Restos de Colecção

24 de agosto de 2022

Lence & Viuva Canongia

O "Armazem de Musica, Pianos, Instrumentos e Lytographia de Lence & Viuva Canongia", teve a sua génese na "Lithographia e Armazem de Musica de J.I. Canongia e J.C. Lence" fundada em Lisboa, na rua Nova do Almada, nº 66 em 1849, por Joaquim Ignacio Canongia e João Cyriaco Lence.


5 de Novembro de 1871


26 de Maio de 1872

Joaquim Ignacio Canongia Júnior nasceu a 29 de Julho de 1816 em Lisboa. Era irmão de José Avelino Canongia (1784-1842), que nasceu na vila de Oeiras em 1784. Foi primeiro clarinete na Orquestra do "Real Theatro de S. Carlos", músico da Câmara Real e professor do Conservatório Real.


Capa de partitura de peça para clarinete e orquestra por José Avelino Canongia em 1842

Do livro "Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes", de Ernesto Viera e publicado em 1900 pelo Editôr Lambertini, retirei as seguinte biografias:

«Canongia (Joaquim Ignacio). Irmão mais novo do precedente; foi tambem bom clarinettista mas não attingiu a perfeição nem gosou a fama de José Avelino. Teve porém certa consideração entre os collegas, exercendo varios cargos na irmandade de Santa Cecília, para a qual entrou em 20 de julho de 1815, e do Monte-pio Philarmonico do qual foi um dos fundadores. Assignou tambcm a escriptura lavrada em 1842, primeira lei organica que teve a «Associação Musica 24 de Junho». Nos ultimos annos da sua existcncia perturbouse-lhe a razão, vindo a fallecer de um desastre, quasi suicídio pois se  precipitou de uma janella, em 6 de agosto de 1850.
Teve quatro filhos: Joaquim Ignacio, Thiago Henrique, João Baptista e José Victorino; os tres primeiros tambem se dedicaram á musica e filiaram se na irmandade de Santa Cecília. O quarto, José Victorino, seguiu o officio de ourives, e estabelecendo-se viu prosperar o estabelecimento que ainda existe dirigido por seu filho, o sr. Eustaquio Canongia. Um filho de João Baptista, o sr. João Canongia é tambem ourives e conserva um resto das tradicções de família, tocando violino nas orchestras de amadores musica.
Joaquim Ignacio Canongia Junior, o mais velho dos quatro sobrinhos de José Avelino, não se salientou como musico mas era dotado de grande sagaçicidade ; depois de ter sido copista e ponto no theatro de S. Carlos, estabeleceu em 1850 um armazem de musicas na Rua Nova do Almada, e no anno seguinte acceitou por consocio João Cyriaco Lence que tinha outro estabelecimento identico, conseguindo os dois dar grande incremento ao negocio, installando uma lithographia musical que activamente trabalhou durante muitos annos.
Falleceu da febre amarella em 1857.
Thiago Henrique foi tambem musico pouco notavel; tocava violino, violeta e fagotte. Exerceu o cargo de secretario da sociedade dos «Concertos Populares», e logo depois d'essa sociedade se dissolver em 1862 partiu para o Rio de Janeiro onde estabeleceu um armazem de musicas e lythographia musical. Foi sogro do illustre litterato e poeta brazileiro Luiz Guimarães.»


Album impresso e comercializado pela "J.I. Canongia & Compª " em 1850


Publicidade no jornal "A Revolução de Setembro" de 5 de Agosto de 1853


Publicidade no Jornal "A Nação" de 10 de Junho de 1854

Quanto ao sócio João Cyriaco Lence ...

«Lence (João Cyriaco). Editor de musica em Lisboa.
Era filho de um musico italiano, André Lenzi, natural de Livorno, tocador de trompa e copista. Este André Lenzi assignou o livro de entradas na irmandade de Santa Cecilia em 25 de setembro de 1767.
Aprendeu musica no Seminario Patriarchal, para onde entrou em 1 de maio de 1815, tendo 12 annos de edade. Era natural de Lisboa.
João Lence, que era copista no theatro de S. Carlos, associou-se, cerca de 1836, com um litographo, estabelecendo os dois uma lithographia e armazem de musicas na calçada dos Paulistas nº 8, defronte do Correio Geral. Entre as obras editadas n'esta primitiva casa, conta-se uma edição do celebre methodo de canto de Vaccaj, com o texto em francez e portuguez, bem como um jornal de musicas intitulado «Passatempo Musical».
Depois separou-se do socio, estabelecendo-se na rua das Portas de Santa Catharina nº 13, onde começou a publicar a numerosa collecção de musica para piano intitulada «Lyra de Apollo».
Em novembro de 1849 associou-se com Joaquim Ignacio Canongia, fundando-se então o importante estabelecimento na rua Nova do Almada, que existiu durante muitos annos, girando successivamente sob as seguintes firmas : J. I. Canongia & C.ª; Lence e Viuva Canongia; Lence e Canongia Abraldes; Lence e Viuva Canongia; Serrano e Viuva Canongia.
Esta casa fez imprimir muita musica, tanto para piano como para piano e canto, grande parte d'ella de auctores portuguezes.
Foi quasi toda desenhada por um habil litographo chamado Moreira, o qual depois de ter trabalhado por muitos annos no proprio estabelecimento, foi montar uma officina na rua das Flores.
João Lence foi socio fundador do Monte-pio Philarmonico, sendo muito dedicado a esta instituição, onde desempenhou por muitos annos o logar de thesoureiro.
Foi avô materno do pianista José Antonio Vieira
Falleceu em 1879.»


Capa de pauta de música pela "Lithographia de J.C. Lence na Travessa do Secretário da Guerra, nº 2

Em Novembro de 1849, Joaquim Ignacio monta, na Rua Nova do Almada n.º 66, um estabelecimento de sua designação "Lithographia e Armazem de Musica de J.I. Canongia e J. C. Lence", em sociedade com João Cyriaco Lence, que era igualmente copista no "Real Theatro de S. Carlos" e que já possuía uma litografia, na Travessa do Secretario da Guerra, nº 2.

Depois de a sua denominação ter sido alterada sucessivamente por três vezes - passando a figurar apenas o nome de Ignacio Canongia - a partir de 1851 passa a designar-se : "Armazem de Musicas, Pianos, Instrumentos e Lithographia J.I. Canongia & C.ª ". Possivelmente Joaquim Ignácio teria um investimento superior ao sócio ou o seu apelido seria mais reconhecido perante um público consumidor devido à fama internacional de seu tio, José Avelino Canongia.


Partitura pelo "Armazem de Musicas, Pianos, Instrumentos e Lithographia J.I. Canongia & C.ª"


22 de Dezembro de 1855

A principal publicação musical desta época era o periódico "Lyra de Apollo" que tinha sido iniciado por João Cyriaco Lence, ainda em nome individual, que divulgava as óperas representadas no "Real Theatro de S. Carlos". 

Joaquim Ignacio Canongia morre em 1857, mas a firma continua a sua actividade sob a designação de "Viuva Canongia & C.ª" e cerca de 1860, muda de instalações para os números 94 e 96 da mesma Rua Nova do Almada - que viria a ser ocupada mais tarde pelo Loja "92" de Albino José Baptista após o encerramento do armazém de músicas.

Loja "92" após a sua ampliação ocupando os nos. 94 e 96 da "Viuva Canongia & C.ª"

Excerto do catálogo de participantes na "Exposição Internacional do Porto" em 1863


1873

No ano de 1863, a viúva de Joaquim Ignacio, Carlota Angélica, casa de novo, e com José Pedro Baptista Abraldes, comerciante com loja na mesma rua Nova do Almada nº 100 sobreloja, e, pelo que a razão social, mais uma vez muda para "Armazem de Musica, Pianos, Instrumentos e Lytographia de Lence & Canongia Abraldes", apesar de nos registos das licenças da Câmara Municipal de Lisboa a empresa surge com a designação comercial de "Armazém de Modas e Ornatos para Casa", talvez para manter o contrato de arrendamento do inquilino anterior ...

Neste ano a produção deve ter sido diminuta, já que só se conseguiram recuperar três exemplares, sendo todos de música de salão para piano.

José Pedro Abraldes viria a falecer logo no ano seguinte, 1864, e a viúva Carlota Angelica casa novamente, nesse mesmo ano (!), com o espanhol Manuel Jesus Simão Serrano «de 24 anos solteiro, logista», estabelecido na Rua Nova do Almada n.º 81, tendo sido testemunha do casamento o sócio e já viúvo João Cyriaco Lence. Apesar deste terceiro casamento de Carlota Angélica, na razão social da firma apenas figuram os nomes dos dois sócios iniciais "Lence & Viuva Canongia".

16 de Junho de 1872


1873



1875


Teve início o período mais produtivo da empresa, publicando muita música para piano e também a "Gazeta Musical de Lisboa" que consistia num suplemento musical de um periódico dedicado à arte musical e que divulgou muita música de compositores portugueses da época.


7 de Fevereiro de 1877

e respectiva capa de partitura ...



13 de Agosto de 1879

A 2 de Maio de 1879 João Cyriaco Lence morre, e no ano seguinte a firma passa a ser gerida pelo terceiro marido de Carlota Angélica, passando a designar-se "Serrano & Viuva Canongia", anexando na morada o n.º 100, loja que pertencera a José Pedro Abraldes e que a viúva terá herdado, por sua morte. Mas é a partir desta altura que a gestão deste estabelecimento entra em desgraça. A 28 de Maio de 1885, é alvo de uma citação da firma francesa "A. Lecomte & Cia.", fabricante de instrumentos, devido a dívidas que ascendiam a um milhão de réis. As dívidas foram-se acumulando e a 22 de Dezembro de 1887, o Tribunal do Comércio declara falência à firma. Na queixa de um dos credores, o "Banco do Povo" - fundado em Lisboa em 1874 e tendo falido em 1894 -, é mencionado o seguinte:

«A firma comercial Serrano & Viuva Canongia (…) está há muito em estado de quebra (…) e acha-se por tal forma decaída de menos, que nem pode pagar a renda da sua loja (…) e nem tem outra para onde se mude. Acontece mais que o devedor está vendendo ao desbarato o pouco que lhe resta da fazenda no estabelecimento, e não a proveito dos credores (…) mas para satisfazer as suas necessidades pessoais, sendo até de recear que faça qualquer traspasse e desapareça com o seu produto.
A última informação encontrada sobre a firma é uma sentença do Tribunal do Comércio, datada de 15 de Junho de 1893, na qual se refere que ficou provado que a falência se deveu à má gestão do sócio Manuel de Jesus Serrano e que a sua mulher alheia à má gestão do marido não podia ser culpada. O culpado ficou sujeito a pena de prisão de 3 meses e pagamento das custas. Manuel de Jesus Serrano desapareceu do país e nunca compareceu em julgamento.»

Um irmão de Joaquim Ignacio Canongia, de seu nome Tiago Henrique Canongia, com duas gerações de antepassados músicos (pai português e avô catalão), foi professor de música e diretor de orquestra de salão. Em 1866 inaugurou uma loja de pianos e música, "Lyra de Apollo - Armazem de Musicas e Instrumentos de T.H. Canongia", na Rua do Ouvidor n.º 103 (antigo nº 111), no Rio de Janeiro. Um armazém e litografia de música, o qual, curiosamente, após a sua morte em 1872 adoptou a razão social de "Lyra de Apollo - Armazem de musicas, pianos e aguas mineraes da Viuva Canongia", mais tarde simplesmente "Viuva Canongia e C.ª".




Com a falência do seu editor, a "Gazeta Musical de Lisboa" não desapareceu tendo passado a ser publicada pela "Companhia Propagadora de Instrumentos Músicos" cuja história poderá consultar neste blog, no seguinte link: "Companhia Propagadora de Instrumentos Músicos".


1890


Bibliografia:

Tese de Doutoramento "La edición musical en Portugal (1834-1900): un estudio documental - Volumen 1" de Maria João Durães Albuquerque - Madrid, 2014.

fotos in:  Hemeroteca Digital de Lisboa, Biblioteca Nacional DigitalArquivo Municipal de Lisboa

21 de agosto de 2022

"Café Oriental" em Guimarães

O "Café Oriental", foi inaugurado em 20 de Dezembro de 1925, no Largo do Toural, em Guimarães. Eram seus proprietários: José e Francisco da Costa Magalhães, Eugénio Leite Basto e José Fernandes da Costa Abreu.


Por ocasião da sua inauguração o jornal vimaranense "A Ortiga" de 25 de Dezembro de 1925 escrevia:

«(...) No acto, foram levantados alguns brindes de louvor à simpática e bairrista iniciativa, e de regosijo pelas prosperidades futuras daquele modelar estabelecimento que, todo elaborado, ainda nos mais pequenos detalhes, em raro e formoso estilo, através do qual perpassam alguns milhares de séculos de história egípcia, fica sendo o primeiro, no género e um dos melhores, pelo seu confôrto e elegância, existentes em Portugal.
Por tal motivo, são dignos dos maiores elogios os arrojados autores do patriótico empreendimento - e não lhos regateia "A Ortiga", antes pelo contrário ainda os enaltece - assim como o ilustre vimaranense sr. Capitão Luis de Pina, ao talento artístico do qual se deve o esmero notado na confecção de todas aquelas maravilhas. (...)
Em breve abrirá também o salão de jogos, ficando virado à Porta da Vila.»

A decoração geral, do "Café Oriental", como já foi atrás mencionado, ficou a cargo do capitão Luís de Pina, com a colaboração do pintor Joaquim Panchorca.


Quanto ao estilo egípcio da decoração do "Café Oriental" ...

«(...) Contudo, é na decoração de um café de Guimarães que a presença do Egito se torna emblemática: referimo-nos ao Café Oriental, situado no Largo do Toural, inaugurado em dezembro de 1925,que viria a encerrar em 1967 para instalação de uma agência bancária. O projeto que o capitão Luís de Pina concebeu para este café, inspirado em motivos do Egito faraónico, reflete o impacto das descobertas arqueológicas dessa época, sobretudo a do túmulo de Tutankhamon, em 1922, divulgada de forma sensacional. Desde o desenho das portas da rua, inspiradas nas do pavilhão real de Ramsés III, às colunas interiores, que reproduzem as do templo de Karnak, às estátuas de Ramsés II e da princesa Nafrît (também conhecida por Nefert ou Nofret), réplicas das estátuas originais existentes no Museu de Berlim e no Museu do Cairo, aos painéis pintados nas paredes com cenas do Antigo Egito, até à decoração do teto, pintado de azul, com estrelas e abutres, como nos templos de Tebas, tudo se combina "de modo a formar um conjunto harmónico no recinto a aproveitar, dando-se aos coloridos a ilusão do baixo relevo, que era gravado na pedra". A este programa decorativo acresce o mobiliário do café, cujas mesas possuíam um pé central de forma piramidal, decorado com hieróglifos, e cadeiras cujos espaldares apresentam um disco alado enquadrado por duas cobras uraeus, num conjunto que não descurou qualquer pormenor. O Café Oriental pode ser considerado como uma singular expressão da Egiptomania em Portugal, dele subsistindo algumas peças de mobiliário, recolhidas pelo Museu Alberto Sampaio e por alguns particulares, e fotografias pertencentes aos arquivos fotográficos do Museu Alberto Sampaio, da associação Muralha e da Foto Beleza. A memória deste café, evocada na entrada do atual Restaurante "Café Oriental", permanece viva nas últimas gerações de vimaranenses que o conheceram e aí conviveram, em «perfeito ambiente egípcio». in: "Sob a sombra de acácias peregrinas: notas sobre uma expedição etnobotânica ao Egito" de Manuel Miranda Fernandes e Raul Pereira (2020).



Publicidade no jornal "Os Arautos" de Julho de 1934

O mobiliário do "Café Oriental", fabricado pela firma vimaranense "Marcenaria Neves & C.ª, Lda.", especializada em revivalismos e estilos historicistas, tão do agrado da clientela convencional local, revelava, sobretudo nas cadeiras, uma clara inspiração nos modelos egípcios que as descobertas arqueológicas no Egipto relançavam. 

