O Cine-Teatro “Capitólio" inaugurado em 10 de Julho de 1931, é um edifício classificado, de importância arquitectónica internacional, e está localizado no “Parque Mayer”, um antigo recinto de diversões de Lisboa inaugurado em 1922. O arquitecto Luis Cristino da Silva (1896-1976) projectou o Capitólio entre 1925-1929, e o jovem engenheiro José Belard da Fonseca foi o autor da inovadora estrutura de betão armado.
Projecto do arquitecto Luís Cristino da Silva
Em construção
Entrada do Cine-Teatro Capitólio Lateral do edifício
Bilheteira do Capitólio na entrada do “Parque Mayer”
1932
1938
Foi traçado por Luís Cristino da Silva, um dos arquitectos mais proeminentes do Séc. XX português e é considerado por especialistas como o introdutor do modernismo em Portugal. Inaugurado oficialmente em 10 de Julho de 1931, com uma série de inovações que o distinguiram das demais construções, como a introdução de uma escada rolante e de uma esplanada no terraço a 11 metros de altura. Foi equipado com um dos melhores sistemas de som do mundo da marca alemã Bauer.Tinha-se iniciado uma nova era na arquitectura.
Maqueta do projecto inicial
Desse período fazem parte também os edifícios do "Diário de Notícias" e do antigo "Victoria Hotel", ambos na Av. da Liberdade, o edifício da "Standard Eléctrica" na Av. da Índia, a "Estação de Sul e Sueste", o edifício do cinema "Cinearte" em Santos, etc. De todos, o “Capitólio” é dos mais representativos do modernismo e de linguagem mais coerente.
A sala era imensamente grande, podendo acomodar 1391 espectadores, número que esmagava qualquer lotação de outro cinema existente naquela altura.
Entrada Sala de Cinema e Teatro
No palco na esplanada do terraço podia-se assistir a espectáculos de variedades, com actores estrangeiros, estreando todas as semanas, novos espectáculos, e tambem ouvir música por uma orquestra privativa. “Capitólio Jazz”. Tudo complementado por um “esmerado serviço de bar”…
Esplanada no Terraço do Capitólio, com palco para teatro, variedades e música
No dia da inauguração ao público, 11 de Julho de 1931, a cantora e bailarina espanhola Rosarillo de Triana actuou neste palco, alem do ilusionista Espinosa e o corpo de bailarinas “Hermanas Burgos”. Na sala de cinema neste dia estreou-se o filme “Corações no Exílio” com Dolores Costelo. Nos dias de mau tempo o terraço era encerrado e na sala de cinema passava a decorrer espectáculos mistos incluindo a 1ª sessão de cinema e a 2ª sessão de variedades e concerto.
Anúncio da inauguração em 10 de Julho de 1931
Foram feitas em duas ocasiões obras de remodelação e conservação. Acedia-se ao exterior por amplas portas envidraçadas, que foram entaipadas na primeira remodelação em 1933. Ainda nesse ano foi montado no terraço-esplanada, uma cabine de projecção para sessões ao ar livre.
Publicidade de 1932, ao aparelho sonoro “Bauer” instalado no “Capitólio”
Em 1935/36 a sua planta foi novamente alterada sob a supervisão de Cristino da Silva. Foi acrescentado à sua estrutura primitiva mais um pavimento no balcão, além de frisas e camarotes, todo o palco foi reestruturado tal como a cabine cinematográfica. Ficou então habilitado a receber 1400 espectadores.
Depois da remodelação de 1935/36
Planta e preçário de 1953
Programa de 1948
Em 1966 o empresário Vasco Morgado promove uma nova remodelação na sala de espectáculos do "Capitólio", com uma nova plateia e um balcão mais extenso, depois de suprimidos os camarotes, tornando numa sala mais ampla, com melhor acústica e em condições de o público poder assistir a espectáculos de qualquer natureza. Toda a direcção do "Capitólio" foi entregue a o conhecido homem de Teatro, Hermes da Cunha Portela. A reabertura desta «nova» sala teve lugar em 25 de Agosto de 1966, com a estreia da comédia inglesa "A Mulher de Roupão", com a actriz Laura Alves como cabeça de cartaz.
Com a entrada em decadência do Parque Mayer, também o “Capitólio” acabaria por perder público e encerrar no dia 23 de Agosto de 1990 com a última exibição do filme porno, hard-core, 1º escalão “Doce Era o Sexo”. Em 1983, já tinha sido declarado imóvel de interesse público, mas nada foi feito desde essa altura para evitar que o abandono e a ruína tomasse conta do edifício. No novo milénio surgiu um projecto de grande envergadura destinado a reconverter o “Parque Mayer” e devolver ao espaço as luzes e público de outrora, mas no projecto estava prevista a demolição do capitólio com vista à construção de novas infra-estruturas.
1938 1945
1961 1963
1950 1955 1967
Um grupo de cidadãos lutou para que tal não acontecesse e conseguiu que o “Capitólio” fosse inserido no "World Monuments Fund", na lista dos 100 edifícios de interesse histórico mais ameaçados. Esta acção levou a que a Câmara Municipal de Lisboa tomasse a decisão de manter o “Capitólio”, como espaço teatral, e abrisse um concurso internacional para a restauração do mesmo segundo o projecto original do arquitecto Luis Cristino da Silva. Com aprovação da CML em 2 de Setembro de 2009, ao Cine-Teatro “Capitólio" foi dado o nome de “Teatro Raúl Solnado”. Raúl Solnado em 1960 chegou a ser, por pouco tempo, empresário desta casa de espectáculos.
“Teatro Raúl Solnado” em 2017
fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Picasaweb, Universidade de Coimbra, IÉ-IÉ

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