"A Ginjinha", foi fundada pelo galego Francisco Espiñera Cosiño - ou Francisco Espinheira Cousinho - no Largo de S. Domingos, 8, em Lisboa em 1906. Este ano que incico será o mais provável e com grande grau de certeza já que o pedido de registo do nome na "Direcção Geral do Commercio e Industria - Repartição de Propriedade Industrial", foi solicitada em 12 de Dezembro de 1906, - e concedido a 21 de Setembro de 1907 - indicando já essa morada. Entretanto Francisco Espiñera Cosiño tinha obtido a sua naturalização de cidadão português em 19 de Setembro de 1890, passando a utilizar correntemente o nome Francisco Espinheira Cousinho.
Este estabelecimento sempre foi conhecido por "A Ginjinha Espinheira" ou "A Ginjinha" do Rossio, para distinguir de outra a poucos metros de distância, a "Ginja Sem Rival", no início da Rua das Portas de Santo Antão, 7 e fundada em Outubro de 1894 por João Manuel Lourenço Cima, e cuja história pode consultar neste blog. Ficou famosa pelo seu licor e «bebida peitoral», o "Eduardino".
Contudo no "Diario do Govêrno" de 14 de Agosto de 1885 ...
Um predio urbano situado na rua da Ribeira Velha, ao norte do Campo das Cebollas d'esta cidade de Lisboa n.° 1 a 9, tornejando para o Arco de Jesus n.os 1 a 5, freguezia da Sé, que consta de lojas, 1.° andar, pateo, terraço, sobreloja e dois poços a uso de balde, posto a primeira vez em praça em 23 de maio do corrente anno, no valor da sua avaliação 38:4445000 réis, e vae agora por metade da sua avaliação, isto é, na quantia de 19:222$000 réis, com os seguintes encargos de arrendamentos, a saber:
A loja n.° 3, com arrendamento a favor de Francisco Espinheira, a findar em 1891, pela renda annual de 180$000 réis, pagos aos semestres adiantademente com fiador. (...)»
Pelo que se este Francisco Espinheira for a mesma pessoa proprietária de "A Ginjinha", já teria um estabelecimento, anteriormente, na Rua da Ribeira Velha em 1885 ...
A comercialização de ginjinha inicia-se no século XIX e uma das pioneiras na sua produção foi a "Fábrica Âncora", fundada em 1882 pelo médico Dr. Carlos Felizx de Lima Mayer. No início do século XX vamos encontrar várias pequenas empresas a produzir ou a comercializar o licor de ginja. Temos como exemplos a firma "Simões & Barata" com o "Licor de Ginja", Fernando Madureira com a "Ginja Latina", a "Fábrica de Licores Pérez, Lda." com a "Ginja, Peitoral e Digestiva Extra", J. Manuel L. Cima com a "Ginja sem Rival", "Bernardo Moraes & C.ª Sucº" com o "Licor Superfino de Ginja", Manuel de Assis da Silva Daun e Lorena Guimarães Ribeiro com o "Licor de Ginja MSR". Por outro lado, Em 9 de Junho de 1906 era pedido o "Registo de Propriedade Literaria" para a obra "A ginjinha", «monologo alcoolico, por Celestino Gaspar da Silva. Lisboa, Imprensa Lucas, in-4º de 8 paginas». E em 12 de Agosto de 1910 era registado no "Conservatorio Real de Lisboa", o «Fado do bagaço e ginginha». Aqui ficam alguns rótulos ...
Referência à "A Ginjinha" nesta triste notícia publicada no "Diario do Govêrno" de 8 de Julho de 1908:
No dia 5 de abril achava se no kiosque de refrescos situado no Largo de S. Domingos, onde é empregado, e viu que muita gente que saía da igreja se agglomerava no largo. Em certa altura, appareceu á porta um homem de grandes barbas brancas, cheio de sangue na cara, e conduzido por outras pessoas; então, uma gaiatada de pé descalço que por ali andava, começou gritando contra os militares, chamando-lhes assassinos e malandros.
Pouco depois viu os soldados apontarem as armas e fazerem uma descarga, tendo logo caido algumas pessoas feridas, sendo esta seguida de outras, com pequenos intervallos. Dentro do kiosque estava também a esposa do seu patrão que tencionava ir á igreja, á festa das Dores, que ali devia realizar-se, tendo ido a casa jantar o seu patrão. Como as cortinas estivessem corridas, foi levantá-las, mas não pôde acabar de tirá las em virtude de continuarem os tiros, e recear ser attingido por alguma bala, pois viu cair morto um indivíduo em frente da loja de vinhos chamada Ginjinha. Deitou-se então no chão, encoberto com o kiosque, e ali esteve durante um quarto de hora, proximamente, até que aproveitou um intervallo em que se não dava fogo para ir para sua casa (...).
De sua casa viu passar muitos feridos para o hospital, indo com elles até a porta d'esse estabelecimento, onde não o deixaram entrar.»
Em 31 de Dezembro de 1915 seria constituída a firma "Francisco Espinheira & C.ª", com sede no Largo de S. Domingos, 8 e com fábrica de «aguardentes, licores, genebras, cognacs, xaropes, etc, etc.» na Rua Damasceno Monteiro, 80-82., em Lisboa. Esta sociedade de responsabilidade limitada, em 1989 tinha como sócios Miguel Osvaldo Muiños Espiñeira e Maria Joaquina Lamas Muiños Espiñeira, ano em que em 21 de Setembro efectua um aumento de capital de 500.000$00 para 10.000.000$00. Até hoje mantém o mesmo capital social convertido em euros: 49.8979,79€.
Rótulos de bebidas produzidas por "A Ginjinha"
Em 1969, a grande fadista Hermínia Silva (1907-1993) gravou o fado "Às Ginjas Com Elas" com letra e música de Carlos Alberto França e editado pala etiqueta "Valentim de Carvalho".
Nota: as 3 fotos anteriores, e segundo os arquivos da Biblioteca de Arte da FCG, foram retiradas do livro "Lojas de um tempo ao outro" Vol II, de Jorge Ribeiro e publicado em 1994.
Miguel Osvaldo Muiños Espiñeira Miguel Osvaldo, além de ter procedidoà mecanização da antiga fábrica na Rua Damasceno Monteiro, em Lisboa, adquire 25 hectares de terreno na Arruda dos Vinhos, onde planta um pomar e cria a nova fábrica de licores na Estrada das Coirredouras, 7. Esta fábrica produz anualmente cerca de cento e cinquenta mil litros de licor anuais, escoando isto quase tudo para o mercado nacional, e apenas dez por cento para exportação, sobretudo para os Estados Unidos. Além do licor de ginja pela qual é conhecida, esta casa também serve "Capilé Espinheira", bagaço e outras bebidas.



.jpg)
.3.jpg)

.jpg)
.jpg)
.jpg)


































Sem comentários:
Enviar um comentário