Restos de Colecção: 2020

29 de novembro de 2020

Antigamente (153)


3 Funcionários para atender um "Jaguar" MK VIII, num posto da BP ...




Stand da "CRGE - Companhias Reunidas de Gaz e Electricidade", em 1937


Quiosque na Av. da Liberdade, em Lisboa



Boeing 747-282 B da TAP em Johannesburg em 1973 (fotos de George Woods)

21 de novembro de 2020

Garage "Panhard-Palace"

A garage e oficina automóvel "Panhard-Palace", foi fundada pelo engenheiro Ricardo O'Neill em 1906 na Avenida da Liberdade, 87 K-N, em Lisboa, tendo para tal sido criada a firma "Ricardo O'Neill & C.ª Engenheiros". Comercializava, igualmente "Barcos Automóveis" da fábrica francesa "Tellier Fils et Gerard".



19 de Março de 1906


                                                     1906                                                                           1907

O engenheiro Ricardo O'Neill já se tinha tornado, em 1904, importador da já famosa marca de automóveis "Panhard & Levassor" e fabricada pela empresa francesa "Société Anonyme des Anciens Etablissements Panhard et Levassor", a partir do seu escritório no 2º andar do nº 128 da Rua d'El-Rei (mais tarde Rua do Comércio), em Lisboa.

17 de Outubro de 1904

Mas 14 de Março de 1903 a "Panhard & Levassor" ainda era representada pela ...


Consultar: "Garage Beauvalet"

Quando D. Jorge de Avilez - 4º Conde de Avilez -  importou para Portugal o primeiro automóvel com motor a explosão, um "Panhard & Levassor" o facto não constituiu motivo de reflexão ou de ponderação histórica. Fez história ao tornar-se cliente da casa "Panhard & Levassor", marca pioneira no panorama da indústria automobilística francesa – e, necessariamente, mundial. O próprio Conde deverá ter ignorado ou menorizado o facto de alguns meses antes se ter importado para o nosso país o primeiro veículo com motor a explosão, uma bicicleta com motor, que foi despachada na Alfândega de Lisboa em 29 de Julho de 1895. – título atribuído D. Carlos, por decreto de 29 de Outubro de 1891 - era um rico proprietário alentejano, com património distribuído por diferentes zonas do Alentejo: Portalegre, Beja, Ferreira, Santiago do Cacém, Messejana, Ourique, Mértola, Almodovar e Castro Verde e era casado com D. Maria Amália do Cabo Arce Tomás, denominada como Morgada da Apariça, figura conhecida da pequena nobreza local, a qual viria a falecer em 1898.


Conde d'Avilez no seu "Panhard & Levassor"

Passo a transcrever um excerto do livro "História do Primeiro Automóvel Entrado em Portugal" da autoria de Alfredo Duro (Ed.1953):

«Fez no passado dia 29 de Julho, cinquenta e oito anos que foi despachado na Alfândega de Lisboa o primeiro automóvel ligeiro accionado por motor de explosão: um Panhard et Levassor, comprado em segunda mão, em Paris, pelo Sr. Conde de Avilez (Jorge). Desse carro sem cavalos tem-se ocupado a imprensa através dos tempos, em artigos e simples notas, por vezes destituídas de verdade técnica e histórica. (…) Foi esse automóvel despachado na Alfândega de Lisboa, após laboriosos trabalhos de classificação para fins pautais. Despachado o veículo foi este trazido encaixotado numa galera para as oficinas de carruagens de aluguer de Joaquim Martins Areias, na rua dos Sapateiros, 151 a 153. Aberto o caixote e preparado o Panhard et Levassor a fim de seguir viagem para Santiago do Cacém, onde residia o sr. Conde de Avilez (Jorge), no respectivo depósito de combustível, como ordenava o fabricante num prospecto que acompanhava o carro, foram vazados uns tantos litros de petróleo. Porém, por muitas voltas que fossem dadas à manivela, o motor não dava sinais de vida... não roncava! Porém, substituindo o combustível, ninguém quis dar à manivela do motor com receio de uma explosão! (…) Resolveram chamar um moço de esquina (…) e após meia dúzia de voltas o motor do Panhard et Levassor começa a funcionar normalmente. Iniciou-se a viagem de Lisboa até Palmela, que decorreu sem incidentes, porém, na passagem daquela vila se não fossem os bons travões do carro e o sangue-frio do sr. Conde de Avilez (Jorge) para evitar de matar um burro, o auto ter-se-ia voltado e o condutor e passageiros não sabemos qual teria sido a sorte de todos eles! (Nota – Não foram os travões, como erradamente afirmamos, que evitaram um grande desastre mas sim o burro! Quando o Panhard descia a estrada a caminho da vila de Palmela, surgiu-lhe pela frente um burro carregado de canas que, em vez de fugir, enfrentou o automóvel e aguentou o choque. Claro, o burro morreu e o sr. Conde de Avilez (Jorge) pagou ao dono, à Família Folque de Palmela, o melhor de dezoito mil réis, quando um burro naqueles tempos custava apenas cinco mil réis! 


Portanto, foi este o primeiro acidente de viação produzido com um automóvel no nosso país. (…) A chegada do Panhard et Levassor a Santiago do Cacém constituiu um sensacional acontecimento como é de calcular. O sr. Conde de Avilez (Jorge) percorreu, com ele, todas as vilas e aldeias em redor, provocando grande pasmo e os comentários das populações e dos seus amigos. Esse célebre automóvel foi baptizado pelo povo com o nome de Gasolina. Nesse tempo não existiam mecânicos aptos para afinarem um automóvel; apenas se encontravam ferreiros e estes, quando muito, sabiam ferrar as bestas e substituir, embora mal, os veterinários na ausência destes, porque a técnica mecânica automobilística era alfabeto grego... De maneira que o Sr. Conde de Avilez (Jorge) era o «chauffeur» e o mecânico do seu Panhard, para o que tinha certa arte. Mas um dia, o Panhard teve uma panne difícil de resolver, que o imobilizou e, por isso, veio para Lisboa, entregue à Empresa Industrial Portuguesa a fim de ser devidamente reparado.»

Para se ter uma ideia do custo desta viatura, basta dizer que "Panhard & Levassor" mais barato, o de 8 cv, custaria ao tempo 6.000 FF e o de que o salário médio mensal ascenderia a 523 FF.

Lembro que o primeiro automóvel adquirido pela Casa Real foi um "Panhard & Levassor", de quatro cilindros, em 1898, numa altura em que haviam em Portugal muito poucos veículos com essas características.

"Panhard & Levassor" similar ao do Conde d'Avilez

Ainda em 1904, surgiriam na capital vários novos distribuidores para o sector automóvel: António Sarmento, que começa por distribuir a "Richard-Brazier" - que no final desse ano transitará contratualmente para a "Sociedade Portuguesa de Automóveis" - e a marca "Mors", com a qual consolidará a sua actividade; o Engº Ricardo O’Neill, que arrancará com a importante marca "Panhard & Levassor"; e finalmente, os irmãos Black, que formam a empresa "A & H. Black", situada na Rua da Boa Vista, a qual assegura a representação das marcas "Mercedes", "Brooke" e "Delahaye".

A "Panhard & Levassor", distribuída pelo Engenheiro Ricardo O’Neill, mantinha nesse ano a quota de mercado de 7,3%.


Luís O'Neill, num "Panhard" nas Caldas da Rainha em 8 de Junho de 1906


7 de Janeiro de 1910

Quanto às instalações da "Panhard-Palace" passariam para a propriedade da "Sociedade Portuguesa de Automóveis, Lda." que ali instalaria uma loja para venda de acessórios para automóveis. Já em 1908 esta empresa ficaria comas representações da "Ricardo O'Neill & C.ª Engenheiros" como se pode atestar pelo anúncio publicitário seguinte de 1908.



E para terminar, e caso esteja interessado em adquirir um exemplar, aqui fica um anúncio de 7 de Janeiro de 1910. Não garanto que ainda vá a tempo, mas pode tentar ...


15 de novembro de 2020

Verol & C.ª - Livraria e Papelaria

A livraria e papelaria "Verol & C.ª" que esteve instalada na Rua Augusta 134-136, foi fundada em 1836 na Rua dos Algibebes, em Lisboa, pelo encadernador Antonio Maximo Verol Senior  Mantinha as suas oficinas de encadernador na R. Arco do Bandeira, em Lisboa. Viria a ser ampliada em 1900.



A "Verol &C.ª", que era mais conhecida como "Casa do Militar à Porta", tinha um boneco à entrada, de terracota, e, entre artigos comuns de papelaria, editava e vendia folhas de soldados de papel, que custavam meio tostão.

Victor Verol contava, em 1916:

«O papeleiro Verol era meu pae, a sua profissão era encadernador, estabelecendo-se em 1836 na rua, então muito vulgar, dos Algibebes, passando depois para a rua d'Alfândegae d'ahi para a rua Augusta, sempre com officina de encadernador, a que juntou mais tarde a papelaria. Meu pai falleceu a 25 de Fevereiro de 1898.O apellido Verol provinha-lhe de seu avô, que er italiano, natural de Genova, d'onde veiu para Lisboa, no tempo do Marquez de Pombal, para a fabrica de ceramica do Rato, indo d'ahi para Bellas, ou suas proximidades, onde estabeleceu uma fabrica da sua especialidade, e ali constituiu familia, cuja descendencia á toda portugueza.»


1891


1909

«Era muito conhecida pela juventude daquela época», recorda o neto. Carlos Cutileiro. Alberto Cutileiro, pai de Carlos, trabalhou na Verol até o seu pai morrer. Nessa altura, foi convidado para trabalhar no Museu da Marinha e ficou sem tempo para a loja. A casa fechou. 


Factura em 30 de Agosto de 1917

Nas Papelarias e livrarias como as "António Máximo Verol Júnior", "A. A. da Silva Lobo", "Estêvão Nunes e Filho", "João Pereira da Silva e Filhos", ou da "Livraria Ferin", é possível afirmar pelo menos a ocorrência de uma transição do negócio de pais para filhos.

Verol Junior no livro "A Triste Canção do Sul"  - Alberto Pimentel (1904):

«Disse-me o sr. Verol Junior tencionar imprimir uma collecção de Fados, que abrange todos os periodos da historia de Portugal.»


Excerto do livro "A Triste Canção do Sul" (1844)

Em 1918, a "Livraria Verol & C:º" transformava-se em "Livrariria Verol, Suc." e mudava-se para a Calçada do Combro, 121, em Lisboa.

7 de novembro de 2020

Documentos de Contabilidade em 1919

Para se ter uma ideia do tipo de documentos utilizados em contabilidade em 1919, aqui fica uma amostra retirada do livro "Compêndio Prático de Escrituração e Contabilidade Comercial", da autoria de Joaquim José de Sequeira (Guarda-Livros-Perito e Professor de Comércio, desde 1888) e composto e impresso pela "Livrarias Aillaud e Bertrand".