A loja de chás e cafés "A Mariazinha" foi fundada em 20 de Janeiro de 1934, por Jerónimo Pinto Valente Coutinho, na Rua Barros Queiroz, 26 e 28, em Lisboa. O nome "Mariazinha" foi em homenagem à sua filha.
«A Mariazinha» é um estabelecimento que se destina á venda de cafés e chás, assim como a mercadorias ao mesmo ramo ligadas. A sua especialidade será a de cafés moídos. Nos seus lotes, exclusivos, só entrarão os elementos mais puros e sãos; e a sua preparação será feita pelos processos mais aperfeiçoados que ate hoje se conhecem.
O seu proprietário, Jeronimo Coutinho, afirma categoricamente que «A Mariazinha» se fundou com o proposito firme de só vender produtos de qualidade superior, fora de toda
a suspeita, para que, no gênero, haja uma casa escrupulosamente especializada onde toda a gente possa comprar com absoluta segurança.
«A Mariazinha» não e uma casa de luxo. Mas é uma casa limpa, alegre e acolhedora, onde todas as pessoas podem entrar confiadamente, na certeza de serem honestamente servidas e delicadamente atendidas.
«A Mariazinha» quere impôr-se e criar nome, e bem sabe que só o consegue servindo bem.
Por isso, confiem todos nos produtos que «A Mariazinha» lhes vender.»
Anúncios de 10 de Maio e 7 de Junho de 1935
19 de Abril de 1938 (com um toque de IA)
E agora que tanto se fala em violência doméstica ...
14 de Fevereiro de 1941
Em 20 de janeiro de 1942 "A Mariazinha" celebrava o seu 8º aniversário e publicou a seguinte nota no "Diario de Lisbôa":
A MARIAZINHA não esquece que aquilo que hoje é aos seus dedicados clientes o deve.
Tambem espera que reconheçam ter Ela feito por eles tudo quanto lhe é possivel para os não contrariar e aborrecer, satisfazendo-lhes todas as vontades justas. Promte
continuar a servi-los a seu contento e com a melhor das boas vontades.
A MARIAZINHA chama a atenção dos seus estimados clientes para o anuncio que faz na usual pagina.
E - amigos clientes - vamos lá a mais um ano de ajuda reciproca ...»
Ambos de 20 de Janeiro de 1942
1943
Do livro "Praça de Lisboa", de 1946 retirei o seguinte texto:
A que se deve tão invulgar êxito? Ao dinamismo e iniciativa do estimado comerciante Jerónimo Pinto Valente Coutinho e à competência profissional do seu dedicado colaborador João Luís Rodrigues.
O primeiro, trabalhando entre nós desde 1908, dedicou-se anteriormente ao negócio de sementes, em que se iniciou sob a direcção de seu falecido tio Manuel Valente Coutinho, e no qual veio a ocupar uma situação de destaque como sócio da firma Jerónimo Pereira Mendes & C.ª. Motivos particulares levaram-no a afastar-se amigåvelmente desta sociedade e foi então que ousadamente deliberou dedicar-se a nova modalidade mercantil, prevendo o futuro reservado a um género de comércio que estava quási por explorar.
Para êsse efeito tomou de trespasse um estabelecimento na Rua Barros Queirós que submeteu a grandes obras de adaptação e modernização, transformando-o assim na elegante e confortável casa que agora conhecemos, de amplas vitrinas e linhas atraentes e luminosas.
Actualmente, graças à inteligente orientação do seu proprietário, A Mariazinha é uma casa conhecida e reputada, actuando em franca prosperidade e na mais sólida posição comercial. O fundador deve-se sentir justificadamente satisfeito, porquanto o empreendimento que pôs em prática traduz com brilho a sua ampla visão mercantil e lúcida capacidade organizadora.»
Em 20 de Dezembro de 1957, "A Mariazinha" abre uma filial na Avenida Rio de Janeiro, 25-B, em Lisboa.
Em 1992, Paulo Manso adquire "A Mariazinha", e ele e sua mãe, D. Teresa, ficam «ao leme» desta quase centenária casa de chás e cafés, chocolates, rebuçados, frutos secos, frutas cristalizadas, farinhas, etc. ...
«Continua a ser a única no bairro especializada na venda de chás e cafés. Os diferentes lotes de café são todos originais e feitos na loja, mas é o Lote Extra o mais famoso. A moagem é feita na hora, o que confere o característico cheiro à loja, um deleite para a maioria, e um aroma que nos segue caso levemos uns quantos destes preciosos grãos.» in: "Lojas com História"
fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Lojas com História, "A Mariazinha" (Facebook)



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7 comentários:
(Você é extraordinário... as coisas que nos recorda...)
abraço
Grato pelo seu amável comentário.
Abraço
Desejo-lhe um excelente 2026,
com a realização de tudo que deseja.
Saudações cordiais.
~~~~
Muito agradeço e retribuo os seus votos de Feliz Ano de 2026.
Os meus melhores cumprimentos
Viva. A Mariazinha da Rua Barros Queiroz sobreviveu (e muito) ao 25 de Abril. Coloco o seu encerramento, sem certezas, na segunda metade dos anos 80, ou até início dos anos 90. Conheci a Mariazinha por volta dos meus seis anos (1970) quando por motivos de saúde comecei a consumir a farinha "duas pombas", ao lado de A Mariazinha havia uma loja de brinquedos, a Panchito, o terror da minha mãe! :)
Muito grato pela sua informação. Tinha lido algures a informação que transmiti, apesar de não ter conseguido confirmar. Por isso escrevi "se não estiver errado". Cumprimentos
A Panchito... o terror dos pais, o paraíso das crianças. E em frente havia a charcutaria Tábuas onde costumávamos almoçar quando estávamos na zona.
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