Restos de Colecção

15 de dezembro de 2024

Auto Monumental do Areeiro

"Auto Monumental do Areeiro" foi inaugurada em 26 de Novembro de 1950 na, ainda, Avenida A, nº 8 (desde 25 de Janeiro de 1954, Avenida Padre Manuel da Nóbrega) à Praça do Areeiro, em Lisboa. Era sua proprietária a firma "Auto Monumental do Areeiro, Lda.".




Edifício da "Auto Monumental do Areeiro, Lda." na Avenida A

A firma "Auto Monumental do Areeiro, Lda.", tinha sido constituída em 6 de Novembro de 1950, umas semanas antes da inauguração da garagem. Com um capital social de 30.000$00 (trinta contos), foram seus sócios fundadores João Simões Pereira (20.000$) e João Abílio Mendes Simões Pereira (10.000$). 

No Artigo 1º : «A sociedade adopta a denominação de Auto Monumental do Arieiro, Lda, fica com a sua sede nesta cidade e domicilio na Avenida A à Praca do Areeiro, 8, a sua duração é por tempo indeterminado, contando-se os seus efeitos a partir de hoje, e o seu objecto é a exploração de uma garagem de recolha de veiculos automóveis e seus derivados e o comércio e indústria de automóveis, acessórios e pertences, podendo ainda exercer qualquer outro ramo de negócio que os sócios resolvam explorar e não dependa de autorização especial.»

27 de Novembro de 1950


Localização do edifício da "Auto Monumental do Areeiro dentro do rectângulo a vermelho, em 1958


29 de Novembro de 1950

Mas a primeira empresa a ocupar este edifício, no 8-B, foi a "SMEIA - Sociedade de Mecanização Industrial e Agrícola, S.A.R.L.", que entretanto tinha sido nomeada representante dos tractores americanos "Caterpillar Tractor Co."  em Setembro de 1950, em substituição da "Monteiro Gomes, Lda.". Em 1961 estas instalações seriam desocupadas pela "SMEIA", já que tinha sido constituída a "STET - Soc. Técnica de Equipamentos e Tractores, S.A.R.L.", após processo de cisão societária na empresa "Smeia - Sociedade de Mecanização Industrial e Agrícola S.A.R.L." e, com a mesma administração, assume em exclusivo a representação da "Caterpillar Tractor Co." para Portugal e Cabo Verde. A sua sede provisória seria na Avenida de Madrid, 3-B. Consultar neste blog o seguinte link: "STET - Soc. Técnica de Equipamentos e Tractores". 

"SMEIA - Sociedade de Mecanização Industrial e Agrícola, S.A.R.L." à direita na foto e exposição de tractores no exterior


Na revista "Técnica" da AEIST, de Outubro de 1950

João Simões Pereira era um industrial que já era proprietário de outras duas garagens lisboetas: "Garagem Simões Pereira, Lda." desde 31 de Agosto de 1947, a "Grande Garagem Lisboa Parque, Lda.", na Rua Rodrigo da Fonseca, a  "Garagem Simões Pereira, Lda.", na Rua de S. Bento, ambas em Lisboa.

No início a "Auto Monumental do Areeiro" , era uma garagem de recolha, estação de serviço para automóveis ligeiros, pesados e autocarros de passageiros. Mas poucos anos depois, já era agente da marca de veículos automóveis e comerciais alemã "Volkswagen".


15 de Agosto de 1962

A "Auto Monumental do Areeiro, Lda." instalou-se no piso térreo e 1º andar do grande edifício, nº 8 da Avenida Padre Manuel da Nóbrega no qual, e no último piso, estavam instalados os serviços administrativos, estúdios e arquivos da "RARET - Sociedade Anónima de Rádio Retransmissão, Lda. - o maior posto emissor da “Rádio Europa Livre” , frequentemente confundida com a “VOA - Voice of America” (“Rádio Voz da América”), Além das suas principais instalações em Glória do Ribatejo, para coordenar os seus programas, foi necessário montar uns estúdios em Lisboa, no Areeiro, para onde eram enviados os programas recebidos em Benavente, e por via de VHF, UHF e finalmente em SHF. (Super Altas Frequências). Ali, em 8 salas, os tradutores lá iam fazendo as montagens dos programas, sempre rodeados de pessoal português, os quais eram enviados também por rádio, para o Centro Emissor da Glória do Ribatejo, para serem retransmitidos em altíssima potência. Aquando do encerramento e desactivação da RaRet em Portugal , em 1995 o arquivo das mais de 60.000 bobines gravadas na RARET, e guardadas em Lisboa foram enviadas, para a “Hoover Instituition, Standford University”, na Califórnia, EUA. Podiam-se ver as antenas retransmissoras no telhado do edifício do Areeiro.


Antenas e uma das salas de arquivos da "RaRet"

A firma "Auto Monumental do Areeiro, Lda.", passaria a sociedade anónima de responsabilidade por escritura pública lavrada em 2 de Maio de 1969 passando a designar-se "Auto Monumental do Areeiro, S.A.R.L.", com um capital social de 300.000$00 dividido em 300 acções de 1.000$00 cada, que foi subscrito integralmente pelos accionistas fundadores.. Para o primeiro triénio que viria a findar a 31 de Dezembro de 1971, foram designados para o conselho de administração João Simões Pereira (presidente), João Abílio Mendes Pereira e D. Maria Dina Mendes Pereira. No mesmo dia a "Garagem Simões Pereira, Lda." tornava-.se, igualmente, num sociedade anónima, passando a designar-se "Garagem Simões Pereira, S.A.R.L.". Actualmente, a "Garagem Simões Pereira, S.A." dedica-se ao ramo imobiliário ...

31 de Julho de 1972

A "Auto Monumental do Areeiro, Lda.", viria a construir os grandes postos de abastecimento de combustíveis, estações de serviço, stand de automóveis, agência bancária (BPSM), restaurante e loja, na Avenida Cidade do Porto, mesmo à saída/entrada Norte de Lisboa (em ambos os lados da Avenida antes do quartel do Ralis), cujo contrato de concessão pela Câmara Municipal de Lisboa foi celebrado em 18 de Setembro de 1963. Por sua vez, a  "Auto Monumental do Areeiro, Lda." celebrou com a "Sacor" um contrato de distribuição ou revenda de combustíveis líquidos e lubrificantes para o seu posto de abastecimento duplo instalado ao abrigo da referida concessão . Este contrato viria a ser renovado por escritura de 12 de Novembro de 1974 e que viria a caducar em 18 de Setembro de 1988. A partir daqui nasceu um litígio entre a CML e a "Auto Monumental do Areeiro, S.A.", já que esta tinha renovado o contrato com "Petrogal, S.A." em 10 de Agosto de 1990. Este litígio viria a ser sanado com o afastamento voluntário da "Auto Monumental do Areeiro, S.A." e negociações de concessão directas entre a CML e a "Petrogal, S.A.". O acordo viria a ser celebrado em 5 de Julho de 2001 em que a petrolífera pagou uma compensação financeira à "Auto Monumental do Areeiro, S.A.".





6 de Abril de 1972

Durante décadas a "Auto Monumental do Areeiro, S.A." foi concessionário oficial das marcas "Volkswagen" e "Audi" em Lisboa. Em Março de 1987 o seu conselho de administração era assim constituído: João Simões Pereira, presidente; João Abílio Mendes Pereira, vice-presidente; Manuel Tavares de Oliveira, administrador; Maria João Morais Pereira, administradora; Vítor Manuel Morais Simões Pereira, administrador.

3 de Maio de 1990

A "Auto Monumental do Areeiro, S.A." viria ser liquidada e dissolvida em Janeiro de 2014. No ano seguinte, e em Novembro de 2015 seria a vez da liquidação e dissolução da "Sociedade Comercial Guérin, S.A.", fundada em Janeiro de 1918, tinha sido o primeiro importador e concessionário da "Volkswagen"  para Portugal.

Entretanto, as instalações na Avenida Padre Manuel da Nóbrega, passaram para a "SIVA - Sociedade de Importação de Veículos Automóveis, S.A.", que tinha passado a ser o importador do grupo "Volkswagen" ("Volkswagen", "Audi", "Skoda", "Volkswagen" Veículos Comerciais", "Bentley" e "Lamborghini") ao que se foi seguido pela "Santogal, SGPS", que ali instalou as oficinas da marca "Honda".

