Restos de Colecção: Sintra
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17 de fevereiro de 2019

Hotel Vale de Lobos

O “Hotel Vale de Lobos”, localizado em Almargem do Bispo, Sabugo, junto a Belas no concelho de Sintra, e projectado pelo arquitecto Raúl Lino (1879-1974), abriu as suas portas em 1 de Julho de 1959.

 

Nos tempos áureos dos anos 50 e 60 do século XX, Vale de Lobos - a quem o Hotel apelidava de “Curia de Lisboa” - era um local de veraneio dos habitantes de Lisboa, onde existiu um casino o “Hotel Vale de Lobos” afamado pelos seus bailes no “Grupo Desportivo e Recreativo Os Lobinhos”, (fundado em 25 de Outubro de 1947) e pelas suas festas motards do “Motoclube Vale de Lobos”.

 

                                            1 de Agosto de 1959                                                            29 de Dezembro de 1960

 

24 de Junho de 1961

O “Hotel Vale de Lobos”, estava equipado com piscina, court de ténis, ringue de patinagem, sala de jogos, um magnífico jardim, e restaurante onde era servido a sua especialidade “Leitão à vale de Lobos”. Contava ainda com uma boite, inaugurada onze dias depois do Hotel, em 11 de Julho, com o “Conjunto Tony Dominguez”. A gerência e administração deste hotel foi confiada à mesma do “Hotel de Turismo da Ericeira”, inaugurado em 9 de Junho de 1956 pelo seu proprietário Raúl Duarte Gomes. Este Hotel foi lugar de estágio da selecção portuguesa de futebol, antes da sua participação no Mundial de 1966, em Inglaterra.

Sala de jantar

 

                                                          Boite e galeria                                                                   Etiqueta de bagagem

 

“Hotel Vale de Lobos” em finais dos anos 70 do século XX

Na segunda metade da década de 80 do século XX, o “Hotel Vale de Lobos” é adquirido por Adelino Cardoso Santos (1929-) dono da cadeia de “Supermercados A. C.Santos”, e ligado imobiliário. Entretanto, em conjunto com sua esposa D. Maria Amália Ferreira de Pina Santos, criam em 1988 a “Fundação A. C. Santos” com o intuito da aplicação dos valores altruístas em ações de índole humanitária e social, em prol dos grupos menos favorecidos.

        Adelino Cardoso Santos              Maria Amália de Pina Santos                          Fundação A. C. Santos

  

Assim, e depois de encerrado o Hotel em 1999, o edifício viria a ser adaptado para ser a “Casa de Repouso Vale de Lobos”, tendo aberto as suas portas em 27 de Julho de 2002.

 

Esta unidade classificada como “IPSS - Instituição Particular de Solidariedade Social“, tem 3 suites e 37 quartos, duplos e/ou individuais, todos decorados e equipados, com casa de banho privativa, ar condicionado e aquecimento central, televisão e mini bar, com capacidade para 49 idosos. O edifício dispõe de 3 pisos de área habitacional com elevadores, rampas de acesso e encontra-se preparado para receber idosos de ambos os sexos, em regime de alojamento temporário ou permanente, proporcionando-lhes qualidade de vida, com conforto e segurança.

Interiores da “Casa de Repouso Vale de Lobos”

 

 

fotos in: Delcampe.net, Fundação A.C.Santos, Casa de Repouso Vale de Lobos

12 de dezembro de 2018

Hotel Central em Sintra

O “Hotel Central” terá sido inaugurado no final de 1900 ou princípio de 1901, na ,então, Praça Rainha Dona Amélia, actual Praça da República, na Vila de Sintra, tendo sido seu fundador António da Silva. Com ele, abria o “Restaurtant Lisbonense” instalado no seu edifício.

“Hotel Central” e “Restaurant Lisbonense”, por altura da sua abertura e uma etiqueta de bagagem

 

A história do local onde foi construído o “Hotel Central”, remonta a 1154 quando o Rei D. Afonso Henriques e sua mulher D. Mafalda doaram a Gualdim Pais “Sexto” Grão-Mestre da ordem dos Templários, estes terrenos os quais por este foram oferecidos à ordem dos Templários. Aí habitaram durante séculos existindo, ainda hoje, vestígios da sua existência que podem ser observados através do Hotel. Depois os Templários e após o terramoto de 1755 que destruiu parte de Sintra, foi feito a reconstrução das habitações e sabe-se que em 1873 eram pertença do “Seminário Patriarcal de Santarém”. Foram no início do século XIX,  adquiridos por um privado.

«buonas villas» (à direita na foto) nos terrenos onde seria construído o “Hotel Central”. Ao fundo, no alto, o “Hotel Victor

Praça Rainha D. Amelia antes da demolição da muralha e portão de acesso ao do Palácio da Vila

 

Foto da Praça Rainha D. Amelia na revista “Illustração Portugueza” em 24 de Junho de 1906

Na foto anterior pode-se ver o “Eléctrico de Sintra”, que funcionou entre 1904 e 1958 e que tinha a sua paragem terminal na Praça Rainha D. Amelia, frente à entrada do Palácio da Vila.

Em 1890 existiam na Vila de Sintra os seguintes hotéis: “Hotel Victor”, “Hotel de l'Europe”, “Hotel Durand”, “Hotel Braz”, “Hotel Nunes”, “Hotel Netto”, “Hotel Garcia”, “Hotel Sant’Anna”, "Lawrence's Hotel" e o "Hotel François", em S.Pedro de Sintra.

Após a demolição da muralha e portão de acesso ao Palácio da Vila

   

Em 1899 era construído o “Hotel Central”, que viria a ser, nas décadas seguintes e juntamente com o “Lawrence's Hotel” (1764), o Hotel Victor” (início do século XIX), “Hotel Nunes” (entre 1864 e 1875) e o “Hotel Netto” (1879), um dos mais frequentados pela aristocracia e burguesia lisboetas, mas sobretudo por ingleses, a exemplo dos outros mencionados.

 

Lista de hotéis na Villa dee Cintra em 1907

Por morte do seu fundador, António da Silva, suceder-lhe-ia a sua mulher, sendo indicada como proprietária do “Hotel Central”, «viúva de António da Silva» como se pode observar no anúncio publicitário publicado no “Guia Official dos Caminhos de Ferro de Portugal” de 1913.

1913

1913 Hotel Central

Em Julho de 1919, já o jornal “A Voz de Sintra”, informava que: «(…) o  antigo Hotel Central foi comprado pelo Sr. Ulrich Frei, tornando-se o seu novo proprietário». Ulrich Frei vinha de Lisboa, onde já era um proprietário experiente no ramo da indústria hoteleira, e tornaria o “Hotel Central”, no mais importante estabelecimento hoteleiro de Sintra, depois da grande transformação e remodelação, excedendo em comodidades e bom serviço, todos os seus concorrentes.

O “Hotel Central”, classificado desde 1930 de 3ª categoria, a par dos seus três principais concorrentes, já aparecia em publicidade de 1933, propriedade de  António de Jesus Raio, conforme anúncios seguintes. Lembro que em conjunto com o Hotel funcionavam uma barbearia e uma bomba de gasolina.

                                            1933                                                                                          1934

 

1940

Entrada e sala de jantar do “Hotel Central”

 

“Hotel Central” (elipse branca), “Hotel Nunes” (alipse vermelha) e o “Hotel Netto” (elipse branca),

Por volta de 1977, o “Hotel Central” foi ocupado por portugueses retornados vindos das ex-colónias africanas, até que o seu proprietário (que não consegui saber) adquiriu a totalidade do edifício a Norte, tendo realizado obras de remodelação, tendo aberto um “Bar”.

Mas … em 14 de Abril de 2005, o Hotel seria obrigado a encerrar por ordem do Ministério Público, em consequência do não acatamento, por parte da firma proprietária, das consecutivas ordens de encerramento, emitidas desde 2001.

Anúncio em 2002

Depois de encerrado, uns anos é vendido, em Junho de 2012, ao “Grupo Silva Carvalho”. Devido ao estado de degradação dos cinco imóveis que constituiam o edifício do “Hotel Central”, resolveu este Grupo começar por recuperar a parte principal que dá para o Terreiro do Palácio Real, tendo sido realizadas, durante um ano obras de estrutura e de decoração. Ao mesmo tempo mudaria a designação para “Central Palace Hotel”.

Seria em Sintra que este Grupo abriria os seus primeiros espaços comerciais de restauração, onde hoje possui: “Café Paris”; “Central Palace Hotel”; “Paço Real”; “Loja do Vinho”; “Hambúrguer Real no Paço”; e “Gelati di Chef”.

Actual.0

Contudo, o Hotel em si está a aguardar licença desde 2014, apesar de estarem em funcionamento todos os restantes equipamentos que são os seguintes.

No r/c:                                                                                                 No 1º andar:

Bar principal                                                                                       Sala Antero de Quental com capacidade 80 pessoas
Sala Alexandre Herculano com capacidade 30 pessoas                  Terrace Lounge com capacidade 150 pessoas

Salão Eça de Queiroz com capacidade 120 pessoas
Sala Ramalho Ortigão com capacidade 60 pessoas
Varandim com 60 lugares e Esplanada para 100 pessoas

 

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Rua dos Dias que Voam, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Rio das Maçãs, Arquivo Municipal de Sintra, Central Palace Hotel

15 de novembro de 2018

Hotel Nunes em Sintra

O “Hotel Nunes”, propriedade de João Nunes, abriu as suas portas entre 1864 e 1875, na Vila de Sintra, junto ao “Palácio da Vila” ou “Palácio Nacional de Sintra”, na Rua do Arrasario (actual Conselheiro Segurado). Nesta Rua, e em 28 de Maio de 1879, e praticamente à sua frente, abriria em 28 de Maio de 1879.,o “Hotel Netto” propriedade de José Maria Netto, e cuja história poderá ser consultada neste blog, utilizando o seguinte link: “Hotel Netto”.

