Restos de Colecção

7 de abril de 2013

Porto de Lisboa (7)

Cais de Alcântara (Doca do “Espanhol”)

Cais da Rocha do Conde d’Óbidos

Cavalo da GNR para embarque navio “Olona” no Entreposto de Santos em 1947

Rebocador “Serra de Sintra” no Cais da Rocha do Conde d’Óbidos

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, APP - Associação dos Portos de Portugal

5 de abril de 2013

Companhia do Assúcar de Angola

A “Companhia do Assucar de Angola SA” foi fundada 4 de Março de 1920  por António de Souza Carneiro (mais tarde António de Souza Carneiro Lara). Casou com D. Ana de Albuquerque e teve 4 filhos a saber: António de Albuquerque de Sousa Lara, Luis de Albuquerque de Sousa Lara, Maria Carolina de Albuquerque de Sousa Lara e João de Albuquerque de Sousa Lara.

                   Prédio na Praça do Município em Lisboa, onde estava instalado no 1º andar o escritório da CAA

                               

                                                                            Interiores do escritório

 

A “Companhia do Assúcar de Angola”  teve a sua sede social em Luanda, na Rua Direita, e escritórios em Benguela e Lisboa. Era proprietária das Fazendas Tentativa, no Caxito; S. Francisco, no Dombe Grande; Marco de Canavezes, no Cubal reservada à produção de sisal, e também detinha a empresa “Sociedade de Recovagens” no Lobito. Em Portugal possuía, ainda a “Refinaria Angola” na Rua Heróis de França em Matosinhos. António Sousa Lara era igualmente proprietário de empresas em Luacho e Caxito (Fábrica de óleo de palma e sabão), e em Cuio (Pescaria e Porto).

 

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

A maior fazenda era a “Fazenda Tentativa” com 20.000 Km2. e após a morte do Comendador António de Albuquerque de Sousa Lara em 1972 e porque, embora casado, não teve filhos, a empresa sofreu algumas alterações na sua estrutura accionista, tendo em 1973 sido adquirida pela família Espírito Santo e foi liderada por António Espírito Santo Silva até à sua ida para o Brasil após o 11 de Março de 1975. Voltando à “Fazenda Tentativa”, esta detinha a maior fábrica de açúcar de todo o território Angolano. Era o orgulho de todos que, como eu, tiveram a honra de conhecer e trabalhar nela. O último gerente da fazenda foi José Rebelo e o administrador residente chamava-se Jaime de Almeida.

                                                                      “Fazenda Tentativa” no Caxito

                                             

Em 1932, Angola produziu açúcar suficiente para abastecer o mercado interno e ainda exportou 21.798 toneladas. Estava em plena produção a “Sociedade Agrícola do Cassequel”, com a sua fábrica da Catumbela, e a “Companhia de Assúcar de Angola”, com a fábrica do Caxito.

Em 1973 dá-se transferência da maio­ria das acções da “Companhia de Assúcar de Angola” e da “Refinaria Angola, Lda.”, de Matosinhos, para o “Grupo Sousa Lara”.

                                                      1950                                                                     1960

                      

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

A empresa teve sempre uma média de 3.500 trabalhadores. Mais tarde, com a introdução da mecanização no que respeita a transportação de cana e carregamento, reduziu a força de trabalho para 2.500 trabalhadores até altura da sua paralisação, em 1991.

A “Companhia do Assúcar de Angola” após a independência foi nacionalizada, e mudou de designação para “Açucareira 4 de Fevereiro”, que ainda hoje mantém.

Lembro as principais produções de Angola em 1973, (em toneladas):

Algodão - 79.000; - Ba­nana fresca -100.000; - Café - 225.000; - Cana de Açúcar - 967.000; - Cimento -767.000; - Crueira - 1.100.000; - Diamantes - 2.125.000 (ou 2.022.000-?- quila­tes); - Farinha de Peixe - 96.300; - Fuelóleo 294.000 (129 mil contos);- Milho -300.000; - Minério de Ferro - 6.052.000; - Minério de Manganês -12.000; - Óleo de Palma - 48.000; - Óleo de Peixe -15.200; - Petróleo bruto - 8.175.000; - Sabão -184; - Sal - 97.000; - Sisal - 60.000; - Tecidos - 22.781 (metros); - Trigo -12.000.

