Restos de Colecção: Teatros
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11 de novembro de 2018

Cine-Teatro S. José em Cascais

O Cine-Teatro "S. José", propriedade de José Afonso Villar e projectado em 1958 pelos arquitectos Joaquim Ferreira e Gonzaga Bronze, foi inaugurado na vila de Cascais em 19 de Março de 1959.

Quanto à sua inauguração o jornal “Diario de Lisbôa” anunciava:
«A inauguração do S. José faz-se esta noite, com a apresentação da peça "Tá-Mar», de Alfredo Cortez num espectáculo de gala, a que assiste o chefe de Estado. A companhia do Nacional desloca-se a Cascais, com o prestígio do seu nome e do autor levado ao Festival de Paris. Amanhã a mesma companhia, irá ali representar "O Processo de Jesus". Depois, o Cinema chamará a nova casa de espectáculos às suas verdadeiras funções.»

Com os trabalhos de engenharia da responsabilidade do engenheiro Nunes Abrantes e a decoração interior a cargo de Fred Kradolfer, esta sala de Cinema e Teatro tinha capacidade para 998 espectadores, distribuídos pela plateia e dois balcões, e servida por dois foyers e dois bares.

Numa das suas lojas instalou-se em Junho de 1960 a famosa geladaria “Gelados Santini”, que tinha tido a sua primeira loja no “Tamariz” no Estoril, fundada em 26 de Agosto de 1946.

 

Com «ar renovado, quente e refrigerado» o seu palco foi montado sob a direcção do mestre Mota do "Teatro Nacional de S. Carlos" em Lisboa, e equipado com um écran gigante.

  

   

Programa de Fevereiro de 1970

                               

Bilhete para 18 de Abril de 1965


folheto de cinema, programa e bilhete gentilmente cedidos por Carlos Caria

O “Cine-Teatro S. José” encerraria definitivamente em 26 de Janeiro de 1978, com a última exibição do filme “O Último Comboio do Katanga”.

Já na década de 80 do século XX foi adaptado para comércio e escritórios, com projeto do arquiteto Gil Graça, tendo perdido as caraterísticas arquitetónicas que o caraterizavam, sobretudo por via da introdução duma enorme estrutura envidraçado que passou a revestir integralmente a sua fachada principal e parede lateral, passando a designar-se “Edifício S. José”.

 

foto in: Delcampe.net, Vasco Morgado, Arquivo Municipal de Cascais

2 de outubro de 2018

Teatro Gil Vicente em Cascais

O "Theatro Gil Vicente", localizado em Cascais e propriedade de Manoel Rodrigues de Lima, foi inaugurado em 15 de Agosto de 1869, com o drama "Ermitão da Cabana" e a comédia "Matheus o Braço de Ferro", interpretada por um grupo que faziam parte da extinta "Sociedade Recreativa Cascaense", fundada em 1844.

Este Teatro foi construído no local onde tinha existido outro pequenino, adaptado dum armazém e adega, na Rua da Victoria. A sua construção começou em 8 de Março de 1868, tendo sido seu construtor José Vicente Costa, o «carpinteiro de Caparide».

Depois da morte do seu primeiro proprietário, Manoel Rodrigues de Lima, o "Theatro Gil Vicente" foi adquirido em hasta pública pelos Condes de Magalhães, que por falecimento destes seria herdado pela Marqueza de Lierta, que, e segundo Souza Bastos, era a proprietária em 1909.

«E' n'este theatro presentemente a séde da "Associação Humanitaria Recreativa Cascaense" com 4 secções: bombeiros voluntarios, phylarmonica, grupo dramatico e socios contribuintes. O theatro aluga-se com iluminação musica, porteiros, policia, bombeiros e pessoal do movimento do palco por uma percentagem sobre a receita bruta, de 10 a 25% conforme a qualidade do espectaculo e os preços, mas nunca podendo receber menos de 20$000 réis, que devem ser garantidos por deposito no acto do aluguer. Não fornecendo musica, o aluguer nunca será mais de 20%.
(...) Tem o theatro uma friza para a auctoridade, outra para a direcção da sociedade arrendataria e 10 para alugar; na 1ª ordem o camarote da proprietaria, a tribuna real e mais 14 para alugar; 14 camarotes de 2ª ordem, 140 cadeiras e 12 logares de galeria.»

