O “Grande Hotel das Termas do Luso”, promovido pelos comerciantes e industriais Messias Baptista e António Maria Lopes e projectado pelo arquitecto Cassiano Viriato Branco (1897-1970), foi inaugurado em 27 de Julho de 1940. Inicialmente oferecia 200 quartos, «com comodidade, higiene e conforto».
O projecto do “Grande Hotel das Termas do Luso”, nasce na altura em que o Professor Fernando Bissaya Barreto (1886-1974) era Presidente do Conselho de Administração da “Sociedade da Agua de Luso, S.A.R.L.” e à qual esteve ligado durante mais de quarenta anos. É em 1937, que foi proposta em Assembleia Geral Extraordinária, por inciativa do Professor Bissaya Barreto, a construção de um hotel e de uma piscina, a qual relatava que: «(…) nestes dois últimos anos, tem merecido o maior cuidado ao Conselho de Administração o estudo da construção de um hotel para o engrandecimento das nossas Termas de Luso».
«No meio deste período caracterizadamente moderno da arquitectura de Cassiano Branco, inscreveu-se um projecto utilizando uma linguagem característica do Estado Novo. É o caso do Hotel do Luso, que ele projectou em 1938 para uma área geográfica a que viria a ficar ligado, não só por possuir uma residência de férias na Curia, como pela sua obra futura no Portugal dos Pequeninos em Coimbra» in "Cassiano Branco uma obra para o futuro" - Fernando Gomes Silva.
Por outro lado e no mesmo livro, José Perdigão descrevia:
«Ao longe, a serra do Buçaco encimada pela Cruz Alta; da mata, emerge o Palace,
mais abaixo, a mancha do casario do Luso, dominada pelo Grande Hotel. Na sua
volumetria, repete-se uma dominante vertical como que ancorando o volume do
edifício estruturado por um hall principal e acessos verticais e por um longo corredor
em curva, servindo os quartos. Os salões principais abriam sobre a piscina, onde o
olhar se estendia até ao cimo da mata. As fachadas seguem o movimento do
corredor acentuado pelos planos das varandas e floreiras, em linhas curvas
contínuas que se enrolam nas extremidades, relembrando o "Victória ". Resta a
imagem estática dos volumes do telhado, dos corpos da recepção, das colunas, dos
cachorros e das balaustradas.»
Ao longo dos mais de 70 anos de história do, actual, “Grande Hotel do Luso”, e ao acompanhar as novas tendências e exigências, é de relembrar alguns momentos marcantes da sua já longa vida. A construção do Hotel, a concretização do projecto do auditório, salas de conferência, piscina interior e túnel de acesso às “Termas de Luso”, a reclassificação do Hotel para 4 estrelas e, no presente, e a execução do projecto de remodelação.
O referido projecto, de 2011, foi da autoria do “Atelier Reimão Pinto” que teve como ponto de partida a criação de uma nova imagem para o “Grande Hotel de Luso” respeitando a identidade e o espaço arquitectónico original do edifício, ao potenciar os elementos modernistas, utilizando apontamentos Art Déco e valorizando a singularidade da sua arquitectura.
«O maior desafio foi conseguir simultaneamente uma marca de originalidade e modernidade mantendo viva a memória do hotel com o objectivo de proporcionar uma experiencia de bem-estar a quem o visita. A nobreza das madeiras, a simplicidade das linhas e contenção dos elementos decorativos caracterizam os espaços, as cores quentes e fortes garantem o conforto em ambientes de um calmo requinte.»
Actualmente, o “Grande Hotel de Luso” dispõe de 132 quartos, incluindo 15 suites e quartos comunicantes, restaurante, bar com vistas panorâmicas sobre o ex-líbris do hotel que é a sua piscina olímpica, piscina interior, ligação directa à “Malo Clinic Termas Luso”, court de squash, snooker, parque infantil e jardins.