Na foto seguinte: dentro da elipse branca o “Hotel Nunes” e dentro da elipse vermelha o “Hotel Netto”

Em 1863 eram indicadas no "Novo Guia do Viajante em Lisboa e Seus Arredores”, de J.J. Bordalo (Rua Augusta), as seguintes hospedarias em Sintra:
«Victor, a mais antiga e mais afamada da villa; Durand, tambem acreditada ha longo tempo; Hotel d'Europe, moderna e dependente da hospedaria do mesmo nome em Lisboa; Francois, fóra da villa, em S. Pedro de penaferrim, e outras de menos luxo. O preço do quarto e comida regula entre 1200 e 1440 réis diarios por pessoa.»

           “A Handbook for Travellers in Portugal” de 1875                                                       1877

 

No capítulo VIII do romance “Os Maias” de Eça de Queirós, publicado em 1888, o “Hotel Nunes” é referido por diversas vezes, uma delas ao descrever o passeio de Carlos e Cruges por Sintra. Carlos procura Cruges na sua residência em Lisboa, mas vem a encontrá-lo na Rua de S. Francisco, casa da sua mãe, que lhe implora para trazer queijadas. Os dois partem em direcção à vila num break, e ao chegarem perto de Sintra, Carlos informa Cruges:
«Nós não vamos para a Lawrence (hospedaria Lawrence’s) - disse Carlos, saindo bruscamente do seu silêncio e espertando os cavalos. - Vamos para o Nunes (Hotel Nunes), estamos lá muito melhor! (…)
- Vamos para o Nunes que se come melhor!. (…)
E apenas o break parou à porta do Nunes, foi-lhe ainda dar um olhar, tímido e de longe - receando alguma palavra rude da sentinela.
Carlos, no entanto, saltando logo da almofada, tomou à parte o criado do hotel, que descera para recolher as maletas. (…)
- Então, depressa dois quartos! - exclamou Carlos, com uma alegria de criança, certo agora que “ela” estava em Sintra. - E uma sala particular, só para nós, para almoçarmos.»

Pelo caminho, o recordar da Vila Velha, com o seu mercado e três dos seus hotéis: «O Nunes "das pandegas fáceis", o Victor funcionando também como uma espécie de Casino, e o Lawrence’s, o mais antigo da Península Ibérica e o mais requintado de Sintra.

No edifício onde se instalou o “Hotel Nunes” tinha funcionado desde 1850 a “Pensão de Bragança”. A propriedade pertencia nessa época ao 7º Visconde de Asseca (1825-1852), e posteriormente à Viscondessa d’Asseca . Pelos documentos abaixo publicados, José Nunes em 1903 ainda era o proprietário do Hotel. Em 1913, o “Hotel Nunes” já era propriedade do galego Antonio Lopez Alvarez.

No livro “Paço de Sintra - apontamentos historicos e archeologicos do Conde de Sabugosa” (1903)

1907

 

                                                1913                                                                                          1914

 


Nota: no anúncio publicitário anterior, de 1913, está indicado, erradamente, como proprietário António Lopes Alves. O proprietário do “Hotel Nunes” era o galego António Lopez Alvarez, irmão de José Lopez Alvarez, dono do “Hotel Netto” a que lhe sucederia Manuel Lopez Alvarez.

1933

 

1934

Em 1944, no livro “The Portugal Journal”, de Mircea Eliade, pode-se ler (depois de traduzido):

«Nós comemos no Hotel Nunes (onde comemos da última vez também); divertimos-nos e aborrecemo-nos, alternadamente, porque era um domingo e, por causa das multidões, demoraram três horas a servir a nossa mesa!). A primeira vez que estive aqui foi com A. Cotrus e a família Antohi, em Fevereiro de 1941. Tinhamos acabado de chegar de Inglaterra e eu estava à espera de dinheiro para nos permitir voar para casa. Como eu poderia ter imaginado que ficaria em Portugal quatro anos e que as coisas acabariam assim? . ..»

Em Agosto de 1967 o grupo hoteleiro “Tivoli”, adquire o “Hotel Nunes”, para o demolir e erguer um novo hotel a que chamará “Hotel Tivoli Sintra” de 4 estrelas e com 77 quartos, inaugurado em 20 de Setembro de 1980. A sua construção pelo tempo decorreram - entre 1977 e 1980 - chegaram a ser apelidadas de «obras de Santa Engrácia».

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Rua dos Dias que Voam, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Rio das Maçãs