Restos de Colecção: Termas
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6 de novembro de 2024

Antigos Hotéis e Termas de Torres Vedras

O "Hotel Pimenta", fundado em 1872, e de que falarei mais á frente, foi o mais antigo de Torres Vedras. O "Hotel Natividade" foi o segundo hotel mais antigo de Torres Vedras, sendo a fundação anterior a 1890, e cuja primeira localização não consegui apurar. A sua proprietária era a D. Maria da Natividade Marques. Contudo em 24 de Junho de 1890, muda-se para o, então Largo da Graça (futuro Largo D. Carlos I), esquina com a Rua d'Olaria (futura Rua Paiva de Andrada). No mesmo ano a sua proprietária, anunciava:

«A proprietária do Hotel Natividade, em Torres Vedras, tem a honra de annunciar ao publico, que em virtude do prestimoso offerecimento do ex.mo sr. Dias Neiva, dono das Aguas dos Cucos, poe á disposição dos seus hospedes, desde o dia 1.° de julho, os banhos d'aquellas excelentes Agoas, provisoriamente estabelecidos no sitio dos Cucos, onde haverá tinas proprias e pessoal competente; supprindo d'este modo a falta a que dariam logar as obras do Grande Estabelecimento Thermal, que já está em construcção.
Haverá tambem uma tina para banhos gratuitos á disposição dos pobres.»


29 de Maio de 1890


2 de Junho de 1891


15 de Junho de 1893

A quinta de Vale dos Cucos era propriedade de João Gonçalves Neiva desde 1851, arrematada em leilão resultado de uma disputa de herança judicial entre 1782 e 1830 onde construiu, por volta de 1860, novas casas de banho ainda em madeira e casas para alojamento dos doentes, no local hoje chamado de Cucos Velhos. Mas o seu filho José Gonçalves Dias Neiva, a partir de 1890, inicia todo um processo de edificação de uma vila termal, iniciadas por escavações que vêem a descobrir uma nascente com grande manancial de água. O projecto traçado em 1891 pelo engenheiro António Jorge Freire, que pretendia ser completamente inovador em serviços termais e de lazer, previa a construção do Balneário, Hotel, Casino, 40 moradias num parque termal que contava ainda com uma capela e mercado.

O Estabelecimento Thermal viria a ser inaugurado em 15 de Maio de 1893, três anos depois o Casino, ao que se lhe seguiu o Hotel, bem mais modesto do que o edifício programado de 300 quartos, e das moradias projectadas concretizaram-se apenas duas, uma das quais no princípio albergou, temporariamente, o Hotel. Viria a ser construída uma capela e oficinas de preparo de lamas e de águas. Tinha como diretor médico, o Dr. Justino Xavier da Silva Freire.

Entretanto em 11 de Junho de 1893, José Dias Neiva tinha aberto o "Hotel dos Cucos" , na Avenida Ignacio Casal Ribeiro que ligava a Estação de Caminho de Ferro ao Largo da Graça (Largo D. Carlos I a partir de 1894), tendo como gerente Ernesto Nobre.

28 de Maio de 1893

«Este hotel acha-se habilitado a dispensar aos seus hospedes as maximas comodidades pelos módicos preços de 1$000 a 1$200 réis diarios.
O transporte do hotel ao estabelecimento balnear é gratuito uma vez por dia, das 5 ás 8 horas da manhã. Egualmente é gratuito o transporte dos hospedes e suas bagagens da estação do caminho de ferro ao hotel.
O almoço, das 9 ás 11 da manhã, tem 3 pratos, chá e cafe. O jantar, ás 4 1|2 da tarde, tem sopa, 5 pratos, queijo, fructas, café e chá. Vinho á descripção em ambas as refeições.
Das 9 ás 11 da noite haverá chá para os hospedes que o desejem.»

Neste mesmo ano de 1893, encontrava-se instalado na Rua Serpa Pinto, 10-14 junto ao Largo da Graça, o "Hotel Pimenta", o mais antigo de Torres Vedras, que tinha sido fundado por Antônio da Cruz Pimenta em 1872.

