O "English Bar", terá sido fundado em meados de 1941, ou pelo espanhol Luis Palau ou pelo piloto aviador escocês piloto escocês Horace Rycroft Bass, e espião aliado, que o instalou no Monte Estoril, ao lado do "Grande Casino Internacional", e junto ao troço de estrada que ligava Estoril a Cascais - que incluiria a futura "Estrada Marginal da Costa do Estoril" concluída em 26 de Junho de 1942. A minha dúvida no proprietário fundador, será justificada um pouco mais à frente.
O edifício do "English Bar" tinha sido construído em 1890. Um chalet de seu nome "Vila Lydia" que funcionou como casa particular até 1941, e onde viveram famílias como a de Fernando Emydio da Silva e a de Marques Guedes.
Durante a II Grande Guerra Mundial (1939-1945), o Estoril «asilou reis e príncipes destronados, deu refúgio a judeus perseguidos, acolheu artistas e aqui tiveram lugar algumas das melhores histórias de espionagem (…) As vistas das janelas não só eram poéticas, como tinham uma finalidade bem específica: uma varanda privilegiada sobre o Hotel Atlântico, na altura o verdadeiro centro de espionagem alemã e situada a pouco mais de dois passos do Hotel Palácio, onde os serviços de informação inglesa tinham o seu quartel general» (*)
O vizinho "Hotel Atlântico", propriedade do alemão Wortus, chegou a ter a bandeira nazi hasteada
Horace Bass associou-se, então, ao chefe de mesa Carlo Bursa e a Luís Lopes Blanco, ex-barman do "Estoril Palácio Hotel". Na época, esta casa funcionava como bar. As varandas eram abertas e não havia praticamente trânsito automóvel. Estacionava-se na marginal, como se pode ver na primeira foto publicada, entrava-se pelo jardim, e tinha um ambiente similar a um "pub" inglês.
Finda a II Grande Guerra Mundial em 1945, Horace Bass cedeu a sua quota a Luís Lopes Blanco em Dezembro de 1945.
29 de Dezembro de 1945
O actual proprietário José Manuel Cima Sobral, é descende da família galega Sobral Portela, que emigrou para Portugal no início do século XX. Os irmãos Sobral Portela estiveram na génese de restaurantes famosos, como o "Gambrinus", inaugurado na Rua Eugénio dos Santos, em Lisboa, por Claudino Sobral Portela, em 9 de Novembro de 1935. O pai de José Cima Sobral, Francisco Cima Barreiro, começara como empregado de mesa no restaurante "Aquário", fundado em 1946, também na Rua Jardim do Regedor, em Lisboa, e propriedade da firma "Avenida-Café, Lda.", chegando à gerência. O principal sócio desta sociedade, o galego, Manuel Outerelo Costa, levou-o a integrar a sociedade "Restaurantes Marginal Lda", que englobava vários restaurantes da Estrada Marginal que eram os seguintes: "Boa Viagem" (alto da Boa Viagem), "Mónaco" (Caxias), "A Choupana" (S. João do Estoril), "Deck Bar" (Arcadas do Estoril) e o "English Bar" (Monte Estoril). Quando a parceria terminou, os sócios tiveram opção de compra e exploração dos espaços. No caso do "English Bar", «houve um trespasse comercial», em 1952 aos seus avós, Francisco Cima Barreiro e Dolores Sobral Portela, que assumiram a sua gestão, ficando a pagar uma renda.
30 de Dezembro de 1951
Já com José Manuel Cima Sobral como sócio-gerente, a propriedade plena do espaço aconteceria em 1962, depois de sua família ter exercido o direito de preferência sobre o imóvel e ser concedida o estatuto de "Utilidade Turística" por despacho do Dr. Oliveira Salazar. Consumada a compra, deu-se início à ampliação e remodelação do restaurante, sem nunca ter encerrado o estabelecimento. As obras ficaram na responsabilidade do engenheiro Francisco Xavier Marques Maia.
José Manuel Cima Sobral
José Cima Sobral foi buscar livros de decoração ao "Instituto Britânico", no Príncipe Real, em Lisboa e retirou daí muitas ideias. A intervenção neste chalet de estilo "Tudor" acentuou o estilo inglês, com o requinte do antigo serviço de loiça inglês cantão azul "Wedgwood" e dos talheres "Christofle", encomendados à "Antiga Casa José Alexandre" «pela soma exorbitante de 38.880 escudos». Foram adquiridas peles para fazer reposteiros e foram reaproveitadas madeiras de uma demolição.
Ao longo das décadas o "English Bar", foi frequentado por espiões, escritores, reis e políticos. Casos foram do primeiro-ministro Marcelo Caetano e o que lhe sucedeu Adelino da Palma Carlos que ali almoçaram no dia anterior e posterior à revolução, respetivamente. Monarcas, como os Condes de Barcelona (pais do Juan Carlos) e que viviam no Estoril, Rei Humberto II de Itália e a irmã, a Rainha Joana da Bulgária, o Rei Carol da Roménia, e a família dos Condes de Paris. Políticos, como Sá Carneiro, Mário Soares, Freitas do Amaral, Ramalho Eanes, Marcelo Rebelo de Sousa, etc.
Almoço do Conde de Barcelona (á direita na foto), pai do futuro Rei Juan Carlos
"English Bar" a seguir ao Restaurante-Boite "Ronda"
Entretanro, em 2001, o "English Bar" muda de denominação para "Restaurante Cimas" e em 2021 procede a algumas remodelações, inaugurando um terraço com 20 lugares distribuídos por cinco mesas no piso superior.
Em 18 de Março de 2003, é constituída a sociedade "Restaurante Família Cima, Lda.", com sede social na Avenida de Sabóia, nº 9 no Monte Estoril. O capital social é de 15.000 euros distribuídos pelas seguintes quotas: Uma quota do valor nominal de 9.000 euros, pertencente ao sócio José Manuel Cima Sobral; Uma quota do valor nominal de 3.000 euros, pertencente à socia Ana Maria Militao Silva de Cima; Uma quota do valor nominal de 1.500 euros, pertencente à socia Sara Dolores Militao Silva de Cima Sobral Roquette Teixeira; Uma quota do valor nominal de 1.500 euros, pertencente à sócia Mafalda Luisa Militao Silva de Cima Sobral. É a sócia Sara Cima Sobral, filha de José Manuel Cima Sobral, que gere o restaurante actualmente.
«Mantêm-se os candeeiros antigos de luz suave, apliques de ferro e abat-jours em papiro “oriundos de uma velha loja já extinta no Largo de S. Carlos”, peças de ferro e porcelana, bases de candelabros em estanho, as gravuras inglesas antigas alusivas à caça e aos cavalos, os cadeirões e ementas em couro e a tapeçaria de Arraiolos. Encimando a lareira, a talha de madeira antiga em forma de brasão, representando os símbolos da coroa britânica (o cavalo e o leão), à qual se acrescentou a sigla “EB”, de English Bar. E todos os dias se dá à corda ao relógio do século XIX, originário de Ourense... Repare nas esculturas em bronze, de uma perdiz e uma galinhola, alusivas à caça. Foi introduzida no menu nos anos 80, quando José se apercebeu do aumento “desmesurado” de restaurantes de peixe e marisco no Guincho. Resolveu que só podia continuar “sendo diferente deles todos” » (*)
(*) - 2003: Garfo de Ouro reconhece excelência do Cimas English Bar no Estoril, da autoria Pedro José Barros in: jornal "Expresso"
Bibliografia:
50 Anos 50 Restaurantes - "2003: Garfo de Ouro reconhece excelência do Cimas English Bar no Estoril", da autoria Pedro José Barros, in: jornal "Expresso" de 23 de Fevereiro de 2023.
fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Horácio Novais), Cimas Restaurante, Jornal Expresso, Lojas com Históiria



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