A empresa "A Boa Reguladora" resultou de uma sociedade de "capital e indústria" constituída a 14 de Fevereiro de 1892, em Vila Nova de Famalicão, entre João José de São Paulo, negociante e natural do Porto, e José Gomes da Costa Carvalho, proprietário e natural de Mouquim.
Destinada ao comércio de relógios ou de objectos relacionados com relojoaria e particularmente ao seu fabrico, a oficina incorporava o trabalho dos dois sócios como empregados, ganhando de salário o sócio São Paulo, o verdadeiro relojoeiro, 1000 réis diários e José Carvalho 700 réis. A oficina-fábrica foi estabelecida na Rua Gomes Freire (depois Rua Faria Guimarães), no Porto no ano de 1893.

Em 1894 aparecem no mercado os primeiros relógios saídos das oficinas manuais, e no ano seguinte em 1895, conquistam medalha de ouro na Exposição Agrícola e Industrial de Vila Nova de Gaia

Devido a doença do sócio João de São Paulo (que viria a falecer pouco depois), a 11 de Julho d 1895 a sociedade foi reconstituída, cedendo este a quota a José Carvalho associando este seu irmão Lino de Carvalho, relojoeiro e o principal credor de João de São Paulo, Joaquim Martins de Oliveira Rocha. A firma passa a designar-se "Carvalho Irmão & Cª." A fábrica foi logo transferida em 1896, para Vila Nova de Famalicão. Lino de Carvalho, que tinha uma relojoaria comercial e oficina na Rua de Santo António, em Vila Nova de Famalicão, deixa esta actividade, e foi implantar e dirigir a fábrica com o seu irmão ficando as instalações junto à linha férrea, em Calendário.
Em 1897 as suas instalações famalicenses, a fábrica já contava com 34 máquinas de diverso tipo, na sua maioria movidas a vapor, empregando 36 operários, e produzindo uma média mensal d e160 relógios para mesa e parede.
Em 1901, Oliveira Rocha é reembolsado da sua quota, obtida apenas como garantia da dívida contraída por João de São Paulo, pelo que a firma, através de novo pacto social incluiria apenas os dois irmãos, sob nova designação "J. Carvalho & Irmão, Lda.".
Instalações fabris, em S. Julião de Calendário



Numa notícia de 24 de Maio de 1903 no jornal “Estrela do Minho”, é noticiada a intenção dos irmãos Carvalho, proprietários de “A Boa Reguladora”, dotar da cidade de Famalicão de energia eléctrica:
«Está prestes a concluir-se a instalação do grande motor ultimamente adquirido pela fábrica de relógios «A Boa Reguladora» dos activos industriais Carvalho e Irmão desta vila. Ai tem a nossa terra ensejo de primeira ordem implantar aqui o alto melhoramento da luz eléctrica por preço mais económico do que nenhuma outra.Sabemos que os proprietários da grande casa industrial se prestam a fornecer a iluminação desde que se lhes garanta apenas a despesa das instalações nas ruas, que é relativamente pequena, fazendo um preço às lâmpadas bastante económico».
Central eléctrica a vapor, que também fornecia iluminação pública e particular a Famalicão
Fabricação de caixas e peças Montagem de relojoaria

Em 1907 constrói a sua própria central eléctrica a vapor e a 16 de Outubro do mesmo ano torna-se concessionária do fornecimento de iluminação pública e particular de Vila Nova de Famalicão, num raio de 2 Km e por um prazo de 30 anos. A sua actividade foi-se alargando, explorando as elevadas capacidades energéticas que dispunha , e no início do século XX a "A Boa Reguladora" de "J. Carvalho & Irmão", alargava as suas actividades, além da fábrica de relógios, à carpintaria mecânica, serração e moagem.
A relojoaria Andrade Mello, na Rua Mouzinho da Silveira, no Porto, foi nomeada agente distribuidor dos produtos da fábrica.
1926

1933

Em 1910 já empregava 112 operários dos quais 92 homens, 6 mulheres, 3 rapazes e 11 raparigas. Em 1914 o seu negócio duplica exponencialmente e a sua força de trabalho passa para 220 operários, e a sua produção de relógios nesse ano cifrou-se em 6.408 unidades.
Em 1923 Constrói de raiz de um edifício em cimento armado, para ampliação das suas instalações, constituindo, hoje, o mais significativo elemento do património industrial da cidade. Neste mesmo ano “A Boa Reguladora” é premiada com a medalha de ouro, na Exposição Internacional do Rio de Janeiro.


Junto à estação ferroviária de Famalicão, é construído um bairro operário para os trabalhadores de “A Boa Reguladora” incluindo, além das residências e seus terrenos (destinados a hortas, etc), uma capela e centro social. Foi o primeiro bairro operário com o tratamento da sua envolvente a ser concebido por um arquitecto paisagista, Francisco Caldeira Cabral, tendo sido percursor de outros construídos nas décadas de 50 e 60.

A partir de 1955 a empresa evoluiu e alargou o leque das suas actividades, passando também a fabricar contadores de energia eléctrica e de água da marca “Reguladora”. Em 1974 internacionalizou-se, passando uma empresa espanhola a fabricar contadores do modelo “Reguladora”.
Em Dezembro de 1992 “A Boa Reguladora’” foi integrada na Divisão Europa-Sul do grupo Schlumberger e em 2001, pelo grupo Actaris.
Exemplos de relógios fabricados por “A Boa Reguladora”



Algumas páginas do catálogo de “A Boa Reguladora”




Em 2007, José Cunha, José Varela e Filipe Marques, três ex-trabalhadores, adquiriram a patente "A Boa Reguladora", regressando a Vila Nova de Famalicão o fabrico de relógios, sob a nova empresa “Regularfama”, instalada na antiga fábrica. Como curiosidade a média de idades dos funcionários ronda os sessenta anos. Na senda de “A Boa Reguladora”, a nova empresa, além de restaurar e prestar assistência técnica a modelos antigos, continua a fabricar despertadores, relógios de parede, de coluna e outros, com a tecnologia do século XXI. As caixas em madeira são feitas por antigos funcionários, a tecnologia vem da indústria alemã, que fabrica peças de qualidade, em exclusividade para esta empresa e aproveitando e adaptando máquinas de fabrico da “Reguladora”.
“Jornal de Notícias” de 7 de Junho de 2007

É a mais antiga fábrica de relógios da Península Ibérica. Muitos dos relógios que existem nas estações dos caminhos-de-ferro portugueses, e estações dos CTT, foram construídos por essa empresa e continuam a funcionar.
Relógio-despertador mais recente

Bibliografia: blog HistóriGeo Portugal
fotos in: Estação Cronográfica, Jorge Paulo Oliveira, RelogiosTempo