Restos de Colecção: Museus
Mostrar mensagens com a etiqueta Museus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Museus. Mostrar todas as mensagens

25 de julho de 2016

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

A “Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves”, também conhecida por "Casa Malhoa", foi mandada construir em 1904 pelo pintor José Vital Branco Malhoa (1855-1933), na, então, Avenida António Maria d’Avellar (actual Avenida 5 de Outubro) e Rua Pinheiro Chagas, junto ao Palacete Silva Graça”, com a finalidade de ser sua residência e atelier, tendo sido a primeira «Casa de Artista» de Lisboa. Com projecto do arquitecto Joaquim Manuel Norte Júnior (1878-1962), e a sua construção a cargo de Frederico Augusto Ribeiro é finalizada em 1905 e ganha o "Prémio Valmor de Arquitectura" de 1905.

 

Notícia da atribuição do “Prémio Valmor” no “Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes” em 1905

Foto da casa de José Malhoa, no Annuario e anuncio do construtor da mesma em 1905

 

Na revista “Illustração Portuguesa” de Novembro de 1906

Em 1919, José Malhoa mudou-se para a Praça da Alegria, Em 1920, mudar-se-ia de novo, e definitivamente, para uma casa na Travessa do Rosário, na freguesia de São José, até à sua morte em 1933. Entretanto  a sua  casa na Avenida António Maria d’Avellar é adquirida em hasta pública pelo Dr. Anastácio Gonçalves, médico oftalmologista e grande coleccionador de obras de arte.

Dr. Anatácio Gonçalves pintado por José Malhoa em 1932

 

Casa na Travessa do Rosário onde José Malhoa viveria entre 1920 até à sua morte em 1933

 

Em 1969, por vontade expressa do colecionador, o edifício é legado ao Estado Português para aí se criar um Museu, que abriria ao público em 1980 com a designação de “Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves”.

 

    

 

Em 1996, com projeto dos arquitetos Frederico e Pedro George, foram realizadas obras de ampliação e beneficiação, anexando-se ao edifício original uma moradia contígua também assinada pelo arquitecto Norte Júnior. O novo espaço proporcionou o alargamento da área de acolhimento do visitante com loja, cafetaria e zona para exposições temporárias. A “Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves” reabriu em Dezembro de 1997 com a sua configuração actual.

 

 

 

 

O conjunto de cerca de 3.000 obras de arte compõe-se por três grandes núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Existem ainda importantes núcleos de ourivesaria civil e sacra, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso de fabrico suíço e francês. Para além das obras reunidas pelo colecionador, a “Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves” encerra ainda um significativo espólio documental e um conjunto de desenhos, aguarelas e pequenos artefactos pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital de Lisboa, Património Cultural

27 de junho de 2014

Museu Nacional dos Coches

O “Museu dos Coches Reais” foi inaugurado a 23 de Maio de 1905, por Sua Majestade a Rainha Senhora Dona Amélia.

“Museu dos Coches Reais” no início do século XX

                              Auto da inauguração                                                                Catálogo de 1923

    

Em 1726, o rei D. João V compra a D. João da Silveira Telo e Meneses, 3º Conde de Aveiras, a "Quinta de Baixo", situada junto ao rio Tejo no aprazível termo de Belém na parte ocidental da cidade de Lisboa, na qual se integrava um conjunto de casas nobres, o Palácio de Belém e um Picadeiro.

Em 1786 foi mandado destruir o antigo picadeiro para, em sua substituição, ser construído o actual, obra da iniciativa do infante D. João, futuro rei D. João VI, filho da rainha D. Maria I e de D. Pedro III, grande entusiasta pela Arte Equestre.

Do projecto, em estilo neoclássico, atribuído ao arquitecto italiano Giacomo Azzolini, é de salientar o amplo salão com 50 m de comprimento por 17 m de largo, com dois pisos, apresentando, nos topos do andar superior, tribunas ligadas por duas estreitas galerias com colunata, destinadas a permitir à Família Real e à Corte assistirem aos jogos equestres.

As obras de construção do Picadeiro Real tiveram início em 1787 e muito embora a estrutura do edifício ficasse pronta um ano depois, as decorações exteriores e interiores prolongaram-se até cerca de 1828.

  

 

 

 

 

Em 1791 Francisco José da Costa fornecia os painéis de azulejo que decoravam as tribunas e em 1793 estava colocada a balaustrada interior que envolve o salão, obra do entalhador Gonçalo José.
Entre 1792 e 1799 participaram na decoração dos interiores, entre outros, os pintores Francisco de Setúbal, Francisco José de Oliveira, Joaquim José Lopes dito "o Bugre" e o francês Nicolau Delerive.

Nos motivos decorativos utilizados em toda a decoração do tecto e painéis nos topos do salão, predominam elementos ligados à arte equestre. Destacam-se no tecto do picadeiro em tela pintada, três grandes medalhões ovais com cenas alegóricas.

No primeiro está representada a figura de um cavaleiro símbolo de Portugal ladeado por quatro figuras femininas que simbolizam os Continentes, facilmente identificados pelo animal que as acompanha, respectivamente o cavalo para a Europa, o camelo para a Ásia, o crocodilo para a África e a arara para a América.

No medalhão central uma figura feminina coroada segura a cornucópia da Abundância simbolizando a Paz e Prosperidade do Reino.

No terceiro medalhão a alegoria da Guerra é sugerida pela figura armada de lança, escudo e elmo que segue numa quadriga puxada por leões e ladeada pela figura feminina da Vitória.

Em 1904, quando da adaptação do picadeiro a museu realizaram-se obras sob orientação de Rosendo Carvalheira, arquitecto dos Palácios Reais, sendo as pinturas então restauradas pelos pintores José Malhoa e António Conceição e Silva.

Mais tarde, em 1940, nova campanha de obras orientada pelo arquitecto Raul Lino vai permitir a ampliação da área de exposição com a construção de um novo salão lateral.

Secção de acessórios equestres e de tauromaquia

 

 

Folheto do “Museu Nacional dos Coches” em 2014

Vista exterior do “Museu Nacional dos Coches” em 2014

Bibliografia: site oficial do Museu Nacional dos Coches

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Museu Nacional dos Coches, Arquivo Municipal de Lisboa