Restos de Colecção: Vila Nova de Famalicão
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12 de junho de 2015

Fábrica de Malhas do Minho

Uma das primeiras fábricas de confecções em malha, em Vila Nova de Famalicão, foi a “Fábrica de Louredo” da firma "Carvalhos, Castro & Cª, Lda." constituída em 24 de Novembro de 1922, na freguesia de Calendário. Foi a fábrica mais antiga a anunciar produtos malha: meias, peúgas, camisolas, roupas interiores, malhas em seda e algodão. Mais tarde surgiria, também em Calendário a "Fábrica de Malhas do Minho, Limitada".

No seguimento de outras fábricas da Indústria Têxtil, hoje publico uma série de fotos, de 1961, alusivas à “Fábrica de Malhas do Minho, Limitada”, cujo seu historial, infelizmente, nada consegui saber.

 

 

 

 

 

Acerca desta empresa apenas consegui saber que ainda existia em 1997 já como “Fábrica de Malhas do Minho S.A.” tendo nesse ano chegado a receber incentivos à exportação de produtos de malha acabados, por parte do IAPMEI.

Actualmente, as instalações pertencem a uma empresa chamada "Hindu-Technical Textiles, SA", criada em 2011.

Para aceder a outras fábricas da Indústria Têxtil e sua história consultar a seguinte etiqueta no seguinte link: Indústria Têxtil

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

16 de junho de 2011

A Boa Reguladora

A empresa "A Boa Reguladora" resultou de uma sociedade de "capital e indústria" constituída a 14 de Fevereiro de 1892, em Vila Nova de Famalicão, entre João José de São Paulo, negociante e natural do Porto, e José Gomes da Costa Carvalho, proprietário e natural de Mouquim.

Destinada ao comércio de relógios ou de objectos relacionados com relojoaria e particularmente ao seu fabrico, a oficina incorporava o trabalho dos dois sócios como empregados, ganhando de salário o sócio São Paulo, o verdadeiro relojoeiro, 1000 réis diários e José Carvalho 700 réis. A oficina-fábrica foi estabelecida na Rua Gomes Freire (depois Rua Faria Guimarães), no Porto no ano de 1893.

Em 1894 aparecem no mercado os primeiros relógios saídos das oficinas manuais, e no ano seguinte em 1895, conquistam medalha de ouro na Exposição Agrícola e Industrial de Vila Nova de Gaia

Devido a doença do sócio João de São Paulo (que viria a falecer pouco depois), a 11 de Julho d 1895 a sociedade foi reconstituída, cedendo este a quota a José Carvalho associando este seu irmão Lino de Carvalho, relojoeiro e o principal credor de João de São Paulo, Joaquim Martins de Oliveira Rocha. A firma passa a designar-se "Carvalho Irmão & Cª." A fábrica foi logo transferida em 1896, para Vila Nova de Famalicão. Lino de Carvalho, que tinha uma relojoaria comercial e oficina na Rua de Santo António, em Vila Nova de Famalicão, deixa esta actividade, e foi implantar e dirigir a fábrica com o seu irmão ficando as instalações junto à linha férrea, em Calendário.

Em 1897 as suas instalações famalicenses, a fábrica já contava com 34 máquinas de diverso tipo, na sua maioria movidas a vapor, empregando 36 operários, e produzindo uma média mensal d e160 relógios para mesa e parede.

Em 1901, Oliveira Rocha é reembolsado da sua quota, obtida apenas como garantia da dívida contraída por João de São Paulo, pelo que a firma, através de novo pacto social incluiria apenas os dois irmãos, sob nova designação "J. Carvalho & Irmão, Lda.".

Instalações fabris, em S. Julião de Calendário

Numa notícia de 24 de Maio de 1903 no jornal “Estrela do Minho”, é noticiada a intenção dos irmãos Carvalho, proprietários de “A Boa Reguladora”, dotar da cidade de Famalicão de energia eléctrica:

«Está prestes a concluir-se a instalação do grande motor ultimamente adquirido pela fábrica de relógios «A Boa Reguladora» dos activos industriais Carvalho e Irmão desta vila. Ai tem a nossa terra ensejo de primeira ordem implantar aqui o alto melhoramento da luz eléctrica por preço mais económico do que nenhuma outra.Sabemos que os proprietários da grande casa industrial se prestam a fornecer a iluminação desde que se lhes garanta apenas a despesa das instalações nas ruas, que é relativamente pequena, fazendo um preço às lâmpadas bastante económico».

