Atlântico", em 30 de Junho de 2000, viria a ser incorporado no "Banco Comercial Português" (fundado no Porto em 25 de Junho de 1985).