Após 42 anos de existência o "Café Oriental", depois de ter sido um ex-libris de Guimarães, e durante muitas décadas uma referência para aos vimaranenses e para quem visitava Guimarães, encerrou definitivamente as suas portas, em 18 de Julho de 1967, para ali se instalar uma dependência bancária do "Banco Português do Atlântico", que demoliria todo o seu interior..

«Foi com alvoroço e viva satisfação que a população vimaranense assistiu à sua inauguração ("Café Oriental"), pois veio enriquecer o nosso património artístico.
Agora assiste com pesar ao seu encerramento.
Em sua substituição vai surgir um estabelecimento bancário.
às sucessivas tertúlias de intelectuais que por ali passaram com a verve e cintilância de espírito sucede o mercantismo da banca.
É esta a mentalidade dos tempos que passam.»


Actualmente, o nome foi rescussitado no mesmo edifício, desde 1981, com a abertura do Restaurante "Café Oriental", propriedade de Abel Fernandes e que funciona basicamente como restaurante, e take-away, ocupando a cave e o primeiro andar. A entrada pela praça faz-se por uma pequena porta. Aqui ficam algumas imagens ...




fotos in: Memória de Araduca, ResearchGate, José Castelar (Facebook), Fototeca de GuimarãesSociedade Martins Sarmento (Hemeroteca Vimaranense)

17 de agosto de 2022

Caixa Económica Operária

A "Caixa Economica Operaria" foi fundada em 8 de Novembro de 1876, como sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, tendo instalado a sua sede social na Rua da Infância, actual Rua Voz do Operário, no Bairro da Graça em Lisboa. Embora denominada de Caixa Económica, nunca funcionou como instituição de crédito.

Para a instalação da sua sede, foi cedido pela Câmara Municipal de Lisboa o terreno nº 1 da Rua da Infância, por escritura lavrada em 21 de Fevereiro de 1875. Mais tarde em 4 de Janeiro de 1915, é vendido o mesmo terreno à "Caixa Económica Operaria", por escritura lavrada em 4 de Janeiro de 1915, tendo sido anulada a escritura anterior. 

Constituída com o capital mínimo de 1.000$00, representado por ações de 100$00 cada, teve estatutos de 18 de Setembro de 1925, 28 de Janeiro de 1928 e 8 de Junho de 1931. Segundo eles, a "Caixa Económica Operária" era uma sociedade cooperativa de crédito e consumo tendo por missão o crédito, a produção, o consumo, a instrução e o recreio dos seus sócios e familiares. As operações de crédito que praticava limitavam-se à concessão de empréstimos sob caução ou fiança e a créditos ao consumo dos próprios sócios.

Inauguração da Padaria na "Caixa Económica Operária" em 5 de Setembro de 1932

"Paulino Ferreira" um dos muitos que faziam parte de exposições. Aqui em 16 de Setembro de 1939

Por ocasião duma exposição de trabalhos de indústria dos seus associados nas instalações da "Caixa Economica Operaria", a revista "Occidente" de 1 de Junho de 1889 escrevia:

«Ha treze annos que alguns operarios do bairro de Alfama pesaram em organisar uma associação, sob o titulo de Caixa Economica Operaria com o fim de se auxiliarem mutuamente, instruindo-se, reunindo as suas economias e formarem um fundo social para prover as suas necessidades de consumo e fomentarem a sua produção a adquirir instrumentos de trabalho, formando emfim uma grande familia em que todos trabalhassem para um melhor futuro. (...)
Ao fim de dez annos de associação a Caixa Economica Operaria conseguia ter uma casa sua, construida em terreno que a camara municipal de Lisboa lhes cedeu para esse fim, e o capital preciso para levantar o edificio foi fornecido pelo cofre da Caixa e d'entro de dez annos deve estar pago.
E, em cada anno que passa o seu movimento de capital cresce a olhos vistos, recompensando generosamente, os sacrificios que foi mister fazer para chegar a este ponto.


Mas os indicadores d'esta florescente associação não se deixam adormecer sobre os louros colhidos, e vem d'isso dar uma prova evidente, na exposição de trabalhos da industria dos seus associadose de todos os que á mesma quizeram concorrer apresentando productos da industria nacional. (...)
Ali se podem vêr desde a machina de vapor até ás industrias caseiras. De tudo ha um pouco que nos diz que de tudo se produz na nossa industria.
Os productos de metallurgia, são completos e representam bem os progressos d'este ramo no nosso paiz. Depois encontramos os productos da typographia, da chapellaria, dos tabacos, da marcenaria, das industrias caseiras, da gravura e da esculptura em madeira em que se notam muito especialmente os magnificos trabalhos de talha executados pelos srs. Passos de Azevedo e José Maior para o sr. Dr. Rebello da Silva. (...)»


O edifício da "Caixa Económica Operária" compreendia, para além dos armazéns para os géneros de consumo, e escritório, contava também com um gabinete de leitura e biblioteca, e ainda uma sala de aula para os filhos dos associados.


O edifício após a sua ampliação e em foto de 1975



Artigo em 1912 no "Almanach O Mundo"

Na cidade do Porto em 18 de Março de 1900 era fundada, por operários militantes do "Partido Socialista Português" (fundado em 1875), a sua congénere: a "Cooperativa do Povo Portuense". Em 1906 já era uma florescente cooperativa de consumo e produção. Tinha uma unidade industrial de tipografia, onde os operários já usufruíam do horário de oito horas de trabalho diário. Tinha uma sapataria, duas mercearias no Porto e mais uma mercearia em Matosinhos, além de serviços funerários e de crédito, totalizando mais de mil sócios. 


Instalações da "Cooperativa do Povo Portuense", inauguradas em 1914

Entre 1917 e 1921 a "Caixa Económica Operária" viveu alguns momentos conturbados, fruto do clima político instável que assolava a praça lisboeta. As classes operárias da capital foram seriamente atingidas e a instituição, face às dificuldades sentidas, contraiu um empréstimo no "Montepio Geral".

4 de Agosto de 1937

Esta instituição também serviu fins políticos. Foi nas suas instalações que, o «Partido Comunista Português secção da Internacional Comunista» realizou o segundo e último congresso, em 29 de Maio de 1926, antes da sua ilegalização. Este congresso seria interrompido, no dia seguinte, devido ao golpe militar do Marechal Gomes da Costa, que vindo de Braga chegou a Lisboa nesse dia 30 de Maio.



1948





1998

Actualmente,  a "Caixa Económica Operária" promove espectáculos ao vivo, festas, torneios de cartas, etc.





2016

Esta instituição, teve um importante papel junto das classes trabalhadoras da capital, na prestação da sua missão, subsistindo até aos dias de hoje.

fotos in: Hemeroteca Municipal de LisboaArquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Projecto Mosca

14 de agosto de 2022

Curiosidades Automobilísticas (33)

 

Exposição da "Morris", importada pela firma "A. M. Almeida, Lda.", em 1936


Anúncio de 14 de Setembro de 1936


"Auto-Lusitania" de Alfredo Duarte, Limitada na Avenida Liberdade, Lisboa, em 1930


1934


"Stand República" de "A.R. Garcia, Limitada" , em 1930


Garagem de veículos de recolha de lixo


"Sociedade Automobilista Portugueza", na Rua Andrade Corvo, Lisboa

Fotos in:  Arquivo Nacional da Torre do TomboBiblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian 

10 de agosto de 2022

Antigamente (166)


Piquenique na Praia do Guincho, em 1898
 


Salão-Teatro do "Club Gondomarense", fundado em 1903 como "Grémio Aurora e Juventude"


Auto-Car "Unic" da "Empresa de Viação Flaviense". No tejadilho é mais fresquinho ...


Estação de Caminho-de-Ferro de Vilar Formoso


Cacilhas em 1931. Parque da chegada da prova de 10.000 Kms, organizada pelo Automóvel Clube da Alemanha


Casas de Banho públicas na Avenida da Liberdade, em Lisboa