Central eléctrica a vapor, que também fornecia iluminação pública e particular a Famalicão

 

                             Fabricação de caixas e peças                                                    Montagem de relojoaria

 

Em 1907 constrói a sua própria central eléctrica a vapor e a 16 de Outubro do mesmo ano torna-se concessionária do fornecimento de iluminação pública e particular de Vila Nova de Famalicão, num raio de 2 Km e por um prazo de 30 anos. A sua actividade foi-se alargando, explorando as elevadas capacidades energéticas que dispunha , e no início do século XX a "A Boa Reguladora" de "J. Carvalho & Irmão", alargava as suas actividades, além da fábrica de relógios, à carpintaria mecânica, serração e moagem.

A relojoaria Andrade Mello, na Rua Mouzinho da Silveira, no Porto, foi nomeada agente distribuidor dos produtos da fábrica.

1926

1933

Em 1910 já empregava 112 operários dos quais 92 homens, 6 mulheres, 3 rapazes e 11 raparigas. Em 1914 o seu negócio duplica exponencialmente e a sua força de trabalho passa para 220 operários, e a sua produção de relógios nesse ano cifrou-se em 6.408 unidades.

Em 1923 Constrói  de raiz de um edifício em cimento armado, para ampliação das suas instalações, constituindo, hoje, o mais significativo elemento do património industrial da cidade. Neste mesmo ano “A Boa Reguladora” é premiada com a medalha de ouro, na Exposição Internacional do Rio de Janeiro.

Junto à estação ferroviária de Famalicão, é construído um bairro operário para os trabalhadores de “A Boa Reguladora” incluindo, além das residências e seus terrenos (destinados a hortas, etc), uma capela e centro social. Foi o primeiro bairro operário com o tratamento da sua envolvente a ser concebido por um arquitecto paisagista, Francisco Caldeira Cabral, tendo sido percursor de outros construídos nas décadas de 50 e 60.

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A partir de 1955 a empresa evoluiu e alargou o leque das suas actividades, passando também a fabricar contadores de energia eléctrica e de água da marca “Reguladora”. Em 1974 internacionalizou-se, passando uma empresa espanhola a fabricar contadores do modelo “Reguladora”.

Em Dezembro de 1992 “A Boa Reguladora’” foi integrada na Divisão Europa-Sul do grupo Schlumberger e em 2001, pelo grupo Actaris.

Exemplos de relógios fabricados por “A Boa Reguladora”

Algumas páginas do catálogo de “A Boa Reguladora”

Em 2007, José Cunha, José Varela e Filipe Marques, três ex-trabalhadores, adquiriram a patente "A Boa Reguladora", regressando a Vila Nova de Famalicão o fabrico de relógios, sob a nova empresa “Regularfama”, instalada na antiga fábrica. Como curiosidade a média de idades dos funcionários ronda os sessenta anos. Na senda de “A Boa Reguladora”, a nova empresa, além de restaurar e prestar assistência técnica a modelos antigos, continua a fabricar despertadores, relógios de parede, de coluna e outros, com a tecnologia do século XXI. As caixas em madeira são feitas por antigos funcionários, a tecnologia vem da indústria alemã, que fabrica peças de qualidade, em exclusividade para esta empresa e aproveitando e adaptando máquinas de fabrico da “Reguladora”.

“Jornal de Notícias” de 7 de Junho de 2007

2007 Notícia (7-06)

É a mais antiga fábrica de relógios da Península Ibérica. Muitos dos relógios que existem nas estações dos caminhos-de-ferro portugueses, e estações dos CTT, foram construídos por essa empresa e continuam a funcionar.

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Bibliografia: blog  HistóriGeo Portugal

fotos in: Estação Cronográfica, Jorge Paulo Oliveira, RelogiosTempo