 

Foi também a inauguração do “Theatro Gil Vicente”, com toda a animação que a envolveu, que motivou o Rei D. Luís I e a Corte Portuguesa, a escolherem Cascais como estância de veraneio a partir de 1870, tendo a Família Real assistido, de forma reiterada, a várias peças de teatro e inúmeros eventos culturais nas cadeiras deste novo espaço de entretenimento.

Pelo “Theatro Gil Vicente”, passaram as maiores figuras do teatro de então, como: Vale, Beatriz Rente, Mercedes Blasco, Pereira da Silva, etc. Ao mesmo tempo, que acolhia récitas de amadores, animadas até pelo Rei D. Luís I, que era espectador habitual. Em 1915, um facto pouco conhecido: a estreia de uma revista composta e cantada pelo então jovem Pedro de Freitas Branco (1896-1963) que se viria destacar na música portuguesa como maestro.

 

1908

10 de Maio de 1931

Em 1941 o “Theatro Gil Vicente” era propriedade de Francisco del Poso y Pastrana. No dia 2 de Junho de 1942 o Dr. Manuel Ribeiro e o Dr. Ricardo do Espírito Santo Silva puseram à disposição da “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais” a importância de 20 mil escudos, destinada à aquisição do “Teatro Gil Vicente”, no seguintes moldes: Dois mil escudos oferecidos pelo Dr. Manuel Ribeiro Espírito Santo Silva. Dois mil escudos como oferta do “Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa”; Seis mil escudos oferecidos pelo Dr. Ricardo do Espírito Santo Silva e os restantes dez mil escudos emprestados sem juro e sem prazo para o seu pagamento. No ano seguinte resolvem oferecer este débito à AHBVC

No dia 4 de Junho de 1942 foi assinada a escritura de compra do “Teatro Gil Vicente”, ficando como sede própria da AHBVC depois de um pleito que durou 13 anos. Intervieram como outorgantes Dr. Francisco Honorato da Costa Ramos, Presidente da Direcção da Associação e o Dr. Luís Forcada, como procurador do vendedor. À tarde, na janela do edifício, foi içada a bandeira da Associação, queimando-se de seguida centenas de morteiros e foguetes em sinal de regozijo.

      

Em 1952, têm lugar obras de remodelação e adaptação do “Theatro Gil Vicente” a Cinema, com a colocação de uma cabina de projecção na 1ª Ordem. Após vistoria da Inspecção Geral dos Espectáculos, no início de 1953, esta conclui que poderão ser permitidas exibições teatrais e cinematográficas depois de executadas várias modificações, tais como: colocar corrimões nos dois lados de todas as escadas de acesso ao público; colocar letreiros indicativos da saída e do destino das diversas dependências; dotar a plateia com a coxia circundante, com a largura regulamentada; dar aos assentos das cadeiras da plateia e balcão as dimensões regulamentares; dotar o teatro de iluminação suplementar; fixar a lotação em 350 lugares, para teatro, e em 356 lugares, para cinema. Mesmo sem as obras efectuadas, o ”Teatro Gil Vicente” reabriria em 26 de Janeiro de 1953, com a reposição da opereta “Senhora dos Navegantes”.  Em 1959 era-lhe retirada a licença de utilização permanente por falta de condições de segurança. A licença viria a ser concedida de novo em 1962, depois de efectuadas as obras exigidas em 1953.

Opereta “Senhora dos Navegantes” em 1944 e Programa da mesma em 1953

 

É neste “Teatro Gil Vicente” que Carlos Avilez inicia, em 1965, a actividade do “Teatro Experimental de Cascais” (TEC), onde se manteve na direcção da companhia até 1977. Importa ter presente que as versões/encenações de Carlos Avilez no TEC assumiram sempre uma expressão de modernidade, mesmo quando se trata de autores clássicos ou românticos, nacionais ou estrangeiros, como: Gil Vicente, António José da Silva, António Ribeiro Chiado, André Brun, Paço d’Arcos, Bernardo Santareno, Alice Vieira, Norberto Ávila, Shakespeare, Frederico Garcia Lorca, etc.

"Elenco do “Teatro Experimental de Cascais” em 1960

7 de Maio de 1966

Actualmente, o “Teatro Gil Vicente”, no Largo Rodrigues de Lima, em Cascais, e com uma lotação de 273 lugares em plateia e balcão, mantém-se sob gestão da “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais”, sendo a sua Companhia permanente o Grupo Cénico da “A.H.B.V.C.”.