Entretanto tudo de lá saiu, e o edifício encontra-se fechado à espera do que o destino lhe reservar ...

 

fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital

11 de dezembro de 2024

E-book "Chiado" Séculos XIX e XX - VOL III

Já se encontra disponível para download e consulta gratuitos, o terceiro e último volume da trilogia "Chiado"  Séculos XIX e XX .

Relembro que este faz parte de uma trilogia com o mesmo título, com os restantes VOL I  e VOL II (já publicados), e que totalizaram 123 artigos históricos em 552 páginas.

«Trata-se de uma colectânea de 123 artigos históricos, já publicados neste blog ao longo dos quinze anos de existência, e referentes a variados equipamentos que existiram, ou ainda existem, na zona do Chiado. A distribuição pelos três e-books será por ordem alfabética - VOL I : de A a E;  VOL II : de F a M;  VOL III : de O a Y. Os temas vão desde Hotéis, Teatros, Restaurantes, Lojas, Cinemas, Bares e Boites, Cafés, Grandes Armazéns, Livrarias, Tipografias, Instrumentos Musicais, etc.
A zona abrangida pelos três e-books inclui; Rua do Carmo, Rua Nova do Almada, Rua Garrett (e suas ruas transversais), Praça Luiz de Camões, Rua do Alecrim (até ao Largo Barão de Quintella) e Rua da Misericórdia.
Como sempre nada de profissional, mas de boa vontade ...»

Para aceder ao e-book, a fim de uma simples consulta, ou para guardar em formato PDF, bastará clicar na figura abaixo. 



Clicar na imagem para download e consulta gratuitos (31 MB)



e-books já publicados

Para quem quiser consultar ou fazer o download do VOL I e VOL II, clicar na imagens seguintes. Além desta via poderá, em qualquer altura, aceder a estes e-books (livros), e outros já publicados, na barra de menus deste blog.


Clicar na imagem para download e consulta gratuitos (30 MB)


Clicar na imagem para download e consulta gratuitos (26 MB)

8 de dezembro de 2024

Companhia Cinematográfica de Portugal

A "Companhia Cinematographica de Portugal" foi fundada em 17 de Dezembro de 1912, tendo a sua sede na Avenida da Liberdade, 18 em Lisboa. Foram seus principais fundadores, Raul Lopes Freire (dono do "Salão Central"), o alemão Arthur Gottschalk (engenheiro), o austríaco Carlos Stella, Leopoldo O'Donell (dono do "Olympia"), Salomão Levy, etc.


Em 20 de Dezembro de 1912 o jornal "A Capital" noticiava:

«Inaugura no dia 1 do proximo mez de janeiro as suas installacoes a Companhia Cinematographica de Portugal, successora da Empresa Portugueza Cinematographica e da União Cinematographica Limitada. Esta companhia, cujo capital realisado à de 400:000$000 réis, destina-se á compra, venda, fabrico e aluguer de fitas e apparelhos cinematographicos, bem como a exploração de todos os negocios que digam respeito a estas industrias. Fazem d'ella parte, como clientes e accionistas, quasi todos os animatographos de Lisboa, Porto, provincias, ilhas e colonias, o que garantira um futuro prospero a nova empreza, e e um penhor seguro da apresentacão de films, que, se não fosse a formacão da nova empreza, decerto não viriam a Lisboa pela sua elevação de precos.» 


                                                   1910                                                                                   1911

A 30 de Janeiro de 1913, a "Companhia Cinematográfica de Portugal" estreia, no "Chiado Terrasse", "Salão Central", "Salão da Trindade", "Olympia" (Lisboa), e no "Jardim Passos Manoel" (Porto), o film "Desastre do Monoplano 'Gnome' na Amadora", em reportagem da "Lusa Film" sobre a ocorrência em 26 de Janeiro; o piloto francês Sallé assistiu no "Salão da Trindade" e, a 6 de Fevereiro, viria a ser vítima de outro acidente em Belém, também filmado, com o aeroplano "Bleriot".


