Restos de Colecção

19 de abril de 2015

Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa

Nas características peculiares da cidade de Lisboa, ao longo dos séculos, em que sobressaíam : a densidade das construções, com recurso a materiais muito combustíveis; a falta de água e o seu insuficiente circuito de distribuição pela cidade (através de poços, fontes e chafarizes); a topografia das suas 7 colinas; a magreza do erário municipal; a rede precária de comunicações e logo a difícil localização do lugar do sinistro e os deficientes meios de combate e de organização, levam a que em  25 de Agosto de 1395, por decreto de D. João I a pedido da Câmara Municipal de Lisboa seja criado o primeiro corpo de bombeiros do país. O “Serviço de Incêndios”.

Ao longo dos séculos os Bombeiros Municipais de Lisboa foram sofrendo várias reformas e reorganizações até 1852.

Cronologia histórica:

25 Agosto 1395 - Carta de D. João I que confirma, a pedido da Câmara, medidas concretas para a prevenção e combate dos fogos em Lisboa. É o primeiro documento que se conhece referente à génese de um serviço de incêndios em Portugal.

1646 - A Câmara lisboeta contrata para o serviço de incêndios, pela primeira vez, um conjunto de trinta oficiais assalariados, entre carpinteiros, pedreiros e trabalhadores, e compra ferramenta para o mesmo efeito.

1681 - O Senado adquire na Holanda as duas primeiras bombas, para além de outras ferramentas como: dois arpéus, baldes de couro, machados, picaretas, enxadas, alavancas.

1683 - É publicado o primeiro regulamento do serviço de incêndios, com preceitos organizacionais e disciplinares rígidos.

1766 - É criado o lugar de capitão das bombas, atribuído ao mestre calafate Domingos da Costa. Terá sido o primeiro cargo de liderança do serviço de incêndios oficialmente instituído.

1794 - O Senado da Câmara cria o lugar de inspector-geral dos incêndios, que passa a ter também jurisdição sobre a  inspecção dos chafarizes, nomeando para o cargo Mateus António da Costa, até então capitão das bombas. Determina ainda a Câmara que as matérias sobre o serviço de incêndios passem a ser da competência de um único vereador.

1834 - Institui-se a Companhia de Bombeiros de Lisboa, vulgarmente chamada do Caldo e Nabo.

1836 - Publicação da tabela dos sinais de incêndio, com o número de badaladas tocadas nos sinos das igrejas e a freguesia a que correspondiam, essencial para se localizar com maior precisão o local do sinistro.

1840 - Criação do pelouro dos incêndios na estrutura da Câmara Municipal de Lisboa.

Ao longo dos séculos os Bombeiros Municipais de Lisboa foram sofrendo várias reformas e reorganizações até 1852. Nesse ano foi promulgado um regulamento mais abrangente e minucioso sobre a prevenção e o combate a incêndios na cidade de Lisboa. No ano em que são adquiridas as primeiras bombas do sistema “Flaud”, e no âmbito desse regulamento o serviço de incêndios municipal passa a designar-se oficialmente “Corpo de Bombeiros Municipais de Lisboa”. Em 1901 dá-se a militarização do “Corpo de Bombeiros”, que passa da tutela do Município para a do Estado.

 

 

 

Em 1925, o Corpo, já novamente sob tutela do município, passa a denominar-se “Corpo Municipal de Salvação Pública”. Em 1930 passa a denominar-se “Batalhão de Sapadores Bombeiros”, e em 1988 sobe de escalão para “Regimento de Sapadores Bombeiros”.

Quartel dos Bombeiros Municipais de Lisboa, no Largo da Graça

 

Quartel na Avenida dos Defensores de Chaves, em 1935

   

Quartel do “BSB -Batalhão se Sapadores Bombeiros” na Avenida D. Carlos I

 

Centrais telefónicas e de operações em duas épocas diferentes

 

                   Gabinete do comandante                                                                        Museu

 

 

Quartel no Bairro da Encarnação

 

De seguida fotos de alguns tipos de viaturas utilizados por este corpo de Bombeiros ao longos dos tempos

 

 

 

Como já referi anteriormente, foi em ano de 1930, que o “Corpo Municipal de Salvação Pública” passou a “Batalhão de Sapadores de Bombeiros” - BSB. Em 1928, existiam no CBML 46 veículos de tracção mecânica, 40 de tracção animal e 7 de tracção braçal.

