Restos de Colecção: Rádio
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15 de novembro de 2023

III Exposição de T.S.F. em 1930

A "III Exposição de T.S.F.", foi inaugurada na "Sociedade Nacional de Belas Artes", em Lisboa, em 13 de Dezembro de 1930, pelo Chefe do Estado, General Óscar Carmona. «O sr. Presidente da República, manifestou desde logo a boa impressão que lhe causara o aspecto geral do certame, visitando depois todos os "stands" dos quais damos abaixo uma nota discriminada.»

Inauguração da "III Exposição de T.S.F." na "Sociedade Nacional de Belas Artes"



Reportagem na revista "Ilustração Portuguesa"

Os stands participantes no evento foram os seguintes: "Philips" representada pela "Sociedade Comercial Philips Portuguesa""Clarion" representada pela "Casa Serras"; "His Master's Voice" representada pelo "Grande Bazar do Porto"; "Ducretet" representada pela "Costa & Arez, Lda."; "Burndept" representado pela casa "Vasco Alcobia"; "Fada" representada pela firma "Mantua, Lda."; "Stromber-Carlson" representada pela "Radio Portugal"; "Atwater Kent" representada pela "Nacional Radio, Lda."; "Agência Tecnica e Comercial, Limitada"; "AEG Telefunken"; "Stern & Stern" representada pela "Jayme da Costa, Lda."; "J. Coelho Pacheco".

Exemplos de rádios "Philips"

Nova sede da "Philips Portuguesa" em 1930, na Avenida da Liberdade


1 de Fevereiro de 1931


"Casa Triumpho" de Virgilio Ribeiro (fundada em 1899), agente "Philips", na Rua Augusta em Lisboa



1930


Loja do "Grande Bazar do Porto" representante da "His Master's Voice" em Portugal, na Rua Augusta



1 de Dezembro de 1930




13 de Dezembro de 1930



16 de Janeiro de 1931




13 de Dezembro de 1930





22 de Dezembro de 1930


Sede da "Nacional Rádio, Lda.", na Praça da Figueira (antiga Rua da Betesga), em foto de 1968

«O sr. general Carmona, que se demorou largo tempo no recinto da exposição, retirou-se pouco antes das 16 horas depois de ter felicitado os espositores pelo exito do notavel certame.». Mas sem antes ...

«O sr. A. Atwater enviou a S. Exª o Sr. Presidente da Republica, por intermédio do seu distribuidor geral Alfredo A. Cunha e dos seus representantes no Sul e Centro "Nacional Rádio, Lda." juntamente com uma placa de oiro, um aparalho combinação rádio-grafonola - um lindo móvel.»

Na foto seguinte o Presidente Óscar Carmona a sintonizar o rádio-grafonola "Atwater Kent" oferecido por esta marca, conjuntamente com uma placa de oiro, visível na tampa.


E, pelos vistos, esta oferta terá resultado em cheio nas vendas da "Atwater Kent", nesta exposição, a fazer fé no anúncio seguinte ...


31 de Dezembro de 1930

Quanto aos preços dos aparelhos ali expostos transcrevo uma carta de João Senfilista Pobre, dirigida ao director do jornal "Diario de Lisbôa" em 22 de Dezembro de 1930:

«Sr. drector: - Fui visitar a exposição de T.S.F. e percorri atentamente todos os stands nos quais se expõem com profusão inumeros aparelhos, todos eles com aparencia luxuosa que deveras encanta. Indaguei dos preços e ouvi: - Sete contos, cinco contos e tal, quatro contos e tresentos, dois contos e quinhentos, etc., tudo seguido de elogios, afirmando ouvir-se com segura selectividade Londres, Roma, Milão, Turim, Toulouse, espremendo e arrastando muito o ouse, como que a vincar que em Portugal se não pratica a radidifusão, o que não é verdade, pois que graças a varios carolas benfeitores (e bem hajam por tal) isso é já, dentro do relativo, uma esplendida realidade no nosso país.
Retirei desorientado! Pois os nossos industriais e representantes de casas estrangeiras esqueceram, lamentavelmente, os pobres que não têm contos de réis para poderem usufruir os benefícios requintados de tão interessante invenção, não levando á exposição aparelhos modestos e ao alcançe das classes pobres e com os quais se poderia ouvir as estações locais, e das quais, todavia, se servem para demonstração dos aparelhos caros que desejam vender. Não seria possível, a uma casa do genero, fazer o que fez, na questão de automóveis, a Cooperativa dos Chauffeurs, lançandos os "palhinhas" da T.S.F.? - João Senfilista Pobre.»

