Restos de Colecção: Centros Comerciais
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6 de janeiro de 2025

Drugstore Sol a Sol

O primeiro Centro Comercial de Lisboa, foi inaugurado com a designação de "Drugstore Sol a Sol" (à semelhança da designação inglesa na época), em 20 de Dezembro de 1967, numa cave do edifício 232 da Avenida da Liberdade, com ligação e saída/entrada à Rua Rodrigues Sampaio, 77. O primeiro Centro Comercial do país tinha sido inaugurado no Monte Estoril com a designação de "Centro Comercial do Cruzeiro", em 1951. consultar neste blog o seguinte link: "Primeiros Centros Comerciais".


Entrada modesta e discreta do "Drugstore Sol a Sol"


"Drugstore Sol a Sol" e seus edifícios vizinhos a Sul, todos construídos no final do século XIX


O edifício do "Drugstore Sol a Sol" na Avenida da Liberdade (dentro do rectângulo a vermelho) e frente ao "Hotel Tivoli"

O "Drugstore Sol a Sol" foi fundado pela empresa "Sol a Sol - Sociedade Portuguesa de Comércio Turístico, S.A.R.L." cuja escritura pública foi lavrada em 16 de Outubro de 1967. Com sede na Rua Rodrigues Sampaio, 77 e 79 tinha um capital social de 2 000 000$00 distribuído pelos seguintes sócios fundadores: Henrique Plácido Gomes, 100 000$, ou 100 acções; D. Custodia Gamito Pereira Torres, 20 000$ ou 20 accões: Samuel Azavey Torres de Carvalho, 50 000$, ou 50 accões; José Ruela de Almeida e Silva, 50 000$, ou 50 acções; Afonso Henrique de Noronha Paulino e Trancoso, 500 000$, ou 500 acções; Rui Manuel Valentim Barbosa de Carvalho, 20 000$, ou 20 accões; Pedro Miguel Lapa Matos Chaves, 500 000$, ou 500 acções; José Luis Lameiro Botas, 20 000$, ou 20 acções; Jaime Carvalho Vicente, 700 000$, ou 700 accões; e Dr. Fernando Jose Russo Roque Correia Afonso, 40 000$, ou 40 acções.




20 de Dezembro de 1967

Com 33 lojas o seu horário estendia-se entre as 9:30 da manhã  e as 23:30 da noite - «um horário que lhe permite estar (também) aberto às horas que as outras lojas fecham as suas portas». A página que publico de seguida ilustra bem este «revolucionário» estabelecimento para a época.


(clicar para ampliar)


Discoteca e crachá


"Drugstore Sol a Sol" à esquerda (na foto) do novo edifício em construção

A este "Drugstore Sol a Sol" seguiu-se-lhe o imponente e requintado Drugstore "Tutti Mundi" , na Avenida de Roma, em Lisboa e inaugurado em praticamente um ano depois deste, em 19 de Dezembro de 1968.

A vida do "Drugstore Sol a Sol" terá sido muito curta. Não consegui saber já que a sua publicidade era praticamente inexistente (tirando no mês da sua inauguração), mas na convocação de uma assembleia geral da sociedade proprietária, para 20 de Outubro de 1970 o 4º e último parágrafo da ordem de trabalhos referia: «Análise da vida social e eventual deliberação acerca da situação económica e financeira da Sociedade, com vista à definição das medidas a adoptar.» . Mas o 1º parágrafo ... «Apresentação do pedido de demissão do actual presidente da mesa da assembleia geral.», não augurava nada de bom, penso eu ...

Após o seu encerramento, a porta de entrada na Avenida da Liberdade para este estabelecimento, foi retirada e reposta a janela anteriormente substituída na fachada, como se poderá ver nas fotos seguintes.



Frente para a Avenida da Liberdade. Antiga porta do "Drugstore Sol a Sol" onde está a primeira janela, junto ao chão, à direita na foto


Antiga entrada/saída pela Rua Rodrigo da Fonseca


Antiga calçada com a denominação "Drugstore Sol a Sol" ainda resiste aos tempos ...

Quanto à empresa "Sol a Sol - Sociedade Portuguesa de Comércio Turístico, S.A.", só viria a ser liquidada e dissolvida em Dezembro de 2011.


14 de abril de 2021

Armazéns do Conde Barão

Os "Armazéns do Conde Barão" foram fundados em 21 de Dezembro de 1946, por Henrique Gomes Cachopo e José Pereira Dias, sob a firma "Rodrigues & Gomes, Lda. ", num edifício que tinha sido reedificado por João Lopes Fernandes em 1864, no Largo do Conde Barão, 42 em Lisboa.  Esta empresa chegou a contar com 420 funcionários no ramo das confecções e operando nos estabelecimentos e filiais.



23 de Abril de 1949

Publico de seguida um anúncio de um estabelecimento com o mesmo nome e no mesmo local datado de 11 de Julho de 1907. 

No semanário ilustrado "Azulejo" de 4 de Novembro de 1907 

Estes Armazéns, de estilo popular, com preços acessíveis era por isso muito frequentado, dando muita vida ao Conde Barão. à medida que foi crescendo, foi criando filiais instaladas em vilas e cidades de Portugal.

6 de Dezembro de 1973

Em 30 de Março de 1968 é inaugurada a sucursal de Vila Franca de Xira, sob a designação de "Grandes Armazéns do Ribatejo", tendo o jornal "Vida Ribatejana" noticiado o acontecimento:

"Conforme noticiámos, no último Sábado foram inaugurados, nesta vila, Rua Serpa Pinto, 1,3 e 5, os Grandes Armazéns do Ribatejo (a agregada dos Armazéns do Conde Barão, de Lisboa), que ali apresenta grande sortido de tudo quanto vende e fabrica.
Ao acto estiveram presentes os srs. Luis Rosado Féria Theotónio, ilustre presidente da Câmara e sua esposa; Joaquim Semedo Martinho, chefe da Repartição de Finanças; Luís Afonso, chefe da Secretaria da Câmara Municipal e outros funcionários municipais, comandante Miranda Branco, da G. N. R., chefe Lopes, do posto da P. S. P. desta vila, outras entidades locais, representantes da Imprensa, os sócios-gerentes dos Armazéns do Conde Barão, srs. Henrique Gomes Cachopo e José Pereira Dias, suas esposas e filhas, convidados relacionados com a gerência, etc.,etc.,etc.
Aos convidados foi oferecido um lauto lanche, durante o qual se trocaram brindes, nos quais foi salientado o progresso de Vila Franca e se bebeu pelas prosperidades daquele novo estabelecimento vilafranquense e pela saúde dos seus proprietários."


Inauguração da unidade de Vila Franca de Xira


Menú gentilmente cedido por Carlos Caria

Além das 6 unidades espalhadas por Lisboa, outras filias foram sendo abertas como as de Algés (30-04-1974), Queluz, Amadora (30-04-1971), Vila Franca de Xira (30-03-1968), Cascais (2 filiais), Torres Vedras, Moscavide, Caldas da Rainha, Ovar, Viseu, Cabanas de Viriato e Almada. 

1971


28 de Abril de 1974


Em Cascais, os "Armazéns do Conde Barão", detinham dois estabelecimentos: um perto do mercado e outro que ficava por trás do supermercado "Jumbo de Cascais", e que tinha o nome mais moderno de "Centro Comercial Conde Barão". 


Maio de 1977

Em 1980, o fundador José Pereira Dias, associado ao proprietário da cadeia de estabelecimentos "PAGAPOUCO", Manuel Martins Dias adquirem os "Grandes Armazéns do Chiado"., que viria a ser consumido pelas chamas no grande incêndio de 25 de Agosto de 1988.

Durante os anos 90 do século XX, os "Armazéns do Conde Barão" entram na sua fase descendente e acabam por encerrar definitivamente. A sua loja no Conde Barão, e já encerrada há vários anos, viria a ser alvo dum incêndio em 25 de Dezembro de 2010, que destruiu o seu interior.