Com a passagem do “Corpo Municipal de Salvação Pública” a “Batalhão de Sapadores Bombeiros”, e no ano em que completava 535 anos de existência, o serviço de incêndios sob a jurisdição da Câmara Municipal de Lisboa, sofreu novo incremento, verificando-se, por exemplo, a aquisição de 29 novas viaturas.

A renovação do equipamento dos bombeiros originou um concurso ao qual responderam 14 fabricantes, tendo ganho a “Mercedes-Benz”, juntamente com equipamento específico de combate a incêndio de “Carl Metz”.

Na foto anterior, temos na primeira linha, da direita para a esquerda, o carro do comandante, o de comandante de companhia e um dos carros de subalterno de serviço. Todos contêm material de combate a incêndio, na devida proporção. Na segunda fila, um pronto-socorro, uma escada “Magirus” e, provavelmente, um auto-tanque.

Os 29 carros tinham a seguinte tipologia:

Carros do primeiro e segundo comandante - 2
Carros dos comandantes de companhia - 5
Carros dos subalternos de serviço - 5
Prontos-socorros - 15
Auto-tanques – 2

Foi, também, neste ano a 18 de Agosto de 1930, que foi fundada a “Liga dos Bombeiros Portugueses”, passando a ser confederação das associações e corpos de bombeiros de qualquer natureza, voluntárias ou profissionais.

Estas viaturas estiveram expostas no Terreiro do Paço, antes do “Desfile de Sapadores Bombeiros em 1931

Concentração das viaturas no Terreiro do Paço para o desfile de Sapadores Bombeiros de 1931

Homenagem da Revista Municipal (de 1940) aos Sapadores de Bombeiros

Inventário do Batalhão de Sapadores Bombeiros em 1940

Ataque a incêndio do Largo de Camões

  

Outras viaturas e equipamentos mais recentes

 

 

 

 

«Eis como o RSB é a mais antiga corporação de bombeiros em Portugal, que prossegue junto dos lisboetas desde esses tempos medievais o mesmo serviço público da segurança de pessoas e bens e se destaca como herdeiro de uma tradição consolidada por séculos de evolução, a par do pulsar da própria Lisboa nos seus ritmos de crescimento populacional e urbanístico.
Nesse sentido, «Serviço de Incêndios» (desde 1395), «Companhia da Bomba» (desde 1834), «Corpo de Bombeiros Municipais de Lisboa» (desde 1852), «Corpo Municipal de Salvação Pública» (desde 1925), «Batalhão de Sapadores Bombeiros» (desde 1930) e «Regimento de Sapadores Bombeiros» (desde 1988), tudo são designações de uma única e mesma estrutura, a que correspondem diferentes períodos de renovação e modernização institucional, formalizados por medidas legislativas concretas, sobretudo de carácter disciplinador (quase sempre regulamentos).»

 

Outras corporações de bombeiros, igualmente históricas da cidade, são os “Bombeiros Voluntários Lisbonenses”, fundados em 12 de Dezembro de 1910, e os “Bombeiros Voluntários da Ajuda”, fundados em 10 de Abril de 1880, cujos artigos publicados neste blog podem ser consultados nos seguintes links:

Fotos in: Hemeroteca DigitalArquivo Municipal de Lisboa

17 de abril de 2015

II Circuito do Campo Grande

No dia 3 de Abril de 1932, disputou-se o “II Circuito do Campo Grande”, um conjunto de provas automobilísticas organizado pelo Automóvel Club de Portugal e promovido pelo Governador Civil de Lisboa, tenente João Luiz de Moura, e cuja receita reverteu a favor da “Assistência Pública de Lisboa”.

O “Circuito do Campo Grande”  era, na altura, a única "pista" para competições automobilísticas existente na capital. A prova principal consistia na realização de corridas com uma hora de duração, com prémios para os líderes aos 20 e aos 40 minutos.

Além dos «ases do volante», António Guedes Herédia, João Ortigão Ramos e josé Alves Lopes, todos em automóveis «Morris», estiveram presentes os seguintes concorrentes:

J. Lopes da Silva em «FIat»; F. Ribeiro Ferreira em «Mercedes-Benz»; Vasco Fontalva em «Lancia»; Alfredo Rego em «Ford»; Vasco Gaspar, Roberto Sameiro e Abílio Nunes dos Santos em «Bugatti»; Manuel Nunes dos Santos em «Ford» e «Bugatti»; Roque da Fonseca em «Bugatti»; Arnaldo Crespo em «Salmson»; Adriano Lopes Aguiar em «Mathis»; A. Rego Barata em «Mathis»; Diogo Rollin Pereira em «Mathis» e engenheiro Abel Pessoa, em «BNC».