Não se fez esperar a resposta, por parte de um dos expositores, no dia seguinte:

«Sr. Director
No jornal de ontem, de que v. é mui digno director, lêmos uma carta assinada por "João Senfilista Pobre", dizendo encontrar-se desorientado com os preços dos aparelhos expostos na III Exposição de T.S.F.
Sentimos que a êste senhor tenha passado despercebido o nosso "stand", porquanto nêle temos expostos os nossos aparelhos M B por preços acessíveis a todos os senfilisttas pobres.
De v., etc. - Pela Agencia Tecnica e Comercial Limitada, Luis Pereira.»

A "III Exposição de T.S.F.", encerraria a 31 de Dezembro de 1930.

fotos in: Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Nacional da Torre do Tombo

2 de dezembro de 2018

Clube das Donas de Casa e Cabaz do Natal

O “Programa CDC” ou “Programa do Clube das Donas de Casa”, teve início na “Rádio Renascença” em 1960 e transmitido em Onda Média (AM), com Armando Marques Ferreira e Victor Marques como realizadores. A partir de 1964, passaria a ser transmitido pelo "RCP - Rádio Clube Português", tendo como realizadores Henrique Mendes e Júlio Isidro. Neste programa, dois locutores conversavam, com enfoque no público feminino, e transmitidos à tarde em que eram dados conselhos, sugestões e era promovido o célebre “Cabaz do Natal”.

                          1962                                                            1968                                                             1973

  

Foi neste programa que foi lançado o concurso "Abril em Portugal", e a eleição da "Mulher Ideal Portuguesa", com provas eliminatórias de culinária, decoração, moda e leitura. Este programa conjugava locutores consagrados ou em começo de carreira, tais como: Dora Maria, Luís Mendonça, Víctor Marques, Armando Marques Ferreira, Maria João Baião, Costa Pereira, Henrique Mendes, Maria João Aguiar, João David Nunes, Júlio Isidro, Maria Helena d'Eça Leal, Ana Zanatti, Fernando de Almeida, Fernando Rocha e Maria Eugénia.

Duas reportagens do concurso “Mulher Ideal Portuguesa”

O móbil do “Programa CDC”, era a venda do "Cabaz do Natal", que tinha sido criado em 1960 e que era publicitado ao longo do ano. Dez anos depois este objectivo cedeu espaço a outros momentos no programa, ao longo do ano. Assim, o "Clube das Donas de Casa", em 26 de Novembro de 1973, tornou-se numa marca e numa empresa de sociedade anónima de responsabilidade, cujo objecto da mesma era o «comércio de produtos alimentares e a prestação de serviços de interesse para as donas de casa», e a incorporação das "Produções Sol" na actividade radiofónica.

15 de Fevereiro de 1964

                                             1966                                                                                         1976

 

                                             1976                                                                                          1985

   