15 de Junho de 1893

Aquando da reabertura do "Hotel dos Cucos" (naquela época a maioria hotéis nas estâncias termais, e não só, encerravam no Outono e só reabriam em Maio do ano seguinte), em 14 de Maio de 1894, o  edifício, já tinha sido aumentado em 2 pisos, ao mesmo tempo que tinha promovido a reformas «tendo-se attendido à todas as condiçõas a prescripções santtarias, a pelas auctoridades medicas, taes como canalisacão externa; ventilação, etc., etc.,»

14 de Junho de 1894 

Neste mesmo ano de 1894 já o Largo da Graça tinha sido renomeado de Largo D. Carlos I e a Rua d'Olaria renomeada de Rua Paiva de Andrada. Seria neste Largo e neste ano que seria inaugurada a "Havaneza Torreense". E em 1896 a mais antiga colectividade de Torres Vedras o "Club Torreense", fundado em 1873, passa a designar-se "Casino de Torres Vedras".

Largo D. Carlos I  (ex-Largo da Graça), já como Largo da República (após 1910)


Anúncio de 13 de Maio de 1894. O edifício do Hotel creio ser o da Sapataria na foto anterior

Entretanto em 23 de Maio de 1895 era inaugurado o "Estabelecimento das Águas da Fonte Nova", em Torres Vedras.


« (...) Sim, aquelle celebre dr. Sangrado, que tem feito rir as gerações, com o seu systema de curar todas as doenças com agua, já não é uma creação comica da imaginação de Lesage, mas o precursor da grande transformacao por que havia de passar a therapeutica, que hoje encontra nas aguas o melhor remedio para todas as doenças, desde a Agua circassiana e Agua Florida, que nos rejuvenesce na apparencia, até ás aguas medicinaes, que nos restauram o organismo, livrando-nos da gotta, das dyspepsias, das herpes, das nephrites e de tantos outros males de que a pobre humanidade enférma.
Assim cada descoberta que hoje se faz de agua com qualidades medicinaes é o mesmo que descobrir um thesouro : para o proprietario, pelo rendimento que d'ellas póde tirar ; para o publico pelos beneficios que lhe podem fazer aos seus achaques.» in: "Occidente"  nº 592.

Em Janeiro de 1898 foi o ano de todas as mudanças nos hotéis de Torres Vedras. O "Hotel dos Cucos" é extinto e viria a ser criado outro num dos chalets do "Estabelecimento Thermal dos Cucos". O "Hotel Natividade" muda-se para as antigas instalações do "Hotel dos Cucos" na Rua Ignacio Casal Ribeiro, e nas antigas instalações do "Hotel Natividade" nasce o "Hotel Central", propriedade de Ernesto Nobre, antigo gerente do extinto "Hotel dos Cucos". Este hotel funcionava todo o ano.

Chalet onde ficou instalado provisoriamente o "Hotel dos Cucos", no complexo termal dos Cucos

26 de Maio de 1898





"Hotel Natividade" e Avenida Ignacio Casal Ribeiro. Ao fundo a Estação de Caminhos de Ferro


Abril de 1899

Quanto ao "Hotel Central":

«Este novo estabelecimento, onde esteve instalado por muitos anos o Hotel Natividade, Administrado pelo Gerente do extinto Hotel dos Cucos. Torna-se recomendado pelo asseio e comodidade que oferece aos seus hospedes. Situado proximo da estação do caminho de ferro e da estação telegrapho postal, junto do jardim publico e do Casino, e o ponto mais central desta vila. Preços desde 1$000:00 reis Temporada das thermas - Thermas dos Cucos e das Aguas Medicinais da Fonte Nova.
Socio Gerente Alberto Nobre»


1 de Junho de 1898

Abril de 1899

Entretanto, no "Estabelecimento Thermal dos Cucos" é criado em 1899, o "Hotel das Thermas", vindo a ocupar, temporariamente, um dos dois chalets (construídos em 1895 e 1896) no complexo termal. Este hotel era explorado por Antonio Borges, proprietário do "Grande Hotel Borges", na Rua Garrett, em Lisboa. 

Abril de 1899


2 de Abril de 1904

O hotel definitivo só viria a ser mandado  construir por José António Neiva em 1929, localizado nas traseiras do edifício dos balneários ao qual estava ligado. Mesmo depois de construído o novo hotel, o chalet que tinha ocupado até então, continuou a servir de «extensão» ao hotel em alturas de maior afluência.

Edifício do Hotel (construído em 1929) nas traseiras do edifício principal e à direita na foto


Chalet que continuou a servir de «extensão» ao "Hotel das Termas"

Entretanto, em 1902 o "Novo Hotel" de Antonio Duarte Capote, empresário de transportes.

Em 1907, o "Hotel das Themas dos Cucos", já era "propriedade" (concessionária) de Maria da Natividade Marques dona do "Hotel Natividade".


1907


1913


1916

Quanto a transportes, em 1911, pela sua centralidade, o Largo da República (ex- Largo D. Carlos I) foi escolhido para ponto de chegada e partida das primeiras carreiras automóvel para a Praia de Santa Cruz, iniciadas no Verão de 1911 pela empresa de António Capote

Outras empresas vão surgir ao longo do século XX para transportar veraneantes para Santa Cruz, escolhendo aquele Largo ou as sua proximidade como ponto de largada ou recolha de passageiros: João Henriques dos Santos a partir de 1923;  "Empresa Sociedade Progresso de Santa Cruz" a partir de 1925, tendo como sócios Joaquim Morais de Castro, Guimarães Júnior e José Duarte Capote sobrinho, cujos direito foram adquiridos por Ruy da Costa Lopes em 1928, sendo este o único operador em 1941, ano em que este, por sua vez, cede os direitos à empresa "Capristanose Ferreira, Lda." da Caldas da Rainha, mais tarde adquirida pela empresa Claras, que operou esta linha de camionagem até 1975.


Camioneta junto ao "Teatro-Cine Ferreira da Silva" em Torres Vedras


Largo das camionetas na Praia de Santa Cruz

Em 28 de Maio de 1922 o "Hotel Natividade", provavelmente por morte de D. Natividade, é adquirido pela sociedade "Lopes & Sá", e o jornal "O Torreense" noticiava:.

«O antigo e acreditado Hotel Natividade, desta yila, toi tomado de trespasse pelos srs. Manuel Lopes e Francisco Sá, que vão usar a firma comercial Lopes & Sá.
Os novos proprietarios do hotel Natividade são pessoas que conhecemos há muitos anos e de quem temos as melhores e mais ligeiras informações; e conhecedores como são do seu metier, animados dos melhores desejos.de bem servir os seus clientes, proporcionando-lhes todas as modernas comodidades, para o que se não pouparão a despezas e sacrificios, tencionam já na proxima época balnear estabelecer carreiras de automoveis, a preços reduzidos, principalmente para os seus hospedes que tenham de fazer tratamento nas termas dos Cucos.
E' um melhoramento importante para esta vila, pelo que felicitamos a firma Lopes & Sá desejando lhe muitas prosperidades.
Em outro local vai o respectivo anuncio.»

1922

Em 1934 o "Hotel Central" já aparece instalado no edifício do antigo "Hotel Natividade", na avenida 5 de Outubro (antiga Avenida Ignacio Casal Ribeiro), sendo seu proprietário José da Silva Carnide. No pequeno edifício contíguo cria o "Café do Hotel Central" onde comercializava os afamados pastéis de feijão, além de «café, chá, cervejas, refrigerantes e licores». Por seu lado o hotel já possuía «excelente serviço de mesa, óptimos quartos, retretes modernas e bela casa de banho.»