As exportações somaram 15.446.000 (?) toneladas, sendo as principais: - Algodão - 23.300; - Açúcar - 9.700; - Arroz - 2.500; - Banana fresca - 77.000; - Café -218.700; Diamantes - 2.111.000 (quilates); - Farinha de Peixe - 89.000; - Feijão -28.600: - Madeiras - 182.000: - Milho - 112.000;- Minério de Ferro - 6.330.000; Peixe Fresco - 45.000; Peixe Seco -16.000; Petróleo - 7.323.000; - Sisal - 53.000.

A taxa de crescimento das exportações desde 1965 atinge 12,6%, o dobro da do vizinho Zaire. O petróleo passou a liderar as exportações (30%), logo seguido do Café com 26% - sendo Angola o 4° exportador mundial -  e dos Diamantes (10%). Os principais países importadores eram: EUA (28%), Portugal (25%) e o Canadá (10%).

4 de abril de 2013

Cartazes Publicitários (12)

                                                                                           1929

                                                   

                                                                                            1953

                                                    

                                                                                        Porto Barros

                                                     

                                                                                              1972

                                                     

3 de abril de 2013

Antigamente (66)

                                                                           Club Naval de Lisboa

                                      Club Naval de Lisboa

                                                     Lota na praia de Sesimbra (peixe exposto é Chaputa)

                                       Sesimbra

                                                                  Estação dos Pilotos da Foz do Porto

                                        Estação dos Pilotos na Foz do Porto

                                          “Colchões de Palha Tinoco” na cidade de Ponta Delgada nos Açores

                                         Colchões de palha Tinoco (Ponta Delgada)

2 de abril de 2013

Pensão “Mansão Santa Rita”

Pouco ou nada tenho acerca da história desta pensão “Mansão Santa Rita”, o que lamento. Apenas a intenção de partilhar mais umas fotos retratando os interiores deste tipo de equipamento hoteleiro muito em voga até aos finais dos anos 70 do século XX. Como o anúncio de 1953 no final deste artigo indica, situava-se na Avenida António Augusto de Aguiar em Lisboa, 21 - 5º andar, oferecendo «óptimos quartos, esmerado serviço de restaurante e bar».

 

                                 

 

                                

A grande maioria das pensões em Lisboa estavam instaladas em andares de edifícios. Muitos prédios tinham andares em que era «normal» terem 6, 8, 10 ou mais divisões pelo que ou eram utilizadas por famílias numerosas, ou para albergar escritórios de firmas, ou para pensões, e até clínicas privadas.

Aqui fica um exemplo do que acabo de escrever, com o seguinte anúncio de 1933.

                                            

A exemplo de outras pensões de Lisboa e de outras pelo país fora, esta aceitava comensais (as refeições de não-hóspedes eram pagas  mensalmente) e muitos hóspedes viviam na pensão pagando ao mês. Quando da descolonização esse sistema foi ainda mais utilizado, de diversas formas.

                                                   

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

1 de abril de 2013

Casa Bancária José Henriques Totta

A "Casa Bancária José Henriques Totta" teve a sua origem na sociedade cambista fundada em 1843, na Calçada de São Francisco, pelo comerciante portuense Fortunato Chamiço Júnior e designada por "Casa Bancária Fortunato Chamiço Júnior".

                                                                                Anúncio de 1904

                                                             

Nesta altura os únicos estabelecimentos bancários que existiam em Lisboa, eram o “Banco de Lisboa” e o “Montepio Geral”, e no Porto o “Banco Comercial do Porto”, e Fortunato Chamiço Júnior, foi um dos pioneiros da banca em Portugal, tal como seu irmão Francisco de Oliveira Chamiço, primeiro governador do “Banco Nacional Ultramarino”, fundado em 1865.

José Henriques Totta viria a ser admitido na "Casa Bancária Fortunato Chamiço Júnior" em 1865, como modesto cobrador e viria a desempenhar um papel de relevo na vida desta sociedade.

Em 1889 esta casa bancária transforma-se em “Fortunato Chamiço Júnior  & Cª”, com Fortunato Chamiço Júnior e José Henriques Totta como sócios. tendo o primeiro entrado com um capital de 170 contos e o segundo com 11 contos. Em 30 de Setembro de 1893, esta sociedade seria dissolvida, pelo seu sócio maioritário passando todos os activos e passivos para a nova casa bancária de nome individual "José Henriques Totta".

