A conhecida loja de candeeiros e artigos eléctricos "Radio Vitoria", abriu pela primeira vez a 5 de Janeiro de 1926, na Rua da Victoria, 46-48, esquina com a Rua dos Correeiros, 96 a 104, em Lisboa. Era propriedade da firma "Radio-Victoria, Lda." constituída em 20 de Dezembro de 1919, pela firma "Energia Hidro-Electrica, Lda." sedidada na Rua da Conceição, 107 - 3º em Lisboa.
1994
A "Radio-Victoria" veio substituir outras duas que existiam nas portas 46 e 48 da Rua da Vitoria. No nº 46 tinha funcionado a farmácia de Filipe Valladas Preto, e no nº 48 a drogaria da firma "Gago Proença & Commandita".
A firma "Energia Hidro-Electrica, Lda." seria extinta e ficaria somente a "Radio-Victoria, Lda.". Começando por comercializar as representações de material de T.S.F. e baterias para automóveis, herdadas da primeira, a "Radio Victoria" extendeu a sua actividade ao ramo das instalações electricas, vendendo todo o tipo de acessórios, fios, interruptores para instalações eléctricas.
Em 8 de Abril de 1946, a "Radio Victoria, Lda." tinha um capital social de 196.000$00 correspondendo à soma das quotas dos sócios, que eram as seguintes: Guilherme Duarte Rodrigues, 100.000$00, e Hernani Ferreira da Silva Pedroso Rodrigues, 96.000$00. Nesta data o pacto social é completamente alterado e dois dias depois a 10 de Abril a constituição da firma é alterada, com reforço do capital social, que era de 196.000$00, com a quantia de 104.000$00 elevando-se assim a 300.000$00, e admitidos como novos sócios o Sr. Joaquim Cardoso (75.000$00) e a firma "Gaspar da Silva, Lda" (29.000$00).
1994
A constituição da "Radio Victoria, Lda." é de novo alterada em 30 de Março de 1957. Joaquim Nunes Bernardo cedeu a sua quota de 75.000$00 a Amadeu Manuel Seabra e a Carlos Marques Castanheira, na proporção de 45.000$00 e 30.000$00, respectivamente.
É a partir da década de 50 do século XX que a "Rádio Victoria" se tornaria célebre por uma canção-anúncio criado e utilizado pelo famoso José de Oliveira Cosme (1906-1973) no seu programa de rádio "A Vida É Assim" difundido aos Domingos no antigo "RCP - Rádio Clube Português" (não confun e do qual eu fui um ouvinte assíduo já nos anos 60. Aqui fica a letra:
modernos, originais,
compre-os na Rádio Vitória,
não se preocupe mais.
quarenta e seis quarenta e oito
satisfaz-se plenamente
o cliente mais afoito.
É a embaixada do bom gosto
Quem lá vai é bem servido
e sai sempre bem disposto"
Esta canção-anúncio tornou-se célebre e ainda hoje os mais velhos, como eu, ainda a recordam e sabem a letra de cor. Do belíssimo blog "A Minha Rádio" da autoria de Rogério Santos, retirei o seguinte texto que exprime perfeitamente o que acabei de escrever:
«Ao domingo era hábito almoçarmos bacalhau com grão enquanto ouvíamos A Vida é Assim, de José de Oliveira Cosme. Era um programa delicioso, sem pretensões, muito caloroso e agradável, com diálogos interpretados pelo autor e pela Mary, o João e a Luísa de uma ficção que integrava os anúncios na conversa do casal. E assim apareciam, com suave naturalidade, as camisas da Camisaria Moderna, as tais que não faziam pregas no peito nem rugas no colarinho, o cafezinho da Pérola do Rossio, no Rossio 105, os chás milagrosos da Antiga Ervanária do Largo da Anunciada, os petiscos da charcutaria Suíça e, o melhor de tudo, os candeeiros bem bonitos, modernos, originais, compre-os na Rádio Vitória, não se preocupe mais. Porque na Rádio Vitória, embaixada do bom gosto, quem lá vai é bem servido e sai sempre bem disposto. Lá na rua da Vitória, 46-48, satisfaz-se plenamente o cliente mais afoito.»
De seguida publico um artigo que foi publicado em 6 de Abril de 1957 na revista "Crónica Masculina".
José de Oliveira Cosme à direita na foto
Lembro-me, já nos anos 60, que o programa era uma conversa divertida a três, em que os anúncios eram inteligentemente inseridos ao longo da mesma. Tinha uma duração de cerca de 45 minutos e era transmitido às 13 horas de todos os Domingos. Não perdia nenhum programa, enquanto almoçava ao Domingo com o meu radiozito a pilhas, e com o qual ouvia, também, relatos de futebol. Começei a ouvir a partir dos meus 6 ou 7 anos de idade ... Durante a semana, e à mesma hora, e no mesmo RCP ouvia os "Parodiantes de Lisboa", igualmente fantásticos.
14 de Dezembro de 1971
Quanto à "Rádio Vitória, Lda." funcionou durante muitos anos, até encerrar definitivamente 2009, entrando em processo de insolvência e que concluiu com a sua liquidação e dissolução no ano de 2016.
31 de Dezembro de 1972
Actualmente, no seu lugar funciona o restaurante-café "Cais das Colunas".
fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Biblioteca de Arte da FCG fotos de 1994 in: "Lojas de um tempo ao outro" Vol II, de Jorge Ribeiro

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