“Teatro Gil Vicente” actualmente

 

                             2012                                                        2014                                                          2018

  

Fotos in: Real Villa de Cascaes, Arquivo Municipal de Cascais, Biblioteca Nacional Digital, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais

16 de agosto de 2018

Teatro Baltazar Dias no Funchal

O actual “Teatro Municipal Baltazar Dias”, localizado no Funchal, na ilha da Madeira, tem origem no “Theatro D. Maria Pia”, propriedade da Câmara Municipal do Funchal  tendo sido projectado pelo arquitecto portuense Tomás Augusto Soler. Foi inaugurado em 11 de Março de 1888, com a zarzuela "Las Dos Princezas" pela companhia espanhola de José Zamorano.

No entanto, com a morte precoce, do arquitecto Soler em 1883, o projeto foi entregue ao seu conterrâneo José Macedo de Araújo Júnior, não sendo conhecido se existiram alterações em relação ao projeto inicial. O Teatro seguiria o modelo tipicamente italiano, seguindo o protótipo do “Teatro Nacional de São Carlos”, em Lisboa e do Teatro “La Scala” em Milão. Este Teatro começou a ser construído em 1883, na administração do presidente da Câmara, o Dr. António Leite Monteiro, e para ajudar na sua construção, foi necessário contratar o mestre-de-obras Manuel Francisco Pereira. O arquitecto e cenógrafo Italiano Luigi Manini, acompanhado pelo português Eugénio Cotrim, ficaram encarregues das decorações e cenografias. As obras ficaram concluídas em 1887, sendo presidente da Câmara do Funchal, o Conde Ribeiro Real.

Início dos trabalhos de construção

Inicialmente o "Theatro D. Maria Pia", possuía 18 frisas, 20 camarotes de 1ª ordem, 21 de 2ª ordem, 100 fauteuils, 160 cadeiras, 138 lugares de geral frente e 84 de geral de lado. À data da sua inauguração, a sala de espectáculos tinha 13 metros de altura, 9 de largura e 14 de comprimento. A boca de cena tinha 9 metros de largura e 10,5 metros de altura.
Toda a largura do palco era de 31 metros, 14 de fundo e 17 metros de altura.

Planta inicial

 

«Possue o theatro dois gabinetes fechados, varias salas em rompimentos, bosque, prisão, praça de guerra, vista de mar e ainda outras boas scenas.
O rendimento póde elevar-se a réis 450$000. O municipio recebe de aluguer apenas 3% da receita bruta e 15$000 réis por espectaculo isolado. A despeza é de réis 17$000 por cada recita, alem da percentagem para a camara e do pagamento á orchestra. Esta varia entre 10$000 e 30$000.» in: “Diccionario do Teatro Portuguez”, de Sousa Bastos.

O Theatro estava equipado com 14 grandes camarins com janela, arrecadações, guarda-roupa, depósitos, etc. Na parte mais elevada existia um salão de pintura, com uma galeria em volta, donde se podia disfrutar de uma bela vista. A sua iluminação era eléctrica.

Inicialmente chamado de “Theatro D. Maria Pia”, em homenagem à então Rainha de Portugal de origem italiana, passaria após a implantação da República, em 1910, a  designar-se por “Theatro Funchalense”.

A partir de 1921, depois da morte do Dr. Manuel de Arriaga antigo deputado da Madeira e 1º Presidente da República Portuguesa, passou a “Teatro Dr. Manuel d’Arriaga”.

A partir de 1930, e em definitivo, adoptou o nome do poeta cego e autor teatral madeirense, da segunda metade do séc. XVI, Baltazar Dias, passando a ser designado por “Teatro Municipal Baltazar Dias”.

Concurso “À Procura de Artistas”, promovido pela “Disco Rádio” em 29 de Maio de 1962

O “Teatro Municipal Baltazar Dias”, actualmente, «é um espaço privilegiado na cidade do Funchal, possuí quatro espaços - Sala de espetáculos, Foyer, Salão Nobre e Auditório do Jardim Municipal - preparados para acolher espetáculos nas mais variadas formas de arte.»

 

 

 

fotos in: Opsis, Delcampe.net, Teatro Municipal Baltazar Dias