                                                                                 Anúncio de 1907

                                                        

José Henriques Totta transfere o estabelecimento para a Rua do Ouro, 73-75,  assumindo a gerência da casa bancária e dá procuração a três colegas de trabalho: José Henriques de Albuquerque Totta, seu filho, Guilherme Roovers e João Caetano Lopes. O desenvolvimento da actividade bancária desta casa, permitiu a ampliação do estabelecimento, em 1903, passando a ocupar os nos 69,71 e 73 da Rua do Ouro.

                                Instalações da  “Casa Bancária José Henriques Totta” na Rua do Ouro em Lisboa

 

 

 

Seguindo o exemplo do seu patrono Fortunato Chamiço Júnior, José Henriques Totta convida em 1911 o seu empregado João Caetano Lopes para seu sócio, transformando assim a firma numa sociedade de nome colectivo de seu nome "Casa Bancária José Henriques Totta & Cª." Mais tarde, em Março de 1918 e após a morte de seu filho, José Henriques Totta, dá sociedade a dois outros antigos empregados - António Augusto da Costa Ramos e João Gomes - oferecendo-lhes a parte de capital que lhe pertencia e que dividiu em duas quotas de 25 contos cada.

Anúncio de 1912

Em Novembro de 1918, desgostoso  com a morte da esposa, afasta-se da firma e entrega a casa bancária com todo o seu capital aos seus sócios, que o aumentaram. Nesta altura o estabelecimento expande-se de novo para os nºs. 77 e 79 e ocupa o prédio todo da Rua do Ouro.

                                                                Em 25 de Dezembro de 1920 ...

Em 1921, com a necessidade de de reforço de capital, entra para a firma o industrial Alfredo da Silva fundador da "CUF - Companhia União Fabril", mediante escritura de alteração em 19 de Março de 1921, passando a designar-se "Casa Bancária José Henriques Totta, Lda.". Reentra de forma simbólica José Henriques Totta com uma quota de 200 contos, ao mesmo tempo que, Alfredo da Silva em nome pessoal com uma quota de 1.200 contos e através de uma das suas empresas do universo CUF, a "Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lda." com uma quota de 5.050 contos. Os outros sócios manter-se-iam Carlos Alberto Rodrigues (50 contos), João Caetano Lopes (2.100 contos), António Augusto da Costa Ramos, João Gomes e José Pais Borges, estes três em conjunto com um capital de 1.400 contos.

                                

                                

O crescimento da actividade permitiu a ocupação, em 1926, do prédio contíguo à sede, na Rua do Crucifixo, 10 a 24, para expansão dos serviços. Também no Porto, em 1929 a filial instala-se na praça da Liberdade. Nesta época as filiais estavam situadas em Coimbra, Faro, Santarém, Portimão e Olhão.

Em 2 de Julho de 1953 a "Casa Bancária José Henriques Totta, Lda.", transforma-se em sociedade anónima e passa a denominar-se “Banco José Henriques Totta, SARL", e é elevado o capital social de 10.000 para 50.000 contos. O banco passa a ser dirigido por um conselho de administração de que fazem parte além de D. Manuel de Mello, Luís Emílio da Silva, um dos mais antigos empregados e mais quatro administradores.

                                      Filial do “Banco José Henriques Totta” na Avenida da Igreja em Lisboa

                                             

Neste ano inicia-se um novo período de expansão e rejuvenescimento que culminou com a fusãodo “Banco José Henriques Totta” com o antigo e prestigiado "Banco Aliança"  constituído em Julho de 1863 no Porto, promovida por José Manuel de Mello e efectuada em finais de 1960,  tendo entrado em vigor em Janeiro de 1961.

Da fusão do "Banco José Henriques Totta” com o “Banco Aliança” resultou o "Banco Totta -Aliança", que a partir de 1961 passou a funcionar com sede em Lisboa, na Rua Áurea e filial no Portona Avenida dos Aliados.

                                                                                   Anúncio de 1962

                                             

Acerca do historial deste novo banco, consultar o seguinte link neste blog: Banco Totta - Aliança”.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian