Restos de Colecção

20 de abril de 2012

Companhia das Lezírias do Tejo e Sado

A "Companhia das Lezírias do Tejo e Sado" , foi fundada em 25 de Junho de 1836, por venda em hasta pública de terras pertencentes à Coroa, Casas da Rainha e do Infantado. A sua área era de 48.000 hectares, e estendiam-se entre Salvaterra de Magos, prolongando-se por Vila Franca de Xira até ao Mar da Palha.

Mapa da “Companhia das Lezírias do Tejo e Sado”, em 1908

A 28 de Maio de 1836, a Comissão Interina da Junta de Crédito Público manda publicar a lista final de avaliação das Lezírias que serão arrematadas, valendo 2:210:431$307 reis. Só à Casa do Infantado pertenciam cerca de 14.000 hectares da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira, uma das fracções mais férteis e rentáveis das terras das lezírias do Tejo e Sado, a qual constituirá até aos dias de hoje o núcleo histórico e centro geográfico da companhia agrícola.

A “Companhia das Lezírias” contava inicialmente com 325 sócios, sendo as acções nominais, ou estando registadas, em nome de sete firmas. O maior accionista era o Banco de Lisboa com 570 acções, 285:000$000, o senhor José Bento de Araújo, com 300 açcões, e que era o maior accionista nominal e mantinha-se da primeira proposta, na Companhia das Lezírias Nacionais do Tejo e Comporta. O Visconde das Picoas, que também constava da proposta da primitiva companhia, aparece com um registo de 230 acções, correspondentes a 115:000$000 de reis. Domingos José de Almeida Lima, homem de leis com escritório no Largo do Caldas, viria a  juntar-se a José Bento Araújo na Empresa Social da Compra das Lezírias do Tejo e Sado, e seria a partir de 13 de Maio de 1836 o representante da companhia junto ao governo de Sua Majestade, de que era o terceiro maior accionista individual.

«Knifer» australiano de 7 dentes e tractores a vapor, em 1907

                 Rolo «crosshill» puxado por tractor a vapor           1907                             Charrua balança                 

 

Dada a extensão da mesma - 48.000 hectares - foram criadas 5 administrações com sede, respectivamente: em Vila Franca de Xira, Samora Correia, Valada, Golegã e Comporta. Ao longo do tempo a sua área reduziu-se a menos de metade, por via da alienação de património fundiário que marcou os dias difíceis da História Económica Mundial (grande depressão, guerras mundiais, etc.), assim como pelos revezes climáticos, sísmicos e políticos em que foi fértil a História de Portugal.

Todas as fotos seguintes são de 1955.

Palácio do Infantado, em Samora Correia

Cabo da Lezíria, na zona de Porto Alto

 

 

A Companhia das Lezírias do Tejo e Sado tinha uma administração geral composta por uma direcção de cinco membros, dentre os quais se nomeara primeiro presidente José Bento de Araújo, uma assembleia geral composta pelos 100 maiores accionistas, presidida por Domingos José de Almeida Lima, e a Comissão de Exame às Propriedades encarregue de examinar o estado das terras de lavoura, fazer o orçamento de obras e benfeitorias necessárias, propor melhoramentos, etc.

                               Casa de trabalhadores                                   Ermida de Nª Sra. de Alcamé, no Cabo da Lezíria

 

Bebedouros e instalações para o gado

 

Depois de 138 anos de existência a “Companhia das Lezírias” foi nacionalizada em 13 de Novembro de 1975. Na sequência desta nacionalização esta companhia, passou por momentos muito difíceis chegando quase ao estado de falência. Para evitar a especulação, o Estado comprou as acções disponíveis aos accionistas e em Novembro de 1978 será transformada em empresa pública, sob a designação de Companhia das Lezírias, E.P. Na década seguinte evolui para sociedade anónima de capitais maioritariamente públicos, passando a denominar-se Companhia das Lezírias, S.A., sendo o seu capital social inteiramente público.

Perdeu, contudo, grande parte da mão-de-obra assalariada. Eram cerca de 900 trabalhadores ao tempo da nacionalização da Companhia. Hoje há somente 90 assalariados permanentes. Mas felizmente nos anos 90 foi recuperando e voltou aos lucros, sendo hoje uma empresa muito rentável dedicando-se principalmente à produção de vinho e azeite, arroz e cortiça.

Plantação de arroz

 

                               Plantação de sobreiros                                                        Plantação de vinha

 

Na Lezíria Grande de Vila Franca de Xira e a Charneca do Infantado existem um total de 3.500 hectares de terras arrendadas a um total de 47 rendeiros. O remanescente (82%) está sob regime de exploração directa contando com 90 trabalhadores permanentes e cerca de uma vintena de sazonais. Explora 9.000 hectares de forragens, pastagens e restolhos cerealíferos.

A “Companhia das Lezírias”, actualmente, tem a maior parte dos seus mais de 18.000 hectares inseridos na Reserva Natural do Estuário do Tejo e na Zona de Proteção Especial, sendo, por isso, mais que uma empresa, uma instituição, não só pela dimensão, mas pela história e identidade.

Diferentes tipos de máquinas agrícolas, em 1955

 

 

As várias unidades de negócio desta Companhia, distribuem-se pelos 8.500 hectares de floresta certificada, 6.700 dos quais de montado de sobro, no investimento na produção de arroz, com o aumento este ano da área em mais 300 hectares (num total de 1.400 hectares), e sendo Portugal o maior consumidor per capita de arroz na Europa, torna esta cultura atrativa e rentável. Optando pelo regime biológico, a “Companhia das Lezírias” tem um efetivo de 3.800 cabeças de bovinos, tendo apostado num produto inovador, a produção de carne naturalmente enriquecida em ómega 3.

Gado pastando e campinos

 

A vinha e o olival, com a produção de azeite e vinhos a ser distinguida com vários prémios nacionais e internacionais, e ainda a produção equina, a atravessar um momento difícil mas constituindo uma «área tradicional, nobre» desta Companhia, são outras áreas de negócios.

1947

Os vinhos abrangidos com a denominação “Companhia das Lezírias” são produzidos a partir das castas Castelão, no caso do tinto e Fernão Pires, nos brancos. Pertencem à denominação de origem do Ribatejo e são estagiados em madeira nova de carvalho americano e francês. O vinho tinto é seleccionado em anos especiais para dar lugar à reputada marca “Catapereiro Colheita Seleccionada”. Dentre os vinhos de mesa seleccionados destaca-se ainda o “Senhora de Alcamé”.

Stand da “Companhia das Lezírias” , na “Feira Internacional da Agricultura” de Santarém, em 1955

 

A “Companhia das Lezírias” está, neste momento, a apostar numa área "nicho", o turismo e a cinegética, aproveitando o facto de se situar a cerca de 30 quilómetros do maior centro urbano do país, sublinhando os projetos em curso de criação de rotas equestres.

Fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca Nacional Digital

18 de abril de 2012

Antigamente (34)

                                                           Estaleiros do “Arsenal do Alfeite”

                          

                                       “Fotografia Camacho” (na foto: João Francisco Camacho)

                                              

                                          «Douglas» DC-4 da TAP no Aeroporto de Porto Santo

                           

                    Taça de Lisboa em 1953 (na 1º fila ao centro o «Allard» do Conde de Monte Real)

                           

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Os Heróis

17 de abril de 2012

Tintas Atlantic

A marca “Atlantic” de tintas e vernizes, foi pertença da “Fábrica Lusitana de Tintas e Vernizes, Lda.”Possuía uma loja de vendas e armazém na Travessa do Corpo Santo em Lisboa no ano de 1925,  mais tarde nos anos 40 do século XX passou para a Rua dos Remolares, e nos anos 50 para a Estrada de Benfica, em Lisboa

                                                                                   Anúncio de 1925  

                                                                                     

Nos anos 50 do século XX abre uma sucursal na cidade do Porto, na Rua Sá da Bandeira, e passa a contar com um agente na Figueira da Foz, a “Remacol”.

                                             Exterior da fábrica no bairro das Pedralvas em Lisboa                                                        

                                         

                                                           Poster publicitário da autoria de Fred Kradolfer

                                             

                                                                                    Fases de fabrico

                        

                                                                                         Laboratório

                                        

                                                                                        Armazém

                                        

                                                                  Tintas Atlantic

                        Tintas para embarcações “Atlantic”                                Tinta para exteriores “Atlantic”

                 

                                                    Esmaltes                                                         Anti-Corrosivos para navios        

           

Carro de distribuição

1942

1947

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital

16 de abril de 2012

ARTOP - Aero Topográfica, Lda.

A primeira ligação aérea Lisboa-Funchal foi efectuada em 22 de Março de1921. Foi utilizado o hidroavião «Felixtowe» F3 da Aviação Naval Portuguesa, que saindo da doca do Bom Sucesso, em Lisboa pelas 10h e 25 m, amarou no Funchal pelas 17h e 15m. A tripulação era composta pelo capitão de mar e guerra Gago Coutinho, capitão-tenente Sacadura Cabral capitão tenente Ortins Bettencourt e o mecânico francês Roger Suberand.

«Felixtowe» F3 da Aviação Naval Portuguesa, no Funchal

A primeira ligação regular aérea do Funchal a Lisboa, ocorreu em 1949. Essa ligação foi assegurada pela companhia inglesa "Aquila Airways", utilizando os hidroaviões “Short-Solent” 45 quadrimotor passando a fazer as ligações aéreas regulares entre Southampton / Lisboa / Canárias / Madeira. Em Lisboa era utilizado o Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo para escala dos hidroaviões.