 

Gaspar Sameiro, à média de  100,195 Km/h, foi o vencedor na categoria "corrida", tripulando um “Ford” equipado com pneus “Englebert” e usando carburante “Vacuum”. Em segundo lugar ficou Vasco Sameiro, em “Delage”, que usava pneus semelhantes mas utilizava carburante “Atlantic”. Diogo Cabral, em Bugatti, ganhou a categoria "sport".

Diogo Cabral vencedor na classe “sport” em “Bugatti”

Gaspar Sameiro vencedor na classe “corrida” em “Ford”

Os concorrentes queixavam-se da dificuldade em fazerem ultrapassagens, uma vez que as rectas do circuito eram demasiado curtas. Isso dava vantagem a quem largasse na linha da frente da grelha de partida, cujas posições eram atribuídas em função do número de inscrição dos carros.

Na noite da segunda prova teve lugar na Sede do “Automóvel Club de Portugal” a cerimónia da entrega de prémios aos concorrentes.

Artigo na revista “Ilustração” acerca do “IV Quilómetro de Arranque”, disputado igualmente no Campo Grande,  em 27 de Março de 1932

fotos in: Arquivo Nacional Torre do Tombo, Hemeroteca Digital

16 de abril de 2015

Quiosques de Lisboa (5)

Quiosque no Jardim de São Pedro de Alcântara, “Pavillon Royal” em 1908

Quiosque na Rua da Junqueira

Quiosque no Largo de Alcântara, em 1966

“Quiosque Tivoli” na Avenida da Liberdade, em 1976

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

15 de abril de 2015

Cine-Teatro Luísa Todi

O Cine-Teatro “Luísa Todi” foi inaugurado, na cidade de Setúbal, em 24  de Julho de 1960, pelo Presidente da República Almirante Américo Thomaz.

A história deste cine-teatro remonta a 1 de Agosto de 1897, altura em que foi inaugurado o seu antecessor o “Theatro Rainha D. Amelia”, com um vasto programa, do qual faziam parte a cançoneta “Ventura, o Bom Velhote” e as encenações “O Livro de Mesmer” e “A Barcarola”, esta última do autor setubalense Arronches Junqueiro.

Este teatro, considerado por Sousa Bastos, no “Diccionario do Theatro Português”, publicado em 1908, como sendo «talvez a mais bonita e elegante casa de espetáculos de Portugal», a rivalizar, na época, com a sala homónima de Lisboa,  foi construído pela “Empresa de Recreios Setubalense” e as obras de construção tiveram início a 4 de Outubro de 1894, sob direção do arquiteto italiano Nicola Bagaglia. O edifício era iluminado a gás (“Bico Bauer”) tendo a sala 222 lugares na plateia, oito frisas, 17 camarotes de primeira ordem, outros dez de segunda ordem, dois balcões e galeria de fundo.

Interior do “Theatro Rainha D. Amelia” / ”Teatro Luiza Todi”

 

Os cenários eram da autoria dos artistas Eduardo Machado, João Vaz, Francisco Augusto Flamengo e Augusto Pina. Dos elementos decorativos que recheavam aquele teatro, sobressaem, entre outros exemplos ornamentais, o artístico pano de boca, concebido pelo pintor setubalense João Vaz e que hoje integra o acervo do Museu de Setúbal/Convento de Jesus.

Após a implantação da República em 1910, o “Theatro Rainha D. Amelia” mudou de nome, passando desde Janeiro de 1911 a denominar-se “Teatro Avenida”. O edifício atravessou um período de degradação das instalações recebendo, em 1915, a “Academia Sinfónica de Setúbal”, que rebatizou esta sala de espectáculos de “Luíza Todi”.

“Teatro Luiza Todi”

Recordo que Luíza Todi (1753-1883) foi uma cantora lírica nascida em Setúbal. Luíza Rosa Aguiar Todi, que tinha a capacidade invulgar de cantar com a maior perfeição e expressão em francês, inglês, italiano e alemão, é considerada a meio-soprano portuguesa mais célebre de todos os tempos. No seu “Tratado da Melodia”, Anton Reicha, considera Luíza Todi como «a cantora de todas as centúrias», ou seja, «uma cantora para a eternidade».

Consagração de Luiza Todi, em Veneza em 1791

Monumento a Luiza Todi, em Setúbal

Em Maio de 1918, depois de ter encerrado ao público, o “Luíza Todi” reabriu modernizado, no formato de cine-teatro, e já com instalação da rede elétrica no edifício. No entanto, a fase era de decadência e o teatro chegou a ser alvo de vandalismos tendo, posteriormente, sido adquirido por Raul Perfeito dos Santos que reparou, remodelou e entregou o edifício à “Empresa Rosa Albino”. Depois da morte do empresário José Maria da Rosa Albino, o cine-teatro deixou de ter atividade artística e o edifício começou a apresentar sinais de ruína. Durante algum tempo ainda serviu de sede da “Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense”.

Outro grande polo de cultura popular em Setúbal no início do século XX

Adquirido, em 1958, pela “CUF - Companhia União Fabril”, o Cine-Teatro “Luíza Todi” foi demolido para, em seu lugar, se construir o actual edifício, igualmente um cine-teatro. À total demolição de uma sala de inspiração italiana, sucedeu o Cine-teatro “Luísa Todi”, de traça modernista, desenhada pelo arquiteto Fernando Silva, responsável por outros projectos como o Cinema “São Jorge” (1950) e Hotel “Sheraton” (1972), ambos em Lisboa.

Demolição em 1958

 

Após 2 anos de construção, no dia 24 de Julho de 1960, seria oficialmente inaugurado pelo Presidente da República Almirante Américo Tomás, ministros do Interior, da Economia e da Educação Nacional, além do Presidente da Câmara e Governador Civil de Setúbal. Abriria ao público a 25 de Julho de 1960, exibição do filme “Os Dez Mandamentos”, de Cecil B. DeMille, mo ano em que Setúbal comemorava o primeiro centenário de elevação a cidade.

A propósito da sua inauguração o "Diario de Lisbôa" noticiava:

«A inauguração do novo Teatro Luísa Todi, em Setúbal, com a presença do Chefe de Estado, de ministros e do sr. cardeal-patriarca, constituiu um notável acontecimento. Receberam as entidades oficiais em nome da empresa proprietária, o sr. dr. Jorge de melo e sua esposa, e o programa do espectáculo foi brilhante.
O cantor Armando Guerreiro, de Setúbal, cantou acompanhado pela Orquestra da Emissora Nacional. João Villaret recitou versos de Bocage e, de Paris, veio expressamente Jaqueline Charrat, que dançou a "Morte do Cisne", todos entre grandes aplausos.»

 

O Cine-Teatro “Luísa Todi” antes das obras de requalificação que dariam lugar ao “Luísa Todi - Fórum Municipal”

 

O actual “Luísa Todi - Fórum Municipal” abriu as suas portas em 15 de Setembro de 2012, completamente modernizada e dotada de uma panóplia de valências necessárias para tornar possível o acolhimento de eventos de diferentes estilos artísticos, assim como iniciativas com outras características, tais como congressos e seminários.

Ao longo dos anos, o actual “Luísa Todi - Fórum Municipal” beneficiou de vários investimentos no sentido de se modernizar a sala e a qualidade do serviço cultural prestado. O mais significativo realizou-se com as profundas e complexas obras de remodelação iniciadas em 2009, segundo um projecto de Paulo Ramos e Cidália Worm, do gabinete “ETU - Espaço, Tempo e Utopia”, a partir de um plano desenvolvido pelo arquiteto municipal Sérgio Dias, que culminaram com a reabertura da sala, a 15 de Setembro de 2012, com capacidade para 634 espectadores, completamente renovada e modernizada, mantendo, contudo, as linhas arquitectónicas que se tornaram um ícone na cidade de Setúbal.

“Luísa Todi - Fórum Municipal”

 

Bibliografia: “Luísa Todi - Fórum Municipal”

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Luísa Todi-Fórum Municipal, Crónicas do Professor Nuno Sottomayor Ferrão

14 de abril de 2015

Estabelecimentos Comerciais de Lisboa (39)

“Salão Diniz”, na Rua Augusta

“O Gato Preto”, na Rua Garrett

“Pitta Camiseiros”, na Rua Augusta

Ourivesaria da Guia, na Rua da Mouraria

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa