Restos de Colecção

4 de março de 2012

Antigamente (32)

           Passeio num automóvel «Lion Peugeot Voiturette» de 1907, em Peniche no ano de 1908

                       

                                          Avião sobrevoando o Palácio da Pena em Sintra

                        

                            Posto de abastecimento de combustível “Sacor” na Parede em 1970

                         

                                                       Corrida de Tractores em Évora, 1957

                          

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Estupefacto, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian 

3 de março de 2012

Fados Antigos (5)

Capas de partituras de fados, do início do século XX.

                                                                                 1913

                                  

                                                                                   1914

                                   

                                                                                  1915                             

                                        
                                    capas in: Instituto dos Museus e da Conservação

2 de março de 2012

Aero Portuguesa

Já em a 19 de Maio de 1927, a alemã “Junkers” tinha fundado a “SAP - Serviços Aéreos Portugueses, Lda.”, sendo a primeira companhia aérea comercial portuguesa. Com um capital social de 50.000 escudos, em conjunto com os sócios privados António Alberto Eça de Queirós, J. Wimmer & Co., Willi Albert Grote e José Vieira da Fonseca, esta Companhia estabelecia as ligações aéreas entre Lisboa Sevilha e Madrid.

“Aero Portuguesa” foi fundada em 22 de Junho de 1934 pelo Comandante João Júdice de Vasconcelos, sendo António de Medeiros e Almeida detentor da maioria do capital social e que tinha fundado em 1924 a empresa A. M. Almeida, Lda. importadora dos automóveis «Morris» para Portugal. Esta Companhia iniciou a sua actividade em 14 de Outubro de 1934 com o trimotor «Fokker» apelidado de “Joyeuse” fretado à “Air France” (piloto Denis e mecânico/rádio Fangeaux) voando do Parque Aeronáutico de Alverca para Tanger. O objectivo inicial, além do transporte de passageiros para Tânger e Casablanca, era o estabelecimento de ligações aéreas postais entre Portugal e o Brasil, utilizando a linha da “Air France” para a América do Sul.

                                                      António de Medeiros e Almeida na porta do avião

                                     

                                                  Evocação do Comandante João Júdice de Vasconcelos

                                              

                                     Voo inaugural no Parque Aeronáutico de Alverca,em 20 de Outubro de 1934

                                        

A frota foi iniciada por um monomotor «Latécoère 28», seguido de outros três aparelhos e finalmente o «Farman» 2200, pertencentes à “Air France” seu accionista maioritário, com que em Janeiro de 1936 foi iniciado, finalmente, os voos regulares e semanais Dakar-Natal-Rio de Janeiro-Buenos Aires. Foi pois em Janeiro de 1936 que se iniciou o serviço regular semanal entre a Europa e a América do Sul e a  "Aero Portuguesa" anunciava nos jornais a ligação postal aérea entre Lisboa e o Brasil em 48 horas, o que representava um verdadeiro record.

A “Aero Portuguesa” voou para Tanger e Casablanca, inicialmente com um Fokker Viib-3m (CS-AAM - 1936), seguindo-se o Amiot Toucan AAC 1 (CS-ADA - 1938), dois Wibault-Penoët 282-T-12 (CS-ABX e CS-ADB – 1941), Lockheed 18-07 Lodestar (CS-ADD – 1941) e Douglas C-47A-85-DL (CS-ADB -1950).

                         

                                     «Fokker» Viib-3m                                                      «Wibault-Penoët» 282-T-12

         

                                                                           «Lockheed» 18-07 Lodestar

                                       

                                                                Etiquetas de bagagem de 1938 e de 1948

                   

Não existiam mecânicos, nem radiotelegrafistas que tivessem certificado comercial e os poucos pilotos militares que o possuíam não eram cedidos pelos respectivos Ministérios. Por consequência teve de se recorrer de início a uma tripulação totalmente estrangeira e aos poucos substituindo por portugueses, objectivo que só dois anos depois de iniciada a linha foi completamente alcançado, com a entrada para a Companhia do comandante José Cabral.

O objectivo da "Aero Portuguesa" era estender os seus voos em 1936 para Madrid e Paris, assim como ligações à Guiné-Cabo Verde e Pointe Noire-Luanda, utilizando aparelhos «Lockheed» em substituição dos «Wibault». Com o eclodir da II Guerra Mundial em 1939, veio a deitar por terra todos este objectivos, pelo que a actividade desta Companhia limitou-se aos voos entre Lisboa-Tânger-Casablanca, sendo a única companhia aérea de um país neutro autorizada a estabelecer uma ligação aérea com território beligerante.

                                      

                                      

                                                      

Durante os seis anos a "Aero Portuguesa" prestou enormes serviços á causa Aliada, e a inúmeros refugiados da Europa que procuravam em Tânger um local seguro. O filme americano “Casablanca” retrata bem este facto, apesar de não evidenciar esta Companhia mas o movimento de aviões e transporte de refugiados do regime nazi. Nesse período, por vezes e durante alguns meses os vôos tiveram uma cadência diária, chegando em alguns dias a efectuarem-se dois voos de ida e volta e isto dispondo «dum só avião, duma só equipagem e três empregados» que, sob  a dedicada direcção do chefe de escritório, tudo faziam, desde a contabilidade da Companhia até ao serviço de tráfego e Operações.

                                  

                                                                    

                                        

          

                                             

Terminada a II Guerra Mundial, a "Aero Portuguesa" regressou aos seus planos inicias de expansão, que mais uma vez foram travados, desta vez pelo Secretariado da Aeronáutica Civil, cuja objectivo era o da criação duma grande companhia aérea nacional. Foi mantida a exploração da linha contractual aguardando a oportunidade de se integrar no organismo que viesse a ser criado para a concessão e exploração da rede imperial e internacional. A “Aero Portuguesa”  em 1953, veio a ser integradas nessa nova companhia viria a ser criada em 14 de Março de 1945 de seu nome “TAP - Transportes Aéreos Portugueses" através da Ordem de Serviço nº 7 dos “SAC – Secretariado de Aeronáutica Civil”, assinada pelo seu Director Tenente-coronel Humberto Delgado.

Mais uma vez António de Medeiros e Almeida viria a entrar nos 50% de capital social reservados aos privados desta nova Companhia., a quando da transformação em sociedade anónima de responsabilidade em 1953. Até então os TAP eram pertença dos SAC – Secretariado de Aeronáutica Civil ou seja do Estado português.

A “CTA - Companhia de Transportes Aéreos”, (post a ser publicado em Abril) pertença do grupo CUF e fundada em 19 de Julho de 1945, que assegurava as ligações aéreas entre Lisboa e Porto, foi liquidada em 1949 após a suspensão desta ligação em 1947 consequência da criação da “TAP” . Em 19 de Setembro de 1946 a “TAP” inauguraria a ligação Lisboa-Madrid com o seu primeiro avião, um Douglas Dakota C-47A (DC3).

fotos in: Portugal Antigo, Coisas da Aviação em Portugal, Airline Timetable Images, Biblioteca Nacional Digital

1 de março de 2012

A. M. Almeida, Lda.

A empresa de comércio e importação de automóveis “A. M. Almeida, Lda.”  foi fundada em 1924 por António de Medeiros e Almeida, que nasceu em Lisboa no ano de 1895. Filho de um médico, quis seguir as pisadas do pai mas após ter frequentado quatro anos do curso de Medicina, desistiu no último ano para se dedicar ao mundo dos negócios. Estudou gestão na Alemanha e de regresso a Lisboa, em 1924 cria a firma “A. M. Almeida, Lda.” e monta na rua da Escola Politécnica, nº 39 em Lisboa um stand de automóveis iniciando a comercialização em Portugal da marca inglesa «Morris».

António de Medeiros e Almeida

Inauguração do Stand da “Morris”  da Rua da Escola Politécnica, em Lisboa em 1932

Seu sobrinho, João Medeiros e Almeida contou: «O meu tio propôs ao Lord Nuffield, dono da “Morris”, abrir um stand em Lisboa com os carros à consignação, já que não tinha dinheiro para os adquirir, dando-se a si próprio como garantia. Nuffield ficou estupefacto com a ousadia, mas aceitou». O stand da «Morris» na Rua da Escola Politécnica foi um sucesso e o lorde inglês não se arrependeu de apoiar o intrépido jovem.

Para a inauguração desta exposição foram convidados os embaixador e consul de Inglaterra, o presidente do conselho executivo da Câmara de Comércio inglesa, o gerente da “Anglo Portuguese Telephone”, e o director da companhia “Vacuum Oil Company”.

Carros expostos:

Morris-Minor 2 lugares
Morris-Minor saloon com tecto de abrir
Morris-Eight coupé sport de 4 lugares
Morris-Eight saloon
Morris-Cowley saloon com tecto fixo
Morris-Major saloon com tecto Fixo
Morris-Oxford saloon
Morris-Isis saloon com 5 lugares

                                               1926                                                                                 1928

 

Limousine «Stutz» de 1928

 

1939

Em 23 de Junho do mesmo ano, casou com Margarida Pinto Basto, pelo lado paterno descendente dos donos da Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre, e materno, dos Condes de Pombeiro; em 1934, adquiriu a maior parte do capital da primeira companhia aérea nacional, a “Aero-Portuguesa”, que efectuava voos regulares entre Portugal e Marrocos. Neste ramo, foi um dos fundadores da “SATA - Sociedade de Transportes Aéreos Açorianos”, da “TAP - Transportes Aéreos Portugueses” e administrador da “IATA - International Air Transport Association”, tendo ainda administrado nos Açores, arquipélago de onde os pais eram oriundos, inúmeras empresas na área da navegação marítima e aérea, produção de açúcar e importação de combustíveis e álcool. Foi sócio da Casa Bensaúde, foi um dos fundadores do Hotel Ritz de Lisboa, e administrador da Companhia Nacional de Fiação, de Torres Novas.

Stand da Rua da Escola Politécnica,apenas com carros ligeiros e pesados comerciais

 

Loja de peças na Rua Actor Tasso

Stand na Avenida da Liberdade, em Lisboa

Em 1969 os escritórios e contabilidade da empresa "A. M. Almeida, S.A.R.L." são transferidos para Alcântara, o que permite a ampliação do salão de exposição e vendas na Avenida da Liberdade, que se pode ver na foto seguinte.

 

 «MG» 1100                               1966                               «Morris» 850

 

A “A. M. Almeida, S.A.R.L.” viria a ser ainda importadora e representante das marcas «Rolls-Royce» e «Bentley» marcas que viriam a ocupar o stand da Rua da Escola Politécnica. Viria também a ser representante da marca britânica «Triumph». Nas suas instalações em Campolide estavam instaladas as oficinas e vendas de peças.

Para a faceta de coleccionador despertou mais tarde. Adquire em 1943 uma casa na Rua Rosa Araújo em Lisboa, mandada construir em 1896 por um advogado lisboeta Augusto Vítor dos Santos, que  em 1927 é vendida ao Estado do Vaticano, para aí se instalar a Nunciatura Apostólica, representada por Monsenhor Pedro Ciriaci, Arcebispo de Tarso. Após obras de remodelação, transforma-a na sua habitação e no início da década de setenta do século XX decide ampliá-la, destruindo para isso o jardim, transformando-a em Casa-Museu, que ainda hoje se mantém. O casal passa então a residir numa casa ao lado, que entretanto adquire e onde habita até ao fim da vida.

Casa na Rua Rosa Araújo, em Lisboa

 

O «Cadillac» Fleetwood sixty special de 1955 de Medeiros e Almeida

O passar dos anos e o facto de não ter descendência fê-lo pensar no destino a dar à sua colecção de grande valor histórico e artístico. Assim surgiu a ideia de fazer uma fundação, concretizada em 1973, à qual doou todos os seus bens valorizando o acervo artístico e cultural do seu país.

Em 1973 António de Medeiros e Almeida criou a “Fundação Medeiros e Almeida”, para a qual doou todos os seus bens.

Interiores da residência de António de Medeiros e Almeida

 

        
 
Em Janeiro de 1978, quando, em Portugal, se viviam as convulsões sociais resultantes da revolução de 25 de Abril, e o seu projecto sofria também de convulsões, escreveu:
 
«Desde os meus vinte anos, isto é, desde 1915, comecei a interessar-me por antiguidades, que passeie a adquirir a partir dos meus 30 anos e quando a minhas posses o permitiam. Esse interesse foi-se desenvolvendo com intensidade e a pouco e pouco fui coleccionando peças raras de valor artístico e histórico como móveis, tapetes, lustres, loiças, bibelots, leques, (...), jóias, livros, cristais, azulejos, (...), etc.
 
À medida que o tempo ia correndo, tornei-me mais exigente e por isso fui pondo de parte determinadas peças e substituindo-as por outras mais valiosas. Assim, a selecção tem-se mantido cada vez mais rigorosa. Algumas dessas antiguidades foram adquiridas com certa dificuldade, umas vezes por os seus donos não quererem desfazer-se delas, outras por os seus preços estarem fora do meu alcance. Casos houve em que, para as adquirir, tive de esperar anos e outros em que, para as observar e discutir a compra, obrigado fui a deslocar-me por esse mundo fora. Mas o facto é que cada uma dessas peças, reunidas ao longo de 50 anos, faz hoje parte do meu ser e reflete o meu gosto. Por isso, sinto-me chocado quando alguém me sugere a vende de uma ou mais peças para resolver a minha actual situação financeira, que é difícil, visto ter entregue à Fundação que criei, todos os meus haveres e do pouco que me resta, parte estar nacionalizada ou comprometida para integrar a Fundação.

Na eventualidade de aumentarem essas dificuldades financeiras, preferirei, se a tanto as circunstâncias me levarem, recorrer à mendicidade, em vez de me desfazer de qualquer uma das peças que com tanto carinho e amor coleccionei para as deixar ao meu país. É possível que, por isso, me apelidem de tolo.» in Wikipédia

         

António de Medeiros e Almeida morreu em Fevereiro de 1986, com 90 anos.

Fotos in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian