Restos de Colecção: "A Mariazinha"

10 de janeiro de 2026

"A Mariazinha"

A loja de chás e cafés "A Mariazinha" foi fundada em 20 de Janeiro de 1934, por Jerónimo Pinto Valente Coutinho, na Rua Barros Queiroz, 26 e 28, em Lisboa. O nome "Mariazinha" foi em homenagem à sua filha.


"A Mariazinha" na Rua Barros Queiroz" em foto de 1946


Fundador de "A Mariazinha"


17 de Setembro de 1935

E no dia da sua inauguração o jornal "Diario de Noticias" informava:

«Hoje, 20 de Janeiro de 1934, «A Mariazinha» abrirá as suas portas ao publico, na rua Barros Queiroz, 26 e 28, a igreja de S. Domingos.
«A Mariazinha» é um estabelecimento que se destina á venda de cafés e chás, assim como a mercadorias ao mesmo ramo ligadas. A sua especialidade será a de cafés moídos. Nos seus lotes, exclusivos, só entrarão os elementos mais puros e sãos; e a sua preparação será feita pelos processos mais aperfeiçoados que ate hoje se conhecem.
O seu proprietário, Jeronimo Coutinho, afirma categoricamente que «A Mariazinha» se fundou com o proposito firme de só vender produtos de qualidade superior, fora de toda
a suspeita, para que, no gênero, haja uma casa escrupulosamente especializada onde toda a gente possa comprar com absoluta segurança.
«A Mariazinha» não e uma casa de luxo. Mas é uma casa limpa, alegre e acolhedora, onde todas as pessoas podem entrar confiadamente, na certeza de serem honestamente servidas e delicadamente atendidas.
«A Mariazinha» quere impôr-se e criar nome, e bem sabe que só o consegue servindo bem.
Por isso, confiem todos nos produtos que «A Mariazinha» lhes vender.»


Anúncios de 10 de Maio e 7 de Junho de 1935

19 de Abril de 1938 (com um toque de IA)

E agora que tanto se fala em violência doméstica ...

14 de Fevereiro de 1941

Em 20 de janeiro de 1942 "A Mariazinha" celebrava o seu 8º aniversário e publicou a seguinte nota no "Diario de Lisbôa":

«A MARIAZINHA, ao atingir o seu 8." ano de idade, sauda todos os seus dignos clientes, agradecendo-lhes, .profunda e sinceramente reconhecida, a carinhosa e valiosa ajuda que têm dispensado á sua risonha existencia.
A MARIAZINHA não esquece que aquilo que hoje é aos seus dedicados clientes o deve.
Tambem espera que reconheçam ter Ela feito por eles tudo quanto lhe é possivel para os não contrariar e aborrecer, satisfazendo-lhes todas as vontades justas. Promte
continuar a servi-los a seu contento e com a melhor das boas vontades.
A MARIAZINHA chama a atenção dos seus estimados clientes para o anuncio que faz na usual pagina.
E - amigos clientes - vamos lá a mais um ano de ajuda reciproca ...»


Ambos de 20 de Janeiro de 1942

1943

Do livro "Praça de Lisboa", de 1946 retirei o seguinte texto:

«Com doze anos de existência apenas, pois foi inaugurado em 20 de Janeiro de 1934, este estabelecimento conquistou uma popularidade que muitas outras casas similares ainda não conseguiram granjear em muitos anos de actividade. Sem exagêro pode afirmar-se que nenhuma dona de casa lisboeta desconhece hoje os já famosos cafés e chás d'A Mariazinha, cuja venda atingiu um volume que supera o de quaisquer outras marcas de retalho e que torna o balcão da referida loja insuficiente para satisfazer o incessante movimento registado ininterruptamente durante todo o dia.
A que se deve tão invulgar êxito? Ao dinamismo e iniciativa do estimado comerciante Jerónimo Pinto Valente Coutinho e à competência profissional do seu dedicado colaborador João Luís Rodrigues.
O primeiro, trabalhando entre nós desde 1908, dedicou-se anteriormente ao negócio de sementes, em que se iniciou sob a direcção de seu falecido tio Manuel Valente Coutinho, e no qual veio a ocupar uma situação de destaque como sócio da firma Jerónimo Pereira Mendes & C.ª. Motivos particulares levaram-no a afastar-se amigåvelmente desta sociedade e foi então que ousadamente deliberou dedicar-se a nova modalidade mercantil, prevendo o futuro reservado a um género de comércio que estava quási por explorar.
Para êsse efeito tomou de trespasse um estabelecimento na Rua Barros Queirós que submeteu a grandes obras de adaptação e modernização, transformando-o assim na elegante e confortável casa que agora conhecemos, de amplas vitrinas e linhas atraentes e luminosas.
Chamando depois a si a valiosa cooperação de João Luis Rodrigues, Jerónimo Pinto Valente Coutinho começou lançando no mercado os seus magníficos cafés, lotados escrupulosamente com produtos da melhor origem e de molde a obter uma mistura de ótimo paladar e agradabilíssimo aroma, para o que os doseou com excelente café do Brasil, até aí pouco empregado na mistura. O tipo que conseguiu realizar de tal modo agradou ao publico que dentro em pouco A Mariazinha havia granjeado uma preferência extraordinária entre consumidores, dia a dia mais numerosos. Apesar de tôdas as imitações posteriormente surgidas, nenhuma alcançou sucesso semelhante nem tampouco obteve diminuir o triunfo da iniciativa de Jerónimo Pinto Valente Coutinho.
Actualmente, graças à inteligente orientação do seu proprietário, A Mariazinha é uma casa conhecida e reputada, actuando em franca prosperidade e na mais sólida posição comercial. O fundador deve-se sentir justificadamente satisfeito, porquanto o empreendimento que pôs em prática traduz com brilho a sua ampla visão mercantil e lúcida capacidade organizadora.»

Na primeira metade da década de 50 do século XX, "A Mariazinha" manteve uma sucursal na cidade do Porto, na Rua de Santo Ildefonso, 415, vindo a encerrá-la no final de 1956. 


No jornal "O Comércio do Porto" de 1 de Março de 1953





Publicidade de 24 de Dezembro de 1955 e 23 de Dezembro de 1956

E cuidado com as imitações ...


Até faziam «bicha» à porta ... em 10 de Dezembro de 1950

Em 20 de Dezembro de 1957, "A Mariazinha" abre uma filial na Avenida Rio de Janeiro, 25-B, em Lisboa.


Ainda em fase de instalação


20 de Dezembro de 1957


Após a sua inauguração


2 de Janeiro de 1958

Em 20 de Janeiro de 1959 "A Mariazinha" comemorava as suas "Bodas de Prata" ...



30 de Novembro de 1959

Nota: apesar do anúncio anterior, lembro-me que no início dos anos 60 do século XX abriria a mui famosa (na altura) sapataria "Mariazinha" - formavam-se filas à porta para as senhoras comprarem sapatos ! Uma verdadeira loucura ... Se não estou em erro, ficava na R. Quirino da Fonseca, primeira transversal à direita da Rua António Pereira Carrilho, a Arroios.

Se não estiver errado, terá sido durante o ano de 1967 que "A Mariazinha" encerrou, definitivamente, a sua loja da Rua Barros Queiroz, fundada em 20 de Janeiro de 1934. Ao fim de 33 anos de existância ficava só com a loja da Avenida Rio de Janeiro, 25-B. 

Fica o último anúncio a que tive acesso de "A Mariazinha", e o último com a referência à loja da Rua Barros Queiroz. Mesmo no jornal "Diario de Lisbôa", do qual o estabelecimento era fiel, e muito frequente, anunciante deixou de aparecer a partir de 20 de Janeiro de 1967 ...


20 de Janeiro de 1967

Em 1992, Paulo Manso adquire "A Mariazinha", e ele e sua mãe, D. Teresa, ficam «ao leme» desta quase centenária casa de chás e cafés, chocolates, rebuçados, frutos secos, frutas cristalizadas, farinhas, etc. ...




«Continua a ser a única no bairro especializada na venda de chás e cafés. Os diferentes lotes de café são todos originais e feitos na loja, mas é o Lote Extra o mais famoso. A moagem é feita na hora, o que confere o característico cheiro à loja, um deleite para a maioria, e um aroma que nos segue caso levemos uns quantos destes preciosos grãos.» in: "Lojas com História"

fotos in: Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de LisboaLojas com História, "A Mariazinha" (Facebook)

2 comentários:

Luis Eme disse...

(Você é extraordinário... as coisas que nos recorda...)

abraço

José Leite disse...

Grato pelo seu amável comentário.
Abraço