Como nos perguntaria uma funcionária de supermercado: "Precisa de saco?"

José Pereira Dias em 30 de Setembro de 2018 viria a ser homenageado, na sua terra Natal, Cabanas de Viriato, numa cerimónia organizada pela "Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cabanas do Viriato", da qual é presidente da direcção.


José Pereira Dias em 30 de Setembro de 2018, com 85 anos

Numa entrevista, na altura, ao blog "Farol da Nossa Terra", José Pereira Dias, concluiu a mesma afirmando: 

«Só dizer que vale sempre a pena estar disponível e ser útil ao nosso semelhante e reconhecer o valor de cada um. É essa a conclusão a que eu chego. Estar disponível e reconhecer o valor de cada pessoa e, sobremaneira, ser amigo do seu amigo, que é uma parte muito importante, mas a disponibilidade e esforçarmo-nos por ela, essa, é na realidade o que nos torna mais humanos.»

fotos in:  Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Vila Franca de Antigamente, Farol da Nossa Terra

14 de agosto de 2018

Edifício Castil

O “Edifício Castil”, localizado na esquina da Rua Braamcamp com a Rua Castilho, em Lisboa, e projectado pelo arquitecto Francisco Conceição Silva (1922-1982), foi inaugurado em 1 de Novembro de 1973. A escultura que fica exactamente na esquina, foi da autoria de Fernando Conduto.

Edifício que foi demolido para a construção do “Edifício Castil”

 

Duas perspectivas da Rua Braamcamp antes da construção do “Edifício Castil”

 

Com a viragem do atelier de arquitectura Conceição Silva para uma estrutura  empresarial, o arquitecto viria participar no capital de algumas empresas, bem como promover os seus próprios investimentos imobiliários. Neste caso do “Edifício Castil”, Conceição Silva surge como um dos investidores tendo criado, em 1969 a “SIURBE, S.A.R.L.”, sociedade anónima cuja administração era composta pelo advogado Mário Pais de Sousa, pelo construtor Domingos Ribeiro da Silva e pelo Engenheiro Alberto Aldim, para além do próprio arquitecto. A sua promoção ficou a cargo da “GI - Sociedade de Gestão Imobiliária, S.A.R.L.”

                                  26 de Outubro de 1972                                                            6 de Dezembro de 1972

 

9 de Dezembro de 1972

Com a sua construção iniciada em 1970, e concluída em 1973, o edifício, tem cerca de 12.974,08 m2 de área bruta de construção e 2.112,39 m2 de área de implantação, com 15 pisos e uma praça interna que dá acesso às lojas nos pisos 5º, 6º e7 º, aos escritórios nos pisos 8º ao 15º e um estacionamento subterrâneo com três caves, com capacidade para mais de 200 lugares para utilização pública.

“Edifício Castil” e “Centro Comercial Castil”, nos anos 70 do século XX

 

 

Pisos de escritórios

Castil.1            Castil.2

Castil.6

Castil.3             Castil.4

Antes da sua inauguração oficial, e ainda com este em fase de acabamentos, tinha já sido inaugurado em 2 de Fevereiro de 1973, o “Cinema Castil”, com 508 lugares. Quanto a este Cinema consultar, neste blog, o seguinte link: “Cinema Castil”.

O “Edifício Castil”  além de ter inaugurado o quarto Centro Comercial de Lisboa, (quinto a nível nacional) foi também o primeiro edifício do país a ter um sistema de controle de parqueamento, e o primeiro a ter um sistema de ticket em que a barreira de entrada só abria depois de se retirar o título e com o mesmo bilhete, depois de pago, poderia sair-se do mesmo.

Em 28 Janeiro de 2008, por Despacho do Ministério da Cultura, o “Edifício Castil” foi classificado como “Imóvel de Interesse Público”.

“Edifício Castil” e “Centro Comercial Castil”, por ocasião do seu 40º aniversário em 2013

  

  

  fotos da autoria de Fernando Guerra

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Edifício Castil