Restos de Colecção: Telefone
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15 de setembro de 2019

Cabines Públicas da APT no Rossio

A sucursal da APT - "The Anglo Portuguese Telephone, C.º Ltd.", com 15 cabines telefónicas públicas, foi inaugurada em Março de 1931, na Praça D. Pedro IV (Rossio) esquina com a Praça D. João da Câmara, em Lisboa, mesmo ao lado do antigo e famoso "Café do Gêlo".



Esta sucursal da APT veio ocupar uma loja anteriormente arrendada à "Vacuum Oil Company" (futura "Mobil Oil"), desde 1927, e que ali vendia produtos como fogões, esquentadores, caloríferos, cadeeiros, etc. da marca. Por sua vez o anterior arrendatário tinha sido a "J. J. Rugeroni" que já vendia produtos desta companhia, - tendo a "Vacuum Oil Company" reservado, para o efeito, as montras 1 e 2 da Praça D. João da Câmara. Esta, por sua vez, tinha substituído a anterior "Rugeroni & Rugeroni, Lda." importadora dos automóveis "Cadillac" e "Rolls-Royce" para Portugal. Esta firma, por sua vez, tinha substituído a anterior "Castanheira & Rugeroni, Lda.", ali, desde 1913 e que já era importadora da "Rolls-Royce" além das marcas de automóveis "Napier" e "La Metallurgique", e dos pneus "Goodrich" e "Fisk".




A  companhia APT - "The Anglo Portuguese Telephone, C.º Ltd." viria, aliás, a aproveitar a decoração tanto interior como exterior, do luxuoso stand de automóveis mandado construir pela firma "Castanheira, Lima & Rugeroni, Lda." e inaugurado em 23 de Junho de 1913.


Por sua vez, o trespasse desta loja tinha sido adquirido, pela "Castanheira, Lima & Rugeroni, Lda." à firma "Alves & Baptista, Lda.", última proprietária da papelaria, livraria e tipografia "Mattos Moreira & C.ª".

Livraria Editora e papelaria "Mattos Moreira & C.ª"


25 de Dezembro de 1879


Talão de "Cabine Publica" em 14 de Junho de 1930

gentilmente cedida por Carlos Caria

Publicidade em 16 de Maio de 1931


Interior da sucursal da APT aquando do "Concurso de Telefone Mistério" em 1931


Interior da sucursal da APT do Rossio reproduzido na revista "Pirilau", estreada no "Teatro Variedades" no "Parque Mayer" em 25 de Junho de 1932


No início de 1945, esta sucursal da APT - "The Anglo Portuguese Telephone, C.º Ltd.", no Rossio é encerrada temporariamente para obras de renovação, interior e exterior, sob projecto do arquitecto Francisco de Assis tendo a respectiva decoração interior ficado a cargo de Pinto Lobo. Viria a ser inaugurada em 8 de Dezembro do mesmo ano.



Alguns cartazes que foram expostos nesta sucursal




Por ocasião da sua inauguração, o jornal "Diario de Lisbôa" descrevia assim as novas instalações:

«Melhorada e modernizada, reabriu hoje a estação de telefones do Rossio, agora com 24 cabines, dotadas de estantes para tomar notas, de cinzeiro, espelho e vidros refractários ao mau hábito de escrever nas paredes. Não foram esquecidos os empregados que ali prestam serviço e que têm vestuários pessoais, cozinha para aquecimento de refeições e serviços sanitários.»

Incluídos no seu programa «Cinco Anos de Trabalho», a APT anunciava no mesmo dia:


«Durante o proximo ano de 1946, a Companhia propõe-se concluir mais as seguintes importantes obras: a nova central automática da Trindade; a nova estação do Campo Pequeno, em construção na Avenida de Berna, para outra central automática; instalar novos cabos entre Lisboa e Cascais, Lisboa e Sintra, e Lisboa e Torre da Marinha; e alargamento e refôrço da sede de Lisboa.»



gentilmente cedida por Carlos Caria

"Telefones" em 1961


A existência desta sucursal, que a partir de 1 de Janeiro de 1968 passou para a propriedade da TLP - Telefones de Lisboa e Porto, E.P." (data da sua fundação), teve uma vida longa até ao primeiro decénio do século XXI, altura em que já a "PT Comunicações, S.A." era sua detentora.

Maio de 2009 (Google Maps)


Viria a encerrar definitivamente e penso que ainda se encontra devoluta.

Agosto de 2018 (Google Maps)


22 de julho de 2015

Estações dos CTT do Chiado e Santa Justa

Em Janeiro de 1963, era inaugurada a nova “Estação Urbana de Santa Justa”, dos CTT em Lisboa. Na pagela de inauguração que abaixo publico pode-se ler:

«A nova estação de Santa Justa que é hoje inaugurada, é a 45ª e destina-se a servir a baixa comercial de Lisboa. Foi Possível instala-la a 550 metros de cada uma das três estações que até agora serviam os utentes dessa área, no Terreiro do paço, no Socorro e nos Restauradores.»

