A ourivesaria "Barateiro Pimenta", terá aberto por volta de 1905 na Rua da Palma, 2 (esquina com a Rua dos Fanqueiros), em Lisboa, e era propriedade de Manuel da Cruz Pimenta. Este tinha iniciado a sua actividade comercial, não como ourives, mas com uma loja de fazendas na Travessa de S. Domingos (actual Rua Barros Queirós), 10 e 12 com a firma "Pires & Pimenta", no final do século XIX.
Foto in: "Lisboa Desaparecida" - Vol 7 de Marina Tavares Dias
Nota: A foto anterior, data da II Grande Guerra Mundial (1939-1945), quando por ordem da CML os proprietários, ou inquilinos, eram obrigados a proteger as tabuletas em vidro com fitas adesivas, a fim de proteger as ruas de eventuais estilhaços em caso de ataques aéreos.
Em 1902, já essa loja de fazendas era pertença exclusiva de Manuel Pimenta, tendo a denominação comercial de "M. C. Pimenta" e já ocupava as portas 10,12,e 14 da Travessa de S. Domingos.
A sua actividade no ramo da ourivesaria, terá tido início em 1905 ou 1906, já que a comprovar esta teoria, uma notícia intitulada "Assaltos ás ourivesarias", no jornal "Vanguarda" de 21 de Outubro de 1906, relatava:
O primeiro assalto foi praticado na madrugada de quinta-feira, na ourivesaria e relojoaria sita na rua da Palma, 2, pertencente ao sr. Manuel C. Pimenta; 0 segundo assalto deu-se no estabelecimento do sr. Jayme Pereira Coutinho, na rua da Palma, 55 e 57, onde os gatunos tambem fizeram dois furos na montra, e da qual ainda puderam roubar uma corrente de ouro, no valor de 15$000 reis; O terceiro arrombamento foi de ante-hontem para houtem, na rua de Santo Antão, 44, no estabelecimento do sr. Manuel Augusto Ferreira Minde, tambem com relojoaria ourivesaria e violas, onde os assaltantes só poderam fazer um furo, não conseguindo furtar nada, devido a terem sido presentidos pelo guarda nocturno, que viu fugir tres vultos.
Como se ve, existe em Lisboa uma quadrilha de gatunos que se emprega naturalmente de dia a visitar as montras para á noite as ir arrombar e roubar por meio de uns ferros d'um «trado».
As queixas foram hontem enviadas para o juizo de instrucção criminal, afim da policia judiciaria proceder a investigações.»
Como se pode observar no anúncio seguinte de 1907, o "Barateiro Pimenta", no início da sua actividade acumulava a venda de ourivesaria, com a venda de acessórios para a fabricação de chapéus para senhora. Pelo que consegui apurar Manoel Pimenta manteve em funcionamento a sua loja de tecidos, na Travessa de S. Domingos, 10-14, até 1908.
1907
Em 18 de Janeiro de 1923, Manuel da Cruz Pimenta e seu irmão Mário da Cruz Pimenta constituem a firma "M. C. Pimenta, Lda". Estes viriam a trespassar a firma, em 1933, a Armando Soares e José Tomaz da Silva. Mário da Cruz Pimenta,i como já escrevi neste blog, funda a firma "Mário da Cruz Pimenta, Lda." em 9 de Novembro de 1936, inaugurando a sua ourivesaria na Rua dos Anjos, 34-A (ex-Rua do Registo Civil) em 30 de Novembro seguinte.
30 de Novembro de 1936
1925
Em 1937, já o "Barateiro Pimenta", adicionava ao seu negócio a comercialização de relógios "Zenith", "Omega" e "Longines", «e outras marcas de categoria». No Natal do ano seguinte, 1938 …
O magnifico estabelecimento da Rua da Palma, 2, possue aqueles artigos proprios para brindes do Natal e Ano Novo, por preços módicos.
Têm os nossos leitores portanto, uma bela oportunidade para visitar «0 Barateiro Pimenta», pois temos a certeza de que não saem da afamada casa sem um dos seus magníficos brindes.
Eles são tentadores ...
«O Barateiro Pimenta» atende, com prontidão qualquer encomenda pelo telefone n.° 2 7055.»
1944
A firma "M. C. Pimenta, Lda.", por escritura pública de 16 de Janeiro de 1945 passa a ter novos donos. Os únicos sócios desta sociedade passavam a ser os conhecidos joalheiros Carlos dos Santos Tôrres e Carlos Augusto das Chagas Tôrres, com um capital social inicial de 500.000$00. Estes detinham a "C. S. Torres, Lda.", sob a denominação comercial "Torres Joalheiros", fundada em Torres Vedras por Anselmo Tôrres e Carlos Tôrres. Consumava-se a sua expansão para Lisboa com a aquisição da "M. C. Pimenta, Lda.", ainda sediada na Rua da Palma, 2 em Lisboa.
Cinco anos depois, e devido às demolições iniciadas na Rua da Palma para alargamento da zona do Martim Moniz, o "Barateiro Pimenta" é forçado a mudar de instalações, e encerra o seu estabelecimento na Rua da Palma, 2, em 10 de Outubro de 1950 ...
«Ao encerrarmos as portas do nosso estabelecimento por motivo das demolições, vimos agradecer aos nossos Ex.me Clientes e Amigos e ao Publico em geral a preferênela com que sempre nos distinguiram, e no mesmo tempo participar que todos os assuntos da firma serão tratados na Filial da Rua Augusta, 253 a 257 (esquina de Santa Justa), e que em breve abriremos a nova casa no Pavilhio das Ourivesarias, n.° 12 e 13, no largo Martim Moniz.»
"Barateiro Pimenta" na primeira loja à direita na foto de 1951
A família Torres, viria a adquirir, em 1986, a prestigiada e antiquíssima relojoaria "J, Maury", que tinha sido fundada em 1859, na Rua Áurea, 202 (esquina com a Rua da Assunção), em Lisboa.
Em 26 de Julho de 1993 a "M. C. Pimenta, Lda." passa a sociedade anónima de responsabilidade "M. C. Pimenta, S.A.", com um capital social de 50.000.000$00. O conselho de administração nomeado ficou assim constituído: Carlos Augusto das Chagas Torres, presidente; João Carlos Arez Torres, vice-presidente; Pedro Augusto Arez Torres, vogal; Ricardo Chitas Martins Arez Torres, suplente. De referir que Carlos Augusto das Chagas Torres viria a falecer no ano seguinte, a 22 de Julho de 1994, tendo sido substituído na presidência do conselho de administração por João Carlos Arez Torres.
A "Ourivesaria Pimenta" encerraria em 2013. «Sobre o encerramento recente da Ourivesaria Pimenta, na Baixa Pombalina, Ricardo Torres diz que ele é temporário e que se deveu a uma falta de pessoal, que foi preciso desviar para a Avenida. Anteriormente, a rede Torres Joalheiros tinha encerrado a Maury. Ricardo Torres confirma que a Maury fechou definitivamente portas mas que a loja histórica junto ao Elevador de Santa Justa se manterá e que a Pimenta será reaberta, "depois de estudado o seu reposicionamento"» in: "Estação Cronographica" 10 de Dezembro de 2013.
Foto de Noemia Ardisson, em 2018
Entretanto, a "M. C. Pimenta, S.A." viria a ser liquidada e dissolvida em Junho de 2015. Por sua vez, a relojoaria "J. Maury", também encerrou definitivamente em 2013.
A "Ourivesaria Pimenta" manteve-se encerrada, apesar de em Setembro de 2023 reabrir por 2 meses, para receber a primeira pop-up store da "Oris" em Portugal. Durante dois meses, a marca de relojoaria suíça contou com um espaço exclusivo na "Ourivesaria Pimenta". Após este evento, voltou a encerrar definitivamente.
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