Maio de 1934

"Hotel Central" à esquerda e defronte da Escola Primária, Secundária e de Educação Física, neste postal de 1953

Em 1939 no guia de "Hoteis e Pensões de Portugal", o "Hotel Central" aparecia com as seguintes informações:

Classe:  3ª
Nº de Quartos:  30
Pequeno almoço:  2$50
Almoço:  12$00
Jantar:  13$00
Diárias:  20$00 a 26$00

Já propriedade da família Neiva Vieira dos Cucos, o "Hotel Central", foi demolido por volta de 1955. Pouco tempo antes, a esposa do antigo proprietário, José da Silva Carnide e uma sobrinha tinham morrido eletrocutadas no jardim, numa noite de temporal.

Edifício que substituiu o "Hotel Central" em captação de 2022 via Google Maps

Quanto às "Termas dos Cucos", encerrariam definitivamente em 1999. « (...) abriram pela última vez em 1998. Contrariamente ao que se poderia pensar, a lotação esteve esgotada. "Encerrámos porque corríamos o risco de sermos encerrados compulsivamente a meio da época, por causa de um valor numa análise da água. Considerámos que mais valia fechar ou podiam fechar-nos a meio da época e o desprestígio era maior" ». palavras de José António Neiva in: jornal "Sol" (2021) artigo de José Cabrita Saraiva.

Hoje o complexo das antigas "Termas dos Cucos" é utilizado principalmente para festas de casamentos ...

fotos in: Hemeroteca Digital de LisboaBiblioteca Nacional Digital, Biblioteca Municipal de Torres Vedras, Torres Vedras Antiga (Facebook), Delcampe.net

1 de agosto de 2023

Grande Hotel de Vidago

O "Grande Hotel de Vidago", classificado de 2ª classe, foi inaugurado em 1874 junto à Estrada Real (Rua Estrada após 1910), na localidade termal de Vidago no concelho de Chaves, em Trás-os-Montes. Foi mandado construir pela "Empreza das Aguas de Vidago", fundada em 1873, e cuja exploração viria a ser sempre entregue a entidades privadas. Funcionava entre 1 de Junho e 30 de Setembro. A estância termal abria a 25 de Maio.



1883


"Grande Hotel de Vidago" em 1893


Estrada Real lados poente e nascente com o hotel em fundo



Vista panorâmica do "Grande Hotel de Vidago" em 1893

No livro "As Aguas Mineraes de Vidago em Portugal" de Alfredo Luiz Lopes e editado em 1893 pode-se ler:

«(...) Contém 24 quartos de primeira classe, amplos e confortaveis, situados no pavimento inferior e no primeiro andar, e 30 outros de segunda classe, mas tambem bons e alegres. Todos elles são independentes, meticulosamente asseados, e teem uma, duas ou mais janellas. Nos quartos de primeira classe, em todos os quaes cabem perfeitamente e á larga duas camas, o preço diário da hospedagem varia de 1$800 a 2$500 réis por pessoa, ou 1$500 a 2$000 réis quando duas ou mais pessoas occupam o mesmo compartimento. Nos de segunda classe ha uma só cama, e seus preços são de 1$200, 1$300 e 1$500 réis por dia, incluindo-se, como para os de primeira classe, comida e todo o serviço.


1 de Junho 1875


No "Diario Illustrado" de 28 de Junho de 1876



7 de Julho de 1877

No pavimento inferior, para o qual dá accesso a porta principal por meio de uma facil escada de seis degraus, encontra-se a sala de reuniões, salão de leitura, com os principaes jornaes do paiz e uma pequena bibliotheca, o escriptorio do gerente e o vasto salão de jantar, de que a gravura dá fiel, ainda que incompleta idéa. (...) N'ella já teem jantado na mesma occasião, e sem se incommodarem, mais de cem pessoas.