Interior da Estação dos CTT de Santa Justa inaugurada em Janeiro de 1963

Pagela da inauguração

Estação CTT Santa Justa.3

Estação CTT Santa Justa.4

A nova “Estação Urbana do Chiado” dos CTT, em Lisboa, inaugurada em Dezembro de 1963 e instalada na esquina da Praça Luís de Camões com a Rua da Horta Seca, foi resultado da reinstalação da "Estação Urbana do Chiado", existente no mesmo local desde 1932, em edifício adaptado aos serviços pela "Delegação dos Edifícios para os Serviços dos CTT", dependente da "Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais".

Interior da Estação dos CTT do Chiado inaugurada em Dezembro de 1963

Pagela da inauguração

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Portuguesa das Comunicações

8 de março de 2015

Standard Eléctrica

A “Standard Eléctrica, SARL” foi fundada pela multinacional “ITT Corporation”, em 1932, com sede na Rua Augusta, em Lisboa, e com instalações fabris inicialmente em Cabo Ruivo, passando para a nova fábrica projectada pelo arquitecto Cottinelli Telmo, na Avenida da Índia, a partir de 1948.

 

Na sequência da realização da "Exposição do Mundo Português de 1940" em Belém, a Avenida da Índia era uma das artérias da capital recentemente nobilitadas, integrada no plano para a faixa ribeirinha compreendida entre Alcântara e o porto de pesca de Pedrouços que foi elaborado pela "Comissão Administrativa do Plano de Obras da Praça do Império e Zona Marginal de Belém" dirigida pelo arquitecto Cottinelli Telmo e pelo engenheiro Sá e Melo.

1940

Na sequência em 1944 o arquitecto José Ângelo Cottinelli Telmo (1897-1948), dá início ao projecto do edifício de acordo com um "esquema de planta" elaborado pela delegação da “Standard Eléctrica” em Madrid e destinado à construção de uma instalação industrial na zona ribeirinha ocidental de Lisboa. Em 1948 são concluídas as obras iniciadas três anos antes.

1947

Projecto inicial do arquitecto Cottinelli Telmo

 

Nesta nova fábrica da “Standard Eléctrica”, lança-se na produção industrial de equipamento de telecomunicações para os “CTT” e “TLP” e de equipamentos de rádio para as Forças Armadas e, mais tarde, na produção de televisores.

1948

Em Junho de 1968, inaugura uma fábrica em Cascais, onde, actualmente, se encontra sedeada, e amplia a sua gama de fabrico aos semicondutores destinados ao mercado de exportação.

 

 

 

 



 

 

A “ITT Corporation” no ano de 1973, já detinha em Portugal as seguintes empresas: “Standard Eléctrica SARL”, “ITT Semicondutores”, “Rabor- Construções Eléctricas SARL”, “Hotéis Sheraton de Portugal SARL”, “Oliva Comercial SARL”, “Oliva Industrias Metalúrgicas SARL”, e “Imprimarte - Publicações e Artes Gráficas SARL” que editava as listas telefónicas “Páginas Amarelas”.

A “Standard Eléctrica, S.A.” viria a ser incorporada, na “Alcatel Portugal, S.A.”, subsidiária da francesa “Alcatel”, - hoje “Alcatel Lucent” resultado da fusão entre as empresas “Alcatel” e “Lucent Technologies” - e que viria a ocupar as instalações da antiga “Standard Eléctrica”, em Cascais.

Stands da “Standard Eléctrica” na “FIL - Feira das Indústrias de Lisboa

Na segunda metade da década de 70 do século XX o edifício da “Standard Eléctrica” na Avenida da Índia é desafectado do seu uso inicial e, na sequência do processo de descolonização que se seguiu à revolução de Abril de 1974, o edifício foi utilizado como depósito de mercadorias, provenientes das ex-colónias de Portugal em África. Seguiu-se um período de abandono, de vandalização e progressiva degradação da construção. Em 1977 a Câmara Municipal de Lisboa aprova um projecto que prevê a demolição das antigas instalações da “Standard Eléctrica” e a construção de edifícios em torre no seu lugar, o que gerou uma grande polémica, pelo que não teve sequência.

Em 1980, o edifício acolhe provisoriamente uma extensão da “Escola Secundária Rainha D. Amélia” (cuja sede ocupa então o palacete Ribeira Grande na Rua da Junqueira) e posteriormente, passa a ser utilizado como escola da “Orquestra Metropolitana de Lisboa” e do “Hot Clube de Portugal”, tendo sido também pontualmente usado como local de exposições de iniciativa municipal, nomeadamente o “Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada”. Em 1991 instala-se no piso térreo a “Escola de Comércio de Lisboa”, e no ano 2000 os arquitectos Gonçalo Byrne, Manuel Mateus e Francisco Mateus projectam um edifício destinado à nova sede da “Orquestra Metropolitana de Lisboa” (“Casa da Música de Lisboa”) a ser construído no lote da antiga “Standard Eléctrica”, no terreno livre existente à retaguarda, projecto que também não teve sequência.

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian