Restos de Colecção

12 de março de 2012

Companhia Industrial Portuguesa

Em 1859 a “Sociedade Geral de Produtos Químicos” montou a primeira fábrica portuguesa, na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira, com a ajuda financeira do Crédito Móvel Português. Em 1881, a fábrica de produtos químicos da Póvoa de Santa Iria pertencia a Ferdinand Óscar Deligny, sendo nela produzido: ácido sulfúrico, ácido nítrico concentrado, carbonato de soda, soda do comércio, cloreto de cal, sulfato de soda, sulfato de ferro e ácido muriático.

A "C.U.F. - Companhia União Fabril ", fundada em 1865, com sede em Lisboa, dedicava-se, principalmente, à produção de sabão, velas de estearina e óleo e massa de purgueira. A sua unidade industrial, localizada em Alcântara, fora montada em 1857 pelo Visconde da Junqueira. Em 1881, a “Fábrica União”, como era conhecido o estabelecimento fabril, empregava 133 trabalhadores, ficando a 6 trabalhadores de integrar a lista das 50 maiores empresas para aquele ano. Em volume de vendas (211 contos) já era superior ao valor mínimo verificado entre as empresas pertencentes à lista das 50 maiores.

Instalações da “Companhia União Fabril”, em Alcântara

A “Companhia Aliança Fabril” foi constituída no final de 1880, com sede em Lisboa, por iniciativa do Banco Lusitano, que tinha nas suas mãos uma fábrica de óleos, sita em Alcântara, cujo proprietário entregara como liquidação de uma dívida.488 O objecto social preconizado nos estatutos não se restringia à produção de óleos, pretendendo os seus fundadores alargar a actividade ao fabrico de sabão e estearina. Para esse efeito, a companhia aumentou as suas instalações em 1883, passando o complexo fabril a ser posteriormente conhecido por Fábrica Sol. Estas eram as maiores empresas da indústria química da década de 1880.

As duas sociedades anónimas de Lisboa, que operavam nos mesmos segmentos de mercado, por acção de Alfredo da Silva principal accionista da “Companhia Aliança Fabril”, fundiram-se em 1898, adoptando a denominação da mais antiga - “Companhia União Fabril” (CUF). A 19 de Setembro de 1908 inaugura a primeira fábrica na pequena vila piscatória no Lavradio e dá início à produção de ácidos, transformando óleo de bagaço de azeitona para o fabrico de sabões. As fábricas empregam cerca de 100 operários. Também em 1908 tem início a construção do Bairro Operário.

Fábrica da CUF no Barreiro, nos anos 30

Publicidade (1928-1934)

O Estado em 10 de Novembro de 1915 tomou posse da “Fábrica de Adubos Químicos da Póvoa de Santa Iria”, que aí tinha sido criada em 1859 conhecida por “Fábrica da Póvoa”. Posteriormente em 2 de Agosto de 1917 arrendou  a Francisco Borges, banqueiro, António Gomes, capitalista, e a Luís Gama, engenherio civil, pela renda mensal de 11.000$00.

 “Fábrica de Adubos Químicos da Póvoa de Santa Iria”, em 1905

Esta fábrica tinha-se instalado nesta freguesia em resultado das facilidades oferecidas com a inauguração do Caminho de Ferro em 1856. Foi primeira fábrica de adubos químicos em Portugal, iniciando-se a expansão industrial facilitada pelo escoamento fácil dos produtos e aproveitando as matérias primas essenciais para o produto final, o sal marinho e os calcários da cortina montanhosa de Vialonga. Posteriormente é constituída a “Companhia Industrial Portuguesa” (CIP) que adquire esta Fábrica.

A “Companhia Industrial Portuguesa” da Póvoa de Santa Iria continuaria durante mais alguns anos a ser a única unidade dedicada à química base, sem contudo ter crescido o suficiente de modo a reconhecer-lhe lugar no grupo das 50 maiores empresas.

Navio mercante “Santa Irene” pertença da “CIP”, em 1930


                            foto in: Alernavios

Fábrica da “Companhia Industrial Portuguesa”,  na Póvoa de Santa Iria

 

Logo a seguir à fusão com a “Companhia Industrial Portuguesa” , a CUF começou a produzir superfosfatos, com a instalação de uma unidade para esse efeito no complexo da “Fábrica União”. Na produção dos superfosfatos entrava ácido sulfúrico. Esta matéria-prima era adquirida à “Companhia Industrial Portuguesa” na sua fábrica da Póvoa de Santa Iria até à entrada em funcionamento do complexo industrial do Barreiro. Aí a companhia passará a dispor de produção própria de ácido sulfúrico, a partir das pirites que se extraíam nas minas alentejanas.

                   Câmaras para o fabrico de ácido sulfúrico                                    Fornos de queima de pirite

 

Tendo larga tradição no fabrico de ácido sulfúrico, fertilizantes, e estuques para a construção civil, é em meados dos anos 50 do século XX que a “Companhia Industrial Portuguesa” passa a fazer parte da esfera do Grupo CUF. Possuía minas de lenhite e e gesso em Óbidos onde também tinha uma fábrica de gessos.

 

A “Companhia Industrial Portuguesa” também actuava na indústria vidreira, na Marinha Grande. Em 1918 a “Companhia da Nacional e Nova Fábrica de Vidros da Marinha Grande” , que possuia duas fábricas de vidros e cristais, alterou a sua designação para “Companhia Vidreira Portuguesa”, tendo sido liquidada em 1921. As suas duas fábricas passaram a ser exploradas pela “Companhia Industrial Portuguesa” a partir de 1926 com o apoio da “Companhia Geral de Crédito Predial Português”.

Fotos da fábrica de vidros e cristais da “CIP” na Marinha Grande

 

Stand da “Companhia Industrial Portuguesa” na V Expo Agrícola e Industrial das Caldas Rainha, em 1927

A segunda representante da indústria vidreira no grupo das 50 maiores, para 1917, era a “Companhia das Fábricas de Garrafas da Amora”. Muito embora com o mesmo nome da companhia que fundara a primeira fábrica de garrafas na Amora, formalmente tratava-se de uma sociedade diferente, constituída em 1909, com capital social de 580 contos e sede social em Lisboa.

1942

                                               1946                                                                                   1960

               

fotos in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, O Grupo CUF

A “Solvay Portugal” que já instalada desde 1934, ano que construiu a sua fábrica de clorato de sódio “Soda Póvoa, S.A.R.L.” chegando a empregar 1.200 operários, também na Póvoa de Santa Iria, viria a adquirir as instalações e terrenos da “Companhia Industrial Portuguesa” .

Neste momento a “Solvay Portugal” fabricação e/ou comercializa produtos químicos de base - carbonato de sódio (denso e leve), bicarbonato de sódio, silicato de sódio, soda cáustica, clorato de sódio, ácido clorídrico, hipoclorito de sódio, cloreto de cálcio, solventes clorados, glicerina e derivados, derivados do bário.

“Solvay Portugal” na Póvoa de Santa Iria

 

11 de março de 2012

Caricas (1)

Inicio, uma pequena série dedicada a antigas tampas de garrafas de refrigerantes, águas, cervejas, e outros a que chamávamos de “caricas”. Com elas podem-se recordar marcas, na sua grande maioria, já desparecidas.

         

         

         

         

         

Depois de usadas por vezes, serviam para o “jogo das caricas” , “corrida de caricas” e para coleccionar. Muitas delas na sua parte interior escondiam por vezes indicações para prémios oferecidos pelas marcas respectivas.

                           

                           

10 de março de 2012

Antigamente (33)

                                                             Estação Central de Portalegre

                         
                          foto in: António Ventura

                                                      «Éden Esplanada» em Évora em 1946

                          
                           foto in: Viver Évora

                   Oficinas de automóveis “Palma & Morgado” (autorizadas Ferrari e Jaguar), em 1954

                           
                            foto in: Os Heróis

                                                    Operárias nas minas de S. Pedro da Cova

                            
                             foto in: Bloghistorias

9 de março de 2012

Paquete “Lisboa”

O paquete «Lisboa», foi construído nos estaleiros “D. & W. Henderson & Co., Ltd.”, de Meadowside, em Glasgow/Escócia, por encomenda da “Empresa Nacional de Navegação”, e entrou no Tejo pela primeira vez em 18 de Junho de 1910. Foi o primeiro navio da frota mercante portuguesa a ser dotado com equipamento TSF. Superior aos paquetes «Portugal» e «África» também pertença da "Empresa Nacional de Navegação" ( futura Companhia Nacional de Navegação (CNN) ), o paquete «Lisboa» media 145 metros.

Paquete «Lisboa» (1910-1910)

Este paquete destinado às carreiras da África Oriental, juntamente com os paquetes «África», e «Lusitania», estava equipado com 12 embarcações a bordo, sendo 10 salva-vidas, para 600 pessoas. Para os serviços de carga e descarga possuía 4 guindastes hidráulicos, o que era novidade para a altura, e 9 a vapor. A bordo havia rede telefónica e estava equipado com 3 telégrafos marítimos (TSF), aliás o primeiro navio português a ser equipado com este tipo de equipamento. A ventilação interior era assegurada por 110 ventoinhas eléctricas.

                                    «África» (1905-1932)                                                        «Lusitania» (1906-1912)

 

Oferecia aos seus passageiros duas magníficas salas de jantar das 1ª e 2ª classes, sala de reuniões, de fumo e de café. Este navio era iluminado por luz eléctrica por 710 lâmpadas de 16 e 30 Watts. Para o caso de doenças ou acidentes a bordo estava equipado com quatro enfermarias. Estava equipado com três cozinhas: duas para a 1ª e 2ª classes e outra a vapor onde se podia preparar uma refeição para 1.000 passageiros em duas horas e meia. Ainda oferecia luxuosa barbearia, lavandaria, farmácia e tipografia, 20 casas de banho e 45 «retretes».

Fotos da 1ª classe do paquete «Lisboa»

                                Acesso ao Salão de jantar                                                        Salão de jantar

         

                                       Sala de música                                                                            Bar

         

O custo deste navio ascendeu a 123.609 libras o que equivalia nessa data a cerca de 800 contos (4.000 €). A sua viagem inaugural foi a 1 de Julho de 1910 largando de Lisboa fazendo escalas no Funchal, São Tomé, portos de Angola, Cidade do Cabo, Lourenço marques e finalmente Beira ambas em Moçambique. Transportou nesta viagem 178 passageiros e 129 tripulantes.

Características:

Tonelagem de arqueação (t.a.b.): 7.450 Toneladas
Propulsão: 2 máquinas a vapor de 3.600 BHP cada. Potência total: 7.300 BHP
Veios de hélices: 2
Comprimento: 140,25 metros
Boca (largura): 16,44 metros
Velocidade máxima: 16,5 nós 
Passageiros assim distribuídos:
1ª Classe - 108 em 40 camarotes 
2ª Classe - 70   em 16 camarotes
3ª Classe - 151 em 18 camarotes
4ª Classe - 860  em beliches na coberta

Tripulação: 120 Tripulantes

Durante uma sua viagem comercial, o paquete «Lisboa», que devia assegurar uma carreira regular entre a capital portuguesa e Lourenço Marques (com escalas programadas nos portos de Luanda, do Lobito e da Cidade do Cabo), partiu de Lisboa  a 1 de Outubro de 1910 transportando 250 passageiros e um carregamento de mercadoria diversa, que incluía gado bovino e azeite. Este navio foi o último navio a sair o Tejo, hasteando a bandeira da monarquia.

Notícia na revista “Ilustração Portugueza”

Sala de jantar da 2ª classe

Na noite do dia 23 de Outubro de 1910, pelas 21 horas, quando ainda navegava em águas do Atlântico, mas se encontrava já próximo da extremidade sul do continente africano, o navio foi despedaçar-se contra os traiçoeiros rochedos de Soldier's Reef, perto de Paternoster (África do Sul). No naufrágio pereceram 7 membros da equipagem do «Lisboa». Também por se ter virado uma das baleeiras morreram 3 passageiros e 4 tripulantes, e o desastre só não teve consequências mais gravosas, graças à utilização do equipamento TSF do navio, que permitiu a chegada rápida de socorros ao local do acidente.

O paquete «Lisboa» navegou apenas 4 meses detendo o recorde do mais curto tempo de vida de um paquete português.

Em 1930 navegaria no porto da Beira, em Moçambique, outro vapor com o nome de «Lisboa».

Vapor «Lisboa»

fotos excepto dos interiores do paquete in: Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Hemeroteca Digital

Para a elaboração deste artigo foi consultado, além de outras fontes, o livro: «Paquetes Portugueses», de Luís Miguel Correia, Edições Inapa, Lisboa, 1992.