Sala de estar

Para condizer com as excepcionaes condições materiaes d'esta salla, os frequentadores encontram sempre um aprimorado serviço culinario, em harmonia com as exigencias do tratamento hydro-mineral, mas variado e excellentemente preparado por um dos nossos mais competentes cozinheiros. No almoço - ás 9 horas -, no jantar - ás 4 -, e na ceia - ás 9 -, nota-se sempre abundancia, havendo n'aquellas duas refeições vinho á descripção e uma garrafa de quarto de litro cheia de agua mineral de Vidago para cada pessoa. O preço avulso do almoço é de 600 réis e o jantar 800.


Sala de jantar

Os hospedes que prefiram ser servidos particularmente teem uma outra boa sala de jantar reservada, devendo n'este caso pagar um excesso de 200 réis por pessoa sobre o preço estabelecido. O uso exclusivo d'esta sala é tambem permittido, mediante ajuste especial, para aquelles cuja diaria não seja inferior a 2$000 rs.

Nos salões do Grande Hotel, a par da leitura, encontram-se as alegres reuniões, as sessões da musica, os jogos de vasa, xadrez, damas, bilhar, etc.
Nos dias sanctificados, em frente do mesmo hotel, toca geralmente durante a tarde e primeiras horas da noite a orchestra composta pelos amadores da localidade, e em taes occasiões fazem-se danças, descantes e divertimentos populares, promovidos pela Empreza das aguas, constituindo na verdade uma scena simples mas encantadora. 

Junto e por detraz do Grande Hotel encontra-se um vasto parque elegantemente ajardinado, em cujas ruas se podem fazer agradaveis passeios gozando o bello panorama da visinha montanha. Dispersos n'elle se encontram, além de commodos bancos e caramancheis, o jogo do croquet installado por debaixo do salão de jantar, de forma a proteger os jogadores da acção do sol, a alameda dos baloiços e apparelhos do telegrapho, e um pouco mais distante, a carreira de tiro, o pequeno gymnasio, etc.


Estes hoteis e seus annexos acham-se abertos ao publico desde I de junho a 30 de setembro de cada anno, e para se calcular a concorrencia e o uso que das aguas de Vidago n'esta epocha se faz, basta dizer que durante ella são empregados nos diversos serviços mais de quarenta pessoas de ambos os sexos.»

Só faltou mencionar, que todo o serviço deste hotel era assegurado por cerca de 40 empregados.

A primeira Estação Termal de Vidago abriu aquando da inauguração do "Grande Hotel de Vidago", em 1874na  qual funcionava o "Pequeno Hotel", instalado no andar superior do Estabelecimento Hidrotherapico, Este hotel pertencia também à "Empreza das Aguas de Vidago" e funcionava na esfera do "Grande Hotel de Vidago". 

«O Pequeno Hotel, que a gravura em frente reproduz, acha-se installado no edificio do Estabelecimento hydrotherapico, occupando todo o andar superior. Contém bellos e alegres quartos independentes e com janella, cujos preços são eguaes aos de segunda classe do Grande Hotel. O serviço de mesa é feito simultaneamente com o do Grande Hotel no salão de jantar acima descripto, A differença de preço para os hospedes da Empreza nunca influe sobre a alimentação e mais serviço, porque unica e simplesmente depende do luxo e vastidão dos aposentos occupados.» in: mesmo livro  anterior "As Aguas Mineraes de Vidago em Portugal".


"Pequeno Hotel"

A acrescentar a esta pormenorizada descrição, de referir que a partir do início do século XX, junto ao hotel foi instalado um pequeno posto de abastecimento de combustível da "Vaccum Oil Company, Inc.", futura "Mobil Oil Portuguesa", a partir de 1955. Foi durante anos o único na estância de Vidago. Nessa altura, a concessão e gerência do hotel estava entregue à D. Ambrozina Oliveira Cruz, esposa do falecido Sr. Antonio Allípio Alves Teixeira Fraga.


Antes e depois da instalação do posto de combustível

Já, no ano anterior, em 1 de Agosto de 1882, a revista "Occidente" informava:

«O grande hotel do Vidago ha sido, n'estes ultimos annos, o ponto de reunião de numerosa sociedade, que na bondade das águas tem achado cura e allivio aos seus padecimentos.
Tem o edificio grande numeros de quartos para hospedes, salas de recepção, jantar, bilhar, quartos para banhos, differentes outras casas, agua em todos os andares e todas as necessarias officinas.
As condições de edificação e de serviço do grande hotel proporcionam todas as commodidades exigidas pela boa hygiene em estabelecimentos d'esta ordem.
Tem hoje uma estação telegrapho postal de 5ª classe e proximo do hotel está a estação da mala-posta.
No 1º de Junho abre o grande hotel e fecha no ultimo de setembro.
Junto ao grande hotel ha outros estabelecimentos em condições apropriadas para hospedes e para uso de banhos thermaes alcalinos.»


1883


1888


O "Grande Hotel de Vidago" foi o primeiro edifício de vulto em Vidago correspondendo às necessidades de alojamento para as pessoas que acorriam à estância termal,. A sua construção ficou concluída, em 1874, tendo sido inaugurada nesse mesmo ano pelo ministro do reino António Cardoso Avellino (1822-1889), do 34º Governo da Monarquia Constitucional, liderado Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello (1819-1887) . 

No ano seguinte, em 1875, o rei D. Luiz I (1838-1889) instalar-se-ia no hotel para usufruir dos tratamentos das águas medicinais de Vidago. Impressionado com os resultados voltaria durante três anos, de 1875 a 1877 hospedando-se, sempre, no "Grande Hotel de Vidago". Em 1884 também seu pai, o velho rei-consorte D. Fernando (1819-1885), aí se hospedaria, na companhia da sua segunda esposa, Elise Hemsler - "Condessa de Edla", (1836-1929). 




16 de Junho de 1905


No início do século XX, este hotel já se revelava exíguo dada afluência de aquistas que queriam comprovar as virtudes e os milagres das águas de Vidago. Em virtude deste facto, a "Empreza das Aguas de Vidago", em Março de 1908, inicia a construção de um dos mais emblemáticos edifícios do norte de Portugal: o "Vidago-Palace Hotel", que viria a ser inaugurado em 6 de Outubro de 1910. A sua  história poderá consultar neste blog, no seguinte link:  "Vidago Palace Hotel".

O primeiro comboio da companhia "Caminho de Ferro da Regoa a Chaves", chegou a Vidago em 20 de Março de 1910, pela, então, designada "Linha do Valle do Corgo" que tinha sido inaugurada em 12 de Maio de 1906, com a chegada do comboio a Vila Real. Foi concluída a 28 de Agosto de 1921, com a chegada a Chaves, com um total de 96,2 Kms. De referir que a distância entre a Régua e Vidago era de 76,5 Kms. Nesse ano, iniciaram-se os serviços de ambulâncias postais nesta linha, que permaneceriam até 1972.




Estação de caminhos-de-ferro e "Hotel Avenida" 

Antes da "Linha do Valle do Corgo", tinha sido fundada em 1875 a "Companhia Transmontana" - Caminho de Ferro Americano entre a Regoa e Villa Real, para o transporte de passageiros utilizando o "Americano" - carruagem puxada por cavalos e que rolavam sobre carris. Aqui fica um título dessa Companhia


31 de Dezembro de 1875


1913

Em 1939 o roteiro "Hoteis e Pensões de Portugal" informava aceca do "Grande Hotel de Vidago": categoria:  3ª classe - 44 quartos - almoço: 13$50; jantar: 15$00 - Diária entre 25$00 a 60$00.


1934


1944

Em 1990, esta estação termal foi desativada e já nessa altura a procura por curas terapêuticas era consideravelmente mais reduzida, o que fez com que o turismo em Vidago decrescesse de tal forma que levou ao encerramento e abandono de diversos hotéis e pensões, do qual o "Grande Hotel de Vidago" já propriedade da "Unicer, S.A.". não escapou. Foi votado ao abandono, condição em que ainda hoje se encontra ...





"Grande Hotel de Vidago" no actual estado de abandono, em fotos de André Ramalho (in blog "Abandonados")