Para termos uma ideia das preferências e audiências no panorama musical português na Primavera de 1970, um inquérito feito pela empresa “Norma”, a uma amostra de sete mil ouvintes de rádio, apresentou os seguintes resultados: “Emissora Nacional” tinha 39% da audiência total, seguida de perto pelo “Rádio Clube Português” com 36%, vindo depois a “Rádio Renascença” com 15%, a “Rádio Graça” com 4% e os “Emissores Norte Reunidos” e os “Emissores Associados de Lisboa”, ambos com 3% cada. Em termos de género de programas, os inquiridos davam a primazia a noticiários (38,6%), seguindo-se teatro (23,7%), discos pedidos (18,5%), música portuguesa (14,6%), fados (10,3%), programas desportivos (10,2%), música na estrada (5%), folclore (4,7%) e serões para os trabalhadores (3,9%). Dos programas, a distribuição fazia-se do seguinte modo: “Parodiantes de Lisboa” (18,3%), “Quando o Telefone Toca” (9,8%), “Clube das Donas de Casa” (4,6%), “PBX” (4,2%), “23ª hora” (3,6%), “Talismã” (3,6%), “Enquanto for Bom Dia” (2,4%), “Tempo Zip” (2%), “Página 1” (2%) e “Radiorama” (2%).

1972

A administração da nova empresa “Clube das Donas de Casa, S.A.R.L.”, com sede na Rua Luciano Cordeiro, 89 (esquina com a Rua Conde Redondo) era constituída por Carlos Pereira dos Santos, criador do conceito "Clube das Donas de Casa", representantes da empresa "Planco - Comércio Internacional", que seria substituída, em 1974, pela empresa "Pão de Açúcar, S.A.", e pela "A Social - Companhia Portuguesa de Seguros" (1927-1997).

Fotos do edifício-sede do “Clube das Donas de Casa, S.A.R.L.” (à esquerda em ambas as fotos)

 

Com estas alterações também o "Cabaz do Natal" foi restruturado, «cuja componente alimentar é fruto de grandes preocupações, dadas as constantes e explosivas alterações de preços», foi, igualmente promovida uma campanha de angariação de assinaturas da revista "Donas de Casa", ao mesmo tempo que era lançado um sistema de vendas por correspondência. No ano seguinte, 1974, a empresa lançaria "Cursos para a Mulher" e prosseguia coma "Oferta à Leitora".

                            1965                                                         1967                                                          1969

                                                                                              1976

 

1976

Um exemplo de cooperação entre os dois veículos mediáticos (rádio e revista) foi uma emissão sobre segurança nas praias e o papel dos nadadores-salvadores. Para a revista, Maria João Aguiar fez de mulher que se atirava ao mar mas que seria salva pelos nadadores. Para a rádio, contou com a experiência da reportagem na água.

Recordo que Maria João Aguiar, trabalhava na empresa de aviação "Canadian Pacific Airways" desde 1956, colaborando, entretanto, num programa de televisão com Henrique Mendes, que a viria a convidar para integrar a equipa do programa radiofónico "Programa CDC", o que viria a acontecer em 1965. O casamento de Maria João Aguiar viria a ser um acontecimento mediático, só com paralelo com o que acontece actualmente como eventos de celebridades nas revista da especialidade.

Em Maio de 1970, e para comemoração do seu aniversário a emissão do “Programa CDC” efectuou uma transmissão em directo, a partir da Discoteca Universal”, na Rua do Carmo, em Lisboa, do programa  com Ana Maria Lucas, Miss Portugal, e trinta manequins profissionais a promoverem um desfile de moda. Na linguagem da locutora, Maria João Aguiar, a emissão teria mise-en-scène ao recriar a moda dos anos 30 do século XX. A emissão provocou grande impacto junto do público presente e pelo engarrafamento de trânsito, que, então circulava na Rua do Carmo. Na passagem de trinta modelos, a locutora Maria João Aguiar explicou os modelos descrevendo os tecidos, enquanto o locutor Henrique Mendes seleccionava e colocava a música.

Em 1974, a empresa “Clube das Donas de Casa, S.A.”, alargaria a sua área de actividade a Angola, mais concretamente a Luanda, com a emissão diária de um programa de rádio.

E para terminar … outro tipo de “Cabaz do Natal”, de 1968, que merece aqui ser recordado

Bibliografia: “Estudos da Rádio em Portugal” de Rogério Santos - Universidade Católica Editora

fotos in: Ilustração Portuguesa, Hemeroteca Municipal de LisboaArquivo Municipal de Lisboa, Rua dos Dias que Voam