Hidroavião da “Aquila Airways” no Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo

«Short» Solent S-45 da “Aquila Airways” na baía do Funchal

 

Estes vôos da “Aquila Airways” terminam em definitivo em 6 de Julho de 1957.

Em Junho de 1958 o Comandante Durval Ferreira Mergulhão, director da “ARTOP- Aero Topográfica, Lda,”,com sede no Largo Frei Heitor Pinto,4-A em Lisboa, parte para Nova York a fim de receber 2  hidroaviões «Glenn L. Martin» PBM 5 Mariner, equipados com dois motores «Pratt & Whitney» de 2.100 cv. fabricados em Hedron em 1944. Adquirido à empresa americana “Surex Trading Co.”, chega a Lisboa em 4 de Setembro de 1958 o primeiro hidroavião baptizado de «Madeira». Este e o «Porto Santo», foram totalmente reconstruídos e adaptados em Portugal por operários portugueses das OGMA, tendo sido modificados no sentido de transportarem 50 passageiros cada, com todo o conforto e ambiente requintado.

Modelo similar de hidroavião adquirido aos EUA e que seriam transformados em Portugal

 

As viagens teriam frequência trisemanal, às quartas, sextas e domingos, com ida e volta no mesmo dia gastando o máximo de três horas em cada trajecto. O custo inicial de uma viagem de ida e volta foi fixado em 2.340$00 (11,70 €). 

Na véspera do vôo inaugural, a 30 de Setembro de 1958 o jornal "Diario de Lisbôa" noticiava:

«A partir de amanhã, uma nova Companhia começa a explorar os transpor.tes aéreos para a Madeira. Trata-se da «Artop» que para tal adquiriu propositadamente dois hidroaviões tipo «Martin Marinern, bimotores, de 2.500 cavalos cada que estiveram colocados em seco em Cabo Ruivo e 100 homens trabalharam de dia e noite para que fosse possível começar as carreiras amanhã
precisamente no dia seguinte áquele que a «Aquilla» suspendeu os seus voos para a Madeira. 
Estes hidroaviões, totalmente reconstruidos e adaptados em Portugal por operários portugueses, foram modificados no sentido de alojarem 50 passageiros cada, com todo o conforto e num ambiente requmtado.
As viagens, em princípio, serão tri-semanais, ás quartas, sextas e dcmingos, com ida e volta no mesmo dia, e com um máximo de três horas para cada trajecto. Os preços para uma viagem de ida e volta são de 2.340$00.
Entretanto, no desejo de facilitar a visita á Madeira de todos os Portugueses que ainda ignoram a beleza e a grandiosidade da «Perola do Atlantico», a «Artop» está a organizar uma lista de preços especiais, de carácter individual, com direito a passagem de ida e volta nos seus modernos hidroaviões de alto mar, e ainda estadia num bom hotel. Também esta a considerar uma tabela de preços especialíssimos para estudantes, e ainda iniciar viagens em regime de pagamento em prestações.»

Em 1 de Outubro de 1958, pelas 8h30m parte do Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, no seu vôo inaugural, o hidroavião «Madeira», levando 18 passageiros e tripulação tendo a viagem sido efectuada em 3h 15m. A bordo seguiram como convidados o Comandante Durval Ferreira Mergulhão, director da “ARTOP” e o administrador da “TAP” o brigadeiro Albuquerque de Freitas.

Hidroavião da “ARTOP” na baía do Funchal

Em 9 de Novembro de 1958 o outro hidroavião de seu nome «Porto Santo» ao realizar a sua primeira viagem para a Madeira e tendo partido de Cabo Ruivo às 12 h 23m, é forçado a amarar no Atlântico a 180 milhas do Cabo de São Vicente. Os destroços nunca foram encontrados , e o ultimo contacto da tripulação via rádio registou: “QUG Emergência”, que no código internacional significava “Sou forçado a amarar imediatamente”.

Registo do pedido de socorro do «Porto Santo»

O Presidente do Concelho, Dr. Oliveira Salazar, ainda deu ordens para que um submarino pesquisasse toda aquela zona onde se supôs pudesse estar o avião. A bordo viajavam 30 passageiros e 6 tripulantes (piloto-comandante, co-piloto, 2 radiotelegrafistas, assistente de bordo e comissário). Apesar dos esforços da Força Aérea portuguesa, espanhola, americana e inglesa (Gibraltar) foram infrutíferas as buscas, nunca se sabendo ao certo o motivo deste desastre atribuído a falha mecânica. Este acidente levou ao encerramento prematuro desta operação, levantando questões sobre as condições de segurança em que se efectuava.

Entretanto em 18 de Outubro de 1958 já tinham sido iniciados os trabalhos de construção do Aeródromo de Santa Catarina no Funchal, tendo os primeiros testes sido realizados na pista de terra batida no início de 1961.

Testes do aeródromo de Santa Catarina em 1961

fotos e alguma bibliografia in: Collecting TAP, Arquivo Municipal de Lisboa, Wikipédia