5 de Setembro de 1913

«Hoje, o mercado cinematográfico português é dominado, directa ou indirectamente, pelas grandes majors americanas. Mas nem sempre foi assim. Nas primeiras décadas de cinema, as salas eram dominadas pelos filmes das casas produtoras europeias, nomeadamente a Pathé, a Gaumont, a Films d’Art, a Italo Films, a Ambrosio e a Eclair, representadas pela Empresa Cinematográfica Portuguesa, fundada em 1908 pelo austríaco Karl Stella.
Em 1912, Stella associa-se ao luso-irlandês Leopoldo O’Donnell e ao alemão Arthur Gottschalk para criar a Companhia Cinematográfica de Portugal, uma distribuidora ainda mais forte. Nas salas nacionais, o cinema americano era então escasso e pouco conhecido, resumindo-se essencialmente a alguns filmes de Edison, sendo dominantes as produções francesas, italianas, alemãs e escandinavas.» in blog: "À pala de Walsh" por Paulo Cunha (2019)

Em 31 de Dezembro de 1914 e a propósito da fundação da "Empreza Internacional Cinematographica", o seu fundador Pereira Ramos deu uma entrevista ao jornal "A Capital" da qual reitirei o seguinte excerto:

«Como sabe, ha actualmente uma duzia.de cinematographos em Lisboa, o que é pouco se lhe disser que, por exemplo, em Barcelona, ha perto de setenta. E isto para lhe não citar outras cidades e para me não referir tambem ao Brazil onde os cinemas sao salões mais confortáveis e luxuosos do que os proprios theatros, e funccionam desde o meio dia a meia noite sem interrupcao. Todos os animatographcs estrangeiros se forneceram sempre livremente e se continuam fornecendo ainda hoje como meio mais pratico, logico e vantajoso de bem servirem o seu publico. Pois em Portugal succede exactamente o contrario. Ou antes, succedia exactamente o contrario ate a creação da Empreza Internacional Cinematographica.
-Como e porque?
-Eu lhe digo. 
A unica empreza que em Lisboa, ate ha pouco, fornecia films era a Companhia Cinematographica de Portugal a quem estavam sujeitos todos os nossos animatographos por contractos cujos depositos iam ate dez contos! Ora por este processo acontecia que os salões de Lisboa, divididos por sitios perfeitamente distinctos não tinham aquella absoluta liberdade na acquisição dos films que mais agradassem a sua frequencia habitual, visto que só da Companhia se podiam fornecer sob pena de perderem os seus avultados depositos. Era isto justo? Evidentemente que não, tanto mais que o dono ou a empreza exploradora do cinema é a unica entidade com cathegoria para escolher o que mais lhe convém para o sou publico. Subjugados, porem, a um contracto inadmissivel, a liberdade de escolha não existia, e d'ahi a vida difficil d'essas emprezas com visivel prejuizo para os sous in'teresses e para os interesses especiaes dos seus frequentadores. Isto pelo que respeita propriamente a Lisboa, Agora vejamos o que se passa com a Companhia e com os cinemas da provincia. Como a Companhia Cinematographica não obtem os seus films por aluguer, mas sim por compra, resulta que as fitas se restringem na sua variedade de marcas com evidente prejuizo tambem d'essa olientella. Nós, pelo contrario, não compramos fitas. (...)»


Principal actividade profissional de Arthur Gottschalk, desde 1903, em anuncio de 1908


Leopoldo O'Donnell e Raul Lopes Freire

Devido à entrada de Portugal na Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918), foram expulsos de Portugal dois nomes então influentes nos sectores da exibição e distribuição, o alemão Arthur Gottschalk e o austríaco Carlos Stella. Este último, fora uma figura particularmente importante nos primeiros tempos da actividade de distribuição cinematográfica em Portugal e ambos, como já foi referido, ocupavam lugar de destaque entre os sócios fundadores da "Companhia Cinematographica de Portugal", que, desde 1916, controlava o "Cinema Condes" (ex-"Theatro da Rua dos Condes" desde 1916), a mais recente sala de estreia da capital. Os destinos desta companhia ficariam depois nas mãos da família Levy.

Por outro lado numa passagem do livro "Praça de Lisboa", de 1945, na história da empresa "Salm Levy Junior & C.ª" (escrita pela própria empresa) pode-se ler:
«Começando a dedicar-se ao comércio de importação de fitas através da firma Salm Levy & C.ª, Salomão Levy, em 1912, formou um organismo distribuidor, a Companhia Cinematografica de Portugal, actualmente a mais antiga entidade similar, e fomentou a criação e desenvolvimento de novas casa de espectáculos. Assim financeou as instalações do cinema Olimpia, em Lisboa, e do Pró-Cine, em Santarém, vindo depois a explorar o Chiado-Terrasse, Odeon e Palácio, além de outros cinemas nesta capital e nos Açores. A exploração do Chiado-Terrasse ainda se conserva nas mãos de Salm Levy & C.ª.»


A firma "Salm Levy Junior & C.ª" fundada, em Lourenço Marques, Moçambique em 1905 por Salomão Levy Junior, tinha como seu sócios seu irmão Isaac Levy e Carlos Vicente Ribeiro, ambos residentes e comerciantes em Lourenço Marques. A sua entrada no mundo cinematográfico teve início com a compra «no estrangeiro um lote de fitas com destino a Lourenço Marques, furtando a colónia portuguesa a influência de estranhos. Se a transacção o não compensou financeiramente, deixou-lhe, pelo menos, a satisfação moral dum dever cumprido e o interesse pela sétima arte.»

Para o sucesso de Salomão Levy, na área cinematográfica muito contribuiu o facto de ter criado em Madrid, a "Companhia Cinematografica Hispano-Portuguesa" a fim de poder comprar directamente os direitos das fitas para Portugal, que anteriormente eram adquiridos por intermédio dos importadores espanhóis, os quais dispunham da sua concessão exclusiva para a Península Ibérica. 


4 de Junho de 1932


10 de Dezembro de 1932

A "Portugalia Film", fundada em 1909 por João Freire Correia e Manoel Cardoso, foi reconstituída em 17 de Março de 1921, e de cuja direcção faziam parte Salomão Levy Junior, Dr. Augusto de Castro, D. Jose Barahona, Dr. Alberto de Magalhães de Barros, Jorge Matos e Júlio Petra Viana. Tinha como director de propaganda José Maria Pinto Coelho e como diretor artístico e de exploração Leopoldo O'Donell.  

Salomão Levi Junior financiaria alguns filmes portugueses, entre os quais "Lisboa Crónica Anedótica" dirigido por Leitão de Barros, em 1929, com a assistência de realização de António Lopes Ribeiro. Antes, e através da sua "Espectaculos de Arte, Lda.", tinha produzido os filmes de D. Virginia de Castro e Almeida, "Olhos da Alma" (1923) e "Sereia de Pedra" (1923)


1923


23 de Junho de 1929


Ambos os anúncios de 29 de Dezembro de 1932



Terceiro andar do Palacio Povolide (Atheneu Comercial) onde funcionou a "Companhia Cinematográfica de Portugal", em foto de Maio de 1934


1 de Janeiro de 1943

Salomão Levy Junior, através da firma "Salm Levy Junior & C.ª", ainda constituiria, em 1943, a firma "A Internacional - Sociedade de Cinematografia, Lda." ("Internacional Filmes"), e que em 16 de Novembro de 1950 procederia a um aumento de capital de 25.000$00 para 100.000$00 com a entrada dos novos sócios Abraham Joshua Levy e a "Sociedade União Industrial , Lda.". Já eram sócios as firmas "Salm Levy Júnior & C.ª", "Comptoir Universal de Cinematografia - James & C.ª", Joshua Levy,  Isaac Levy, Miriam Sequerra e Moses Bensabat Amzalak.


17 de Abril de 1933


10 de Novembro de 1941

Para termos uma ideia da negociação de aluguer de films - neste caso para o cinema da Pampilhosa (ou Pampilhosa do Botão no município da Mealhada) na época 1931/1932, propriedade da "Empresa Cinematográfica Pampilhosense" (1924-1986) - transcrevo um parágrafo retirado da Tese de Doutoramento em História de Joaquim José Carvalhão Teixeira Santos intitulada "O Cinema no Entroncamento do Progresso - Contributo para a História do Espectáculo Cinematográfico em Portugal" - Vol I  (FLUC - 2011):

«Na resposta da Companhia Cinematográfica de Portugal referia-se, por exemplo, a propósito das condições de contratação do filme Os Miseráveis, que a empresa dispunha de duas cópias, em bom estado, sendo debitada a todos os clientes da categoria deste cinema da Pampilhosa pelo preço de 300$00 por cada espectáculo, ou seja, de 600$00 por toda a fita. Comprovava-se, assim, a escassez de um número de cópias em circulação que só podia levar a um maior tempo de espera, de acordo com uma hierarquia de salas. Verificava-se, ainda, o sentido negocial mais amplo de que se podia revestir o acesso, em condições vantajosas, às produções de maior vulto: “Como Vª Sª nos promete marcar outras fitas, e tratar-se dum salão de poucos recursos, podemos fazer-lhe o preço excepcional de 25$00 por cada parte ou seja 450$00 pela fita completa”. O custo mais elevado do aluguer de certos filmes definia-se, como se compreende, desde a sua produção, passando pelas condições firmadas para efeitos da sua distribuição no nosso país: “A Hora Suprema não nos é possível alugá-la por menos de 400$00, em virtude de tratar-se dum filme que nos custou imensamente caro”. Esperando mais algum tempo, foi possível exibir essa longa metragem na Pampilhosa, a 4 e 5 de Janeiro de 1930, por um preço de aluguer de 300$00.»

A actual "Companhia Cinematografica de Portugal, S.A.", sediada na Rua Luciano Cordeiro, 80 -1º F, em Lisboa encontra-se inativa. A sua última actividade oficial era: «Distribuição de filmes, de vídeos e de programas de televisão».

E para terminar, foto dos actuais inquilinos da loja onde foi a primeira sede da "Companhia Cinematographica de Portugal", na Avenida da Liberdade, 18 em Lisboa. Para variar .... "Tabacaria e Turista". 


Via Google Maps (2024)


4 de dezembro de 2024

Salomão Cardoso - Chapéus

A famosa casa de chapéus para senhora "Salomão Cardoso", terá sido inaugurada por volta de 25 de Dezembro de 1912, na Rua Garrett, 25-27, em Lisboa. Era propriedade de Salomão Cardoso, que tinha sido co-proprietário de outra famosa chapelaria de senhora e crianças "Cardoso & Cardoso", igualmente na Rua Garrett, esquina com a Rua do Carmo.

"Salomão Cardoso" à direita na foto


Casa "Salomão Cardoso" com os seus painéis em vidro pintado estilo "Art Noveau"

A casa "Cardoso & Cardoso" - conhecida pelo "Cardoso dos Chapéus" - era pertença da firma "Cardoso & Cardoso, Lda." tendo sido constituída em 1907 pelos sócios Salomão Cardoso e Pepe Cardoso, e terá aberto pela primeira vez, o seu estabelecimento na Rua Garrett, 2-6 esquina com a Rua do Carmo, em Lisboa por volta do dia 8 de Novembro de 1908.


O "Cardoso dos chapéus" na esquina da Rua Garrett com a Rua do Carmo


Pedido de registo de desenho para caixas de chapéus, em 27 de Março de 1907

Acerca desta casa transcrevo uma nota publicada no jornal "Diário Illustrado" de 8 de Novembro de 1908:

«Evocar esta firma e lembrar ao mesmo tempo. em qualquer meio elegante, o mais aprimorado estabelecimento de Lisboa n'essa tão rara quão delicada especialidade de chapéos para senhoras e creanças
Quem descer o Chiado, ao voltar para a rua do Carmo, refestela, mui naturalmente que sobresahe um variegado sortido de modelos no genero vindos do estranjeiro e todos reveladores d'um fino gosto.
Nao admira que com semelhantes predicados alli concorra a «elite» das nossas damas que no momento buscam fornecer-se de chapéos proprios da estação que começa.
Entre a clientela d'estes ultimos dias teem alli sido vistas a fazer compras as ex.mas sr.a *: Marqueza de Valle Flor, Condessa de S. Lourenco, Condessa de Pinhel e filhas, Condessa d'Almeida, Condessa de Alferrarede, Baroneza da Varzea do Douro, Madame Eduardo Pinto Basto, Madame Joseph Bello, Madame Alboim (Bomtim), Madame Macieira Reis, Madame Hintze Ribeiro, Madame Elisa Barbosa, Madame Chaigruean, Madame Belio, Madame Arrobas. Madame Anjos e lilhas, D. Grabiella e D. Celeste Anjos, etc.»

8 de Novembro de 1908

Com a saída de Salomão Cardoso da sociedade, a loja de chapéus de senhora ficou na posse de Pepe Cardoso e passou a designar-se "P. Cardoso Palace" sob a firma "Pepe Cardoso, Lda.". Por ali ficou até ser substituída por uma loja de roupa feminina e depois em 1942 pela "Secção de Turismo dos Caminhos de Ferro Alemães" seguida da livraria "Ática" inaugurada em 7 de Dezembro de 1946. 



"P. Cardoso Palace" e Hortense Luz em 21 de Janeiro de 1928, por ocasião da "Semana dos Artistas"


"P. Cardoso Palace" em liquidação


"P. Cardoso Palace" já encerrada definitivamente

Após o encerramento da "P. Cardoso Palace" apareceria em 1938 outra loja de chapéus, de seu nome "Cardoso", na Rua da Prata, 13e e 136. Presumo eu, poder ser do mesmo Pepe Cardoso, ou seu descendente. Repito, presumo eu ...

1938

Quanto à "Salomão Cardoso", veio substituir a loja de bicyclettes "Casa Columbia" da firma "J. de Carvalho & Brandão" que ali estava nos números 25 e 27 da Rua Garrett, desde os finais do século XIX.  

15 de Junho de 1901


25 de Dezembro de 1912


3 de Fevereiro de 1913

O jornal "A Capital" em 14 de Julho de 1916, a propósito da "Salomão Cardoso", observava:

«Onde esteve o Amieiro, presentemente em liquidação, foi a Casa de madame Aline Neuville, a grande modista que tão grande fama e renome alcançou. Ao lado fol a  Ourivesaria Mourao e é presentemente a Casa de Chapéus de sr. Salomao Cardoso, uma das mais chics da capital e dos que maior clientella poseue na alta roda lisboeta. E com justiça. E' que nem todos os estabelecimentos que se consagrem a este genero de commercio, que tem tanto de interessante como do difficil, pela porção de faculdades excepcionaes que exhige, podem lograr attrahir as criaturas que apreciam n'um chapeu mais do que os veludos, as plumas e as rendas caríssimas mas, esse nao sei que subtil que se chama o bom gosto e que nao se adquire por que nasce com a pessoa. E os chapéus do sr. Salomio Cardoso conseguem lançar em pleno Chiado a nota alegre do sua inexcedivel elegância e da sua original composicão, cheia de novidade e do imprevisto. Lá fóra, nos grandes centros elegantes do estrangeiro, pouco deve haver que exceda em delicadeza de gosto e em perfeicao de acabamento os chapeus que sahem da casa onde outr'ora teve a sua installaçao a ourivesaria que nao logrou ganhar no Chiado profundas raizes.


1915


24 de Junho de 1916

Na sobreloja deste mesmo prédio, que é o que tem os nos 25 e 27, foi também a casa de modas de madame Cid, mãe do médico Jorge Cid e do consul de Portugal em Bremen Paulo Cid, e viúva do Cid caçador, que não era raro ver-se de chapeu de largas abas, polainas, botas grossas, sacco de caça e espingarda, seguido e precedido de uma matilha de perdigueiros de boa casta.»

Como se pode ler na página da revista "Ilustração Portuguesa" de 8 de Dezembro de 1918, e que publico de seguida, a casa "Salomão Cardoso", já funcionava sob a firma "Salomão Cardoso, Sucessor Leite, Limitada"

8 de Dezembro de 1918

A "Salomão Cardoso, Sucessor Leite, Limitada", viria a encerrar uns anos mais tarde para dar lugar à sapataria de luxo "Onix", após remodelação exterior e interior das suas instalações, que ocorreram em 1939. Na sobreloja viria a instalar-se a loja de modas de luxo, "Dior".

Futura loja "Onix" em obras em foto de 9 de Abril de 1939

12 de Outubro de 1939


Sapataria "Onix" e loja "Dior"


fotos in: Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Nacional da Torre do Tombo